Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

O ALMOÇÃO

30 abril 2011

Finalmente foi realizado o tradicional almoço cejubiano, após longo e tenebroso inverno.(Depois de tanto tempo o almoço virou alvelho). Já não podemos contar com o nosso cantinho especial,(o mezanino) agora mudado pela administraçao do restaurante.
Enfim, ficamos em mesa redonda, mais próximos um dos outros e o assunto Jazz rolou solto e por incrível que pareça, sem discussões. (O Bene-x não foi).

Foi entronizado o amigo Nelson Reis, enquanto Sazz apreceu para dizer que não vinha. Nelson fez questão de me presentear com um livro que encontroiu em um sebo. Trata-se do "Knaurs Jazz Lexikon" (alemão) que tem como curiosidade a dedicatória na primeira página nos seguintes termos: "Para o amigo Paulo Brandão, com o abraço do Sylvio Tullio Cardoso. New York, 1957".

Agora, se o Brandão fala alemão ficamos sem saber.

llulla

UM NOVO LOCAL PARA A MUSICA INSTRUMENTAL DE QUALIDADE

Já tinha recebido a dica algumas semanas atras, e hoje decidi conferir após o trabalho, num dia especial, ainda mais pelo almoco agradavel do CJUB, que está proximo do seu aniversario de numero 9.

O local, Brasserie Rosario é agradavel, os musicos de primeira (Kiko Continentino aos teclados, Luiz Alves no baixo acustico, e Clauton Salles na bateria e trompete), o astral interessante, a comida acompanha a musica de qualidade proporcionada pelo SambaJazzTrio, que soltou um Bluesette especial.

Numa das mesas, a presenca de Mauricio Einhorn. Ele sabe das coisas.

Obs: BRASSERIE ROSÁRIO (espaço jazz) - R. do Rosário, 34 - Centro, RJ (praça XV, perto do Arco do Teles, atrás do CCBB);

quanto: ENTRADA FRANCA - sem couvert artístico

Acompanhem a programação. Uma happy-hour para fechar a semana em grande estilo.

Beto Kessel

HOMENAGEM

28 abril 2011

HOMENAGEM

Quem o conheceu e o teve como amigo sabe o quanto aproveitou desse relacionamento. Sylvio Tullio Cardoso foi o nome maior da nossa crítica musical através da coluna “O Globo nos Discos Populares”, que assinou durante muitos anos. Tinha um vasto conhecimento do Jazz, o qual transmitia com grande interesse aos que lhes consultavam. Fui seu amigo desde os tempos das “Lojas Murray” até o seu desaparecimento ocorrido em 27 de abril de 1967, quando nossa imprensa cultural ficou mais pobre.

E creiam, até hoje não teve um substituto à altura. E são passados 44 anos de seu desaparecimento. Mas, até hoje, quando estamos reunidos e falamos e discutimos Jazz, o seu nome vem sempre a tona e é reverenciado.

A ele a nossa saudade.

AGRADECIMENTO

27 abril 2011

Graças ao nosso prezado GUSTAVO, que instruiu-me para restaurar conexões perdidas, posso prosseguir na postagem da série "Guitarristas".

Nada como pedir ajuda a quem sabe...
ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 02



Entre os muitos guitarristas “chefes-de-escola” que podemos destacar no JAZZ, sem dúvida o norte-americano BARNEY KESSEL (nascido em Muskogee/Oklahoma em 17/outubro/1923 e falecido aos 80 anos, vítima de tumor cerebral, em San Diego/Califórnia no dia 06/maio/2004) merece menção especial, por diversos motivos:
- 05 (cinco) décadas de guitarra dedicada ao JAZZ (e ainda assim incursionando vez ou outra pelos mais diversos gêneros, como para o musical “Hair”, no “rock” com “One Mint Julep” e em “Yesterday” de Lennon/McCartney’ número este executado com músicos ingleses no Festival de Jazz de Montreux de 1973);
- acompanhante e solista tecnicamente superior e bem dotado, com excepcionais e personalíssimas características; como solista é um improvisador melódico inventivo, rigoroso, elegante e com claro sentimento do “blues”, enquanto que como acompanhante é soberbo pelo domínio dos acordes;
- titular ou “sideman” que alinhou ao lado de todos os músicos expoentes do JAZZ;
- discípulo direto do “modelo Charlie Christian” quanto às concepções musicais deste, que elevou a novos patamares de excelência;
- fraseado fluido com impecável articulação dentro da estética “bebop”, da qual herdou sólido domínio harmônico.



Desde os 12 anos de idade vendia jornais para poder comprar sua primeira guitarra, com a qual iniciou seu aprendizado, como auto-didata.



Aos 15 anos “debutou” em um conjunto de Muskogee, onde foi criando reputação até que em 1939 foi ouvido por Charlie Christian, de passagem pela cidade de Oklahoma visitando os pais.



Mudou-se para Hollywood, trabalhou lavando pratos e em diversos empregos, até ser contratado para a orquestra dirigida por Ben Pollack em 1943.



Foi para Los Angeles e participou em 1944 do clássico documentário “Jammin’ The Blues” junto a Lester Young, Harry “Sweets” Edison, Illinois Jacquet, Jo Jones, Red Callender e outros.



