Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

A RADIOLA CADUCOU ...

28 fevereiro 2007

Após o aparente retorno a normalidade de nosso hospedeiro musical, chegou a hora de botar som na caixa !

O homenageado é o contrabaixista Luiz Chaves, que faleceu na última semana conforme nota do nosso Mestre Lula. E o tema é O Samblues, aqui acompanhado por Rubens Barsotti bateria, Hamilton Godoy piano, Luiz de Andrade guitarra, Demetrio flauta, Hector Costita alto, Carlos Alberto D'Alcantara tenor e Magno D'Alcantara, trompete;

Michel Camilo Trio com Suite Sandrine, uma beleza de sambão jazz ao
lado de Dave Weckl e Marc Johnson;

uma pedrada de Charles Mingus, Tijuana Moods em destaque, e o tema Ysabel´s Table Dance ... uma verdadeira orgia esse tema e custei a achar esse CD que vem com alternate take de todos os temas exceto este. Neste set de 18 de julho de 57 tem Clarence Shaw trompete, Jimmy Knepper trombone, Curtis Porter alto, Bill Triglia piano, Danny Richmond bateria, Frankie Dunlop percussão, Ysabel Morel castanholas e Lonnie Elder vozes;

o garoto virtuso Francesco Cafiso interpreta Speak Low ... sem muitos comentários.
David Hazeltine piano, David Willians contrabaixo e Joe Farnsworth Bateria;

Miles Davis com contrabaixo e bateria, Pierre Michelot e Kenny Clarke, Dinner at Motel. Sessão de 57 para o filme Ascenseur Pour L'Echafaud;

em um dos seus melhores trabalhos, o vibrafonista Gary Burton chega com The Chief, ao lado de Pat Metheny guitarra, Mitch Forman piano, Will Lee contrabaixo e Peter Erskine bateria;

uma raridade, Joe Pass e a NDR Big Band em set não registrado oficialmente. Existe um CD lançado em 1991 pelo selo ACT Music com Joe Pass e NDR, mas agora já rola por aí o set dos concertos realizados em 90, 91 e 92. Aqui, 1992, 2 temas - All Girl's Chillun Got Rhythm e Sister Sadie. O velhinho tava danado;

a prata da casa é o Brazilian Jazz Trio. Helio Alves, Nilson Matta e Duduka da Fonseca em concerto produzido pelo CJUB em janeiro de 2004 O tema é Recorda Me.

Bom Som !

CJUB INSIDER



Clint Eastwood produz documentário sobre a vida de Tony Bennett

O ator/diretor, há longo tempo fã do crooner, será o executivo do documentário "The Music Never Ends", dirigido por Bruce Ricker, que contará a história da vida de Tony Bennett. O documentário irá conter arquivos e gravações atuais do legendário cantor.



Kenny Gorelick é melhor no golfe do que tocando

Demonstrando uma boa performance durante o torneio de golfe AT&T Pebble Beach National Pro Am, o sopranista foi merecidamente indicado pela Golf Digest para o ranking de "Top 100 in Music".

Outra ranqueada nos esportes é a cantora Stacey Kent, mas no Tenis.

Os amantes do jazz torcem para que Kenny seja um excelente golfista e que esqueça definitivamente a música.

Histórias do Jazz – N° 25

27 fevereiro 2007

Tommy Dorsey x Severino Araújo - O “Duelo” -

De vez em quando surge um personagem qualquer da mídia e emite sua opinião sobre o propalado “duelo”. Cerra os olhos, franze a testa e dispara : “Me lembro bem,
foi uma noite memorável ! “
Daí em diante ouvimos (ou lemos) uma sequência de mentiras que o entrevistado pensa que dará lastro ao seu conhecimento.
Acontece que o famoso “Duelo”, foi realizado num sábado pela manhã, no dia 2 de dezembro de 1951, dentro do programa “Rádio Sequência G-3” que a Tupi apresentava diariamente. Era um programa que reunia música, noticiário e humorismo, esse último item com os famosos comediantes da rádio como Abel Pera, Otávio França, Matinhos, Maria do Carmo, Luiza Nazaré e outros mais.
Nesse dia a turma de Niterói acordou cedo. Pegamos a barca de oito horas esperando chegar cedo para ocupar os melhores lugares. Comigo estavam minha noiva. o guitarrista Bernard, com a perna engessada , vitimada por um acidente de carro, o percussionista Ohana, Sérgio Morenão, Reinaldo e mais uns dois ou três que a memória não ajuda a lembrar.
Chegamos na Avenida Venezuela e verificamos que deveríamos ter saído mais cedo.
As filas se alongavam e andavam morosamente . Descobrimos então que as filas eram só para os elevadores, quem quisesse podia subir pelas escadas . Subimos rápido e só fomos encontrar lugar na “ prateleira”, como chamavam a parte superior do auditório. Guardamos lugar para Bernard que usou os elevadores e aguardamos o início do espetáculo.
E foi ai que o carro pegou. O tempo passando o programa se esticando e nenhuma informação. Até que, Carlos Frias ocupou o microfone e informou que aguardavam apenas a chegada do baterista Eddie Grady . (Anos mais tarde Edson Machado me contou que Grady , de quem comprara um enorme top cymbal ,pegara um taxi e pedira ao motorista- “ Rádio Tupi. “ O esperto e inescrupuloso profissional calmamente se dirigiu para a Avenida Brasil, então local das torres de transmissão da emissora.)
Plínio Araújo nos contou ,por ocasião de “Um seis e meia” no João Caetano que, quase que teve que tocar nas duas orquestras .
O espetáculo foi organizado da seguinte maneira : Um personagem fantasiado de Zé Carioca e outro de Tio Sam eram os chefes das torcidas . Por trás das orquestras eram agitadas uma bandeira brasileira e outra americana.
Não me lembro a ordem exata mas, a banda de Dorsey executou entre outros os temas “Well git it”, “On the sunny side of the street” , “Diane”, “, “Everything I have yours”, “You and the night qnd the music” e “Lullaby of Broadway” destacando a vocalista Frances Irwin. Coube a Tabajara, entremear os temas de Dorsey com : “Um chorinho na Aldeia”, “Guriatã de Coqueiro”, “Espinha de Bacalhau”, “Um Frevo (?)” e o número que surpreendeu a todos e que logo seria um dos maiores sucesso da banda. O “Rhapsody in blue” em rítmo de samba, entre outros.
A platéia exultava após cada número e os “chefes de torcida” dramatizavam o espetáculo, abraçando os maestros e solicitando mais aplausos. Eis que Carlos Frias ocupa o microfone e informa que “em nome da grande amizade que une os dois paises” as orquestras tocarão juntas “Deus salve a América”. O que foi feito, com Bob London cantando em inglês e Déo. “o ditador de sucessos” em português. Finalmente o resultado do “duelo”seria anunciado. Surge o ator teatral Armando Nascimento, fantasiado de Presidente da República e imitando a voz de Getúlio Vargas (que era o seu forte nas revistas do Teatro Recreio ) segura o braço de Severino e proclama : “Severino, para mim você é o maior” fazendo em seguida o mesmo com Tommy Dorsey. Voltou Carlos Frias dizendo que “todos eram os maiores” e que dalí por diante espetáculos daquela natureza se repetiriam com freqüência . (O que nunca mais aconteceu!). Com a atriz Heloisa Helena informa que o espetáculo teve o patrocínio exclusivo do “Leite de Rosas” e que Dorsey tocaria outra vez as 22 horas, deu boa tarde a todos.
Soube na hora que haveria uma “Jam Session” no dancing Avenida, reunindo músicos das duas bandas. Tinha compromissos a cumprir e não pude ir. Dias depois Jonas Silva, nas Lojas Murray me deu duas fotos do evento. E foi só.
Eis a formação das orquestras participantes do duelo :
ORQUESTRA TABAJARA
Severino Araújo (cl) –
Marques, Santos, Raimundo Napoleão e Geraldo Medeiros (tps)
Manoel Araújo, Astor e Zé Leocádio (tbs)
Jaime Araújo, Jofran, Zé Bodega, Lourival e Genaldo (sxs)
Cláudio Luna Freire (p)- “Cavalo Marinho” (b)- Del Loro (g)-
Plínio Araújo(dm) e Gilberto D’Ávila (pandeiro)

ORQUESTRA DE TOMMY DORSEY
Buddy Childers, Charlie Shavers, Bobby Nichols e George Cherb(tps)
Tommy Dorsey, Nick Di Maio, Ernie Hyster(tbs)
Sam Donahue, Paul Mason, Danny Trimboli, Ted Lee e Harvey Estrin (sxs)
Fred de Land (p)- Phil Leshin(b)- Eddie Grady(dm)
Vocais : Bob London – Francis Irwin, e as “ Brown Lee Sisters”

Jam Session no Avenida: Bob Nichols, Dick Farney, Buddy Childers, Sam Donahue e Santos



Llulla

Histórias do Jazz – nº 24


TOMMY DORSEY NO RIO .


