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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MUSEU DE CERA # 40 – COLEMAN HAWKINS

23 maio 2008


O SAXOFONE é instrumento de sopro, de metal, com tubo cônico, provido de um sistema de chaves e de embocadura de palheta simples como o clarinete, inventado na 2ª metade do século XIX pelo belga Adolphe Sax, de quem deriva o nome. É considerado instrumento da família das palhetas e sua aparição no Jazz se deu por volta de 1915 sendo empregado com frequência a partir de 1920.
Coleman Randolph Hawkins foi sem dúvida o primeiro grande saxofonista do Jazz. Nascido a 21/nov/1904 no Missouri sua educação musical se iniciou pelo piano e o violoncelo na forma clássica no Washburn College de Kansas City. Aos 9 anos, entretanto, se apaixona pelo saxofone indo tocá-lo então na banda escolar. Em 1921 a cantora de blues — Mamie Smith ouviu Hawkins em um teatro de Kansas no grupo — Jesse Stone and his Blues Serenaders e o contratou imediatamente para integrar o seu Jazz Hounds atuando tanto ao sax-alto quanto ao tenor. Hawkins ficou com Mamie até 1923 fazendo algumas gravações. Depois tocou com Wilbur Sweatman e com Fletcher Henderson em cuja banda ingressou em 1924 e ali permaneceu por 10 anos.
Além de seu trabalho com Henderson, gravou com os McKinney's Cotton Pickers e com Red McKenzie's Mound City Blue Blowers em 1929 e formou em 1933 a Henry "Red" Allen/Coleman Hawkins And Their Orchestra. Quando deixou Henderson em 1934 foi para a Europa, primeiro atuando na Jack Hylton's Orchestra na Inglaterra, depois em vários grupos na França, Holanda, Suiça, Bélgica e Escandinávia. Em 1937 participa da famosa gravação que marcou o encontro de Benny Carter, Django Reinhardt e Stéphane Grappelli. Com a iminência do iníco da Guerra Mundial em julho de 1939 retorna à América liderando em New York a banda do Kelly’s Stables e uma big band no Savoy Ballroom e no Apollo Theater até 1941. Retomando as gravações acontece a magnífica versão da balada Body and Soul a 11 de outubro de 1939.
Hawkins foi um dos poucos tradicionalistas que emigrou para o bebop nos anos 40, inclusive contratando Thelonious Monk para seu quarteto em 1944 e liderando várias sessões no mesmo ano inclusive com Dizzy Gillespie. Contratou também Miles Davis, Howard McGhee e Max Roach em início de carreira para atuarem em sua banda. Em 1946 gravou com J.J. Johnson e Fats Navarro. Participou de inúmeras apresentações com The Jazz At Philarmonic.
Pelo início dos anos 50 as inovações dos saxofonistas Lester Young e Charlie Parker tornaram o estilo de Hawkins um tanto fora de moda, contudo foi capaz de se adaptar às novas correntes do Jazz associando-se ao trompetista Roy Eldridge. Através dos anos 60 e 70 atuou em várias gravações feitas com Thelonious Monk, Max Roach, Eric Dolphy, John Coltrane, Duke Ellington e Sonny Rollins. Assim mostrou sua enorme versatilidade e talvez um dos maiores exemplos do que se designa por Jazz mainstream — literalmente a corrente principal — expressão usada pelo crítico inglês Stanley Dance, referindo-se ao Jazz executado nos anos 40 e 50 e que segue até os dias de hoje tendo o swing como base, independente de ser dixieland ou bebop, ou seja, fiel às suas tradições.
Hawkins não foi o primeiro a empregar o saxofone no Jazz, mas foi o primeiro solista importante no sax- tenor, mas não nos esqueçamos do sax-alto, barítono, baixo, C-melody e do clarinete com os quais fez várias apresentações de igual desenvoltura. De início seu estilo era marcado pela transposição para o sax do dedilhado dos clarinetistas de New Orleans e pouco a pouco foi criando o estilo potente que o marcou por toda a vida. Sua sonoridade um tanto áspera foi se tornando suave e melodiosa. Fazia-se extremamente lírico nas baladas tendo como maior exemplo a famosa Body and Soul em que se supera. Os estudos musicais na infância o ajudaram a evoluir sem dificuldades nas tramas harmônicas do Jazz moderno. Hawkins veio a falecer a 19/maio/1969 deixando um imenso legado aos músicos como uma das figuras de grande postura na história do Jazz junto a Jelly Roll, Armstrong, Ellington, Bechet, Parker, Coltrane, Bud Powell e tantos outros...
Podemos ouvir o sax-tenor de Hawkins com o trompetista Henry "Red" Allen e um excelente grupo. Hawkins sola 32 compassos logo após a abertura de Allen que retorna no vocal e depois ao trompete solo com um break do trombone de Morton mostrando que também por ali se encontrava. Uma balada simples e podemos até dizer que ao ouví-la já se poderia prever o que aconteceria em 39 com Body & Soul.
DARK CLOUDS (Boretz / Sammuels) - Henry "Red" Allen/Coleman Hawkins And Their Orchestra: Henry "Red" Allen (tp,vo), Coleman Hawkins (ts), Benny Morton (tb), Edward Inge (sa, cl), Horace Henderson (pi), Bernard Addison (bj), Bob Ysaguirre (bx) e Manzie Johnson (bat).
Gravação original: 9 de novembro de 1933, New York, selo Perfect 15858 B (mx 14284-1)
Fonte: CD - Henry Red Allen 1933-35 - Classics 551 - England - 1990


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