Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

PASSATEMPO

30 maio 2008

1) Os musicos listados abaixo são todos instrumentistas , compositores e arranjadores . Que instrumento cada um deles toca?
a)Bob Mintzer
b) Duke Pearson
c) Bob Brookmeyer
d) John Clayton
e) Randy Brecker

2) O que essas composições tem em comum ?
a)"It´s All Right with Me" e "The Way You Look Tonight"
b) "Up Jumped Spring" e "Bluesette"
c) "Locomotian" e "Unit Seven"
d) "Solar" e " Israel"

3) Quem são os compositores? Todos são saxofonistas.
a) "Lazy Bird"
b) " Shades of Jade"
c) "I Remember Wes"
d) "Speak No Evil "
e) " Stolen Moments"

Divirtam-se . Lembrem-se que exercitar o cerebro é a melhor maneira de preserva-lo.
Respostas em breve.

DISNEY OU LOUVRE

Hoje eu estava numa bela casa que começava a receber a mudança e pude olhar os móveis antigos e perfeitos, reunidos numa sala enorme. Eram obras primas que jamais serão produzidas com tanto primor e arte. Como eram quase trinta, entre mesas de todos os tamanhos, estantes, cômodas e cadeiras, fui apreciando detalhadamente cada um deles. No canto da sala um piano de meia cauda Baldwin. A cada peça que eu examinava, me veio a lembrança do jazz. A construção de um móvel daqueles tem tudo a ver com o jazz, desde o apurado desenho até os detalhes variados, que me lembrou os improvisos de grandes mestres.Quando móveis com todo aquele trabalho artístico deixaram de ser produzidos, o jazz também acabou abalado pela modernidade, pelas linhas retas, pela simplicidade. Elvis Presley e logo os Beatles começaram a mudar a cabeça do povo. O jazz declinou surpreendentemente, deixando um legado de obras maravilhosas, que são ainda escutadas por uma ínfima parcela de apreciadores. Assim como a Disney recebe muito mais visitantes do que o Louvre.

FINALMENTE, AT LAST!!!

29 maio 2008

Confrades, depois de 8 anos sem botar os pés na Grande Maçã, é chegada a hora de lá voltar, mesmo que por apenas 2 noites. Por conta do casório de um amigo em Miami, de uma visita a uns parentes em Washington, tudo isso em uma semana, acabarei meu périplo - literalmente, a jato - na cidade que nunca dorme. E é isso exatamente que pretendo também não fazer.

Já estou, perdoem o anglicismo, bookado para as duas noitadas, sendo que no Village Vanguard me espera o trio de Eric Reed, exatamente no dia em que o Mestre Goltinho completará aqui mais uma primavera, e lá mesmo erguerei um brindaço a esse camarada de todos nós.

Na noite seguinte, rumo ao Lincoln Center, aquela casa construída para o jazz, onde vou ser internado num CTI jazzístico, com nada menos do que a turma de doutores listada abaixo:

Thu, Jun 6

Frank Wess Celebration Nonet


Featuring Frank Wess, tenor saxophone; Ted Nash, alto saxophone; Scott Robinson, baritone saxophone; Terell Stafford, trumpet; Frank Greene, trumpet; Steve Turre, trombone; Cyrus Chestnut, piano; Peter Washington, bass; Winard Harper, drums.


Depois de tanto tempo longe, eu mereço. Assim que houver chance, prometo que conto tudo pra vocês.


Até a volta, grande abraço.

TROMPETISTA ALEXIS ANDRADE LANÇA DISCO

28 maio 2008

Quinta Feira, no Cotton Club, no mezanino do Hotel Casino Atlântico, Posto 6, Rio de Janeiro, às 20:30, o trompetista Alexis Andrade, lança seu disco.

Alexis, que o Arlindo Coutinho carinhosamente chama de "Cabeleira", toca cornet e trompete, sendo amigo de muita gente da velha guarda do jazz, chegando a tocar junto com Louis Armstrong no camarim do Theatro Municipal.

Taí uma boa opção para a noite desta quinta, vamos todos prestigiá-lo. Ligue e reserve, o Cotton Club é pequenininho (21)2227-5404.

Ninguém melhor para falar do Alexis Andrade do que nosso mestre RAF. Abaixo reproduzo um texto da coluna do José Domingos Raffaelli, escrita em 07/09/2007, na Folha da Estância:

ALEXIS ANDRADE E O DISCO DE FATS NAVARRO

O trompetista Alexis Andrade é um dos melhores músicos de jazz do Rio de Janeiro, sendo conhecido por suas atuações em vários conjuntos de jazz tradicional. Ele também tocou e gravou com o lendário clarinetista e saxofonista americano Booker Pittman, que morou no Rio nos últimos anos de sua vida..

Alexis tocou com a Rio Jazz Orchestra no I Festival de Jazz de São Paulo, em 1978. Seu solo em "I Can't Give You Anything But Love, Baby" empolgou a platéia. No final, o disc-jockey americano Felix Grant fez questão de abraçá-lo no camarim.

Sempre que alguns conjuntos estrangeiros de jazz tradicional tocavam no Rio, ele subia ao palco para uma canja. Para isso, levava seu trompete de bolso, que foi presente do amigo Booker Pittman.

Além do idioma tradicional, Alexis também toca jazz moderno, sendo admirador de Fats Navarro, Dizzy Gillespie e Miles Davis.

Protético de profissão e músico por diletantismo, as paredes de seu consultório estão repletas de fotos de trompetistas e também tem um aparelho de som para ouvir discos.

Aos 84 anos, ele ainda toca esporadicamente, tendo perdido recentemente a esposa após 58 anos de vida em comum. Humilde, educado e simpático, ele é estimado por todos no meio musical.

Aléxis é fanático por Fats Navarro, que encabeça sua lista de trompetistas favoritos, que considera o mais completo improvisador do instrumento.

Em meados dos anos 60, como eu, ele freqüentava as Lojas Murray, famosa loja carioca de discos citada em livros como ponto de encontro dos jazzófilos e bossanovistas. Certo dia, ele apareceu nervosíssimo, suando frio nas mãos e na testa. Perguntei o que acontecera e pediu-me: "Por favor, vamos dar uma volta porque estou apavorado. Minha mulher está fazendo uma cirurgia e não agüento mais com tanta preocupação e nervosismo".

Saindo da loja, convidei-o para um cafézinho e continuamos a andar, mas ele suava e tremia cada vez mais. Por mais que tentasse acalmá-lo, pior ficava, e fiquei preocupado temendo um ataque ou algo pior. Ao passarmos em frente a outra loja de discos, ouvimos o som de um disco de Fats Navarro.

No mesmo instante Alexis transformou-se por completo, como se tivesse esquecido a preocupação com a esposa. Sorriu empolgado e gritou: "É Fats Navarro!". Entramos na loja para ouvir o disco e Alexis sorria, vibrava, estava felicíssimo. Completamente calmo disse-me que ia ao hospital onde a esposa estava sendo operada. Perguntei-lhe se desejava que o acompanhasse, mas apenas agradeceu-me: "Obrigado, não precisa. Depois de ouvir Fats Navarro, sei que minha esposa está muito bem".

