Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MUSEU DE CERA # 25 - Jimmie Lunceford

31 julho 2007





MUSEU DE CERA

JAMES MELVIN LUNCEFORD nasceu a 6/junho/1902 em Fulton no Missouri. Durante sua formação colegial aprendeu a tocar o saxofone, clarinete e trombone e mais tarde o piano, guitarra e flauta. Aos 16 anos montou seu primeiro grupo quando estudava na Fisk University onde obteve sua primeira educação musical com Wilberforce J. Whiteman, pai do famoso bandleader Paul Whiteman. Mais tarde iniciou a ensinar música na Memphis High School e com um grupo de 9 músicos ainda amadores organizou em 1927 o núcleo do que seria sua big-band os Chickasaw Syncopators contando com Moses Allen (baixo), Jimmy Crawford (bat), Willie Smith (alto) e Eddie Wilcox (piano). Em 1929 Lunceford monta sua orquestra já como profissionais e em 1930 grava para a Victor 2 temas — In Dat Mornin' e Sweet Rhythm.
Após tocar por vários anos nas redondezas de Cleveland e Bufalo surge sua maior oportunidade quando veio a substituir a banda de Cab Calloway no famoso Cotton Club do Harlem em 1934. Aliado às suas mais importantes aquisições como o trompetista e magnífico arranjador Sy Oliver e ainda Paul Webster (tp), Eddie Durham e Trummy Young ao trombone e o vocalista Dan Grissom a orquestra ganhou reputação nacional como uma das melhores bandas negras do swing.
Em 1935 uma série de soberbas gravações para Decca com arranjos de Sy Oliver: For Dancers Only, Margie, ‘Posin, Slumming On Park Avenue, My Blue Heaven e Organ Grinders Swing .
O estilo de Lunceford identificado com Sy Oliver sofreu um revés quando este deixou a banda indo trabalhar com Tommy Dorsey em 1939, mas Bill Moore Jr assumiu os arranjos e em 1941 com o ingresso do trompetista Snooky Young e arranjos de Gerald Wilson e depois Tadd Dameron mantiveram o pique da orquestra.
Em 1942 começaram a surgir os primeiros problemas internos devido à má situação financeira que levou Lunceford a começar a pagar menos aos integrantes da banda, principalmente em relação a outras bandas de sucesso. Em maio de 1942 alguns integrantes deixaram Lunceford como o sax-alto Willie Smith, contudo a orquestra se manteve sob os antigos louros até 1947 quando subitamente Jimmie Lunceford sofre um colapso e falece justamente após uma apresentação no Oregon quando dava alguns autógrafos e se sentiu mal. Rumores surgiram inclusive através do magazine Down Beat de que Lunceford teria sido envenenado por um dono de restaurante que tinha sérios problemas de racismo, porém nunca foi apurado. O certo é que o grupo musical ficara acéfalo de seu grande líder. O pianista e arranjador Ed Wilcox e o saxofonista Joe Thomas tentaram manter a orquestra, mas em 1949 foi dissolvida.
Anunciada como a "perfeita banda swing" se destacava como diferente das demais consagradas bandas das décadas de 30 e 40. O grupo era menos notado por seus solistas e mais pelos trabalhos em ensemble. Além do mais, a maioria das bandas desse período empregavam a rítmica de 4 beats enquanto a Lunceford Orchestra desenvolvia um swing distinto com acentuação em apenas 2 beats, nos tempos fracos freqüentemente em tempo médio e com isso "saltitava" mais que as outras possuídoras de um swing mais linear, o que chegou a ser designado como "tempo Lunceford". Apesar de multi instrumentista Lunceford raramente executava seu instrumento favorito que era o saxofone-alto, atuando mais como bandleader, tendo influenciado vários outros como Tommy Dorsey, Sonny Dunham, Glenn Miller e Sonny Burke.
Podemos ouvir um de seus maiores sucessos que ilustra bem o trabalho de Lunceford e seu grupo:
RHYTHM IS OUR BUSINESS – (Jimmie Lunceford, Sammy Cahn, Saul Chaplin) – Jimmie Lunceford (líder) – Eddie Tompkins, Sy Oliver, Tommy Stevenson (tp), Henry Wells, Russel Bowles (tb), Willie Smith (sax-alto, cl), Joe Thomas (sax-tenor, cl), Earl Carruthers (sax-barítono), Edwin Wilcox (pi), Al Norris (gt), Moses Allen (bx) e James Crawford (bat) – arranjo de Edwin Wilcox e vocal por Willie Smith.
Gravação original: Decca 369 - take 2 - 18/dez/1934 – New York
Fonte: – Jazz In The Charts (CD Series) - Vol. 20 – 1935 – Selo: Document – 223719 – USA - 2006

JAZZ FESTIVAL 2007

30 julho 2007

Chega em sua quinta edição o Jazz Festival aqui no Rio de Janeiro nos dias 13, 14 e 15 de agosto no Teatro Sesc Ginástico.
E este ano um dos destaques da programação é a Duke Ellington Orchestra, hoje liderada pelo neto do Duke, Paul Ellington, em sua primeira apresentação do grupo no Brasil.
Outra atração que merece atenção é o Swing Time and the Tap Dancers, cuja pianista é Judy Carmichael, considerada a rainha do Stride, antigo estilo de tocar piano criado no Harlem no anos 20 e 30. E a Swing Time apresenta-se com a dupla de sapateado Tap Dancers em um espetáculo ao vivo de jazz com dança.
Ao todo são cinco atrações, passando por oito cidades brasileiras iniciando dia 7 em Brasília passando por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Aracaju, Belém e Tiradentes.

As atrações :

A Duke Ellington Orchestra hoje é liderada por Paul Ellington, neto de Duke Ellington, e vem se apresentar com uma orquestra composta por 16 músicos que vão interpretar os clássicos do jazz imortalizados por Ellington. Duke Ellinton criou mais de 2 mil composições e foi responsável por várias inovações no jazz, tais como o uso jungle-style, o growl and plunger e a manipulação da voz humana como instrumento, cantando notas sem palavras. O pianista esteve ativo como intérprete e compositor de sua banda até a sua morte em maio de 1974. Após a sua morte, seu único filho, Mercer Ellington, trompetista e gerente da banda, tomou a liderança da orquestra. Quando Mercer faleceu, o neto de Duke, Paul Ellington, passou a comandar o conjunto.

Da Argentina a Portenha Jazz Band, reconhecida nos anos 60 como um dos grupos de jazz mais importantes da América do Sul entre as big bands que recriavam o estilo de Duke Ellington, Fletcher Henderson e Count Basie.

Da França, Irakli and the Louis Ambassadors faz um tributo ao trompetista Louis Armstrong. Davrichewy é um dos raros trompetistas que perpetua e recria a música do mestre e estará acompanhado pelo grupo The Louis Ambassadors, formado por Guy Bonne clarinete, Jean-Claude Onesta trombone, Jacques Schneck piano, Philippe Pletan contrabaixo e Sylvain Glevarec bateria.

Da Austrália, o trombonista Dan Barnett vai se apresentar com a All Stars Jazz Band, conjunto que reúne o tradicional jazz dos anos 1920 e o swing dos anos 30 acrescentando seu estilo próprio. A banda será formada por Marcelo Costa trompete e voz, Nik Payton sax, Danilo Abreu piano, Lúcio Gomes contrabaixo e Bo Hilbert bateria.

Swing Time é uma banda americana formada por músicos de consolidada carreira internacional e amigos da pianista Judy Carmichael. Eles vêm acompanhados dos dançarinos Melissa Giattino e Richard Schwartz, do Tap Dancers, que e vão apresentar um espetáculo de sapateado. A Swing Time é formada por Judy Carmichael ao piano, Ed Ornowski bateria, Jon-Erik Kellso trompete e Michael Hashim sax.

