Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

ROBERTA GAMBARINI - EASY TO LOVE

31 dezembro 2006

Ouvi pela primeira vez o nome da cantora Roberta Gambarini durante o Encontro de final de ano do CJUB no restaurante Lamas, e as referência foram muito boas...

Depois li um breve registro no blog do jornalista Antonio Carlos Miguel do Globo, e ontem a tarde comentários do Mestre Coutinho, com quem tive prazer de conversar no Clube Paissandu.

Decidi pesquisar e estou ouvindo 04 faixas do album no site da cantora http://www.robertagambarini.com/audio.php, e confesso que estou gostando muito.

Não tenho a menor idéia se ela ficou em quarto ou sétimo na pesquisa da Down Beat...Isto para mim é irrelevante...

O que importa é saber quando teremos Roberta Gambarini cantando no Rio de Janeiro.

Que voz agradável de se ouvir, que suingue, que classe !!!

Postem suas opiniões....

Beto Kessel

MUSEU DE CERA # 11 – SIDNEY BECHET

30 dezembro 2006


Sidney Joseph Bechet, um creole com origem em New Orleans nascido em 14/maio/1897 no seio de uma família musical possuindo 4 irmãos todos instrumentistas. Pode-se dizer que foi um menino prodígio, certa vez pegou o clarinete de seu tio e começou a tocar para espanto da família que ao escutar aquele som surpreenderam Bechet sentado no chão do quarto dedilhando corretamente o instrumento. Alguns mestres como Lorenzo Tio, George Baquet e Big Eye Nelson, informalmente foram aperfeiçoando o rapaz que já atuava em pequenas bandas locais.
Em 1917 foi para Chicago e em 1919 estava com a Will Marion Cook's Syncopated Orchestra indo para a Europa onde adquiriu o saxofone soprano instrumento pelo qual se encantou tornando-o seu principal. Ao voltar à América em 1923 gravou com Clarence Williams Blue Five integrado por Louis Armstrong. Em 1925 retorna à Europa permanecendo na França até 1929 quando após uma disputa com o guitarrista Mike McKendrick chegando a dar tiros foi preso por 11 meses sendo depois deportado indo para Berlim, juntando-se à Noble Sissle Orchestra que lá atuava e retorna à América.
Bechet nos anos 30 formou com o trompetista Tommy Ladnier um grupo sob o nome New Orleans Feetwarmers produzindo registros memoráveis e em 1938 uma obra prima Summertime transformando-a em um enorme sucesso. Nos anos 40 trabalha em New York com Eddie Condon e Bunk Johnson. Bechet tornou-se uma figura primordial no "revival" um movimento de recriação e resgate do Jazz tradicional e de seus músicos veteranos ocorrido a partir de 1937 estendendo-se até o final dos anos 40. Bechet retorna à França em 1952 sendo recebido com enorme carinho e por lá atuou e gravou até sua morte no dia de seu 62° aniversário em 1959.
Bechet era um expert na improvisação coletiva a 3 vozes, a base do Jazz de New Orleans, com trompete e trombone, além de sua "clarineta de lata" como os músicos apelidaram o sax-soprano em tom de gozação com Bechet. Seus solos são sempre possantes, cheios de vibrato mantendo a tradição neo-orleanesa e o extraordinário colorido creole. Bechet foi um ícone junto com Armstrong dos primeiros solistas do Jazz.
Selecionamos Achin' Hearted Blues um de seus primeiros registros onde atua somente ao clarinete (fica o sax soprano para outra seção do Museu) apresentando toda sua genialidade de solista, bem como uma excelente participação do trompetista Thomas Morris pouco valorizado na mídia jazzística.
ACHIN' HEARTED BLUES (Clarence Williams/ Clarence Johnson / Spencer Williams) - Clarence Williams' Blue Five - Sidney Bechet, clarinete; Clarence Williams (piano e líder), Thomas Morris (cornetim), Charlie Irvis (tb), Buddy Christian (banjo) - Gravação original: 27/ago//1923 - New York, Okeh 4966-B (mx. S71797)
Fonte: CD – Sidney Bechet - Volume 1: 1923 - Masters Of Jazz - MJCD-5 - 1991 - França

"UMA FLAUTA PARA LESTER YOUNG"

Comentando o erro do baterista Dannie Richmond, me lembrei de alguns outros encontrados em livros especializados , principalmente no "Das Jazzbuch- Von New Orleans bis Free Jazz", título que um idiota transformou na edição brasileira para "O Jazz do rag ao rock". Seu autor, o ilustre Joachim E. Berendt nos informa na
página 205 o seguinte :
"Através de sua contribuição a flauta foi praticamente aceita no Jazz, o que preparou o terreno para a atuação de Ted Nash e Lester Young nos anos 50. Esse último chegou a criar uma verdadeira escola para esse instrumento no Jazz."
Alguém sabe alguma coisa sobre isso ?
llulla

COLUNA DO MESTRE LOC

29 dezembro 2006


E falando no Village Vanguard ...
(Clique na imagem para ampliar)

MENSAGEM GRÁFICA


Cliquem na imagem para saber o que lhes desejamos neste final de ano.
Cheers!

NOVO "TEAM MEMBER": BRAGIL

28 dezembro 2006

Boas novas antes do fim de 2006. O CJUB Dream Team não pára de crescer! Talvez seja este o verdadeiro espetáculo do crescimento, que em outra frente foi prometido mas que no máximo permitiu ao Brasil - deles - superar o sensacional e poderoso Haiti.

Enquanto que, pelas bandas da nação cjubiana, as coisas vão em ritmo acelerado, com mais e melhores adesões a cada dia. Agora, convite feito e aceito, temos aqui um Brasil que promete inúmeras alegrias e que não vai deixar o povo (do jazz) na mão.

Trata-se do aficionadérrimo entusiasta Gilberto Brasil, que já teve um post sobre a Maria Schneider, "com quem é assim, ó!", psicografado por nosso guerrilheiro plantonista.

Em breve, tão logo tenha dominado as lides blogueiras, poderão nossos amigos contar com os escritos do mais novo membro da armada "cejube", que aqui ostentará o handle BRAGIL.

Bem vindo, Gilberto, e pau na máquina!

UM GRANDE "MICO"

27 dezembro 2006

Amigos,

Lendo o excelente livro "Ao vivo no Village Vanguard" de autoria de seu legendário proprietário Max Gordon, fui encontrar na página 169 uma batatada incrível, principalmente se considearmos o seu autor, o baterista Dannie Richmond. Respondendo a Max Gordon sobre a origem do tema de Charles Mingus "All the things you could be now if Sigmund Freud's wife was you mother ?"
Diz ele: Ela foi inspirada pela música "All the things you are" de Duke Ellington.
Charlie adorava Duke. . .

Como diriam os antigos, "PAPAGAIO!"

llulla

JAZZ ICONS - CONCERTOS EM DVD

Aos amigos que gostam das imagens do jazz, mais uma caixa com registros interessantes de concertos de alguns nomes importantes e em épocas efervescentes.
The Complete Jazz Icons Box Set é composto por 9 concertos ao vivo, agora em DVD.

E o time é de primeira, inclusive com algumas raridades no formato :
- Louis Armstrong - Live in '59
- Count Basie - Live in '62
- Chet Baker - Live in '64 & '79
- Art Blakey & The Jazz Messengers - Live in '58
- Ella Fitzgerald - Live in '57 & '63
- Dizzy Gillespie - Live in '58 & '70
- Quincy Jones - Live in '60
- Thelonious Monk - Live in '66
- Buddy Rich - Live in '78

Não saiu no mercado nacional, lógico, e os DVD também podem ser comprados separadamente.
Para mais detalhes e com alguns clipes dos concertos visite www.jazzicons.com

Dada a dica !

BOSSA NOVA

26 dezembro 2006

O espaço do CJUB também é dedicado a Bossa Nova e outro dia ouvi a explicação de como surgiu a palavra JAZZ, acho que todos sabem, veio de JASS, os "inferninhos" da época.

Mais recentemente fiquei curioso para saber como surgiu a palavra "Bossa Nova". Discutimos isso com a turma da Modern Sound, que é frequentada por músicos que tocaram no Beco das Garrafas, como o Milito, Osvaldinho, Meirelles. Mas ninguém sabia exatamente como havia surgido essa expressão.

Eu estava no almoço de Natal com meu amigo, o jornalista Moyses Fuks, quando comecamos a falar sobre o assunto. Sua resposta foi, para mim, coincidentemente atordoante: Quem inventou essa expressão fui eu!

Moyses contou a história, disse que estava apresentando um grupo de músicos na Hebraica, entre eles Nara, Carlinhos Lyra, Menescal, Sylvia Telles, Baden, quando faltou o nome para o espetáculo. A palavra Bossa era comumente usada naquela época - esse arquiteto tem bossa...

Foi o que escreveram no quadro de avisos da Hebraica: Sylvinha Telles e um grupo Bossa Nova!

Anos mais tarde Bôscoli se apossou da expressão e a registrou em seu nome.

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 1



Gravura de Aline de Leandro

O objetivo desta seção é apresentar alguns aspectos estreitamente ligados de alguma forma à música de Jazz, mas que normalmente estão em "off" ou seja, escondidos nos bastidores ou mesmo providos de caráter subjetivo, então, digamos que fazem parte do outro lado do Jazz.
De tal modo, o assunto Jazz, a par de sua musicalidade, vem incorporando inúmeras estórias ligadas aos músicos, produtores, aficionados, pesquisadores, enfim de todos que vêm criando e divulgando a arte maior do Jazz por todo esse tempo e aos fatos que os envolvem.


SÉCULO XX
O Jazz tem sua trajetória histórica desde o início do século XX e ao atravessá-lo compartilhou com a humanidade de suas conquistas sociais e tecnológicas, bem como de suas glórias e infortúnios.
Neste processo sofreu dos efeitos das drogas alucinógenas, do racismo aos seus fiéis criadores, da grande Depressão Econômica de 1929, dos gangsters de Chicago, da grande greve dos anos 1942/44, não nos esquecendo do primeiro golpe que foi o fechamento do distrito de Storyville em New Orleans no ano de 1917.
Tendo em vista o desenvolvimento da tecnologia esteve presente o Jazz nos inventos como o da pianola, do gramofone, dos processos de gravação de áudio, do cinema sonoro, do início das transmissões comerciais do rádio e da gravação de imagens.
O Jazz, dispensado que foi do serviço militar na 1a. Guerra Mundial, alistou-se para a 2a. Grande Guerra tendo uma atuação soberba, mas acabando por sofrer perda irreparável como a do major Glenn Miller. Ao fim da guerra, desfrutou de momentos de euforia através das big bands, dos ballrooms e night clubs e crescendo como arte chegou ao meio século de existência.
Dos anos 60 em diante passou por momentos difíceis vivendo novas concepções estruturais como atonalidade, escalas modais até mesmo as exóticas como as indianas e orientais, enfrentou desavenças rítmicas onde melodia e acompanhamento seguem métricas diferentes e até, por vezes, conflitantes. As sonoridades foram eletrificadas e adicionados efeitos eletrônicos e com estes ingredientes ocorreu o advento, do free, do fusion, vindo a ser atacado pelo ácido – Acid Jazz.
O século termina sob o nu-jazz expressão cunhada ao final dos anos de 1990 (NU corruptela de "new" que se pronuncia também como niu) relacionada à combinação de texturas e instrumentação jazzísticas com a música eletrônica, aventurando-se em território do groove jazz este mais próximo do funk, soul e rhythm & blues.
Achamos que tais mudanças não acrescentaram mais emoção que o cornetim de Armstrong, o clarinete de Goodman, o piano de Peterson ou que o sax de Charlie Parker e para não sermos tão tradicionalistas e conservadores, ainda dentro do horizonte daquilo que se possa chamar de um Jazz livre, entendemos que o limite tenha se situado em torno de Cecil Taylor, Ornette Coleman e John Coltrane, dentre outros....

PS. texto sendo adaptado da palestra de mesmo título proferida no Clube de Jazz de Niterói a 9 de maio de 2001.

CRUZEIRO DE JAZZ 2007

CJUB Insider

Tem gente que acha o carnaval da Bahia uma boa opção, a garotada adora. Perto da terceira idade a coisa fica mais difícil, usar aquele Abadá, ficar horas em pé, pulando atrás do Trio Elétrico, não ter banheiro para fazer xixi, apesar da juventude toda à volta.