Seguidamente integrou nos anos 1945/1946 as “big bands” de Charlie Barnet, Artie Shaw, Benny Goodman, Hal McIntyre e Shorty Rogers, trabalhou para emissoras de rádio e para estúdios de gravação até, finalmente, ser convidado em 1947 pelo produtor Norman Granz para fazer parte dos concertos “JATP = Jazz At The Philharmonic" (criados por Granz, também fundador dos selos Verve, Pablo e Norgran).





É nesse contexto dos “JATP” que BARNEY KESSEL conheceu Charlie Parker, com quem gravou para o selo Dial em 26/fevereiro/1947 (Estúdio C.P.McGregor, Hollywood); foram 12 faixas em que perfilaram, ao lado de Parker e BARNEY, Howard McGhee/trumpete, Wardell Gray/tenor em sua única gravação com Parker, Dodo Marmarosa/piano, Red Callender/baixo e Don Lamond/bateria.



Importante abrir parênteses para lembrar que em 1952 BARNEY KESSEL voltou a participar de gravação com Charlie Parker, nessa ocasião para o selo Verve de Norman Granz, em histórica sessão da qual participaram, além de Parker e de BARNEY, os saxofonistas-alto Benny Carter e Johnny Hodges, os tenores Joe “Flip” Phillips e Ben Webster, o trumpetista Charlie Shavers e, completando a seção rítmica com BARNEY, Oscar Peterson/piano, Ray Brown/contrabaixo e J.C.Heard/bateria.





Em pouco mais de 01(uma) hora de registros gravados, essa seleção de craques eternizou “Jam Blues”, “What is This Thing Called Love ?”, “Medley” e “Funky Blues”.



Além das gravações (distribuídas originalmente pelo selo “Clef Records”, “Jam Session Parts 1, 2, 3 e 4” e mais tarde incorporadas ao CD nº 8 do estojo “The Complete Charlie Parker On Verve”), essa sessão de 1952 foi total e magnificamente fotografada por Esther Bubley, gerando material para o luxuoso livro lançado somente em 1995 com o título de “Charlie Parker”; uma obra prima em P&B !



BARNEY KESSELL substituiu Irving Ashby no trio do pianista Oscar Peterson.



Durante anos seguidos foi o vencedor das enquetes de crítica e de público das revistas americanas e internacionais especializadas = Metronome, Down Beat, Esquire, Playboy, Melody Maker e outras.



Como exemplos dessas enquetes, BARNEY foi o segundo mais votado pelos leitores da “Down Beat” em 1955 para, no mesmo ano, ser o primeiro na “Melody Maker”(Inglaterra) e na “Jazz Echo”(alemã).



Em enquete realizada entre os músicos pelo crítico Leonard Feather em 1956, destinada a que escolhessem seus preferidos nos diversos instrumentos, BARNEY KESSELL foi escolhido como o melhor por Georgie Auld, Nat “King” Cole, Jimmy Dorsey, Herb Ellis, Maynard Ferguson, Oscar Peterson, André Previn e Bud Shank.



Foi eleito como o melhor guitarrista nas enquetes da revista “Down Beat”, pelos leitores em 1959 e pelos críticos em 1960 e, neste mesmo ano de 1960, pelos leitores da “Metronome” e pelos leitores da “Melody Maker” e da “Jazz Hot”.



Em 1960 foi eleito como melhor guitarrista na primeira enquete de leitores do “Swing Journal” (publicação mensal japonesa com cerca de 350 a 400 páginas).



BARNEY KESSELL foi escolhido pelos leitores da “Playboy” como melhor guitarrista nos anos de 1960, 1961 e 1962.



Ao lado de Ray Brown e de Shelly Manne gravou 04 magníficos álbuns, sob o título de “Poll Winners”.



Em 1955 como acompanhante e ao lado do baixista Ray Leatherwwod, gravou com a estonteante cantora Julie London no album “Julie Is Her Name”, sucesso de vendas, inclusive no Brasil onde inaugurou verdadeiro culto à cantora, a partir do hoje clássico de Arthur Hamilton “Cry Me A River”.



Em 1958 foi lançado o álbum “Julie Is her Name – Vol. II”, desta feita sem BARNEY KESSEL (Howard Roberts / guitarra e Red Mitchell / baixo).



O escritor Ruy Castro dedicou, em artigo jornalístico de 10/maio/1977, mais tarde reproduzido em seu livro “Tempestade de Ritmos” (“Companhia das Letras”, Brasil, 2007, 415 páginas), extenso artigo sobre Julie London (no livro com 05 páginas), claro que citando BARNEY KESSELL no acompanhamento.



Ressalte-se que BARNEY acompanhou outras cantoras, do nível de Billie Holiday e Kay Starr.



Passou anos seguidos nos estúdios de Hollywood orquestrando e participando de trilhas sonoras para filmes, até retornar ao contexto jazzístico em 1974 com outros 02 guitarristas “top”: Herb Ellis e Charlie Byrd (que serão foco de futuros artigos para a presente série), criando os “Great Guitars”.