A intenção é recordar o autêntico jazz e seus ícones através do talento de músicos contemporâneos, explica Leonardo Soltz, da Soltz Eventos, produtor geral do Jazz Festival e que conta com apoio das leis de Incentivo à Cultura Federal e Estadual de Minas Gerais, além das empresas Oi, Gasmig, Usiminas, Cosipa, Companhia Vale do Rio Doce, Banco BRB, Banco BMG e da Confederação Nacional do Transporte.

A programação no Rio de Janeiro :

dia 13/08 -
Dan Barnett and the All Stars Jazz Band (Austrália/BRA) Swing Time and the Tap Dancers(EUA)

dia 14/08 -
Porteña Jazz Band (ARG)
Irakli and the Louis Ambassadors(FRA)

dia 15/08 -
Duke Ellington Orchestra (EUA)

O local : Teatro Sesc Ginástico
Av. Graça Aranha 187, Centro
O horário: 19:30hs
O preço: R$ 25,00

Nas demais localidades :

em Brasília, dias 7, 8 e 9 de agosto no Teatro Nacional;
em Belo Horizonte, dias 9, 10 e 11 no Palácio das Artes;
em São Paulo, dias 8 e 9 no Bourbon Street Jazz Club;
em Recife, dias 16, 17 e 18 no Teatro de Santa Isabel;
em Aracaju, dias 17, 18 e 19 no Teatro Tobias Barreto;
em Belém, dias 22 e 23 no Estação Gasômetro;
em Tiradentes, dias 18 e 25 durante o X Festival Internacional de Cultura e Gastronomia.

JAZZ MEETS CLASSICS

29 julho 2007

Os universos paralelos dos vários estilos musicais, são de difícil comparação, em relação a música clássica e o jazz a coisa fica mais fácil - sem comparar a bossa nova e a música cubana. Entendo que são coisas distintas, mas muitos compositores gostam de combinar os dois ingredientes e os resultados são surpreendentes. Lalo Schifrin tem experiencia nas duas formas musicais, tocou com Dizzy Gilespie e conduziu orquestras sinfônicas por 50 anos. O CJUB produziu um concerto com músicas clássicas tocadas pelo pianista Luiz Avellar, com o improviso do jazz. Teve tudo a ver.
Não são poucos concertos do tipo "Jazz Meets Classics" pelo mundo, onde grupos de jazz dividem o palco com orquestras sinfônicas.
Qual músico não entrou para uma escola e para dominar seu instrumento não começou pela música clássica. Até os exercícios diários para os jazzistas são obras clássicas. No exemplo abaixo, filmado em casa, podemos ver um desses estudos, enquanto a empregada arruma a sala.

S A N D I

27 julho 2007

Uma expressiva interpretação da cantora Sandi com a Bill Holman Orchestra, cantando "I'll Never Stop Loving You", com o solo do sax tenor Pete Christlieb e "Everything I Have Is Yours", durante a gravação do CD Strollin', de seu marido Charlie Shoemake, vibrafonista, em 1991.
A produção do vídeo foi feita por Stan Levy, o antigo baterista de Shoemake, que virou diretor e produtor de vídeos.
Holman é a eminencia parda dos arranjadores modernos, com uma banda magnífica, que o faz provar sua competencia. Lembrando ainda que a banda de Holman inclui estrelas como Lanny Morgan, Jeff Hamilton, Andy Martin, Bob Enevoldsen, Bob Summers e Carl Saunders.


DO OUTRO LADO DO JAZZ # 21

25 julho 2007





DE CORPO E ALMA




Não era freqüente que uma gravação de música de Jazz se tornasse um grande sucesso comercial, acho que é válido até os dias de hoje. Algumas notórias excessões ocorreram como o caso de Body and Soul interpretada por Coleman Hawkins em gravação de 11 de outubro de 1939 no estúdio da Victor em New York. Era uma balada até bastante banal ou mesmo comercial como se diz, apesar de 4 compositores tê-la assinado: Edward Heyman, Robert Sour, Frank Eyton e Johnny Green.
Hawkins participava de uma gravação e ao final executou a canção sem maiores pretenções, apenas para completar a sessão. Editado o disco pelo selo Bluebird subsidiário da RCA, Body and Soul aconteceu no momento certo para as pessoas certas e a execução tornou-se um enorme sucesso.
Surpreendeu o próprio Hawkins que estranhou e chegou a comentar: ― “Não sei o que viram nesta peça, é uma balada e faço isto há anos centenas de vêzes!”
Em 1958 o crítico e produtor Leonard Feather calculava que Hawkins teria executado pelo menos umas 6.600 vêzes Body and Soul nos 6.800 dias passados desde a data da gravação.
O disco fonográfico exerceu uma espécie de ditadura sobre o mundo do Jazz. O sucesso imprevisto que uma gravação podia proporcionar tinha às vêzes consequências inesperadas para o músico. Uma delas é que teria de repetir aquela execução infindáveis vêzes, dia após dia, show após show, e não podia variar muito, ou mesmo nada, pois o público ali estava esperando para ouvir aquele mesmo solo do disco, ao vivo. Hawkins nos primeiros anos repetia praticamente sua interpretação original nota a nota, mas depois de 20 anos já liberto executava a balada de forma diferente e muito mais charmosa.




VOANDO à CASA


Outra passagem “estórica” se deu com o saxofonista Illinois Jacquet ao gravar com a banda de Lionel Hampton em 1941. Hampton chamou Jacquet para executar um solo em Flying Home e este meio tímido e talvez inseguro em seus 19 aninhos, disse que não deveria fazer e sim Dexter Gordon mais antigo e experiente na banda. Dexter chegou a ponderar ― "vá lá Jacquet foi a você que ele chamou". Ficou aquele jogo de empurra e Lionel acabando com o assunto disse duro: ― “rapaz, eu disse que você vai fazer o solo e pronto, desça já daí”.
Jacquet de palhaçada trepou em uma cadeira e fez o solo, só que totalmente fora de seu estilo habitual, retomando uma passagem do famoso saxofonista Lester Young usada em Texas Shuffle com Basie.
Flying Home foi um dos maiores sucessos da banda de Hampton e Illinois Jacquet ficou conhecido e conseqüentemente deveria ser reconhecido e exigido em todas suas atuações pelo solo que fizera. Assim, teve que adaptar seu estilo para uma forma menos sutil que a anterior, porém até certo ponto mais excitante, mais vibrante o que manteve em toda sua carreira.

Ouçamos, primeiro um pequeno trecho da gravação original de Body and Soul de 1939 e outro cerca de 20 anos após. Em seguida os compassos solos de Lester em Texas Shuffle que inspiraram Illinois em seu primeiro solo e o dito solo em Flying Home de 1941 na banda de Lionel Hampton.

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 43

20 julho 2007

Clube dos Saúvas -“Mister Jones”

Seu nome era Raymundo Flores da Cunha e o apelido de Mr. Jones ele já trazia desde os tempos áureos da Rádio Nacional quando integrava o conjunto vocal “Os Trovadores”. Nos conhecemos no inicio da década de cinqüenta,
época em que éramos assíduos freqüentadores das Lojas Murray e dos sebos do Rio de Janeiro, sempre caçando as bolachas de Jazz.
Quando fundamos o Clube dos Saúvas, cuja séde era em sua casa, na Rua Nóbrega, passamos a nos conhecer melhor e verifiquei que a veia artística do Mister tinha vasta extensão. Tocava contrabaixo (de ouvido) e atuou com a Orquestra de Romeu Silva, inclusive numa festa junina no Grupo de Regatas
Gragoatá na qual estive presente. Era compositor e de vez em quando mostrava, acompanhando-se ao violão, algumas de suas peças. Lembro-me bem de duas, “Cidade do Interior” e “Icaraí”, que terminava com o verso:

“Não tens palmeiras frondosas
como lá no Hawai,
mas tens morenas formosas,
Praia de Icaraí

Era um excelente pintor e até teve quadros seus incluídos em exposições na Europa . No Jazz gostava de tudo, desde os primórdios até as manifestações mais modernas da época. Ia de Bix a Shorty Rogers com a maior facilidade, e fazia questão de chamar a atenção dos amigos para os mínimos detalhes de cada gravação . Apaixonado por “som”, fazia verdadeiras estripulias para ter uma máquina azeitada, que pudesse superar a de seu grande amigo e rival Danilo Lemos, sobre o qual já falamos em história anterior. Achava que o ideal era ter acoplados três amplificadores, um para o registro baixo, outro para o médio e outro para os agudos, o que acabou fazendo. Certa ocasião mandou fazer uma caixa de som de incrível tamanho, a ponto de Danilo apelidá-la de sarcófago .
Gostava de excentricidades e certa vez em uma de nossas reuniões resolveu mostrar a última novidade que havia adquirido. Um Lp que era o máximo em alta fidelidade. Colocou o disco na “máquina” e pediu a atenção dos presentes para o que iam ouvir. Ao invés de música, pareceu entrar pela sua pequena sala uma locomotiva. E ele entusiasmado explicava : A próxima faixa mostra a locomotiva em manobras para engatar nos vagões. E seguia: agora uma curva em aclive e a lenta aceleração . E seguia : agora dois trens se cruzando perto da estação. Começaram os protestos, afinal de contas estávamos em um clube de Jazz e não na Central do Brasil. Não gostou dos comentários, tirou a Lp da máquina,guardou carinhosamente na capa e comentou :”Vocês não entenderam. O que quis mostrar foi o crescimento da fidelidade do som. Foram captados todos os ruídos possíveis, é um avanço considerável.
Era um voraz consumidor de discos e disso tive prova quando certa vez ao entrarmos no sebo do Babo (Rua do Carmo,3), fomos surpreendidos com uma mesa de celotex abarrotada de Lp’s de dez polegadas. Exemplares da Prestige e da Savoy eram maioria e Mr. Jones não se fez de rogado. Abraçou as pilhas de discos e decretou : “Esses são meus”. Em seguida foi para traz do balcão cochichar com o Babo e logo saímos sem ele levar nada. Lembro que comprei um Lee Konitz e ele saiu de mãos vazias. Dias depois nos encontramos nas Lojas Murray e quando perguntei pelos discos do Babo ele me confessou : “Lulol” (assim ele me chamava), não comenta com ninguém mas fui buscar os discos no dia seguinte porque para pagá-los tive que empenhar as jóias da patroa.
E teve mais. Nessa época Estevão Herman ,de vez em quando, vendia discos para a turma. Uma ocasião foi em Niterói, na própria casa de Mr. Jones e em outra foi em pleno Restaurante Westfalia . Combinamos o horário de dezessete horas e fui inclusive com Estevão buscar os discos em seu carro,se não me engano um Citroen, que estava no antigo estacionamento frente ao Ministério da Fazenda. Chegando no restaurante os atletas das Lojas Murray já esperavam ansiosos e cada um escolheu o que queria do lote apresentado.
Mr. Jones trabalhava na Caixa Econômica e cumpria horário até as dezoito horas. Assim, ao chegar na Westfalia viu que o “mercado já havia fechado” e ficou desesperado. Reclamou por não o terem esperado. Achou uma desconsideração e de cara amarrada pediu humildemente aos compradores que mostrassem as “matérias” adquiridas. E cada disco que examinava exclamava : “Esse eu levava”.
Gostava de fazer música, tirar um som, como se dizia na época. Comprou um pequeno xilofone e pedia que eu o tacasse para me acompanhar ao violão. Quando um amigo levou um órgão portátil a sua casa , assumiu o xilofone e pediu que eu o acompanhasse . A qualidade era nenhuma mas a gente se divertia muito.
Foi a um baile de carnaval no Gragoatá fantasiado de múmia. Deu azar,levou um tombo e luxou o tornozelo . Os remédios tradicionais não fizeram efeito e um médico determinou infiltrações de cortisona. Tal providência resultou em necróse dos tecidos e lamentavelmente Mr. Jones teve que amputar o pé. Foi quando o irreverente Danilo ao visitá-lo não perdoou :
“Mr. Jones,você agora não está mais em stéreo, você agora é mono.”
Seu desejo era ser sepultado ao som de “I’m coming Virginia” na gravação de Bix Beiderbecke , o que ocorreu conforme contei em história anterior.
Quis aqui recordar e homenagear uma grande amizade , uma pessoa de excelente caráter de ótima formação e que deixou muitas saudades: Raymundo Flores da Cunha.

Reunião na casa de Mr. Jones. Ele assume o xilofone e nós tentamos acompanhá-lo no mini órgão.

COLUNA DO LOC



Em destaque, San Francisco Jazz Collective.

JB, Caderno B, 20 de julho de 2007.

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T R A N E

18 julho 2007

Sonny Rollins e John Coltrane compartilharam com Miles Davis seu background, mas seus improvisos eram independentes um do outro, ramos distintos de uma fonte comum, o saxofone de Charlie Parker.
O mini documentário "Like Sonny", editado pelo jornalista Bret Primack, explora o relacionamento entre Sonny Rollins e John Coltrane. Rollins valoriza a importância de Coltrane e há imagens de Jimmy Heath e Paul Jeffrey. Note que a presença de Coltrane na música, quatro décadas após sua morte, continua tão poderosa quanto a do seu velho amigo.

LUIZ ECA & BILL EVANS

Ouvi dizer que coisas boas e raras, devem ser divididas com os amigos...

Confesso que assim que vi nosso amigo Zecalouro do loronix (www.loronix.blogspot.com) postar musicas tocadas durante uma noite no Chico's Bar por Luiz Eca & Bill Evans, lembrei que deveria avisar os amigos Cjubianos...

Bem, e isto ai...

Forte abraco a todos.

Estou correndo para ouvir...Parece que Leny Andrade deu canja.

Beto Kessel

BUZIOS JAZZ & BLUES

16 julho 2007

Saiu a programação do Buzios Jazz & Blues Festival.
Em sua décima edição, o festival acontece entre os dias 25 e 28 de julho em Búzios, na Região dos Lagos, Rio de Janeiro.
Como sempre, shows para todas as tribos, e desta vez serão somente no palco creperia Chez Michou, gratuitos, e no Bar Pátio Havana.
E para comemorar os 10 anos do festival haverá um show de comemoração e abertura no sábado, dia 21, no Pátio Havana com show da cantora Taryn Szpilman.

E esse ano os destaques ficam por conta de Idriss Boudrioua, Charlie Hunter, Leo Gandelman, João Donato e a baterista Cindy Blackman.
Sobre Idriss nem precisa dizer muito, acabou de lançar seu excelente CD Base & Brass e deve promovê-lo durante o festival. E como Leo Gandelman vai estar na área, quem sabe não rola uma super canja de barítono como fez no lançamento de seu disco na Modern Sound.
Um destaque a parte para Charlie Hunter, seu estilo muito particular começa por seu instrumento de 8 cordas onde ele executa as linhas de baixo e guitarra explorando improvisos sobre acordes e muito walking bass. Curioso! Charlie Hunter terá a companhia do sax de Leo Gandelman, a percussão de Armando Marcal e a bateria de Allen Pontes .

Cindy Blackman
é baterista que atua na linha mais fusion, mesclando o funk e o rock e tem respaldo pois já atuou com Joe Henderson, Pharaoh Sanders, Sam Rivers, Cassandra Wilson, entre outros. Espero que surpreenda assim como Terry Lyne Carrington fez acompanhando Hancock ano passado.

E a Big Band curitibana Big Time Orchestra que promete muita festa atacando em todas as frentes, formada por 3 sax (alto, tenor, barítono), 2 trompetes, 2 trombones, guitarra, baixo, bateria e vocal.
Na seara do Blues, Phil Guy, o irmão do Buddy, Blues Etílicos e Celso Blues Boy.

A programação :
No Pátio Havana -
dia 21, Taryn Szpilman; dia 25, Idriss Boudrioua; dia 26, phil guy e cleso
dia 27, Joao Donato ; dia 28, Big Time Orchestra.
Na Creperia Chez Michou -
dia 25, Blues Etilicos; dia 26, Celso Blues Boy;
dia 27, Charlie Hunter e Leo Gandelman; dia 28, Cindy Blackman

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 20



O JAZZ VAI À GUERRA (final) - TEMAS DA GUERRA

Apesar dos horrores de qualquer tipo de guerra nunca se produziu tanta música temática nos EUA quanto na 2ª Guerra Mundial, talvez tentando aplacar suas desditas e cruezas. Os temas compostos procuravam exaltar tanto a cidadania quanto os feitos e efeitos dos combates até mesmo de uma forma humorística. Quanto mais as forças norte-americanas e os aliados íam vencendo batalhas e progredindo para o fim da guerra, mais e mais temas surgiam no cancioneiro, principalmente americano.
O Jazz também se tornou parte da guerra lado a lado com os combatentes. Sendo produto de raízes afro-americanas foi banido pelo nazismo como "arte sub-humana", mesmo assim a música permaneceu viva na Europa ocupada. Quando os alemães proibiam alguma música americana em Paris os músicos mudavam o título para o francês e de um modo geral deixavam de perturbar. Os próprios alemães, não nazistas convictos, se reuniam despistando a Gestapo para ouvir discos de música norte-americana e muito jazz, inclusive sintonizando as Armed Forces Radio Service e BBC Radio Service. A pianista Jutta Hipp (1925-2003), apesar de sua origem alemã, mas vivendo na Inglaterra explica o quanto a música era importante — " Você não será capaz de entender se não nasceu na América, mas para nós músicos o jazz é uma espécie de religião. Nós realmente tínhamos que lutar por ele e lembro de noites quando íamos para os abrigos de bombas e escutávamos os discos de jazz enquanto as bombas caíam em volta de nós e nos sentíamos muito seguros"
Os músicos de jazz e blues, obviamente também grandes patriotas, participaram ativamente desta atividade "parabélica" e, além das atuações nas gravações dos V-discs e nas bandas militares, produziram uma série de composições e gravações jazzísticas abordando temas relacionados às guerras em curso, tanto do lado da Europa quanto do lado do Pacífico, bem como estendendo-se à guerra na Coréia entre 1950-53 nas quais os EUA se encontraram enganjados.
Alguns dos temas de guerra com seus interprétes no período de 1941 a 1956:
War Time Blues (Sonny Boy Williamson); Atomic Boogie (Pete Johnson); Atomic Cocktail (Slim Gaillard Quartet); Atom and Evil (The Golden Gate Quartet); Hiroshima (instrumental) (Albert Ammons); Up An Atom (instrumental) (Gene Krupa & His Orchestra); Victory Is Our War Chant! (A.Tsfasman Orchestra); Stop The War and The Cats Are Killing Themselves (Wingie Manone); Gone With The Draft (King Cole Trio); Atomic Bomb Blues (Muddy Waters); Old Man Atom (Sam Hinton); Atomic Sermon (Billy Hughes and the Rhythm Buckaroos); 50 Megatons (Sonny Russell); Pearl Harbor Blues (Count Basie); Draftin’ Blues (Benny Goodman); Rosie the Riveter (Josh White); Uncle Sam Says (Art Tatum); Blitzkrieg Bacom God Bless America (Kate Smith); Somebody Else Is Taking My Place (Louis Jordan); Defense Factory Blues (Allen Miller); Ration Blues (Josh White); The Battle of Britain (Sanford Hertz); Blitzkrieg (Dean Hudson and his Orchestra); Atomic Love (Red Callender Sextet); There'll Always Be An England (Guy Lombardo and His Royal Canadians); Till The Lights of London Shine Again (Eddie Allen); Atomic Did It (Maylon Clark Sextet); My Guy’s Come Back (Benny Goodman); You're In The Army Now (Abe Lyman and his Californians); In The Army Now (Big Bill Broonzy); Atomic Telephone (The Spirit of Memphis Quartet); He's 1-A In The Army And He's A-1 In My Heart (Les Brown and Betty Bonney); Gone With What Draft (instrumental) (Benny Goodman Sextet com Count Basie); Defense Factory Blues (Josh White); What's Your Number (instrumental) (Count Basie and Orchestra) e muitos e muitos outros...
Podemos ouvir o tema Blitzkrieg Baby You Can't Bomb Me (Fred & Doris Fisher) com Una Mae Carlisle - Gravado a 10/março/1941

Blitzkrieg baby, you can't bomb me
'Cause I'm pleading neutrality
Got my gun, now can't you see
Blitzkrieg baby, you can't bomb me
Blitzkrieg baby, you look so cute
All dressed up in your parachute
Let that propaganda be
Blitzkrieg baby, you can't bomb me
I'll give you warnin', 'cause I'm afraid I'll have to raid
So take my warnin', or else you'll get this hand grenade
(Chorus 2)
Blitzkrieg baby, you can't bomb me
Better save up your TNT
I don't want no infantry
Blitzkrieg baby, you can't bomb me

MUSEU DE CERA # 24 - DJANGO REINHARDT

15 julho 2007

Django Reinhardt emocionou e influenciou várias gerações de guitarristas com suas formidáveis atuações. Nascido a 24/janeiro/1910 em Liberchies na Bélgica, ao ar livre em meio a um agrupamento cigano recebeu o nome de Jean Baptiste Reinhardt. Aos 8 anos de idade a tribo de sua mãe, os Manouches de origem francesa, localizava-se nos arredores de Paris mais precisamente na Porte de Choisy à margem direita do Rio Sena.
Aos 12 anos ganha um banjo de uma pessoa que se interessou por ele ao reconhecer seu gosto e talento para música. De imediato surpreende a todos com sua desenvoltura de autodidata e logo inicia carreira tocando na rua com o acordeonista Guerino e depois no dance hall situado na Rue Monge. Seu sucesso foi progredindo e passou a ser convidado por inúmeros grupos locais e a esta altura executando somente a guitarra. Faz seu primeiro registro em disco com Jean Vaissade também ao acordeon para a Ideal Company aparecendo seu nome no selo como "Jiango Renard".
Django cresceu em meio às contradições por estar perto e freqüentando uma grande e moderna cidade e ao mesmo tempo viver em um grupo nômade de ciganos em extrema pobreza, convivendo por alí até aos 20 anos em que jamais dormiu em um quarto. Em 2/nov/1928 já casado e após uma apresentação no clube La Java ao chegar ao carroção em que dormia, sua esposa Sophie que costumava vender no mercado buquês de flores feitas de papel celofane, os coloca próximos ao lampião e de repente tudo se incendeia. Django tenta apagar o fogo, porém sofre sérias queimaduras na perna e mão esquerda. Inicialmente os médicos queriam amputar a perna, mas Django lutou muito para que isto não ocorresse ficando em tratamento em uma enfermaria por 18 meses, tempo este em que desenvolveu uma técnica toda especial para poder voltar a tocar, uma vez que os dedos mínimo e médio ficaram mutilados, grudados na palma da mão. Três anos mais se passam até Django conseguir se recuperar o suficiente para voltar a tocar e desta época em diante resolveu mudar seu nome artístico para Django Reinhardt.
Conheceu o jazz ao ouvir muitos discos de Eddie Lang, Joe Venuti, Louis Armstrong e Duke Ellington dos quais incorporou a essência do gênero desenvolvendo seu talento nato de improvisador, entretanto seu gênio criativo não se ateve somente à improvisação, mas também de compositor com várias peças de lindas e sofisticadas melodias e estruturas harmônicas — ressantando-se — sem jamais escrever ou ler uma só linha de pauta musical.
Uma associação criada em dezembro de 1932 na França por estudantes e entusiastas com a finalidade de promover a música de Jazz, tendo o crítico e pesquisador Charles Delaunay aderido ao grupo em 1933 que já contava com outra grande personalidade da crítica Hugues Panassié, multiplicou suas atividades além de promover concertos, fundando um quinteto de cordas com o mesmo título HOT CLUB DE FRANCE. Django atuava em uma banda de 14 músicos liderada por Stéphane Grappelli no Hotel Cambridge contando ainda com Roger Chaput (guitarra), Louis Vola (baixo) e Joseph guitarrista e irmão de Django que se reuniram formando assim o mais destacado conjunto de jazz europeu o Quinteto Hot Club de France. Uma pequena companhia fonográfica Ultraphone fez os primeiros registros do grupo com títulos como: Dinah, Tiger Rag, Oh Lady be Good e I Saw Stars.
Em 1939 a guerra separou, Grappelli na Inglaterra e Django em Paris, contudo continuou a atuar com o clarinetista Hubert Rostaing em lugar de Grappelli, aliás a atuação do clube e de seus membros durante a ocupação alemã foi fantástica conseguindo promover o Jazz mesmo tendo sido proscrito pela "cultura" nazista. Após a guerra juntaram-se novamente fazendo inúmeras gravações, seguindo para os EUA para uma turnê, abrindo shows para Duke Ellington e tocando inclusive no Carnegie Hall. Retornando da América Django seguiu sua carreira até 1951 quando se retirou do cenário musical isolando-se em uma pequena vila Samois sur Seine e a 16/maio/1953 sofreu um derrame cerebral vindo a falecer. Sua música permanece vigorosa e excitante até os dias atuais, tendo deixado um enorme legado aos guitarristas de gerações futuras.
Toda a genial musicalidade de Django Reinhardt e sua inusitada técnica pode ser ouvida em uma de suas primeiras gravações:
DINAH (Henry Akst, Sam Lewis, Joe Young) - Quinteto Hot Club de France - Django Reinhardt (guitarra solo), Stéphane Grappelli (violino), Roger Chaput e Joseph Reinhardt (guitarras) e Louis Vola (baixo).
Gravação original: dez/ 1934 - Ultraphone AP – 1422
Fonte: CD - Django Reinhardt - Djangology Vol.1 1934-35 - Naxos Jazz Legends 8120515 – 2001 - EUA

