Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

R E F L E X Õ E S

13 julho 2007

Existe uma doença se alastrando que é muito contagiosa para que vão a concertos. Essa doença ainda não tem um nome, mas vamos chama-la de SEA (Sindrome de Excesso de Aplausos).
Os que sofrem dessa doença se levantam e aplaudem, mesmo que a performance não tenha sido boa o bastante para merecer tal entusiasmo. Em casos extremos eles soltam gritinhos estridentes.

Quanto maior o número de pagantes, mais suceptiveis são a SEA, porque os efusivos aplausos são a confirmação de que seu dinheiro foi bem gasto. Mesmo aqueles que compraram ingressos em lugares mais baratos ficam contagiados pelos seus vizinhos. O impulso para levantar-se e ovacionar pode ser irresistivel, se todos em volta estão fazendo isto.

A SEA não tem cura, mas a consciência é a chave para o tratamento.

Como nós frequentamos concertos, devemos nos perguntar: Esta performance foi assim tão excepcional que merecia uma resposta especial? Foi um evento tão fantástico que no qual apenas aplausos não seria o bastante?

Em raras ocasiões - a palavra chave é "rara" - ovações são inteiramente apropriadas.

Para os concertos de jazz, que por vezes temos o prazer de ver coisas realmente muito boas, a platéia deveria abandonar a mania de aplaudir após cada solo e se concentrar mais na música, um ato de consciência. Vale mais isso do que explosões de aplausos.

Bill Kirchner, um competente saxofonista, resolveu fazer uma experiencia no concerto de jazz, que ele e sua banda dariam em Nova York.

Ele incluiu no programa do espetáculo a seguinte nota:

A maioria de nós, ouvintes de jazz, aprendemos logo que é considerado "boas maneiras" aplaudir ao final de cada solo - bom, ruim ou indiferente. Existem até livros de jazz para crianças, que dizem que deve se aplaudir após cada solo, senão os músicos ficarão ofendidos.

Esse costume não tem finalidade alguma, a não ser interferir com a real audição da música, especialmente com o início de cada solo. Se você quiser perceber a intenção de um músico de jazz, escute como ele inicia a melodia ou um improviso.

Então, para esta noite, nós gostariamos de livrar a audiência, dos apupos aplauditórios para os solos. No final de cada seleção, se tivermos feito algo que o tenha realmente contagiado, nós, claramente, esperamos que você responda entusiasticamente.

Se este novo conceito de "etiqueta jazzistica" permitir que você possa ouvir melhor a música, por favor, conte para os seus amigos. Quem sabe, juntos, podemos começar um novo movimento.

Após o concerto Bill reportou-se:

O concerto correu muito bem - a casa cheia e entusiasmada, os músicos foram grandiosos.

Apesar das minhas notas no programa, as pessoas bateram palmas para cada solo, o que talvez indique que: 1) algumas pessoas não lêem programas com cuidado e/ou 2) o hábito de aplaudir após cada solo está tão entranhado nos audiófilos de jazz, que é um ato automático.

Mas se a audiência gostou da música e confirma, eu mal posso reclamar disso.

O que me levou a escrever esse texto aconteceu quando eu ouvia um dos CDs gravado durante um dos concertos do CJUB, aliás um concerto maravilhoso, é claro. Mas enquanto ouvia a música percebi uma excitação da platéia, que culminava em demasiados aplausos após cada solo, comentários verbais e até apupos variados, que acabavam por vazar sobre a música. Com certeza eu era um deles.

Nenhum comentário: