Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

COUNTRY JAZZ ?

31 maio 2007

Neta de Frank Welsman – foi o fundador e primeiro regente da Orquestra Sinfônica de Toronto - , a cantora e pianista canadense Carol Welsman segue construindo uma carreira consistente no cenário jazzístico mundial. Somente em seu país já vendeu cerca de 100 mil CDs, fato não muito comum por aquelas bandas. Por dominar vários idiomas, Carol tem facilidade para compor um repertório sempre versátil e agradável – ela tem também uma admiração toda especial pela boa música brasileira. Foi várias vezes nominada ao Juno Awards (uma espécie de Grammy canadense). No seu currículo constam uma graduação em “piano performance” na Berklee e aulas com Christiane Legrand (irmã do Michel). Esteve no Brasil, onde se apresentou com Oscar Castro Neves no Mistura Fina e Bourbon Street (São Paulo). E acaba de lançar o seu 6º CD (What’Cha Got Cookin’), acompanhado de DVD, onde ela investiga com uma linguagem jazzística bem própria alguns standards da música country norte-americana. Carol hoje mora em Los Angeles, onde agora se apresenta com crescente sucesso.
Diz Don Heckman, Los Angeles Times: Carol é rara descoberta: uma artista sólida em musicalidade, imaginação e com todas as condições para atingir o topo no cenário do jazz vocal mundial”. Completa o jornal: público e músicos são unânimes – Carol é um extraordinário talento e uma das melhores cantoras e pianistas nos Estados Unidos.
What’Cha Got Cookin’ é o primeiro CD sob direta influência norte-americana. A seu lado aparecem músicos de primeiríssima linha, como o saxofonista Tom Scott, o tecladista e arranjador Randy Waldman, o guitarrista Grant Geissman, além de Kevin Axt (baixo) e Ray Brinker (bateria), ambos usuais parceiros da ótima vocalista Tierney Sutton. A idéia desse CD partiu do produtor Pierre Cossette, que desafiou Carol a se familiarizar com a música country e tratá-la com um foco mais jazzístico. O DVD mostra a cumplicidade dos músicos no projeto e o que se pode constatar é um resultado onde não faltam bom gosto e competência. Entre os “hits” da música country, destacam-se By The Time I Get To Phoenix (Jimmy Webb), Everybody’s Talkin’ (F. Neil), I Can’t Stop Lovin’ You (D. Gibson), Just A Little Lovin’ (Arnold & Clements), I Feel Lucky (Chapin & Carpenter), entre outros. O CD + DVD foi inicialmente lançado no Japão, recebendo só agora uma edição americana através da Koch Records. Se não há um clima estritamente jazzístico, sobra criatividade. Há quem diga que Carol não deve nada à conterrânea Diana Krall. Nada mesmo.

PS. Vale a penas visitar o site www.carolwelsman.com , onde há até um vídeo onde Carol aparece tocando com Herbie Hancock.
PS II. Pelo que se sabe, quando ela esteve no Mistura, nosso pequeno grande Sazz lascou-lhe um beijo. Houve certo malabarismo para tal, já que a moça mede quase 1.90. De lá para cá nosso inquieto cejubiano vem sendo cogitado para competir no Pan - salto com vara...




Carol Welsman - I ...

ALMOÇO AMANHÃ

Reunião-almoço da Confraria CJUBiana a partir das 13 horas, na mesma sala com vista pro mar de sempre. Confirmados, desde já, os Mestres Raf e MaJor. Mestre Goltinho, que não tem email, vai ser avisado pessoalmente esta noite.
Peço aos que não irão que se manifestem, para reservar adeqüadamente o espaço.

Até lá.

MUSEU DE CERA # 21 Freddie Keppard

30 maio 2007

Freddie Keppard talvez tenha sido o mais importante músico que sucedeu a Buddy Bolden como "rei" dos cornetistas de New Orleans, mas antes do cornet tocou bandolim formando um duo com seu irmão guitarrista Louis, e ainda executou o violino e acordeão. Iniciou sua carreira exclusivamente no cornetim em 1906 tendo nascido em 1890, integrando a Olympia Orchestra e algumas marching bands, trabalhando em funerais e alguns clubes de Storyville. Tocou também com o baixista Bill Johnson juntando com ele e mais o clarinetista Jimmie Noone um grupo que ao ir para Los Angeles tornou-se conhecido como a Original Creole Orchestra e de 1914 a 18 excursionou pelos EUA em shows de vaudeville difundindo a música de New Orleans, uma das primeiras bandas de negros a sair do sul do país, passando pelos grandes centros como Chicago e New York. No início dos anos 20 trabalhou em várias bandas tais como: Doc Cook's Dreamland Orchestra, King Oliver no Royal Garden Café, Erskine Tate, Ollie Powers, Jimmie Noone no Lorraine Club e a Charles Elgar Creole Orchestra no famoso Savoy Ballroom.
A esta época já gravava discos tendo alcançado enorme sucesso com a canção Stock Yard Strut liderando os Jazz Cardinals em 1926. Keppard infelizmente se tornou um alcoólatra redundando em uma pessoa instável e de comportamento nada confiável o que veio a prejudicar enormemente sua carreira. Continuou trabalhando até 1928, liderando a La Rue's Dreamland Band, quando adquiriu tuberculose e enfraquecido pelo álcool veio a falecer em 1933 em Chicago em total obscuridade musical.
Keppard perdeu a oportunidade histórica de fazer a primeira gravação sob a chancela de música de Jazz tendo sido convidado pela Columbia em 1916 recusou receoso de que gravando em disco seu estilo e técnica poderiam ser imitados com facilidade por outros instrumentistas concorrentes. Acreditamos que não se pode recriminá-lo se lembrarmos de que se tratava afinal de uma tecnologia emergente, até certo ponto assustadora, uma vez que perpetuada uma apresentação sua, a mesma poderia ser repetida quantas vezes em qualquer local. Naturalmente a visão de Keppard como uma pessoa muito simples e sem muita instrução que era, teria sido mesmo de insegurança, de incerteza, àquela época o comércio de discos era muito incipiente e o músico ganhava dinheiro nos ballrooms, teatros e clubes, então porque gravar? assim recusou o convite.
Para ilustrar o Museu selecionamos um dos seus maiores sucessos no qual mostra todo o vigor e potência que empregava ao cornetim, além de interessante fraseado.

Stock Yard Strut (Jasper Taylor) – Jazz Cardinals - Freddie Keppard cornet e líder, Arthur Campbell (pi), Johnny Dodds (cl), Jasper Taylor (wood blocks) e Eddie Vincent (tb).
Gravação original: Paramount 12399-A de 26 / julho/1926 – Chicago.
Fonte: CD - The Legend – Freddie Keppard - Pearl 1052 – 1996 – USA
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MARCIN WASILEWSKI

Mais um europeu em destaque, Marcin Wasilewski, o pianista que dá o toque refinado ao quarteto do trompetista polaco Tomasz Stanko.

Começou a estudar piano aos 7 anos, estudou música clássica e se encantou pelo estudo do jazz aos 13, sempre com a lembrança de seu primeiro contato com a música aos 6 anos de idade levado pelo seu tio baterista. Diz ele : "... como as pessoas podem não gostar de jazz, a música foi muito clara para mim já naquela idade".
E a discoteca de seu pai ajudou ao menino dando-o a oportunidade de ouvir Oscar Peterson, Chick Corea e Herbie Hancock. E foi um vídeo de Keith Jarrett em um concerto no Japão que o fascinou de verdade, o qual ele assistia todos os dias e sonhava algum dia tocar aquele tipo de música.
Pois é, sorte a nossa !
Daí nasceu o Simple Acoustic Trio, um grupo nascido na escola cujo nome foi escolhido em inglês porquê, para eles, jazz é música americana.

O encontro de Marcin Wasilewski com Tomasz Stanko deu-se quando ele tinha 16 anos, na época Marcin já desenvolvia um trabalho com seu trio enquanto Stanko já brilhava em palcos internacionais ao lado do pianista Bobo Stenson. Para Marcin, Stanko era um músico especial, era "o" trompetista. O viu pela primeira vez na TV ao lado de Stenson, Anders Jormin and Tony Oxley, um quarteto extraordinário, com uma música que flutuava entre o free e o tradicional, algo que soava ainda estranho para seus ouvidos.
Para Marcin, foi a grande escola, o melhor caminho para aprender e experimentar jazz.
Em 2001, Marcin gravou seu primeiro album com Stanko - Soul of Things. Esta união deu visibilidade a Marcin e proporcionou o lançamento de seu primeiro album em trio, com composições próprias além de temas Wayne Shorter e, com muita originalidade, da cantora Bjork, mostrando-se bastante eclético sem perder a sensibilidade e o senso de improvisação coletiva, criando uma identidade própria para o grupo.

Sua discografia :
com Tomasz Stanko - Soul of Things, Suspended Night e Lontano
com Simple Acoustic Trio - Habanera, Lullaby for Rosemary e Trio

O Simple Acoustic Trio é formado por Marcin Wasilewski piano, Slawomir Kurkiewicz contrabaixo e Michal Miskiewicz bateria.

Deixo aqui 3 faixas do concerto realizado em 10 de janeiro deste ano em Künstlerhaus, Alemanha - Young and Movie onde percebe-se muito da atmosfera de Keith Jarrett ; Cinema Paradiso, bastante instrospectiva, um tema cuja melodia realmente nos faz meditar ; e Hiperballad, da cantora Bjork, para ilustrar como um tema pop pode ser reinventado na linguagem do jazz, assim como fez Mehldau quando interpretou o grupo Radiohead em seu album solo.