Pulando algumas décadas, há cerca de 10 anos avistei-o com a esposa no calçadão da Avenida Atlântica, em Copacabana. Ao ver-me, ainda de longe, gritou empolgado:

- Tem alguém melhor que Fats Navarro ?

Respondi: "Acho que não".

Ele, incisivo e eufórico, berrou a plenos pulmões:

- Acha que não ? Deixa de besteira! Nem daqui a 300 anos aparece outro como ele.

RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES, UMA BREVE RESENHA

27 maio 2008

Sem dúvida o Festival de Rio das Ostras se tornou evento obrigatório para quem gosta da boa música. Um verdadeiro encontro do jazz, da bossa, do instrumental contemporâneo, do blues e das fronteiras que cercam esses estilos. Mais uma vez a produção do festival deu show de organização e na composição dos espetáculos.

E mais uma vez estive lá ! Cheguei na sexta-feira de tarde, perdi alguns shows entre eles o da Regina Carter, uma pena, mas essa frustração foi compensada pelo que assisti nos dois dias de shows seguintes.
E já cheguei direto para a Lagoa de Iriri assistir ao grupo do baterista Will Calhoum, que conhecia de nome como o baterista do Living Colour. Com uma formação chamada Native Land Experience, mostrou um som contagiante. Abriu com Afro Blue (Coltrane) e a primeira impressão foi a melhor possível. Na banda, a participação especial do sax tenor de Marcus Strickland seguindo a formação com trompete, rhodes e baixo elétrico. Uma fusão de estilos, com espaço até para um momento introspectivo onde Will abraçou a percussão acompanhado pelo rhodes e, claro, no todo, não faltou muito groove e ao final uma levada a la Billy Cobham onde realmente quebrou tudo.

Parti dali para a Tartaruga onde o grupo Bonerama ia se apresentar. Pois é, para quem diz que não há inovação no cenário musical, o grupo Bonerama está aí e contradiz. Para ilustrar, na teoria, a inovação está representada pela criação e execução e o grupo é isso aí, formação inusitada na frente com 4 trombones, liderados por Mark Mullins e Craig Harris, guitarra, bateria e tuba e a ausência do baixo. O som é o mais eclético possível, vai do instrumental ao rock do Allman Brothers, Zeppelin, Hendrix e Black Sabbath. Trombones que soavam limpos e às vezes cheios de efeitos carregados pela condução de baixo da tuba e voluptuosos solos de guitarra. Muito louco !! E como disse Mark Mullins - nunca, em lugar algum do mundo, toquei em lugar como esse - admirando, do palco, o entardecer em cima da pedra na praia da Tartaruga. O grupo voltou a se apresentar na noite de sábado.

E a noite de sexta-feira abriu com Taryn Spilman com um barrigão de oito meses e muita energia. Uma banda da pesada, com destaque para o contrabaixo de Jefferson Lescowich e a bateria de Claudio Infante. Um show bem blues e voltado para o lançamento de seu novo cd – Bluezz. No repertório, clássicos que passeavam por Billie Holiday, Aretha Franklin e, não podia faltar, a branquela Janis. E pode ter certeza que esse neném vai chegar muito musical !


Russel Malone a gente já conhece. Abraçado numa bela archtop Gibson, se não me engano um modelo L5, e uma bela sonoridade. Um show sóbrio, esperava mais do pianista Martin Bejerano, e o repertório mostrou temas próprios, mais jazzisticos, e algumas baladas pop com um arranjo jazzy como em We've only just begun dos Carpenters e tem que destacar um tema solo cheio das citações de Black Music.
Definitivamente, Malone é um eterno apaixonado ou anda na fossa, mas foi um bom show.


Masters of Groove eu esperava ansiosamente. O baterista Bernard Purdie é de uma simpatia impar, esbanjou alegria e conversou com todo mundo. Uma figura ! É um ícone da bateria na soul music e com seus 69 anos toca com muita empolgação e energia. Ao seu lado Grant Green Jr. mostrou muito ritmo e improviso, esbanjados no tema abertura do James Bond 007 e Let`s get it on e What’s going on de Marvin Gaye abraçado a sua bela archtop D`Angelico. Ainda Reuben Wilson no Hammond dando o sabor groove ao grupo que teve ainda Leo Gandelman nos sopros. Esperava Gandelman de baritono, mas revezou-se no alto, tenor e soprano.
O que eu gosto desse grupo é que, mesmo deixando de lado aquela coisa cerebral do jazz, coloca muito improviso carregado de blues e swing, em um outro formato, com muito ritmo e que não deixa ninguém parado. O grupo voltou a se apresentar na tarde de sábado na Tartaruga.

John Mayall
não me empolgou, mas não comprometeu. Apesar da sua irritação com o som do seu teclado no início do show, o público gostou. Mostrou simpatia com o público com sua própria barraquinha de CD na entrada do festival, distribuindo autógrafos e tirando fotos com os fãs. Aos 73 anos ainda é um ícone para o público blues. Mas confesso que eu tenho saudade do velho John Mayall !
E a noite de sábado prometia !
O contrabaixista Dudu Lima apresentou um espetáculo belíssimo, em quinteto com destaque para o sax de Jean Pierre Zanela e a percussão de Marcos Suzano. No repertório, uma versão de Minuano de Pat Metheny e temas bem brasileiros como Aquarela do Brasil, Trenzinho Capirinha e um Clube da Esquina de fazer chorar. Nota 10 para ele. E Dudu Lima acaba de lançar também seu DVD/CD chamado 20 anos de Pura Música, vale conferir.

Seguiu a noite com o guitarrista John Scofield, acompanhado pelo baixista Steve Swallow, o baterista Bill Stewart e os ScoHorns liderado pelo trompetista Phil Grenadier. Que show !
Scofield é realmente um monstro na guitarra e abusou de alguns efeitos além do seu habitual drive. O repertório foi focado em seu último trabalho – This Meets That – e abriu o show com o conhecido tema House of the Rising Sun com uma potente marcação dos sopros e um destaque para a balada Behind Closed Doors que calou o público em um momento de pura introspecção, e ainda teve uma versão bem ao seu estilo de Satisfaction dos Stones.
E veio James Blood Ulmer ! Com seu visual misturando Lonnie Smith e Pharoah Sanders, eu esperava um show cabeça, cheio de improvisações livres ... enfim, foi um dos melhores show de blues que já assisti, senão o melhor. Um time da pesada, acompanhado também pelo guitarrista Vernon Reid e uma cozinha com violino, harmônica, hammond e rhodes, baixo e bateria. Foi pressão do inicio ao fim dando espaço até para um momento de psicodelia quando, em quarteto com baixo, rhodes e bateria, criou uma atmosfera muito particular. Mas o show foi hard blues da pesada e, particularmente, o show do festival !