Nesse caso, quando a saúde deixa a desejar horas de saltos e piruetas no carnaval da Bahia, uma boa opção, bem mais tranquila e confortável, é embarcar no MS Holland, o 2006 Ship of The Year, no dia 5 de julho e passar 12 dias excepcionais com jazz todas as manhãs, tardes e noites (a pauleira rola apenas nos dias 13, 14 e 15).

O MC será Marcus Miller e os músicos: Dee Dee Bridgewater e seu trio, James Carter, Roy Hargrove e seu quinteto, o quarteto de Roberta Gambarini, Lionel Loueke, o McCoy Tyner Trio, Medeski, Scofield, Martin & Wood e Kirk Whalum. Dá para todos os gostos!

Nas paradas voce poderá conhecer Warnemunde/Berlin, na Alemanha; Gotenburg, na Suécia; Oslo, na Noruega; Hamburg/Rio Elba, na Alemanha e Rotterdam na Holanda. O MS Holand ficará nos portos servindo como hotel. A viagem será finalizada no dia 17 de julho.

Nada mal participar do North Sea Jazz Cruise, que é uma extensão do North Sea Jazz Festival!

Será que eles vão sortear uma garrafa de uísque?

PARA TODOS,

24 dezembro 2006

MUSEU DE CERA EM DESTAQUE

23 dezembro 2006

Prezados amigos e visitantes, o Museu de Cera, série editada brilhantemente pelo nosso confrade Mario Jorge - Mestre Major, agora tem uma página própria com todas as edições.

É só clicar na imagem aí ao lado

Agora fica mais fácil a consulta ao histórico de todas as edições, concentradas em uma única página, com navegação fácil e ainda com os áudios de todos as séries.
Uma verdeira fonte de pesquisa e um resgate das raízes do jazz.

Fica o agradecimento ao Mestre Major pelo grande trabalho !

DIZZY GILLESPIE BIG BAND



MUSEU DE CERA # 10 – ALBERTA HUNTER

20 dezembro 2006

Nascida em 1 de abril de 1895 no Tennessee, aos 12 anos Alberta Hunter deixou Memphis sua cidade natal para ir para Chicago tornar-se uma blues singer. Tempos difíceis neste início e seu debute profissional se deu em 1911 no bairro negro Southside no clube Dago Frank's, um misto de cabaré e bordel freqüentado por proxenetas e criminosos. Alberta aturou aquilo até 1913 mesmo assim porque a casa foi fechada devido a um assassinato.


Foi então para um pequeno night club onde começou realmente a ganhar dinheiro podendo trazer sua mãe para morar com ela até o fim da vida. Alberta foi atuar no Elite Cafe #1 onde encontrou o pianista de New Orleans Tony Jackson e o ajudou a popularizar algumas de suas composições como Pretty Baby. Depois foi para o famoso Panama Cafe, local sofisticado para um público só de brancos. Nesta época Alberta tornou-se uma estrela brilhando em Chicago, porém mais uma vez se repetiu o ocorrido de um assassinato e a casa fechou.


O próximo trabalho foi no De Luxe Cafe, onde do outro lado da rua no Dreamland Cafe a King Oliver's Creole Jazz Band tocava. Em 1921 Alberta moveu-se para New York iniciando suas gravações no selo Black Swan com a Fletcher Henderson's Novelty Orchestra, depois na Paramount em 1922 onde Fletcher continuava sendo seu pianista. Alberta também compunha e a canção Down Hearted Blues deu a Bessie Smith seu primeiro disco em 1923.
Ainda em 1923 grava na Paramount com o grupo Original Memphis Five, tornando-se a primeira cantora negra a integrar uma banda branca e em 1924 uma sessão na Gennett com os Onion Jazz Babies contando com Louis Armstrong e Sidney Bechet, onde produziram Cake Walking Babies From Home e a versão vocal de Texas Moaner Blues.


Alberta Hunter usou vários pseudônimos como Josephine Beatty nome de sua irmã na gravadora Gennett e Alberta Prime na Biltmore. Em 1927 foi para Europa atuando na Inglaterra, depois muito bem recebida em Paris, em outros países, inclusive na Rússia. Durante a 2a. Guerra Mundial fez parte da United Service Organizations (U.S.O) cantando para as tropas norte-americanas na Ásia, Ilhas do Pacífico Sul e Europa, retornando à América do Norte para cuidar de sua mãe muito doente afastando-se inteiramente da música, quando fez curso de enfermagem indo trabalhar no New York City Hospital, porém em 1977 surpreendentemente voltou aos palcos já com 82 anos no clube The Cookery no Greenwich Village de New York e permanecendo atuando até sua morte em 1984.


Alberta Hunter não deve ser designada apenas como uma cantora de blues apesar de inúmeros deles em seu repertório, mas uma artista completa cantando todo tipo de canção, com voz clara, locução perfeita e estilo muito natural evitando os ornamentos supérfluos. Ouçamos um de seus primeiros trabalhos Chirping The Blues com acompanhamento do piano de Fletcher Henderson.


Gravação original: Chirping The Blues (Alberta Hunter) – Alberta Hunter vocal e Fletcher Henderson - dez/1922 – Paramount 12017-A – New York.
Fonte: CD - Complete Recorded Works, Vol. 1 (1921-1923) Alberta Hunter - Document DOCD 5422 - 1996 – USA.


Clique para ouvir Alberta Hunter

HISTÓRIAS DO JAZZ – 16

19 dezembro 2006

Herb Geller em Nictheroy

Tudo começou quando Sylvio Tullio Cardoso informou pela sua coluna :“Benny Goodman passa pelo Rio”. Depois, detalhando a notícia , dizia que Goodman ia para a Argentina liderando uma orquestra de vinte músicos para se apresentar na TV e em seguida voltaria ao Brasil para exibições em São Paulo. Entre os músicos integrantes da banda estavam Nick Travis, Buck Clayton (tps), Sonny Russo (tb), Herb Geller(sa),Mouse Alexander(dm) e a vocalista Maria Marshall. Ano de 1961 e a frustração de não ver Goodman no Rio de janeiro, o que aliás já acontecera com Lionel Hampton em dezembro de 1960 fazendo a linha Argentina/São Paulo.
Dias depois quando ia pegar a lancha para cumprir mais um dia de trabalho, passa pela minha frente um táxi e Sérgio Mendes bota a cabeça para fora da janela e grita : “Lula, vai la´ para casa, Herb Geller está aqui.” Não hesitei. Voltei para casa,mudei de roupa, peguei a “The Jazz Encyclopedia” de Leonard Feather e fui para o Edifício Nilo Peçanha, perto de minha casa, onde morava Sérgio.
Lá chegando, fui logo apresentado ao simpático saxofonista ao mesmo tempo que via Arino Matos montando um gravador. Pensei que faria entrevista com Geller mas logo depois descobri que o objetivo era mostrar ao saxofonista músicas cantadas por indios do Brasil, xavantes, gorotires etc. Arino era uma espécie de gurú de Sérgio. Tudo que dizia o Mendes cumpria, inclusive atirar com uma espingarda 22 no sino da Igreja do Ingá,só para infernizar o Padre Amaral .
A fita não rodou cinco minutos pois Herb Geller disse alto e bom som :” I don’t like indian music ! “. Aproveitando o “breque”, solicitei o seu autógrafo na enciclopédia e em seguida tentei iniciar uma conversa sobre Jazz. Falei em Thelonius Monk e foi como se tivesse tocado o saxofonista com uma varinha de condão. Sorriu, sentou-se ao piano e desfilou uma série de temas de Thelonius, tocando inclusive,a meu pedido, “Ruby my dear”. Sabia tudo de Monk a quem não cansou de elogiar. Novidade para mim, imaginando que Geller, naquela época, estivesse moldado no estilo “West Coast” . Sérgio conversava com Arino e deu pouca importância ao nosso diálogo. Até que veio a grande surpresa. Geller me pediu que cantarolasse ou assoviasse “Manhã de Carnaval”. Pegou uma caneta, uma folha e a cada frase que ouvia ,escolhia o acorde e anotava na pauta. Na última frase agradeceu, sorriu e preparou-se para ir embora.
Pensei que Sérgio fosse levá-lo, pelo menos até a parada do trolley (nesse tempo Niterói tinha ” trolley bus” ). Limitou-se a uma despedida formal. Aproveitei a oportunidade e desci com Geller. Levei-o até a parada, embarquei com ele até o centro e lá indiquei-lhe como pegar a lancha.
Dia seguinte fui para o “Bottle’s” pois Geller daria canja com o Mendes. Se não me engano, a seção rítmica era integrada por Manuel Gusmão e Edson Machado. Não me lembro qual foi o tema mas não me sai da memória a cena em que Herb Geller, em pleno solo,irritado chegou ao piano e tocou dois ou três acordes mostrando a harmonia para o Mendes. Isso deu o que falar.
Por enquanto é só, depois tem mais.

TRÊS DIAS DE JAZZ POR SEMANA

Não existe um carioca que goste da boa música que não conheça a Modern Sound, a mais tradicional loja de discos do Brasil.

Hoje em dia um gigante na área, comemorou 40 anos de existência. São mais de 40 mil títulos nas prateleiras.

Situada no coração do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, a Modern Sound é um sucesso que chegou às páginas dos meios de comunicação internacionais. A revista americana Newsweek cita a Modern Sound como um dos pontos turísticos obrigatórios do Rio e o jornal inglês The Observer a classificou como um dos cinco melhores espaços de música do mundo.

Dentro da Modern Sound encontram-se áreas distintas onde existe um brechó de vinis, venda de equipamentos e acessórios de som sofisticados, um auditório, um bistrô com capacidade para 180 lugares e um estacionamento próprio.

No Allegro Bistrô são realizados shows de segunda a sábado com novos lançamentos de discos nas segundas e terças, na quarta chorinho e nos outros dias um sofisticado jazz com alguns dos melhores e conhecidos músicos nacionais que tocam semanalmente. Só para citar alguns jazzmen: Idriss Boudrioua, Sergio Barrozo, Paulo Russo, Dario Galante, Mauro Senise, Alberto Chimelli, José Boto, dentre outros.

A loja e o bistrô são muito frequentados pelos jazzistas e artistas internacionais que, quando pelo Rio, dão sempre uma canja e aproveitam para comprar CDs de música brasileira.

Certamente a Modern Sound é o point para quem gosta de jazz de boa qualidade. Nada como estar com os amigos bebendo uma geladíssima cerveja, num ótimo ar-condicionado e ouvindo, ao vivo, uma excelente música.

CONVOCAÇÃO CJUB - COMEMORAÇÃO DE FIM DE ANO

Cjubianos, músicos, colaboradores e agregados de nossa confraria estarão reunidos no Restaurante Lamas (Rua Marquês de Abrantes, 18 - Flamengo, Tel. 2556 0799), na próxima 5ª-feira, 21/12, a partir de 17 h., para nossa tradicional confraternização de fim de ano. Esperamos vocês !

Até lá !

RADIOLA ATUALIZADA

18 dezembro 2006

É semana de Natal e a radiola também comemora !

Vince Guaraldi Trio e o tema Christmas is Coming, acompanhado por Monty Budwig contrabaixo e Colin Bailey bateria;
Diana Krall de mamãe Noel em Jingle Bells com a Clayton-Hamilton Jazz Orchestra;
e o verdadeiro presente chega com Roy Hargrove na Suiça em 27 de abril de 2006 interpretando Never Let Me Go, acompanhado por Justin Robinson no alto, Orrin Evans piano, Danton Boller contrabaixo e Greg Hutchinson bateria;
Dexter Gordon A La Modal, com Barry Harris piano, Sam Jones contrabaixo e Al Foster bateria;
tão comentado por aqui, Pat Metheny e Brad Mehldau com o tema Make Peace;
um instrumental brasileiro, Jean-Pierre Zanella em um trabalho de 2002 com um
belíssimo tema chamado Carminha, acompanhado por Beto Paciello teclados, Maguinho Alcântara bateria e Pedro Ivo Lunardi contrabaixo;
Woody Herman e sua orquestra fazendo a festa com o tema Battle Royal;
e Stan Getz em um tema de Bud Powell - Tempus Fugit - acompanhado por James McNeely piano, Marc Johnson contrabaixo e Victor Lewis bateria.

Bom som e Feliz Natal !