"NOVIDADE"

Nunca é tarde para se aprender. No número 15 da revista "Jazz +", ao analisar o disco "Live at Birdland" com o trio do pianista Steve Kuhn, o "crítico" informa que o pianista "no fim dos anos 50 trabalhou com o saxofonista Kenny Dorham".
E nós que pensávamos que Dorham tocasse trumpete.
Vida que segue...
llulla
RETRATOS
03. BILL EVANS (B)
Início da Discografia Resumida

A carreira discográfica de Bill Evans iniciou-se em 1954 (New York), então com 25 anos, caminhando durante 26 anos de muito trabalho artístico até Setembro/1980 no “Keystone Corner” em San Francisco / Califórnia, aos 51 anos, contabilizando cerca de 1.800 registros (“faixas”): a imensa maioria foi de temas lançados discograficamente no mercado, além de diversos “alternate takes” e umas poucas entrevistas. Foi indicado para o “Grammy” em 03 oportunidades. A prática totalidade de suas gravações com formação, data e local perfeitamente identificados, mas com alguns poucos em que não há precisão quanto à data, ao local e/ou à constituição do grupo integrante da gravação.

Esses registros de Bill Evans também foram lançados no mercado em diversas coletâneas, mediante dezenas de acordos paralelos entre as gravadoras detentoras das matrizes originais e os distribuidores em cada caso. Há coletâneas que não cuidaram bem do produto, enquanto outras constituem-se em documentos sérios e bem tratados. Tomamos como bom exemplo a coleção “The Jazz Masters” (101 CD’s e 03 volumes, Ediciones Folio S.A., 1ª Edição, 1996, Espanha, tradução para o português), que teve reedição de 13 CD’s pela “Delira Música” em sua “Série Jazz”; o CD nº 13 da coleção original é dedicado a Bill Evans e recebeu, de J.D.Raffaelli e nessa reedição, as concisas e precisas notas do encarte; é album “obrigatório” em qualquer discoteca de JAZZ, pela reunião de temas clássicos ou tornados clássicos por Bill Evans, entre composições suas e de terceiros: “Waltz For Debby”, “Nardis”, “Time Remembered”, “Twelve Tone Tune”, “What Are You Doing For The Rest Of Your Life?” e outros.

Considerando a alta qualidade da maior parte dos registros com a participação de Bill Evans, em estúdio ou ao vivo, é extremamente arriscada e direcionada pelo gosto pessoal a aventura de “selecionar o melhor” desse músico impar. Por esse motivo a discografia resumida de Bill Evans que será apresentada nesse “RETRATO” deverá contar com a indulgência de nossos prezados colegas Cjubianos, sendo certo que quaisquer consultas que façam em seus comentários será devidamente respondida com maiores detalhes.

A primeira gravação de Bill Evans, então com 25 anos, aconteceu em 1954 (única gravação nesse ano), em New York, com a banda de Jerry Wald, como a seguir.

Jerry Wald And His Orchestra (arranjos de Al Cohn)
Jerry Wald (clarinete), Bill Evans (piano) e músicos não identificados.
1954, New York. Algum da MGM: “Jerry Wald And His Orchestra”.
01. I Love Paris
02. My Love My Love
03. Many Times
04. Ebb Tide
05. Changing Partners
06. Rags To Riches
07. You Alone
08. The Moon Is Blue

Em 1955 e 1956 Bill Evans grava com a vocalista Lucy Reed, com o quarteto do guitarrista Dick Garcia, com Jerry Wald (vide sua primeira gravação) e em sexteto com George Russell.

George Russell Sextet
Art Farmer (trumpete), Hal McKusick (sax.alto e flauta), Bill Evans (piano), Barry Galbraith (guitarra), Milt Hinton (baixo) e Joe Harris (bateria).
31/03/1956, New York. Album da RCA Victor: “George Russell - Jazz Workshop”.
01. Ezz-thetic
02. Jack's Blues
03. Ye Hypocrite Ye Belzebub
04. Livingstone I Presume

Também em 1956 grava diversas vezes com a banda, o tenteto e o quarteto do clarinetista Tony Scott (o primeiro a perceber o potencial de Bill Evans) e grava seu primeiro piano-solo, em album que se tornou item de colecionador por já prenunciar um pianismo personalíssimo.

Bill Evans Solo
Bill Evans (piano)
18/09/1956, New York. Album da Riverside: “Bill Evans - New Jazz Conceptions”.
01. I Got It Bad And That Ain't Good
02. Waltz For Debby
03. My Romance

Em New York (1956) Bill Evans registra suas primeiras gravações em trio (piano / baixo / bateria), formação que será sua preferida até o final.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Teddy Kotick (baixo) e Paul Motian (bateria).
27/09/1956, New York. Album da Milestone: “Bill Evans – Conception”. Albuns da Riverside: “Bill Evans - New Jazz Conceptions” (também Fantasy OJC) e “Various Artists - 8 Ways To Jazz: Cole Porter Compositions”.
01. I Love You
02. Five
03. Conception
04. Easy Living
05. Displacement
06. Speak Low
07. Our Delight
08. No Cover, No Minimum (takes 1 e 2)

Finalizando 1956 Bill Evans volta a gravar com George Russell, com a orquestra de Tony Scott e em duo com o vibrafonista e percussionista Don Elliot.

Em 1957 grava com a orquestra de Tony Scott, com a orquestra de Gunther Schuller / George Russell em festival de JAZZ, em trio e quarteto com o guitarrista Joe Puma, em quarteto e no “Newport Jazz Festival” com Don Elliot e, para o selo Bethlehem, com o sexteto de Charles Mingus.

Charles Mingus Sextet
Clarence Shaw (trumpete), Curtis Porter (saxes alto e tenor), Jimmy Knepper (trombone), Bill Evans (piano), Charles Mingus (baixo) e Dannie Richmond (bateria).
06/08/1957, Cincinnati, Ohio. Albuns da Bethlehem: “East Coasting By Charles Mingus”, “Various Artists - Golden Jazz Instrumentals” e “Charles Mingus - Street Blues, Pt. 1&2”.
01. 51st Street Blues, parte 1
02. 51st Street Blues, parte 2
03. East Coasting
04. East Coasting (alternate take)
05. Memories Of You
06. Memories Of You (alternate take)
07. West Coast Ghost
08. Conversation
09. Celia

Segue gravando em 1957: com o quinteto do trombonista Jimmy Knepper, com o sexteto do baritonista Sahib Shihab (participação de Phil Woods, Benny Golson, Oscar Pettiford e Art Taylor), com os quarteto, quinteto e sexteto de Tonny Scott e, no estúdio de Rudy Van Gelder, com formação “all stars”.

1958 é ano com muitas gravações, iniciadas com o quarteto de Eddie Costa, seguindo-se novo encontro com Don Elliott, com a vocalista Helen Merrill (Bobby Jaspar na flauta), em diversas formações com o altoista Hal McKusick e, ai mais um marco, as formações históricas de Miles Davis (testemunhando o extraordinário talento de arregimentador de Miles).

Miles Davis Quintet (Leonard Feather e Dan Morgenstern como MC’s)
Miles Davis (trumpete), John Coltrane (sax.tenor), Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo), Philly Joe Jones (bateria).
17/05/1958, Café Bohemia, New York, transmitido via rádio. Album da Prestige: “Miles Davis - The Legendary Prestige Quintet Sessions”. Albuns da Jazz Band: “Miles Davis All Stars Featuring John Coltrane And Bill Evans” e “Miles Davis All Stars Live In 1958-59 Featuring John Coltrane”. Album da Chakra: “Miles Davis - Makin' Wax”.
01. Four Plus One More
02. Bye Bye Blackbird
03. Walkin' (No Blues)
04. Two Bass Hit - incompleto e arrematado com Wha' Happned

Miles Davis Sextet
Miles Davis (trumpete), Cannonball Adderley (sax.alto), John Coltrane (sax.tenor), Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria).
26/05/1958, Studios Columbia, New York. Albuns da CBS / Sony: “Miles Davis - Jazz Tracks”, “Miles Davis - 1958 Miles”, “Miles Davis - '58 Sessions”, “The Complete Columbia Recordings Of Miles Davis With John Coltrane”, “Miles Davis - Black Giants” e “Miles Davis - Circle In The Round”.
01. On Green Dolphin Street
02. Fran-Dance
03. Fran-Dance (alternate take)
04. Stella By Starlight
05. Love For Sale

Segue-se gravação com orquestra dirigida por Michel Legrand (o notável album da Colúmbia “Legrand Jazz”) e com o quinteto de Julian “Cannonball” Adderley, ambos em New York, no Festival de Newport e no Spotlight Lounge de Washington (DC) com o sexteto de Miles Davis e, em continuação, com os sextetos de “Cannonball” Adderley e de Miles Davis, com o quinteto de Art Farmer, a orquestra de George Russell e novas gravações em trio.
Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Sam Jones (baixo) e Philly Joe Jones (bateria).
15/12/1958, New York. Album da Riverside: “Everybody Digs Bill Evans”. Albuns da Milestone: “Bill Evans – Conception” e “Bill Evans - Time Remembered “.
01. Minority
02. Young And Foolish
03. Lucky To Be Me
04. Night And Day
05. Epilogue
06. Tenderly
07. Peace Piece
08. What Is There To Say?
09. Oleo
10. Epilogue
11. Some Other Time

O ano de 1958 termina com Bill Evans gravando para o vocalista Johnny Pace (com o quinteto de Chet Baker) e com o “Chet Baker Septet”.