Quintette Hot Club of France – 1934 - da esquerda para direita: Stéphane Grappelli, Roger Chaput, Louis Vola, Django Reinhardt, Bert Marshall, Joseph Reinhardt. Marshall realizava alguns vocais com o grupo.


FESTIVAL DE BOSSA NOVA NA LAGOA - QUIOSQUE DRINK

14 julho 2007

Num ano que se aproxima do cinquentenario da Bossa Nova, mais uma vez teremos uma sequencia de shows de Bossa Nova num dos mais agradaveis locais de shows desta cidade maravilhosa, que e o quiosque Drink na lagoa Rodrigo de Freitas, ao lado do Parque dos Patins.

Entao vamos ao que interessa

III Festival de Bossa Nova - SAMBA JAZZ TRIO convida MAURÍCIO EINHORN
Bossa Nova
Dia: 19 de julho
Horário - 20h
Ingresso: R$ 12,00

III Festival de Bossa Nova - VITOR BIGLIONE \"Tributo à Tom Jobim\"
Bossa Nova
Dia: 20 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - MARCOS ARIEL toca Tom Jobim
Bossa Nova
Dia: 21 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - PAULINHO TROMPETE (Homenagem à Durval Ferreira)
Bossa Nova
Dia: 22 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - PERY RIBEIRO
Bossa Nova
Dia: 26 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - RICARDO LEÃO e KIKA TRISTÃO
Bossa Nova
Dia: 27 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - KIKO CONTINENTINO Quarteto convidam MARCOS VALLE
Bossa Nova
Dia: 28 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

III Festival de Bossa Nova - NIVALDO ORNELLAS
Bossa Nova
Dia: 29 de julho
Horário - 21h
Ingresso: R$12,00

O recado esta dado...

Todos la ouvindo prestigiando nossos musicos...

Beto Kessel

R E F L E X Õ E S

13 julho 2007

Existe uma doença se alastrando que é muito contagiosa para que vão a concertos. Essa doença ainda não tem um nome, mas vamos chama-la de SEA (Sindrome de Excesso de Aplausos).
Os que sofrem dessa doença se levantam e aplaudem, mesmo que a performance não tenha sido boa o bastante para merecer tal entusiasmo. Em casos extremos eles soltam gritinhos estridentes.

Quanto maior o número de pagantes, mais suceptiveis são a SEA, porque os efusivos aplausos são a confirmação de que seu dinheiro foi bem gasto. Mesmo aqueles que compraram ingressos em lugares mais baratos ficam contagiados pelos seus vizinhos. O impulso para levantar-se e ovacionar pode ser irresistivel, se todos em volta estão fazendo isto.

A SEA não tem cura, mas a consciência é a chave para o tratamento.

Como nós frequentamos concertos, devemos nos perguntar: Esta performance foi assim tão excepcional que merecia uma resposta especial? Foi um evento tão fantástico que no qual apenas aplausos não seria o bastante?

Em raras ocasiões - a palavra chave é "rara" - ovações são inteiramente apropriadas.

Para os concertos de jazz, que por vezes temos o prazer de ver coisas realmente muito boas, a platéia deveria abandonar a mania de aplaudir após cada solo e se concentrar mais na música, um ato de consciência. Vale mais isso do que explosões de aplausos.

Bill Kirchner, um competente saxofonista, resolveu fazer uma experiencia no concerto de jazz, que ele e sua banda dariam em Nova York.

Ele incluiu no programa do espetáculo a seguinte nota:

A maioria de nós, ouvintes de jazz, aprendemos logo que é considerado "boas maneiras" aplaudir ao final de cada solo - bom, ruim ou indiferente. Existem até livros de jazz para crianças, que dizem que deve se aplaudir após cada solo, senão os músicos ficarão ofendidos.

Esse costume não tem finalidade alguma, a não ser interferir com a real audição da música, especialmente com o início de cada solo. Se você quiser perceber a intenção de um músico de jazz, escute como ele inicia a melodia ou um improviso.

Então, para esta noite, nós gostariamos de livrar a audiência, dos apupos aplauditórios para os solos. No final de cada seleção, se tivermos feito algo que o tenha realmente contagiado, nós, claramente, esperamos que você responda entusiasticamente.

Se este novo conceito de "etiqueta jazzistica" permitir que você possa ouvir melhor a música, por favor, conte para os seus amigos. Quem sabe, juntos, podemos começar um novo movimento.

Após o concerto Bill reportou-se:

O concerto correu muito bem - a casa cheia e entusiasmada, os músicos foram grandiosos.

Apesar das minhas notas no programa, as pessoas bateram palmas para cada solo, o que talvez indique que: 1) algumas pessoas não lêem programas com cuidado e/ou 2) o hábito de aplaudir após cada solo está tão entranhado nos audiófilos de jazz, que é um ato automático.

Mas se a audiência gostou da música e confirma, eu mal posso reclamar disso.

O que me levou a escrever esse texto aconteceu quando eu ouvia um dos CDs gravado durante um dos concertos do CJUB, aliás um concerto maravilhoso, é claro. Mas enquanto ouvia a música percebi uma excitação da platéia, que culminava em demasiados aplausos após cada solo, comentários verbais e até apupos variados, que acabavam por vazar sobre a música. Com certeza eu era um deles.