BEBOP UNITED @@@@1/2

17 dezembro 2006


A simpatia por um jazzista não deve ser afetada por algumas aventuras mais populares – e por isso comerciais -, abrangendo outros gêneros ou fusões. Se assim fosse, o universo do jazz ficaria perigosamente restrito aos “puristas”. Onde há um solo, um improviso, mantém-se a essência básica do jazz. Tom Scott (L.A., 1948), exemplo, é jazzista por vocação, músico na acepção mais rígida do termo. “Bebop United”, seu novo CD, traz de volta um comprometimento com o jazz e, mais do que isso, com a música honesta.
A carreira do saxofonista (tenor), compositor e arranjador começou com a banda de Don Ellis e com o quarteto do formidável pianista Roger Kellaway. Juntou-se à big band de Oliver Nelson, quando foi descoberto pela Impulse (Bob Thiele). Na década de 70 formou o L.A. Express, focado principalmente no chamado funk-jazz. A partir daí passou a ser requisitado para gravações, tornando-se um dos mais conceituados músicos de estúdio. Contratado pela GRP, manteve o mesmo ritmo, sendo visto em inúmeros álbuns do selo.
Em seu CD de estréia na MCG, Scott presta uma bonita homenagem às suas raízes bebopianas. Gravado ao vivo em 2002 (Pittsburgh), o álbum traz músicos de primeiro time: Randy Brecker, Phil Woods, Gil Goldstein, Willie Jones III (drums), Jay Asby (trombone), Ronnie Cuber (barítono sax) e Duabe Burno (bass). São três temas do próprio Scott. Na abertura, um clássico de Wayne Shorter: “Children Of The Night”. Há espaço para dois standards: “His Eyes, Her Eyes” (Legrand) - Goldstein sensacional - e “The Song Is You” (Kern). “Sack O’ Woe” (Adderley) e “Tones For Jones Bones” (Corea) completam o set. Os arranjos são admiráveis. A única frustação ao final é a impressão de que os solos poderiam ser mais longos - Scott não foi o único a se apresentar naquele dia. Mas isso é sintoma claro de qualidade.

“I totally disagree with anyone saying that Tom Scott cannot do both Jazz & Funk. He is so at home with both. This album is not just about him as everyone gets a fair shout with the solos. My only minor negative is that the solos aren't long enough. Otherwise, a great album." Adam Talbot - London

"Tom Scott first appeared on the radar in the 1970s as musical director for Joni Mitchell, and with his own band of jazz-rock fusioneers, the L. A. Express. His was the sax on Carole King's "Jazzman," and he was the first-call saxophonist for literally everyone. After the smooth jazz format came along in the late `80s, he became a mainstay star of that subgenre. So it's a surprise to hear him fronting a straightahead little big band with "bebop" in the album title. But this is a wonderful outing, a four-horn front line groovin' over a piano-bass-drums rhythm section. The arrangements are sweet indeed; the choice of material - from the pens of Wayne Shorter, Chick Corea, Cannonball Adderley and the Tom Cat himself - is impeccable. Bebop vet Phil Woods guests on several tunes, but it's the ensemble work that captivates and entrances with its blend of sax and brass, smooth in the best sense of the word." - Jim Newsom

"Guest altoist Phil Woods offers his stellar and ageless bebop on three tracks. Brecker shines consistently in his solos, and pianist Gil Goldstein demonstrates an impressive ability to create fascinatingly long melodic lines." - JazzTimes

QUEM ME DEU ALEGRIA EM 2006

Essa coisa de eleger os melhores de uma cesta tão ampla e diversificada acaba caindo numa sessão de vaidades capitaneada pelos que se acham os donos da verdade. Eleger os melhores a cada ano implica uma cobrança de coerência impossível de ser mantida simplesmente porque a vida muda, o mundo muda, os artistas também mudam.

Assim é que só consigo lhes oferecer uma lista com as minhas ponderações sobre ‘quem me deu alegria em 2006’. Isto, de forma alguma, é excludente dos fabulosos artistas que encantam nossas vidas e que hoje já não moram mais aqui. Volta-e-meia, as gravadoras desencavam discos há muito fora de catálogo de modo que eles ficam sempre a nossa volta.

Vencido este blá-blá-blá inicial, vamos a minha lista Alegria em 2006:

Orchestra: Maria Schneider – mesmo sem lançar disco novo este ano, ela foi incluída porque a minha alegria em vê-la ‘segurando’ a sua orquestra superou todas as expectativas. Leveza, autoridade, conhecimento e beleza. Com licença do nosso Gilberto Brasil, Schneider é para mim a artista do ano em alegria.

Big Band: Kenny Clarke & Francy Boland Orchestra – mesmo desfeita há anos, esta jazz band extraordinária passou por um surto de lançamentos em cedê durante os últimos anos que me chamou a atenção. Garra é a palavra-chave desta orquestra, aliada à deliciosa complexidade de composições de Boland e do baixista Jimmy Woode mais a releitura enlouquecedora de alguns standards.

Arranjador (instrumental): Michel Legrand – por seu disco ‘Big Band’ de 1983 que eu descobri somente agora nas prateleiras de ouro do Sazinho e que eu não paro de ouvir, de cabo a rabo, no meu iPod. Obrigado, Sazinho. Também por seu vídeo gravado em Bruxelas, muito bonito pelo menos na parte em que ele rege a orquestra local.

Arranjador (para vocal): John Clayton – por seu arranjo incomum de ‘A Insensatez’ (How Insensitive) no disco de 2006 da insossa Diana Krall.

Combo: Passo a bola sem comentários.

Piano: Ahmad Jamal – impressionante com seus mais 70 anos de idade. Uma escola. Obrigado pela emoção do show ao vivo no Rio de Janeiro.

Baixo: Passo a bola sem comentários.

Bateria: Chico Hamilton. Não vejo nenhum grande na ativa. O reissue em cedê do álbum mais conhecido de Hamilton valeu. Com Charles Lloyd no sax e Larry Corryell na guitarra.

Guitar: Quase passei a bola, mas, afinal, achei que devia dar uma chance ao reissue de uma compilação de gravações do Sacha Distel, ainda na sua fase de bom guitarrista. Edição em cedê duplo, editado na França.

Vibes: Passo a bola sem comentários.

Trumpet: Roy Hargrove – há muitos anos, este crazy boy ocupa espaço importante na minha mente, notadamente quando se detém no jazz, na tradição dos combos do pianista Horace Silver, modelo que, aliás, o lançou para o sucesso e que ele retomou neste ano com seu último cedê, cujo repertório dominou a sua apresentação no Rio de Janeiro.

Sax: Lennie Niehaus – mesmo aposentado de tantas trilhas sonoras para os filmes de Clint Eastwood e esquecido de voltar a atacar em combos com o seu sax, este homem teve lançadas em cedê as suas gravações completas da década de 50. Um luxo West Coast bastante refinado. São 5 discos ao todo, vendidos separadamente.

Trombone: Slide Hampton. Quase passei a bola também neste departamento, mas, afinal, achei que devia dar uma chance ao disco de Hampton com a SWR Big Band, disco editado na Alemanha ao vivo. Muito estimulante. Deu para compensar pelo disco meia tampa de Hampton com a obra do Tom Jobim.

Cantor: Mark Murphy – não tem para ninguém atualmente. O grande Jon Hendricks está fora de forma. O Kurt Elling veio para mostrar o que eu já sentia: muito trejeito, muito maneirismo, muita artificialidade, falta de anos de ralação. O Giacomo Gates continua produzindo muito pouco para o que merecia. O Kevin Mahogany ainda não acertou a mão. Murphy não lançou disco este ano, mas eu continuo ouvindo o estarrecedor disco de baladas com o qual ele estreou na Verve em 2005.

Cantora: Passo a bola – pois é. Elas são divinas. Belas e maravilhosas. Têm um enorme marketing budget, do tamanho de suas bundas. Elas casam, têm gêmeos, tudo sai no jornal. Quando vêm ao Rio, sentam no colo de alguém na platéia, deixam os caras babando numa discreta ambivalência entre gosto musical e gosto sexual. Para mim, elas não valem muito. O que vale são aquelas que, em sua maioria, estão mortas. Não tenho culpa, pelo menos não fui quem as matou. Será que estou me especializando em ‘defuntologia musicológica’ ou quiçá ‘museologia defunctória’?

Vídeo: a série Jazz Icons lançada este ano recuperou shows em preto-e-branco inimagináveis. São 9 discos dentro os quais destaco o do Quincy Jones (onde aparece Phil Woods), o do Count Basie e o da Ella Fitzgerald.

Show ao vivo em 2006: Maria Schneider no Rio de Janeiro - sou muito seletivo. Se não tenho uma boa expectativa, não saio de casa. Não costumo freqüentar shows meramente para mostrar pros outros que eu estive lá (sacou?). Em certos casos, até vou para comprovar a expectativa ruim como foi o exemplo do Kurt Elling, cujo show fui ver mais por um dever do ofício de cantar e que confirmou as minhas expectativas negativas. Assim, não posso de deixar de lembrar o show pelo qual eu tinha muitas expectativas e que correspondeu com sobras em emoção, em ‘artistry’, em técnica, em prazer.

Minha Grande Perda em 2006: É duro ver os anos passarem e nos assarem o viço. É duro ver amigos, artistas, gente tão querida nas mesmas condições. A morte dá o tom definitivo deste sentimento, um gosto de que tudo está perdido, ainda mais no Jazz, onde a renovação é pífia. A passagem de Anita O’Day é uma dessas perdas de uma irmã querida que sempre vinha nos visitar com um presentinho carinhoso (um disco novo) que já esperávamos com ansiedade, por sua vivacidade, bom humor e beleza.

A passagem de Betty Comdem, a grande letrista de belos standards da música americana também não passou batida por mim. Eu, que ainda ontem cantei seu grande sucesso na voz de Tony Bennett ‘Just in Time’ estarei sempre lembrando dos versos bem construídos juntamente com Adolph Green.

Bola de Ouro 2006: Enrico Rava em vídeo que me chegou este ano pelas mãos generosas do amigo Luiz Fernando Senna. Este Rava é um animal do trumpete, descompromissado com correntes e visões e, ao mesmo tempo, fazendo ‘pure jazz’ de ensinar para muita gente por aí.

Bola de Merda 2006: Herbie Hancock por sua incrível capacidade de autodestruição.

Blefe 2006: este festival de jazz no Rio de Janeiro em 2006, que deu vários tiros no próprio pé ao sacanear o próprio público de jazz num local inadequado, com vinhetas inadequadas, com músicos enxotando colegas do palco. Não é à toa que o Zuza teve pirepaque. Quero minha grana de volta.

JINGLE BELLS

16 dezembro 2006


Uma das mais famosas canções de Natal norte-americana foi originalmente composta para o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day) em 1857 pelo ministro da Igreja de Boston - James Lord Pierpont. Desta forma, iria celebrar com as crianças seu Boston Sunday School Thanksgiving. A canção agradou tanto que foi repetida na noite de Natal. Inicialmente se titulava One Horse Open Sleigh e ao ser adicionada uma letra que capturava a essência da chegada do Father Christmas ou Santa Claus passou a se chamar Jingle Bells, para encanto das crianças de todas as idades.

Na verdade tem sido reprisada desde então, inclusive em 16 de dezembro de 1965, há exatos 41 anos, os astronautas Tom Stafford e Wally Schirra a bordo da Gemini 6 iniciaram o contato com o Centro de Controle transmitindo Jingle Bells a primeira canção a trafegar pelo espaço sideral.


Bing Crosby talvez tenha sido o cantor que mais gravou canções de Natal, cerca de 100 e dentre elas encontra-se uma versão de Jingle Bells associada ao trio vocal The Andrews Sisters com The Vic Schoen Orchestra cujo sucesso alcançou a marca superior a 1 milhão de cópias.

Aproveitando a oportunidade desejo um feliz Natal e o ano de 2007 com muita alegria e paz a todos os Cjubianos e demais visitantes deste blog e que The Jingle Bells.


Jingle bells, jingle bells -------------- Dashing through the snow
Jingle all the way! -------------------- In a one horse open sleigh
Oh what fun it is to ride ------------- O'er the fields we go
In a one horse open sleigh! ---------- Laughing all the way
Jingle bells, jingle bells -------------- Bells on bobtail ring
Jingle all the way! -------------------- Making spirits bright
What fun it is to ride and sing ------ What fun it is to ride and sing
In a one horse open sleigh! ---------- A sleighing song tonight


Gravação original – nov/1943 - Bing Crosby / The Andrews Sisters / The Vic Schoen Orchestra- Decca 23281.
Fonte CD - White Christmas - Bing Crosby - Universal Special Products 31143 – 1961 - USA.