Chet Baker Septet
Chet Baker (trumpete), Herbie Mann (flauta), Pepper Adams (sax.barítono), Bill Evans (piano), Kenny Burrell (guitarra), Paul Chambers (baixo) e Connie Kay (bateria).
30/12/1958, New York. Album da Riverside (também Fantasy): “Chet Baker – Chet”.
01. Alone Together
02. How High The Moon
03. It Never Entered My Mind
04. If You Could See Me Now
05. You'd Be So Nice To Come Home To

Durante 1959 Bill Evans grava com a “big band” de Bill Pots, em trio e com formação de Chet Baker, sempre em New York.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria).
19/01/1959, New York. Albuns da Milestone: “Bill Evans - Peace Piece And Other Pieces” e “Bill Evans - On Green Dolphin Street”.
01. You And The Night And The Music
02. How Am I To Know?
03. Woody'n You (takes 1 e 2)
04. My Heart Stood Still
05. On Green Dolphin Street

Chet Baker Septet
Chet Baker (trumpete), Herbie Mann (flauta), Pepper Adams (sax.barítono), Bill Evans (piano), Kenny Burrell (guitarra), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria).
19/01/1959, New York. Albuns da Riverside (também Fantasy OJC): “Chet Baker – Chet” e “Various Artists - New Blue Horns”.
01. 'Tis Autumn
02. Time On My Hands
03. You And The Night And The Music
04. Early Morning Mood - Early Morning Blues

Seguem-se gravações com os quintetos de Warne Marsh (em Fevereiro e no início do verão) e de Bob Brookmeyer, intercaladas com as do sexteto de Miles Davis (Março e Abril)

Miles Davis Sextet
Miles Davis (trumpete), Cannonball Adderley (sax.alto), John Coltrane (sax.tenor), Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb (bateria).
02/03 e 06/04/1959, Columbia 30th Street Studios (“a Igreja”), New York. Albuns da Columbia: “Miles Davis - Kind Of Blue” e “Miles Davis - The Columbia Years 1955-1985”. Album da Mosaic: “The Complete Columbia Recordings Of Miles Davis With John Coltrane”.
01. So What
02. Blue In Green
03. Flamenco Sketches
04. Miles Davis comments
05. Flamenco Sketches (alternate take)
06 All Blues

Esse mesmo ano de 1959 marca as gravações com a orquestra de John Lewis, com Lee Konitz / Jimmy Giuffre, com as orquestras de George Russell, Manny Albam e Teo Macero, com Chet Baker, Tony Scott e novamente com Lee Konitz, para finalmente em Dezembro voltar a gravar em trio, então e pela primeira vez com o jovem e inovador contrabaixista Scott LaFaro.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).
28/12/1959, New York. Album da Prestige: “Various Artists - Piano Giants”. Album da Milestone: “Bill Evans - Spring Leaves”. Album da Riverside (também Fantasy OJC): “Bill Evans - Portrait In Jazz”.
01. Come Rain Or Come Shine
02. Autumn Leaves (mono take)
03. Autumn Leaves (take 1) (stereo take)
04. Witchcraft
05. When I Fall In Love
06. Peri's Scope
07. What Is This Thing Called Love?
08. Spring Is Here
09. Someday My Prince Will Come
10. Blue In Green (takes 2 e 3)

Em 1960 Bill Evans inicia suas gravações acompanhando o vocalista Frank Minion, para depois engrenar seguidas apresentações no “Birdland” com o trio Evans / LaFaro / Motian.
Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).
12 e 19/03, 30/04 e 07/05/1960, Birdland, New York. Album da Alto: “Bill Evans - A Rare Original”. Álbum da Cool & Blue: “Bill Evans - The 1960 Birdland Sessions”. Album da Session Disc: “Hooray For Bill Evans Trio”.
01. Autumn Leaves
02. Our Delight
03. Beautiful Love / Five
04. Autumn Leaves
05. Come Rain Or Come Shine / Five
06. Come Rain Or Come Shine
07. Nardis / Blue In Green
08. Autumn Leaves
09. All Of You
10. Come Rain Or Come Shine
11. Speak Low

Entre essas apresentações e após as mesmas, Bill Evans gravou com o sexteto do percussionista Earl Zindars, com a orquestra de George Russell, diversas sessões com o quinteto de J.J.Johnson / Kai Winding, fechando o ano com a orquestra de John Lewis / Gunther Schüller / Jim Hall (em que atuaram Eric Dolphy e Ornette Coleman).

1961 vai encontrar Bill Evans gravando ao lado de “Cannonball” Adderley e 50% do M.J.Q. (Percy Heath e Connie Kay) em Janeiro, Fevereiro e Março. Em Fevereiro gravou também com seu trio (Scott LaFaro e Paul Motian), assim como nas apresentações do dia 25/06 no “Village Vanguard” (matinês e soirês).

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).
02/02/1961, New York. Album da Riverside: “Bill Evans – Explorations”. Album da Milestone: “Bill Evans - Spring Leaves”.
01. Israel
02. Haunted Heart
03. Beautiful Love (take 1)
04. Elsa
05. Nardis
06. How Deep Is The Ocean ?
07. I Wish I Knew
08. Sweet And Lovely
09. Beautiful Love (take 2)
10. The Boy Next Door

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).
25/06/1961, "Village Vanguard" (05 entradas), New York. Albuns da Riverside: “Bill Evans - The Complete Live At The Village Vanguard 1961” e “Bill Evans - Waltz For Debby” e “ Bill Evans - More From The Vanguard”. Albuns da Milestone: “Bill Evans - The Village Vanguard Sessions” e “Bill Evans - On Green Dolphin Street”. Album da Fantasy: “Bill Evans - Sunday At The Village Vanguard”.
01. Gloria's Step (takes 1, 2 e 3)
02. Alice In Wonderland (takes 1 e 2)
03. My Foolish Heart
04. All Of You (takes 1, 2 e 3)
05. My Romance (take 1 e 2)
06. Some Other Time
07. Solar
08. My Man's Gone Now
09. Detour Ahead (takes 1 e 2)
10. Waltz For Debby (takes 1 e 2)
11. I Loves You, Porgy
12. Milestones
13. Jade Visions (takes 1 e 2)

Em Fevereiro Bill Evans havia gravado com Oliver Nelson (Freddie Hubbard ao trumpete) e em Outubro, Novembro e Dezembro, respectivamente com a orquestra de Ernie Wilkins (acompanhando o vocal de Mark Murphy), com o quarteto do vibrafonista Dave Pike e, com seu trio renovado (Chuck Israels substituindo Scott LaFaro, morto em acidente automobilístico) acompanhando Herbie Mann.

Com seu novo trio Bill Evans gravou em 1962 nos meses de Fevereiro, Maio, Junho e Julho, entremeando gravações em álbum.solo (“Bill Evans – Conception” para a Milestone), com as orquestras de Tadd Dameron e de Benny Golson, em duo com o guintarrista Jim Hall, novamente com seu trio e Herbie Mann e o álbum “Empathy” para a Verve, com a primorosa faixa “Let's Go Back To The Waltz”:
Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Monty Budwig (baixo) e Shelly Manne (bateria)
14/08/1962, New York. Album da Verve: “Bill Evans/Shelly Manne – Empathy”.
01. The Washington Twist
02. Danny Boy
03. Let's Go Back To The Waltz
04. With A Song In My Heart
05. Goodbye
06 I Believe In You

As gravações em piano.solo e em trio marcarão o ano de 1963, com a produção do álbum “Bill Evans - Conversations With Myself”.

Bill Evans Solo
Bill Evans (piano).
06 e 09/02/1963, New York. Album da Verve: “Bill Evans - Conversations With Myself”.
01. N.Y.C.'s No Lark
02. How About You?
03. Just You, Just Me
04. A Sleepin' Bee
05. Stella By Starlight
06. Hey There
07. 'Round About Midnight
08. Love Theme From "Spartacus"
09. Blue Monk

Nesse ano de 1963 Bill Evans gravou também com as orquestras de Claus Ogerman e do vibrafonista Gary McFarland.

As gravações de Bill Evans em 1964 iniciam-se sómente em Maio, em trio e apoiando Stan Getz, prosseguem em trio, agora com Chuck Israels e Larry Bunker, para fechar o ano em Estocolmo / Suécia acompanhando a vocalista Mônica Zetterlund e com esse mesmo trio.

Em 1965 Bill Evans grava o álbum preferido de André TandetaBill Evans – Trio ’65".

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Chuck Israels (baixo) e Larry Bunker (bateria).
03/02/1965, New York. Albuns da Verve: “Bill Evans - Trio '65” e “Bill Evans - How My Heart Sings With Who Can I Turn To?”.
01. Israel
02. Elsa
03. 'Round About Midnight
04.Love Is Here To Stay
05. How My Heart Sings
06. Who Can I Turn To?
07. Come Rain Or Come Shine
08. If You Could See Me Now

Bill Evans excursiona durante 1965, apresentando-se em Paris, Londres, Copenhaguem e Estocolmo, sempre em trio (Chuck Israels e Larry Bunker), além de apresentar-se em Berlim com Lee Konitz (sax.alto), Niels-Henning Orsted Pedersen (baixo) e Alan Dawson (bateria) em 29/10/1965. Participa ainda, em Berlim, do “Piano Summit” ao lado de Jaki Byard, Earl Hines, John Lewis, Lennie Tristano e Teddy Wilson, evento registrado pela Philology no álbum “Various Artists - Piano Summit”.

1966 é um ano de gravações em trio no “Town Hall” e no “Village Vanguard”, assim como em duo com o guitarrista Jim Hall (Abril e Maio). A formação do “trio” de Bill Evans nesse ano flutua com Eddie Gómez, Teddy Kotick e Chuck Israels no baixo, assim como Arnold Wise, Alex Riel e Shelly Manne na bateria.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Arnie Wise (bateria).
21/10, 10 e 12/11/1966, Village Vanguard, New York. Album da Milestone: “Bill Evans – The Secret Sessions”.
01. Gloria's Step
02. Nardis
03. Someday My Prince Will Come
04. Who Can I Turn To? (When Nobody Needs Me)
05. Come Rain Or Come Shine
06. If You Could See Me Now
07. Spring Is Here
08. Person I Knew
09. A Sleepin' Bee
10. Emily
11. Alfie
12. Walkin' Up
13. You're Gonna Hear From Me
14. Some Other Time
15. I'll Remember April
16. Alice In Wonderland
17. I Love You

Conclusão da Discografia Resumida em (C).

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 38

29 maio 2007

A tragédia de Frank Rosolino

Como escrevi antes, os dois festivais de Jazz São Paulo/Montreux realizados em 1978 e 1980 foram o grande cenário para o surgimento de algumas histórias que conto nessa série. Essa, que entristeceu a todos que conheceram de perto Frank Rosolino , será transcrita da matéria que escrevi na “Tribuna da Imprensa” em 27 de dezembro de 1979, na época o único jornal que noticiou o fato.

