Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Ouvindo jazz em Frisco

31 julho 2003

Ainda dentro da série de notas propositalmente postadas para dar água na boca dos interessados por jazz, segue matéria do San Francisco Chronicle, no original:

The San Francisco Jazz Festival has a reputation for reaching across broad swaths of musical terrain. This year's fall event is no exception, with a mix of headliners that includes pianists McCoy Tyner, Cecil Taylor, Herbie Hancock and Keith Jarrett, organist Jimmy Smith, gospel and R&B singer Mavis Staples (in a tribute to gospel great Mahalia Jackson), guitarist Bill Frisell, Italian trumpeter Enrico Rava and Cuban crooner Omara Portuondo.

The festival is Oct. 23 through Nov. 9, with a preview event on Sept. 20 featuring the Herbie Hancock Quartet and vibraphonist Bobby Hutcherson -- the first time the quartet and Hutcherson will perform together in the Bay Area.

The full lineup, which the festival is announcing today, includes a series of dates with Bay Area artists, among them the Kronos Quartet (Oct. 24-25), Maria Muldaur and Dan Hicks (Nov. 2) and Kitty Margolis (Nov. 9).

On Nov. 3, longtime critic Phil Elwood will be honored with the annual SFJAZZ Beacon Award, which goes to a Bay Area figure who has made major contributions to jazz.

Tyner (Oct. 23) and Taylor (Oct. 30) are doing solo shows, while Jarrett (Nov. 9) is appearing with bassist Gary Peacock and drummer Jack DeJohnette in a performance that celebrates the trio's 20th year of collaboration.

Portuondo, who became internationally known after her work on the 1997 Grammy-winning album "Buena Vista Social Club," is appearing Oct. 25 with acclaimed Brazilian singer Virginia Rodrigues.

Rava is playing in two of the festival's three "Best of Italy" shows.

É HOJE

30 julho 2003

O concerto de hoje à noite, produzido por este CJUB, está se afigurando desde cedo como uma gostosa oportunidade para se ouvir um jazz empolgado, vibrante e com todos os ingredientes para deixar a audiência feliz.

Conversando esta manhã com a "professora" Sheila Zagury, que vai pilotar o quinteto, ela me pareceu bastante feliz com o convite, com os ensaios da banda e com a "set-list", que ficou com uma dosagem bem balanceada entre temas um pouco mais elaborados com outros que poderiamos considerar como de "pura diversão".

Para que se possa avaliar, seguem os temas que serão executados e seus autores:

No primeiro set:
BILLIE'S BOUNCE - Charlie Parker
DONNA LEE - Charlie Parker
BLUE IN GREEN - Miles Davis
SO WHAT - Miles Davis
PENT UP HOUSE - Sonny Rollins
SUMMER IN CENTRAL PARK - Horace Silver
QUICKSILVER - Horace Silver

No segundo set:
AIREGIN - Sonny Rollins
MOANIN' - Bobby Timmons
'ROUND MIDNIGHT - Hanighen / Monk / Williams
GOOD BYE PORK PIE HAT - Charles Mingus
ALL BLUES - Miles Davis
ST. THOMAS - Sonny Rollins
ON GREEN DOLPHIN STREET - Kaper / Washington

Sheila deixou ainda um "standard" bem conhecido, cujo arranjo é bastante "pra cima", segundo ela, para o bis e a consequente abertura para a descontraída "jam session" final, com a participação dos músicos que estiverem na platéia.

Acho que a noite tem tudo para, usando o termo da garotada, "bombar".

A Terceira Noite CHIVAS JAZZ LOUNGE, com produção do CJUB

23 julho 2003

Vai ser no dia 30 de julho próximo, quarta-feira, às 21 horas no lounge do Restaurante Epitácio (Av. Epitácio Pessoa, 980 -Lagoa- fone 2522.1999), o terceiro concerto de jazz da série Chivas Jazz Lounge, produzida pelo grupo que edita este blog.

Essa noite, que consolida a série como uma opção para os fãs do jazz instrumental de qualidade, marcará minha estréia como "produtor" musical. Depois das noites de Arlindo Coutinho e do José Domingos Raffaelli, recai agora sobre mim essa responsabilidade.

Convidei para capitanear o concerto a pianista Sheila Zagury, a quem admiro o talento e cuja "disposição" ao piano sempre me encantou. Sheila vai liderar o grupo de dois sopros - saxofone e trompete - mais baixo e bateria.

Professora Assistente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas cadeiras de Percepção Musical e Piano Popular, disciplina elaborada por ela mesma, Sheila Zagury estudou piano erudito no Brasil e na França, na École de Musique Alfred Cortot, e piano popular com Antônio Adolfo, Tomás Improta e Luiz Eça. Já acompanhou vários cantores e compositores, como Luli & Lucina, Eduardo Dussek, Angela Rorô e Neti Szpilman, entre outros.
Mantém um duo com o gaitista José Staneck há 10 anos. Tocou em várias peças teatrais no Rio e gravou os CDs "Mulheres em Pixinguinha" e "São Bonitas as Canções". Sheila foi a titular do piano da Rio Jazz Orquestra, tendo se apresentado no Jazzmania, no Rio Jazz Club, no Canecão e no Metropolitan, entre outras grandes casas de espetáculo do Rio.

No trompete estará Wander Nascimento, que iniciou seus estudos aos 11 anos de idade na Assembléia de Deus. Aos 14, estava estudando na Escola de Música de UFRJ, onde fez parte da Orquestra Sinfônica. Em 1994, ingressou por concurso na Banda Municipal do Corpo de Bombeiros, a qual integra até hoje. Toca na Rio Jazz Orquestra e também na UFRJazz Ensemble, onde pode desenvolver seu trabalho como trompete solista e onde dá vazão aos seus melhores improvisos, ao melhor estilo de Chet Baker, a quem considera sua maior influência. Os músicos mais próximos a Wander costumam chamá-lo, carinhosamente, de "Miles".

No saxofone, Fernando Trocado estará demonstrando porque é considerado um dos grandes nomes desse instrumento no Rio de Janeiro. Tendo estudado com José Freitas, Paulo Moura, Idriss Boudrioua - que brilhou no primeiro concerto da série - e Ion Muniz, Trocado graduou-se em Regência pela UFRJ. Tocou intensivamente em grupos instrumentais como a Víttor Santos Orquestra, o quinteto Saxophonia, na Orquestra Sinfônica Brasileira-OSB, na Orquestra Sinfônica Nacional e na do Theatro Municipal, entre outras. Participou dos grupos de Dôdo Ferreira - que com seu quarteto, foi o astro do segundo concerto Chivas Jazz Lounge - Marcos Amorim, Claudio Dauelsberg e Ronaldo Diamante, entre outros, e tocou com artistas como Francis Hime, Luís Melodia e Eduardo Dussek. Gravou inúmeros CDs como os com o Saxophonia, a Orquestra de Sax, Tomás Improta, Idriss Boudrioua e Alexandre Carvalho, Dôdo Ferreira, além de Nó em Pingo D'Água, Martinho da Vila e Roberto Carlos, entre outros. Leciona saxofone na UFRJ desde 1996.

O contrabaixista José Luis Maia vem de uma família tradicional de baixistas, sendo filho de Luizão Maia e primo de Artur Maia, que dispensam maiores apresentações. Atua desde 1986 com expoentes da música, em festivais, shows e gravações. Já tocou com Al Jarreau, Jorge Benjor, Bebel Gilberto e Leni Andrade, entre muitos outros. Participou de gravações com grandes instrumentistas como Gilson Peranzetta, Joe Sample, Wagner Tiso, Paulo Moura, J. Moraes, Dario Galante - líder do quinteto que abriu a série CJL - e cantores como Beth Carvalho, Quarteto em Cy, Paulinho Tapajós, de uma extensa lista. Atualmente acompanha Luís Melodia, Zezé Motta, Paulo Moura e Maurício Einhorn.

Fechando o grupo, na bateria estará se apresentando Kleberson Caetano, um autodidata que pesquisou o estilo e a técnica dos grandes bateristas do jazz contemporâneo como Steve Gadd e David Weckl. Essa formação jazzística o levou a tocar com Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira e com Markos Rezende. Fez parte da Rio Jazz Orquestra, apresentando-se nos maiores palcos do Rio, São Paulo, Curitiba, e Fortaleza, além de ter-se apresentado em Toronto, no Canadá. No Brasil, Kleberson tocou com expoentes do samba como Bezerra da Silva e Wilson Simonal.