Em 1981 gravou para a etiqueta “Concord Jazz”, simultaneamente com suas atividades de professor de guitarra, escritor de método para guitarra e organizador e apresentador de seminários nos U.S.A. e por todo o mundo.



BARNEY KESSEL foi músico seminal no panorama da guitarra do JAZZ, tendo oportunidade de figurar ao lado da maior parte dos “grandes”: Louis Armstrong, Nat “King” Cole, Charlie Parker, Roy Eldridge, Woody Herman, Ben Webster, Red Mitchell, Buddy DeFranco, Georgie Auld e tantos e tantos outros.



Entre suas felizmente inúmeras gravações, é importante destacar a realizada em 1969, ladeando Stéphane Grappelli” e sob o título “I Remember Django”.



A figura física de BARNEY KESSELL é plural, dado que ao longo dos anos nós o contemplamos ora de óculos como um estudante universitário americano, ora sem óculos, ora com bigode e barba, ora sem tais adornos faciais, em algumas ocasiões de jeans, em outras de traje social, muitas vezes de paletó xadrez sobressaindo sobre calça negra, em certas fotos com fisionomia muito séria, enquanto que em outras com largo sorriso aberto, enfim, uma coleção de posturas físicas distintas.



Além de figurar obrigatoriamente em todos os livros de caráter geral e compêndios sobre JAZZ, BARNEY KESSELL consta com destaque no “The Jazz Guitar – It’s Evolution And Its Players” de Maurice J. Summerfield (“Ashley Mark Publishing Co.”, Inglaterra, 1978, 239 páginas).



Como titular ou “sideman”, BARNEY KESSELL gravou profusamente, mas indicamos alguns poucos clássicos desse guitarrista, a saber:
- “Tenderly”, 1952, com Oscar Peterson;
- “Lullaby Of Birdland”, 1953;
- “Barney’s Blues”, 1954;
- “Jordu”, 1957;
- “Carmen”, 1958;
- “Autumn Leaves”, 1958;
- “Minor Mistery”, 1959;
- “I Remember Django”, 1969, com Stéphane Grappelli;
- “Friends”, 1973;
e dezenas de outros.



Para desfrutar da arte de BARNEY KESSELL basta acessar o “Youtube” e assistí-lo em “Misty”, “Cherokee”, “Autumn leaves”, “Just Friendes” e tantos outros.



No Brasil e em edição nacional a “MPO Vídeo” distribuiu, em VHS e dentro da série “O Melhor do Jazz” (que conta com títulos de “Bill Evans”, “Dexter Gordon”, “Chet Baker”, “Phil Woods” etc), o vídeo “Great Guitars”, em que BARNEY KESSELL apresenta-se ao lado de Herb Ellis e de Charlie Byrd, em clássicos como “Outer Drive”, “Favela”, Tangerine”, “Alfie”, “The Days Of Wine And Roses”, “On Green Dolphin Street”, “Meditation” e outros.



Nesse filme é importante comparar as diferenças de estilo entre os 03 guitarristas, cada um com sua maestria



Retornaremos à guitarra e aos guitarristas no próximo artigo desta série (03)


NOVIDADES À VISTA?

26 abril 2011

A serem confirmados os termos desta notícia, publicada hoje no jornal O GLOBO, na coluna Negócios & Cia, sob a responsabilidade (momentanea) da jornalista Maria Fernanda Delmas (colunanegocios@oglobo.com.br), abre-se novamente o horizonte para o patrocínio de eventos culturais por parte de empresas de bebidas e cigarros. E pelo visto, com uma voracidade talvez decorrente do represamento histórico.

Só uma pergunta: mudou a lei, mudaram os administradores dessas empresas (por outros mais peitudos) ou descobriu-se um jeitinho bem brasileiro para dar a volta nos impedimentos antes existentes? Qualquer das respostas acima é ótima para nosso sempre permanente desejo de encontrar empresa disposta a apostar no jazz bem produzido, de bom nível, tanto artístico quanto técnico, que nos propomos a voltar a fazer no Rio de Janeiro.

Quem souber mais, por favor comente.

ALMOÇÃO

Saibam que, através deste comunicado, ficam os CJUBIANOS convocados para um almoço de confraternização nesta sexta-feira, dia 29 de abril, às 13:00 hrs, no Clube Comercial, situado à Rua da Candelária, 9 - 13o. andar. Será também um momento para a celebração dos 9 anos de existência do blog.
Pede-se aos habituais atrasados - entre os quais me incluo - que façam o possível para lá estarem no horário.
Todos lá!

RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES

25 abril 2011

divulgação


9ª edição do festival traz mais de 10 atrações nacionais e internacionais em shows gratuitos.

O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival chega a sua nona edição com um elenco de primeira.
O festival acontece de 22 a 26 de junho, feriado de Corpus Christi, em Rio das Ostras, balneário a 170 km do Rio de Janeiro. Os shows são gratuitos e distribuídos em quatro palcos: Praça de São Pedro (11h15min), Lagoa de Iriry (14h15min), Praia da Tartaruga (17h15min) e na Cidade do Jazz e do Blues, em Costazul (20h). O espaço da Praça São Pedro é dedicado a revelações e novos talentos do cenário do blues e do jazz nacional, dando oportunidades a mais e novos artistas do crescente cenário musical brasileiro.

Eleito pela mídia especializada nacional como o maior festival do gênero da América Latina e indicado pela revista americana Downbeat como um dos 10 maiores do mundo no gênero, em 2010, o Rio das Ostras Jazz & Blues entrou oficialmente no calendário de eventos do Estado do Rio de Janeiro.

A nona edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival traz um saudável ecletismo de estilos e de gerações: Yellowjackets, Nicholas Payton, Medeski, Martin & Wood com a genialidade do saxofonista Bill Evans, Tommy Castro, Jane Monheit, Bryan Lee, José James, Saskia Laroo Band e um dos maiores talentos da nova geração de músicos cubanos, o pianista Roberto Fonseca.

As atrações nacionais retratam a diversidade e a qualidade da nossa música: Comemorando 30 anos de carreira, Azymuth acompanhado do saxofonista Léo Gandelman, o guitarrista Ricardo Silveira e Nuno Mindelis, um dos melhores bluesman do Brasil. A Orquestra Kuarup, com regência do maestro Nando Carneiro, abre a nona edição do Rio das Ostras Jazz & Blues.

O festival traz ainda a Orleans Street Jazz Band. Esta banda percorre os principais pontos da cidade executando standards do jazz de New Orleans.

LULLABY OF BIRDLAND

23 abril 2011

Laura Valle na Sala Baden Powell em 10 de abril de 2011.


DODO FERREIRA TRIO

19 abril 2011

O SUMIÇO DE ANTONIO CARLOS MIGUEL

Descobri o que estava me fazendo falta às terças-feiras, quando lia o Segundo Caderno do Globo. Eram as colunas sempre coerentes e opinativas do jornalista e comentarista Antônio Carlos Miguel, um dos últimos remanescentes, junto com Luiz Orlando Carneiro (nosso Mestre LOC), do time de críticos jazzísticos da imprensa carioca.

Após a leitura, ontem, da página 2 do dito caderno, e tendo procurado em vão por sua assinatura numa das inúmeras micromatérias - tão profusas quanto insignificantes -, decidi fazer uma busca no oráculo do Google. E foi no blog Laboratório POP que encontrei a notícia, de que A.C.M. tinha sido demitido do jornal no início de março passado e que seu blog, hospedado na nuvem das Organizações Globo, também havia sido despejado.

A tristeza foi grande.

É triste ver a velocidade com que as cabeças pensantes vem sendo, uma a uma, descartadas em prol dos comentários de 3 linhas, das notinhas de rodapé, das firulas encomendadas, dos ôba-ôbas entre panelinhas. Que interessam-se apenas pela promoção do grupelho da semana, do DJ da hora, da cantorinha récem-nascida ou do pagode cervejeiro frequentado pelos jogadores de futebol em evidência no momento.

Não há mais, ali, nenhum artigo que propicie aos leitores conhecimento, luz, descoberta. Ou uma resenha que os instigue a aumentar ou sedimentar sua cultura. Principalmente se versarem sobre Jazz, matéria reservada a "pedantes", "chatos" ou representantes da mais intragável "elite".

A decapitação dessas cabeças, iniciada pela dispensa do J.D. Raffaelli (Mestre Raf) do mesmo caderno pelo editor da época - um também eliminado mas que ainda dá uns chutes por lá - sob a alegação de que detestava jazz, só faz aumentar a desertificação cultural da imprensa de melhor nível (os ditos jornalões). Estes, na busca por novo público prefere expulsar o antigo, deixando de oferecer matérias de qualidade por gente que entende sobre o que escreve. Exceção ao imortal Luiz Paulo Horta, que versa com absoluta grandeza sobre música clássica. No entanto, em espaço cada vez mais exíguo.

Sinal dos tempos, talvez? Afinal, quantos se interessam, dentro do ascendente público "consumidor", pelas coisas clássicas, pelo pensamento puro, por essas coisas chatas que obrigam o leitor a pensar?

Mesmo assim, atitudes como a eliminação de um crítico sem um substituto à altura (mesmo que a causa eventualmente tenha sido justa, diga-se) precisam ser repudiadas todos os dias, por todos nós, se ainda quisermos tirar algum prazer das páginas lidas ao lado daquela fumegante xícara de café matinal.

Aguardamos, com ansiedade, as novidades sobre o paradeiro profissional do Antonio Carlos Miguel, cujas palavras sempre trouxeram informações para quem quer avançar no conhecimento. Esperamos que essa sua "liberdade" permita-lhe ser alçado a um veículo de disseminação cultural compatível com seu talento.

Coisa que o Segundo caderno do O GLOBO há muito tempo deixou de ser, para transformar-se em mero "Playbill" caboclo.

O SAZZ ESTÁ MAIS VELHO HOJE!

Zé Sá Filho, o Sazz, faz aniversário hoje. Fugiu das comemorações locais para festejar em Buenos Aires.

Apertado de tempo, deixo este curto registro para que todos possam se manifestar.

Amigo, Saúde e Paz como nosso desejo pelas 59 velas apagadas hoje. Abrações!

E, no seu próprio estilo, fui!