“A Tragédia de Frank Rosolino “
A notícia é do “Melody Maker”, edição de 2 do corrente, que em apenas treze linhas condensa toda uma tragédia.
“Frank Rosolino , o trombonista de Jazz da West Coast , foi encontrado morto em Los Angeles na segunda feira. A polícia acredita que ele atirou e matou seu filho de onze anos, ferindo de forma grave um outro filho de sete, antes de atirar em si próprio. Rosolino fez seu nome com a orquestra de Stan Kenton,nos anos cinqüenta e participou de inúmeras sessões de gravação na West Coast.”
Fica difícil acreditar que um músico talentoso e com um temperamento alegre e tranqüilo viesse a por termo a vida , de forma trágica,laconicamente descrita pelo jornal inglês.
Conhecemos Frank Rosolino pessoalmente,no Festival de Jazz de São Paulo e com ele travamos ótimas relações de amizade. Estávamos no bar do Hotel Eldorado,quartel-general dos músicos que participavam do evento , conversando com Jimmy Rowles ,Ray Eldridge e Benny Carter. Rowles desenhava “cartoons” a nosso pedido,focalizando suas concepções sobre pianistas de sua preferência. Chega Raul de Souza e diz : “Lula , a fera chegou; você não queria conhece-la ? “
Ao seu lado,elegantemente trajado, com vistoso paletó branco , sorridente e bem humorado, Rosolino estende a mão e cumprimenta a todos. Senta-se ao nosso lado, pede uma cerveja e se interessa vivamente pelos desenhos de Rowles.
O astuto pianista acabava de desenhar uma caricatura de Oscar Peterson ,mostrando um rotundo crioulo,com enorme guardanapo no pescoço,cruzando talheres no ar e olhando avidamente para o piano à sua frente . A marca do instrumento: “Mine all mine.” ! O papel passa de mão em mão provocando gostosas gargalhadas. Rosolino me solicita os outros “cartoons”. Examina atentamente as concepções de Rowles sobre Erroll Garner, Art Tatum e George Shearing. Repetia a cada instante :” It’s lovely Jimmy ! “ . Rowles continua desenhando e sorrindo sorrateiramente. Termina o trabalho e nos estende o papel disparando sonora gargalhada. Era um “cartoon” dos mais picantes , no qual Rowles se retratava como um garçom despido, oferecendo um”soft drink” a uma dama sentada à mesa. Novas gargalhadas. Apresso-me em guardar a caricatura mas Rosolino protesta. Toma o papel das minhas mãos e diz : “Você deve ser um perigoso jornalista. Vai publicar isso e deixar Jimmy em má situação . Deixa que eu fico com esse” , enquanto guardava o desenho no bolso do paletó, piscou o olho e sorriu maliciosamente.
O assuntoapassa a ser Jazz e perguntamos a Frank se haveria possibilidades dele interpretar “Lemon drop” no Festival. Respondeu sempre rindo : “Por mim tudo bem Lula. Depende do “Souzabone” e dos músicos com quem irei tocar. Se eles quiserem,poderemos tentar.”
Nesse mesmo dia iria encontra-lo , já de volta do Anhembi,num desconfortável botequim situado em frente ao hotel. Em pé,junto a um estreito balcão estavam Raulzinho, Milton Banana,o contrabaixista Mathias Mattos e alguns circunstantes. Raulzinho entre generosos goles de caipirinha , relembrava os tempos do “Bottle’s”, as jam sessions do “Little Club”, comentando as dificuldades que os músicos tinham em se apresentar. De vez em quando interrompia a narrativa e dirigia-se a Rosolino em inglês. Frank ria e comentava :”Não adianta Raul,se com tanto tempo de “States”
você não aprendeu inglês ,jamais conseguirá. Não entendo nada do que você diz.” E caia na gargalhada.
No dia de sua apresentação chegamos juntos ao Anhembi. Interessou-se logo pela camisa com o emblema do festival e perguntou se poderia adquirir algumas. Levei-o ao “stand” de vendas e quando começava a escolher as cores e tamanhos , foi interrompido por César Castanho que chegou esbaforido. Pegou-o pelo braço informando que a vesperal estava prestes a se iniciar e os músicos já estavam sendo chamados.
Só no dia de seu embarque fui encontra-lo novamente. Estava no “hall” do hotel aguardando a bagagem e tomando outras providências . Quando me viu , interrompeu a tarefa e sempre sorrindo autografou uma antiga foto que ilustra essa matéria . Agradeceu os elogios e se despediu dizendo : “Foi um grande prazer tocar no Brasil. Um país magnífico com um povo alegre e que adora a música. Voltarei sempre que puder.”
Levei-o ate o carro e presenteei-o com um chaveiro com a Bandeira Brasileira, propaganda da semana da pátria. Agradeceu mais uma vez, sempre sorrindo,apertou-me a mão e se foi, para sempre. “
Resolvi escrever para Raulzinho indagando os motivos que levaram Rosolino a cometer aquela tragédia. Raul me respondeu em carta de 19 de março de 1979, cujo trecho reproduzo :
“Você me perguntou na carta que situação era com respeito do Frank , meu amigo ninguém entendeu, nem tão pouco eu que era ligado com ele as pampas, não sei o que houve, só sei por intermédio da mulher dele que a primeira mulher também se suicidou e as segunda também e ele era muito alegre com as pessoas fora de casa, mas em casa, ele era muito inseguro e também muito frustrado, também com o problema da separação é o que eu pensei no momento, mas ninguém sabe ao certo o que foi que houve na cabeça dele quando chegou em um sábado de madrugada às 4.30 da manhã e fez o que fez. Mas todo o dia eu faço uma oração para o espírito dele ficar descansando em paz. “

MAIS SYLVIO VIANNA

Um email do nosso Apóstolo envia foto de Sylvio Vianna pescada no site do Teatro Municipal de Niterói, o que nos animou a falar mais daquele músico. Para tanto, contamos com o auxílo de outro Sylvio, o também saudoso Túllio Cardoso que através de seu Dicionário Biográfico da Música Popular informa :
SYLVIO VIANNA – Vibrafonista,pianista,gaitista e organista. Nasceu no Rio a 14 de janeiro de 1926. Aprendeu piano com sua progenitora, D.Luisa Reim Vianna , professora do Instituto Nacional de Música. Começou sua carreira aos 17 anos,como líder da Orquestra Brasileira de Gaitas. Integrou mais tarde o conjunto “Brasilian Rascals”, que atuou com sucesso no Cassino Icaraí em 1944. Trocou a gaita pelo piano em 1952. Antes de formar conjunto próprio, em 1960, atuou com Dick Farney e Steve Bernard.Compositor do sucesso “Icaraí”.
R.I.P.

SYLVIO VIANNA

28 maio 2007


Como sempre e por acaso lemos em um canto de coluna no jornal "O Globo-Niterói" sobre o falecimento de Sylvio Vianna. Não há em Niterói quem não o conhecesse. Pianista,vibrafonista e tecladista, teve conjunto de baile que animava as festas,para mais tarde,apenas com seu teclado continuar nesse mistér. Na década de cinquenta foio vibrafonista do quinteto de Dick Farney que atuava no Golden Room do Copacabana Pálace e que gravou temas como "João Sebastião Bar", "Nova Ilusão", "O gênio da Marly" (de sua autoria) e outros mais.
Autor de um lindo tema,uma elegia à praia de Icarai, não sabemos quem o gravou,mas era a música que encerrava os trabalhos da antga Rádio Difusora Fluminense, ZYP-34.
Procuramos na Internet alguma foto que pudesse ilustrar esse post e só fomos encontrar a capa desse LP, gravado pelo conjunto de Sylvio na década de 50. Nossa imprensa fica devendo mais essa.

27 maio 2007

CJUB INSIDER

Um rápido garimpo pela Internet nos traz algumas pérolas jazzisticas.

O Que é Jazz?

Louis Armstrong disse uma vez que se você tiver que perguntar, você jamais saberá. Mas o comediante e ator Sid Caesar tenta responder em 1956 em Your Show of Shows.

Jazz Licks

No site "Jazz Licks" de Andy Wiliamson, você encontra frases transcritas de solos, a maioria de saxofonistas. O áudio permite que você leia a pauta enquanto escuta. Encontre algumas transcrições de Stan Getz, James Carter, Wardell Gray, Hank Mobley, Joe Henderson, Miles Davis e outros.

Rollins e Reich Triunfantes
Sonny Rollins retornou de Estocolmo, onde foi agraciado com o prêmio Polar Music Prize, da Academia Real da Suécia. O site mostra as fotos de Rollins e o co-premiado Steve Reich recebendo os prêmios do rei da Suécia, além da história do prêmio e seus ganhadores prévios.

Paul Desmond no YouTube
Cinco vídeos do Dave Brubeck Quartet, gravados em 1966, na Alemanha estão no YouTube. Ver um genio como Paul Desmond, no trigésimo aniversário da sua morte trará saudades, enquanto você escuta a um extraordinário solo de Take Five e um fraseado exclusivo em Koto Song .
Brubeck, Desmond, Wright e Morello estavam numa grande forma, coletivamente e individualmente. Brubeck, frequentemente atacado por críticos, sempre teve do parceiro Desmond, seu carinho e sensibilidade nos acompanhamentos. A versão do Take The A Train oferece as evidencias para a defesa.
Um menu mostra os cinco vídeos de Brubeck, três novos de John Coltrane e quatro de Thelonious Monk.

Extra
Se você ainda não teve a sorte grande de ver Ray Nance com a orquestra de Duke Ellington, aproveite, graças ao YouTube. Jump For Joy

PARA TOCAR LOGO FOGO NO BLOG

25 maio 2007

Para transformar este pacato recanto internético numa reedição da última entrada de quatro caveirões no Complexo do Alemão e a reação correspondente, ouso postar aqui, afinal, a interpretação que se pretende jazzística da cantora Sandy, da clássica Cherokee, que imagino ocupe a página 3 do Real Book. O que mostra que ela está lendo alguma coisa que vale a pena.

Desconte-se ali, por favor, sua empolgação juvenil de chamar as palmas da platéia sem necessidade, exceto talvez a de sentir-se "animando" a garotada e a si própria, nesta nova fase. É uma maneira subliminar, acho, de mostrar que jazz não é, necessariamente, algo chato e "coisa de coroa", dentre os quais me incluo.