Segundo Sheila, sua intenção é a de "abranger desde temas do jazz mais elaborado do período que vai dos anos 40 até 60 até uma visão mais contemporânea, com a apresentação de arranjos próprios para alguns clássicos do gênero", no segundo "set".

E tudo apresentado com a energia que é sua marca registrada. Sendo a primeira noite da série Chivas Jazz Lounge a ser comandada por uma mulher, prevê-se uma grande afluência de músicos cariocas para prestigiar a pianista.

Curiosidade- nossa maior visita: 3 horas e seis minutos

Para os membros/leitores que tiverem a curiosidade de saber como são feitas as estatísticas do CJUB, sugiro seguirem este link, onde poderão ler como o nosso contador de visitas as detalha.

E ver, no mesmo exemplo, como e quando nosso recorde de permanência foi batido, com um nacionauta que permaneceu - não se podendo nem mesmo afirmar que esqueceu o micro ligado na página do nosso blog, pois a visita teve nada menos do que 43 trocas de páginas internas, chamadas de "page views" - três horas e meia examinando, apreciando, e muito provavelmente gostando do material que se disponibiliza aqui.

Aproveitando o gancho, queria informar a todos, agora que atingimos 8.000 visitas, sendo que dessas, 4.000 só de março para cá (tendo o blog completado 1 ano em maio) e que a duração média das visitas aumentou muito.

Alem disso, estamos fazendo um belo sucesso entre os nossos manos "tugas" d'além-mar, coisa que muito nos honra e envaidece. Já há pelo menos 8 blogs que nos referenciam em suas páginas e o melhor de tudo, sempre em categorias que vão de "cultura" a "idéias" a "boa leitura". De nossa parte, muito obrigado

Da TV ao cinema, uma metamorfose

O jazz, como gênero musical, abriga hoje dezenas de vertentes. Há exageros. O "All Music Guide" rotula o nosso bom Danilo Caymmi como jazzista. E por aí outros equívocos. Ao se comprar um CD de jazz de algum músico desconhecido todo cuidado é pouco. Há surpresas agradáveis também. Um disco trazendo temas simplistas como "The Jetsons", "Hawaii 5-0", "Maniac" e "Mannix" não pode, em principio, atrair a atenção de qualquer jazzófilo mais qualificado. Na prática, Randy Waldman prova o contrário.
A carreira do pianista e arranjador norte-americano Randy Waldman é bem interessante. Aos 12 já fazia demonstrações com pianos novos para uma loja de instrumentos musicais-seu primeiro emprego. A grande chance veio aos 21 anos, na banda de Frank Sinatra. Mas foi ao lado de George Benson, durante 7 anos, que ganharia maturidade não só como pianista mas como arranjador. Nominado ao Grammy, em parceria com o Manhattan Transfer, acabou levando o prêmio na categoria de melhor arranjo para "Somewhere", via Barbra Streisand. Em Los Angeles, Waldman envolveu-se com trilhas para a TV e o cinema.
Só em 98, com um trio formado por John Patitucci e Vinnie Colaiuta, gravou seu primeiro disco. Em 2001, o segundo CD, "UnReel", um saboroso exercício de originalidade. Waldman é um jazzista moderno, dono de uma concepção musical arrojada.
"UnReel" é uma homenagem aos temas de seriados de TV e ao cinema. Uma visão, claro, jazzística. O arranjo para "The Jetsons" - que parece missão impossível - é aula de criatividade, onde Waldman mostra de cara que teve em McCoy Tyner uma escola. Ele convocou músicos de primeira linha, como Brandford Marsalis, Ernie Watts, Tom Scott e Michael Brecker (saxes), Randy Brecker e Leo Soloff (trumpet e flugelhorn), Gary Burton (vibes), Bob McChesney(trombone), além dos parceiros Patitucci e Colauita e do substituto natural de Benson, Michael Sembello. Há também versões mais comportadas, como "My Favorite Things", "Schindler's List" e "Forrest Gump". No chatíssimo "Hawaii 5-0", outra noção brilhante de harmonia. "America", "Mannix" e "Ben Casey" foram também missões árduas.
A faixa final, "Maniac" (Flashdance) traz a voz e a guitarra de Sembello. O único tiro mais comercial do CD.
"UnReel" recebeu entusiasmadas críticas dos norte-americanos. O desafio provocado por um repertório quase todo medíocre - raras as exceções - foi facilmente vencido. Às custas de um time de jazzistas formidáveis, entre eles, este surpreendente Randy Waldman.

TED NASH, Mistura Fina, 19/7/2003, 1º set @@@½; 2º set, @@@

22 julho 2003

Uma formação inusitada sempre cria uma expectativa no mínimo diferente, no público, se bem que a reunião de sax/clarinete, acordeão, violino, bateria e contrabaixo (em vez de tuba), nada tenha de "extravagante", p. e., para o Tango. Piazzolla, revolucionador do gênero, várias vezes usou essa combinação, como por exemplo no famoso "Summit" com Gerry Mulligan (1974, Orchard), que, (continua).

Blog de profissional - Antônio Carlos Miguel

21 julho 2003

Está no ar o blog desse jornalista especializado em música, que como os bons exemplares do ramo, é interativo e permite que se faça comentários, aos quais Miguel responde religiosamente. Mais uma boa fonte de referência sobre música de boa qualidade, em português, para os interessados.

Uma voz morna e poderosa: LIZZ WRIGHT

A gravadora Verve teve e tem, em seu plantel de contratadas, cantoras "ferozes" como Billie, Ella, Sarah, Dinah, Nina, Abbey, Shirley, Dee Dee, Cassandra, Diana. Como dizem eles lá, tão fora de série que basta chamá-las pelo primeiro nome, que ninguém vai ter dúvidas. E agora está apostando suas fichas numa cantora chamada Lizz - Lizz Wright, para ser mais preciso.

Ao entrar no site da Verve dei de cara com seu novo lançamento, o disco "Salt". Decidi, depois de ler algumas notas, ouvir um pouco de sua voz, já que ainda não tinha tido nenhuma referência ou indicação sobre seu trabalho.

Uma bela surpresa! Lizz, uma jovem negra com um rosto de uma beleza marcante, que me remeteu a uma rainha africana, a despeito de não haver feito, no disco, concessão a standards, o que é uma maneira tradicionalmente fácil de compará-la a outras cantoras, tem uma voz potente e madura, a despeito de seus 23 anos.

Fiquei com a impressão de que em poucos anos teremos nela uma outra grande diva da canção. Vale a pena ouvir, mesmo as curtas amostras sonoras.

E se for o caso de amor à primeira audição, basta encomendar ao Flavio Raffaelli (flavio@raffaelli.com.br) - que está ultimando seu site de venda de CDs e DVDs on-line - que ele trará a felicidade até você, num curto espaço de tempo, e a preços muito competitivos.

Hello guys - it's my turn now

19 julho 2003

Heelo everyone, old or new here, I am Conchita, and was away for a lenghty period. I just got back to NY and when I browsed CJUB, I saw that our blog was again sparing some space for women who like cigars.
I have been honoured in the past by having a short film of myself placed in the left column, but now I would like to submit one picture I am particularly very fond of, it was taken during the shooting for an ad I modelled for.
If you do not like it, just let me know, I'll ask Mauro to take it off. Many many kisses for all there.
Love, Con .

AVISO AOS NAVEGANTES

18 julho 2003

Aos que ainda não sabem.

A caravana CJUB está aberta para inscrições: neste fim de semana, Ted Nash e seu conjunto (tuba, leia-se Wyclife Gordon, guitarra, bateria, leia-se Matt Wilson e tudo mais que tiver direito) e, no outro, Stefon Harris (vibrafone).

Bene-X, de bloquinho em punho, atacará novamente.

