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HISTÓRIAS DO JAZZ - NO. 58

10 maio 2008

Ravel e Da Távola
Corria o mês de setembro do ano de 1983 e estava passando o fim de semana na casa de uma prima em Teresópolis quando fui chamado ao telefone. A primeira reação que tive é que alguma coisa acontecera com alguém da família tipo “estragou o fim de semana”. Felizmente foi ao contrário. Após o meu alô, falaram do outro lado :” Lula, aqui é o Arthur da Távola , liguei para sua casa mas me informaram que você estava aí. Tomei a liberdade de telefonar porque preciso de sua colaboração em meu programa de rádio. Estou fazendo uma série chamada “ O Mundo de Maurice Ravel “ e cheguei ao ponto em que Ravel se inspirou no Jazz para compor algumas peças. Gostaria então que você mostrasse alguma coisa de Jazz que tivesse sido influenciada na música de Ravel , o Coutinho me disse que você tem muita coisa.
Surpreso, agradeci o convite e a gentileza do telefonema . Aceitei e me propus a pesquisar no meu mar de discos as peças que poderiam integrar um programa daquela importância. Já em Niterói iniciei o trabalho que felizmente não me ofereceu maiores dificuldades pois já tinha de cabeça o que poderia apresentar . Assim, em 22 de setembro compareci aos estúdios da Rádio MEC e tive o prazer de conhecer a pessoa de Paulo Alberto Monteiro de Barros . Confesso que foi uma tarde agradabilíssima . Gravamos o programa e enquanto as músicas tocavam , Da Távola se estendia em comentários , mostrando todo o seu conhecimento da chamada música clássica, de Ravel, Debussy, Poulenc, o “Grupo dos Seis” , Scriabin etc.
Ouvia minhas considerações sobre os temas de Jazz que apresentei e sempre tinha um elogio para a música executada. Mostrava a proximidade de Ravel e Debussy em certos detalhes, dizendo que foram os mestres da escola impressionista etc.
Quando rodamos “A gift from the Magi” com Sir Holand Hanna ficou admirado com o tema dizendo que o pianista tinha absorvido profundamente o pensamento musical de Ravel.
A “Pavane” executada por Bud Shank é desenvolvida em sua primeira parte em solo de flauta. Mas na segunda, Shank toca o sax- alto num andamento super rápido. Ao terminar comentei que talvez Ravel não gostasse da segunda parte. Da Távola abanou a cabeça e disse: Garanto que ele gostaria. Ele adorava a liberdade de expressão . Chegamos ao final do programa e veio mais uma surpresa, o convite para outro programa na semana seguinte, dando seqüência ao episódio Ravel e o Jazz.
E aconteceu o segundo em 29 de setembro, com Arthur da Távola muito animado com a repercussão do primeiro programa. Não regateou os elogios a minha pessoa, dizendo que era muito importante esse intercambio cultural. Nesse programa ao terminar a interpretação de Erroll Garner, ele comentou que os acordes não eram nem acordes nem arpejos, eram “ diluências sonoras “. Terminada a audição os agradecimentos de ambos e um abraço fraternal dos que tinham a certeza de ter feito um bom trabalho em pról da cultura musical.
Essa foi a única vez que estive com Paulo Alberto. O suficiente para saber que o nosso rádio precisava de mais gente como ele, enriquecendo as audiências com o seu conhecimento e mostrando antes de tudo que o rádio tem como principal objetivo a difusão cultural. De vez em quando rodo as gravações desse programa que passei para CD e absorvo com satisfação aqueles ensinamentos do mestre Arthur da Távola.Que descanse em paz.

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