E ano que vem tem mais !

Fotos de Cezar Fernandes : Will Calhoum, Taryn Spilman, Grant Green, Bonerama, Dudu Lima, James Ulmer e John Scofield.

HISTÓRIAS DO JAZZ n° 61

A “Banana” de Jimmy Rowles

Essa aconteceu em setembro de 1978 durante a realização do “1° Festival Internacional de Jazz São Paulo /Montreux realizado no Anhembi. Aqueles que lá estiveram por certo lembrarão do fato inusitado, que provocou muitas gargalhadas da numerosa platéia. A grande expectativa dos Jazzófilos era a apresentação do famoso grupo “Jazz at the Philarmonic” que contava com Roy Eldridge e Harry Edison (tps)- Zoot Sims(st)- Milt Jackson(vb) , Jimmy Rowles (p)- Ray Brown (b) e Mickey Rocker (dm).
Fazendo parte de um elenco mesclado com pouco Jazz e muita “mistura”, o J.A.T.P. era sem dúvida a grande atração, principalmente para os chamados “iniciados” que aguardavam as improvisações sempre bem construídas pelos “meninos” de Norman Granz. Alguns comentavam sobre a coleção de Lp’s, se não me engano em número de quatorze em formato de dez polegadas e das diversas formações que passaram pelo grupo, incluindo entre outros, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Howard McGhee, Hank Jones, Nat King Cole, Flip Phillips, Illinois Jacquet (esses dois aparecendo com destaque no volume IX na interpretação de “Perdido” ), que dividia as opiniões. Uns achavam a “batalha” entre os dois saxofonistas genial,enquanto outros argumentavam que havia muita apelação, principalmente de Illinois Jacquet que exagerava nas notas agudas. Comentava-se também do dueto propiciado pelo guitarrista Les Paul com o piano de Nat King Cole, quando interpretando uma brilhante versão de “Body and Soul”. Parece ter sido essa a única unanimidade entre aqueles que integravam o “bate papo”.
O grupo do qual participei com colegas da imprensa, costumava ir aos outros auditórios, preferindo assistir brasileiros tocando Jazz do que estrangeiros tocando rock e seus derivados. Assim curtimos o Jazz tradicional da São Paulo Dixieland Band, e o moderno com o piano de Moacyr Peixoto.
Finalmente chegou a ocasião do J.A.T.P. Os músicos foram anunciados uma a um e sob aplausos iam se colocando em seus lugares para a tão esperada apresentação. Após os três primeiros números, o pianista Jimmy Rowles inicia a introdução de seu tema “The Peacocks”, quando inopinadamente chega ao microfone o apresentador Fausto Canova e começa a anunciar a programação do dia seguinte. Claro,surgiram os primeiros apupos logo seguidos de veementes protestos dos mais exaltados. Coroando o protesto, Jimmy Rowles vira-se de costas e envia uma eloqüente banana, de braço inteiro, ao desastrado Canova que rapidamente deixa o palco enquanto a numerosa platéia, em delírio aplaudia a atitude de Rowles.
Dia seguinte comentei com o pianista sobre o acontecido e ele explicou que estava concentrado no seu “The Peacocks”, satisfeito com o silencia da platéia, quando a voz do apresentador lhe chegou aos ouvidos.
Surpreso virou-se para ver o que estava acontecendo e coroou os protestos do público com aquela “banana”, realmente inesquecível.

Desaparece Jimmy McGriff


A informação é de mestre Raffa. Faleceu em 24 de maio, um dos ícones do órgão na história do Jazz. Jimmy McGriff especializado principalmente nos Blues,foi também um excelente solista no chamado "Hard Bop" e também no Jazz Soul.Tem a seu crédito o fato de ter desenvolvido um estilo diferente de tocar o Hammond órgão. Contava 74 anos e foi vitimado por um ataque cardíaco.

O SOLO MIO

26 maio 2008

Existe uma infinidade de instrumentos musicais. No jazz grande número deles foram usados, mas os triviais estão na lista abaixo.

Outro dia houve uma saudável discussão sobre o instrumento que mais e que menos agrada num solo de jazz.

Gosto não se discute, as opiniões foram diversas. E você, do que gosta mais num solo? E o que gosta menos?

Entre os possíveis: Bateria, Clarineta, Contrabaixo, Flauta, Flugelhorn, Gaita, Guitarra, Orgão, Piano, Sax Soprano, Sax Alto, Sax Tenor, Sax Barítono, Trombone e Trompete.

VEM AÍ: JAZZ ICONS 3

25 maio 2008

Vejam a prévia do futuro box set Jazz Icons Series 3.

Acho bom fazer fila nas encomendas ao Mestre Raf. Minha senha é 0001.

RAY BROWN TRIO COM REGINA CARTER (VIOLINO) EM LADY BE GOOD

23 maio 2008

Em mais uma contribuição do Violino no Jazz, e aproveitando a presenca de Regina Carter no Brasil, segue mais um tema apresentado no Bern Jazz Festival, no qual Regina acompanha o Trio de Ray Brown.

Espero que gostem da seleção...