As Charuteiras

17 julho 2003

Atendendo aos inúmeros pedidos recebidos, continua aqui a série das moças que gostam de fumar charutos, com uma série de fotos obtidas no site da Cigar Aficionado:
35; 36; 37; 38; 39;

YES, NÓS TEMOS CANTORES

Nasceu em Rio Claro (SP). Foi aluno de Vera Brasil e a partir da década de 70 frequenta as melhores casas paulistanas, como Jogral, Igrejinha, Casa Forte e Flag, entre outras. Com um timbre de voz grave, não muito comum para a época, o já consagrado cantor Zé Luiz Mazziotti se transforma em referência de bom-gosto, uma unanimidade entre os músicos brasileiros. Surgem gravações independentes e algumas produções. Grava "Dona Benta", na primeira trilha do "Sitio do Pica-Pau Amarelo", convidado por Ivan Lins e sob o comando de Dori Caymmi. Seguindo os conselhos do Tom - "a única saída para o músico brasileiro é o Galeão" - Zé Luiz se instala em Paris, onde participa de alguns eventos de jazz, como "Printemps de Bourges" e o Festival de Jazz de Nice, dividindo o palco com Miles Davis, George Benson, Count Basie, Djavan e Gilberto Gil. Só em 94 retorna ao Brasil. Em 95 outro disco independente e o show "Feliz Bossa Nova", com Leny Andrade, Wanda Sá, Menescal e Miéle. Os anos seguintes são para novos shows , até produzir em 2001 um disco dedicado à Sueli Costa, com Lucinha Lins & Gilson Peranzetta. E, ano passado, shows com Fátima Guedes em Campos do Jordão, ao lado da Orquestra de Câmara de Tatuí. Em agosto grava, talvez, o seu mais importante disco, homenageando Chico Buarque.
Pelo convívio permanente com instrumentistas de primeiro time, Zé Luiz carrega uma concepção musical invejável - é um ótimo violonista. Gravar Chico Buarque sem nada a acrescentar não seria provável. "Zé Luiz Mazziotti Canta Chico Buarque" é um CD no mínimo emocionante e de um bom-gosto sem igual. Já se inclui com folga entre os melhores do ano, apesar de independente e sem qualquer distribuição em lojas - somente via www.zeluizmazziotti.com.br. Toda a concepção tem o dedo e o talento de Zé Luiz, com arranjos e músicos formidáveis, sob uma nítida intenção jazzística. Estão com ele o guitarrista carioca Marcos Teixeira, o baixista Paulo Paulelli - admirado por John Patitucci -, o ótimo pianista Fabio Torres e o baterista Celso de Almeida, além dos teclados de Keco Brandão.
Em "Cadê Você" (João Donato), além da participação do próprio Chico, um exercício fantástico de criatividade entre todos os que se envolveram no projeto. Outros momentos de rara inspiração estão em "Embarcação" (Hime), "Almanaque" e "Carolina", além de uma versão francesa para "Eu Te Amo" (Jobim). O CD se presta não só para os amantes da nossa melhor música, mas para qualquer músico bem intencionado e jazzófilos de primeira linha. Imperdível.
Em tempo:Zé Luiz dedica o CD a 2 cantoras, a saber: Shirley Horn e D.Krall

E rola o "Gypsy Jazz"...

16 julho 2003

Originou-se com um guitarrista cigano com dois dedos estrepados e é uma mistura improvável do "swing" americano dos anos 30 com a "musette" francesa dos grandes salões e as levadas "folk" da Europa ocidental. Mesmo 50 anos após a morte da estrela que o fundou, Django Reinhardt, que superou o fato de ter uma mão prejudicada por um acidente para adquirir um virtuosismo inacreditável, o "jazz-cigano" não apenas está vivo mas atraindo novos fãs com suas cadências quebradas e ritmos esfuziantes.

"Há algo especial no temperamento desta música," diz Jean-Francois Robinet, organizador do festival anual de "gypsy jazz" na cidade francesa de Samois-sur-Seine, onde Reinhardt passou seus últimos dias. "Tem um feeling languido, sedutor. Mas que, num instante, pode atingir você na boca do estômago", diz M. Robinet, admirador confesso de Django, que se apresentou no festival a cada mes de junho, na maior parte dos últimos 35 anos.

O "gypsy jazz" também conhecido como "jazz manouche" como a ele se referia a tribo cigana francoparlante de Reinhardt, vem parecendo retomar seu caminho desde que seu pioneiro morreu de um ataque cardíaco aos 43 anos. O crescimento do interesse em "world music" e nas performances acústicas está proporcionando ao estilo novas audiências para além do núcleo "duro" de devotos do jazz, e as famílias ciganas são ainda seus principais expoentes.

A cerca de 60 quilometros de Paris, subindo o rio, numa garganta do Sena, a cidade de Samois tornou-se o lar espiritual do "gypsy jazz", atraindo milhares de pessoas este ano para uma semana de música e homenagens a Reinhardt, movidas a álcool.
Enquanto os maiores expoentes dessa vertente tocam no palco, a principal atração de Samois pode ser encontrada num pedaço de terra lá atrás, onde guitarristas de todo o mundo se reúnem impromptu, formando conjuntos.

Música é a linguagem
Ali, um guitarrista manouche e seu neto de sete anos podem ser vistos desenvolvendo um "standard" do gênero, lado a lado com um sueco ou um britânico de meia-idade, em bandas formadas por até seis guitarristas. Os solos passam de um para o outro enquanto os demais aquecem o ritmo. Muito freqüentemente sem uma lingua comum entre eles, a música se transforma na única ferramenta de comunicação, associada a sorrisos ocasionais, polegares para cima e aplauso mútuo. "Esta é a minha primeira vez aqui em Samois. Comecei a tocar "gypsy-jazz" há dois anos. Ele tem esta qualidade "viva" que eu adoro", diz Andreas Oberg, 24, de Estocolmo.
A habitualmente sonolenta cidade de Samois não poderia estar mais longe, em espírito, da tumultuada vida levada por Reinhardt, com quem o estilo floresceu. Nascido numa vila próxima da cidade belga de Charleroi em 1910, Django aprendeu a tocar a guitarra cigana bem jovem, antes que um incêndio em sua caravana tivesse lhe prejudicado o uso de dois dedos da mão esquerda. Nem essa deficiência impediu que o jovem de 18 anos refinasse um estilo que até hoje espanta a professores do instrumento, adequando solos em velocidades altíssimas a mudanças de acordes que até hoje são suas marcas registradas..
Submerso nas influências ciganas do leste europeu e tocando a música dançante francesa nos cafés de Montmatre, a "musette", conheceu um artista francês que o apresentou ao jazz de Duke Ellington e Louis Armstrong.
Algo ali fez um clique, e uma nova música nasceu. Associando-se ao violinista Stéphane Grappelli em 1934, o "Reinhardt's Quintette du Hot Club de France" ficou famoso no espaço de um ano. Até a 2a. Grande Guerra, produziram mais de 200 números, entre composições próprias de Django e releituras de standards do jazz.
Sua reputação como músico estava selada não apenas entre os músicos americanos que vieram a maravilhar-se com o europeu que tinha adicionado algo novo à música "deles", mas muito além. Instado uma vez por Andres Segovia a dizer o nome da música que tinha acabado de tocar, Django deixou sem ação ao mestre da guitarra clássica, ao dizer: "Não sei o nome. Acabei de inventar."
A guerra separou o grupo, Grapelli ficando em Londres e Reihardt ficando sempre um passo à frente dos nazistas - cujas determinações sobre raça o teriam matado - em alguma caravana, em qualquer lugar entre a Suíça e o Norte da África.
Depois de uma turnê nos EUA com Duke Ellington em 1946, Reinhardt voltou à França com uma guitarra amplificada e a determinação de atualizar sua música com os novos idiomas do bebop do saxofonista Charlie Parker e do trompetista Dizzy Gillespie.

Nova geração
A despeito de alguns rasgos de sua genialidade inicial, muitos achavam que estava faltando algo mais em sua maneira de tocar. De qualquer maneira, o jazz tinha encontrado um novo herói da guitarra bebop na figura de Charlie Christian. Então Reinhardt recolheu-se a Samois onde jogou sinuca num bar local e pescou no Sena até sua morte súbita em 1953. Enquanto morria desiludido, sua herança musical permanece até hoje inquestionável.
As estrelas atuais do "gypsy jazz", como Bireli Lagrene, conseguem lotar um recinto grande e a musica ainda pode ser ouvida em bares como o La Chope des Puces, perto do mercado das pulgas de St. Ouen, ao norte de Paris.
Robinet e outros dizem que uma das preocupações atuais é que cada vez menos jovens "manouches" parecem estar vindo para a guitarra, significando que a música poderia se afastar das raízes européias, que a distinguem do jazz "mainstream" dos EUA. "Está nas mãos da nova geração agora, não importa de onde venham," diz Chatou Garcia, um cigano de 59 anos vestido numa veste branca, usando um chapéu fedora e uma bela argola de ouro numa das orelhas. "Está evoluindo, como deve acontecer. Mas não deve brincar muito longe de casa, de onde tudo começou. Para não ficar muito americano."

