Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

CRÉDITOS DO PODCAST # 396

15 janeiro 2018

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÃO  LOCAL / DATA
ART TATUM
Ben Webster (st), Art Tatum (pi), Red Callender (bx) e Bill Douglass (bat)
NIGHT AND DAY
(Cole Poter)
Los Angeles, CA, 11/setembro/1956
GONE WITH THE WIND
 (Herbert Magidson / Allie Wrubel)
ANN HAMPTON CALLAWAY
Ann Hampton Callaway (vcl,arr), Ted Rosenthal (pi), Christian McBride (bx), Lewis Nash (bat) e como convidados David Gilmore(gt) e a: The Diva Jazz Orchestra:  Tanya Darby, Nadje Noordhuis, Alicia Rau (tp), Deborah Weisz, Jennifer Krupa (tb), Leslie Havens (b-tb), Kristy Norter (sa), Erica von Kleist (sa,cl), Anat Cohen, Scheila Gonzalez (st), Lisa Parrott (sbar), Norika Ueda (bx) e Sherrie Maricle (bat,ldr)
LOVE COME BACK TO ME
(Oscar Hammerstein II / Sigmund Romberg)
New York, 15/fevereiro/2006
HIP TO BE HAPPY
(Ann H. Callaway) 
ART FARMER  &  BENNY GOLSON
Art Farmer (tp,flh), Grachan Moncur, III (tb), Benny Golson (st, arranjo), Harold Mabern (pi), Herbie Lewis (bx) e Roy McCurdy (bat)
REGGIE (Benny Golson)
New York, 28/maio/1962
DOMINO
(Louis Ferrari / Jacques Plante / Don Raye)
JUNKO ONISHI
Junko Onishi (pi), Reginald Veal (bx) e Herlin Riley (bat)
SO LONG ERIC
(Charles Mingus)
Live at "The Village Vanguard", New York, 8/maio/1994
TEA FOR TWO
(Irving Caesar / Vincent Youmans)
EUGENIE JONES
Eugenie Jones (vcl), Bill Anschell (pi), Michael Powers (gt), Clipper Anderson (bx) e Mark Ivester (bat)
A GOOD DAY
(Eugenie Jones)
Edgewood, Maryland, 2013
BLACK LACE BLUE TEARS
(Eugenie Jones)
ALBERT BOVER
Albert Bover (pi), Chris Higgins (bx) e Jorge Rossi (bat)
OLD BOTTLES, NEW WINE
(Albert Bover)
Estudi Moraleda, Barcelona, 2003
ESMUC BLUES 
(Albert Bover) 
SHORTY RODGERS 
The Big Shorty Rogers Express: Shorty Rogers, Conte Candoli, Pete Candoli, Harry "Sweets" Edison, Maynard Ferguson (tp), Bob Enevoldsen, Milt Bernhart, Frank Rosolino, George Roberts (tb), John Graas (fhr), Paul Sarmento (tu), Charlie Mariano, Art Pepper (sa), Bill Holman, Jack Montrose (st), Jimmy Giuffre (sbar), Lou Levy (pi), Ralph Pena (bx) e Stan Levey (bat)
PAY THE PIPER
(Shorty Rogers)
Los Angeles, 5/julho/ 1956
BLUES EXPRESS
(Shorty Rogers)
HAROLD ASHBY
Harold Ashby (st,), Horace Parlan (pi), Wayne Dockery (bx) e Steve McRaven (bat )
SCUFFLIN' (Harold Ashby)
Monster, Holanda, 12/janeiro/ 1992

Mexendo Na Discoteca (3)

14 janeiro 2018

Toda sexta-feira, após o almoço, eu tinha uma colher-de-chá do meu chefe e era liberado do trabalho. Partia para o Rio e começava uma peregrinação pelos sebos de discos e livros. Lindas lembranças que ficaram cravadas na minha memória para sempre. E foi assim que eu montei minha discoteca e biblioteca de Jazz. Encontrei preciosas pérolas que guardo com muito carinho. Um querido e saudoso companheiro que sempre me acompanhava nestas aventuras era o Hélio Galindo. Nós tínhamos muitas afinidades no gosto musical, literatura e esporte. Ao final das tardes-noites íamos para a loja do Jonas, onde encontrávamos o resto da turma tais como o Lula e Mr. Jones entre outros e, depois de uns papos alegres e musicais, nos dirigíamos para o Wesfalia para um sanduiche LaPaiva e muito chopp. Caramba. Eu adorava aquilo. Só saiamos de lá quando fechava. Como éramos de Niterói, o papo continuava sempre animado na barca. Duas preciosidades que encontrei numa destas garimpagens foram 2 V-Discs. Descrevo abaixo quais foram e deixo uma faixa de cada para vocês ouvirem.
Forte abraço
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539A – WILL BRADLEY & ORCHESTRA c/ CARLOTTA DALE (vc)
             A ghost of a chance
             WILL BRADLEY SEXTET c/ RAY MCKINLEY (vc)
             Basin Street Boogie

539B – JESS STACY & ORCHESTRA
             Daybreak Serenade
             JESS STACY & ORCHESTRA c/ LEE WILEY (vc)
             It´s Only A Paper Moon
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543A – WOODY HERMAN & ORCHESTRA c/ THE GLEE CLUB (vc)
             Ah! Your Father´s Mustache
             
543B – GENE KRUPA & ORCHESTRA c/ ANITA O´DAY (vc)
             Jose Gonzales
             Ooh, Hot Dawg
             ** Gravado ao vivo no Hotel Astor Roof, New York City    
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MAR DE TRANQUILIDADE

13 janeiro 2018

Marcos Amorim está entre os mais brilhantes violonistas e guitarristas da nossa cena musical. Dotado de técnica muito particular, tem uma história que vem de berço - é filho do pianista Nelson Amorim, que foi um dos fundadores da Rio Jazz Orchestra, e construiu sua carreira no cenário da música instrumental brasileira ao lado de uma geração muito criativa de músicos que deram uma nova vida ao movimento a partir do final dos anos 80.