JACOB GERSHOWITZ

12 julho 2007


É preciso ter muito pouca sensibilidade musical para não incluir George Gershwin como no mínimo um dos cinco maiores compositores norte-americanos de todos os tempos, levando-se em conta que morreu apenas aos 38 anos de idade, apesar de sua fantástica obra, sempre explorada pelos jazzistas. Aliás, ele e Rodgers são os meus preferidos, pelo mesmo motivo. Gershwin nasceu Jacob Gershowitz no Brooklin, 1898, 26 de setembro. Ontem, 11 de julho, 70 anos de sua morte, por tumor no cérebro, em Hollywood. Para quem não teve oportunidade de ouvi-lo ao piano, que ele adorava tocar, aí vai uma gravação de “That Certain Feeling”, remasterizada.
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PS. Quando fiz um programa homenageando Gershwin, foi ao mesmo tempo fácil e difícil. Fácil pela quantidade de versões de sua obra por jazzistas. Difícil foi escolher as melhores para um curto espaço de tempo.


01 george gershwin...

BLINDFOLD TEST

11 julho 2007


Sei que vai ser mole. Afinal, a tropa de choque do CJUB não é de brincadeira. Mas por se tratar de um álbum até certo ponto raro, principalmente remasterizado em CD, vale o “contest”.

1. De quem é o álbum?
2. Come se chama o tema e seu autor?
3. Quem é o contrabaixista?
4. O baterista?
5. O arranjador?
6. O pianista e tecladista?
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PS. No máximo 1 hora para o acertador. Razoável, não?


01 Faixa.mp3

09 julho 2007

SUPERSAX

Há dezenove anos atrás, o Supersax tocava no North Sea Jazz Festival, na Holanda. A banda, organizada por Med Flory, era devotada na transcrição e harmonização dos solos de Charlie Parker para o saxofone. Eles tocavam com precisão e sentimento, dando as invenções de Bird um senso de uma improvisação expontânea. Frequentemente um trompetista era convidado para criar novos solos e dar contraste ao grupo. Conte Candoli participou de diversas gravações do Supersax. Nesse caso, o trompetista é Steve Hufstetter.

Os saxofonistas que aparecem na tela, da esquerda para a direita, sâo: Jay Migliori, Ray Reed, Med Flory e Lanny Morgan. Não vi o sax baritono Jack Nimitz. A cozinha fica com Lou Levy, piano; Monty Budwig, baixo; e Larance Marable, bateria.

O Supersax teve muitos imitadores, mas o original sempre foi melhor. Esta é uma rara oportunidade de vê-los tocando. A música é "Just Friends".

PRO TANDETA

Ray Brinker (1960) é um baterista texano de extrema versatilidade. Depois de um início com Maynard Ferguson, foi visto ao lado de Woody Herman, Jack Sheldon, Anita O’Day, Diana Krall, Frank Gambale, Randy Brecker, Joe Pass, Michel Legrand, Chris Walden Big Band, Mitch Forman, Christian Jacob, Carol Welsman, entre outros. Hoje ele atua em Los Angeles e praticamente não sai do estúdio. Por incrível que pareça, é mais conhecido por acompanhar, ao lado do ótimo pianista Christian Jacob e do baixista Kevin Axt (Trey Henry), a cantora Tierney Sutton – são já 14 anos. Aliás, se me colocassem hoje uma faca no pescoço perguntando qual a melhor cantora de jazz da atualidade, eu responderia exatamente a Tierney. Sem qualquer edição ou maquilagem, aí vai uma gravação ao vivo da Tierney e Brinker. Apenas os dois, voz e bateria. Fica até fácil sacar o talento da dupla, já que o tema é um standard super manjado:"Surrey With The Fringe On Top” (Rodgers/ Harmmenstein II). A faixa faz parte do CD “I'm With The Band”(2005), Tierney Sutton, que postei aqui faz tempo e antecipei que poderia ser nominado ao Grammy como melhor álbum de jazz vocal feminino. E realmente foi, mas não levou.
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PS. Já pedi pro Guzz colocar “som na caixa”. E agradeço antecipadamente.
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PS II. Caro Tandeta. Engraçado ver o Brinker tocar. Os pratos ficam quase na mesma altura da caixa. Meio estranho. Geralmente os pratos ficam mais ao alto, disposição tradicional dos bateristas. Mas o cara leva e muito bem. Mas que é estranho é.
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PS III. Tierney (New England, 1963) tem um currículo respeitável. Formada em literatura e idioma russo, estudou na Berklee e hoje ocupa a cadeira de jazz vocal na Universidade Southern Califórnia, com workshops e clínicas além das fronteiras americanas. Desde 2000, quando lançou o CD Unsung Heroes, passou a ser uma das vocalistas mais comentadas não só entre os músicos mas também entre os críticos. São 7 CDs ao todo. E nenhum recebeu cotação menor do que @@@@. O último, On The Other Side (2007), foi postado aqui por mim recentemente.

Som na caixa !

JANE DUBOC E UMA PORÇÃO DE MARIAS

07 julho 2007

Depois do gostinho de quero mais da apresentação em duo de Romero Lubambo e Luciana Souza no Rio das Ostras Jazz&Blues, recebi com imensa satisfação o lançamento da Biscoito Fino do CD em duo de Jane Duboc e Arismar do Espírito Santo.
Violão e voz nos mostrando que forma e conteúdo realmente se transformam em unidade, intensamente ligados por talento e musicalidade e pela vontade de inovar mesmo que usando velhas fórmulas.
Neste CD, intitulado Uma Porção de Marias, Jane e Arismar trazem 11 regravações em homenagem às mulheres, entre elas composições de Ary Barroso, Caymmi, Vinicius de Moraes, entre outros.

E quem assistiu ao tributo a Ella Fitzgerald por Jane Duboc produzido pelo CJUB com certeza ainda não se esqueceu, e agora ela aparece em estado de absoluta inspiração ao lado do multi-instrumentista paulista Arismar do Espírito Santo.
Arismar é um músico completo, fluente no baixo – para Hermeto Pascoal foi o melhor baixista com quem tocou - e guitarra e aqui nos apresenta um violão cheio de vozes, de ritmos e de harmonias que se afinaram por completo com a voz de Jane.

Um encontro de gigantes da nossa música. Obrigatório !

Deixo a faixa Adeus América (Wilson Batista e Geraldo Jacques), em arranjo com recheio de blues.




SENTIMENTAL REASONS



Ao lado de Gary Burton, Bobby Hutcherson representa uma segunda e inovadora geração no vibrafone, pós era swing de Lionel Hampton e bebop de Milt Jackson. Os críticos dizem que a concepção mais revolucionária de Hutcherson não fez dele um vibrafonista tão popular, ao contrário de “Bags” e Hampton. Mas entre os músicos sua reputação sempre se manteve intacta. Sob novo contrato com a Kind Of Blue Records, Bobby lança o primeiro CD solo em 8 anos – só na Blue Note foram 12 anos. Explorando standards, resgata vários temas clássicos que marcaram a sua juventude.
De família musical, Hutcherson (L.A., 1941) estudou piano ainda menino. Mas não conseguiu se adaptar à formalidade imposta pela professora. O pequeno Bobby já estava ligado ao jazz. Seu irmão tinha sido colega de escola (high school) de Dexter Gordon e a irmã cantava com o “namorado” Eric Dolphy. Conhecer o som de Milt Jackson foi o início de uma segunda etapa. Em 1960 foi visto ao lado de Charles Lloyd. Seu prestígio foi aumentando a ponto de tocar com grandes nomes do jazz emergente, entre os quais Hank Mobley, Herbie Hancock, Jackie McLean, Eric Dolphy, Graham Moncur III, Andrew Hill e Archie Shepp. E assim participou de alguns álbuns antológicos, como “One Step Beyond (Jackie McLean,1963) e “Out To Lunch” (Eric Dolphy, 1964), quando ganhou um prêmio da Down Beat como novo talento merecedor de reconhecimento . Já na Blue Note, como líder, lançou “Components”(1965), para muitos um álbum clássico, marcado por uma de suas composições mais executadas, Little B’s Poem. Hutcherson há muito se dedica apenas a atuações ao vivo, longe dos estúdios. Um novo contrato com a Kind Of Blue motivou Bobby a gravar novamente, sob a produção de Richard Seidel. For Sentimental Reasons foi lançado em 19 de junho último.
Com uma formação clássica de quarteto, via Renee Rosnes, não mais uma surpreendente pianista - talvez até mais ativa do que o próprio Bobby - , Al Foster (bateria) e Dwayne Burno (baixo), Hutcherson relembra temas como Embraceable You (Gershwin), Spring Is Here (Rodgers), Somewhere (Bernstein) e What Are You Doing The Rest Of Your Life (Legrand), Jitterburg Waltz (Waller), entre outros. A abordagem é típica de Hutcherson e o CD agrada com folga os jazzófilos mais exigentes - há um tempero bem claro de sofisticação e elegância.