Bourbon St, Jazz & soul

15 julho 2003

Último dia 12, na rua dos Chanés, 127, Moema, São Paulo. A casa, Bourbon Street Music Club. Além do habitual Bourbon Street Jazz Trio, encerra-se a temporada "Encontro Soul 2003", com o vocalista californiano Victor Brooks e o carioca Zé Ricardo, depois de 3 semanas seguidas de apresentações.
Assim como o Mistura Fina está para o Rio, o Bourbon St. está para São Paulo. Há sempre um intercâmbio mensal entre artistas internacionais - recentemente o New York Voices, e no próximo dia 23 o quarteto do vibrafonista Stefon Harris. O clima da casa tenta ao máximo recriar o ambiente descontraído e típico da famosa rua de New Orleans, até mesmo na gastronomia ou bebidas. Vários posters espalhados, com personalidades do jazz, como Nat King Cole, Louis Armstrong, Bille Holiday e etc.
A música rola a partir das 22 horas. Fora do palco, quase escondido - por não ser a atração principal - o Bourbon Street Jazz Trio ataca por 2 horas. Ary Holland (piano), Nilton Leonardi ( baixo) e Sergio Della Monica (bateria) formam um trio, no mínimo, afiado e contagiante. Holland é um "self made" com tempero à moda Corea, Jarrett e Hancock. Os solos são sempre inteligentes, com soluções harmônicas agradáveis. Leonardi mostra nas primeiras notas - baixo elétrico - que pelo menos para ele o Jaco não morreu. Já Della Monica, quando parte para os ritmos brasileiros, deixa no ar um "swing" diferente dos parceiros paulistanos. Carioca - foi vizinho do craque Pascoal Meirelles - tocou com Gal Costa, Ney Matogrosso & cia. Todos os temas abordados são praticamente "standards" do jazz, como All Blues, On Green Dolphin Street, So What, este parte de um medley que desagua com habilidade em Casa Forte (Edu Lobo). O trio quase só recebe aplausos dos que já se habituaram com ele nas noites da casa. Merecia mais. E teve ainda a canja final do saxofonista mineiro Marcelo "Bambam" Coelho, um coltraneano de carteirinha esquentando o sopro para o espetáculo principal.

Pouco mais da meia-noite, "the main event". Há vazios em frente ao palco, como um espaço para se dançar. Como a aventura é "soul-funk", a alternativa é bem provável. Pela banda, a coisa promete. Os cariocas Claudinho Costa (guitarra), Jorge Aylton (baixo elétrico) e Digão (bateria) - todos do gênero - juntam-se ao tal Bambam e ao tecladista Mauricio Piassarolo, cuja maior referencia é ser filho do ótimo guitarrista Ary, que inclusive esteve tocando no exterior. Victor Brooks, um negro de sorriso aberto e bastante comunicativo, abre o encontro com uma homenagem a Marvin Gaye - isso seria óbvio. A voz, potente, é própria dos cantores de "soul", e a versão do clássico "What's Goin' On" , irretocável. E a intenção "funk" de muito balanço ativa os bailarinos de plantão. Entre temas de Stevie Wonder, misturados aos genéricos brasileiros de Tim Maia, Sandra de Sá e etc, Brooks e Zé Ricardo agitam a casa. Os saudosistas dos anos 60 & 70 vibram.
Para um programa sem burocracia, básico, o Bourbon St. se presta com sobras. A qualidade de som garante uma interação quase obrigatória. E presume-se, pela mostra desse dia 12, que os frequentadores são do ramo.

Compay Segundo (1907-2003)

14 julho 2003

Máximo Francisco Repilado Muñoz, vulgo Compay Segundo, faleceu domingo, aos 95 anos, em Ciudad de La Habana.

Nascido em Santiago de Cuba, berço do son, inconfundível ritmo cubano, Compay Segundo aprendeu, de ouvido, a tocar violão e, mais tarde, o clarinete, além de ter criado o armónico, instrumento de 7 cordas.

Em 1942, com Lorenzo Hierrezuelo, constituiu o duo Los Compadres, onde Compay (diminutivo de compadre) tocava o armónico e fazia a segunda voz, daí seu apelido.

Tive o privilégio de conhecer Compay Segundo em março do ano passado, por ocasião do lançamento do cigarro “Romeo y Julieta”, em mega-produção que recriou um ambiente tipicamente cubano, no Copacabana Palace. Da ocasião lembro-me de uma imagem que ficará registrada em minha memória, de Compay Segundo, seu chapéu Panamá e o indefectível puro, que sempre tinha como inseparável companhia. Curiosamente, em nenhuma das vezes que fui a Cuba tive a possibilidade de estar com ele, sempre viajando pelo mundo com o “Buena Vista Social Club”.

Hoje, revendo aquele antológico documentário, lamento que a Revolução Cubana tenha abafado por décadas o poder criativo de verdadeiras usinas sonoras humanas – que, por dedicarem a vida à música, jamais se envolveram em questões políticas –, do quilate de Compay Segundo e Ruben Gonzáles. O resgate trazido em forma de película deu às novas gerações a possibilidade de constatar que a música será, sempre, o grande catalisador das relações humanas, verificação que se faz ao assistir ao show do Carnegie Hall, quando, em seu encerramento, Compay Segundo e Omara Portuondo cantam em duo a arrepiante “Chan Chan”, bandeira cubana desfraldada em pleno palco.

Hoje, triste, homenagearei a memória do Grande Compay bebendo um “ron añejo 15 años” e fumando um Cohiba Lancero, seu puro favorito.

Saravá!

- BENNY CARTER (1907-2003) -

O grande saxofonista, trompetista, ocasionalmente pianista, compositor e arranjador Benny Carter - um dos gigantes do jazz, um dos derradeiros remanescentes da Era do Swing - cuja influência como instrumentista e arranjador se estendeu durante décadas de atuação ininterrupta, desapareceu sábado, dia 12 de Julho. Carter foi um paradigma da elegância de estilo e bom gosto, cuja sonoridade pessoal imediatamente reconhecível criou um fraseado original de sax-alto que influenciou centenas de músicos em todo o mundo.

Por coincidência, ontem, domingo, ouvi várias gravações dele, inclusive as históricas de 28 de Abril de 1937, em Paris, ao lado de Coleman Hawkins, Django Reinhardt, Stephane Grapelli, Eugene D´Hellemes e Tommy Benford.

Tive a alegria de ouví-lo ao vivo no I Festival de Jazz de São Paulo, em 1978, quando também tive a oportunidade conversar com esse gigante do jazz. Ele foi gentilíssimo e deu-me informações sobre alguns discos obscuros que gravou com o pseudônimo de Billy Cartoon para a Savoy, quando demos boas risadas pelos motivos que o levaram a trocar de nome, além de autografar meu livro e alguns LPs que levei na ocasião para essa finalidade. Ele voltou a São Paulo em 1982, e dessa temporada tenho uma fita cassete gravada numa jam session com músicos paulistas.

Benny Carter merece um extenso negrológio, mas, como a notícia pegou-me de surpresa, é com tristeza no coração que redijo estas linhas para repassar a informação.

Uma colher de chá (de uísque, naturalmente) para os aficcionados por charutos: abrimos nossos arquivos fotográficos

13 julho 2003

Com o objetivo de ajudar na campanha de democratização localizada, tão ansiada pelo Govêrno José Dirceu e tão bem levada adiante por seu representante junto às massas, o P. Residente Lula, o CJUB decidiu dar, ao povo em geral, acesso ao seu acervo de musas charuteiras. Basta clicar nos números abaixo para desfrutar de seus charme e beleza.
1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; 10; 11; 12; 13; 14; 15; 16; 17; 18; 19; 20; 21; 22; 23; 24; 25; 26; 27; 28; 29; 30; 31; 32; 33;

Isso, sem contar com a colaboração do sempre atento JoFlavio: 34:

E por favor, sintam-se livres para, encontrando fotos de charuteiras bonitas (ave, poetinha Vinícius de Moraes!) encaminhá-las para qualquer um dos emails no topo do blog. A gente agradece.