Em destaque, o disco Sea of Tranquility, seu sétimo registro como líder e o quinto pela gravadora Adventure Music. Como ele mesmo afirma, é um trabalho de imensa satisfação pessoal, e essa vibração positiva a gente já percebe na primeira audição do disco, mostrando um músico muito maduro e com pleno domínio do instrumento e do repertório, que, inclusive, é autoral.
Ao seu lado nesta sessão estão Itamar Assiere no piano e rhodes, Augusto Mattoso no contrabaixo e Rafael Barata na bateria, além da participação mais que luxuosa do piano e voz de Delia Fischer.
Aqui a guitarra é protagonista e o repertório traz 9 composições, 8 autorais e uma leitura de um clássico de Beto Guedes - "Pedras Rolando", que registra sua paixão pelo Clube da Esquina com espaço para o belo piano de Delia Fischer, que também se destaca nas vozes na balada "The Further Away the Closer I Get", em "Sea Time" e "January Ashes" - perceba neste tema a intensidade do improviso da guitarra. O tema título é outra belíssima balada, e reverencia o mar de tranquilidade retratado por Neil Armstrong em sua caminhada na lua - serena, poética e quase psicodélica; ainda, as contagiantes "My African Goddess" e "Dance of the Five Princessess", daquelas melodias que a gente sai assobiando por aí; tem o toque latino em "Bolero"; e o tempero do veneno blues em "Wooden Face Blues", traduzido, pelo líder, como um blues cara de pau.


"Sea of Tranquility" foi gravado no Tenda da Raposa Studio, Santa Tereza (RJ), mixado por Carlos Fuchs e masterizado por Ken Lee. Arte de capa por Tomas Amorim, Nando Chagas e Tassio Ramos, e design gráfico de Maria Camillo.

Quem conta a história é Marcos Amorim -

"Sea of Tranquility" é o quinto disco pela Adventure Music. Como surgiu essa relação com a gravadora?
Quinto disco pela Adventure e o sétimo da carreira. Antes eu lancei dois CDs aqui no Brasil pelo selo Perfil Musical - ”O Boto “ e “Luz da Lua”.
Eu já sabia da existência do Richard Zirinsck, dono da Adventure Music, ele escrevia para um site, se não me engano na Suécia. Eu soube que ele incluiu um desses meus dois primeiros trabalhos em uma lista em primeiro lugar ao lado de guitarristas como Pat Metheny, Pat Martino e outros do mesmo porte. Eu sabia quem ele era e me lembro de até mandar um e-mail para ele agradecendo, mas meu contato com ele não tinha passado disso. Na semana que eu tinha acabado de masterizar o CD que seria mas tarde batizado de “Cris on the Farm”, um aluno, baixista, me ligou desesperado pedindo minha ajuda. Ele tinha fechado um trabalho (tocar num almoço de família) com um guitarrista e um baterista, porém os dois desapareceram e faltava algumas horas para começar o almoço e ele não tinha ninguém que pudesse fazer o trabalho. Ele me ligou me pedindo uma indicação e eu disse pra ele - “Cara, eu vou lá pra você, vou chamar um baterista amigo meu e você não precisa se preocupar”. O baterista era o Rafael Barata, que na época deveria ter uns 19 ou 20 anos de idade. Fomos lá, tocamos e durante o intervalo apareceu o Mauricio Gouvea, hoje um grande amigo, que eu conhecia só por e-mail e telefone. Eu tinha tocado umas músicas minhas e ele reconheceu, veio falar comigo e me disse que o Zirinsck estava começando um selo e queria saber se eu estava interessado em negociar um possível contrato com ele. O selo já tinha fechado com o Toninho Horta e Ricardo Silveira, e me perguntou se eu tinha algum trabalho novo por fazer ou em andamento. Peguei o e-mail do Zirinsck e escrevi pra ele assim que eu cheguei em casa, ainda sob efeito das caipirinhas que tomei no almoço (risos). Ele me respondeu em menos de 20 minutos interessado no CD que eu tinha acabado de masterizar, me pediu para mandar uma cópia e, assim que ele ouviu, me mandou um contrato para lançar o primeiro CD, que se chamou “Cris on The Farm”, com a obrigação de gravar mais um que depois veio a se chamar de “Sete Capelas”, meu segundo título com eles. Daí começamos essa parceria que já dura mais de 10 anos. 

Neste trabalho tem a formação de quarteto, e agora com Augusto Matoso e Itamar Assiere. Do trio para quarteto, como se formou esse grupo?
Eu e Augusto Mattoso somos amigos há muitos anos, começamos juntos no grupo Jazz Latino Tropical, do trompetista Barrosinho, nosso grande mestre. Ele, para mim, é um dos maiores baixistas do Brasil e do mundo. O Itamar eu já tinha tocado com ele algumas vezes, é um monstro, músico fantástico e não deve nada a nenhum pianista do mundo. Eu já tinha visto eles tocando juntos com o Rafael Barata e resolvi chamá-los para gravar o CD. Eu queria muito mesclar o piano acústico com o piano Fender Rodhes, queria uma sonoridade brazilian jazz e pop juntas. A formação de quarteto me permite ficar mais solto, pois não tenho que fazer o centro toda hora, então fico mais livre para tocar as melodias como uma voz. Na formação de trio, eu tenho que juntar melodia e acompanhamento em chord melody, o que limita um pouco a interpretação dos temas. Gravei vários CDs de trio, em que gravávamos ao vivo os solos e os temas de guitarra, e depois eu inseria o violão como base depois do trio gravado. Fica muito bom, mas na hora de ir pro palco temos que adaptar e me sacrifica muito. Por isso resolvi mudar um pouco nesse projeto para quarteto. Mas gosto muito de tocar de trio e ainda toco bastante por aí com essa formação. É um enorme desafio.

Uma boa surpresa aqui é a presença da Delia Fischer, ela que esteve ao seu lado no registro histórico do quarteto do trompetista Barrosinho em Montreux. Como foi o convite para ela participar deste trabalho?
Nós começamos na mesma época, sempre fomos parceiros em muitas aventuras musicais. Como eu, ela sempre gostou de canções além de seu trabalho de instrumentista. Nos anos 80, estudávamos muito Charlie Parker na casa dela em Laranjeiras. Ela atuou no meu primeiro CD em 1983, “O Boto”. Então, por todas essas afinidades, sem falar na admiração que tenho pela sua arte, seria muito natural chamá-la para esse CD, mas o maior motivo mesmo foi por ela ter escrito três letras para três canções - “Sea Time”, “January Ashes” e “The Furter Away the Closer I Get”, e resolvi chamá-la não só pra tocar piano e Rodhes, mas também pra cantar. E deu muito certo, sempre quis incluir músicas cantadas no meu repertório e essa era a oportunidade pra fazer isso. Além dessas três canções ela ainda quebrou tudo na faixa “Pedras Rolando” do Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Essa faixa tem uma importância bastante grande pra nós que crescemos curtindo o Clube da esquina e a mineirada que nos influenciou muito nos anos 70. Você lembra do LP “Sol de Primavera? Ouvimos muito esse disco. Nessa faixa, mais que todas, pela nossa história de amizade e parceria, teria que ser a Delia pra fazer o piano e o solo arrasador que ela fez.