Talvez uma das maiores emoções que o Jazz me proporcionou foi quando assisti a orquestra de Tommy Dorsey, na inauguração do super-auditório da Rádio Tupi em novembro de 1951.
Sempre gostei de orquestras e quando ia aos bailes de formatura, muito comuns naquela época, quase não dançava. Ficava absorto ,olhando o trabalho dos músicos e como qualquer mortal marcando o rítmo com os pés ou estalando os dedos. Tempo bom em que dezembro marcava a temporada de caçar convites para aqueles bailes. Formatura do colégio tal, orquestra de Chiquinho no Clube Central, de outro colégio, orquestra de Napoleão Tavares no Cassino Icaraí, mais outro, Tabajara de Severino Araújo no Clube de Regatas Icaraí e ainda outro a Marajoara de Raimundo Lourenço no Canto do Rio. Quando os bailes coincidiam em datas ,tínhamos que escolher em qual iríamos e ai o que decidia era a qualidade da orquestra e nisso a Tabajara levava grande vantagem. Severino Araújo tinha dois arranjos de samba simplesmente arrebatadores. O Guarany e o “Miserere” da opera “ Il Trovatore” . Neles havia um bom espaço para as intervenções da bateria. Lembro-me que em um dos bailes, tomei coragem e perguntei ao maestro se iriam tocá-los. Resposta afirmativa ! Nessa ocasião o apelo à dança era irresistível. Portanto, minha “experiência” com orquestras era digna de um diploma.
Mas, quando ví e ouví a banda de Tommy Dorsey, anunciada pela voz bonita de Carlos Frias , tocando o “I’m getting sentimental over you”, enquanto as cortinas se abriam, não pude conter as lágrimas . Isso porque meus primeiros discos,comprados de segunda mão de um colega do colégio São Bento, por minha sorte,eram em sua maioria da banda de Dorsey. Os velhos 78 rotações que continham os clássicos “Opus One”, “Marie”, “Lonesome road”, “Well, git it” e muitos outros que rodavam sempre nos bailes na casa de colegas. Dorsey tornou-se então o me primeiro “ídolo”.
OS VDISCS
Tive um tio ,oficial da Marinha que sempre convidava a família para uma refeição no navio em que servia, nos dias da viagem. O navio “Duque de Caxias”, que pertencera a marinha americana iria para a Itália. Nesse dia após o jantar fui para a sala dos oficiais onde fiquei deslumbrado com a “rádio-vitrola” e com uma espécie de disco que não conhecia. Eram 78 rotações de 12 polegadas, inquebráveis, contendo duas ou três faixas em cada lado. Vibrei com um “Brotherly Jump” executado pelas orquestras de Tommy e Jimmy Dorsey , com o “Boogie on St.Louis Blues “ com a banda de Earl Hines e com o “Jungle drums” com Artie Shaw.
Perguntei ao meu tio se podia levá-los mas, a negativa foi peremptória. Em seguida as despedidas e a partida do velho “Duque de Caxias” rumo à Itália.
De madrugada um telefonema informava à família que o navio pegara fogo nas costas de Cabo Frio e que voltaria rebocado para o Rio. Quando fomos esperar meu tio no Ministério da Marinha a grande surpresa. Veio ele com um pacote embrulhado em jornal e me entregou . Eram os VDiscs que eu ouvira e gostara.

AS SURPRESAS
A primeira surpresa que tive com Tommy Dorsey foi encontrá-lo dentro de um elevador do Ministério do Trabalho, . Fora com o empresário registrar o contrato na repartição competente no setor Indústria e Comércio. Fiquei estático, apenas olhando a figura elegante do maestro, envergando um elegante blazer azul marinho ,gravata da mesma cor e calça cinza e o tradicional óculos de aro fino. Segui- o de longe até a rua Debret, onde entrou em um carro e se foi.
De noite a segunda surpresa. Terminada a espetacular apresentação da banda que executou alguns clássicos do repertório e algumas novidades recém gravadas para a Decca fomos em busca do indispensável autógrafo. Ainda não saira a Enciclopédia do Feather e eu usava um papel ou meu próprio cartão de visitas para colher as assinaturas. Levei também os V Discs para serem autografados e aí, a grande surpresa. TOMMY DORSEY NUNCA VIRA UM V DISC . Pois é, gravara tantos e por incrível que pareça nunca tinha visto um. Examinou cuidadosamente os dois exemplares e perguntou se poderia ouví-los. Com a ajuda de Russo do Pandeiro ,que conhecí na ocasião, acedí prontamente ao pedido e fomos até o estúdio da velha PRG-3. Momento de glória ! No estúdio, Dorsey, Russo eu e minha noiva ouvindo a música e prestando atenção aos comentários do maestro. Identificava os solistas : Charlie Shavers, Boomie Richman, “Brother Jimmy” . E nós, pobres mortais ao lado do ídolo,vibrando com suas reações e agradecendo aos céus aquela oportunidade.
Terminada a audição, saímos devagar e fomos surpreendidos com a pergunta que Dorsey me fez : Quanto eu queria pelos V Discs ? Engasguei, emudeci, tartamudeei e ele gentilmente compreendeu que o material não estava à venda.
Russo do Pandeiro, que tinha um estúdio de gravação na Rua Santa Luzia,
comprometeu-se a copiar os discos e enviá-los a Dorsey. Eles eram amigos e se conheceram durante as filmagens do filme “A song is born” onde ambos trabalharam.
A promessa nunca foi cumprida e muitos anos depois, Russo do Pandeiro então meu funcionário no Ministério custou a se lembrar do fato. Mostrei-lhe então o cartão de visitas que me dera naquela época e aos poucos tudo veio à tona. Contou-me então uma série de histórias ocorridas nos estúdios, incluindo uma briga entre Tommy Dorsey e Benny Goodman por causa do atraso do segundo no set de filmagem. Mostrou-me também uma série de álbuns de fotos, não só do filme como também de outros eventos de Holywood que participara.
Quando foi anunciado o “duelo” entre as orquestras de Tommy Dorsey e a
Tabajara de Severino Araújo ninguém mais sossegou. Mas, isso é uma outra história que contarei em seguida.
Para os que se interessarem aí vai a formação da banda :
Buddy Childers, Charlie Shavers, Bob Nichols e George Cherb (tps)
TOMMY DORSEY, Nick Di Maio e Ern Hyster (tbs)
Sam Donahue, Paul Mason, Danny Trimboli, Harvey Estrin e Ted Lee (sxs)
Fred de Land(p)- Phil leshin(b) e Eddie Grady(dm)
vocais – Bob London, Frances Irwin e Phillis, Doris, Fran e Dolores, as
Brownlee Sisters .



llulla

KUHN, CARTER & FOSTER (LIVE)

25 fevereiro 2007

It is no secret that record companies—large record companies obligated to turning a profit for their stockholders—like to sign young, exciting, good-looking artists. Blue Note, America’s blue chip jazz label, is no stranger to this—Hello, Norah Jones. Too often, it seems, the only jazz musicians being supported by the major labels were legends with immortal names and “young lions” not yet ready for prime time. But in 2007, Blue Note is doing more than releasing the new Norah Jones album. It is also releasing substantial new music by distinctly mature jazz artists—musicians who have been neglected and whose art is at a high pitch. Pianist Steve Kuhn, at the age of 69, boasts an impressive career of adventurous improvisation. His Blue Note debut is a live date with a sterling rhythm team—Ron Carter on bass and Al Foster on drums—that has been playing together for decades. The result is a sparkling and inventive record of piano trio jazz for the ages. Much of the program here is a reprise of the trio’s work from the stage of the Village Vanguard in 1984, music that was released 20 years ago on smaller labels. The group reportedly did not rehearse, and the music sounds that fresh. As a pianist, Kuhn is nimble and fleet, while Carter plays the role of anchor. Foster’s ears are legendary, and he drives the music forward here with immediate responsiveness to every quaver of his band mates’ melodies. The communication—exciting, intuitive, and virtuosic—is the very thing that jazz is all about. (Will Layman)


1 - If I Were a Bell (Loesser) 9:31
2 - Jitterbug Waltz (Waller) 10:47
3 - Two by Two (Kuhn) 6:13
4 - La Plus Que Lent (Debussy) 7:03
5 - Little Waltz (Carter) 7:16
6 - Lotus Blossom (Dorham) 6:12
7 - Stella by Starlight (Young) 8:12
8 - Slow Hot Wind (Mancini) 7:16
9 - Clotilde (Kuhn) 6:16
10 - Confirmation (Parker) 6:54



Blue Note (released in february 20, 2007)
Steve Kuhn – piano
Ron Carter – bass
Al Foster - drums



PS. Esse post é pro Sazz. E o CD é bom mesmo.

JAZZ EM ITAIPAVA

Ótima noite de sábado nos proporcionou Carlos Montes e a banda 43 no shopping Estação o novo "point" de Itaipava. Desfilaram deliciosos standards, bossa nova e alguns clássicos do dixieland. A banda liderada pelo ótimo pianista Paulo Sá principalmente no idioma dixie, Aurino Ferreira ao sax-tenor e Alex Andrade com seu cornetim de 1890, ambos já passando dos 70 anos e ainda em forma, o bom trombone de Fritz Meier, guitarra baixo de Cesão Dias e bateria por Rubinho Moreira deram o recado e o nosso cjubiano Montes nos vocais muito à vontade no scat-singing. Um show gostoso e os "itaipavenses" aguardam mais.

FALECE LUIZ CHAVES

23 fevereiro 2007

Mestre Raffa me informou a triste notícia sobre o falecimento de Luiz Chaves, um dos nossos melhores contrabaixistas.

Despontou cedo, integrando os trios de Dick Farney e Moacyr Peixoto, para mais tarde fundar com Rubens Barsoti e Amilton Godoy, o famoso Zimbo Trio.

Luiz Chaves foi o primeiro contrabaixista brasileiro a gravar um disco como líder, enriquecendo a nossa discografia com o álbum "Projeção", lançado pela RGE em 1966.

RIP

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 9




A DEPRESSÃO E O SWING - Depois de ter conhecido um rápido e fantástico desenvolvimento o Jazz entrou em recessão nos anos da Depressão ocorrida em 1929 durando até 1933/34.
Os EUA a partir de 1918, finda a 1ª Guerra Mundial, entravam em uma nova e promissora era econômica com a crescente industrialização e mais uma série de fatores, principalmente as exportações fariam com que muito dinheiro fosse ganho por muitos.
O país passou a sonhar com os milionários em seus clubes campestres, lindas mansões e todo um sofisticado "way of life", e uma vez que algumas pessoas puderam enriquecer tão depressa não haveria razão para que outros também não tentassem.
O sistema de ações de capital negociado em bolsa passou a despertar a cobiça de muitos que passaram a empregar tudo que possuíam sem guardar uma suficiente margem de segurança. De início tudo bem, até que a bolsa passou a ser um avolumado sistema de papéis valendo muito dinheiro, produzindo mais dinheiro, porém através de valores improdutivos, ou seja de pura especulação, pois como as empresas estavam obtendo altos lucros, suas ações tenderam a crescer, originando inclusive sociedades anônimas e empresas com intuito apenas de gerir e investir dinheiro.
O que se chamava de "boom" do mercado de capitais ía de vento em popa, até que, na tarde de uma terça-feira a 29 de outubro de 1929 iniciou-se a tragédia com o fechamento da bolsa de New York com cerca de 50 papéis em violenta queda de até 40%. Os milhares de especuladores não dormiram aquela noite e quando da abertura do pregão no dia 30 viram-se na urgência de vender tudo muito rápido e a qualquer preço procurando minimizar o prejuízo já vislumbrado. Ora, não havia dinheiro circulante suficiente para pagar aquilo tudo e os preços íam despencando em um incontrolável frenesi de baixa. No dia 31 a - quinta-feira negra - o excesso de ações à venda e a falta de compradores fizeram com que os preços das ações caíssem em cerca de 80 a 90%, era o temido "crash". Assim os EUA entraram em um período de grande depressão econômica, com o comércio falindo, fábricas fechando, desemprego geral, milionários agora pobres e pobres agora miseráveis paupérrimos.
Claro que a indústria fonográfica entrava também em colapso atingindo os músicos.
Em 1933 um jovem e ousado produtor John Hammond mantendo contatos ao visitar a Inglaterra tornou-se o supervisor americano para as gravações da Columbia inglesa e da Parlophone. Apaixonado que era pela música de Jazz, elaborou uma lista ou melhor um catálogo de Jazz a ser gravado nos EUA e apresentou às citadas companhias fonográficas inglesas que colocaram seus avais.
Acontece que Hammond não havia feito nenhum contato nos EUA para tais gravações e retornou com o compromisso assumido com os ingleses. Correu, então a procurar Benny Goodman o 1º nome da tal lista. Mal conhecia Goodman e expôs-lhe o programa e este declinou pois não havia 10 dias Ben Selvin um executivo da Columbia americana o pôs porta a fora de seu escritório dizendo que só gravaria música muito comercial dada a péssima situação da gravadora e da submarca Okeh e o faturamento com o Jazz tinha acabado dizia. Como poderia assumir o compromisso de efetuar tais gravações? Como pagaria aos músicos?
Contudo o insistente Hammond acabou por convencer a Goodman e as gravações foram feitas apresentando um resultado financeiro bastante razoável.
O certo é que o Jazz retornou às atividades com força total e a Era Swing se iniciou logo após a Depressão e a gravação da banda de Duke Ellington intitulada It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing (Ellington e Irving Mills) de 1932 parece que foi o grande marco dos novos tempos. Ivie Anderson cantou esta música com todo o vigor dando o tom alegre, suingante, junto com a banda fazendo uma perfeita alusão ao título: "Nada significa se não conseguiu aquele balanço".
A origem do estilo veio de Kansas City configurado pela banda de Benny Moten que se tornou mais tarde de Count Basie, mas o swing já se encontrava presente em 1930 apesar de ainda um pouco rígido, mas nota-se a acentuação recaindo nos 4 tempos do compasso a grande propriedade do gênero que induz ao impulso da dança. Outro marco da Era Swing foi em meados de 1936 quando o Onyx Club de New York apresentou um espetáculo intitulado Swing Music Concert, contando com as bandas de Artie Shaw, Tommy Dorsey e Bob Crosby, portanto o swing já havia chegado e a Depressão terminado. A Era Swing veio expressar toda a euforia do fim da Depressão.

Podemos ouvir, então um trecho do swing de When I’m Alone com a banda de Moten em gravação de outubro de 1930 com vocal de Jimmy Rushing talvez a "pedra fundamental" e depois os "alicerces" do SWING com a gravação de It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing pela banda de Duke Ellington e vocal por Ivie Anderson de fevereiro de 1932.

"OS CARIOCAS" EM IPANEMA - 21.2.2007 - 20:00hrs - NA CALÇADA DA TOCA DO VINICIUS

20 fevereiro 2007

Seguindo as instruções de nosso Pres...(o nome lembra Lester Young), já efetuei minha migração no Blogger e aproveito para minha primeira postagem lembrando a todos que amanhã (quarta feira de cinzas), a calçada da Toca do Vinicius, em Ipanema (Rua Vinicius de Morais, quase esquina com Barão da Torre) será pequena para receber o público que lá estará para assistir ao conjunto vocal "OS CARIOCAS".

Como o CJUB é JAZZ & BOSSA, o fecho do carnaval será a cara de Ipanema, com Bossa Nova em grande estilo com o afinadíssimo quarteto vocal liderado pelo pianista e arranjador Severino Filho, e composto também por Eloi Vicente, Neil Carlos Teixeira e Quartera.

Se não me engano, o grupo vocal, considerando todas as formações deve estar próximo de completar 60 anos...

Vida longa à Bossa Nova e aos Cariocas !!!!

JJ JOHNSON SOBERBO - DICA DE MAESTRO



Mais uma vez nosso amigo e atento observador das boas lides trombonísticas, o grande Maestro Víttor Santos nos procura para passar um "bizu". Desta vez, nada menos do que um raro vídeo de JJ Johnson, postado no YouTube, em performance ao lado de Sonny Stitt (sax alto) e de Howard Mc Ghee (trompete), além de Tommy Potter(baixo), Walter Bishop (piano) e Kenny Clarke(bateria).

A se notar, a humildade de Stitt, que espera longos sete minutos e meio para fazer seu solo, depois do largo espaço tomado pelos outros dois solistas. Já sob um olhar maroto de Johnson, que sorri diante de seu embaraço de estar ainda de fora, ele inicia seu solo e logo surge uma "ameaça": é Mc Ghee fingindo que quer voltar ao microfone, rechaçada por Sonny com um quase-cotovelaço, o que faz o trompetista rir da situação em que ambos puseram Stitt. Antológico.

Uma peça deliciosa. Obrigado, de novo, Maestro.

HOMENAGEM A WHITNEY BALLIETT

18 fevereiro 2007

WHITNEY LYON BALLIETT - um dos mais notáveis críticos de Jazz, nasceu a 17/abril/1926 em Manhattan e criado em Glen Cove, Long Island, cursou a Phillips Exeter Academy, onde aprendeu bateria e participando de uma banda dixieland, fez várias gigs no Center Island Yacht Club.
Em 1946, foi convocado para o Exército interrompendo seus estudos na Cornell University, para onde voltou e concluiu seu curso em 1951. Começou produzindo pequenos textos anônimos para a seção Talk of the Town da revista The Saturday Review quando William Shawn, editor da New Yorker, um reconhecido magazine desde 1925, ofereceu-lhe uma coluna à frente da qual Balliett ficaria de 1957 a 2001, e a partir de então, dedicou-se à crítica especializada em Jazz, ocupando-se até o fim da vida em ouvir e escrever sobre a música de Jazz.
Chegou a produzir 15 livros. Seu último trabalho foi Collected Works: A Journal of Jazz, 1954-2000 (St. Martin's Press), no qual condensa uma série de seus artigos sobre músicos como Duke Ellington, Dizzy Gillespie, Django Reinhardt, Buddy Rich, Charles Mingus, Louis Armstrong, Billie Holiday, Art Tatum, Bessie Smith e Earl Hines.
Outros resumos importantes estão nos volumes American Musicians II (1996) e American Singers: 27 Portraits in Songs (Oxford University Press - 1990).

Seu conhecimento sobre Jazz era tido como uma enciclopédia viva, capturando a essência dos músicos e suas performances de todos os estilos e escolas do Jazz.

Veio a falecer a 1/fev/2007, vítima de câncer.

NA TORCIDA POR JOHNNY ALF

15 fevereiro 2007

Folheando os jornais on line nesta noite de quinta feira, soube da amarga notícia sobre o estado de saúde de Johnny Alf, importante compositor e pianista considerado por muita gente como um dos Precursores da Bossa Nova.

Transcrevo abaixo parte da notícia:

"da Folha Online

O cantor, compositor e pianista Johnny Alf, 77, considerado um dos precursores da bossa nova, está internado desde a última sexta-feira (9). Até terça-feira ele estava no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, em São Paulo, onde deu entrada com hipertensão; à tarde, porém, ele foi transferido para o Hospital Mário Covas, em Santo André.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, o quadro de Alf é estável, ele está lúcido e consciente, mas não há previsão de alta. Segundo o último boletim médico, "foi detectado déficit motor e sensitivo nas pernas, em conseqüência de metástase que ocasionou uma compressão da região medular".

Fica a torcida deste Blog para que Johnny supere este susto e tenha um restabelecimento que permita que no futuro ele volte a encantar o público que aprecia sua música refinida.

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 8

14 fevereiro 2007

DA CERA AO RAIO LASER (final)

Finalmente, atingimos a gravação óptica digital a laser que são os fantásticos CD (compact disc). Processo criado pelo desenvolvimento da Philips e da Sony em 1980 e o primeiro CD de áudio comercial foi produzido em 1983.
A tecnologia é baseada em discos feitos de um plástico especial, o policarbonato, com 1,2mm de espessura revestido por uma camada de metal em alumínio e por cima uma de corante foto-sensível, geralmente contendo prata. Na conversão digital, cada microparte do som é transformada em uma palavra digital (byte) codificada em "uns" e "zeros". A gravação é processada por um feixe de raio laser que "acende" ou "apaga" correspondendo respectivamente aos "uns" ou "zeros" da palavra digital, quando acende queima a camada foto-sensível deixando um "buraco". No processo de leitura feita com outro feixe laser a camada de metal reflete o raio que passa através da camada foto-sensível atingindo uma lente e assim lê o "1" e na parte não queimada nada reflete sendo interpretado como o "0". Desta forma, em um CD os dados digitais são armazenados em uma longa espiral formada por depressões microscópicas correspondentes aos bits de "1" e "0" e lidas do centro para a periferia do disco, portanto de forma inversa dos discos analógicos (78 rpm e LP) e isto permite que tamanhos menores de discos possam ser lidos no mesmo aparelho.
Dentre as maiores vantagens para todo tipo de música, a excepcional qualidade sonora, com ausência total de ruídos de fundo normalmente existentes até nos melhores sistemas analógicos, devido à forma de leitura nos discos por processo mecânico através da fricção de uma agulha, além do tempo disponível ser maior que o LP, não necessitando da troca de lado, permitindo seleção de faixas, etc.
Mesmo os registros eletromagnéticos em fita possuem algum tipo de ruído e as populares cassetes nem se fala, precisou ser criado o processo de compressão / expansão, o Dolby® e as fitas de óxido de cromo para se obter uma qualidade razoável.
O Jazz se beneficiou da excepcional clareza das gravações digitais e também dos processos de remasterização digital dos registros das décadas de 1910 a 50 com a "limpeza" das gravações, contudo sempre se procurou preservar de forma categórica a originalidade da execução do Jazz.

O importante é frisar que por toda esta modernização da tecnologia de gravação os músicos de Jazz tiveram que adaptar seu processo criativo com respeito à duração dos solos, dos arranjos, sonoridades, técnicas, etc. A fidelidade da gravação e reprodução veio a exigir cada vez mais dos músicos e de seus instrumentos. Por exemplo: o barulho das chaves dos pistões de um cornetim da década de 20, hoje, se não bem cuidado, tornar-se-ia insurportável na audição. Por outro lado, no período swing, uma big band era captada por um único microfone; contudo, nas décadas de 60, 70 e 80 o processo foi evoluindo passando a empregar cada vez mais microfones e com melhor sensibilidade e não havia, portanto, como encobrir até pequenas falhas. Na gravacão digital, expressão máxima da fidelidade, há recursos incríveis permitindo inclusive a troca de uma nota emitida por um instrumento!
A regravação, uma nova técnica que permitiu adicionar um determinado som a uma parte anteriormente já gravada, aconteceu no início de 1941 no estúdio da RCA em Camden, cidade de New Jersey, quase por acaso, dada a dificuldade que surgiu após a gravação de um concerto com orquestra sinfônica, uma vez que, no dia seguinte, ao ouvir a prova os técnicos depararam-se com um solo do oboé com volume muito baixo. Além do custo para reunir toda a orquestra novamente, a maioria dos músicos já havia deixado a cidade. Contudo, o oboísta ainda por lá permanecia e foi chamado ao estúdio tendo então regravado sua parte ouvindo a orquestra com os fones e os engenheiros deram tratos à bola para trocar a parte defeituosa nascendo assim o processo da mixagem elétrica dos sons (overdubbing) que até hoje é parte fundamental no processo de gravação.

O Jazz, sempre presente aos grandes acontecimentos tecnológicos, foi chamado para levar a segunda experiência dos técnicos da RCA um pouco mais longe e então a 18 de abril de 1941 entrava no estúdio Sidney Bechet, que gravou primeiro uma parte ao piano e depois, ouvindo no fone, executou o acompanhamento à bateria e foi executando outros instrumentos como saxofone tenor, depois o soprano, o contrabaixo de cordas, e por fim o clarinete, surgindo uma versão inusitada de The Sheik of Araby (Harry Smith, Francis Wheeler & Ted Snider) com seis instrumentos e um só executante - “one man band”. Podemos ouvir o resultado como curiosidade apenas porque jazzisticamente é pobre, a própria gravação ainda incipiente torna praticamente inaudível o piano e a bateria, mas era apenas um teste!

SEPTETO DE PESO

Idriss Boudrioua - Base & Brass

Atenção jazzófilos, vai rolar uma incrível apresentação de jazz, com um septeto que reune alguns dos melhores músicos do Brasil.

Dos sete, seis já tocaram em concertos do CJUB, nossos velhos conhecidos e, por isso, podemos afirmar que a música vai ser da melhor qualidade.

Idriss Boudrioua comanda o lançamento do CD "Base & Brass".

Imperdível!!!

Músicos:
Idriss Boudrioua, sax alto
Jessé Sadoc, trompete e flugelhorn
Marcelo Martins, sax tenor
Aldivas Ayres, trombone
Dario Galante, piano
Sergio Barrozo, contrabaixo
Rafael Barata, bateria

Data:
Terça, dia 20 de março, às 19 horas

Local:
Modern Sound
Rua Barata Ribeiro 502-D Copacabana

Reservas: (21)2548-5005

QUEM FOI MESMO?

No Prelo: “Eu e a Bossa” de Carlos Lyra

Há pouco tempo atrás escrevi neste Blog que havia conhecido o inventor do termo "Bossa Nova". O próprio Moyses Fuks me disse que tinha sido ele quem bolara o nome para uma apresentação de um show em 1957 com Sylvia Telles, Nara, Menescal e o Carlos Lyra na Hebraica, em Laranjeiras.

Essa versão confirmei pessoalmente com o Ruy Castro, Miele e outros mais.

Na autobiografia de Carlos Lyra, ainda a ser lançada, com prefácio de Ruy Castro, que escreveu em seu livro que o Moyses Fuks foi quem inventou o termo Bossa Nova, Carlos Lyra, ao invés de perguntar ao Ruy, saiu escrevendo:

"Você sabia que o termo "bossa nova" foi criado por um judeu de um metro meio de altura nunca mais visto por ninguém? Você sabia que muito antes de gravar um disco com Elis Regina, Tom Jobim barrou a "Pimentinha" num musical por achá-Ia feia demais? Você sabia que a bossa nova do "amor, sorriso e flor", ao contrário do que se pensa, também foi um movimento social e político?"

"O diretor da casa, um judeuzinho baixinho, especializado em marketing, bolou o cartaz da apresentação: Os Bossa Nova". O nome pegou e passamos a usá-lo nos nossos shows. Nem Tom nem João sabiam o que era bossa nova. Nem tinham tempo para isso: estavam ganhando a vida cantando e tocando em casas noturnas de Copacabana e Ipanema. Já faziam bossa nova, mas não sabiam", afirma Lyra, que nunca mais encontrou o criativo diretor da Hebraica. "Até hoje eu procuro esse sujeito. Consegui uma pista outro dia, mas era falsa: o cara tinha quase 2 metros de altura."

Olha aí Carlos Lyra, pergunta para o autor do prefácio do seu livro “Eu e a Bossa” quem era o judeuzinho baixinho que inventou o termo "Bossa Nova". Ainda dá tempo de corrigir a falha.