Com humildade, estudo e muita persistência, acho que sua experiência poderá até dar certo, eventualmente, dentro de alguns anos. Lógico que deverá adaptar-se à nova linguagem, às mudanças de velocidade e ritmo, às modulações intrincadas e sobretudo, a improvisar. Os nossos Mestres discorrerão com propriedade sobre detalhes que me passaram despercebidos dos aspectos técnicos (e, certamente, a respeito das quase imperceptíveis semitonadas aos 29 e 31 segundos). Por outro lado, eu gostaria muito de saber quem está sendo o seu "técnico" na empreitada, que certamente visa um mercado muito mais amplo do que podemos descortinar agora. O fato é que existem várias "Noras Joneses".

Eu não poderia imaginar alguém no panorama brasileiro da música com mais visibilidade e "entrada" do que Sandy para carregar, junto a esta juventude, a bandeira do jazz. Louvada seja. Minha opinião a respeito do assunto "Sandy x jazz x conquista de novos aficionados" encontra-se nos comentários de post abaixo, sobre o último disco de Jane Monheit. Além do que, está dando emprego, oportunidade e visibilidade a mais quatro músicos brasileiros que se dedicaram a aprender jazz. E que são quem de fato "carrega o piano" no número que aparece neste clip do programa Altas Horas, da TV Globo, dirigido à faixa adolescente. São eles: Erik Escobar(p), Ribah Nascimento (g), Chico Willcox (b), Igor Willcox(dr).

Para finalizar, confesso que já vi muita coisa pior do que isso, a quem alguém, alguma vez, - inclusive em festivais - rotulou como sendo jazz.

Abraços.

COLUNA DO LOC


Em destaque, Rio das Ostras Jazz&Blues.

JB, Caderno B, 25 de maio de 2007.

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HISTÓRIAS DO JAZZ– n° 37

24 maio 2007

O "Laura" de Don Byas


Nos bons tempos das “Lojas Murray”, o pessoal de Niterói teve a oportunidade de conhecer Sylvio Tullio Cardoso e logo travar uma boa amizade com o critico de “O Globo”.
Sylvio conversava com todos, esclarecia dúvidas e dava conselhos sobre“ o que ouvir no Jazz “ . Logo logo os laços de amizade se estreitaram e surgiram os convites para que o amigo atravessasse a baia e participasse das nossas reuniões. Embora nessa época o famoso”Clube dos Saúvas” ainda não tivesse sido fundado, as reuniões aconteciam com o objetivo de se tomar conhecimento do que havia sido adquirido nos sebos pelos “atletas”.
Assim, em um sábado , Sylvio pegou a velha barca da Cantareira, atravessou a baía rumo a casa de Danilo Lemos na Alameda São Boaventura, sobraçando um pacote de discos que mostraria aos presentes. Sylvio vendia alguns, sorteava outros para quem acertasse um jazz teste e retornava com as “matérias” que levava só para audição. Foi nesse dia que fui surpreendido por uma gravação do saxofonista Don Byas. Desses discos que quando são tocados , todos param de conversar e prestam atenção a cada detalhe.
O tema era “Laura” , uma gravação com Byas e uma seção rítmica que primava pela beleza da interpretação. Pedi para ver o disco e me lembro que tinha um selo azul da marca Nixa ou Supraphon , europeu sem dúvida alguma, e que à partir daquele momento passou a figurar na minha lista . Esse foi um dos 78 que retornaram com Sylvio . Não estava à venda.
Catar 78 rotações nos sebos da Rua São José era tarefa diária mas, a esperança de encontrar aquela gravação de “Laura” era nenhuma. Encomendar então, nem pensar.
Os anos foram passando, chegaram os elepês e a esperança aumentou. Certo dia encontrei um 10 polegadas de Don Byas da gravadora Prestige, olhei as músicas e mais uma vez desanimei. o “Laura” não constava do repertório.
Quando Sylvio faleceu , fui avisado que o seu acervo estava sendo vendido e com alguns companheiros fomos até ao apartamento de Dona Mirinha (mãe de Sylvio) que ficava na rua do Catete. Lá estavam as preciosidades que o amigo colecionara durante tanto tempo.
Os livros, as revistas encadernadas , os elepês , os 45 rotações e os velhos 78.
Procurei entre as “pastilhas” o “Laura” de Don Byas, em vão. Alguém chegara primeiro ou até quem sabe, Sylvio já teria passado adiante . Nova frustração.
Certa ocasião, indo a São Paulo , conheci na casa de Pedro Cardoso o saxofonista e clarinetista Silvio Fats , então na Traditional Jazz Band. Contei-lhe a história e ele me informou que o problema estava resolvido . Possuía a gravação em CD e tiraria uma cópia para mim. Prometeu e cumpriu, me presenteando com um álbum intitulado “An introduction to Don Byas – his best recordings 1938-1946.”
Voltando para Niterói a primeira coisa que fiz foi colocar o CD na faixa 16, “Laura” e agucei os ouvidos. Belíssima interpretação mas, não era a gravação do velho 78 de Sylvio Tullio . O encarte indicava que a versão era de setembro de 1945, com Johnny Guarnieri, Slam Stewart e J.C.Heard nos acompanhamentos. Ainda asssim, valeu a tentativa.
Resolvi consultar a discografia de Charles Dalaunay e fui encontrar três gravações de”Laura” por Don Byas. A acima descrita, outra de Janeiro de 1947 com Peanuts Holland (tp)- Billy Taylor (p )-J.J.Tilché (g)- Jean Buchetti (b) e Bufford Oliver (dm) e finalmente a gravada em Paris em 17 de março de 1952 com Art Simmons(p)- Joe Benjamin( b) e Bill Clarke (dm). Só podia ser essa última a que procurei durante tanto tempo mas, o entusiasmo pela procura havia arrefecido
Certa ocasião, estava na antiga “Breno & Rossi” examinando algumas novidades quando me deparei com um CD intitulado : “Jazz – Club-Mainstream – Tenor Sax”.
Ao verificar os intérpretes levei um susto : Três pérolas do sax-tenor,da minha preferência constavam da lista : “Tenderly” por Ben Webster, “Port of Rico” com Illinois Jacquet e finalmente o “Laura” com Don Byas , aquele gravado em Paris que eu tanto procurei.
Finalmente poderia ouvi-lo depois de tantos anos. Enquanto soava o “glissandi” da abertura do tema, agradeci aos deuses do Jazz por mais uma graça alcançada.

PERGUNTAR NÃO OFENDE


O grupo vocal "Manhattan Transfer" fez única apresentação no Canecão em 22 do corrente. PERGUNTO : Alguém leu alguma crítica ou comentário à respeito ? Pois é,
onde estão os nosso "críticos" ?
llulla

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 16

23 maio 2007

MÚSICA SEM PAUTA

Muito se tem falado de músicos extraordinários que nem mesmo sabem ler partituras, talentos natos que só sobrevivem na música popular, notadamente na de Jazz. Em nosso folclore existem contadores de estórias e poetas repentistas que não sabem ler e eles próprios perguntam : - “e para quê?” Suas imagens são expontâneas, improvisadas no contexto de suas estruturas. Assim se passa com a música de Jazz oriunda do folclore negro, ainda inculto, mas expontâneo e criativo.
Duvidamos que um Buddy Bolden precisasse ler música, e para quê?
Os pioneiros de New Orleans não sabiam ler partituras e esta intelectualização começou a ser difundida com os creoles possuidores de melhores condições sócio-culturais.
Torna-se claro e óbvio que o rendimento técnico da maioria dos músicos que sabem ler partituras é melhor, até porque o Jazz tradicional de improvisação coletiva foi cedendo lugar a conjuntos maiores com ensembles arranjadas e chegando até as big bands interpretando enorme repertório que seriam inviáveis se seus músicos não soubessem ler as notações em pauta.
Benny Goodman exigia boa leitura de seus músicos, ensaiava bastante qualquer nova peça, já Count Basie agia de modo diferente. Earl Warren saxofonista alto da banda conta que no fim dos anos 30 ainda eram poucos os arranjos inteiramente escritos e a orquestra ensaiava tal qual numa jam-session bem descontraída.
Desta forma, combinavam as ensembles, os riffs, a entrada dos solistas e a quantidade de choruses de cada um, tudo sob a suvervisão de Basie. Isto é o que se chamou de HEAD ARRANGEMENT (literalmente arranjo de cabeça) e assim foram gravados alguns dos grandes sucessos da orquestra como Jumpim At The Woodside, Every Tub, Blues In The Dark, Doggin’Around, dentre outros.
Billie Holiday era da maior simplicidade e expontaneidade, não sabia ler música, mas bastava o pianista passar a melodia e pronto, Billie pegava o tom, o feeling da canção e assim ocorreu quando da gravação de Night and Day em 1939 canção que jamais tinha ouvido e o pianista Joe Sullivan que a acompanhava dedilhou no estúdio e pouco depois foi gravada esta obra prima.
Outra figura de grande espontaneidade fora Bix Beiderbecke cornetista branco dotado de feeling negróide e que também não lia quase nada de música. Tornou-se famosa a estória de que atuando na orquestra sofisticada e "sinfônica" de Paul Whiteman, costumava colocar um jornal na estante fingindo ler uma partitura. Quando dos ensaios enrolava um pouco no início das ensembles, mas depois de 2 ou 3 passagens já tinha tudo de cor e na hora de solar levantava-se e então, ficava à vontade. Paul sabia de tudo, mas estava mais interessado justamente nas exuberantes passagens que Bix proporcionava.
Um fato muito interessante ocorrido com Louis Armstrong logo ao entrar para a banda de Fletcher Henderson, contado por Don Redman. (já relatado aqui no CJUB).
Armstrong no primeiro ensaio, olhava perplexo para a partitura de trompete que Henderson distribuíra. A orquestração indicava passagens desde o fortíssimo cuja notação era "fff" indo até o pianíssimo indicado por "pp" e Armstrong que já não era muito versado em leitura de música jamais tinha visto aquilo em partituras. Estava preocupado, mas firme. Por algum motivo, percebeu que os "fff" significariam uma passagem em fortíssimo e se tranquilizou. A banda começa a tocar e ao surgir os 3 efes vai “subindo” num crescendo e Louis acompanhando firme e quando na notação surge o "pp" a banda vai “caindo” para o pianíssimo e Armstrong continua “subindo”, tocando cada vez mais alto, até que Henderson pára tudo e diz:
-” Louis, você não está seguindo o arranjo”
Louis: - ”Claro que sim, estou lendo tudo nesta folha”
Henderson: - “E o que me diz destes "pp" ?
Louis mais que depressa, porém já meio desajeitado -”Suponho power-plenty" (força-total). O pessoal caiu na gargalhada, inclusive Henderson.
Muitos episódios existem envolvendo músicos sem saber ou com dificuldade em ler partituras, Errol Gardner criou um estilo único e genial de tocar piano e é quase certo que se soubesse ler música talvez jamais tivesse ocorrido.
Vamos ouvir alguns momentos sem pauta com Billie Holiday (Night and Day em 1939) e Bix Beiderbecke (Because My Baby Don’t Mean Maybe Now -1928) na orquestra de Paul Whiteman.