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 16 de abril
por Luiz Orlando Carneiro

A gravadora Impulse! (o ponto de exclamação é parte da logomarca) nasceu há 50 anos, com a proposta de documentar a “new wave (nova onda) do jazz”. E cumpriu a missão de maneira notável, a  começar pelo núcleo da obra revolucionária de John Coltrane – de Africa/Brass a Interstellar space, passando pelas sessões ao vivo do Village Vanguard e pela inefável suíte A love supreme.
E também ao registrar obras-primas de Charles Mingus (The black saint and the sinner lady, Mingus Mingus Mingus), de Archie Shepp (Fire music,Mama too tight) e de Albert Ayler (Live in Greenwich Village). Mas a etiqueta fundada por Creed Taylor como um ramo da ABC-Paramount (hoje parte do Grupo Verve) não se destacou, apenas, por ser A casa que Coltrane construiu (tradução do título do livro de Ashley Kahn sobre a Impulse, de 2006) e repositório de marcos do jazz de vanguarda. Seu catálogo é um tesouro de joias de artistas tão diferentes como Gil Evans, Ray Charles, Jay Jay Johnson, Oliver Nelson e Sonny Rollins. Por tudo isso, a Verve está lançando uma edição de luxo intitulada First Impulse: The Creed Taylor collection/ 50th.  Anniversary.  São quatro CDs que contêm os seis primeiros discos gravados pelo selo cor de laranja, entre os dois últimos meses de 1960 e junho de 1961: The great Kai e JJ; The incredible Kai Winding trombones; Ray Charles: Genius + soul=jazz; Gil Evans Orchestra: Out of the cool;Oliver Nelson: The blues and the abstract truth; Africa/Brass, do quarteto de John Coltrane e orquestra conduzida por Eric Dolphy.
Os dois primeiros álbuns são registros dos grandes trombonistas J.J. Johnson e Kai Winding no auge de suas carreiras, mas não são obrigatórios numa antologia tipo os 100 melhores discos de jazz de todos os tempos. Os de Ray Charles, Evans, Nelson e Coltrane-Dolphy entram, sem dúvida, nessa lista.
Meio século depois, vale a pena reapreciar o disco mais jazzístico de Ray Charles (piano, órgão e vocal em apenas três faixas), liderando a admirável big band de Count Basie (a do Segundo Testamento), em arranjos de Quincy Jones e Ralph Burns. E o que dizer de Stolen moments, Butch and Butch e das outras quatro peças do saxofonista- compositor Oliver Nelson (1932-75) por ele interpretadas em The blues and the abstract truth, ao lado de Eric Dolphy, Bill Evans, Freddie Hubbard, Paul Chambers e Roy Haynes? Pura beleza, “a joy forever”, como diria Keats. A mesma beleza que emana da escrita impressionista-pantonal de Gil Evans para a sua orquestra, nas cinco partes de Out of the cool, com realce para o lírico trompete de Johnny Coles (1926-97) em La nevada e Stratusphunk – esta uma composição bluesy de George Russell. Finalmente, Africa/Brass – álbum que inclui Africa (16m25), Blues minor (7m20) e Greensle - eves (9m55). O quarteto de Coltrane (saxes tenor e soprano), com McCoy Tyner (piano), Elvin Jones (bateria) e Reggie Workman (baixo) – reforçado pelo baixo de Art Davis nas duas primeiras peças – atua em meio à espessa e misteriosa sonoridade produzida pelos metais (nada menos de quatro trompas) e um pouco das palhetas do orquestrador Eric Dolphy.
Na edição dos 50 anos da Impulse, há ainda três faixas inéditas gravadas nessas sessões de maio/junho de 1961.

JAM 2011

18 abril 2011

Em abril de 2011 é celebrado o 10º aniversário do Jazz Appreciation Month (JAM), do  Smithsonian Institution's National Museum of American History.

Esta celebração anual presta um tributo ao jazz como história e uma forma de vivenciar a arte, encorajando educadores, sociedades jazzisticas, músicos e o público em geral, a tomar parte nos vários eventos no Smithsonian e em diversas capitais e cidades americanas.

No poster do JAM deste ano a homenageada é Mary Lou Williams.

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 01


Inicio com a presente postagem exatamente o que o título da série indica = "algumas poucas notas" sobre, principalmente, os guitarristas no JAZZ, ainda que alguns deles possam ter convivido com outros estilos.

Originalmente essas "poucas notas" foram escritas para o blog do "Hot Club de Piracicaba", com o qual procurei colaborar desde seu início (2009), por meio de textos para encarte de CD, apresentação de espetáculo etc.

Constituindo-se basicamente em instrumento de acompanhamento e de harmonia, ainda assim o JAZZ apresentou-nos ao longo das décadas extraordinários solistas, criadores ou seguidores de “escolas”.


Particularmente no cenário dos U.S.A. a guitarra percorreu sua história a partir do final do século XIX, adotando cordas metálicas sobre traste mais estreito que no modelo europeu, tornando-se o instrumento mais difundido, já então na virada do século XIX para o início do século XX, entre os executantes e cantores de “Blues” como, por exemplos e entre outros grandes nomes, Blind Willy McTell, Blind Lemon Jefferson, Huddie Leadbelly, Big Bill Broonzy e Robert Johnson.