Clique aqui para ouvir
Jingle Bells

- CURSO HISTÓRIA DO JAZZ - JOSÉ DOMINGOS RAFFAELLI -

15 dezembro 2006

A partir de 8 de janeiro de 2007, darei um curso sobre a História do Jazz no Centro Musical Antonio Adolfo. Sua temática abrangerá a completa evolução do jazz, das raízes e origens dos tambores africanos aos dias de hoje, ilustrada por 600 exemplos musicais.

O curso será de sete (7) aulas, uma por semana, todas as segundas-feiras, com duração de 2 (duas) horas cada, começando às 20:30.
As inscrições podem ser feitas no Centro Musical Antonio Adolfo, na Rua Almirante Pereira Guimarães, 72 – Cobertura - Leblon.
Maiores informações pelos telefones 2239.2975 / 2274.8004 / 2294.3079

minha homepage: www.bjbear71.com/raffaelli/jose.html

HOMENAGEM AOS 80 ANOS DE TONY BENNETT

TONY BENNETT - 80 ANOS

Carlos Montes faz uma especial homenagem a Tony Bennett nesta sexta feira, 15 de dezembro de 2006, às 20 horas, no paradisiaco cenário do Parque Lage.

Aproveitando as comemorações do octagésimo aniversário do grande mestre Tony Bennett, Montes vai cantar seus maiores sucessos e se apresentará com Charles Marot no piano, Renato Amorim no contrabaixo e Luiz Sobral na bateria. O tributo terá a participação especial de Paulo Couto na harmônica.

O evento tem patrocínio da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. É um programa imbatível, pelo local, a facilidade de estacionamento lá junto a casa, o bar muito chique, com cervejas e sanduíches de primeira, bom atendimento nas mesinhas e esteiras com almofadões à volta da piscina, sem falar do preço de apenas R$10,00 por pessoa.

Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Endereço: Rua Jardim Botânico, 414 – Parque Lage
Tel: (21)2538-1879
Estacionamento Gratuito
Ingresso: R$ 10,00
Pagam meia estudantes, professores, maiores de 65 anos e sócios da AAPNT
Obs: Aberto ao público após as 19h30min

CASAL SENNA & O JAZZ + SEUS AGREGADOS

14 dezembro 2006

Há anos, o nosso Luiz Fernando Senna comanda uma bela mesa redonda ao som das tardes de sábado na Modern Sound. O grupo foi crescendo. O convívio semanal tornou-se rico de informações, de opiniões, de piadas, de concordâncias e discordâncias que movem com a dinâmica da coisa.

Há quatro anos, este grupo adere a um jantar de fim-de-ano, que, neste dezembro, juntou cerca de 30 incomuns. Todos absolutamente em torno do mesmo tema - Jazz. Ali estavam, além do simpático casal Senna, o mestre Raffaelli, o Fernando Beltrão, o Dr. Erasto, o fleumático Chaer, o Gilberto Brasil, o cientista Miguel Borges, o Mario Vieira e tantos outros, que acabaram por empreender uma enquete sobre as preferências de cada um em cada instrumento. A eleição foi tumultuada, vibrante e rica de variações e gostos. O resultado segue abaixo. Ficamos no aguardo da lista aqui do nosso CJUB.

Ficou o gosto de 'quero mais'. Até o próximo natal. Antes disso, estamos lá, na nossa missa de sábado na Modern Sound entre 13 e 16 horas.

Orquestra = Duke Ellington
Combo = Art Blakey and The Jazz Messengers
Piano = Oscar Peterson
Baixo = Ray Brown
Bateria = Art Blakey
Percussão = Tito Puente
Vibrafone = Milt Jackson
Guitarra = Wes Montgomery
Órgão = Jimmy Smith
Harmônica = Toots Thielemens
Sax Alto = Charlie Parker
Sax Soprano = Wayne Shorter
Sax Tenor = Dexter Gordon
Sax Barítono = Gerry Mulligan
Flauta = Herbie Mann
Trombone = J.J. Johnson
Clarinete = Benny Goodman
Trumpete = Louis Armstrong x Dizzie Gillespie
Flugelhorn = Art Farmer x Clark Terry
Trompa = Jules Watts
Violino = Stephane Grappelli
Cantor = Joe Williams x Mark Murphy
Cantora = Ella Fitzgerald x Sarah Vaughan

HOMENAGEM A MARTHA TILTON

13 dezembro 2006

Martha Tilton tornou-se uma notável vocalista da era swing, nascida a 14/novembro/1915 no Texas de família bastante musical, seus pais tocavam piano e cantavam como amadores. Mudaram-se para Los Angeles em 1922 e pouco depois Martha tornou-se uma "teen singer" em uma rádio local. Dotada de uma voz graciosa logo atraiu um agente que a levou ao clube Coconut Grove para atuar com a Al Lippan's Band.
Mais tarde, juntou-se a Jo Stafford e outras formando um coro para as apresentações de Benny Goodman em shows no rádio. Seu sucesso foi estrondoso quando interpretou o clássico And The Angels Sings. Permaneceu com Goodman por mais 3 anos como a lady crooner da banda.
Em 1942, tornou-se a primeira artista a gravar na Capitol Records, permanecendo até 1949. Durante os anos de guerra estrelou os filmes musicais Swing Hostess (1944) e Crime, Inc. (1945). Outros filmes se seguiram aparecendo sempre como cantora lançando canções como Let's Capture That Moment, What a Fool I Was, I'm Guilty e Say It With Love. Anos mais tarde durante os anos 50 chegou a ter seu próprio programa de rádio - Liltin' Martha Tilton Time - também com várias apresentações em TV. Algumas de suas grandes gravações com bastante sucesso destacam-se: How Are Things In Glocca Mora, Time After Time, I Should Care, A Stranger In Town e I'll Walk Alone. Após seu casamento retirou-se do cenário musical para cuidar de seus 3 filhos.
Martha foi a vocalista estrela do famoso concerto de Benny Goodman no Carnegie Hall em 1938, interpretando uma canção tradicional escocesa Loch Lomond e depois Bei Mir Bist Du Schoen - título de uma canção em Yiddish que significa – "para mim você é tão linda" - no meio da execução Ziggy Elman e a banda evoluem para And The Angels Sings, talvez uma homenagem à própria Martha. Seu falecimento se deu a 8 de dezembro último aos 91 anos. Podemos ouví-la nestes 2 preciosos momentos do grande concerto de Goodman.


Loch Lomond (tradicional) arranjo Claude Thornhill – Martha Tilton vocal e solo de trompete por Harry James – Bei Mir Bist Du Schoen (Scholom Secunda, Jacob Jacobs) lyrics adaptado para o inglês por Sammy Cahn e Saul Chaplin. Solo de Martha Tilton vocal e Ziggy Elman ao trompete. Arranjo de Jimmy Mundy. Benny Goodman and his Orchestra. Gravações: 16 fevereiro de 1938 – Carnegie Hall – New York.
Fonte: CD – Benny Goodman - The Famous 1938 – Carnegie Hall Jazz Concert – Complete – Columbia – C2K65143 – 1999 – USA.

Clique para ouvir
Martha Tilton

MARTHA TILTON

12 dezembro 2006

Essa é só para avisar a Mestre Major que prepare homenagem para a cantora Martha Tilton, falecida em 8 do corrente, aos 91 anos de idade. Mestre Raffa foi quem informou. abcs
llulla

HISTÓRIAS DO JAZZ – 15

11 dezembro 2006



Horace Silver - a “Odisséia”

Foi em 1964 que Horace Silver veio ao Rio de Janeiro pela primeira vez. Não profissionalmente; apenas para ver o carnaval, filmar as escolas de samba e prestar atenção ao que se tocava aqui naquela época. Num belo sábado de sol, parti com minha bicicleta para a praia de Icaraí onde tínhamos um futebol organizado, com onze de cada lado, camisas, balisas, redes e tudo o mais. Quase chegando, vi no calçadão a figura de Horace Silver. Freei a bicicleta e fiquei aguardando quem o acompanhava. Era Sérgio Mendes, que vinha saboreando um sorvete e quando me viu falou: "Olha o homem aí"! Saltei da bicicleta para as apresentações e para minha surpresa o pianista pediu para dar uma volta. Claro que acedi e ele saiu pedalando pelo calçadão como qualquer niteroiense. (Aí Sérgio Mendes espalhou a notícia de que eu iria empalhar a bicicleta e pendurá-la na parede como troféu). Ao voltar, fomos os três até um bar próximo, para que Silver tomasse uma água mineral. E ali na conversa perguntei se ele tinha disponibilidade para ir ao meu programa. Tirou uma pequena agenda do bolso e informou que na próxima quarta-feira estaria disponível. Nessa época "O Assunto é Jazz" era apresentado às segundas, quartas e sextas feiras e portanto eu poderia anunciar a presença do grande músico no programa de segunda.
Na segunda feira fui à Casa Masson e comprei uma salva de prata, solicitando que fizessem a seguinte inscrição: A Horace Silver a homenagem do programa "O Assunto é Jazz" de Luiz Carlos Antunes. Niterói, fevereiro de 1964.

Não precisa dizer da ansiedade que tomou conta dos ouvintes mais chegados e que freqüentavam a rádio nos dias de programa. Fiz o anúncio e comecei a planejar como faria a audição.

Quarta- feira pela manhã liguei para Sérgio e me informaram que ele tinha ido para São Paulo. Liguei para Tião Neto e ninguém atendeu. Imaginei o pior. Deviam ter levado Silver para São Paulo. Saí do trabalho às cinco horas e fui para o restaurante Westfalia, pretendendo tomar alguns chopes para desanuviar. Não ia suportar um bolo daquele tamanho de cara limpa. Na hora do programa inventaria uma desculpa qualquer para justificar a ausência de Silver. Quase sete e meia, hora em que o Westfalia fechava, surgiu Leonardo Lenine de Aquino com sua Rolleiflex pendurada no pescoço e me informava: "Lula, o Silver me procurou para saber o endereço da rádio. Vou agora mesmo buscá-lo no hotel para irmos para Niterói".

Ganhei vida nova. Tomamos uma rápida saideira e partimos.

PROBLEMAS NA RÁDIO
Ao chegar à rádio, já encontrei Lenine, Silver e uma dúzia de amigos que desfrutavam alegres aquele encontro. Fui à técnica e pedi que o operador Jorge Gama preparasse o gravador (nesse tempo não havia cassete). Entreguei a ele a fita e aguardei as providências. Foi quando ele me informou que o gravador só podia ser usado para captar os debates na câmara de deputados. Já irritado, ponderei que naquela hora não havia sessão na Câmara e que ele preparasse a gravação. Temeroso que algo lhe acontecesse, pois já estava cercado por ouvintes do programa, colocou o gravador sobre a mesa de som e a fita no lugar adequado.
Entretanto, percebi após a abertura do programa que ele telefonava para alguém. Claro, temeroso de que alguma penalidade lhe fosse imposta pela direção da rádio por usar o gravador em programa "não autorizado", informou a um dos donos da emissora o ocorrido...
Estúdio cheio, gente na técnica e surge seu Dantas, a implicância em pessoa, e de saída me pergunta o que estava havendo. O que aquela gente toda estava fazendo ali. Informei que estávamos dando um furo, um dos maiores pianistas de Jazz estava participando do programa e "aquela gente" era parte da audiência que o programa possuía. Não satisfeito, foi para a Secretaria voltando logo depois com um papel datilografado que me entregou ordenando que eu lesse na hora. Era um aviso fúnebre, naturalmente forjado com o intuito de atrapalhar o programa. Soado o gongo, anunciei: "Uma nota: a familia do senhor fulano de tal comunica o seu falecimento e convida parentes e amigos para o seu sepultamento, que será realizado amanhã no cemitério do Maruhy às 16 horas. Comunicamos o falecimento do sr. fulano de tal".
Assim que o gongo soou fechando a comunicação, entrei da seguinte maneira:
"Bem, agora vamos ao que interessa. Jazz de primeira com Horace Silver nos honrando com sua presença". Então, fiz a entrega da salva de prata que ele, emocionado, agradeceu. E foi uma hora de Jazz mostrando faixas dos diversos álbuns de Silver que eu já possuía.