"Sea of Tranquility" é, em sua quase totalidade, um trabalho autoral, com exceção de uma releitura de um tema do Beto Guedes. Isso é sempre muito importante pois põe em primeiro plano o lado criativo do músico. Como você trabalha o processo de composição?
Quando comecei a tocar violão meus primeiros passos foi criar acordes a partir dos únicos três que que eu conhecia, que eram C , G e D (risos). Eu ia trocando um dedo da posição original e ia vendo o som que dava, daí foram surgindo as primeiras composições. Foi assim, dessa forma bastante intuitiva, que comecei a compor. Depois, claro, fui estudar harmonia com a Celia Vaz e ela, vendo essa minha tendência, me incentivou muito a desenvolver esse lado. Hoje em dia eu componho de forma mais organizada, mas ainda vou muito pela intuição primeiro. A diferença é que agora eu posso analisar o que fiz e escrever pros músicos que vão tocar de uma forma que fique rápido o entendimento na hora de gravar. Eu vou buscando um som que já está na minha cabeça bem antes, eu só preciso achar onde está. É uma espécie de caminho, a melodia e a harmonia vão me guiando, mas o som eu já tenho na cabeça em algum lugar. Não sei explicar melhor que isso (risos)

Um belo timbre de guitarra nesta sessão. Que equipamentos usou?
Usei nas 8 primeiras faixas somente a minha PRS e um amplificador Fender Deville. Só isso, guitarra ligada direto no amplificador com um microfone na boca do falante.
Na ultima faixa, "Wooden Face Blues", usei minha estrato Advanced ligada no Fender Deville numa saída e o capitador mid (GK3) ligado a um GR 20 da Roland. Fiz uma brincadeira com o timbre de orgão Hammond B3 pro tema e primeiro solo, depois fiz uma base ainda com esse timbre pra base do solo de guitarra que fiz com a PRS ligada no Fender Deville.

Falando um pouquinho de técnica, você toca de dedos, fingestyle, o que dá uma dinâmica muito particular no toque e fraseado. Como você desenvolveu esse estilo?
Começou primeiro de forma muito intuitiva por eu não conseguir me adaptar a palheta. Me enrolava muito, deixava cair das mãos e não conseguia articular as escalas com ela. Então quando ia tocar acabava jogando a palheta fora e ia pros dedos e tudo fluía. Com o tempo abandonei de vez por me sentir mais à vontade assim, e foi muito natural, não planejei isso. Depois quando fui estudar com o Hélio Delmiro é que ele me deu vários exercícios e aí pude aprimorar melhor essa técnica. Mais tarde adaptei ainda dois estilos diferentes desse que desenvolvi com o Hélio - um muito parecido com o do Jeff Beck (intercalando o indicador e o polegar da mão direita) e outro inspirado na própria palheta, usando a unha do dedo indicador como uma palheta, que dá um som poderoso pra algumas melodias que precisam de mais peso. Assim, basicamente quando toco uso essas três técnicas que desenvolvi com o tempo. Mesmo estudado muito, tudo vem da intuição de sentir as cordas batendo no dedo sem um corpo estranho no caminho. Vem tudo lá de trás quando comecei.

Além de muito inserido na cena jazz, você também tem uma contribuição importante na música popular brasileira ao lado de grandes nomes, inclusive no musical Elis, e nem sempre isso ganha destaque. Como é trabalhar com música num mercado tão imediatista e com tanta valorização da exposição em mídia?
Um dos maiores pintores impressionistas, Renoir, quando jovem, pintou afrescos nos botequins de Paris, trabalhou numa fábrica de porcelanas pintando em xícara por xicara o retrato da Maria Antonieta. Ele usou dessas experiências para moldar seu estilo por toda vida. Ele é um dos maiores gênios da pintura moderna, nunca ligou pra fama e nunca quis ser uma celebridade. Eu penso que a arte tem esses dois lados - o criativo e inventivo da composição, em que sou reconhecido como um artista, compositor, arranjador e instrumentista, e o outro lado operário do sideman, onde você tem que obedecer a um padrão, tem que ser um servidor da música. Acredito que esses dois lados não são separados, eles seguem em paralelo. De vez em quando um invade o outro, um se serve do outro pra se alimentar. Não me incomoda ter tocado no musical Elis e não ser visto pela plateia, como quando toco nos meus projetos, porque a música que foi feita ali foi de alta qualidade. Na verdade, me orgulho muito do trabalho que realizei ali. Penso sempre em servir à música, tocar pra ela e, se eu pensar assim eu posso não aparecer muito mas minha arte está ali pra quem quiser ver. Não viveria sem esses dois lados paralelos. Como disse, um alimenta o outro.

Obrigado Marcos Amorim, e sucesso.

"Sea of Tranquility" pode ser adquirido diretamente com Marcos Amorim pelo e-mail luzdaluamusic@gmail.com, pelas lojas AmazoniTunes, e está nas plataformas digitais Spotify e Deezer.

Ainda em sua discografia - "Portraits" (2010), "Revolving Landscapes" (2008), "Sete Capelas" (2007) e "Cris on the Farm" (2005), lançados pela Adventure Music; e "Luz da Lua" (1998) e "O Boto" (1996), ambos pela gravadora Perfil Musical.


       ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (99)