Se entre os executantes e cantores de “Blues” a guitarra foi o instrumento “símbolo”, inicialmente nas bandas de JAZZ o banjo predominou, seja por sua tradição africana, seja pelos timbre e volume sonoro, mais penetrantes e eficazes.


Aos poucos o banjo foi dando lugar à guitarra, já nas formações de Edward “Kid” Ory e Louis Armstrong, integrando a seção rítmica (a “cozinha”) ao lado do piano, do contrabaixo e da bateria.


Iniciou-se com essa transição extensa linha de guitarristas rítmicos, destacando-se como exemplos Eddie Condon, Allan Réus, Danny Barker e, principalmente, Freddie Green, o guitarrista rítmico da notável “big band” de Count Basie, que integrou por décadas a denominada “All American Rhythm Section” (Count Basie / piano, Freddie Green / guitarra, Walter Page / contrabaixo e Jo Jones / bateria).


Nos anos 30 do século passado floresceu a concepção polifônica de execução da guitarra: melodia e acordes simultâneos (“chord melody” ou “chord solos”), tendo como protagonistas Dick McDonough e George Van Eps (inventor da guitarra de 07 cordas).

A partir de 1937 a amplificação passou a ser utilizada por Eddie Durham, como forma de execução semelhante à dos instrumentos de palheta: eram receptores eletromagnéticos sob as cordas e ligados a um amplificador e a um alto-falante.


O guitarrista Charlie Christian foi o maior explorador da amplificação, lamentando-se sua curta existência, que ainda assim deixou-nos um pequeno legado de gravações, consideradas como “clássicas do JAZZ”.


O grande guitarrista cigano Django Reinhardt no final de sua carreira, também converteu-se à amplificação na guitarra.


A partir dos anos 40 do século passado e já diplomada em ritmo, harmonia e melodia, a guitarra no JAZZ passou a presentear-nos com uma série de “mestres” nesse instrumento, muitos deles exímios executantes e alguns muito mais que excelentes executantes, aqueles que denominamos de “chefes-de-escola”, ou seja, os precursores que criaram estilos, técnicas e linhagens com intermináveis seguidores.


Em linhas bem gerais podemos citar como “chefes-de-escola”:


(1) na virada dos séculos XIX / XX os já citados no início deste resumo;


(2) por volta de 1910, entre New Orleans e Chicago, Johnny St. Cyr, Bud Scott, Lonnie Johnson e Eddie Lang;


(3) fora dos U.S.A. destaque para Django Reinhardt;

(4) Johnny St. Cyr e Bud Scott serão sucedidos por Danny Barker, Eddie Condon, Freddie Green, Allan Reuss, Steve Jordan e Marty Grosz;

(5) a genealogia de Django Reinhardt será assumida por nosso patrício Laurindo de Almeida, ao qual se seguiram Charlie Byrd, Bola Sete, Luiz Bonfá e Baden Powell, assim como por uma série de guitarristas dentro do estilo “manouche”, encontrados em todo o mundo, seja em carreiras solo, seja ao abrigo dos “Hot Clubs” existentes em todas as latitudes; importante notar que entre essas latitudes podemos incluir o Brasil, seja com o "Hot Club do Brasil", seja, mais recentemente, com o "Hot Club de Piracicaba";


(6) a linha sucessória de Lonnie Johnson aponta inicialmente para Eddie Lang, seguindo-se Charlie Christian e, a partir deste e somando-se a influência de George Van Eps, uma série interminável de seguidores = (a) Tal Farlow que irá inspirar John McLaughlin e Larry Coryell, (b) Johnny Smith que abrirá caminhos para Billy Bauer e Bucky Pizzarelli (seguido por seu filho John, visitante habitual do Brasil), (c) Oscar Moore (o grande acompanhante de Nat “King” Cole) como ponta-de-lança para Grant Green, Wes Montgomery e George Benson (em sua fase de JAZZ, anterior à linha “pop”), (d) Barney Kessel que iluminará os caminhos de Herb Ellis, Jim Hall, Kenny Burrell e Joe Pass, (e) Jimmy Raney.


Claro que apenas indicamos os mais conhecidos, seja por sua discografia, seja pela maior participação em temporadas, shows, festivais e programas de rádio e televisão, além de constituírem-se, claramente, nos expoentes do instrumento.


Mas é evidente que temos que mencionar alguns outros guitarristas na esfera do JAZZ, que tecnicamente ultrapassaram a fronteira do “bom”, para alcançar a divisa do “ótimo”.


Assim temos o guitarrista Chris Flory, que ainda bem jovem se incorporou à “crew” da etiqueta Concord Jazz (leia-se o nome de seu fundador e Presidente, já falecido, Carl Jefferson), atuando e gravando seguidamente com o excepcional sax-tenorista Scott Hamilton.


No Brasil e entre outros é importante salientar o trabalho do guitarrista Alexandre Carvalho, gravando seguidamente com Idriss Boudrioua, o máximo expoente do sax-alto entre nós.


O inglês Derek Bailey, os americanos Dave Barbour, Nappy Lamare, Al Viola, Al Casey, Everett Barsksdale, Barry Galbraith, Arv Garrison, Les Paul, Tiny Grimes, Bill De Arango, Mundell Lowe, Remo Palmieri, Sal Salvador, Les Spann e Cal Collins, o canadense Ed Bickert e o francês Sacha Distel, entre tantos outros e cada um à sua época, marcaram presença nesse belo e prolífico cenário da guitarra no JAZZ.


Ainda assim e na área do “Blues” tivemos a oportunidade de desfrutar da arte e da técnica de dezenas de guitarristas.


Retornaremos focando resumidamente diversos guitarristas.

MORREU MARCOS SZPILMAN

Infelizmente, foi confirmada a notícia, colocada num minúsculo parágrafo da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos.

Faleceu em 15 de abril o médico e saxofonista Marcos Szpilman, lider da Rio Jazz Orchestra.

Notícias na imprensa, obituário ou coisa parecida até agora nada. Lamentável.

PIANISTA DA MARTINICA TOCA NO MUNICIPAL

15 abril 2011


O anúncio estava em “O Globo” e informava sobre a única apresentação do trio do pianista Mario Canonge no Teatro Municipal em 8 de abril.. Esclarecimentos sobre o personagem, nenhum. De há muito não existe mais as informações sobre os artistas que se apresentam no Rio e só pela Internet captamos alguma coisa. O trio de Canonge é completado pelo contrabaixista Felipe Cabrera e pelo baterista Lukmil Perez. Toca a música regional e lhes empresta um sotaque de Jazz. (segundo a Internet)

UM ERRINHO “DIFERENTE“

Esse eu fui encontrar na página 313 do excelente livro “Pops – A vida de Louis Armstrong", de autoria de Terry Techout.

O trecho é o seguinte: "...qualidade que Tallulah Bankhead, um de seus admiradores mais ardentes, já elogiara em EBONY".

Impossível acreditar que o autor desconhecesse a atriz Tallulah Bankhead, famosa atriz de teatro, que cometia excentricidades dentro e fora do palco.

Mas, acontece.

MAIS UM FESTIVAL DE JAZZ EM RIO DAS OSTRAS

Já começou a divulgação para o “Jazz e Blues Festival de Rio das Ostras”, a se realizar no período de 22 a 26 de junho.

Segundo informações, já estão confirmadas algumas presenças como se segue: Yellow Jackets, Nicholas Payton, Bryan Lee, Azymuth com Leo Gandelman, The Saskia Laroo Band, Tommy Castro, Ricardo Silveira, Medeski Martin & Wood c/ Bill Evans, Jane Monheit, Jose Jonas, Roberto Fonseca, Nuno Mindelis e a Orleans Street Jazz Band.

Como sempre acontece, temos aquela mistura e manda, com gente praticamente desconhecida do grande público. Mas, se fossemos arriscar uma ida a Rio das Ostras, seria para ver e ouvir a encantadora JANE MONHEIT. O resto, para mim, com exceção dos nacionais e de Nicholas Payton e Bill Evans, homônimo do saudoso pianista, são estrangeiros.

Ainda assim, é um evento dito de Jazz, que apesar da mistura, traz sempre figuras de proa, e assim deve ser prestigiado. Ainda bem que não temos Mart’nália ou Elza Soares no elenco. Chega de mediocridade.

WOODY ALLEN INAUGURA CENTRO NIEMEYER EM AVILÉS

Justamente Woody Allen e sua “New Orleans Jazz Band” foram os responsáveis pela inauguração do importante “Centro Niemeyer” na cidade de Avilés (Espanha).

A obra de nosso maior arquiteto tem muita importância na cultura da cidade e foi justamente o Jazz que a inaugurou, no lugar da música espanhola, do Flamenco, de Granados, de Manuel De Falla e outros importantes vultos da cultura ibérica. O pianista da banda é Conal Fowkes, que aqui esteve integrando o “New York Jazz Trio”, nos áureos tempos do “Mistura Fina”, em um dos concertos CJUB/Chivas, e o banjoísta é Eddy Davis, líder daquele mesmo trio.

PODCAST # 46






PARA BAIXAR: http://www.divshare.com/download/14561657-2db

GOOD NEWS: EM BREVE, MAIS UM MESTRE

13 abril 2011

Confrades e amigos, é com grande satisfação que informo a todos que o convite que fiz a um dos mais assíduos comentaristas dos posts aqui publicados e grande amante e conhecedor do assunto Jazz, o Nelson Reis, foi aceito.

Ele será conduzido pela passadeira vermelha diretamente ao púlpito eletrônico dos posts, de onde, já ostentando a sua categoria de Mestre, espraiará suas palavras e seu amplo conhecimento dessa arte a todos nós.

Será o segundo representante das terras nichteroyenses do CJUB (o primeiro é o Mestre Llulla) que, com esta adesão de valor inestimável, se fortalece ainda mais para lutar contra a mediocridade que teima em se espalhar pelo panorama musical mundial.