O "AFTER HOURS"
Saímos da rádio e fomos comer qualquer coisa e continuar o papo. Lembro-me bem que Silver, entre outras coisas, tinha preferência pelo saxofonista Hank Mobley, que achava insuperável e teceu admirações ao trompetista Clifford Brown. Chegamos ao "Braseiro", uma pequena churrascaria, onde mastigamos um tira-gosto e tomamos cerveja. Silver, entretanto, só quis guaraná, bebida pela qual se apaixonou. Dali fomos até a leiteria Brasil (hoje já não existe), porque Silver queria comprar uma lata de goiabada para levar para o pai. Queria também fumo de rolo mas, naquela hora seria difícil encontrar.
De repente, tive uma idéia. Surpreender Mr. Jones, (Raymundo Flores da Cunha), um dos integrantes do Clube dos Saúvas, levando Silver até sua casa. O pianista topou a idéia e lá fomos nós rumo à Rua Nóbrega, acordar o velho. Toquei a campainha e Mr. Jones, pela janelinha, perguntou quem era. Informei que éramos nós, levando uma novidade. Irritado, abriu a porta vestido com paletó de pijama e cueca "samba-canção". Olhou para cada um de nós (éramos seis) e ao dar com Horace Silver em sua casa, ficou elétrico. Foi para o quarto mudar de roupa, veio vestindo a calça pelo meio da sala e procurou em sua vasta discoteca um álbum para que Silver autografasse. Tão nervoso estava que deu ao pianista um album dos "Lighthouse All-Stars" para o autógrafo, que Silver, sorrindo, assinou. Quis ligar o som mas, impedimos que sua "máquina" fosse ligada, devido ao adiantado da hora. Em seguida nos despedimos e fui levar Silver e Leonardo Lenine de Aquino até as barcas, para o retorno ao Rio de Janeiro.
Quando ficaram prontas as fotos tiradas durante o programa, fiz cópia das melhores e enviei a Silver. Dias depois recebia pelo correio os dois últimos LPs gravados por ele para a Blue Note.

Foi essa a primeira grande façanha do programa "O Assunto é Jazz".

JAZZ ROOTS - Ótimo complemento para a série "MUSEU DE CERA"

10 dezembro 2006

Para os que vem acompanhando a sensacional série "MUSEU DE CERA", do Mestre MaJor, o site Jazz Roots poderá servir de bom complemento.

MUSEU DE CERA # 9 – BENNY GOODMAN

Benjamin David Goodman nascia a 30/maio/1909 em uma família judaica de origem russa, muito pobre, em Chicago. Seus rudimentos musicais foram adquiridos na Kehelah Jacob Synagogue com apenas 10 anos. Interessou-se pelo clarinete recebendo lições de Franz Schoepp um clarinetista clássico. Aos 12 anos de idade quando cursava a Harrison High School em Chicago, associou-se aos músicos de jazz do grupo conhecido como Austin High School Gang reunindo Budd Friedman, Jimmy McPartland, Frank Teschemacher, Dave Tough, dentre outros. Suas maiores influências ao clarinete foram Johnny Dodds, Jimmie Noone e Leon Roppolo, naturalmente os maiores àquela época.

Foi em uma apresentação em que Goodman imitava Ted Lewis, clarinetista e showman, que Ben Pollack o contratou para sua banda em 1925. A 17/dez/1926 grava seu primeiro solo em He's The Last Word ainda um tanto insípido e tímido. Em 1928 Pollack seguiu para New York e Goodman permaneceu com ele até setembro de 1929. Daí em diante até 1934 passa a músico free-lancer com trabalhos para o rádio, gravações de estúdio com Red Nichols, Ben Selvin, Ted Lewis, Tommy e Jimmy Dorsey, Johnny Green e Paul Whiteman, e na Broadway com as revistas Strike Up The Band (1930) e Girl Crazy (1931), ambas de George e Ira Gershwin. Suas importantes associações com o produtor John Hammond e o pianista Teddy Wilson se iniciaram durante este período.

Em 1934 Benny congregou sua primeira big band, contando com excelentes músicos como Bunny Berigan ao trompete, Jess Stacey ao piano e Gene Krupa à bateria, aliado a alguns magníficos e sofisticados arranjos de Fletcher Henderson. A “Era Swing” estava nascendo e da qual a Benny Goodman's Big Band foi uma das mais sólidas .
Por influência da escola Chicago Benny executava o clarinete ao estilo dixieland com grande técnica e habilidade na articulação do fraseado, seguindo os avanços conseguidos por Sidney Bechet e Barney Bigard, cria então, um estilo bem pessoal muito seduzido pela velocidade de execução, contudo mantendo sempre a preciosidade musical, enfim um virtuose de extrema qualidade.

Em outra seção do Museu vamos apresentar o início da swing big band de Benny e agora podemos ouví-lo no extraordinário That's A Plenty onde mostra suas virtudes técnicas e jazzísticas. Ótimo apoio do piano de Stitzel com direito a um pequeno solo de 12 compassos e Conselman à bateria mostrando os ensinamentos adquiridos de Gene Krupa.

That's A Plenty (Lew Pollack / Ray Gilbert) – Benny Goodman (cl e líder) – Mel Stitzel (pi) e Bob Conselman (bat). Gravação original: 13/jun/1928 – Chicago - VOCALLION 15705 (mx C2006) – Fonte: LP – The Rare BG 1927-29 - Sunbeam Records SB 112 – 1972 – USA.


Clique para ouvir That's A Plenty

HOMENAGEM A JAY McSHANN

09 dezembro 2006

James Columbus McShann foi um pianista de blues e swing, bandleader e cantor. Nascido em Muskogee, Oklahoma em 12/01/1916, iniciou sua carreira profissional em 1931 indo depois para Kansas City em 1936 quando monta sua big-band e em 1937 contrata Charlie Parker em seu primeiro emprego ficando com ele até 1942.

Embora seu currículo incluísse swing e blues a maioria de suas gravações é de blues, sendo uma das mais populares Confessin' The Blues. Após a 2a. Guerra McShann tornou-se líder de pequenos grupos de blues e de 1949 até 1969 se apresentou com certa obscuridade em pequenos clubes. A partir daí retornou para as gravações tornando-se muito popular como pianista e cantor de blues e depois dos 80 anos raramente se apresentava na área de Kansas City. Em 7 de dezembro de 2006 faleceu no St. Luke's Hospital em Kansas City.


Jay "Hootie" McShann encarnou o próprio estilo do jazz e blues de Kansas City ao contribuir para o blues em sua forma pianística, dominando a utilização dos riffs e a flexibilização do ritmo onde os 4 tempos do compasso são expressos de maneira igualmente acentuada o que produz um enorme equilíbrio ao swing, ou seja o balanço da execução.

Confessin' the Blues (McShann, Walter Brown) - Jay McShann (vocal e piano); Paul Quinichette, Buddy Tate (st); Joe Newman (tp); John Scofield (guitarra); Milt Hinton (baixo); Jackie Williams (bat). Fonte: LP - The Last Of The Blue Devils - ATLANTIC #SD 8800 - 1977

Clicar para ouvir Confessin' The Blues

2@@7 CHEGANDO !!!!

08 dezembro 2006

Estamos próximos do final de mais um ano, mas antes disto ainda tem alguns temas a serem lembrados...

* Stanley Jordan volta ao Rio de Janeiro neste final de semana
* O Espaço Victor Assis Brasil, na Lagoa (RJ) terá show na tarde de domingo, com homenagens a Victor, lembrado por músicos como João Carlos Assis Brasil e Luiz Avellar ao piano, José Staneck na Harmônica, Marcelo Martins ao sax, e o Nosso Trio, composto por Nelson Faria (violão), Ney Conceição (baixo) e Kiko Freitas (bateria)
* Está na hora de começarmos a pensar nos melhores do ano, e nos encontrarmos num final de tarde tal como em 2005 no Leblon

Bem, desde já gostaria de desejar a todos os Cjubianos, amantes do Jazz e da boa música, que tenham um ótimo Natal e um 2007 com muita Saúde, muita Paz, muita Harmonia, e possamos cada vez mais ouvir e assistir o Jazz, uma forma de se tocar a música.

Beto Kessel

MORREU JAY McSHANN !

Não quero ser portador apenas e notícias fúnebres mas a importância da perda nos coloca de volta ao assunto. Foi Mestre Raffa que me informou sobre o passamento de Jay McShann, honra e glória do Jazz de Kansas City, ocorrido em 7 do corrente. O pianista e maestro contava 90 anos de idade. RIP
llulla

- STAN GETZ E A CONTROVÉRSIA DO SOM COOL DE SAX-TENOR -

05 dezembro 2006

O saxofonista-tenor Stan Getz despertou a atenção dos críticos quando gravou o clássico “Four Brothers”, de Jimmy Giufre, com a orquestra de Woody Herman, em dezembro de 1947, tendo por companheiros na seção de saxes Zoot Sims e Herbie Steward (sax-tenor) e Serge Chaloff (sax-barítono). Essa gravação ficou famosa por ser o primeiro documento fonográfico em que quatro saxofonistas criaram uma sonoridade coletiva uniforme, mais contida e mais cool, ficando conhecidos como os Four Brothers.

Um ano depois, em dezembro de 1948, ainda com Woody Herman, veio a consagração definitiva de Getz através do seu memorável solo em “Early Autumn”, de Ralph Burns, plágio da velha canção “Something Sentimental”, grande sucesso na voz do maestro Vaughan Monroe no início dos anos 40. Os comentários sobre seu solo elogiaram sua sonoridade pura, sem vibrato e bastante intimista. Prestigiado pela crítica e parte dos músicos, abriram-se as portas do sucesso e da fama para Getz, então com 21 anos, recebendo a alcunha de “The Sound”, dando a ele o crédito por introduzir o novo som de tenor no jazz moderno.

Entretanto, verifiquemos atentamente a origem daquela sonoridade que passou a ser o modelo para os jovens saxofonistas. Getz recebeu o crédito, porém não foi ele quem criou o som cool do sax-tenor moderno.

Vamos objetivamente aos fatos. Façamos uma revisão da obra inicial de Getz. Antes de tocar com Woody Herman, ele gravou quatro temas para a Savoy, em 31 de julho de 1946, com Hank Jones (piano), Curley Russell (baixo) e Max Roach (bateria): “Opus de Bop”, “Runnin’ Water”, “Don’t Worry About Me” e “And the Angels Sing”. Sua sonoridade volumosa e seu ataque bastante agressivo são muito semelhantes ao estilo de Dexter Gordon e Morris Lane daquele período - pelos quais parece ter sido influenciado - contrastando frontalmente com seu solo de um ano e cinco meses depois em “Four Brothers”. Ninguém poderia imaginar que sua sonoridade se modificaria tão drasticamente.

No reverso da medalha, vejamos quem introduziu a sonoridade cool do sax-tenor no jazz moderno. É suficiente ouvirmos o solo de Herbie Steward (companheiro de Getz na banda de Herman) em “Introspection”, gravado em 15 de outubro de 1946, no álbum “Jazz Scene”– apenas dois meses e meio após as gravações de Getz para a Savoy – para perceber a diferença abissal entre as sonoridades de ambos e atestarmos, sem qualquer tênue sombra de dúvida, que Steward introduziu o som cool do sax-tenor no jazz moderno.

Coda: considerando as provas auditivas e suas respectivas datas de gravação, outra conclusão lógica é que Herbie Steward influenciou Stan Getz, fato jamais mencionado em livros, artigos ou comentários na imprensa jazzística.

Raf

P.S. Insisti na expressão "som cool do sax-tenor no jazz moderno" porque, como todos sabem, Lester Young criou a sonoridade cool do instrumento na Era do Swing, principalmente nas baladas.
A propósito, a grande maioria dos tenoristas revelados nos anos 40 e 50 foram influenciados por Lester "Pres" Young: Herbie Steward, Stan Getz, Zoot Sims, Al Cohn, Brew Moore, Jimmy Giuffre, Wardell Gray, Allen Eager, Dexter Gordon, Gene Ammons, Phil Urso, Dave Pell, Bill Perkins, Richie Kamuca, Bill Holman, Jay Migliori, Joe Romano, Don Rendell, Don Lanphere, etc, etc, etc, a lista é longa.

minha homepage: www.bjbear71.com/raffaelli/jose.html

TIM FESTIVAL 2006 (CLUB) - 27.10.2006 - MARIA SCHNEIDER JAZZ ORCHESTRA – @@@@@

04 dezembro 2006

Por Gilberto Brasil, especial para o CJUB

Numa única palavra: Magnífico! Fechando a noite do Palco Club no primeiro dia do TIM Festival, Maria Schneider, em apenas 4 temas, apresentou toda a diversidade de seu talento. Viajando dos jardins de Minnesota aos “mares” da Lua, ou da Andaluzia aos céus do Rio de Janeiro, fomos envolvidos por temas criativos, arranjos, texturas e harmonias inovadoras.