01. (I Love You) For Sentimental Reasons 4:56
02. Ode To Angela 6:20
03. Embraceable You 5:42
04. Along Came Betty 4:38
05. Somewhere 2:49
06. Jitterburg Waltz 6:08
07. What Are You Doing The Rest Of Your Life 5:44
08. Don’t Blame Me 4:07
09. Spring Is Here 4:28
10. I Wish I Knew 6:00
11. I’ll Be Seeing You 2:37
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Kind Of Blue (2007, 19 de junho)
Bobby Hutcherson – vibraphone
Renee Rosnes – piano
Dwayne Burno – bass
Al Foster - drums
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PS. A saber. Renee Rosnes nasceu no Canada (Regina, 1962). Desde 1985 em Nova Iorque, ela tocou com Wayne Shorter, Joe Henderson, J.J. Johnson, John Faddis, James Moody, entre outros. Tem 10 CDs gravados. Oportunamente vou postar aqui um dos melhores, Art & Soul (AMG @@@@ 1/2).

Som na caixa !

bobby hutcherson e...

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 42

06 julho 2007

No tempo do Colis Posteaux.

Essa história tem inicio em meados dos anos cinqüenta quando um jornalista aqui de Niteroi, José Torreão,que fazia a coluna social do jornal “O Estado”. foi para os Estados Unidos. Nós o conhecíamos por freqüentar sempre os mesmos lugares como o “Praia Bar” , o”Petit Paris”, clubes e casa de amigos onde esporadicamente faziam festas. Aniversários, casamentos, batizados ou simples reuniões lá estava Torreão fazendo a “varanda” para a sua coluna.
Entretanto, nunca soubemos que gostasse de Jazz . Porisso ,ao retornar dos “States”, foi uma surpresa para nós quando trouxe uma dúzia de elepês que levou em romaria na casa dos amigos para que tomassem conhecimento. Confesso que tais discos me causaram um grande impacto abrindo uma nova porta para o meu conhecimento jazzistico.
Alguns elepês de dez polegadas entre os quais “Shelly Manne and his men-volume 1”, “Chris Connor – Lullabys of Birdland “ com apresentação do produtor Bob Garrity. (A narração de Garrity só aconteceu nesse 10 polegadas), “Chet Baker Sextet”, “Daver Brubeck Quartet – Jazz at Oberlin”, “Bud Shank & three trombones” me colocaram nas nuvens. Que músicas bonita, bem feita, com arranjos sensacionais como os de Marty Paich para o disco de Shelly Manne .
Comecei a matutar como conseguiria adquirir tais discos. Nesse tempo as lojas não faziam encomenda e apenas o Jonas nas Lojas Murray importava alguma coisa quando tinha portador. Copiei os enderêços da Pacific Jazz e da Contemporary Records e com o auxílio de um amigo que me ajudou no inglês,escrevi para as gravadoras perguntando se poderia comprar seus discos pelo correio.
David Stuart (Contemporary) e Richard Bock (Pacific Jazz) não custaram a responder, informando que poderiam enviar os discos mediante pagamento por cheque em dólares. Por sorte tínhamos um amigo que trabalhava no City Bank e facilitou nosso trabalho. Fizemos o primeiro pedido,enviando os competentes cheques e ficamos aguardando a resposta . A remessa era via marítima e bastante demorada . Uns trinta dias depois recebí a comunicacão postal de que minha encomenda chegara. Deveria retirá-la no “Colis Posteaux” que ficava ali na Rua do Mercado.
Assim fizemos, pegando os discos num balcão , onde o conferente abria o pacote ,conferia o conteúdo e estipulava uma quantia que devíamos pagar em selos .
Umas cinco ou seis vezes a operação se repetiu sem nenhum problema. Chega-vam os avisos, eu ia ao “Colis Posteaux”, pagava os selos , retirava os discos e satisfeito ia para casa curti-los.

O PROBLEMA

Um dia, talvez por ter exagerado no pedido, eram cinco discos (três elepês de dez e dois de doze polegadas) tive a grande decepção. Ao apresentar o aviso no balcão o conferente pegou o pacote e informou que o mesmo estava retido. Para retirá-lo eu teria que fazer um requerimento a CACEX solicitando licença de importação e me mostrou o modelo . Abrí minha pasta, peguei uma folha de papel e ia começar a copiar quando perguntei ao funcionário quanto tempo demoraria. A reposta foi dura : de seis a oito meses. Fechei a pasta e perguntei quem era o chefe do setor. Queria falar com ele, explicar que não pagava pelos discos, tanto que no pacote tinha o carimbo “Duty Free”.
O bom conferente, notando minha ansiedade informou. O chefe é o Santana, ele é duro mas,se o chamar de doutor pode ser que ele quebre o galho. Olhei para o chefe, era um robusto mulato sessentão, óculos na testa e nenhum fio de cabelo a não ser nas têmporas. Folheava calmamente uma revista olhando de vez em quando para o balcão, fiscalizando o atendimento .
Humildemente me aproximei de sua mesa e pedindo licença indaguei :
“Dr. Santana, posso falar com o senhor ?
Colocou os óculos na testa mandou que eu sentasse e perguntou qual era o assunto.
Expliquei : “Dr. Santana, eu sempre recebí discos dos Estados Unidos e nunca tive problemas em retirá-los. Hoje fui surpreendido ao ser informado que meu pacote está retido .
Olhou para mim e disse que era uma questão de lei. Para importar qualquer coisa em transação comercial, era necessário uma autorização da CACEX .
Obtemperei, não gastava nenhum tostão com os discos, pelo contrário , como radialista, trocava discos de música brasileira pelos de Jazz com colegas americanos, tanto que nos pacotes sempre tinha o carimbo “Duty Free” e para comprovar minha condição, exibí minha carteira da Associação Brasileira de Rádio.
O velho Santana, cobra criada,respondeu. Esse carimbo de “Duty Free” é uma jogada que todo o mundo aplica pensando que nós somos bobos. Mas, vou acreditar na sua história . Agora depende do conferente .
Um “muito obrigado Dr.Santana” equivaleu a um suspiro de alívio. Voltei ao balcão e informei ao funcionário que o Dr. Santana liberara o pacote. O mesmo sorrindo sussurrou. “Chamou ele de doutor não foi ?” Paguei os selos devidos,recebi o pacote e nunca mais voltei ao “Colis Posteaux”. Afinal de contas ,não gostaria de mentir outra vez.

COLUNA DO LOC



Em destaque, Ornette Coleman.

JB, Caderno B, 6 de julho de 2007.

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MAURICIO EINHORN - NOVO CD



Este CD está realmente histórico. Tem a participação de alguns dos melhores músicos brasileiros (Ricardo Silveira, Jessé Sadoc, Marcelo Martins, Idriss Boudrioua, Rafael Barata, Jurim Moreira, Ricardo Leão, César Camargo Mariano, Vittor Santos, entre outros). Arranjos de César Camargo Mariano, Ricardo Leão, Jessé Sadoc e Vittor Santos. Não percam o show de lançamento.