A volta de Demi Moore

Não estranhem este post. Há algum tempo venho sendo perguntado porque sumiram as fotos de charutos empunhados graciosamente por mulheres, que em pouco tempo viraram musas aqui da turma do CJUB.

Pois foi recentemente, depois do sucesso que vem obtendo como a vilã Madison Lee no filme "As Panteras: Detonando" - no original "Charlie's Angels: Full Throttle"- que Demi Moore voltou às mídias de modo geral. E nós aqui não poderíamos deixar de homenagear sua beleza, ainda mais se retratada com sua carinha de anjo/demônio rendendo-se ao prazer de um belo robusto.

E se a imaginação de vocês for rica, acho que conseguirão ouvir, baixinho ao fundo, a espetacular versão de "Come Rain or Come Shine" na voz da outra bela, a Alison Eastwood - linda modelo, filha do velho e grande incentivador do jazz, Clint. Que adora não apenas aos charutos mas nunca apareceu num filme sem detonar um "cowboy" literal ou figuradamente, fechando-se então o círculo que move este blog.

UÍSQUE ABENÇOADO?

10 julho 2003

A carreira de Nathaniel Adams Cole (1917/1965) deve ser dividida em duas partes
bem distintas. A primeira, o pianista, com o surgimento do King Cole Trio em 1939 - ele foi o criador dessa formação hoje clássica do jazz, apenas trocando a bateria por uma guitarra, aproveitando-se de seu exuberante "swing", uma característica que influenciou gerações, como Oscar Peterson e Ahmad Jamal. A segunda, o cantor, que vendeu dezenas de milhões de discos pela Capitol Records.
Há quem diga que Nat era figura carimbada no início dos 40 em todos os bares
de Los Angeles. E foi num deles que nasceria o vocalista. "Sweet Lorraine" (Burwell /Parish) foi um tema de cabeceira do Nat. Quando se preparava para tocá-lo, surge um frequentador mamado por várias doses de uísque e insiste para Nat também cantar a música, pedido negado imediatamente. Mas o indivídio era assíduo frequentador da casa e dava bons lucros semanais. O dono do bar acabou convencendo Nat a cantar. E Ele acabou concordando. A platéia, em delírio, ficou maravilhada com a performance. Fez-se, assim, o vocalista Nat King Cole.
Os amantes do jazz acham em sua maioria que a presença inoportuna do "bebum"
acabou barrando a evolução e motivação do grande pianista. O sucesso obrigou Nat a
investir quase que exclusivamente no cantor. Já os românticos e a maioria absoluta das "mulheres paixonadas" em todo o mundo até hoje consideram aquelas inúmeras doses de uísque abençoadas.
Em tempo. A relação uísque & jazz - nota-se aqui claramente - não é apenas fruto das mentes delirantes dos cejubianos.

Chez Zénrik

A data, 22 de junho de 2003, merece entrar para os anais do CJUB ...

Cheguei cedo, afinal de contas o convite indicava como horário de início dos trabalhos – inesquecíveis trabalhos – 16:00, sharp. Lá estavam o anfitrião, Zénrik, e nossos queridos Marcelink (pilotando sua câmera, como de hábito) e Marcelón, com quem brindei meu primeiro cachorro da tarde/noite. A tarde agradabilíssima, temperatura amena, e o papo saboroso dos convivas serviram como autêntico couvert para a memorável jornada que se seguiria.

Pouco a pouco foram chegando os músicos – parênteses rápido: haja amizades musicais ! –, convidados imprescindíveis e que tornaram mais feliz o domingo de todos os presentes; CJUB em peso - apesar da sentida ausência de nossa querida Marzita, quitutes fartos da lavra do anfitrião (leia-se Traiteurs de France), generosas doses de uísque e puros de altíssima carburação tornaram épico o encontro propiciado por Zénrik, em seu aniversário.

Àquela altura do campeonato era impossível fazer um set list do que se viu e ouviu durante a jornada, mas cabe mencionar, para quem não esteve naquele verdadeiro Éden, que desfiaram seus acordes os mais capacitados músicos de jazz do Rio, entre os quais os abaixo citados:

Teclados: Délia Fischer, Hamleto Stamato, Philippe Baden, Fernando Moraes e Sheila Zagury;
Bateria: Wilson Meirelles, André Tandeta, Cleberson Caetano e Pascoal Meirelles;
Sax: José Carlos "Bigorna" e Henrique Band;
Flugelhorn: Bidinho;
Flauta: Franklin da Flauta;
Guitarras: João Castilho, Yuvall Ben Lior e Perinho Santana;
Baixos: Augusto Mattoso, Bruno Migliora, Ricardo Medeiros, Tony Botelho, José Luiz Maia, Bombom e Ney Conceição;
Percussão: Don Chacal; e
Violino: Léo Ortiz.

Agradecendo em nome de todo o CJUB, e hoje revendo o vídeo da homérica ocasião, imploro ao Zénrik – vamos repetir a dose, não me lembro de jornada mais agradável, neste ano.

Babador a postos, e reiterando os parabéns ao aniversariante e anfitrião, sugiro que a nova jornada se realize em agosto.

Saravá!

ELEIÇÕES 2003

Venho propor aos confrades e visitantes uma nova eleição para definir os 11 maiores do jazz e os 11 preferidos, tendo em vista que nossa confraria aumentou consideravelmente. Já recebi alguns e-mail, e creio que outros confrades também, criticando ou questionando a ausência de determinados músicos ou a inclusão de alguns. Por isso proponho a criação de uma votação paralela, somente com a participação de visitantes. A regra continuaria a mesma, cada um vota nos onze artistas que considera de maior importância para o jazz e nos onze de sua preferência pessoal. Só pediria a todos que listassem apenas onze artistas em cada grupo, pois na contagem dos votos não irei computar o que exceder deste número nem votos "cavados" ou "meio-voto".
Se concordarem, poderemos começar logo!

Abraços à todos,

Marcelink

ADDENDUM

.............A obra seria definitiva e única. Mas, 20 anos depois, talvez percebendo a fragilidade e inércia da concorrência, o Steely Dan surge com "Two Against Nature", uma overdose qualidade, se possível. E acabou encaçapando todos os Grammys mais importantes. Linhas melódicas deliciosamente intrincadas, harmonias delirantes e, como sempre, letras ironicamente inteligentes.
Para surpresa geral, apenas três míseros anos subsequentes(abril de 2003), outro CD: "Everything Must Go", com direito a DVD incluso. Talvez um xeque-mate definitivo e final - pode ser o último. Algo novamente arrebatador. Um exercício louco de criatividade e musicalidade, regado à mais atual e legítima concepção jazzistica.
"Aja", "Gaucho", "Two Against Nature" e, agora, "Everything Must Go" são momentos que obrigatoriamente devem estar à mesa de qualquer jazzófilo, apesar das raizes pop inquestionáveis de Fagen e Becker. Bem diz Stephen Thomas Erlewine:"Steely Dan created a sophisticated, distinctive sound with accessible melody hooks, complex harmonies and time signatures".

UM CASO À PARTE

09 julho 2003

A partir de 1977, com o lançamento do álbum "Aja", a pop music norte-americana ganhou um surto de rara qualidade, talvez por um novo ingrediente agregado: o jazz.

Os autores, Donald Fagen(55) e Walter Becker(53), assumiam sozinhos o então grupo Steely Dan. Para se ter uma noção mais exata daquele desafio, a lista de músicos presentes no "Aja" era mais que sintomática: Larry Carlton, Peter Christlieb, Steve Khan, Victor Feldman, Joe Sample, Tom Scott, Paul Humphrey, Chuck Rainey, Wayne Shorter (dono de um solo antológico na faixa título), Steve Gadd, Lee Ritenour, Jay Graydon, Bernard "Pretty" Purdie, entre outros. Em 1980, um segundo álbum revolucionário, "Gaucho", com os mesmos ingredientes e calibre de músicos, acrescentando-se os irmãos Brecker, Anthony Jackson, Hiram Bullock, David Sanborn, além das vocalistas Valerie Simpson e Patti Austin.