Apesar da orquestra ser em si o grande “instrumento” da maestra, Maria Schneider abre generosos espaços para seus solistas, porém sem abandoná-los, pois são acompanhados por ensembles ora delicados e pontuais, ora crescentes até climaxes eletrizantes.

Em Concert in the Garden, destacou-se a conversa permanente entre o piano (Frank Kimbrough) e o acordeão (Gary Versace), com tema e improviso entrelaçados de forma tão sutil que quase imperceptível.

Em El Viento, peça com inspiração flamenca, por trás dos solos do trombonista Vince Gardner (denso e vigoroso) e do trompetista Jason Carter (a la Ferguson), ambos novatos na banda, riffs crescentes dos 3 naipes de sopros foram o toque Big Band do concerto.

Sea of Tranquility é um presente de Maria ao melhor barítono da atualidade, Scott Robinson, que, à frente da orquestra, levou a platéia da Terra à Lua, apoiado num colchão sonoro sofisticado.

Ingrid Jensen (flugel) e Bob Shepard (tenor), em inspirados solos, voaram da Pedra da Gávea às areias de São Conrado em Hang Gliding, composição dedicada ao Rio de Janeiro, cujo arranjo traduz em sons os movimentos de uma asa delta.

No bis, com músicas e presença de Ivan Lins, destaque para os lindos arranjos e o ótimo solo de Gary Versace em Lembra de Mim, encerrando o show.

Não podemos deixar de ressaltar o trabalho espetacular da cozinha da orquestra, com solos de transição do guitarrista Ben Monder e atuação impecável de Greg Hutchinson, na bateria.

Maria Schneider alcançou o State of Art em Jazz Orchestra, e ouso afirmar que superou seus mestres, Gil Evans e Bob Brookmeyer. De fato, ela vem ampliando as fronteiras do Jazz.

Testemunhamos o “futuro” no presente.

A orquestra volta aos estúdios em janeiro, para gravar seu próximo cd – Sky Blue –, certamente uma nova viagem ao inexplorado.

Bravo, Maria !


(Gilberto Brasil é, há décadas, colecionador e estudioso do Jazz, e transformou-se na maior autoridade brasileira na carreira e obra da band leader Maria Schneider, de cuja amizade pessoal priva desde vários anos)

MENÇÃO EM DIRETÓRIO

02 dezembro 2006

O diretório brasileiro "Sobre Sites" incluiu o CJUB em seu diretório, sob a aba "Jazz em Português". Até agora constavam ali alguns outros sites, inclusive alguns d'além-mar, mas faltava a menção ao nosso.

A lamentar, apenas, que dentro do bem pequeno resumo sobre nossas atividades, apenas dois Mestres - do timaço dos Seis Monstros Residentes - tenham sido mencionados. Acredito que por mera falta de espaço, já que na cobrança "amigável" que fiz semana passada ao Emerson Marques Lopes, seu atencioso editor, sobre a nossa ausência do guia mesmo sendo um dos - pelo menos - mais antigos, fiz questão de mencionar nominalmente todos os craques que batem um bolão por aqui. Menos o Bené-X, que ainda precisa "envelhecer" um pouco mais, quem sabe num barril de carvalho francês... para adoçar o discurso. Mas já já chega lá.

Abraços,

MUSEU DE CERA # 8 - McKINNEY'S COTTON PICKERS

30 novembro 2006

em pé da esquerda para direita: Cuba Austin, Prince Robinson, George Thomas, Don Redman, Dave Wilborn, Todd Rhoades, Bob Escudero, sentados: John Nesbitt, Claude Jones, Milton Senoir, Langston Curl.



William McKinney (*1895 †1969), iniciou a carreira de músico como showman e baterista de circo, após ter servido na 1ª Guerra Mundial. Em 1922 formou o grupo The Synco Jazz Band em Springfield, Ohio. Em 1926 foi contratado por Jean Goldkette para ser a banda residente do Greystone Ballroom de Detroit passando então a se titular como os McKinney's Cotton Pickers.

De grande versatilidade musical misturava comédia com música leve e alguns números de Jazz arranjados pelo trompetista John Nesbitt. Mas a partir de 1927 com o ingresso de Don Redman saxofonista e magnífico arranjador também atuando como diretor musical o grupo se desenvolveu incorporando um estilo próprio bem mais jazzístico.

Somente no verão de 1928 começou a gravar na Victor, transferindo seus grandes sucessos como banda de salão para o disco, sendo então perpetuados. Em 1930 deixou de trabalhar sob os auspícios de Goldkette e saindo de Detroit foi para o Frank Sebastian's Cotton Club em Culver City na California e depois para Kansas City. Algo aconteceu após uma turnê no meio-oeste americano e a banda se dividiu, uma parte com Don Redman e outra mantendo o nome de Cotton Pickers sem McKinney e sob a direção de Benny Carter que acabou saindo em 1932.

McKinney desde então passou a empresariar e gerenciar várias bandas até que em 1943 largou o "music business" para ir trabalhar na fábrica de automóveis Ford em Detroit e por lá ficou até se aposentar ao final dos anos 50. Como vemos McKinney era chegado a coisas inusitadas como também jamais atuar na própria orquestra tendo contratado o baterista Cuba Austin.

De um modo geral a banda era excelente, do mesmo nível de outras como a de Duke Ellington, Fletcher Henderson ou Sam Wooding distinguindo-se pela precisão dos saxes e metais enfatizados pela suingante seção rítmica. Vários músicos de grande qualidade e futuro renome ali atuaram como: Benny Carter (cl, sa), Doc Cheatham (tp), Ed Cuffee (tb), Sidney de Paris (tp), Coleman Hawkins (cl, st), Quentin Jackson (tb), James P. Johnson (pi), Fats Waller (pi), Lonnie Johnson (gt), Claude Jones (tb), Kaiser Marshall (bat), Joe Smith e Rex Stewart (cornet).

Selecionamos o tema Nobody's Sweetheart para mostrar esta magnífica banda em toda sua plenitude apresentando ainda solos de Claude ao trombone, Nesbitt ao trompete e o scat de George Thomas mostrando tudo que aprendeu com Armstrong. Notem o excelente apoio rítmico do banjo e da tuba.

Nobody's Sweetheart (Gus Kahn / Ernie Erdman / Elmer Schoebel / Billy Meyers)
McKinney's Cotton Pickers: Langston Curl, John Nesbitt (tp), Claude Jones (tb), Don Redman (cl, sa), George Thomas (cl, st, vo), Prince Robinson (cl, st), Milton Senior (sa, cl) Todd Rhodes (pi), Dave Wilborn (banjo), Bob Escudero (tu) e Cuba Austin (bat). Arranjo de Don Redman e John Nesbitt. Refrão vocal por George Thomas.
Gravação original: Victor V-38000-B – 12/jul/1928 - Chicago – Fonte: LP - McKinney's Cotton Pickers Vol.1 (1928) – RCA - Black & White Vol.81 (741080) – 1973 – França.
Clicar para ouvir a MÚSICA

ALMOÇO AMANHÃ

Está confirmado o almoço habitual das primeiras sextas de cada mês. Embora não achasse que fosse preciso confirmar, faço-o a pedido do Bené-X.

Para quem quiser aparecer pela primeira vez, o endereço é: Rua da candelária, 9- 13o. andar (edifício da Associação Comercial do RJ), perguntem pela sala do CJUB(!) Agora com vista pra chuva.

E levem aqueles CDs que só vcs tem, para que ouçamos enquanto as idéias fluem.

Até lá. Abraços,

- SY OLIVER, UM DOS MÚSICOS MAIS AMÁVEIS, EDUCADOS E MODESTOS QUE CONHECI -

28 novembro 2006

Para os aficionados e entusiastas das novas gerações recém-inoculados com o micróbio do jazz, provavelmente o nome de Sy Oliver pode ser tão desconhecido e estranho quanto os de Copérnico, Indira Ghandi ou Galileu Galilei. É natural, os jovens e mesmo os não tão jovens recentemente expostos aos sons mágicos da música dos músicos não devem ter a menor idéia de quem se trata.

Sy Oliver (1910-1988) foi um dos mais originais, inovadores e talentosos compositores-arranjadores do jazz das eras pré-swing e swing. Hoje falam e escrevem muito sobre os pioneiros Fletcher Henderson, Jelly Roll Morton, Duke Ellington, Don Redman, Benny Carter e Horace Henderson, porém Sy Oliver, raramente citado, também foi um pioneiro.

Sy Oliver revelou-se no início dos anos 30 como trompetista, compositor, arranjador e ocasionalmente cantor da extraordinária orquestra de Jimmie Lunceford, formação inteiramente marginalizada, esquecida e desconhecida nos dias de hoje. Ele criou o “estilo Lunceford” com suas composições e arranjos inconfundíveis que deixaram a estampa da sua identidade na big band do maestro Lunceford. Como poucos, ele mesclava as diferentes seções melódicas da orquestra alternando-se na criação de passagens realmente originais nas suas brilhantes orquestrações. É suficiente ouvir "For dancers only”, “Swanee River”, “Deep River”, “Margie” e, principalmente, o sensacional “Organ grinder’s swing”, no qual a orquestra reproduz fielmente o som de um realejo (organ grinder significa realejo) e o tropel dos cavalos que puxavam as carroças que transportavam aquela engenhoca musical pelas ruas das cidades americanas.

Anos mais tarde, em 1939, o maestro e trombonista Tommy Dorsey fez uma oferta irrecusável a Sy Oliver para ser o compositor e arranjador exclusivo da sua orquestra. Imediatamente Sy entrou em ação, levando consigo alguns arranjos que escrevera para Lunceford. Com seu toque pessoal e genial, imediatamente modernizou o estilo da orquestra de Dorsey. Mas isto vem sendo devida e exaustivamente dissecado por nosso Mestre MaJor em seus memoráveis escritos.

Tendo iniciado minha vida de jazzófilo ouvindo as grandes bandas da Era do Swing, logo fiquei familiarizado com grande parte delas. Entre muitas outras, na minha preferência também estavam as de Lunceford e Tommy Dorsey, indissoluvelmente ligadas ao assunto deste relato.

Durante anos sonhava um dia encontrar Sy Oliver para conversarmos e obter o máximo de informações possíveis da sua notável carreira. Após anos aguardando essa possibilidade, com o passar do tempo fui perdendo paulatinamente a esperança, pois, todas as vezes que ia a New York, ninguém sabia do paradeiro dele. Conformado, deixei de lado esse sonho aparentemente irrealizável.

Diz um velho ditado que se acreditarmos firmemente num sonho, ele se realizará. E, para minha infinita surpresa, quando nada mais esperava a esse respeito, o ambicionado sonho materializou-se inesperadamente. Aconteceu em julho de 1982, logo depois da eliminação do Brasil pela Itália na Copa do Mundo da Espanha. Caminhava com minha esposa pela 50th Street, em New York, quando, ao passar em frente ao gigantesco Edifício Rockfeller, levei um susto ao ver, junto à porta, um enorme cartaz com os dizeres: “Tonight: the Sy Oliver Orchestra plays in the Rainbow Room Restaurant at 8:30 PM”.
Fiquei alucinado. Era a oportunidade que perseguia há anos. Entrei e o recepcionista informou que os ingressos estavam à venda no saguão do imponente restaurante, no 65º andar. Por sorte minha, havia mesas disponíveis junto ao palco. Imediatamente comprei uma estrategicamente colocada. Desembolsei a bagatela de U$130,00, que incluía o jantar, sentindo-me realizado. Finalmente ia ver, ouvir e falar com Sy Oliver. Minha mulher dizia a todo momento que eu parecia um menino perdido numa fábrica de brinquedos.
Juro que contei as horas antevendo a realização do velho sonho.

Chegamos às 8:00 PM e sentamo-nos na mesa reservada. O Rainbow Room é uma das maravilhas do mundo. Todo envidraçado, em formato circular, proporciona uma visão fabulosa de 360 graus de toda a área da fantástica megalópole. É de tirar a fôlego. Imaginem uma noite de verão sem nevoeiro e toda New York iluminada à sua volta proporcionando um panorama que nunca irei esquecer.