PEDRINHO MATTAR

13 fevereiro 2007


A imprensa carioca é realmente nula em termos de informação. No cantinho do obituário do jornal “O Globo” descobrimos que Pedrinho Mattar tinha falecido no dia 7, vitimado por infarto. A notícia foi dada como se o pianista fosse um cidadão qualquer, sem nenhuma contribuição dada a vida artística do país. Pedrinho foi um dos nossos melhores pianistas (off Jazz), pautou sua carreira pelo bom gosto em suas execuções e sobretudo na escolha do repertório. Responsável por uma das obras primas de nossa fonografia através do álbum “Rapsódia” que, certamente nunca será passado para CD.

Nele Pedrinho interpreta com sua irmã Mercedes Mattar em dois pianos uma das mais corretas versões da “Rhapsody in blue” de Gershwin. Na sequência, o pianista, acompanhado pela orquestra de Cyro Pereira desfila jóias do nosso populário, desde “Abismo de rosas” de Américo Jacomino até “Alvorada” de Maurício Einhorn que recebe aqui luxuosa versão. Quando um artista dessa qualidade nos deixa, a musica fica mais pobre.

LENDO E APRENDENDO

O livro "Crônicas do Rádio" do poeta e historiador fluminense, Luis Antonio Pimentel, é integrado por matérias que o autor escreveu para o jornal "Gazeta de Notícias" entre 1935 e 1937. Nelas ficamos sabendo como era o rádio naquela época, os artístas, os programas, o perfil de cada emissora etc.
Na página 110 fomos surpreendidos com um comentário feito pelo autor sobre a performance de duas americanas, Etta Moten e Enid Lee na Rádio Mayrink Veiga. Afirma o autor que Etta Moten nada fica a dever as formidáveis Josephine Baker e Florence Mills. Num dos trechos, ele afirma:
"Quem viu e ouviu como nós, no estúdio da PRA-9 as duas maravilhosas yankees, interpretando aqueles foxes verdadeiramente alucinantes, no ritmo de Red Nichols, os "negro-espirituais", gênero de fox, que entre os artistas brasileiros só por um é conhecido e executado com perfeição - o nosso velho Romualdo Peixoto, o Nonô, que os rádio-fâs idolatram, há de concordar por certo com o que vamos afirmar - A PRA-9 proporcionou anteontem aos seus ouvintes o maior programa de música americana que o Rio tem ouvido nesses últimos tempos".
Etta Moten foi uma cantora negra que participou dos filmes "Voando para o Rio" e "Cavadoras do Ouro" de 1933. Enid Lee era sua pianista acompanhante.
Estavam no show apresentado no Cassino da Urca e como era comum à época, participaram da programação de rádio através da Mayrink Veiga.
O evento aconteceu em 27 de maio de 1936.

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 23

“O Disco misterioso”

Essa história é longa e cheia de episódios interessantes. Ainda é do tempo em que os escritórios da então CBS funcionavam na rua Visconde do Rio Branco, pertinho da Praça da República.
Começou quando fui convidado por Zuza Homem de Mello para dar uma palestra sobre Charlie Parker no primeiro Festival São Paulo/Montreux realizado em 1978. Uma orientação básica é que as músicas que ilustrariam o evento deveriam ser gravadas em fita de rolo, coisa difícil para mim que não possuía gravador e nem conhecia quem tivesse um. Numa das visitas que fiz a Coutinho lá na CBS perguntei se havia condições de “quebrar o meu galho”. Couto me assegurou que não haveria problema e me apresentou a Eugênio Carvalho, nessa época encarregado de lançamentos dos discos conhecidos como “retorno ao catálogo”. E foi o bom Eugenio que realmente me “quebrou o galho”, gravando, com esmero, a trilha sonora da palestra.
Terminado o trabalho começamos a conversar sobre os futuros lançamentos de Jazz e Eugenio então fez rodar uma fita com o cantor Tonny Bennett, informando que gostaria de lançar o disco mas, não tinha os dados essenciais para a confecção das notas da contracapa. Na verdade só existia a fita matriz com o nome do cantor e de Ralph Sharon, lider do trio de acompanhamento . Perguntou se eu tinha condições de fazer a contracapa e eu disse que tentaria obter os dados essenciais para esse objetivo. De posse de um cassete que ele me deu, fui identificando as músicas, algumas das quais eu não sabia o título. Foi quando o saudoso Leonardo Lenine de Aquino me informou que eu poderia conseguir alguma coisa na Rádio Jornal do Brasil. Realmente, liguei para lá e Célio Alzer me forneceu os dados essenciais como os títulos corretos do disco e a formação do trio. Agora era só ouvir e comentar faixa por faixa e o trabalho estava pronto. Foi o que fiz e vibrei quando Coutinho me informou que o texto fora aprovado e o disco seria lançado.
Mas, o tempo foi passando e nada do disco sair. De São Paulo informavam que o lançamento havia sido feito mas, o disco não aparecia. Estava desanimando quando Coutinho me avisou que o guitarrista John McLaughlin tocaria em São Paulo e eu poderia ir aos shows como convidado da CBS. O saudoso Othon Russo, gente fina, um dos diretores da época ,liberou a passagem para que eu pudesse ir. Não que gostasse da música de McLaughlin mas, fizemos amizade durante o São Paulo/Montreux e seria interessante curtir o coquetel de recepção e depois o show no Ginásio da Portuguesa de Desportos.
Em São Paulo perguntei a Coutinho se não dava para ir a CBS saber o que aconteceu ao disco de Tonny Bennett. Partimos e fomos muito bem recebidos por todo o pessoal da casa. Quando Coutinho perguntou sobre o disco foi informado que realmente o disco saira. Então pedimos um exemplar para ver como ficara a contracapa. Viraram o escritório de cabeça para baixo e não encontraram nada. Foi quando um dos diretores berrando um sonoro palavrão descobriu que o disco realmente fora prensado desde dezembro, estocado no depósito mas sem distribuição até aquela data.
Dias depois foi feito o lançamento, em tiragem pequena e recebemos o nosso exemplar que tocamos com freqüência em nosso programa “O Assunto é Jazz”. Mas, a historia não acaba aí. Recebí um telefonema de Richard Templar, que ainda não conhecia, pedindo para ser entrevistado no programa, na qualidade de presidente do fã clube de Tonny Bennett no Brasil. Atendi ao pedido e ele levou algumas gravações de Bennett ainda inéditas por aqui , informando também que o cantor brevemente viria ao Rio .
Foi quando Bennett cantau no Rio Palace Hotel em 1980 que acabei me considerando um sortudo. Richard Templar volta a rádio, levando convite para o coquetel que o cantor oferecia aos amigos cariocas, que seria realizado no “Chico’s Bar”. Informou que Bennett vira o disco e queria conhecer o “linernotes”. Nem acreditei naquela hipótese ,afinal foi um trabalho comum e ele com certeza teria a versão americana. Depois vim saber que o disco não saira nos Estados Unidos com texto de contracapa . (???)
Em 31 de março de 1980 entrei pela primeira vez no “Chico’s Bar”. Muita gente, muita animação, ala da bateria de uma escola de samba, fogos de artifício na chegada do cantor e o famoso chá escocês rolando solto. Na minha mesa pousou simplesmente o futuro “Jazz educator” ,
que ,na época , ainda não havia mostrado a sordidez de seu baixíssimo caráter. Richard Templar veio me procurar informando que Tonny queria falar comigo. Fui até ele , Templar nos apresentou e para minha surpresa agradeceu pelo meu trabalho. Autografou o meu exemplar e me desejou o indefectivel “best wishes”.
A noite estava ganha. Só mesmo o Jazz poderia nos proporcionar momentos como aquele. Um simples texto de contracapa interessar um grande cantor a conhecer o autor.
Mas, nem tudo funciona como a gente quer. Ao chegar a mesa ví o “Jazz educator” com a cabeça repousada sobre os braços. Informei que já estava saindo e ele cambaleando veio atrás de mim. Vomitou no canteiro, e eu penalizado com o porre (deve ter sido o primeiro) alí exposto levei-o de taxi até sua casa. Quem diria....