Donald Fagen, vocalista, tecladista e líder musical do grupo, apareceria em 82 sozinho em "Nightfly" e em 93,"Kamakiriad", mantendo a mesma intenção e criatividade. Tinha-se a impressão que não era preciso se fazer mais nada. A obra seria definitiva

Controvérsia sobre Ornette Coleman

por José Domingos Raffaelli

O saxofonista Ornette Coleman, um dos arautos do free jazz ou jazz de vanguarda, desencadeou uma série de opiniões controversas logo que sua música inteiramente diferente da que até então se ouvia ganhou o noticiário dos jornais e das revistas. Como tudo que é novo suscita controvérsia, as opiniões dividiram-se. Um crítico acusou os três maiores defensores de Coleman de defendê-lo unicamente por interesses pessoais: Nesuhi Ertegun, que era o presidente da Atlantic, gravadora de Coleman; o músico e crítico Gunther Schüller, que dirigiu a campanha de divulgação do músico; e o pianista e compositor John Lewis, cuja editora musical publicava as composições de Coleman.
No artigo abaixo, publicado na revista Down Beat, em 1961, Don DeMichael, então seu editor, criticou duramente o álbum “This Is Our Music”, lançado pela gravadora Atlantic, demolindo todos os argumentos a favor de Coleman sem deixar pedra sobre pedra.

“Tenho ouvido longa e pacientemente a música de Ornette Coleman desde quando foi lançado seu primeiro disco. Tentei desesperadamente encontrar algo construtivo que pudesse ter algum valor. Fui inteiramente mal sucedido.
Deixando de lado a técnica abominável da sua execução – e sua falta de técnica é abominável –, a música de Coleman possui apenas duas facetas: um lirismo patético beirando o ridículo e uma ferocidade selvagem beirando o caos. Sua música não representa a liberdade musical, pois o desprezo pelos princípios musicais básicos e a confusão que apresenta não são sinônimos relacionados com liberdade, mas com anarquia.
Como é evidenciado neste disco, as idéias de Coleman e, por extensão, as dos seus companheiros, aparecem em frases esparsas com notas sem significado, desprovidas de qualquer conteúdo e sem nenhuma relação entre elas.
Certas passagens tocadas por Coleman poderiam ser interessantes caso tivessem conteúdo, mas não passam de leves insinuações do que poderiam ser nas mãos e na cabeça de músicos criativos. Por exemplo, “Blues Connotation”, um tema de certa vivacidade (a despeito de pessimanente executado em uníssono), mostra Coleman citando frases distorcidas extraídas de “The Golden Striker”, de John Lewis. Seu solo nesta faixa, o “melhor” do álbum, perde-se na confusão das suas idéias.
A despeito do início promissor, “Beauty” transforma-se numa verdadeira orgia de distorções e notas mal executadas por Coleman, guinchos do trompetista Don Cherry e até o baixista Charlie Haden entra nessa dança macabra. O resultado desse caos é um insulto à inteligência do ouvinte, soando como uma brincadeira de péssimo gosto – a questão não é indagar se isto é jazz, mas se isto é música.
A execução de Coleman em “Kaleidoscope” irrita pela incoerência, dando a impressão que lhe deram um punhado de notas para preencher os espaços, não fazendo a menor diferença quais notas coloque em cada espaço. Mais uma vez, seu solo consiste numa cascata de notas sem qualquer relação entre si, sem sequer indicar o que supostamente pretende tocar. Isto não é nada, não significa coisa alguma.
Anteriormente, Coleman foi bastante criticado por não tocar canções standards, especialmente baladas. Neste disco incluiu “Embraceable You” no repertório. Foi um erro terrível que Coleman deveria ter evitado. Se não a tivesse gravado, não teríamos qualquer indício de como ele toca (sic) baladas. Agora sabemos. Sua introdução embaraçaria até um conjunto amador com músicos de 13 ou 14 anos, mas supõe-se que Coleman e seus músicos sejam profissionais adultos e maduros.
“Poise” é outro exemplo de execução deficiente, embora ofereça um único momento interessante quando Cherry entra repetindo a última frase do solo de Coleman, mas o que ele toca soa como uma tentativa absurda de reproduzir o solo do saxofonista de trás para a frente – um engano fatal.
Coleman tem sido aclamado como gênio, mas de gênio não tem nada. Ele transformou-se num símbolo de liberdade musical quando, na realidade, é a antítese dessa liberdade. Ele tem aplicado o termo “naturalidade” para descrever a sua música, mas sua música é caótica. Seus admiradores clamam que ele é a lógica extensão de Charlie Parker, mas é a ilógica extensão daquele gênio.
O fato é que os responsáveis pelo seu lançamento na cena musical o fizeram muito antes de estar preparado para iniciar uma carreira de jazzman.
Quando um músico é proclamado apressadamente gênio e profeta do jazz do futuro, ele acredita que a prática e a exploração do seu instrumento tornam-se secundárias. Coleman acreditou no que disseram e declarou publicamente que nunca mais precisaria praticar seu instrumento. Quanta presunção!
Caso eu afirme que não compreendo a música de Coleman, seus defensores responderão que o erro é meu. Eu não compreendo o balbuciar de minha filha de dois anos, mas será falha minha ? Ou será que do seu balbuciar saem sons altamente significativos ? Penso que é minima a profundidade da música de Coleman. Se existe, é obscurecida pela falta total de habilidade em comunicá-la através da sua execução.
Caso Coleman seja o padrão de excelência no jazz, então outros padrões conhecidos e estabelecidos devem ser desprezados e esquecidos. Se assim for, as obras de Lester Young, Louis Armstrong, Charlie Parker, Duke Ellington e outros geniais jazzmen que comprovadamente forjaram e enobreceram a liguagem do jazz devem ser atiradas na lata do lixo”.

EUBIE BLAKE, MESTRE PIONEIRO DO RAGTIME

O ragtime foi um dos estilos precursores do jazz. Hoje virtualmente esquecido pelos jazzófilos - cuja grande maioria apenas preocupa-se em conhecer, ouvir e comprar os lançamentos recentes -, são poucos os que se interessam, pesquisam e buscam gravações de ragtime para avaliarem devidamente o que representou dentro da história do jazz.

Um dos seus grandes mestres e pioneiros, desde os primórdios dos heróicos tempos da chamada música dos músicos, foi o pianista e compositor Eubie Blake, um dos maiores exemplos de vitalidade e longevidade nos anais da história das artes, vivendo 100 anos, dos quais 85 dedicados à música.

A música de Blake foi uma síntese do ragtime e dos blues. “Ragtime é o próprio jazz”, ele declarou numa entrevista à revista “Jazz Journal”. “Para mim, ragtime e jazz são a mesma coisa, mas raramente uso a palavra jazz, especialmente diante das senhoras. No meu tempo, essa palavra tinha conotações indecentes, nada tinha a ver com a música”.
Seu estilo absorveu algumas influências de pianistas que surgiram depois dele. Admirador de James P. Johnson e Willie “The Lion” Smith, posteriormente ficou entusiasmado com Earl Hines, Art Tatum e Teddy Wilson.