Finalmente chegou a hora. Os músicos tomaram seus lugares no palco e atacaram um blues de Sy Oliver. Na bateria, de cara reconheci o lendário Jimmy Crawford, que tocou com Lunceford, porque ele era sósia do antigo jogador Eli do Amparo, um brucutu que distribuiu botinadas no Vasco e na Seleção Brasileira. Outros conhecidos eram o trompetista Dick Vance e o tenorista Joe Thomas, este ex-sideman de Lunceford. Aí entrou Sy Oliver e atacou “For dancers only”. Fiquei petrificado! Queria que aquele momento se prolongasse por muitos anos. Mas, logo vieram “Margie”, “By the river Saint Marie” e outros temas que eu conhecia desde rapazinho. Aos poucos fiquei totalmente envolvido pela música e agradecia a Deus por me conceder a graça de estar ali.

Após Sy Oliver anunciar o intervalo, levantei-me rápido e convidei-o a vir à nossa mesa. Ele agradeceu e aceitou, porém ia ausentar-se por alguns momentos e voltaria em seguida. De fato, menos de cinco minutos depois estava de volta. Elegante em seu irrepreensível smoking, simpático e bem-falante, ficou surpreso quando eu disse ser brasileiro e que conhecia razoavelmente bem sua carreira, inclusive inúmeras gravações de Lunceford e Tommy Dorsey. Seguiu-se uma agradável conversa em que esse homem amável, inteligente e educadíssimo, sem pretensão alguma em jactar-se da sua trajetória, emocionou-me por sua modéstia e seus valores morais. Raramente encontrei alguém assim. No jazz, somente Dave Brubeck, Lee Konitz, Jim Hall, George Russell, Cannonball Adderley, Jaki Byard, Lester Young, Horace Silver, Dick Katz e talvez mais três ou quatro.

Entre outras revelações, contou-me que Jimmie Lunceford era um homem culto que exigia completa disciplina dos seus músicos, não só profissional como na vida pessoal. Entre suas exigências, Lunceford só contratava músicos que não bebiam e não fumavam. Antes das apresentações ao vivo da orquestra, passava seus integrantes em cuidadosa revista, verificando se os sapatos estavam engraxados, se a camisa estava alva como a neve, se a ponta do lenço branco no bolso superior do paletó era visível somente uma polegada, a medida exata que ele exigia e outros detalhes mais. Eu ouvia tudo fascinado.

A certa altura, perguntou-me se o jazz tinha seu público no Brasil. Foi então que as surpresas aumentaram ainda mais ao mencionar que, no início da década de 30, teve um amigo brasileiro que era pianista e compositor. Perguntei-lhe o nome do amigo. Seguiu-se um diálogo que tentarei reproduzir o mais fielmente possível:

Sy – Chamava-se Fernando Pessoa Cavalcante, era muito talentoso. Tocava piano muito bem e vendeu algumas composições para ganhar dinheiro. Uma delas foi “Dardanella”, que foi um grande sucesso da orquestra de Paul Whiteman. Você o conhece ?

Raf – Não o conheci, mas sei que ele morreu há muitos anos porque sou amigo de um filho dele, que mora em São Paulo. Chama-se José Candido Cavalcante e tocou trombone num conjunto dixieland.

Sy – Lamento saber que Fernando faleceu. Não sabia que tinha um filho, deve ter nascido depois que ele voltou para o Brasil. Lembro muito bem dele.

Nesse momento, ele olhou para o relógio e disse que em cinco minutos voltaria ao palco. Perguntei se incluíra no repertório o clássico “T’Ain’t What To Do”, ao que respondeu que sim.
Pediu licença para retirar-se e, antes de subir ao palco para o segundo set, despediu-se demonstrando sua modéstia virtualmente incomparável, como nunca ouvi de outro ser humano:

Sy – Pode fazer-me uma gentileza quando regressar ao Brasil ? Dê minhas lembranças ao filho do Fernando Pessoa Cavalcante. Mas, por favor, não esqueça que meu nome é Sy Oliver.

Dá pra acreditar ? Nunca vi tanta modéstia. Bolas, passei o tempo todo dizendo quanto admirava o trabalho dele e no final pediu que não esquecesse seu nome!

Encerrando aquela noite inesquecível que tanto me emocionou, Sy dedicou o último número “ao amigo brasileiro José”. Adivinhem qual foi. “T Ain’t What To Do”, com direito àquela memorável batalha de três trombonistas como ouvimos na gravação do próprio Sy Oliver para a Decca, e a coreografia das seções melódicas da orquestra voltando-se alternadamente para a direita e esquerda, produzindo um efeito visual dos mais espetaculares.

Desnecessário dizer que saí do Rainbow Room em estado de graça.
Desculpem a extensão deste relato, que planejava escrever há tempos, mas só hoje criei coragem. Prometo nas próximas ser muito mais lacônico.
Raf

minha homepage: www.bjbear71.com/raffaelli/jose.html

WALTER BOOKER

Alô amigos,
Mestre Raffa também me informou sobre o falecimento do contrabaixista Walter Booker aos 73 anos de idade. O público carioca teve oportunidade de conhecê-lo em duas ocasiões. Em 17 de maio de 1982, no Teatro Municipal, integrando o quarteto do trumpetista Charles Tolliver; e em 2l de outubro de 1987, fazendo parte do trio de acompanhamento de Sarah Vaughn no Hotel Nacional.

NÃO É NADA, NÃO É NADA, É MUITO!!! DAPIEVE!

27 novembro 2006

Temos notado como ultimamente mais e mais cronistas de jornais do Rio que não são aberta e sabidamente jazz enthusiasts, vem escrevendo sobre o assunto.

Agora - o artigo está anexado, cliquem - foi o cada vez melhor Artur Dapieve, que comentou com propriedade, na última sexta, 24/11, o lançamento da série de nove discos lançados na coletânea que celebra os 45 anos da gravadora Impulse!, assunto de que também se ocupou o nosso Mestre LOC em sua coluna da mesma data (e que não consegui trazer graficamente para cá, sinto).

Depois das crônicas recentes de Arnaldo Bloch sobre jazz, no mesmo Segundo Caderno do O Globo, é como um bom vento saber que mais e mais leitores estão tendo chance de tomar contato, mesmo que de forma ligeira, com o universo jazzístico. Mesmo que costumem ainda tender a elitizá-lo em seus textos, permitem assim mesmo algumas espiadas dos leigos absolutos para dentro desta misteriosa caixa preta e mesmo que residualmente, abrem a possibilidade de que esta arte seja compreendida por mais alguns.

Some-se a isso a "vitória" enfim alcançada pelo nosso confrade Raynaldo que, sabe-se-lá-como, conseguiu, no último Tim Festival, ter presentes às apresentações jazzísticas - e olha que em dias diferentes, para não dizer que foram todos lá para ver o H. Hancock - outros três Cassetas, a saber, Hélio de La Peña, Claudio Manoel e Beto Silva. Bela conquista, já que os textos da trupe são historicamente contra o jazz e seus aficionados, sempre taxados de chatos. Sempre achei que, no fundo, era uma maneira deles mexerem com o parceiro baixista, mas acho que estão abrindo os olhos, mesmo que tardiamente. Agora a missão para o próximo ano será desencantar o Marcelo Madureira e levá-lo a qualquer audição de bom jazz. Quem sabe, com a ajuda do Dapieve? (Enquanto isso, Raynaldo, se quiser mandar pra gente alguma daquelas belas charges jazzísticas, a gente publica).

Ao contrário do que pregava o jornalista Ibrahim Sued, que dizia "falem mal, mas falem de mim", o jazz precisa, cada vez mais, que se fale dele. E sempre que possível, bem, muito bem ou maravilhadamente, já que vem "levando tinta" faz tempo.

É mais do que chegada a hora da plena compreensão do que o jazz de fato representa, como arte, como estilo e como fator de desenvolvimento musical.

Daqui meu abraço de agradecimento ao Dapieve, ao Bloch e a (quase) todos os demais jornalistas não especializados que gostam de jazz e abrem espaço em suas colunas para ele.

LEONARDO AMUEDO




Leonardo Amuedo é o nome deste guitarrista uruguaio-carioca que vem roubando a cena pelos palcos onde passa. É fácil encontrá-los nas jams do Quiosque Drink Café, Mistura Fina ou na Moderd Sound, além de sideman do Ivan Lins.
Aqui, ao lado do baixista Daniel Mazza interpretando uma Batida Diferente.

PREMIUM JAZZ

26 novembro 2006



Em uma sessão de 1957 da Count Basie Band, Dickie's Dream, com o chefe no piano, Ben Webster tocando um sax encapetado (e Billie Holliday passeando no set, batendo papo com Basie), Benny Morton, Vic Dickenson e Dickie Wells nos trombones, Gerry Mulligan (bs), Roy Eldridge (tp), e mais Jo Jones na batera, e Freddie Green na guitarra. Há mais dois trompetistas distintos que não são identificados (Mestres, acorrei!).

Muito bom.

A LISTA DE MELHORES DISCOS DA "ALL ABOUT JAZZ"

Poizé. Agora, vem a lista dos cinco melhores discos de cantoras de 2006, elaborada pelos editores da revista All About Jazz, uma espécie de guia mensal do Jazz em New York. A lista saiu em ordem alfabética (faz diferença?):
Fay Claassen, "Sings Two Portraits of Chet Baker" - não sei quem é.
Gal Costa, "Live at the Blue Note" - sei muito bem quem é.
Roberta Gambarini, "Easy to Love" - boa!
Stacey Kent/Jim Tomlinson, "The Lyric" - não ouvi ainda.
Nancy King, "Live at the Jazz Standard" - acho-a chata no geral.

AVE ANITA

25 novembro 2006

Quando morre um parente nosso, a gente fica todo condoído e não titubeia em rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria. Às vezes, a gente esquece que certas pessoas conviveram com a gente por uma vida embora não sejam parentes. São amigos que a gente nem conheceu pessoalmente, mas ficava alerta a cada novo disco, por um novo deleite. Assim como literalmente chorei a morte de Elis, não posso deixar de me emocionar com esta notícia.

Faço meus os comentários de David Brent Johnson da Rádio WFIU de Bloomington, Indiana:

There are singers you like, singers you respect, singers you admire, and singers that you just love beyond the boundaries of rational discussion (the rational reasons for such love are there -- you just don't need or care to discuss them). There are very, very few vocalists I've loved more than Anita O'Day. I'll be spending a lot of time revisiting the Mosaic set and other albums tonight... RIP and thanks for everything, Miss O'Day. David J. WFIU-Bloomington,IN

-//-

ANITA O'DAYOctober 18, 1919 - November 23, 2006 Jazz vocal legend Anita O'Day passed this morning November 23, 2006 at 6:17 AM in West Los Angeles. The cause of death was cardiac arrest according to her manager Robbie Cavalina.Born Anita Belle Colton in Chicago, Illinois on October 18, 1919, O'Day got her start as a teen. She eventually changed her name to O'Day and in the late 1930's began singing in a jazz club called the Off- Beat, a popular hangout for musicians like band leader and drummer Gene Krupa. In 1941 she joined Krupa's band, and a few weeks later Krupa hired trumpeter Roy Eldridge. O'Day and Eldridge had great chemistry on stage and their duet "Let Me Off Uptown" became a million-dollar-seller, boosting the popularity of the Krupa band. Also that year, "Down Beat" magazine named O'Day "New Star of the Year" and, in 1942, she was selected as one of the top five big band singers. After her stint with, Krupa, O'Day joined Stan Kenton's band. She left the band after a year and returned to Krupa. Singer Jackie Cain remembers the first time she saw O'Day with the Krupa band. "I was really impressed," she recalls, "She (O'Day) sang with a jazz feel, and that was kind of fresh and new at the time." Later, O'Day joined Stan Kenton's band with whom she cut an album that featured the hit tune "And Her Tears Flowed Like Wine" In the late'40s, O'Day struck out on her own. She teamed up with drummer John Poole, with whom she played for the next 32 years. Her album "Anita", which she recorded on producer Norman Granz's new Verve label, elevated her career to new heights. She began performing in festivals and concerts with such illustrious musicians as Louis Armstrong, Dinah Washington, Georg Shearing and Thelonious Monk. O'Day also appeared in the documentary filmed at the Newport Jazz Festival in 1958 called "Jazz on a Summer Day", which made her an international star. Throughout the '60s Anita continued to tour and record while addicted to heroin and in 1969 she nearly died from an overdose. O'Day eventually beat her addiction and returned to work. In 1981 she published her autobiography "High Times, Hard Times" which, among other things, talked candidly about her drug addiction. Her final recording was "Indestructible Anita O'Day" and featured Eddie Locke, Chip Jackson, Roswell Rudd, Lafayette Harris, Tommy Morimoto and the great Joe Wider. A documentary, "ANITA O'DAY - THE LIFE OF A JAZZ SINGER" will be released in 2007.