Janeiro 13 a 18
13      Danny Barker, guitarra, Louisiana, 1909
          Ed Burke, trombone, Missouri, 1909
            Percy Humphrey, trumpete, Louisiana, 1905
          Melba Liston, trombone, Missouri, 1926
          Vido Musso, saxofone.tenor, Italia, 1913
          Joe Pass, guitarra, New Jersey, 1929
          Sophie Tucker, canto, Russia, 1884
14      Russ Columbo, canto / ator, Pensilvania, 1908
          Billy Butterfield, trumpete, Ohio, 1917
          Jimmy Crawford, bateria, Tennessee, 1910
          Joe Muranyi, clarinete, Ohio, 1928
          Grady Tate, bateria / canto, Carolina do Norte, 1932
          Allen Toussaint, piano, Louisiana, 1938
          Caterina Valente, canto, França, 1931
           Kenny Wheeler, trumpete, Canadá, 1930
15      Steve Jordan, guitarra, New York, 1919
          Gene Krupa, bateria, Illinois, 1909
          Alan Lomax, escrita / guitarra, Texas, 1915
          Jerry Wald, clarinete / lider, New Jersey, 1919
16      Sandy Block, contrabaixo, Ohio, 1917
          Ethel Merman, canto / atriz, New York, 1909
          Irving  Mills, agenciamento, New York, 1884
          John Robichaux, contrabaixo / violino, Los Angeles, 1886
          Spike Robinson, saxofone.tenor, Wisconsin, 1930
          Aldo Romano, bateria, Italia, 1941
          Lina Romay, canto, Espanha, 1921
17        Big Sid Catlett, bateria, Indiana, 1910
          Ted Dunbar, guitarra, Texas, 1937 
           Billy Harper, saxofone.tenor, Texas, 1943
           Cedar Walton, piano, Texas, 1934
           Bob Zurke, piano, Detroit, 1912
18      Charles Delauney, escrita, França, 1911
          Al Foster, bateria, Virginia, 1944
          Steve Grossman, saxofones soprano e tenor, New York, 1941
          Danny Kaye, ator / canto, New York, 1913
          Ray Sims, trombone, Kansas, 1921
          Don Thompson, contrabaixo / piano / vibrafone, Canadá, 1940
          Irene Kral, vocal, Illinois, 1932
          Retornaremos

P O D C A S T # 3 9 6

12 janeiro 2018

ANN HAMPTON CALLAWAY 
EUGENIE JONES 


JUNKO ONISHI 




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10 janeiro 2018




Série   PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
55ª Parte - IV

(47)(d) DUKE  ELLINGTON     Pianista Executante de uma Orquestra
DISCOGRAFIA
Alentada em qualidade e em quantidade a “Discografia” de ELLINGTON é uma verdadeira e completa paleta sonora.
Ocorre ainda que ao longo de tantas e tantas décadas desde sua primeira gravação, com edições originais, edições especiais, re-edições, compilações, estojos e tantos e tantos lançamentos e acordos comerciais entre gravadoras, é absolutamente interminável a lista de gravações contendo a obra do maestro.
A sucinta relação seguinte é uma tentativa de indicar um bom caminho para desfrutar da obra desse gênio, sem o menor vestígio de pretender esgotá-la, mas reunindo gravações desde os “primórdios” da banda até o final.
· “Duke Ellington And His Orchestra” - 11 discos com cerca de 250 temas cobrindo o período de novembro de 1924 (tema “Choo Choo” ainda com o grupo “The Washingtonians”) até dezembro de 1932 (tema “Delta Bound” já como “Duke Ellington And His Famous Orchestra”) - Classics
· “Early Ellington” - Gravação indispensável em qualquer coleção de Ellington, com gravações de 1927 a 1934 - RCA Bluebird
· “Duke Ellington Live At The Hurricane – 1944” - Disco que acompanhou a revista italiana “Musica Jazz” de abril de 1999, contendo 19 faixas gravadas ao vivo de 06 de maio até 04 de junho de 1944, no clube “Hurricane” da Broadway, New York - MJCD
· “Complete Ellington at Newport 1956” - Disco duplo, 40 faixas e excelente encarte com todo o histórico da banda de Ellington em Newport, com destaque para o tema “Diminuendo In Blue And Crescendo In Blue”, 14’20”, solo com 27 “choruses” de Paul Gonsalves - Columbia / Legacy
· “Duke Ellington / Ring Dem Bells” - Disco com 20 faixas reunindo clássicos do repertório de Ellington - Double Play / MCPS
· “Giants Of Jazz: Duke Ellington (1926 – 1956)” - 03 discos imperdíveis - Time-Life Records
· “Duke Ellington And Friends” - 11 faixas com diversas formações da banda, com especial destaque para o tema “Stompy Jones” de Ellington (um “stomp” espetacular com o mágico Jo Jones à bateria), gravado em 20/02/1959 em New York - Verve
· “Duke Ellington”, série “Legends On The 20th Century” - Disco com 15 temas clássicos do repertório ellingtoniano, ótimo encarte que inclui cronologia de Duke Ellington e destaque para a faixa “C’Jam Blues” da autoria de Ellington - EMI/Capitol
· “Through The Roof – Duke Ellington & His Orchestra” - Disco com 11 faixas - Prive Archives / Trama
· “Duke Ellington And His Orchestra En Concert” - Disco com 08 faixas, gravado no “Theatre Des Champs Elysees” em 29 e 30 de janeiro de 1965, destaque para a última “Black Brown & Beige” com 21’20” - RGE
· “Duke Ellington 1940” - 02 discos superlativos, repletos de “masterpieces” - Smithsonian Collection
· “Duke Ellington & His Orchestra” - Disco com 16 faixas e destaque para o tema de Ellington “Blue Harlem” - Limelight / Vintage Performances / Jazz Recollections
· “Duke Ellington Swings” - Disco com 20 faixas, destaques para os temas “Perdido” e “Caravan” - Oliver Records
· “Duke Ellington / My People” - Disco temático com 08 faixas, destaque para a narração de Ellington no tema “My People” - Columbia
· “Duke Ellington” - Disco com 13 temas, o quarto da série “Jazz Masters” (série que comemora os 50 anos do selo Verve), encarte com as formações e datas de gravação dos temas - VERVE
· “Duke Ellington Live In México” - Disco com 13 temas gravado ao vivo no “Palácio De Bellas Artes” da Cidade do México (vide a seguir  na “Filmografia” o documentário “MEXICAN SUITE” - TRING)
· “Ellington / Jazz Party” - Disco com 08 faixas e participações de Dizzy Gillespie, Jimmy Rushing e outros convidados - Sony Music
· “Happy Birthday Duke !” - 03 discos, produção do próprio Ellington, total de 30 faixas gravadas em 1953 e 1954 no “McElroy’s Ballroom” (Portland / Oregon), comemorando aniversário do maestro - Laserlight
· “The Duke Ellington Carnegie Hall Concerts” - 03 discos, com destaque para a versão integral de “Black, Brown And Beige” - Prestige
· “Duke Ellington – Carnegie Hall – December 11th, 1943" - Gravação do selo “Crazy Cat” distribuída em 1983 no Brasil pela “CID” em 02 LP’s e com um total de 22 faixas. O primeiro LP inclui em seu lado (a) duas partes da suíte “Black, Brown And Beige” (“West Indian Influence” e “Lighter Attitude”), enquanto que o segundo LP nos brinda com um “medley” reunindo clássicos do repertório ellingtonano (“In A Sentimental Mood”, “Mood Indigo”, “Sophisticated Lady”, “Caravan”, “Solitude” e “I Let A Song Go Out Of My Heart”)
· “Duke Ellington / Ken Burns Jazz” - Disco com 21 faixas cobrindo gravações de 1927 a 1960 - Columbia / Legacy
· “Duke Ellington” - Disco com 15 faixas dos clássicos ellingtonianos, número 09 da coleção “The Jazz Masters – 100 Anos de Swing”, agregado à coleção editada no Brasil, com as importantes gravações dos temas “Ko-ko” e “Stompy Jones”
· “First Time ! - The Count Meets The Duke” - Gravação lançada pela “CBS” em 1962 contendo a reunião de duas figuras seminais na história do JAZZ = Duke Ellington e Count Basie. São 08 faixas plenas de beleza
· “Paul Gonsalves com a Orquestra de Duke Ellington” - Disco contendo 11 faixas que permitem desfrutar do trabalho do sax.tenorista Paul Gonsalves, número 74 da coleção “The Jazz Masters – 100 Anos de Swing”, agregado à coleção editada no Brasil
· “And His Mother Called Him Bill” - Tributo póstumo ao “alter-ego” de Ellington, Billy Strayhorn (gravado em 1967, 03 meses após o falecimento de Strayhorn), com as composições deste em arranjos de Ellington, destacando-se os solos do grande Johnny Hodges nos temas “Day Dream” e “Blood Count”, além do soberbo piano-solo de Ellington em “Lotus Blosson”;   segundo José Domingos Raffaelli em trabalho conjunto com Luiz Orlando Carneiro (“Guia de Jazz em CD”, Jorge Zahar Editor, 2000), consta que esse tema executado no final da sessão, foi gravado sem que o maestro soubesse - Bluebird
· “Duke Ellington / Caravan” - Disco contendo 13 faixas de Ellington com a banda cobrindo o período de 1933 até 1941, número 03 da coleção de 32 fascículos “Os Grandes do Jazz” editada no Brasil, com destaque para os temas “Concerto For Cootie” e “In A Mellotone”
· “The Intimate Ellington” - Disco da “Pablo” com 11 faixas, gravado em New York em junho de 1971 e com produção do próprio Ellington
· “Série Vamos ao Jazz, Volume I, Duke Ellington” - CD da Traditional Jazz Band Brasil gravado na primavera de 1992 (Austin Roberts / trumpete, Silvio “Fatz” / clarinete e sax.tenor, Alexandre Arruda / trombone, Dudu Bugni / banjo e violão, Edo Callia / piano, Carlos Chaim / contrabaixo e Alcides “Cidão” Lima / bateria), com desfile de 18 temas do repertório de Ellington entre os quais “Satin Doll”, “The Mooche”, “Mood Índigo”, “Solitude” e muitos mais;    essa gravação em CD está arquivada no “Smithsonian Institute”
· “A Tribute To Black Entertainers” - Coletânea em estojo com excelente livreto encartado e 02 CD’s, total de 49 faixas que percorrem uma bela exposição de bandas, cantores e artistas negros em geral, com a faixa “It Was A Sad Night In Harlem” da autoria de Ellington e executada por sua banda, gravada em 17 de julho de 1936 - Sony Music
· “Big Band Renaissance - The Evolution Of The Jazz Orchestra” - Coletânea em estojo com excelente livreto encartado e 05 CD’s, total de 73 faixas executadas por 59 bandas, reservando para Ellington 05 faixas (“On A Turquoise Cloud”, “Such Sweet Thunder”, “Perdido”, “Tourist Point Of View” e “Blood Count”) - Smithsonian Collection Of Recordings
· “L’Histoire Du Piano Jazz - 1906 à 1952” - Estojo com 10 CD’s e magnífico encarte de André Francis e Jean Schwarz (texto em francês e inglês), que nos transporta em viagem através do tempo com os grandes intérpretes do JAZZ no “instrumento síntese”. Ellington nos presenteia com “Swampy River” (01/outubro/1928) no CD 2, “Lots O’ Fingers” (17/maio/1932) no CD 3, “Swing Session” (08/maio/1937) e “Informal Blues” (08/março/1939) no CD 4, “Solitude” (14/maio/1941) e “Frankie And Johnny” (16/maio/1945) no CD 6, “Dancers In Love” (30/julho/1945), “Drawing Room Blues” (10/janeiro/1946) e “There Was Nobody Looking” (23/novembro/1946) no CD 7, “Mood Índigo” (01/dezembro/1947) no CD 8 e “Cottontail” e “The C Jam Blues” (ambas no outono de 1950) no CD 9. O estojo merece lugar em qualquer discoteca selecionada. Selo “Le Chant Du Monde – Harmonia Mundi”.