Beto Kessel

MUSEU DE CERA # 40 – COLEMAN HAWKINS


O SAXOFONE é instrumento de sopro, de metal, com tubo cônico, provido de um sistema de chaves e de embocadura de palheta simples como o clarinete, inventado na 2ª metade do século XIX pelo belga Adolphe Sax, de quem deriva o nome. É considerado instrumento da família das palhetas e sua aparição no Jazz se deu por volta de 1915 sendo empregado com frequência a partir de 1920.
Coleman Randolph Hawkins foi sem dúvida o primeiro grande saxofonista do Jazz. Nascido a 21/nov/1904 no Missouri sua educação musical se iniciou pelo piano e o violoncelo na forma clássica no Washburn College de Kansas City. Aos 9 anos, entretanto, se apaixona pelo saxofone indo tocá-lo então na banda escolar. Em 1921 a cantora de blues — Mamie Smith ouviu Hawkins em um teatro de Kansas no grupo — Jesse Stone and his Blues Serenaders e o contratou imediatamente para integrar o seu Jazz Hounds atuando tanto ao sax-alto quanto ao tenor. Hawkins ficou com Mamie até 1923 fazendo algumas gravações. Depois tocou com Wilbur Sweatman e com Fletcher Henderson em cuja banda ingressou em 1924 e ali permaneceu por 10 anos.
Além de seu trabalho com Henderson, gravou com os McKinney's Cotton Pickers e com Red McKenzie's Mound City Blue Blowers em 1929 e formou em 1933 a Henry "Red" Allen/Coleman Hawkins And Their Orchestra. Quando deixou Henderson em 1934 foi para a Europa, primeiro atuando na Jack Hylton's Orchestra na Inglaterra, depois em vários grupos na França, Holanda, Suiça, Bélgica e Escandinávia. Em 1937 participa da famosa gravação que marcou o encontro de Benny Carter, Django Reinhardt e Stéphane Grappelli. Com a iminência do iníco da Guerra Mundial em julho de 1939 retorna à América liderando em New York a banda do Kelly’s Stables e uma big band no Savoy Ballroom e no Apollo Theater até 1941. Retomando as gravações acontece a magnífica versão da balada Body and Soul a 11 de outubro de 1939.
Hawkins foi um dos poucos tradicionalistas que emigrou para o bebop nos anos 40, inclusive contratando Thelonious Monk para seu quarteto em 1944 e liderando várias sessões no mesmo ano inclusive com Dizzy Gillespie. Contratou também Miles Davis, Howard McGhee e Max Roach em início de carreira para atuarem em sua banda. Em 1946 gravou com J.J. Johnson e Fats Navarro. Participou de inúmeras apresentações com The Jazz At Philarmonic.
Pelo início dos anos 50 as inovações dos saxofonistas Lester Young e Charlie Parker tornaram o estilo de Hawkins um tanto fora de moda, contudo foi capaz de se adaptar às novas correntes do Jazz associando-se ao trompetista Roy Eldridge. Através dos anos 60 e 70 atuou em várias gravações feitas com Thelonious Monk, Max Roach, Eric Dolphy, John Coltrane, Duke Ellington e Sonny Rollins. Assim mostrou sua enorme versatilidade e talvez um dos maiores exemplos do que se designa por Jazz mainstream — literalmente a corrente principal — expressão usada pelo crítico inglês Stanley Dance, referindo-se ao Jazz executado nos anos 40 e 50 e que segue até os dias de hoje tendo o swing como base, independente de ser dixieland ou bebop, ou seja, fiel às suas tradições.
Hawkins não foi o primeiro a empregar o saxofone no Jazz, mas foi o primeiro solista importante no sax- tenor, mas não nos esqueçamos do sax-alto, barítono, baixo, C-melody e do clarinete com os quais fez várias apresentações de igual desenvoltura. De início seu estilo era marcado pela transposição para o sax do dedilhado dos clarinetistas de New Orleans e pouco a pouco foi criando o estilo potente que o marcou por toda a vida. Sua sonoridade um tanto áspera foi se tornando suave e melodiosa. Fazia-se extremamente lírico nas baladas tendo como maior exemplo a famosa Body and Soul em que se supera. Os estudos musicais na infância o ajudaram a evoluir sem dificuldades nas tramas harmônicas do Jazz moderno. Hawkins veio a falecer a 19/maio/1969 deixando um imenso legado aos músicos como uma das figuras de grande postura na história do Jazz junto a Jelly Roll, Armstrong, Ellington, Bechet, Parker, Coltrane, Bud Powell e tantos outros...
Podemos ouvir o sax-tenor de Hawkins com o trompetista Henry "Red" Allen e um excelente grupo. Hawkins sola 32 compassos logo após a abertura de Allen que retorna no vocal e depois ao trompete solo com um break do trombone de Morton mostrando que também por ali se encontrava. Uma balada simples e podemos até dizer que ao ouví-la já se poderia prever o que aconteceria em 39 com Body & Soul.
DARK CLOUDS (Boretz / Sammuels) - Henry "Red" Allen/Coleman Hawkins And Their Orchestra: Henry "Red" Allen (tp,vo), Coleman Hawkins (ts), Benny Morton (tb), Edward Inge (sa, cl), Horace Henderson (pi), Bernard Addison (bj), Bob Ysaguirre (bx) e Manzie Johnson (bat).
Gravação original: 9 de novembro de 1933, New York, selo Perfect 15858 B (mx 14284-1)
Fonte: CD - Henry Red Allen 1933-35 - Classics 551 - England - 1990


REGINA CARTER - DE BERNA AO ARPOADOR RUMO A RIO DAS OSTRAS

22 maio 2008

Impossibilitado de assistir a violinista Regina Carter, que esteve se apresentando ontem no Mistura Fina (e dentro de poucas horas estara se apresentando em Rio das Ostras), procurei algo dela para compartilhar com os CJUBianos...

O tema e REETS and I, com o RAY BROWN Trio e a apresentacao se deu no BERN JAZZ FESTIVAL, na Suica...

Meu unico consolo por ter perdido sua apresentacao ontem, foi que no mesmo horario assisti ao Musical A Novicca Rebelde, otimo por sinal, e que entre as musicas o tema "My Favourite Things", que nos remete ao inesquecivel tenorista John Coltrane.

Abracos a todos e um excelente feriado, embalado pelo vilonio de Regina Carter

Beto Kessel

ART TATUM REMASTERIZADO

21 maio 2008

A remasterização de algumas gravações antigas é quase impossível, a maioria das gravadoras tenta mas não consegue resultados apreciáveis. Muitas obras são descartadas pelas grandes gravadoras e lançadas por pequenos empresários.

Na luta pela restauração de obras do jazz, a Sony em parceria com o Zenph Studios, decidiu tentar a gravação do concerto solo de Art Tatum, de 2 de abril de 1949, no The Shrine Auditorium, em Los Angeles, utilizando a tranposição do toque de Tatum para um piano Yamaha Disklavier Pro, com a técnica do protocolo MIDI (Musical Intrument Digital Interface).

Utilizando um instrumento musical, digamos, um piano, com uma interface MIDI, um toque na tecla permite a gravação com os seguintes parâmetros: nota musical, intensidade, duração, etc. Dessa forma, um pianista que gravar no piano com essa interface, pode ter sua musica reproduzida num outro piano similar, automaticamente, como se ele o estivesse tocando.

É possível encontrar arquivos originais MIDI na internet. Chick Corea gravou vários. Qualquer computador tem um chip que permite a reprodução de arquivos MIDI, só que o som do piano, para ter a qualidade de um grand, precisa de um sintetizador moderno ou de um piano MIDI.

Voltando ao assunto. Como Tatum não gravou num piano MIDI, coube a Zenph coletar as notas tocadas e reproduzir suas nuances para que fosse tocada no Disklavier da Yamaha. E isso ela conseguiu com perfeição, graças a tecnologia atual.

O CD de Art Tatum, "Piano Starts Here", vai ser lançado no início de junho, com um som de piano perfeito. Cabe a nós, sabendo que não era o Tatum sentado naquele piano, mas com exatamente o seu toque, avaliar se essa forma de remasterização vai nos tocar sentimentalmente.

BOM FERIADO

Alegre-se! Vêm aí o ultimo feridão do ano, antes do Natal.

É importante muita animação e alegria. Então, para começar, dê uma olhada neste vídeo.

Garanto que voce vai ter um fim de semana melhor.


Imperdível!

PASSATEMPO

Pra quem quiser exercitar a memoria e puxar um pouco pelo "tutano"no feriado . Não se acanhem, não é um teste , é só um a brincadeira jazzistica(que pode ser didatica). Respostas em breve.