NOSOTROS

04 julho 2007


Aqui mesmo no blog discutiu-se muito sobre a harmonia como ingrediente enriquecedor na concepção do jazz contemporâneo. Justifica-se assim a contínua exploração de standards pelos jazzistas atualmente mais ativos. Sob uma abordagem harmônica criativa, tudo se transforma e alguns clássicos ganham enorme fôlego. Acabo de receber o mais recente CD da talentosa pianista e cantora canadense Carol Welsman, lançado no último dia 26 nos EUA e Canadá. E nele há uma faixa que mostra com clareza o que uma harmonia bem elaborada e inovadora pode fazer com temas exaustivamente executados. Trata-se do clássico bolero “Nosotros”, da década de 40, composto pelo então jovem cubano Pedro Junco – morreu aos 23 anos. Com Carol (piano & voz) estão o contrabaixista Jimmy Haslip e o baterista (percussionista) Jimmy Branly. Show de bom-gosto e criatividade.
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PS. Na mesma praia, Wes Montgomery tem uma versão para "Tres Palabras" (Without You), assim como Carmen McRae & Cal Tjader para "Besame Mucho". Mais recentemente um CD inteiro de Gonzalo Rubalcaba e Francisco Céspedes com a obra do folclórico Bola de Nieve.
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PS II. "Have you heard of Carol Welsman? She's from Canada and a good friend of our percussionist, Don Alias. He told me, "You're going to lose your mind when you hear this woman. She's young and pretty and blonde, plays amazing piano and sings…she's got some serious jazz chops."- Cheryl Bentyne


Som na caixa !


Carol Welsman Noso...

ART FARMER

03 julho 2007





Acredito que todos os amantes do jazz tem o nome Art Farmer em alta consideração.

A informação contida no YouTube diz que a seção ritmica é composta por Ray Brown, Jacky Terrason e Alvin Queen, mas não diz que o tema tocado é "Moose The Mooche", de Charlie Parker, que Art na sua fase avançada de vida tocava com uma enorme beleza, ou que Ray Brown era o máximo do baixo.
Se a qualidade do vídeo lhe chatear, feche os olhos. Isto é uma gema lapidada do jazz.

BLUES COM BRUBECK E DESMOND

Dave Brubeck e Paul Desmond formavam um excepcional duo nos anos 70, mesmo com o cancer de pulmão de Desmond que logo lhe tirou a vida.
Alguém capturou uma de suas reuniões em fita de vídeo -- uma curta performance de um blues que culminou numa melodia, "Audrey" ou "Balcony Rock", que eles cultivaram por mais de um quarto de século.

Está aí o exemplo que Desmond falou que Brubeck era seu acompanhante ideal.



OS VENCEDORES DOS PREMIOS ANUAIS
DA ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS DE JAZZ - EUA/2007

(como traduzido livremente do site da JJA)

Vencedores dos Prêmio da JJA – Jazz Journalists Association, em 2007

Dois ícones do jazz de vanguarda, o saxofonista e compositor Ornette Coleman e o pianista e compositor Andrew Hill foram agraciados com as maiores honras pelo painel de 2007 da JJA, cujos prêmios foram anunciados durante um almoço no Jazz Standard, no último dia 28 de junho, ao qual acorreram cerca de 100 agitadores e motivadores da cena do jazz.
Os membros votantes da JJA, uma organização profissional sem fins lucrativos, elegeram Coleman, que já recebera um Prêmio Pulitzer em 2007, como o “Músico do Ano”, além de o “Sax-Alto do Ano”; chamado de Sound Grammar, seu quarteto, que grava no selo de idêntico nome, recebeu o prêmio de “Disco do Ano”, e ainda, como o “Pequeno Conjunto do Ano”. Hill, que morreu de câncer no pulmão em 20 de abril, foi votado para os Prêmios de “Conjunto da Obra”, “Compositor do Ano” e ainda “Pianista do Ano”; ele, que chegou a apresentar-se tocando em trio, poucas semanas antes de sua morte.
Outros vencedores nas 41 categorias, abaixo listadas, foram Anat Cohen, como “Artista em Ascensão” e “Clarinetista do Ano”; Sonny Rollins, como “Sax-Tenor do Ano”; Charles Tolliver, por liderar a “Big Band do Ano”, e Roy Haynes, “Baterista do Ano”. Francis Davis, colunista do “Village Voice”, contribuidor do “Atlantic Monthly” e autor de vários livros de música e cultura, foi votado, pelo reconhecimento a seu trabalho, como “Conjunto da Obra” no jornalismo de Jazz.
Davis, Cohen, Tolliver e Haynes estavam, junto com outros nominados, na platéia, que contava ainda com representantes de entidades patrocinadoras como a BMI, a Boosey & Hawkes, a Blue Note Records, a Concord Records, a ECM (vencedora como “Selo do Ano”), a Mosaic, o Iridium Jazz Club, a estação de rádio WBGO, e também alguns dos premiados no passado, como Gary Giddins, Dan Morgenstern e Howard Mandel, que presidiu o evento. O pianist Frank Kimbrough fez um tributo a Andrew Hill, depois de um brinde elevado por Robbin Ahrold, da BMI. Joanne Robinson Hill, esposa de Andrew, recebeu os premios reconhecendo que seu marido teria adorado aquela festa.

Como destaque, a premiação do brasileiro Cyro Baptista, como “Percussionista do Ano”.

Foram os seguintes os premiados, com suas respectivas categorias:

Lifetime Achievement in Jazz: Andrew Hill
Musician of the Year: Ornette Coleman
Up & Coming Musician of the Year: Anat Cohen
Jazz Album of the Year: Sound Grammar(Sound Grammar) Ornette Coleman
Jazz Reissue of the Year, Single CD: Music Written for Monterey 1965 Not Heard: At UCLA 1965 (CME-Sunnyside) Charles Mingus
Jazz Reissue of the Year, Boxed Set: The Complete 1957 Riverside Recordings (Riverside)Thelonious Monk with John Coltrane
Jazz Record Label of the Year: ECM
Jazz Events Producer of the Year: Patricia Nicholson Parker – Vision Festival/Arts for Art, Inc.
Jazz Composer of the Year: Andrew Hill
Jazz Arranger of the Year: Maria Schneider
Male Jazz Singer of the Year: Kurt Elling
Female Jazz Singer of the Year: Roberta Gambarini
Latin Jazz Album of the Year: Simpatico (ArtistShare) Brian Lynch & Eddie Palmieri
Small Ensemble Group of the Year: Ornette Coleman Quartet
Large Ensemble of the Year: Charles Tolliver Big Band
Trumpeter of the Year: Dave Douglas
Trombonist of the Year: Wycliffe Gordon
Player of the Year of Instruments Rare in Jazz: Scott Robinson, multi-reeds
Alto Saxophonist of the Year: Ornette Coleman
Tenor Saxophonist of the Year: Sonny Rollins
Soprano Saxophonist of the Year: Dave Liebman
Baritone Saxophonist of the Year: Gary Smulyan
Clarinetist of the Year: Anat Cohen
Flutist of the Year: Frank Wess
Pianist of the Year: Andrew Hill
Organ-keyboards of the Year: Joey DeFrancesco
Guitarist of the Year: Pat Metheny
Acoustic Bassist of the Year: Dave Holland
Electric Bassist of the Year: Steve Swallow
Strings Player of the Year: Regina Carter
Mallets Player of the Year: Bobby Hutcherson
Percussionist of the Year: Cyro Baptista
Drummer of the Year: Roy Haynes
Jazz Journalism Lifetime Achievement Award: Francis Davis
Excellence in Jazz Broadcasting — The Willis Conover-Marian McPartland Award: Bob Porter
Excellence in Photography — The Lona Foote–Bob Parent Award: Gene Martin
Excellence in Newspaper, Magazine or Online Feature or Review Writing - The Helen Dance-Robert Palmer Award: Nate Chinen
Best Periodical Covering Jazz: JazzTimes
Best Website Concentrating on Jazz: AllAboutJazz.com
Best Book About Jazz: The House That Trane Built: The Story Of Impulse Records (W. W. Norton) Ashley Kahn
Best Jazz Photo of the Year: John Abbott

Como sempre, prestigiando a agenda de nossos músicos

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