Como escrito anteriormente, entre as mais de 950 composições de ELLINGTON (que algumas fontes citam como mais de 1.000 ou 1.500 ou, ainda, mais de 2.000 segundo afirma categoricamente Wynton Marsalis no documentário musicado “Swingin’ With Duke” de 1999, conforme indicado na “Filmografia” de DUKE ELLINGTON) somadas às de Billy Strayhorn, o caleidoscópio sonoro ellingtoniano é de alta beleza técnica e emocional, impedindo qualquer escolha universal, definitiva.
Em “Music Is My Mistress” (autobiografia de ELLINGTON, 1977, Londres / Quartet Books, páginas de 493 até 522) estão listadas 952 composições de 1923 até 1973. As indicações aquí fornecidas, portanto, contem muito de pessoal de quem escreve, como teriam quaisquer outras, mas cremos que já proporcionam um belo panorama da obra do maestro e de seu instrumento, a “big-band” que comandou por tantas décadas.
Prosseguiremos com ELLINGTON

       ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (98)

Janeiro 10 a 12

10      Ray Bolger, dança / ator / canto, Massachusetts, 1904     
          Henry Haywood, saxofone.tenor, Alabama, 1913
          Buddy Johnson, piano / líder, Carolina do Sul, 1915
          Johnnie Ray, canto, Oregon, 1927
          Max Roach, bateria / composição, New York, 1924
          Mike Stern, guitarra, Massachusetts, 1954
11        Wilbur De Paris, trombone, Indiana, 1900
          Bob Enevoldsen, trombone, Montana, 1920
          Laurens Hammond, inventor, Illinois, 1895
          Osie Johnson, bateria, Washington (DC), 1923
          Guy Lafitte, palhetas, França, 1927
          Jack Nimitz, saxofone.barítono, Washington (DC)
          Lee Ritenour, guitarra, California, 1952
          Tab Smith, saxofone.alto, Carolina do Norte, 1909
          Joseph W. Stern, composição, New York, 1870
12        Jane Ira Bloom, saxofone.soprano / lider,  Massachusetts, 1955
          Olu Dara, trumpete, Mississipi, 1941
Eddie De Lange, composição / canto, New York, 1904
          George Duke, teclado, California, 1946
          Jay McShann, piano / lider, Oklahoma, 1916
          Ray Price, vocal, Texas, 1926
          Trummy Young, trombone, Georgia, 1912
          Retornaremos