1) Qual a forma das seguintes composições ?
a) "I'll Remember April"
b) "Just In Time"
c) " Barbados"
d) "Alone Together"

2) Quem são os compositores (todos trumpetistas)
a) " Constantinople"(não é a que o Llulla se refere abaixo, o Coutinho sabe )
b) "Byrdlike"
c) "Naturally"
d) " Sippin' at Bell's"

Divirtam-se ! Dirijam com cuidado .

HISTÓRIA DO JAZZ N° 60




Aos poucos a memória se aclara e vamos lembrando de acontecimentos interessantes para integrar essa série. Essa historia ocorreu em meados dos anos 50 e mostra mais uma vez oque acontece quando se gosta de Jazz. Tinha combinado com o saudoso amigo Rocha Melo para irmos assistir o programa de Paulo Santos na Rádio MEC .. Saí mais cedo do trabalho e fui peregrinar pelos sebos da cidade. Já tinha passado pelos da rua São José e não encontrei nada interessante. Avisado por amigos fui para a rua Senador Dantas onde o português Babo e o delicado Vicente estavam instalados. Moravam no sebo uma meia dúzia de gatos que flanavam pelo ambiente e obviamente faziam suas necessidades onde queriam, inclusive em cima dos discos. Deixei der comprar um Lp da orquestra de Boyd Raeburn porque tinha sido “premiado” com uma descarga felina .
Fiquei satisfeito quando Vicente me informou que em determinada prateleira estavam alguns 78 rpm chegados na véspera . Fui examiná-los e encontrei alguns originais de Paul Whiteman, daqueles que tem sua caricatura no selo . Um deles tinha o estranho titulo de “C-O-N-S-T-A-N-T-I-N-O-P-L-E “. Confesso que ao ouví-lo na vitrolinha do sebo não me entusiasmei. Tinha um vocal horroroso e parecia música de desenho animado Comprei mais pelo selo do disco do que pela música.
Sobraçando meia dúzia de 78 rpm, fui ao encontro de Rocha Melo para tomar um ônibus rumo a Praça da República. O ônibus estava lotado e tivemos que viajar de pé. Eu com muito cuidado com os discos, embora bem embalados pelo Vicente com folhas de papelão que outrora foram caixas de 78rpm. Em pé no meio do carro entabulamos uma conversa na qual Rocha Melo me perguntou quais os discos que havia comprado. Fui dizendo um por um e ao chegar ao “Constantinople” de Paul Whiteman aconteceu o inusitado . Um cidadão que estava sentado deu um pulo e segurando meu braço indagou : “Constantinople “ de Paul Whiteman ?
Disse que sim e ele então contou uma história de sua juventude, que vira um filme onde a orquestra de Whiteman tocava a música e parece que nessa ocasião conheceu sua mulher.
Perguntou onde poderia adquirir o disco. Informei que seria difícil encontrar outro, a não ser que houvesse coincidência de duas pessoas terem o mesmo disco e vendê-los para o sebo.
Pediu para ver o disco mas, informei que estavam embalados em folhas de pápelão e seria difícil, em pé, abrir o envelope e mostrá-lo. Ainda assim agradeceu , sentou-se e abanando a cabeça repetiu algumas vezes a palavra “C-O-N-S-T-A-N-T-I-N-O-P-L-E”.
Coisas do Jazz.

HISTÓRIA DO JAZZ N° 59


PARTIU RUY BARBOSA

E partiu mais um amigo, entre os que fiz durante a duração de “O Assunto é Jazz”. Ruy Barbosa Martins de Azeredo era o seu nome. Morava em Madureira,escrevia com freqüência para o programa e quando fundamos a AND solicitou uma carteira de “Sócio Honorário” já que não podia participar de nossas reuniões. Atendi seu pedido e ao receber a carteirinha exibia com orgulho aos amigos. Quis me conhecer pessoalmente e marcamos encontro no “Gaúcho” da Rua São José para um rápido chope. Ruy era o nosso ouvinte mais idoso, na época octogenário, e era super interessado no "O assunto é Jazz”.
Tinha gravado cerca de seiscentas audições e disso muito se orgulhava. Certa ocasião me enviou um cheque de duzentos cruzeiros informando que era para ajudar nas despesas das reuniões da AND. E esclareceu que como era “sócio honorário” tinha que participar de alguma maneira. Quando enviuvou resolveu mudar para Taubaté e de lá enviava telegramas ou cartas ,na primeira terça feira de dezembro cumprimentando o aniversário do programa, mesmo após o seu término. A última vez que estivemos juntos foi na festa de seus noventa anos, comemorados em uma casa especializada no Alto da Boa Vista.
Quando cheguei Ruy largou todo que estava fazendo e saiu me apresentando a todos os convidados. Depois, abriu um envelope e começou a me mostrar os “troféus”. Fotos nossas tiradas no programa por seu filho. O tempo passou e certa ocasião um de seus filhos foi a minha casa e me entregou cinqüenta fitas dos programas enviados pelo pai. Régio presente. Até que veio a telefonema de Taubaté. Uma de suas filhas informando o seu falecimento aos 94 anos de idade. Embora separados pela distancia jamais deixamos de nos comunicar. Fiel ouvinte e fiel amigo.
RIP

COLUNA DO LOC, RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES

18 maio 2008

Em destaque o Festival de Rio das Ostras.


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BOB FLORENCE

16 maio 2008

Mais uma vez Mestre Raffa me informa sobre um triste óbito. Desta feita, o pianista, compositor, arranjador e líder Bob Florence desaparece aos 75 anos de idade, em 15 de maio.
Músico de primeira linha, já aos dezenove anos era o arranjador da banda de Harry James. Trabalhou também com Les Brown, Sauter-Finegan e Jerry Fielding. Foi aluno do famoso Dr. Wesley La Violette , um dos mestres de grandes intérpretes do Jazz West Coast.
Discografia de muita qualidade na qual observamos algumas inovações como a adoção de mais um sax barítono e os surpreendentes uníssonos de flugelhorn e flautas.
Entre os melhores álbuns de Florence destacamos "With the bells and whistles" (com uma fantástica versão de "Laura" de onze minutos); " Westlake", "Live at Concert by the sea" e "Bob Lamb meets Bob Florence". A nota da internet informa que após se submeter a um exame de sangue, Bob veio a falecer duas horas depois. Um grande desfalque nas "Big-Bands".

TRANSCRITO DO CJUB

Muita coincidência, meus caros Mau Nah e Edu.
O Jornal de Londrina pertence à Rede Paranaense de Comunicação, sede em Curitiba, ligada à Rede Globo. Ontem recebi o pedido de um dos seus editores que tinha lido a minha resenha (Pizzarelli & Gal) no blog. E ele me pediu autorização para transcrever o texto na edição de hoje. Concordei, desde que fosse dado o devido crédito ao CJUB, detentor de todos os direitos (rsrs). E não é que saiu?
Não sou fundador do CJUB. Mas por acaso essa seria a primeira vez que um post original do CJUB é transcrito na íntegra em jornal? Se for, vou pleitear férias. Remuneradas, claro. Brincadeiras de lado, agradeço ao Edu e Mau Nah pelos elogios. Foram decisivos para essa iniciativa do JL.