GET HAPPY! (pro Tandeta)


Tierney Sutton (Wisconsin, 1963), além da técnica e afinação, é uma vocalista das mais criativas no cenário jazzístico mundial. Talvez pela sua formação intelectual. Graduou-se no “idioma russo”, literatura e concluiu a Berklee em jazz vocal com louvor. Desde pequena teve em Ella Fitzgerald sua maior influência. Em 98, 2ª colocada no Thelonious Monk Jazz Vocal Competition. Foram 7 CDs de lá para cá, culminando agora com On The Other Side. O que mais chama a atenção em Tierney é a sua inquietude, jamais se conformando com o previsível, o que Hancock chama de “zona confortável”. Em seu álbum Unsung Heroes (2000), ela recaptura temas clássicos do jazz instrumental, tarefa nada fácil. Na homenagem a Sinatra, Dancing In The Dark (2004), a abordagem é muito própria, fascinante. Sem contar que Tierney mantém um trio cativo, de altíssimo nível, com Christian Jacob (piano), Trey Henry ou Kevin Axt (baixo) e Ray Brinker (bateria). Jacob, francês de nascimento, é um inesgotável criador de harmonias e arranjos excitantes para qualquer cantor. O novo CD, aliás, é uma aventura das mais interessantes.
On The Other Side (Telarc, fev/2007) explora a palavra “happy” nas canções que marcam o jazz. Tierney às vezes muda a intenção, tornando um tema em principio alegre numa variante intimista. E vice-versa. Algumas faixas, por isso, recebem duas versões, como Get Happy (Arlen & Kohler) e Happy Gays Are Here Again (Ager & Yellen). Com Jack Sheldon (vocal, trumpet), um banho de informalidade via I Want To Be Happy (Caesar & Youmans). Ao contrário de Smile (Chaplin, Parsons & Turner), acompanhada apenas pelo bom gosto do pianista Christian Jacob.
E o clima vai se alternando, sempre com muita originalidade, em temas como You’re My Sunshine (Davis), Haunted Heart (Dietz & Schwartz), Sometime’s I’m Happy (Caesar, Grey & Youmans), Glad To Be Unhappy (Rodgers & Hart) e Happy Talk, (Rodgers & Hammmerstein), entre outros.
Não se trata de um CD comercialmente viável, como Dancing In The Dark. Há que se ter uma boa noção do que o jazz é capaz, tanto no lado harmônico como rítmico. Raramente uma cantora recebeu em toda a sua discografia cotações tão altas dos mais conceituados críticos. Se me colocassem um revólver no peito, exigindo que eu dissesse qual a melhor vocalista de jazz da atualidade, eu nem pensaria em responder: Tierney Sutton.


Tieney Sutton - I Want To Be Happy


RETRATOS
03. BILL EVANS (A)

William John Evans, “Bill” Evans, nasceu em 16/Agosto/1929 na cidade de Plainfield, estado de Nova Jersey, sendo o filho mais novo (Harry Evans era o irmão mais velho) de pai de origem galesa e mão descendente de russos. O pai administrava um campo de golfe e Bill era bom atleta, jovem americano padrão, com acentuado humor sarcástico à flor da pele.

Anos mais tarde o pai tornou-se alcoólatra, com largas ausências do lar e, quando faleceu, Bill compôs para ele seu clássico tema “Turn Out The Stars”. O irmão Harry era o seu companheiro, compartilhando o amor pelo esporte, pela música e, lógico, pelas garotas.

Desde garoto acostumou-se a ouvir canções populares do Pais de Gales (o pai cantando em coral) e a música da igreja ortodoxa russa (a mãe cantava em polifonia russa na igreja ortodoxa), demonstrando forte inclinação para a música e os estudos: dos 06 aos 13 anos aprendeu e estudou piano clássico, violino e flauta mas não foi, definitivamente, um amante de praticar escalas. Todavia estudava com afinco as partituras compradas pela mãe e possuía excepcional memória musical, com grande facilidade de leitura à primeira vista: Beethoven, Bach, Chopin, Debussy e Ravel eram seus preferidos.

Aos 12 anos iniciou a caminhada para o JAZZ, tocando piano na banda escolar de seu irmão Harry, onde também tocava Don Elliot; alternando acordes de “Tuxedo Junction” deu seus primeiros passos nessa direção.

“Descobriu” Nat King Cole, Bud Powell, Horace Silver, Lennie Tristano e, mais tarde já em 1949, Lee Konitz e Warne Marsh.

Com todas as influências de seus antecessores pianistas de JAZZ, é em Bud Powell que Bill Evans ancora sua maior origem, conforme entrevista que concedeu em 1964 a Randi Huldn e incorporada ao seu “Prefácio” na magnífica obra de Francis Paudras “La Danse Dês Infidèles” (Editora “L’Instant”, Paris / França, 1986, 408 páginas em preto-e-branco, que serviu de base para o roteiro do filme de Bertrand Tavernier “Por Volta da Meia Noite”, Oscar de trilha sonora para Herbie Hancock):
“De tous ceux que j’amais, de Bird à Stan Getz, em passant par Miles et
beaucoup d’autres dont on ignore que je les ai écoutés, c’est Bud qui m’a
le plus influencé. 27/Novembro/1979. “

Eventualmente substituía o irmão na banda de Buddy Valentino e freqüentava os clubes de New York. Como curiosa coincidência, tal como Bud Powell que chegou a apresentar-se no “Birdland” tocando “Sometimes I’m Happy” em “up-tempo” somente com a mão esquerda (espécie resposta para Art Tatum que afirmava ser ele um mestre apenas com a mão direita), Bill Evans em certa ocasião, com o braço direito imobilizado e em função de contrato com o “Village Vanguard”, apresentou-se tocando apenas com a mão esquerda, o que evidencia seu alto nível de desenvolvimento técnico.

Aos 17 anos ganhou bolsa para estudar música clássica no Southeastern Louisiana College (New Orleans); ali e mesmo repreendido pelos professores por não se exercitar nas escalas, mostrava desenvoltura em Beethoven e demais clássicos. À noite apresentava-se nas boates de New Orleans, onde chegou a tocar com Mundell Lowe e Red Mitchell. Após 04 anos diplomou-se e entrou para a banda do saxofonista Herbie Fields.

Logo fez o serviço militar (Fort Sheridan perto de Chicago) como flautista, período que lhe causou o mesmo desconforto que exercitar-se em escalas; por essa época sua saúde já começava a ser afetada pelas drogas.

A partir de 1954 instalou-se em New York tocando inicialmente na banda do clarinetista Jerry Wald, com o qual registrou sua primeira gravação. Apresentou-se acompanhando Art Farmer, Chet Baker e Lee Konitz. Estudou harmonia e composição na Mannes School Of Music. Tocou em pequenos clubes e no Café Society.

Em 1955 gravou acompanhando a cantora Lucy Reed e gravou com Dick Garcia. Em 1956 gravou em sexteto com George Russell, o que valeu para ambos nesta e em futuras gravações (1957, 1958, 1959 e 1960) e apresentações, estreita afinidade no caminho modal. Nesse mesmo ano atuou e gravou com Tony Scott e com Don Elliot, mas o grande destaque foi sua primeira gravação em piano.solo e em trio (Teddy Kotick e Paul Motian) no álbum da Riverside “New Jazz Conceptions”, onde desfila, entre outras, pérolas como “Easy Living”, “Speak Low”, “Our Delight” e “My Romance” (e porque mais ???!!!...).

Em 1957 e tocando com Charles Mingus despertou a atenção de Miles Davis, com quem viria a gravar em 1958 e em cujo grupo permaneceu durante algum tempo.

Participou em trio do Festival de Jazz de Newport, já então aclamado como ícone da nova geração de pianistas, notadamente na contra.corrente do “free” e outras tendências vigentes.

Aqui fazemos um parênteses para assinalar que Bill Evans em 1957 já era uma realidade pronta, ainda que prosseguisse voando mais alto e longe com seus trios, a partir de 1959 com o jovem Scott LaFaro e Paul Motian e posteriores baixistas e bateristas. Segundo Lee Konitz seu fraseado revelava Art Tatum, Bud Powell e Horace Silver, mas integrando todas essas referências em estilo “concertista” pessoal e muito próprio.

Em suas seguidas temporadas no “Birdland” e no “Village Vanguard”, Bill Evans tocava, analisava e desdobrava os temas testando tonalidades a cada noite. Chegou a licenciar-se por cerca de 01 ano, retornando com estilo ainda mais original, afastando-se do “bebop” e improvisando sobre escalas diatônicas simples. Esse estilo era calcado num romantismo pianístico altamente requintado, combinando harmonias muitas vezes inspiradas nos impressionistas europeus.

Em 1958 ocorreu a passagem decisiva de Bill Evans pelo sexteto de Miles Davis (inclusive com a gravação do álbum “Basic Miles”), que culminou em 1959 com o álbum “Kind Of Blue”, em que Bill e Miles esboçaram os temas poucas horas antes das 02 sessões da gravação, baseados no sistema modal. Para essa gravação e para esse álbum Bill Evans escreveu o reflexivo “Blue In Green”, criou irresistíveis introduções que iriam marcar seus futuros trios, além de escrever as notas de contra-capa que definem perfeitamente o clima e a gravação deste álbum que tornou-se obrigatório para os amantes do JAZZ. Recém-lançado no Brasil (e noticiado aquí no CJUB), o livro “Kind Of Blue” (Ashley Kahn, 1ª Edição, 2007, tradução de original americano de 2000) é uma excelente reconstituição da gravação, ainda que deixe pairar dúvidas sobre os autores dos temas (Miles jamais deu crédito a Evans por autoria, reservando-se os direitos autorais).