MUSEU DE CERA # 15 – JACK TEAGARDEN

12 fevereiro 2007



Weldon Leo "Jack" Teagarden descende de uma família de músicos a mãe Helen e a irmã Norma pianistas, os irmãos Charlie trompetista, Clois baterista e o pai um trompetista amador. Sua cidade natal é Vernon no Texas, nascido a 29/ago/1905 e aos 10 anos já tocava o trombone figurando em várias bandas locais. Sua maior oportunidade surgiu com Wingy Manone em New York em 1927 e logo depois juntou-se ao grupo de Johnny Johnson quando ocorreram suas primeiras gravações. Em 1928 entra para a banda de Ben Pollack permanecendo até 1933 e ao mesmo tempo faz inúmeras gravações com grandes músicos como Benny Goodman, Red Nichols, Roger Wolfe Kahn Orchestra, Eddie Condon e Louis Armstrong até ingressar na grande orquestra de Paul Whiteman.
Big T, como ficou conhecido Teagarden, a partir de 1939 monta uma banda conseguindo mantê-la até 1946 com sucesso, mas mal administrada acabou se declarando completamente falido. Seu ídolo e amigo Louis Armstrong em 1947 resolve criar o All Stars um sexteto, convidando então, Teagarden. Atuações fantásticas foram feitas ao lado de Armstrong inclusive com excursões à Europa. Após deixar Armstrong, liderou um sexteto dixieland contando com talentos como o cornetista Jimmy McPartland e o pianista Earl Hines. Faleceu de pneumonia em New Orleans em 1964.
Teagarden foi criado ouvindo os spirituals e blues dos negros do sul, desenvolvendo um estilo ao trombone com técnica e sonoridade muito próprias sempre com solos bem feitos, descontraídos. Foi um dos primeiros músicos brancos a assimilar todo o sentimento negróide em suas execuções (o outro foi Bix Beiderbecke) empregando as blue notes. Seus vocais, com aquele acento texano, eram uma extensão de seu instrumento, um jeito preguiçoso que se casava muito bem com os blues. Enfim um tradicionalista clássico atravessando de forma gloriosa toda e qualquer mudança ocorrida nas formas do Jazz. Podemos ouví-lo com excelente grupo na canção Blue River.


Blue River (Alfred Bryan / Joseph E. Meyer) – Jack Teagarden (tb, vocal e líder), Charlie Teagarden, Sterling Bose (tp), Tommy Dorsey (tb), Pee Wee Russel (cl), Bud Freeman (st), Jimmy Dorsey (sa, cl), Max Farley (sax barítono), Fats Waller (pi e voz), Dick McDonough (gt), Artie Bernstein (bx) e Stan King (bat).
Gravação original: Brunswick 6741 de 11/nov/1931 – New York.
Fonte: CD – Jack Teagarden And His Orchestra 1930-1934 – Classics – 698 - 1993 – USA


BOSSA NOVA FACTS

10 fevereiro 2007

João Gilberto em Milão

Aconteceu no ano de 2000 em Milão, Itália, durante um show de João Gilberto. O historiador e pesquisador da bossa nova Achille Barbieri, um italiano que corre o mundo pela bossa nova e escreve para um noticiário do japão, fã incondicional de João Gilberto, conseguiu uma credencial para o back stage, através de um amigo, sua meta era conseguir apenas um autógrafo do João.

Assim que o show acabou, Achille o viu, era sua oportunidade, ao lado de um segurança que carregava seu violão e uma morena, bem alta, bonita, de uns 20 anos de idade, Achille munido de uma caneta e um papel aproximou-se dele e disse: "João Gilberto, eu queria um autógrafo seu!".

João olhou para Achille e chegou bem perto, quase encostando seus lábios na orelha do excitado Achille e disse com a molemolencia do baiano: "Rapaz, eu estou tão cansado!".

Ele virou-se e foi-se embora.

Achille ficou embasbacado com a atitude do seu mais venerado músico, mas logo viu que era um fenomeno típico do baiano João, ficou sem o autógrafo mas feliz por ter o João falado com ele.

Achille me contou esse fato num encontro recente na Modern Sound.

É duro saber que na cidade francesa de Dijon, durante a noite, existe mais gente tocando bossa nova do que no Brasil inteiro. Um país que devia comemorar anualmente o Tom Jobim, não só durante seu octagésimo aniversário.

Viva a Bossa Nova!

COLUNA DO LOC

09 fevereiro 2007

Coluna do Luiz Orlando Carneiro no Caderno B, Jornal do Brasil, em 09/02.
Em pauta, Michael Brecker.
[clique para ampliar]




STEFANO BOLLANI EM DESTAQUE

08 fevereiro 2007

O italiano anda com a bola toda na mídia !
Lançou recentemento seu cd em piano solo, muito bem visto pela crítica especializada, e vem conquistando bons ventos nos principais festivais pelo mundo.
Stefano Bolani esteve aqui ano passado no TIM Festival, apesar do bom show e toda a simpatia, foi literalmente "expulso" do palco antes do bis, que reservava surpresas.



HISTÓRIAS DO JAZZ N° 22

06 fevereiro 2007

1957 - Louis Armstrong no Rio

Os frequentadores das Lojas Murray quase soltaram foguetes quando Sylvio Tullio Cardoso trouxe a notícia que Louis Armstrong tocaria no Rio. Realmente, “Satchmo” e seus famosos “All-Stars” chegaram para cumprir rápida temporada que compreendia exibições no Teatro Municipal, no Country Club e no Maracanãzinho.
A estréia se deu em 25 de novembro numa récita de gala no Municipal, com a obrigatoriedade de traje a rigor. No mesmo dia, outro show no Country Club às 24 horas.
Dia seguinte, a estréia para o “povão”, no mesmo Municipal, com dois shows programados para as dezessete e vinte e uma horas. Foi quando descobri que a última fila de cadeiras da galeria do teatro deve ter sido reservadas para deficientes visuais, já que dali não se enxerga o palco. Por sorte, estava ao meu lado um niteroiense que óbviamente gostava de Jazz e que nas circunstancias muito me ajudou. Quando ouvimos o som do trumpete de Armstrong “esquentando”, fomos tomados por grande ansiedade. Mas, como assistir dali a exibição dos “All-Stars”? Foi quando ele me pegou pelo braço e falou: “Lula, vem comigo”. Sem entender o que faríamos, saí com ele descendo rápidamente as escadas, rumo as coxias do teatro. Frente ao porteiro, ele sacou uma carteira com as armas da República: Poder Judiciário! identificou-se e declarou que eu era o seu assistente.

Já estava rolando o “When It’s Sleepy Time Down South”, prefixo de Armstrong e a emoção era grande demais. Ver e ouvir Armstrong a curta distância, observar seus trejeitos, seus lábios castigados, que molhava de vez em quando bebendo em uma vistosa caneca, incentivando seus solistas e sempre sublinhando com um sorriso os seus improvisos, era realmente um presente dos deuses. Assistimos todo o show dalí e após seu término iniciamos a nossa caça aos autógrafos.

Armstrong, em seu camarim, não recebeu ninguém. Seu guarda-costas, um negão de uns dois metros de altura, recolhia o material a ser autografado, levava para o camarim e depois devolvia aos respectivos donos. Satchmo teve trabalho com meu material. Além da Jazz Encyclopedia de Leonard Feather, o programa oficial e o “pocket book” “My Life in New Orleans”, todos autografados com uma caneta de tinta verde.
Em seguida, fomos em busca dos outros músicos. Ao passar pelo palco, já protegido por uma grossa cortina, meu amigo conseguiu uma brecha e depois reapareceu desolado e me confessou: “Eu queria roubar a caneca de Armstrong mas só conseguí esse lenço amassado com um palito mastigado dentro”.

Edmond Hall, Barrett Deems e Squire Gersh ainda estavam por perto e logo autografaram a documentação. A gorducha Velma Midleton interessou-se pela Encyclopedia, folheou-a e concedeu o autógrafo. No caminho ainda encontramos Billy Kyle que, com um sorriso, também autografou o pacote. Só faltava Trummy Young e só depois de longa peregrinação fomos encontrá-lo em um camarim de difícil acesso pois tivemos que atravessar cenários, cordas, sacos de areia e outros acessórios da ribalta. Sorriso permanente, o trombonista conversava bastante com os presentes, mostrava orgulhoso o seu cartão de associado do Sindicato dos Compositores da França e comentava a feliz convivência com Satchmo. Nisso chegam ao local o trombonista Raul de Barros e o sambista Monsueto Menezes. Ao saber que Raul era colega de instrumento Trummy tirou o seu do estojo e pediu que Raul tocasse alguma coisa. Raul colocou sua boquilha e para gáudio dos presentes interpretou o seu famoso “Na Glória”, acompanhado pela batucada que as mãos de Monsueto produziam percutindo a porta. No trecho em que é tocada a frase da “Marcha Nupcial”, Trummy caiu na gargalhada e tudo terminou num longo abraço entre os dois.

De repente surge o aviso de que o segundo show iria começar dentro de meia hora. Será possivel? O tempo passou tão depressa, eram os comentários. O jeito era saber como e onde ficar, já que meu amigo “autoridade” informou que iria embora. Fui ficando, ficando, procurando um canto onde não fosse percebido e consegui assistir toda a primeira parte.

No intervalo, devido ao adiantado da hora, saí pela porta traseira do teatro
ouvindo os primeiros acordes de “Basin Street Blues”. Triste por ter que sair e alegre por ter visto e ouvido a maior figura da história do Jazz.

Para quem quiser anotar, aí vai a formação do grupo : Louis Armstrong,
Trummy Young(tb)- Edmond Hall(cl)- Billy Kyle(p)- Squire Gersh(b)- Barrett Deems(dm)-Velma Mindleton(vo).