CJUB - SEIS ANOS EM 10.05.2008

15 maio 2008

Apenas para lembrar que o CJUB completou no ultimo dia 10 o seu 6o. aniversario...

Inumeros Concertos, muitos conceitos, muita discussão, muito aprendizado, muitos ótimos momentos nos almocos e muito JAZZ & BOSSA.

Parabens CJUB !!!!!!

Beto Kessel

PIZZARELLI & GAL

14 maio 2008

Terça-feira, dia do show, antes do almoço, bar do Hotel Bourbon, Londrina. Gal Costa está sentada com o empresário, esperando o roteiro do dia. Surgem do elevador John Pizzarelli e Larry Fuller (pianista do quarteto, um dos últimos a dividir um trio com Ray Brown em estúdio). Faço as devidas apresentações e alerto sobre o “big end” do show, Pizzarelli e Gal cantando juntos. Gal mostra preocupação, ao contrário de Pizzarelli, que arrisca um “sem problema” em português torto. Gal permanece inquieta. Diz que não é cantora de jazz, que não improvisa e que apenas canta. Um ensaio antes seria necessário. Pizzarelli repete: “sem problema”. Chega Luiz Meira, violonista catarinense que vai acompanhar Gal. Diz que vai passar as harmonias e tons para o grupo, com os quais Gal está acostumada a cantar. De novo, Pizzarelli:”sem problema”. Assunto encerrado. Antes, Pizzarelli apresenta o resto da banda: Martin Pizzarelli, baixista, seu irmão mais novo, e o baterista Tony Tedesco – foi professor de Paschoal Meirelles na Berklee. Renato Mantovani, idealizador do evento, me liga. Foi orientado a trocar a ordem do show. Pizzarelli no início, Gal no final. O gringo mostra sensatez. Se Gal concordasse, ele aceitaria. Gal concorda. Novo telefonema. Renato diz que recebeu vários pedidos para que Pizzarelli incluísse algumas músicas dos Beatles, uma referência ao CD feito tempos atrás com músicas do quarteto de Liverpool. “Sem problema”, outra vez Pizzarelli. Cada um para um canto, o show fica acertado. Contagem regressiva: 21 horas John Pizzarelli Quartet, 22:30 Gal Costa e violão. Pizzarelli é um sujeito sempre atento, simpático, atencioso, humilde até, dono de uma cultura musical impressionante. Sobe no meu conceito ao revelar que acabou de gravar um CD unicamente com o songbook de Richard Rodgers, participação de César Mariano e arranjos de Don Sebesky. O lançamento será em 19 de agosto, via Telarc.
Como previsto, Pizzarelli abre o show e apresenta os componentes da banda. E abre com 4 standards a partir de Gershwin e alguns clássicos de Mr. Sinatra. Destaques para Lady Be Good, How About You e Witchcraft. Há espaços para solos de guitarra e piano, aliás muito bem levado por Larry Fuller. Pizzarelli domina seu instrumento com absoluta desenvoltura, harmonias agradáveis e muito swing. Essa primeira parte é puramente jazz, sem outro adereço. A segunda parte, atendendo uma solicitação dos promotores da festa – não houve venda de ingressos, apenas convites -, é dedicada à Bossa-Nova, em especial a Jobim. É nítida a evolução de Pizzarelli na levada característica de guitarra que o gênero exige. Certeza não decepcionaria um Roberto Menescal. No mesmo clima ele entra na terceira e última parte com uma versão em solo para And I Love Her e mais 4 clássicos assinados por Lennon e McCartney. O comportamento da platéia surpreende pelo silêncio e total atenção à música oferecida por Pizzarelli. Já no intervalo para a entrada de Gal Costa, os comentários se repetem. Talvez um dos melhores shows já vistos em Londrina. Sou obrigado a concordar. O público para Gal é menor, mas não menos atento. E Gal, como ela antecipou, apenas canta, sem qualquer preocupação em jazzificar sua apresentação. E relembra seus maiores sucessos, tendo ao lado o eficiente, apenas isso, violão de Luiz Meira. No final chama Pizzarelli para fechar o show com Corcovado. Pizzarelli, sem cantar, é autor de um solo super inspirado, tirando sorrisos contínuos tanto de Gal como de Meira. A platéia, de pé, se despede, referendando a qualidade do espetáculo. E Gal comenta depois:”A melhor parte do meu show, tenho que confessar, foi cantar com Pizzarelli”. E foi mesmo. Saí do show satisfeito, mas, ao mesmo tempo, um pouco envergonhado. Não tinha até hoje dado o crédito justo a um ótimo músico chamado John Pizzarelli. Vale conferir esse show – não tinha visto os outros - agora no Mistura.

CHET BAKER - 20 ANOS

13 maio 2008

A bela e dura vida de Chet Baker terminou há 20 anos atrás, neste 13 de maio. Chet teve uma misteriosa morte, se jogou, caiu, ou foi empurrado de uma janela do Hotel Prinz Hendrik, em Amsterdam. O livro "No Rastro de Chet Baker", do baterista de jazz, jornalista e crítico de música Bill Moody, é uma história de suspense sobre este fatídico momento, tendo o pianista de jazz Evan Horne, como personagem que investiga os fatos.

O curioso é que Chet Baker, mesmo sendo um viciado em drogas, heroina principalmente, teve no laudo do legista uma constatação de que ele não havia se drogado na madrugada do incidente. Várias versões surgiram, de que ele fora assasinado por uma mulher ou por traficantes, mas a polícia local acreditou em suicídio.

Chet Baker, apesar de lidar com drogas desde cedo, viveu quase 58 anos. Ele foi um dos músicos que mais gravou, sendo a maioria de boa qualidade. Seus melhores discos foram feitos nos anos que antecederam sua morte. O magnífico concerto "Chet Baker In Tokio", foi feito um ano antes dele morrer.

Há pouco tempo atrás falei que seus poucos vídeos haviam sido retirados do You Tube por força de uma ação judicial da Fundação Chet Baker, em Oklahoma. Opinei que aquilo iria contribuir para empobrecer o jazz, uma vez que o You Tube divulga muito mais o seu trabalho do que o site da fundação administrada por seu filho.

O toque misterioso e acalentado de Chet torna fácil percebermos o quanto sua vida era triste e solitária.

HOMENAGEM AO DIAS DAS MÃES - O CLÁSSICO E O JAZZ

10 maio 2008

Dee Dee Bridgewater (vocal) e Amira Selim (soprano), com a Vienna Radio Symphony Orquestra, conduzida por Andrey Boreyko. No piano Dmitri Pavlov.

Um bom domingo e muita alegria para todas as mamães.