Seja bem-vindo, portanto, caro Nelson, em nome de todos os confrades desta reduzida porém resiliente armada que procura defender com unhas, dentes e pela catequese permanente, o Jazz.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ DE DETROIT - 2011

12 abril 2011

Saiu hoje o lineup desse mais do que tradicional Festival, que será entre 2 e 5 de setembro, - dá tempo de programar tudo - e não é para amadores:

Dave Holland Octet; Joe Lovano, capitaneando seu quinteto US Five Quintet (com os 2 bateristas); Jason Moran; Dave Brubeck Quartet; Regina Carter's Reverse Thread; Gary Burton Quartet; Kevin Eubanks; Steve Wilson; a cantora Champian Fulton; Curtis Fuller; Toots Thielemans; Sun Ra Arkestra; Anat Cohen.

E por último mas não menos importantes, Ivan Lins, Luciana Souza, Angelique Kidjo, Dianne Reeves e Liz Wright para celebrarem o legado de Miriam Makeba e Abbey Lincoln.

Detalhes em: detroitjazzfest.com

Quem se habilita?

SILÊNCIO: GÊNIO TRABALHANDO

11 abril 2011

Descrever, por via destas letrinhas sobre a tela o que aconteceu sábado no Theatro Municipal, quando da apresentação solo de Keith Jarrett para uma platéia tão lotada quanto comportada, é tarefa inglória.
A começar pelo clima, um misto de admiração e temor reverencial, bem palpável, por conta dos relatos anteriores de irascibilidade do artista, sobretudo o do jornal do mesmo dia, dando conta do comportamento da platéia paulista e a reação de Jarrett. E pela fantástica folha de instruções distribuída à porta pela produção - não a peguei, mas posso imaginar o conteúdo, "como assistir a KJ para dummies" - que ajudou a pautar o impecável cenário humano que serviu de fundo às emanações do pianista.
Imponente, antes de tudo, a figura do longilíneo Steinway de concerto ao centro do proscênio, tendo como fundo as belas - e pesadíssimas - cortinas de veludo vermelho, assim como a moldura dourada da boca do palco, onde por muitos minutos durante a apresentação o meu olhar se fixou, buscando uma variação ao "ouro sobre azul" tão desejável por tantos.

Depois de várias trombeteadas (gravadas), e com meia hora de atraso, adentrou o palco a figura esguia e elegante de Keith, com seus inseparáveis óculos de aros finos. Passado o momento mundano dos aplausos vigorosos e longos com que foi recebido, e depois de pedir um ajuste na iluminação sobre si, Jarrett, balançando a cabeça em sinal de positivo (talvez como reconhecimento do esforço carioca) sentou-se.

E iniciou uma viagem extraordinária por sua estratosfera particular, firme, seguro e criativo, levando no vácuo a toda a platéia imóvel, emudecida. Em minutos. E não era mais pelo temor de gerar barulhos prosaicos que despertariam a ira do artista mas pelo entendimento de que, os fazendo, interromper-se-ia a torrente de idéias mirabolantes e maravilhosas que brotavam das mãos do virtuoso pianista.

Na verdade, Jarrett é um gênio, ao qual devem ser relevadas todas e quaisquer idiossincrasias pois, apenas ouvi-lo revelou-se oportunidade quase mística. Com um fluxo de idéias instigantes, Keith Jarrett não permitiu aos (leigos) presentes, a qualquer tempo, concatená-las, classificá-las ou ordená-las de modo a aprisionar uma sequência de notas ou acordes dentro de algo que já se tivesse ouvido, preferindo conduzir nossas mentes a lugares mais e mais elevados, entregando a cada um sensações indeléveis de dejá-vus pessoais e muito particulares, tão fugidios como os seus dedos de uma região qualquer do teclado.

Para encurtar a descrição de uma experiência que poderia tomar de mim e dos leitores horas de digressões, tornando a busca de superlativos, adjetivos e comparações uma tarefa tão árdua quanto inútil, apenas lhes digo que o concerto de Keith Jarrett valeu cada centavo do ingresso, fez-me voltar a separar todos os seus CDs para ouvi-los novamente antes de quaisquer outros e recomendar a todos, mesmo aos que com ele implicam - como eu mesmo estava tendente a fazer, depois que li que ele "expulsou" toda uma platéia italiana sob impropérios, ao soar o segundo celular durante uma apresentação - que, se tiverem alguma oportunidade à frente, paguem o preço que pedirem, sentem-se aonde der e entreguem-se à verdadeira, bela, lírica, estimulante, revigorante e maravilhosa musicoterapia proporcionada por esse representante de alguma civilização muito mais avançada.

Restou-me a nítida impressão de que qualquer distração imposta ao ouvido absoluto ou aos olhos fechados mas que tudo veem do gênio Keith Jarrett faz com que perca a conexão com essas esferas mais elevadas e saia do transe em que executa, à perfeição, seu sublime trabalho.

Domingo na Sala Baden Powell

A boa música aparece pelo Rio de Janeiro, seguida de uma ótima cantora, Laura Valle.

HOJE É DIA DE LLULLA

02 abril 2011


Nosso estimado companheiro LUIZ CARLOS ANTUNES completa mais um aninho dia 3. Desejamos ao amigo um dia muito feliz, com Dona Lucia, filhos e netos. Muita saúde, paz e muito jazz. Um fraterno abraço pela equipe CJUB.





PARABÉNS LULINHA