CRÉDITOS DO PODCAST # 395

08 janeiro 2018

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÃO
LOCAL /DATA
The Lincoln Jazz Orchestra
Ryan Kisor, Kenny Rampton, Marcus Printup, Wynton Marsalis (tp), Vincent Gardner, Chris Crenshaw, Elliot Mason (tb), Sherman Irby (sa, fl, cl), Ted Nash (sa, st, fl, cl), Victor Goines (st, cl), Walter Blanding (st,ssop,cl), Joe Temperley (sbar, b-cl), Dan Nimmer (pi,musical-dir), Carlos Henriquez (bx) Ali Jackson (bat), Pancho Terry, Yaroldy Abreu Robles, Dreiser Durruthy Bamboleo (perc)
BEARDEN THE BLOCK (Chris Crenshaw)
Live at Teatro Mella, Havana, Cuba, 5, 6 & 7/outubro/2010
INAKI'S DECISION (Wynton Marsalis)
LIMBO JAZZ (Duke Ellington)
DALI FROM PORTRAIT IN SEVEN SHADES
(Ted Nash)
BAA BAA BLACK SHEEP (tradicional)
BRAGGIN' IN BRASS
(Duke Ellington / Henry Nemo)
SYMPHONY IN RIFFS (Benny Carter)
SPRING YAOUNDÉ (Wynton Marsalis)
THINGS TO COME
 (Gil Fuller / Dizzy Gillespie)
SUNSET AND THE MOCKINGBIRD (Duke Ellington / Billy Strayhorn)
THE SANCTIFIED BLUES FROM CONGO SQUARE
(Wynton Marsalis)

ASSIM ERA GILLESPIE (Por Pablo Aguirre)

07 janeiro 2018

São 24 anos desde a morte de Dizzy Gillespie, uma das grandes lendas de jazz. Sua contribuição para o desenvolvimento do jazz moderno, juntamente com Charlie Parker e outros revolucionários do be-bop, foi incomensurável. 
Eu (Pablo Aguirre) o vi e ouvi muitas vezes em Londres, conheci-o pessoalmente e tive a sorte de entrevistá-lo para o Serviço Mundial da BBC em 1985. Para as toneladas de textos que foram transmitidos sobre ele, eu só posso contribuir com minha impressão pessoal: um gênio musical com um profundo e inato senso de ritmo, um extraordinário trompetista, compositor e cantor, pioneiro na época, um homem afável, simples e amigável com um grande senso de humor, que emanava calor e generosidade humana. Foi um prazer estar em sua companhia. Sua discografia é imensa e conhecida. Mas o vídeo singular e curto abaixo reflete, em certa medida, algumas das características da personalidade simples e humorística de Dizzy Gillespie, convidado que foi para o lendário Show of the Muppets em 1980. 


(traduzido do blog Noticias de Jazz de Pablo Aguirre)

05 janeiro 2018

UM  GUITARRISTA  COM  MUITA  HISTÓRIA

REMO PALMIERI, guitarrista norte-americano, nasceu em New York no dia 29 de março de 1923 vindo a falecer em vias de completar 79 anos no dia 02 de fevereiro de 2002, também em New York.
Sua primeira vocação e seu primeiro estudo foram as belas artes e, em função de custear essa vocação, trabalhou em diversos clubes e casas noturnas como guitarrista.
No mês de dezembro de 1942 tornou-se profissional, ingressando no trio do pianista Nat Jaffe.
No ano de 1943 tocou com Coleman Hawkins.
No ano seguinte tocou com Red Norvo, após o que formou seu próprio grupo e acompanhou Billie Holiday nas casas noturnas e Mildred Bailey em transmissões radiofônicas.
Nesse mesmo ano de 1944 foi incluído no grupo da pianista e cantora Phil Moore, nele permanecendo até fevereiro de 1945 e tocando no “Café Society”
No dia 28 de fevereiro de 1945 e em New York gravou com o “Dizzy Gillespie Sextet” integrado por Dizzy Gillespie/trumpete, Charlie Parker/sax.alto, REMO PALMIERI/ guitarra, Clyde Hart/piano, Slam Stewart/baixo e Cozy Cole/bateria. Na ocasião ficaram registrados os temas “Groovin’ High” (áudio disponível na Internet via “YouTube”), “All The Things You Are” (áudio também disponível na Internet via “YouTube”, podendo ouvir-se curto solo de PALMIERI) e “Dizzy Atmosphere”.
No início desse ano de 1945 os vencedores da enquete da revista “Esquire” como os melhores do ano (“Esquire All American Winners”), gravaram sob a supervisão do crítico Leonard Feather os temas “Snafu” e “Long Long Journey”. Para essas gravações a formação contou com Luis Armstrong e Charlie Shavers nos trumpetes, Jimmy Hamilton no clarinete, Johnny Hodges no sax.alto, Don Byas no sax.tenor, Billy Strayhorn e Duke Ellington ao piano, REMO PALMIERI na guitarra, Chubby Jackson no contrabaixo e Sonny Greer à bateria.
Atuou em clubes e sob contrato com Dizzy Gillespie, assim como e logo depois com o grande clarinetista Barney Bigard.
Ainda nessa época atuou por pouco tempo com o pianista Teddy Wilson para acompanhar a “Divina” Sarah Vaughan, chegando a gravar com eles.
Ato seguido e por razões de saúde PALMIERI interrompeu suas atividades noturnas, passando a fazer parte da orquestra de estúdio da gravadora “CBS” com grande sucesso, inclusive gravando prefixos e “background’s” para programas de grande audiência, como por exemplo o “Arthur Godfrey Radio Show” de larga permanência no ar.
Quando o programa de Arthur Godfrey terminou em 1972, PALMIERI desligou-se da CBS e retornou à cena do JAZZ, atuando como freelance com Benny Goodman, Bobby Hackett, Hank Jones, Herb Ellis, Barney Bigard e muitos outros.
Em 1977 o seu então amigo e guitarrista Herb Ellis convenceu Carl Jefferson, o Presidente da “Concord Jazz”, a convidar PALMIERI para participar do “Concord Jazz Festival” na Califórnia, o que realmente sucedeu, com os 02 guitarristas atuando em duo.
Nesse mesmo ano os dois guitarristas gravaram o álbum “Windflower”.
PALMIERI gravou como titular em 1978 e 1979 para a “Concord Jazz”.
Nos anos 1990 ainda encontrávamos PALMIERI em atividade, gravando para o selo “JVC” os álbuns “Tribute To Tal Farlow” em 1996, “Tribute To Barney Kessel With Love From Your Friends” em 1997 e “Tribute To Herb Ellis With Love” em 1998.
Ele foi guitarrista de descendência direta de Charlie Christian e, com certeza, influenciado por Django Reinhardt. Seus fraseado e timbre o definem não como um “bopper”, mas seguramente e de forma precursora na linha do “cool”. É importante assinalar que PALMIERI estudou com Tibor Serby (um dos poucos alunos de composição de Bela Bartok), o que nos faz compreender as surpresas e sutilizas das linhas harmônicas que desenvolve.
Entre as gravações onde podemos apreciá-lo como solista ou como acompanhante, citamos:
- “Seven Come Eleven” (com Red Norvo), 1944;
- “Side Track”, 1976;
- “A Time for Love”, 1976;
- “Windflower” (com Herb Ellis), 1977.




       ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (97)

Janeiro 07 a 09

07      Henry Red Allen Jr., trumpete, Louisiana, 1908
          Kenny Davern, clarinete, New York, 1935
          Chano Pozo, conga, Cuba, 1915
          Sam Woodyard, bateria, New Jersey, 1925
08      Shirley Bassey, canto, Reino Unido, 1937
          Wendell Culley, trumpete, Massachusetts, 1906
          Bill Goodwin, produção / bateria, California, 1942
          Bobby Tucker, piano, New Jersey, 1923
09      Joan Baez, canto, New York, 1941
          Kenny Clarke, bateria, Pensilvania, 1914
          Gracie Fields, canto / atriz, Inglaterra, 1908
          Jimmy Maxwell, trumpete, California, 1917
          Buck Pizzarelli, guitarra, New Jersey, 1926
          Betty Roché, vocal, Delaware, 1918
          Carson Smith, contrabaixo, California, 1931
          Retornaremos

P O D C A S T # 3 9 5






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RESILIÊNCIA

04 janeiro 2018

Resiliência é o título do disco de estreia do guitarrista Vinicius Gomes, apresentando um repertório com 10 belíssimas composições autoriais em uma fusão criativa de música brasileira e jazz contemporâneo. Nesta sessão, tem ao seu lado o sax de Rodrigo Ursaia, o contrabaixo de Bruno Migotto, o piano de Gustavo Bugni e a bateria de Edu Ribeiro, além das participações muito especiais do baterista Daniel de Paula, do trompetista Rubinho Antunes e de um quarteto de cordas na faixa título formado por Ricardo Takahashi e Daniel Moreira nos violinos, Daniel Pires na viola e Vana Bock no cello.
O disco saiu pelo selo Blaxtream, que tem como objetivo promover várias propostas inovadoras de veiculação de musica instrumental brasileira.

Mestre pela ECA/USP, Vinicius Gomes escreveu como tema de sua dissertação "Helio Delmiro - Solo Guitar Compositions", trabalho premiado pelo PROAC Award em 2015 na categoria música instrumental. Muito atuante na música brasileira, atuou com Zizi Possi, Rosa Passos, Jane Duboc, Arthur Verocai, Toninho Ferragutti, Robertinho Silva, entre outros; e também é músico das orquestras OSESP e Jazz Sinfônica de São Paulo. 


"Resiliência" foi gravado no Rivière Studios, Ribeirão Preto, exceto a seção de cordas e o reamp de guitarra que foram gravados no Soundfinger Studio.
Gravado e Mixado por Thiago Monteiro, tem a produção executiva de Thalita Magalhães, fotografia de Alisson Sbrana e arte de Evandro Ferreira.

Com a palavra, Vinicius Gomes -

Quando a guitarra fez-se presente na sua vida? 
Comecei minha musicalização na infância tocando piano, tinha 6 anos de idade. Depois, naquela fase adolescente, mais ou menos com 12 anos, me interessei pela guitarra. Ouvia muito rock (Led Zeppelin, Hendrix etc) e era fissurado por ler todas as entrevistas que encontrasse com os integrantes dessas bandas. Via que eles sempre citavam que suas maiores influencias eram os guitarristas de blues. Fui atrás de ouvir BB King, Buddy Guy, Robert Johnson etc e comecei a caçar as entrevistas com esses guitarristas também. Foi quando surgiu o nome do Wes Montgomery, que foi um choque pra mim! Eu sempre tocava junto com os discos de rock e blues, mas parecia que as notas que o Wes tocava não estavam disponíveis na minha guitarra. Foi através dele que fiquei curioso por jazz, e acabei conhecendo o som de muitos guitarristas (Joe Pass, Benson, Kenny Burrel, Tal Farlow, Barney Kessel) e outros instrumentistas (os primeiros em que "viciei" foram os clássicos - Charlie Parker, Dizzy, Mingus, Miles, Coltrane, Shorter, Herbie, Bill Evans, Art Blakey).
O engraçado é que fui pesquisar a musica brasileira mais a fundo quando notei que esses músicos de jazz que eu admirava sempre gravavam repertório brasileiro em seus trabalhos. Então começou meu interesse por Jobim, João Gilberto, Baden, Elis, Helio Delmiro, Cesar Camargo Mariano, Donato, Hermeto, Heraldo do Monte, Airto (só ouvi o disco do Quarteto Novo durante uns 6 meses, acho), enfim, a lista é enorme. Foi nessa época que comecei a estudar violão além da guitarra, uma coisa que acabou se tornando muito presente no meu trabalho.

Fale um pouco da sua formação.
A minha formação no sentido "escolar" começou em uma escola chamada Polissom em SP, com o Romon Politschuk (piano, teoria) e Mozart Fernando (guitarra).  Depois estudei na ULM (atual EMESP), onde considero que me profissionalizei. Acho que a EMESP é o local onde o músico recebe uma das formações mais completas e objetivas de SP, tudo isso gratuitamente, embora esse programa maravilhoso esteja constantemente na mira dos "cortes de orçamento" do governo do estado de SP. Os professores da EMESP fazem parte da historia da musica instrumental brasileira e são pessoas que deveriam ter seu trabalho docente muito mais reconhecido pelo estado.
Em paralelo a ULM fiz faculdade de Administração e estagiei em escritório, o que foi uma experiência, digamos, interessante (risos). Graças ao diploma de graduação em Administração pude prestar o mestrado em musica na USP, onde tive contato com o estudo sistematizado de música erudita, além de estudar violão com Edelton Gloeden.
Tive professores de instrumento incríveis: Fernando Corrêa, Marcus Teixeira, Alemão (Olmir Stocker), Fernando e Cecilia (Duo Siqueira Lima) entre outros.