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 7

DA CERA AO RAIO LASER (4)

Nos anos de 1940 surgiu o processo de gravação magnética e em 1948 foi produzido, comercialmente e pela Columbia Records o 1º disco de longa duração o famoso LP - long play - termo consagrado mundialmente referindo-se à tecnologia de gravações em microssulcos com a velocidade de 33 1/3 rpm. Tal processo foi alavancado no pós-guerra com o desenvolvimento dos poliésteres plásticos ou simplesmente vinil. Os discos com este material foram chamados de inquebráveis (unbreakable) em comparação aos anteriores de 78rpm feitos em goma-laca (shellac), estes altamente quebráveis.Aliado ao novo material um novo processo mecânico permitiu aumentar a quantidade de sulcos (grooves) de 40 para 100 por centímetro desenvolvido por Peter Goldmark em 1947 passando a ser conhecido por microssulco. Com o vinil foi possível também introduzir um novo padrão de registro de frequências permitindo a gravação e reprodução de ampla faixa com muito pouco ruído de fundo. Naturalmente que os estúdios de gravações também foram modernizados empregando o registro sonoro através de fitas magnéticas e circuitos eletrônicos mais elaborados.

O primeiro LP comercial não era de música de Jazz, introduzido em 21/junho/1948 pela Columbia um 10 polegadas (ML 2001) com a Beethoven's 8th Symphony regida por Bruno Walter e a New York Philharmonic e logo a seguir o primeiro de 12pol também da Columbia (Col. ML 4001) cabendo ao magnífico Mendelssohn's Violin Concerto, com Nathan Milstein solista e a New York Philharmonic Orchestra regida também por Bruno Walter. O LP permitia fantásticos 30 minutos de música em cada lado e pode-se imaginar o que isto passaria a significar para os músicos de Jazz, agora bem mais livres daqueles 3½ minutos de duração de cada lado do 78rpm.

Então o primeiro LP de um músico de Jazz coube ao grande Duke Ellington um 10pol - The Liberian Suite (CL-6073-1948) gravado pela Columbia no New York's Liedenkranz Hall em 24/dez/1947, também lançado pela Prestige (P-24075).
Seguiram-se os discos compactos de 45rpm e 17,5cm conhecidos como EP (extended play) com pouca acolhida, depois a gravação magnética em multipistas a partir das experiências da RCA Victor desde 1954.


Ocorreu mais adiante o processo estereofônico em 1956 dando uma nova dimensão ao som reproduzido e o primeiro LP de Jazz editado no processo estereofônico coube à banda The Dukes of Dixieland, no álbum - You Have to Hear It To Believe It... vol. 1 pelo selo Audio Fidelity (AFSD 5823 - 1957). Sidney Frey fundador da Audio Fidelity andava por Las Vegas, como sempre procurando novos valores para seu selo quando ao perguntar a um barman se sabia de algo diferente na cidade lhe falou se já havia visto os Dukes of Dixieland que por ali se apresentavam e Sidney acabou por contratar o grupo, coincidindo com a recente instalação dos novos equipamentos e, assim se tornou a primeira banda de Jazz a gravar em estereofonia. A qualidade era impressionante, além da parte técnica de gravação, pela finura na espessura e leveza dos discos.
Ouçamos então o primeiro Jazz estereofônico em Darktown Strutters Ball (Shelton Brooks) com Frank Assunto (tp), Fred Assunto (tb), Papa Jac Assunto (tb e banjo), Harold Cooper (cl), Stanley Mendelson (pi), Roger Johnson (bat) e Bill Porter (bx).


HISTÓRIAS DO JAZZ N° 21

A “ira” do jornalista.

Conheci Paulo Brandão na década de cinqüenta, ainda nos tempos das Lojas Murray. Jornalista e amante do Jazz, Brandão esbanjava conhecimento e foi sem dúvida um dos incentivadores da arte no Rio de Janeiro. No tempo da repressão, morou no exterior e em sua volta não conseguia conter a mágoa que tinha de uns e de outros. Exerceu por algum tempo o cargo de diretor da Odeon, quando essa representava a gravadora Capitol no Brasil.

Lembro-me que, ainda no cargo, Brandão foi um dos responsáveis por Nat King Cole em sua vinda ao Rio de Janeiro e que, no coquetel oferecido ao cantor, nos estúdios do Edifício São Borja, enquanto o apresentava aos jornalistas presentes, tinha que conter a invasão das "macacas de auditório" que, sabendo da presença do cantor, queriam agarra-lo de qualquer maneira.

Teve também um programa de Jazz na “Rádio Carioca”, onde apresentava ótimos lançamentos e algumas raridades de sua discoteca. Foi responsável pelo lançamento da primeira revista especializada no Rio de Janeiro, a “Jazz” que, embora tivesse ficado em um só número marcou o início da existência dessas publicações entre nós.

Corria o ano de 1979 quando Brandão resolveu lançar um boletim chamado “Jazz Etcetera”. Era vendido por mala direta e trazia como símbolo o Jabuti flautista, personagem criada por Anélio Latini em seu filme “Sinfonia Amazônica”. Embora só tivesse duas páginas, trazia um bom noticiário e informações históricas, que Brandão sempre colocava em termos didáticos. Distribuía o seu boletim aos colegas de imprensa em troca da competente divulgação. Nessa época eu tinha uma coluna na “Tribuna da Imprensa” e registrava com prazer o recebimento daquele boletim.

Foi então, que no número três do “Jazz Etcetera”, em sua primeira folha , falando sobre o primeiro disco de Jazz , o texto informava que a Original Dixieland Jazz Band era liderada por Dominick Nick James La Porta. Registrei o recebimento e no final de meu comentário indagava: “Não seria La Roca", meu caro Brandão? Ele não gostou do comentário e atribuiu o erro a secretária que datilografou o texto. Calmamente, sugeri que fosse feita sempre uma revisão, ainda mais em se tratando de um “órgão especializado”. Continuou reclamando mas dei o assunto por encerrado.
Mas em setembro de 1979 fomos assistir ao sensacional show do trio de Bill Evans na Sala Cecilia Meirelles. Na saída, encontro os saudosos Rocha Mello e Cláudio Cosme Pinto e comentávamos entusiasmados o show do pianista quando chega Brandão. Então Rocha Melo informa que estava de carro e poderia nos dar uma carona até Niterói. Eu e Brandão exultamos. Rocha Melo informou ,“primeiro vou deixar o Cláudio em Laranjeiras e depois atravessamos a ponte”.
E assim foi feito. Chegando na casa de Cláudio, na rua General Glicério, Rocha Melo exclamou : “Isso é que é carona, bem na porta !", ao que eu imediata e ironicamente indaguei : “Não seria na roca ? “
Sentado no banco de trás, Brandão quase teve um troço. Socava o banco do carro com raiva incontida e, com licença da má palavra, me esculhambava pra valer.

Só sossegou quando Rocha Melo ameaçou parar o carro e despejá-lo. E até hoje não fala comigo.

OS ANIVERSARIANTES DE FEVEREIRO

05 fevereiro 2007

Fevereiro conta com 5 mega-festejos de aniversário:

O primeiro, o do bom amigo Flavio Raffaelli, que virou o hodômetro no sábado e só fui perceber hoje. Mando um abração público pra ele. Felicidades, Flavim.

Amanhã, dia 6, é a vez do compenetrado arquivonacionalista Marcelink anotar mais uma primavera, com um alentado regabofe intramuros, em meio à habitual faina artística das terças-feiras, lá no seu terreiro profissional. Pelo que me disse, todos são bem chegados se quiserem ir até lá para cantarem-lhe os devidos "Parabéns".

No dia 8, com grande queima de fogos na praia em frente ao Copa, nossa sereníssima LaClaudia vai reunir hordas de amigos, que acumula com grande maestria, para uma cascata de Veuves-Clicots geladíssimas, comme-il-faut. Só pede a quem for que leve sua própria taça de cristal pois as da organização, já se sabe, não serão suficientes pra todo mundo. Daqui, nosso grande beijo e desejo de muita Saúde! Santé!

Em 23 e 27, fazem anos os colaboradores Rodrigo Mattoso e Beth Martinelli, respectivamente. A ambos, tão queridos quanto sumidos, nosso abraço.

COPACABANA/RIO/PIANO/BOSSA NOVA/JAZZ - MARCOS ARIEL & MARVIO CIRIBELI

04 fevereiro 2007

Antônio Carlos Jobim estaria completando 80 anos no último 25/1, e os eventos comemorativos continuam...

Em 7 de fevereiro, (quarta-feira) às 19:00 hrs na Sala Baden Powell (Av. N. Sra. de Copacabana, nº 360 – aqui no Rio - Telefones: 2548-0421 / 2548-0492)estará ocorrendo mais uma noite do Festival de Bossa Nova, com ingresso a R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Nessa noite tocarão os pianistas Marcos Ariel e Marvio Ciribelli, lembrando temas de Tom, além de clássicos do Jazz, na segunda noite do festival "Rio: Bossa Nova com Aditivo".

No repertório, composições como Sabiá (Tom Jobim e Chico Buarque), Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Wave (Tom Jobim), Bebê (Hermeto Pascoal), Luiza (Tom Jobim), Turuna (Ernesto Nazareth), Samba do Avião (Tom Jobim), além dos clássicos do jazz, Stella By Starlight (Victor Young), Giant Steps (John Coltrane) e Blue Monk (Thelonious Monk).