Bob Brookmeyer afirmou que Bill Evans conseguiu reunir de forma coesa as linguagens de Parker, Gillespie e Bud Powell, compondo melodias com um certo sentido de Cole Porter e George Gershwin.

Bill tomava uma tonalidade e fazia a voz de base, sem a melodia e com a mão direita buscando os registros altos para criar mais intensidade, tocando com extensões de acordes, enriquecendo as harmonias; usava sistematicamente escalas com preponderância de algumas notas dos acordes, criando novas linhas melódicas. No documentário “The Universal Mind Of Bill Evans – O Processo de Criação” (Raphsody Films, 1991, 44 minutos, produzido por Helen Keane “manager” de Bill Evans e rodado em Baton Rouge, Louisiana, com apresentação de Steve Allen), Bill Evans explica a seu irmão Harry a nova dimensão harmônica do JAZZ: ouvir e aprender sobre modificações e a construir melodias harmonicamente, fixando-se na harmonia para tocá-la sem a música, trocando uma harmonia por outra. Bill Evans tocava JAZZ com total e intensa concentração nas harmonias; compunha temas líricos com originalidade na estrutura harmônica, lembrando seu estudo e interpretação dos clássicos - Brahams, Ravel, Debussy - o que permite entender-se como harmonizava melodias com seus acordes no piano. É comum ouvir-se Bill Evans executar longas linhas melódicas em legato, logo seguidas de “blocos” onde a melodia é apenas e tangencialmente sugerida, para retornar às linhas e/ou ao tema principal

É importante que nos reportemos à produtora de Bill Evans, Helen Keane, credora de especial e relevante crédito quanto às gravações do pianista, responsável maior que foi por fazê-lo gravar quase uma centena de álbuns para os selos Riverside, Fantasy, Verve, Warner e Columbia.

De Dezembro/1959 a Junho/1961 Bill Evans revolucionou o conceito do trio de JAZZ: com Scott LaFaro no baixo (23 anos ao iniciar sua colaboração com Bill) e Paul Motian na bateria, ele abandonou o esquema de acompanhantes para o solista, substituindo-o pelo diálogo entre vozes complementares. Lamentavelmente o jovem LaFaro faleceu em acidente automobilístico em Julho/1961, com apenas 25 anos. Sucederam-se outros baixistas no trio de Bill Evans: Chuck Israels, Gary Peacock, Eddie Gómez e Marc Johnson. Paul Motian permaneceu com Bill até 1964, sucedendo-o outros bateristas: Larry Bunker, Joe Hun, Philly Joe Jones, Marty Morell, Elliot Zigmund e, finalmente, Joe LaBarbera.

Profissionalmente a carreira de Bill Evans seguiu em ascensão e sucesso, principalmente com seu trio: temporadas, excursões e festivais, sempre aclamado pelo público e pela crítica. Mas a vida pessoal foi uma permanente luta contra a dependência das drogas que o haviam aprisionado desde o tempo do serviço militar, devastando-o com a heroína a partir da época de sua colaboração com Miles Davis (este já havia “tirado o macaco das costas”, mas ainda estava cercado por toda uma estrutura de dependentes, usuários e/ou traficantes), de tal forma que aos eventos infelizes com seus parentes e músicos, seguiam-se quedas pessoais que cada vez mais o marcaram.

Ainda assim sua música mantinha-se íntegra, conforme o depoimento de Bob Brookmeyer no documentário “Jazz Collections – Bill Evans” (La Sept Art, França, 1996, 53 minutos): “todos nós o amávamos, sentíamos o desastre crescente, pois ele vivia pedindo dinheiro, seguidamente despejado dos apartamentos, ficava cercado pelos móveis no meio da rua, mas você ia vê-lo tocar à noite e era uma perfeição total, um outro mundo que nada de ruim conseguia atingir.”

Sua composição “Turn Out The Stars”, como já indicado anteriormente, foi dedicada ao pai, falecido em 1965. Bill casou-se pela primeira vez com Elaine, que não podia dar-lhe filhos; então Bill compôs “Waltz For Debby” para sua sobrinha, filha de Harry. Elaine suicidou-se em 1973 e seu irmão beirou a insanidade, sendo internado para mais tarde tornar-se professor de piano.

Bill Evans voltou a casar-se em 1975 (com Nénelle, que era garçonete em uma boate), daí nascendo seu filho Evan, ao qual Bill dedicou a obra prima “Letter To Evan”. As seguidas turnês de Bill levaram o matrimônio à separação e ele sempre viu pouco o filho. No final dos anos 70 Harry faleceu, com nova crise pessoal para Bill Evans.

O último trio de Bill Evans (Marc Johnson no baixo e Joe LaBarbera na bateria) marchou sempre no apogeu: temporadas, excursões, festivais, gravações técnica e artisticamente perfeitas, assinatura de contrato com a etiqueta Warner em 1977, enfim, arte e sucesso.

Bill Evans visitou o Brasil em 03 oportunidades, sendo as seguintes suas apresentações no Rio de Janeiro:
(1ª) 16 e 17/Julho/1973, Teatro Municipal, com Eddie Gomez e Marty Morell;
(2ª) 08/Maio/1976, Concha Acústica da U.E.R.J., com Eddie Gómez e Elliot Zigmund;
(3ª) 29/Setembro e 01/Outubro/1979, Sala Cecília Meirelles, com Marc Johnson e Joe LaBarbera, que o acompanharam até seu final.

O último “chorus” de Bill Evans transcorreu em andamento tão fulminante quanto as drogas que o escravizaram. Apresentou-se em Oslo no final de Agosto/1980 (“Molde International Jazz Festival”, executando com Marc Johnson e Joe LaBarbera um “Days Of Wine And Roses” absolutamente perfeito, tecido com técnica, lirismo, concentração e fluidez impecáveis), retornou aos U.S.A., apresentou-se na televisão com voz calma, firme e muita simpatia, executando “Your Story”, cumpriu temporada de 31/Agosto até 08/Setembro no “Keystone Korner” (São Francisco / Califórnia) para, dias depois tocando em clube noturno em Manhattan, sofrer hemorragia interna e crise de insuficiência hepática; de táxi foi levado às pressas para o “Mont Sinai Hospital”, mas não resistiu e morreu no caminho: 15/Setembro/1980.

A filmografia de Bill Evans ainda que reduzida nos brinda com excelentes momentos de seus desempenhos, principalmente em trio. Assim, temos:

· The Subject Is Jazz, U.S.A., 1958, série para a televisão em 13 módulos de 30 minutos cada um, com Bill Evans no módulo 13 (“The Future Of Jazz”).
· Odds Against Tomorrow, U.S.A., 1959, 96 minutos (longa metragem), direção de Robert Wise, trilha sonora de John Lewis com participação de Bill Evans;
· Kärlek 65 (Love 65), Suécia,1965, 95 minutos, direção de Bo Wideberg, execução de Bill Evans em “Peace Piece” na trilha sonora;
· Signalet, Dinamarca, 1966, 26 minutos, direção de Olé Gammeltoft, Bill Evans na trilha sonora;
· Bill Evans Trio, U.S.A., 1968, 20 minutos, produção para a televisão, execução de “So What”;
· Bill Evans, U.S.A., 1968, 17 minutos, direção de Leland Wyler, gravação de 03 números em clube, um deles com Scott laFaro (“Jade Visions”);
· Jazz is Our Religion, Inglaterra, 1972, 50 minutos, direção da John Henry, participação de Bill Evans em meio a diversos músicos;
· Jazz At Maintenance Shop, U.S.A. (com versão brasileira dentro da série “O Melhor do Jazz”), 1979, 59 minutos, gravação para a televisão de apresentação do trio de Bill Evans em clube de Iowa;
· Jazz Connections - Bill Evans, série da La Sept Art, França, 1996, 53 minutos, percorre de forma concentrada boa parte da biografia de Bill Evans, com excelentes tomadas e fotos de suas infância, juventude e fase adulta, além de interpretações em trio e depoimentos de músicos de JAZZ;
· The Universal Mind Of Bill Evans – O Processo de Criação, Raphsody Films, 1991, 44 minutos, produzido por Helen Keane “manager” de Bill Evans e rodado em Baton Rouge, Louisiana, com apresentação de Steve Allen;
· Piano Legends da série “Naipes do Jazz”, apresentação de Chick Corea, com Bill Evans como um dos destaques por sua introspecção e romantismo em piano.solo;
· Bill Evans Trio - The Oslo Concerts, Sanachie, 70 minutos, Bill Evans em trio, Outubro/1966 no “Oslo Munch Museum” com Eddie Gómez e Alex Riel executando 07 temas e em Agosto/1980 no “Molde International Jazz Festival” com Marc Johnson e Joe LaBarbera executando 04 temas e entrevista de Bill Evans ao final. Sobre o “Molde International Jazz Festival” (Molde, Noruega, 1961 a 1980, organizado pelo “Storyville Jazz Club”), consulte o respectivo verbete no livro de Mario Jorge Jacques (MAJOR), “Glossário do Jazz”, 2005, 1ª Edição.

A bibliografia referente a Bill Evans é extensa, já que a prática totalidade de obras sobre JAZZ se alongam ou, pelo menos, citam-no em verbetes e comentários. Como exemplos entre outras dezenas indicamos os citados a seguir.