"Resiliência" é um trabalho totalmente autoral. Como você realiza o processo de composição?
Na verdade eu componho pouco, e não tenho método especifico. Cada musica é uma história diferente. Lembro de compor músicas como "Primeiro Sim", "Mou" e "Labirinto" rapidamente, em um dia só. A música "Exodo", que compus em parceria com o baterista Fernando Amaro, foi feita em poucas horas, num processo que gostaria de fazer muito mais, o de criar junto, encaixar as peças do quebra cabeças com um parceiro, pois isso ajuda a gente a sair da própria zona de conforto, dos nossos clichês. Outras musicas demoram muito tempo para serem terminadas. A segunda parte de "Bom Dia" saiu meses antes da primeira. Lembro de empacar muito tempo na primeira parte da "Valsa", enfim, isso acontece também.
"Caminhos Abertos" é o resultado de uma das poucas experiencias que tive onde sentei para compor sem nenhuma fragmento de musica rondando minha cabeça. Tela em branco total. Foi uma experiência interessante também. Enfim, acho que quanto mais maneiras diferentes de compor encontrarmos, melhor pra nós.

foto: Patrícia Nagano
Um super grupo ao seu lado. Como deu-se esse encontro e a iniciativa de criar o disco?
Eu tinha uma data em um bar de SP chamado Madeleine, e, ao invés de tocar standards, queria experimentar minhas musicas, já pensando em um dia registrá-las. Resolvi chamar os músicos que gostaria de ouvir tocando essas composições especificamente, e, caso não pudessem, chamaria outras pessoas já que era apenas uma data de bar. Dei sorte e todos os músicos que pensei estavam disponíveis e acabamos fazendo esse show. Foi quando nasceu o som do quinteto que é a base do disco. Foi um dia muito especial pra mim. Nesse dia um aluno meu foi no bar com duas câmeras e registrou algumas músicas. Coloquei uma no youtube pra ter o registro do som que rolou.
Alguns meses depois, recebi a ligação do Thiago Monteiro, um engenheiro de som genial com quem já tinha trabalhado junto na gravação do disco KVAR. Ele me contou de um projeto totalmente insano, e lindo, de começar um selo dele, e me convidou para fazer parte da primeira fornada de discos, junto com o trabalho de músicos que admiro e com quem me identifico profundamente: Paulo Almeida, Fabio Gouvea e Ludere (disco no qual também participo).
Então, na verdade foi uma junção de fatores, o fato de eu estar pensando em como viabilizar um disco com aquele som que tinha rolado no bar, o momento do selo Blaxtream (nome do selo do Thiago, em homenagem a Ribeirão Preto e fazendo trocadilho com o streaming de músicas), um encontro muito feliz pelo qual sou muito grato, tanto ao selo quanto aos músicos que toparam embarcar nesse som.

Alternando entre o acústico e o elétrico, que equipamentos usou nesta sessão?
Toquei uma guitarra Gibson 335 ligada em um Fender Twin, usando como efeitos apenas reverb e ocasionalmente Delay. Toquei também um violão Lineu Bravo, que já está comigo há alguns anos e é o instrumento que mais toco em casa no dia a dia.

O título deste trabalho serve para retratar o desafio de ser músico, principalmente na cena instrumental e do jazz no Brasil?
Acho que por um ângulo sim, e a ideia do titulo é justamente retratar o quanto precisamos ser flexíveis, pacientes, termos capacidade de nos adaptar a mudanças - tanto musicalmente quanto como seres humanos. No Brasil, praticamente não é possível viver com um foco único dentro da música (só fazer determinado tipo de musica, por exemplo). Cada semana obriga o músico a se reinventar, a pesquisar, se desafiar, e se desenvolver como ser humano. Existem situações onde o ambiente é incrível, criativo, acolhedor, outras onde o ambiente é tenso e cheio de cobranças.
Acho que a resiliência, nesse sentido, não se aplica só à vida do musico. Usei esse titulo para o disco pois creio que esse é um valor universal que buscamos independentemente de profissão, do local em que vivemos, de nossa classe social.
Musicalmente, o título também dialoga com a maneira que compus as musicas do disco. São músicas com bastante variação harmônica e de métricas rítmicas, que sugerem aos músicos se adaptar a esse ambiente cheio de mudanças e ainda assim serem criativos e dialogar entre si.

Sua tese de mestrado teve enfoque no violonista Helio Delmiro, ele é uma grande influência? Fale um pouco sobre suas referências musicais e sobre o que gosta de ouvir.
O Helio é uma grande influência sim. Não acho que eu tenha UMA grande influência específica. Ele foi um cara cujo som estudei profundamente por um período, assim como houve períodos em que ouvi muito o violonista Lula Galvão, outros em que ouvi muito Nelson Veras. Isso citando apenas os violonistas brasileiros, sem contar os músicos de jazz, eruditos.. Acho que meu processo é esse, de parar e tentar entender um som específico por vez. Sempre escuto de tudo em casa, mas sempre tento saber exatamente o que estou estudando, pra não me perder e ter uma concentração suficiente em um assunto para que eu consiga me desenvolver mais um pouco como músico.
Ultimamente tenho ouvido muito os músicos associados ao "jazz moderno" (um rótulo que acho terrível) como Brad Melhdau, Brian Blade, Mark Turner, Gerald Clayton, Chris Potter, Ari Hoenig, e, obviamente, os guitarristas associados a esse movimento como Kurt Rozenwinkel, Mike Moreno, Lage Lund e Lionel Loueke. Já tenho sentido uma mudança nos últimos dias (risos), estou voltando a fase de ouvir Keith Jarret tocando standards e os discos da Blue Note da década de 50 e 60.

Obrigado Vinicius Gomes, e sucesso.

Você pode adquirir o disco "Resiliência" pelo site www.viniciusgomesmusic.com e pela rede social no Facebook. O disco pode ser baixado gratuitamente em vários formatos pelo site da gravadora Blaxtream - www.blaxtream.com/viniciusgomes e também está disponível em todas as plataformas digitais.
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