The Jezebel of Jazz,' Anita O'Day, Dies of Pneumonia at 87by Adam BernsteinWashington Post, November 24, 2007Anita O'Day, 87, whose breathy voice and witty improvisation made her one of the most dazzling jazz singers of the last century and whose sex appeal and drug addiction earned her the nickname "the Jezebel of Jazz," died of pneumonia Nov. 23 at a convalescent hospital in West Los Angeles.Ms. O'Day led one of the roughest lives in jazz, possibly surpassed only by her idol, Billie Holiday. Impoverished and largely abandoned in childhood, she became a marathon dancer and changed her surname from Colton to O'Day, pig Latin for "dough," slang for money.Over a five-decade career, a mental breakdown, a rape, numerous abortions, a 14-year addiction to heroin and time in jail all contributed to her legend as a survivor. Her 1981 as-told-to autobiography was appropriately titled "High Times, Hard Times."However, as a singer she soared. Jazz writer Nat Hentoff declared her "the most authentically hot jazz singer of all."In the 1940s, when most "girl singers" were pert appendages to a featured band, Ms. O'Day was a star attraction who often enlivened the orchestra with her playful and inspired vocals. She said she saw herself as an instrumentalist and often wore a band uniform instead of an evening gown.She was among the hippest female singers of the big-band period, lending rare emotional resonance to the relentlessly up-tempo and brassy big bands of Gene Krupa and Stan Kenton. She gave both orchestras their first million-selling hits, doing a rare interracial duet on "Let Me Off Uptown" with Krupa trumpeter Roy Eldridge and then the novelty number "And Her Tears Flowed Like Wine" with Kenton's ensemble.For Verve records in the 1950s, she performed some of the most inventive interpretations of jazz standards. Andy Razaf, who wrote the words to Fats Waller's "Honeysuckle Rose," once said hers was the definitive version of the tune -- surpassing even Waller's recording.Ms. O'Day was sometimes compared to Holiday, with whom she shared a tendency to project vulnerability through a calculated crack in her tone. She also was highly regarded for her scat singing.Her signature sound created an elasticity with words, often breaking them into faster eighth and sixteenth notes instead of quarter notes, which were harder for her to sustain. This tendency was a result of a childhood tonsillectomy in which the doctor accidentally removed her uvula, the bit of flesh in the throat whose vibrations control tone.To compensate, she would playfully stretch single-syllable words; "you" would be "you-ew-ew-ew," love would became "lah-uh-uh-uv.""When you haven't got that much voice, you have to use all the cracks and crevices and the black and the white keys," she once said.Ms. O'Day was born Anita Belle Colton in Chicago on Oct. 18, 1919. Her father was a printer, and her mother worked at a meat-packing plant.In the mid-1930s, she dropped out of school and hitchhiked to Muskegon, Mich., to enter a walkathon, one of the Depression-era crazes in which contestants were fed in exchange for brutal entertainment.After some singing experience, she won a positive review in Down Beat magazine while performing in a downtown Chicago club with Max Miller's band. Krupa hired her and Eldridge in 1941. The jazz writer Will Friedwald noted that the new additions "galvanized the Krupa men and positively transformed the band into one of the most powerful bands of the great era, putting it in a class with Ellington, Basie, Goodman and Dorsey."Her first million-selling record -- and best-known early recording -- "Let Me Off Uptown" paired O'Day's sultry vocalizing with Eldridge's raspy voice and roaring trumpet. The flirting between the white O'Day and black Eldridge was groundbreaking. "Do you feel the heat?" she asks Eldridge before instructing him to "blow, Roy, blow!"Besides Krupa's group, she also spent shorter and less-enjoyable stints with Woody Herman and Kenton, whose intellectual, "modern" sound did not mesh with her accent on easy swing.The relentless performing on tour triggered a nervous breakdown, and over the next decade, she was jailed for marijuana and heroin possession.She downplayed her arrests, writing in her autobiography that she "looked on serving my sentences as a kind of vacation.... Rehabilitated? Hardly. Rested? Definitely."In 1956, she was signed by Norman Granz's Verve records, and the nearly 20 albums she put out during the next decade were among her most tantalizing, including "Anita" (with "Honeysuckle Rose"), "Pick Yourself Up," "Anita O'Day Swings Cole Porter," "Waiter, Make Mine Blues," "All the Sad Young Men" and "Travelin' Light."She also played with Benny Goodman (who in the early 1940s refused to hire her because she was not disciplined enough to stick to a music chart), Stan Getz, Dave Brubeck, Count Basie, Louis Armstrong, Lionel Hampton, Joe Williams and Oscar Peterson.She had a 32-year musical association with drummer John Poole, who she said introduced her to heroin.Her vibrant appearance in the 1959 documentary "Jazz on a Summer's Day," a film about the 1958 Newport Jazz Festival, made her an international celebrity and brought her important dates in Japan and England.Then, in 1966, she nearly died of a heroin overdose in a bathroom in a Los Angeles office building. The experience rattled her, and she quit heroin at once. Most of her money gone, she spent the rest of her life struggling financially.In the early 1970s, she was living in a $3-a-night hotel in Los Angeles but she revived her career over the next decade, culminating in a profile of her on the CBS newsmagazine "60 Minutes."She received her first Grammy nomination in 1990 for "In a Mellow Tone" and was given an American Jazz Masters award in 1997 by the National Endowment for the Arts.When interviewed, her voice indicated an unyielding distress and frequent irritation. She told a reporter that alcohol provided a welcome relief for her at the end of the day. In 1996, permanent alcoholic dementia was diagnosed.She played jazz dates until late in life -- with embarrassing results as her frailties overtook her talent. But she was to be honored in March 2007 as one of the "living legends" of jazz as part of the Kennedy Center's Jazz in Our Time festival.Her marriage to drummer Don Carter, which she said was never consummated, was annulled. A marriage to golfer Carl Hoff, whom she called unfaithful, ended in divorce.She said she never wanted children, telling People magazine, "Ethel Kennedy dropped 11. There are enough people in the world. I did my part by raising dogs."She dedicated her autobiography to her dog.

Anita O'Day, 87, Big Voice from Big-Band Era, Diesby Dennis McLellanLos Angeles Times, November 24, 2006Anita O'Day, who shot to fame as a singer with drummer Gene Krupa's swing band in the early 1940s and became one of the most distinctive voices in the history of jazz, died Thursday. She was 87.O'Day died of cardiac arrest in a convalescent hospital in West Los Angeles, according to her manager, Robbie Cavalina. She had been in declining health battling Alzheimer's and had a recent bout with pneumonia.Known as hip-talking, blunt and feisty, O'Day launched her career as a teenager while competing on the Depression-era Walkathon circuit. She was still a relatively unknown singer in jazz joints in her native Chicago when Krupa hired her as his $40-a-week vocalist in 1941.She was born Anita Belle Colton in Chicago on Dec. 18, 1919. Her father left when she was 1 year old; her mother, whom O'Day portrayed in her book as cold and indifferent, worked in a meat-packing plant.An only child, O'Day began singing as a young girl in church during summer visits to her grandparents in Kansas City.She left home at 14 and, with her mother's approval, hitchhiked to Muskegon, Mich., to enter a Walkathon, a 24-hour-a-day endurance contest similar to the dance marathons that were the rage with out-of-work Americans during the Depression.O'Day then began traveling in the Midwest as a professional Walkathon contestant. "I got fed seven times a day and I was having a ball," she told People magazine in 1989. "When you are 14, you don't hurt."She made extra money singing, dancing and selling pictures of her and her partner. During this time she changed her name to "O'Day," which she later explained was pig Latin for the "dough" she hoped to make.O'Day, who once logged 97 straight days walking, spent two years on the circuit before a truant officer caught up with her and forced her to return home to finish school.She went to school during the day, but nights she began singing in taverns in the Uptown area of Chicago's North Side. In 1939, she was hired to sing at the Off-Beat Club in downtown Chicago. At the end of her debut five-song set, she received a standing ovation."People shouted, stamped, applauded, whistled, stood on their chairs and cheered," she wrote in her autobiography. "It was the response you dream about... I was a success beyond my wildest expectations... I wasn't just the toast of Chicago nightlife; I was the toast of all the hep... musicians and hepcats in the city."Billed as the "Jezebel of Jazz" a decade later, O'Day titled her 1981 autobiography "High Times, Hard Times." In it, she described a life that included back-room abortions, a nervous breakdown, two failed marriages, jail time for drug possession and more than a decade-long addiction to heroin that nearly killed her with an overdose in 1966."She was a wild chick, all right, but how she could sing!" Krupa once said.O'Day sang with what jazz critic Leonard Feather described as a "note-breaking, horn-like style and hip, husky sound."As a result of having her uvula (the small, fleshy part of the soft palate that hangs down above the back of the tongue) accidentally cut off by a doctor during a tonsillectomy at age 7, O'Day had no vibrato and was unable to hold notes."I'm not a singer; I'm a song stylist," O'Day said in a 1989 interview with The New York Times. "I'm not a singer because I have no vibrato.... If I want one, I have to shake my head to get it. That's why I sing so many notes -- so you won't hear that I haven't got one. It's how I got my style."O'Day scored one of the Krupa's band's greatest hits with "Let Me Off Uptown," with trumpeter Roy Eldridge, in 1941. It featured Eldridge's memorable plea, "Anita, oh Anita!... say, I feel somethin'!" before he launched into an electrifying solo passage.Named "New Star of the Year" by Down Beat magazine, O'Day went on to amass other hits with the Krupa band, including "Alreet," "Kick It," and "Bolero at the Savoy."In his book "The Big Bands," George T. Simon wrote that O'Day's "rhythmic, gutty, illegitimate style first confused but soon converted many listeners. Whereas most band girl singers had projected a very feminine or at least cute girl image, Anita came across strictly as a hip jazz musician."Indeed, O'Day even set a style for female band singers by wearing a band jacket, skirt and shirt instead of a gown on stage during long road trips.After leaving Krupa, O'Day was a vocalist with Stan Kenton's band from 1944 to '45; her most popular recording with Kenton was the million-selling "And Her Tears Flowed Like Wine."In 1945, Down Beat named O'Day "Top Girl Band Vocalist," and 22 jazz critics voted her "Outstanding New Star" in an Esquire magazine poll.In the early '50s, she recorded on jazz impresario Norman Granz's Clef and Norgran labels and, beginning in the mid-1950s, she recorded a series of well-received albums for Granz's Verve label, including "Anita" (1955), "Pick Yourself Up" (1956), "Anita O'Day Sings the Winners" (1958), "Cool Heat" (1959) and "All the Sad Young Men" (1961).A memorable appearance at the 1958 Newport Jazz Festival, in which she sang nine songs, was captured in photographer Bert Stern's documentary "Jazz on a Summer's Day." The documentary, which spotlighted O'Day singing "Tea for Two" as a fast tune and also "Sweet Georgia Brown," added to her stature as a jazz legend, made her a star in Japan and paved the way for international tours.At the time of her triumphant Newport Jazz Festival appearance, O'Day was well into her 14-year addiction to heroin.As a band singer, she said in a 1973 Los Angeles Times interview, "The narcotics thing was just there. It was what was happening. Kept me in and out of trouble for 20 years; cost me a couple of very nice houses, the Jaguar, the self-respect, everything. I got busted the first time for marijuana and served 45 days. Next time was for pot again -- I got 90 days, but they gave me 45 off for good behavior. These were misdemeanors."But the third time around, I got busted for heroin. That was a bum rap -- a musician set me up for it. He was able to keep out of trouble by turning someone else in every so often. They put me in jail for six months. Well, I figured I had the name, I might as well play the game. So when I got out, I decided to try it. It's like quicksand -- you never get out."After a near-fatal overdose in Los Angeles in 1966, she kicked her heroin habit cold-turkey, although she turned to alcohol.O'Day, who continued singing into her 80s, was married in her early years to musician Don Carter and golfer and businessman Carl Hoff. The marriage to Carter was annulled, and the marriage to Hoff ended in divorce.She leaves no immediate survivors.

Here are four mp3 audio files that you can download of Anita's appearance on Art Ford's Jazz Party. Taped during the week of an engagement at the Village Vanguard in 1958, this is prime Anita, and is the complete broadcast that is excerpted on the Sunday Night clip on YouTube. Anita sings Body And Soul, Tea For Two, and Let's Fall In Love.

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