HISTÓRIAS DO JAZZ - NO. 58

Ravel e Da Távola
Corria o mês de setembro do ano de 1983 e estava passando o fim de semana na casa de uma prima em Teresópolis quando fui chamado ao telefone. A primeira reação que tive é que alguma coisa acontecera com alguém da família tipo “estragou o fim de semana”. Felizmente foi ao contrário. Após o meu alô, falaram do outro lado :” Lula, aqui é o Arthur da Távola , liguei para sua casa mas me informaram que você estava aí. Tomei a liberdade de telefonar porque preciso de sua colaboração em meu programa de rádio. Estou fazendo uma série chamada “ O Mundo de Maurice Ravel “ e cheguei ao ponto em que Ravel se inspirou no Jazz para compor algumas peças. Gostaria então que você mostrasse alguma coisa de Jazz que tivesse sido influenciada na música de Ravel , o Coutinho me disse que você tem muita coisa.
Surpreso, agradeci o convite e a gentileza do telefonema . Aceitei e me propus a pesquisar no meu mar de discos as peças que poderiam integrar um programa daquela importância. Já em Niterói iniciei o trabalho que felizmente não me ofereceu maiores dificuldades pois já tinha de cabeça o que poderia apresentar . Assim, em 22 de setembro compareci aos estúdios da Rádio MEC e tive o prazer de conhecer a pessoa de Paulo Alberto Monteiro de Barros . Confesso que foi uma tarde agradabilíssima . Gravamos o programa e enquanto as músicas tocavam , Da Távola se estendia em comentários , mostrando todo o seu conhecimento da chamada música clássica, de Ravel, Debussy, Poulenc, o “Grupo dos Seis” , Scriabin etc.
Ouvia minhas considerações sobre os temas de Jazz que apresentei e sempre tinha um elogio para a música executada. Mostrava a proximidade de Ravel e Debussy em certos detalhes, dizendo que foram os mestres da escola impressionista etc.
Quando rodamos “A gift from the Magi” com Sir Holand Hanna ficou admirado com o tema dizendo que o pianista tinha absorvido profundamente o pensamento musical de Ravel.
A “Pavane” executada por Bud Shank é desenvolvida em sua primeira parte em solo de flauta. Mas na segunda, Shank toca o sax- alto num andamento super rápido. Ao terminar comentei que talvez Ravel não gostasse da segunda parte. Da Távola abanou a cabeça e disse: Garanto que ele gostaria. Ele adorava a liberdade de expressão . Chegamos ao final do programa e veio mais uma surpresa, o convite para outro programa na semana seguinte, dando seqüência ao episódio Ravel e o Jazz.
E aconteceu o segundo em 29 de setembro, com Arthur da Távola muito animado com a repercussão do primeiro programa. Não regateou os elogios a minha pessoa, dizendo que era muito importante esse intercambio cultural. Nesse programa ao terminar a interpretação de Erroll Garner, ele comentou que os acordes não eram nem acordes nem arpejos, eram “ diluências sonoras “. Terminada a audição os agradecimentos de ambos e um abraço fraternal dos que tinham a certeza de ter feito um bom trabalho em pról da cultura musical.
Essa foi a única vez que estive com Paulo Alberto. O suficiente para saber que o nosso rádio precisava de mais gente como ele, enriquecendo as audiências com o seu conhecimento e mostrando antes de tudo que o rádio tem como principal objetivo a difusão cultural. De vez em quando rodo as gravações desse programa que passei para CD e absorvo com satisfação aqueles ensinamentos do mestre Arthur da Távola.Que descanse em paz.

PARK AVENUE PETITE - A BALADA

05 maio 2008

A música Park Avenue Petite, escrita no final dos anos 50, é uma balada das mais bonitas e das menos conhecidas. O significado do seu título sempre foi um mistério. Mas foi aí que entra o colunista de jazz Marc Myers, que partiu para desvendar o mistério com um telefonema para o próprio autor da melodia, Benny Golson.

Golson acabou contando uma história surpreendente:

“A inspiração para Park Avenue Petite veio somente da minha imaginação, nada é real. Pensei em uma adorável jovem mulher solteira, vivendo nos luxuosos edifícios da Park Avenue. Todos os dias passava pelo porteiro, sem saber que ele nutria uma forte admiração por ela. Entretanto, ele nunca poderia aproximar-se, ou expressar seus sentimentos, por causa do seu trabalho e ela, pela sua alta posição na sociedade. A mulher era muito acima dele socialmente”.

“Tristeza, fracasso e desesperança o atingiam cada vez que ele, mecanicamente, abria a porta para ela, compartilhando somente de seu sorriso delicioso e cativante”.

Depois da explicação de Benny Golson, a melodia e o título agora fazem um sentido completo e o contexto dá um novo significado para a música.

Benny escreveu algumas das mais apreciadas melodias e standards. Sua caneta poética nos deixou I Remember Clifford, Stablemates, Along Came Betty, Whisper Not, Blues March, Five Spot After Dark, Killer Joe e Are You Real?. Sem levar em consideração muitas dúzias de hard bop e composições para o cinema.

Park Avenue Petite foi gravada poucas vezes, para escutar essa balada você deve se concentrar e escutar a linha melódica com sentimento. Cada músico que a gravou, criou um improviso com pequenas diferenças, porém, sem comprometer a parte básica da melodia. Foram os seguintes:

Blue Mitchell -- Blue Soul (1959). Esta foi a primeira gravação de Park Avenue Petite, Gravado para a Riverside Records, Blue Mitchell tem uma sonoridade como se ele estivesse tocando numa catedral, aparentando haver um enorme espaço em volta do seu trompete, parecendo que ele está sozinho. A gravadora Concord Records relançou Blue Soul como parte da sua Keepnews Collection, que foi remasterizada com perfeição. O CD inclui um bonus track de Park Avenue Petite (Take 1) que leva dois minutos a mais do que a versão definitiva.


Art Farmer -- Meet the Jazztet (Fevereiro 1960). Esta versão de Park Avenue Petite foi gravada no clássico Meet the Jazzte, com Benny Golson no tenor, Curtis Fuller no trombone, McCoy Tyner no piano, Addison Farmer no baixo e Lex Humphries na bateria. Farmer usa a surdina. Comparando com Blue Mitchel os sentimentos são bem diferentes, como de uma noite chuvosa para uma tarde de verão, no caso de Art Farmer. Como sempre, Farmer preenche os espaços com um fraseado perfeito, sem superioridades ou dominações.

Howard McGhee -- Dusty Blue (Junho 1960). McGhee toca com sua banda formada por: Bennie Green no trombone, Roland Alexander no sax tenor, Pepper Adams no sax barítono, Tommy Flanagan no piano, Ron Carter no baixo e Walter Bolden na bateria. A balada é menos solitária na execução, resultando na expressão coletiva do grupo, tocando-a como hard bop.



Brian Lynch -- Peer Pressure (1986). O trompetista Lynch traz um sentimento diferente para a balada, tocando-a com um maior brilho e nitidez nos tons. De forma interessante, ele propositadamente segura algumas notas, tornando a melodia melancólica.





Russell Gunn --Mood Swings (1999). Da mesma forma que Art Farmer, o trompetista Russell Gunn escolheu tocar a melodia com uma surdina. Gunn tem uma levada de Park Avenue Petite mais lenta do as outras versões, o que torna a música mais interessante. Seu grupo é formado por: Radam Schwartz no Hammond, Eric Johnson na guitarra, e Cecil Brooks III na bateria.


Eddie Henderson -- The Terminal (2004). Esta interpretação de Park Avenue Petite aparece no álbum de Benny Golson's, Terminal 1, inspirado no filme O Terminal , estrelado por Tom Hanks. Benny aparece no filme, bem como sua música. Acompanham Benny Golson, o trompetista Eddie Henderson, com uma característica mais aveludada do que as interpretações mais contemporâneas, Mike LeDonne no piano, Buster Williams no baixo, e Carl Allen na bateria.

A RECESSÃO AMERICANA E A MÚSICA QUE DESAPARECE DA MANHATTAN ELEGANTE

04 maio 2008

O período de recessão que vive a economia americana também está tirando os músicos de cena.

Stephen Holden conta na coluna de música do New York Times que a voz e o piano de Daryl Sherman foram cortados do lobby-bar do Waldorf-Astoria.

Daryl tinha uma expressão musical fora de série, seu repertório era de primeira, sempre com mudanças surpreendentes de acordes e sua voz era angelical.

O lobby do Waldorf-Astoria sempre esteve com boa frequencia nas cocktail hours, a maioria ia lá por causa da Daryl, ouvir sua voz e seu piano.

O piano que ela toca pertenceu a Cole Porter, que lá morou por vários anos, é um Steinway construido em 1907, que foi presenteado ao hotel por Porter em 1945. O piano foi movido para o lobby após sua morte em 1964.

O Waldorf-Astoria foi o último hotel conhecido por ter um piano no lobby. Após sua venda para o Blackstone Group, Daryl recebeu sua recisão contratual, sob alegação de corte de despesas.

Para quem quiser conhecer que grande perda foi para o Waldorf-Astoria, escute trechos de música de Daryl Sherman em:
http://www.amazon.com/Guess-Whos-Town-Daryl-Sherman/dp/B000KRN0CI

RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES

03 maio 2008

O Rio das Ostras Jazz e Blues este ano chega em sua sexta edição e será realizado no mês de Maio nos dias 21 a 25.
Em sua última edição eu estive lá, e quem já teve a oportunidade de ir sabe que a organização do festival é fantástica, acesso, horários e elenco sempre muito bem selecionados.

E este ano o festival traz destaque para as cordas com os guitarristas Russel Malone, John Scofield, Grant Green Jr. e os Masters of Groove, o muito louco James Blood Ulmer e a violinista Regina Carter.

Nossa música instrumental estará representada com os sopros de Leo Gandelman, Mauro Senise e Jean Pierre Zanela, o contrabaixo de Dudu Lima, a percussão de Marcos Suzano e a voz de Taryn Spilman e o quarteto gaúcho de jazz e bossa Delicatessen.

Na seara blues o grande nome é John Mayall, dispensa apresentações e mesmo com seus 73 anos ainda representa muito para quem curte o estilo. Confesso que tenho saudade do velho John Mayall, mas é sempre uma atração. E ainda o grupo Blues Etilicos, o gaitista Robson Fernandes e sua blues band, o roqueiro Vernon Reid e o eclético baterista Will Calhoun.

Acho que é a terceira temporada de Russell Malone por aqui, assisti suas outras apresentações, uma vez em trio no antigo Mistura Fina e o fracassado duo com o pianista Bennie Green no Tim Festival. Desta vez ele se apresenta em quarteto acompanhado por Martin Bejerano piano, Tassili Bond contrabaixo e Johnathan Blake bateria. Acho que é a formação mais jazz desse festival e esse pianista é atração a parte.

Particulamente, o nome deste festival é John Scofield, vem com um naipe de sopros e seu habitual trio formado pelo baixista Steve Swallow e o baterista Bill Stewart e o show deve ser a base de seu último trabalho This Meets That onde intitula-se John Scofield & The Sco Horns.
Vai ser pedrada isso aí !

Regina Carter é o grande nome do violino atual, passeia fácil pelo jazz e em seu último trabalho I´ll Be Seeing You recebeu convidados especiais como Dee Dee Bridgewater, John Clayton, Gil Goldstein e Paquito D'Rivera. Acredito que aqui vamos assistir um pouco mais de jazz.

Masters of Groove eu assisti em 2002 na edição do Buzios Jazz & Blues
e foi de arrasar. Leo Gandelman é o outro nome na banda com seu sax baritono ao lado do excelente guitarrista Grant Green Jr. (o filho dele mesmo), o organista Reuben Wilson e seu Hammond e a lendário baterista Bernard Purdie. É som pra ninguém ficar parado !

James Blood Ulmer é um guitarrista que faz a linha free, e bem free. Seu som é realmente muito louco e a guitarra é um instrumento pouco comum nessa praia, rarissimas exceções como Sony Sharrock. Apesar da sua grande admiração por Ornette Coleman, carrega muito rock em sua música, influência de Hendrix, e neste festival vem com formação de bateria, baixo, teclado, harmonica e violino além da participação do também guitarrista Vernon Reid.

Um destaque também para o grupo Bonerama, rotulado como New Orleans-Brass-Funk-Rock e traz a frente 4 trombones. Os caras atacam do bom e velho funk, classic rock e muita improvisação. Já que é festa, isso aí promete !

Os shows são gratuitos e acontecem em 3 locais e horários distintos.

A programação -

21 de maio, quarta-feira
Costazul - 19h
Abertura do festival com a Orquestra Kuarup; Quarteto V&M;
Mauro Senise Quarteto; Robson Fernandes Blues Band;

22 de maio, quinta-feira
Lagoa do Iriry - 14:15h : Russel Malone
Praia da Tartaruga - 17:15h : Taryn Spilman
Costazul - 19h : Delicatessen; Regina Carter; Blues Etílicos; Will Calhoun's Native Land Experience;

23 de maio, sexta-feira
Lagoa do Iriry - 14:15h : Will Calhoun's Native Land Experience
Praia da Tartaruga - 17:15h : Bonerama
Costazul -19h : Taryn Spilman; Russel Malone; Masters of Groove & Léo Gandelman; John Mayall & The Bluesbreakers

24 de maio, sábado
Lagoa do Iriry - 14:15h : Blues Etílicos
Praia da Tartaruga - 17:15h : Masters of Groove & Léo Gandelman
Costazul - 19h : Dudu Lima, Marcos Suzano & Jean Pierre Zanella; John Scofield Trio & The Scohorns; James "Blood" Ulmer & Vernon Reid; Bonerama

25 de maio, domingo
Lagoa do Iriry - 14:15h : James “Blood” Ulmer & Vernon Reid
Praia da Tartaruga - 17:15h : John Scofield Trio & The Scohorns

Mais informações www.riodasostrasjazzeblues.com