Viva a Música e Vivam os Músicos.

SOM NA CAIXA

Radiola atualizada !

James Carter no North Sea Jazz Festival em 13 de julho de 1996. O tema é Blue Creek, acompanhado por Craig Taborn piano, Jaribu Shahid contrabaixo e Tani Tabbal bateria.

Monty Alexander em Montreux 1977, o tema Work Song. John Clayton e Jeff Hamilton fecham o Trio.

A cantora Tierney Sutton interpreta Devil May Care, em destaque o pianista Christian Jacob;

Scott Hamilton e uma super banda ao lado de Spike Robinson e Ken Peplowski,
Howard Alden guitarra, Gerry Wiggins piano, Dave Stone contrabaixo e Jake Hanna bateria;

O polaco Tomasz Stanko em uma das suas Variations, Aqui na Alemanha em 2001. Destaque a parte para o pianista Marcin Walisewski;

O gigante Duke Ellington e sua orquestra em Diminueno and Crescendo in Blue ... e viva Paul Gonsalves;

E a prata da casa fica pra Victor Biglione Organ Trio em concerto produzido pelo CJUB em 25 de novembro de 2004 no Mistura Fina. Aqui ao lado de Jose Lourenço no Hammond e
Andre Tandetta na bateria.

CJUB INSIDER

Tony Bennett Furioso

O legendario cantor Tony Bennett socou as paredes quando soube que sua gravadora, a Columbia Records, esqueceu de inscrever seu último disco, "Duets", para o Grammy.
O disco era para ser inscrito na categoria de Album Of The Year. Danny, filho de Tony, disse que foi uma falha colossal da Columbia, pois não haviam duvidas que "Duets" teria uma grande chance para ganhar o Grammy.

Sonny Rollins Ganha O Polar Music Prize

Rollins acaba de ganhar o Polar Music Prize de 2007, que é o maior prêmio de música da Suécia. Ele receberá US$143 mil do Rei Carl Gustaf XVI, numa cerimônia no dia 21 de maio de 2007. Outro musico que já recebeu o prêmio foi Quincy Jones.

SÓ HOJE E AMANHÃ - 4 FRIENDS NA BIS

02 fevereiro 2007

Marcos Ariel, Ricardo Silveira, Jurim Moreira e João Baptista, o quarteto que formava a base instrumental da famosa Banda Zil, se reencontra para lançar "4 Friends" pela Delira Música.

02 e 03 Fev - esta sexta e sábado às 21:00 horas
Espaço Musical BIS - Rua Frei Leandro, 20
Entrada pela Rua Jd Botânico logo após à Rua Maria Angélica
Ingressos: R$20,00 - Lotação 80 lugares (faça a sua reserva)
Tel: (21) 2226-1038

02 e 03/02 - Marcos Ariel - Um quarteto de feras participa deste primeiro CD do pianista Marcos Ariel para o selo Delira Música. "4friends" aponta na direção contemporânea do jazz. A química perfeita entre parceiros de tantos anos é evidente; uma reedição da seção instrumental da Banda Zil, que trazia entre 1986 e 1991, além destes 4 amigos, os músicos e cantores Zé Renato e Cláudio Nucci. "4friends" mostra um repertório de onze composições inéditas de Marcos Ariel.

Marcos Ariel (piano/teclados) - Ricardo Silveira (guitarra/violão) -
João Baptista (baixo) - Jurim Moreira (bateria)

MUSEU DE CERA # 14 – COUNT BASIE

01 fevereiro 2007


William "Count" Basie foi uma das figuras proeminentes e representativas das big bands. Nasceu em Red Banks em New Jersey a 21/ago/1904 e desde bem menino começou a aprender piano com sua mãe e ainda jovem foi para New York precisamente no Harlem onde conhece vários pianistas do estilo stride como James P. Johnson e Fats Waller com os quais estudou informalmente. Para ganhar a vida, aos 20 anos atuava nos circuitos TOBA que agenciava músicos para os espetáculos de vaudeville e outros shows acompanhando cantores, dançarinos, enfim topando qualquer serviço ao piano e também ao órgão que executava bem.
Em 1927 segue para Kansas City inicialmente trabalhando em cinemas ainda apresentando filmes mudos e em 1928 ingressa no grupo dirigido por Walter Page os Blue Devils. Em Kansas já havia um intenso movimento jazzístico com muitos night-clubs e salões de baile onde a maioria das bandas de Jazz atuavam. Assim conheceu Bennie Moten que em 1929 o convidou para seu grupo e em 1935 após o falecimento de Moten, Basie assume a orquestra contando com a contribuição de outros músicos como Buster Bailey ao clarinete, Jack Washington ao sax-barítono, os tenoristas Lester Young e Herchell Evans e o vocalista Jimmy Rushing.
A banda, podemos dizer, foi uma extensão ou continuação do sucesso que Moten já havia conseguido e fez excelente temporada no Reno Club e na rádio W9XBY quando o produtor John Hammond leva o grupo para Chicago colocando-o no Grand Terrace Theater e logo depois para New York atuando no Roseland Ballroom. Aliás foi um disk-jockey da emissora de Kansas que o apelidou de COUNT devido ao estilo "solene" de tocar o piano.
Iniciava-se a Era Swing e Basie um bandleader exigente e talentoso conseguiu impor um magnífico estilo baseado na essência rítmica da ALL AMERICAN RHYTHM SECTION nome dado à seção da banda, tida como sendo o padrão norte-americano do swing, do beat, integrada pelo próprio Basie, Walter Page ao contrabaixo, Freddie Green à guitarra e pelo baterista Jo Jones. O grupo esteve reunido de 1935 a 42 quando Page deixou a orquestra, época em que Jo Jones também se desliga do grupo, porém com o retorno de ambos a famosa seção rítmica volta a se reunir no período de 1946 a 49.
A Count Basie's Orchestra figurou lado a lado com as melhores bandas no período áureo das big bands e como sabemos estendeu seu domínio até épocas bem mais recentes inclusive sendo mantida além de sua morte em 1984. Na verdade, o reconhecimento de Basie como um grande músico foi baseado no refinamento dos fundamentos que tornaram o Jazz uma música swing e seu atestado de qualidade como pianista foi calcado na simplicidade produzindo uma música sutil, elegante mas ao mesmo tempo robusta.
Inegavelmente tudo se iniciou para Count Basie quando ainda na Bennie Moten's Kansas City Orchestra e é deste período uma das obras primas a famosa execução de Moten Swing a qual selecionamos para ilustrar o Museu. A introdução de Basie é primorosa antecedendo à ensemble da banda esbanjando suingue e há um solo do trompetista Hot Lips Page em que lembra demais Armstrong.
Moten Swing (Bennie Moten / Ira Moten) - Bennie Moten's Kansas City Orchestra - Bennie Moten (líder), Count Basie (piano), Joe Keyes, Dink Steward, Oran "Hot Lips" Page (tp), Dan Minor, Eddie Durham (tb), Eddie Barefield (cl), Ben Webster (st), Buster Smith (cl, sa), Harlan Leonard (sa), Jack Washington (sax-barítono), Leroy Berry (gt), Walter Page (baixo), Willie McWashington (bat) - Gravação original: Victor 23384-A de 13/dez/1932 - Camden, New Jersey.
Fonte: CD - Moten Swing - Bennie Moten – Living Era 5578 – 2005 – USA


NELSON FARIA ASSINA MODELO DE GUITARRA ACÚSTICA

Em pauta, as guitarras acústicas, as preferidas pelos guitarristas de jazz.
A curiosidade aqui é a industria brasileira de instrumentos musicais que, nunca muito "afinada" com os anseios e expectativas dos músicos, sejam profissionais ou amadores, surpreende com o lançamento de uma guitarra semi-acústica assinada para o guitarrista brasileiro Nelson Faria.

Vimos guitarristas de jazz consagrados tendo instrumentos de série assinados por eles como as Gibson em nome de Tal Farlow, Herb Ellis, Pat Martino; Ibanez para Joe Pass, George Benson e Pat Metheny; Cort com modelo Larry Coryell; entre outros grande fabricantes de peso como Benedetto e Heritage.
E mais, além do alto preço desses modelos top, a importação destes instrumentos envolve alta carga de impostos.

Agora a Condor lança o modelo JNF1 assinada por Nelson Faria. Na verdade, a Condor já tem músicos como Ricardo Silveira, Roberto Menescal, Heraldo do Monte e Felipe Poli como endorsee da marca e agora se consolida de vez com este instrumento.
Com um único captador e corpo largo, tal como a Gibson 175, historicamente a mais vista com os grandes guitarristas de jazz, foi unanimidade em todos os testes, no acabamento, pelo som "gordo" das ditas guitarras acústicas e excelente pegada.

E Nelson Faria merece, é um grande guitarrista. Hoje pode ser visto como sideman do João Bosco e tem no Nosso Trio, ao lado de Ney Conceição e Kiko Freitas, uma das mais expressivas bases da nossa música instrumental e sempre aparece nas boas jams de jazz por aí.

Enfim, não lembro de nenhum músico nacional que teve um instrumento assinado em linha de produção.