Eubie nasceu em 7 de Fevereiro de 1883, em Baltimore, Maryland. Filho de escravos emancipados, foi o único dos 11 irmãos que chegou à idade adulta. Sua mãe alugou um órgão por 75 centavos semanais e, ainda garoto, começou a tocar de ouvido. Não demorou a trocar o órgão pelo piano, mas sua mãe proibiu-o de tocar ragtime em casa, que considerava música profana.
Desenvolvendo intuitivamente sua execução, aos 15 anos conseguiu seu primeiro emprego numa casa suspeita, apesar dos veementes protestos da mãe, que era muito religiosa. Naquele ambiente devasso desenvolveu sua técnica e uma poderosa mão esquerda para manter o ritmo do ragtime, sempre procurando agradar aos freqüentadores do bordel.
No ano seguinte, em 1899, compôs seu primeiro ragtime, “The Charleston Rag”; um amigo transcreveu a música para a pauta porque Eubie era autodidata, embora dominasse todos os segredos da execução do piano. Decidido a superar essa deficiência, estudou com uma vizinha e, mais tarde, com o regente da Orquestra Sinfônica Negra de Baltimore.
Buscando expandir sua carreira, foi para Atlantic City em 1905, revelando-se um showman dinâmico, atraindo a atenção dos músicos, inclusive de James P. Johnson. O próprio Johnson e Willie “The Lion” Smith sentiram-se fascinados pelas composições de Eubie, incorporando as composições dele “Troublesome Ivories” e “Chevy Chase” ao repertório de ambos, e mais tarde adotadas por Fats Waller, que reconhecia nele um compositor de méritos.
Dois anos depois de mudar-se para New York, em 1915, Eubie conheceu Noble Sissle, um letrista e líder de orquestra, com quem fez uma parceria que durou 61 anos. Eles se apresentaram em espetáculos de vaudeville, inclusive no Teatro New York Palace, um dos mais importantes da época. As carreiras de Eubie e Noble ganhavam maior projeção e decidiram tentar vôos mais altos. Conseguiram a primeira grande chance quando Sophie Tucker cantou a primeira canção da dupla, “It´s All Your Fault”. Eubie lembrou o primeiro encontro com Sophie: “Noble sugeriu procurarmos Sophie, mas eu receava ir ao encontro de uma mulher branca para não sermos mal interpretados. Ela foi muito gentil, gostou da nossa canção, comprou-a e até pagou-nos adiantado para fazermos uma orquestração”.
Eubie era um pianista completo, tão completo que foi obrigado a simplificar suas partituras a pedido do seu editor, que lhe aconselhor: “Se não as simplificar, quem poderá tocá-las ?”. Eubie tocava qualquer música em qualquer tom, compondo “Blue Rag in 12 Keys” para provar essa habilidade rara.
O tempo cimentava cada vez mais o talento daquele homem baixinho com estatura musical de gigante. Em 1921, era um dos três únicos compositores negros, ao lado do parceiro Noble Sissle, a preparar a trilha de um musical da Broadway. “Shuffle Along” ficou em cartaz durante um ano e meio, com mais de 500 apresentações. Esse sucesso foi decisivo para impulsionar as carreiras do famoso barítono Paul Robeson e da não menos famosa Josephine Baker, na época uma corista principiante. Entre as canções de “Shuffle Along”, destacavam-se “I´m Just Wild About Harry” e “Love Will Find A Way” foram sucessos nacionais; a primeira, uma das 20 canções que mereceu citação especial no “Hall of Fame” dos compositores americanos, causou verdadeiro furor em 1948 por ser associada à campanha de Harry Truman para a presidência dos Estados Unidos. Eubie considerava seu maior sucesso “Memories of You”, em parceria com Andy Razaf, há décadas consagrado entre os standards imortais da música americana.

A carreira de Eubie teve algumas interrupções. Aos 60 anos, em 1943, considerou que chegara a hora de aposentar-se, mas mudou de idéia, inscrevendo-se na Universidade de New York para estudar o complicado sistema Schllinger para escrever arranjos. Compôs uma série de rags, como ele chamava, valsas e canções populares, ganhando mais dinheiro como compositor e arranjador do que como pianista.
Entretanto, a partir de 1969 sua estrela de pianista voltou a brilhar. Seu sucesso no Festival de Jazz de Newport atraiu a atenção do produtor John Hammond, contratando-o para gravar o álbum duplo “The Eighty Six Years”, uma retrospectiva da sua carreira.

A década de 70 foi de intensa atividade. Aos 87 anos recebeu o prêmio James P. Johnson, e, dois anos depois, em 1972, a medalha Duke Ellington, da Universidade de Yale. O interesse por sua música voltou a se intensificar, motivando-o a fundar sua gravadora independente, a Eubie Blake Music. Ainda em 1972 tocou nos festivais de New York e Berlim. No ano seguinte, foi homenageado em Los Angeles pelos seus 90 anos. Entrevistado pela TV NBC, declarou ao despedir-se com bom humor: “Estou apenas começando”.
Em 1973, vencendo seu pavor, viajou de avião pela primeira vez, tocando como convidado da Orquestra Boston Pops, sob a regência de Arthur Fiedler. Nesse ano foi atração dos festivais da Suíça, Dinamarca e Noruega. Em 1974 tocou em Nice, na França, e com Benny Goodman no Carnegie Hall, de New York.

Eubie também realizou seu filme autobiográfico “Reminiscing with Sissle and Blake”. Um teatro da Broadway apresentou o musical “Eubie”, em 1979, com suas canções; dando mostras da extraordinária vitalidade que o acompanhou até o fim, aos 96 anos participou ativamente da divulgação do evento, tocando em vários programas da TV com o entusiasmo de sempre. Em suas últimas apresentações ao vivo, atraiu verdadeiras multidões no clube Cockery, de New York.

Pioneiro do jazz, pianista, compositor, arranjador, ocasionalmente cantor e ator, uma lenda do jazz, James Herbert Blake – conhecido pelos apelidados Doobie, Hoobie, Joobie e principalmente Eubie – chegou ao centenário de nascimento reverenciado por todos os setores da vida artístico-musical americana. Para comemorar essa efeméride, na noite de 7 de Fevereiro de 1983 realizou-se um grande tributo a Eubie Blake no Carnegie Hall. Impossibilitado de comparecer, declarou: “Agradeço a Deus ter chegado a esta idade avançada e receber uma homenagem tão honrosa, dando-me a certeza de que consegui realizar algo positivo em minha vida. Agradeço a todos pela bondade de lembrarem a data dos meus 100 anos”.
Cinco dias depois, em 12 de Fevereiro de 1983, cercado por filhos, netos, bisnetos e tetranetos, sentindo que chegara a hora, Eubie Blake agradeceu a Deus pela vida maravilhosa que lhe concedeu e fechou os olhos para sempre.

José Domingos Raffaelli

EXTRA! EXTRA! Saxofonista italiano de 13 anos assombra os músicos de jazz

08 julho 2003

Como reportado por José Domingos Raffaelli

Um saxofonista italiano chamado Francesco Cafiso, de apenas 13 anos, surpreendeu a todos os que o ouviram tocar por sua desenvoltura, seu domínio instrumental e suas qualidades de improvisador precoce. O garoto começou a tocar sax-alto aos sete anos e há seis interessou-se por jazz.

Um dos primeiros a chamar a atenção para o seu talento foi ninguém menos que o consagrado crítico americano Ira Gitler na sua coluna Jazz Notes, da Associação dos Jornalistas de Jazz. Gitler assim descreveu o impacto que teve ao ouvir Cafiso pela primeira vez:

“Eu ouvira várias pessoas afirmarem que Cafiso era um fenômeno, mas sempre dei o devido desconto. Apesar disso, não estava preparado para ouvir Cafiso e, literalmente, caí estatelado quando ele tocou na noite de abertura do Festival de Jazz de Pescara, em Julho de 2002. Ele tocou com Franco D´Andrea (piano), Rodney Whitaker (baixo) e Herlin Riley (bateria), e fechou o set com “Footprints”, o clássico blues em tom menor de Wayne Shorter, em andamento 6/4, ganhando no final uma ovação ensurdecedora de quase 2.000 espectadores. O garoto aparenta menos idade da que tem e mostra-se tímido ao entrar no palco, mas transforma-se num vulcão quando começa a tocar. Seu comando instrumental e a escolha de material da melhor safra nos andamentos rápidos, como “Ornithology”, “Just Friends” e “Have You Met Miss Jones?”, além de exibir uma maturidade muito além dos seus tenros 13 anos nas baladas “Willow Weep for Me”, “Angel Eyes” e “My One and Only Love”, provaram que estávamos diante de uma revelação extraordinária. Cafiso mostrou acentuado feeling pelos blues em “Blue Monk”. Finalmente, em “Take the “A” Train”, que começou com uma introdução abstrata de D´Andrea sugerindo “Four in One”, mais uma vez ele explodiu com sua sonoridade exuberante e um suingue contagiante”.
No mesmo festival, Cafiso também impressionou vivamente os músicos da Lincoln Center Jazz Orchestra, comandada por Wynton Marsalis, que não poupou elogios ao jovem saxofonista. Nos camarins, Marsalis exaltou suas virtudes, garantindo que ele é o saxofonista jovem mais talentoso que ouviu nos últimos tempos. Finalizando, Marsalis colocou-se à disposição dos pais de Cafiso para orientá-lo caso decidam enviá-lo a New York.

Outra foto histórica nos arquivos do CJUB

07 julho 2003

Atual diretor da Jazz at Lincoln Center Orchestra, o virtuoso Wynton Marsalis quando esteve no Brasil teve a oportunidade de conhecer e ficar amigo, como amigo é até hoje, de nosso querido Mestre e editor Goltinho, que o guiou pela cidade maravilhosa. No flagrante abaixo, pode-se notar pelos semblantes de ambos, o grande carinho que permeou o encontro desse mestre do trompete com um outro. O nosso.

do arquivo pessoal de Arlindo Coutinho

Reforço

Consta em recente biografia da ótima cantora e pianista canadense Carol Welsman:"Carol Welsman is an internationally acclaimed singer and pianist whose expressive vocal styling and dynamic stage presence have captivated audiences around the world. Carol sold 50.000 CDs in Canada alone, something few jazz artists in Canada have experienced".
É isso aí...

Há luzes no final do túnel. E gente de bom gosto. No Canadá!

Está abaixo o artigo publicado por Darren Yourk na edição on-line do jornal The Globe News and Mail de hoje, sobre as recentes estatísticas da indústria fonográfica canadense. A tradução foi livre e a edição, então, nem se fala. Mas as novas são dignas de comemoração. Notem:

Numa indústria dominada por conversas sobre vendas escorregando cada vez mais e sobre a pirataria na internet, as músicas de jazz e blues vem demonstrando fortes e constantes vendas para a indústria.
De acordo com novo relatório da "Statistics Canada", as vendas de títulos de jazz e blues aumentaram em 45,4% de 1998 a 2000, enquanto as vendas de quase todas as outras formas de música declinaram.
No total, os selos canadenses reportaram mais de 861 milhões de dólares em receitas na venda de discos em 2000, num declínio de 3,4% comparado a 1998.
O jazz e o blues entraram com cerca de 55 milhões de dólares, 6% do total, subindo de uma participação de 4% em 1998 e apenas 2% em 1995.
Todas as demais categorias musicais perderam mercado entre 1995 e 2000. Os discos de música popular e de rock continuam a dominar o mercado, com vendas de 622 milhões de dólares, com declínio de 4,4% desde 1998. A participação desses estilos no mercado canadense caiu de 76% para 72%, se comparados os anos de 1995 e 2000.
"O jazz e o blues cresceram em popularidade nos últimos anos com a verdadeira explosão de festivais desses gêneros pela América do Norte afora", disse o relatório.
A venda de discos totalizou, em 2000, 52,5 milhões em "clássicos e relacionados", caindo 11,9% desde 1998, enquanto a venda de "country e folk" perdeu cerca de 15,4%, vindo a 43,9 milhões. A maior queda se deu em "músicas infantis", onde as vendas despencaram em 35%.
Só houve crescimento, além da categoria "jazz e blues", na categoria "outros", que engloba desde música para relaxamento até as gravações de música étnica, passando por trilhas sonoras, música religiosa, mais rap, hip-hop, trance, dance, entre outras inúmeras classificações de ruídos que ousam chamar de estilos musicais. Houve 74 milhões em vendas nessa abrangente categoria, num crescimento de 4,8% . [...]

Hepatite Criativa

05 julho 2003

Se você precisa de um gaitista e o Toots Thielemans não está disponível, melhor trocar o instrumento. A frase é do Quincy Jones.

Os jazzistas produzem episódios folclóricos e nem sempre verdadeiros. O belga Jean Baptiste Thielemans (81) é protagonista de uma dessas histórias fascinantes.

Ele teria contraido uma hepatite. Por ordem médica, repouso absoluto e nenhum esforço - tocar gaita, nem pensar! No máximo, diante da insistência, dedilhar um violão.

Mas para não perder o vício, Toots assobiava as mesmas notas que tirava do violão. E acabou criando um estilo que virou marca registrada - vide Bluesette.

Coisas do jazz.........

Novo Membro do Blog

04 julho 2003

Queria estender a passadeira vermelha e saudar publicamente ao José Flávio Garcia, nosso agora correspondente na cidade de Londrina, como o mais novo membro do time do CJUB. E que a partir desta data, aceito que foi por unanimidade aqui no "conselho de ansiosos", poderá afixar seus textos diretamente na página de postagem.

Zé Flávio - só falta então você escolher seu nome de guerra - já que o lápis e a borracha virtuais repousam na mesa à sua frente, para agora contar-nos o que vai por sua mente jazzeira.

Ah, e ensinar ao Pedro o caminho das pedras, para que ele também passe a dar o ar de sua graça aqui entre nós.

Bem-vindo, pois!

D. FERREIRA, CJUB-CHIVAS JAZZ LOUNGE, 25/6/2003, EPITÁCIO, 2º set @@@@; "3º set" @@@@½

02 julho 2003

Discípulo confesso de Mingus, Dôdo voltou para o 2º set com "Dizzy Moods", variação do legendário baixista sobre "Woody 'N You", de Birks, alternando ternário e quaternário desde a exposição do tema, e fazendo a temperatura subir até o crescendo arrebatador, no final.

A clássica "Moon Indigo" teve preservado o andamento do famoso registro de 1957 (Ellington, "Indigos", Columbia, CK-44444), o líder tomando o arco para a introdução do tema e retornando ao pizzicato vigoroso que novamente remeteu ao som impressive de Ray Brown, num chorus inspirado e inspirador de mais um elegante solo de Garcia.

A sessão evoluiu com outras duas composições de Dôdo, "O Berna e a Bela", com elementos "bossa", "Mon Rêve Blues", este com participação especial do baterista João Cortez, verdadeiro Shelly Manne brasileiro, tal a maestria com que domina os pratos, como que, entretanto, genialmente abandonados - à exceção do contratempo, com o pé - no afro-samba "Consolação" (B. Powell). Ali, a marcação "de pandeiro", usando quase que só a caixa, era a de Edison Machado, o inventor da bateria no samba. Cortez é um mestre indisputável do instrumento, hoje à altura, entre nós, somente de Duduka da Fonseca, Robertinho Silva e Márcio Bahia.

Brilhou, então, o verniz religioso do traditional "Danny Boy", no primeiro momento realmente introspectivo da noite.

Três originais, "Um Blues para o Seu Izeu", também com roupagem mingusiana, "Incrível Hulk", em memória de um jovem aluno e amigo (a quem rendeu a platéia silêncio quase absoluto), e "Dinamite Blues", originalíssima "brincadeira", cada instrumento começando num ritmo diferente, precederam o final apoteótico, com a indefectível - nos shows de Dôdo - e febril "Better Git it in Your Soul", que contou com a subida ao palco do gaitista Flávio Guimarães, dividindo os solos com todos os demais.

Outras "feras", como Franklin da Flauta e Sheila Zaguri, aderiram ao longo "bis", premiando a entusiasmada platéia com a pop-soul-r&b "A Pequena Letícia Quebrou o Rádio" (D. Ferreira), "How High the Moon", "Só por Amor", "Blue Monk" e "All the Things You Are".

Mas para quem costuma levar ao pé da letra a expressão "JAM", "Jazz After Midnight", a madrugada ainda reservaria um bissexto "3º set", em que os pianistas Marco Tommaso, Sheila Zaguri e Hamleto Stamato alternaram-se em formações a quatro, cinco e seis mãos, selando a noite com leituras especialíssimas dos clássicos de Miles Davis "All Blues" e "So What".

Tão especiais, vale dizer, quanto a arte de Dôdo Ferreira, dignamente coroada no 2º CJUB-Chivas Jazz Lounge.

Bene-X

SHIRLEY HORN e JIMMY SMITH

Nosso Mestre Raf informa que

"A cantora Shirley Horn, que há tempos luta contra a diabetes, teve a perna direita amputada.

O organista Jimmy Smith sofreu um derrame, mas está fora de perigo.
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Shirley Horn teve seu último disco lançado recentemente, e, numa primeira e bastante superficial audição, o album parece não fugir ao estilo "baladeiro- arrastado-psiu-shhh", peculiar da cantora. Deu certo em alguns discos, em especial no antológico "Here´s to Life", mas penso que o filão se esgotou.

Quanto a Jimmy Smith, não sei a extensão dos danos causados pelo derrame, mas se o Herbert Vianna voltou tão rápido a tocar, acho que, tirando o J. de Francesco e um ou outro organista mais, Jimmy, ainda com uma única mão, sobraria na turma. Que o diga o estupendo "Damn !".

Bene-X

Não é Jazz, mas é CJUB

Deu no JB, hoje:

"Esta semana entrou no ar o site com letras, partituras, agenda e até o diário da onipresente Elba Ramalho. O trabalho levou tempo e foi realizado pelos namorados e sócios da Cria Caso, Mariana Nahoum e Bruno de Paoli. Vá direto no endereço óbvio: www.elbaramalho.com.br."

Considerando que a Cria Caso, através das lindas criações CJUBianas, é parte intrínseca do CJUB, sentimo-nos honrados com mais uma menção na mídia.

Saravá à Mariana e ao Bruno.