· The New Edition Of The Encyclopedia Of Jazz, Leonard Feather, 1ª Edição, 1956(reimpressão de 1960), U.S.A., assim como as edições relativas às décadas de 60 e 70, dedica verbetes a Bill Evans;
· Diccionario Del Jazz, Philippe Carles / André Clergeat / Jean-Louis Comolli, 1965, edição espanhola do Grupo Anya S.A., contempla Bill Evans com extenso verbete, conciso e preciso;
· Gran Enciclopédia Del Jazz, Editora SARPE / Espanha, 1980, contém extenso e bem montado verbete sobre Bill Evans nas páginas 601 a 603;
· The Great Jazz Pianists, Len Lyons, 1983, DaCapo Press, U.S.A., seguramente um dos melhores livros com conteúdo “jazzístico” dos já escritos, tem nas páginas de 218 a 228 alentada entrevista de 1974 com Bill Evans, realizada em quarto de hotel em Monterey com arremate nos estúdios da Fantasy Records em Berkeley; Bill Evans enfatiza que ouve e analisa todo o trabalho de Parker, Gillespie e Getz, suas origens em J.S.Bach e suas atenções e técnica voltadas para a forma, a estrutura e a harmonia, com a melodia subjacente;
· Obras Primas do Jazz, Luiz Orlando Carneiro (prefácio de J.D.Raffaelli), 1986, Jorge Zahar Editor, presta nas páginas 141 a 143 seu tributo “às excepcionais qualidades de intérprete” de Bill Evans;
· JAZZ, John Fordham, 1993, Inglaterra, contem diversas indicações sobre Bill Evans e inclusão do álbum da Milestone “Everybody Digs Bill Evans”, na seção “modal”;
· Los 100 Mejores Discos Del Jazz, Jorge Garcia, Federico G. Herraiz, Federico Gonzáles e Carlos Sampayo, Editora La Máscara, 1993, Espanha, inclui entre os 100 melhores além do “Kind Of Blue” de Miles Davis e do “The Blues And The Abstract True” de Oliver Nelson, ambos com a participação de Bill Evans, 02 albuns com Bill como titular e em trio - “Waltz For Debby” e “Alone (Again)”;
· JAZZ – The Rough Guide, Ian Carr / Digby Fairweather / Brian Priestley, 1995, Inglaterra, editora The Rough Guides, dedica histórico e indicações de gravações de Bill Evans;
· Els 25 Grans Del Jazz, Miguel Jurado, 1996, Editora Pirene e Proa, Barcelona / Espanha (texto em catalão), dedica as páginas de 75 a 79 a um bom histórico sobre Bill Evans (segundo o autor, um dos 25 “grans”);
· Os Grandes do Jazz, Ediciones Del Prado, 1996/1997, Espanha (tradução para o português), apresenta bom histórico sobre Bill Evans nas páginas de 121 a 132 do 5º volume; traz acoplado CD com 11 faixas, 63’28”, que inclui “Autumn Leaves”, “Turn Out The Stars”, “Nardis”, “Emily” e outras, gravadas na turnê européia de 1969 (Itália, Dinamarca, Holanda), com Eddie Gómez e Marty Morell;
· Tributo ao Século XX, 1999, Editora Papel Virtual, 198 páginas e diversos autores, em que Luiz Carlos Antunes, Mestre LULA, sintetiza em 26 páginas um panorama do JAZZ, assinalando na página 185: “Em 1959 surge um pianista que será o mais imitado dos anos seguintes: Bill Evans, laureado por seu fino trabalho no álbum “Kind Of Blue” com o grupo de Miles Davis e por seus primeiros discos em trio”.
· Kind Of Blue, lançado agora em 2007 (tradução de original americano de 2000), Ashley Kahn, é relato importante sobre a produção desse álbum, com evidente destaque para Bill Evans.

Continua em B e C com a discografia reduzida.

AO MESTRE, COM CARINHO

22 maio 2007


O Londrina Jazz Club deste domingo, 17 horas, será dedicado ao Mestre Llulla. Não só por ele ser uma das referências em jazz no Brasil, profundo conhecedor, como também por ter produzido o memorável programa “O Assunto É Jazz”, forte influência na concepção do co-irmão londrinense, pela Radio Universidade FM, 107,9 (www.uel.br/radio/). Pelo caráter também didático do programa, que tenta aproximar o público da universidade ao jazz, o set-list traz vocalistas e instrumentistas brasileiros, todos direta ou indiretamente com alguma ou muita sonoridade jazzística.

01. Joyce – A Banda Maluca (Joyce) – extraída do áudio DVD ao vivo.
Joyce – vocal, violão
Teco Cardoso – flauta
Nailor Proveta – clarinete
Rodolfo Stroeter – baixo
Tutty Moreno – bateria
Robertinho Silva – percussão

02. Tutty Moreno – A Lenda Do Abaeté (Caymmi)
Tutty Moreno – bateria
André Mehmari – piano, arranjo de cordas
Nailor Proveta – sax
Rodolfo Stroeter – baixo

03. Zé Luiz Mazziotti – Cadê Você (Donato/ Chico Buarque)
Zé Luiz Mazziotti – vocal
Marcus Teixeira – violão
Celso de Almeida – bateria
Fábio Torres – piano
Paulo Pauletti – baixo
Keko Brandão – teclados
Chico Buarque – vocal

04. Marcos Resende – Amor em Paz (Jobim/Vinícius) – ao vivo
Marcos Resende – piano
Mads Vinding – baixo
Nils Vinding – bateria

05. Joyce – Você e Eu (Carlos Lyra/Vinícius) extraída do áudio DVD ao vivo
Joyce – vocal, violão
Teco Cardoso – flauta
Nailor Proveta – sax
Rodolfo Stroeter – baixo
Robertinho Silva – percussão

06. Tutty Moreno – Imagem (Luiz Eça)
Tutty Moreno – bateria
Andrá Mehmari – piano, arranjo de cordas
Rodolfo Stroeter – baixo
Nailor Proveta – sax

07. Zé Luiz Mazziotti – Almanaque (Chico Buarque)
Zé Luiz Mazziotti – vocal
Fábio Torres – piano
Paulo Pauletti – baixo
Marcus Teixeira – violão
Celso de Almeida – bateria

08. Marcos Resende – Chega de Saudade (Jobim/Vinícius) ao vivo
Marcos Resende – piano
Mads Vinding – baixo
Nils Vinding – bateria

09. Joyce – Upa Neguinho (Edu Lobo/Guarnieri) extraída do áudio DVD ao vivo
Joyce – vocal, violão
Teco Cardoso – flauta
Nailor Proveta – sax
Tutty Moreno – bateria
Robertinho Silva – percussão
PS. O programa é reprisado na sexta às 9 da noite.

O TROMPETE EUROPEU DE NILS WUELKER

21 maio 2007

Nascido em 1977, o alemão Nils Wuelker começou a estudar piano aos 7 anos e aos 10 encontrou no trompete sua identidade musical.

Inicialmente produzindo na linha que chamam de acid jazz, interessou-se pelo jazz por volta de 1993 influenciado pela música de Miles Davis.
E sua música segue a mesma linha dos europeus já tão citados e criticados aqui como Tomasz Stanko e Esbjorn Svensson.
Coisa rara por aqui, assim como todos os registros de trabalhos europeus, Nils Wulker acaba de lançar seu quarto álbum - Safely Falling - e deixo aqui o tema homônimo em seu último concerto realizado em Quasimodo, Berlin em 3 de maio, para apreciação.
A formação é Nils Wuelker trompete, Jan von Klewitz alto, Lars Duppler piano, Dietmar Fuhr contrabaixo e Jens Dohle bateria.


Nils Wuelker Group - Safely Falling

UM SHOW DE WILLIANS PEREIRA

20 maio 2007

Willians Pereira é um grande violonista !
Após seu trabalho com o Trio Taluá e seu disco solo Dom Quixote, ambos lançados pela Delira Musica, consolidou-se como uma das mais expressivas vozes do nosso violão instrumental.
Um músico que se preocupa de verdade com a harmonia, com o desenho das vozes, sem o exagerado excesso de notas e, claro, acima de tudo, com muito talento.

Volta aos palcos na próxima quarta-feira, 23/05, com o show Sobre o Encanto e a Delicadeza, com a participação mais que especial de Maurício Einhorn.

O local : Teatro Solar de Botafogo, Rua General Polidoro 180 - Botafogo
A hora : 20hs
O ingresso : R$ 20,00

RENDIÇÃO

17 maio 2007

O blog é de jazz mas pouco tempo atrás incluiu-se a variante “jazz & bossa”. E foi dentro desse contexto que me arrisco a fazer uma resenha sobre o último CD da ótima vocalista Jane Monheit, que, por certo, alguns cejubianos conhecem de perto e ao vivo, já que ela mandou ver no Bourbon Street, São Paulo, e Mistura Fina, Rio. Nascida em 3 de novembro de 1977 – escorpiana em grau e gênero - , Oakdale, Long Island, veio de família musical. O interessante que quando menina estudou clarinete, além de teoria musical. Como vocalista, em 1994, foi aluna de Peter Eldridge – leia-se New York Voices – na Manhattan School Of Music. Em 1998, quase profissional, foi segunda colocada no Thelonious Monk International Jazz Competition. De lá para cá gravou 6 CDs, sempre bem amparados pela crítica. Difícil não reconhecer em Monheit uma das vozes mais bonitas do cenário jazzístico atual. E desde o início de carreira confessa uma ostensiva simpatia pela música brasileira. É o caso de seu último álbum, “Surrender”, lançado agora nos Estados Unidos.
Essa simpatia pela nossa música vem agora recheada pelas presenças de Sérgio Mendes, arranjos e teclados, Ivan Lins, teclados, arranjos e vocal, e Paulinho da Costa, percussão. Outros conceituados músicos participam do projeto, como Toots Thielemans (harmônica), o argentino Jorge Calandrelli (produção e arranjos), Alphonso Johnson (contabaixo), Dave Carpenter (contrabaixo), Gary Foster( sax), Ari Ambrose (sax), Rick Montalbano (ex-marido, bateria), entre outros. O repertório é de extremo bom gosto, passando pelo clássico do próprio Sérgio Mendes (So Many Stars), A Time For Love (Johnny Mandel), If You Went Away (Preciso Aprender A Ser Só, Marcos Valle), Só Tinha De Ser Com Você e Caminhos Cruzados (Jobim), Moon River (Mancini), Like A Lover (Dori) e a lindíssima Rio De Maio (Ivan Lins & Celso Viáfora), um momento à parte no CD. Monheit ainda não domina a nossa língua com facilidade. Às vezes isso atrapalha um pouco. Mas como sempre acho que a intenção é que vale, coloco esse constrangimento em segundo plano. O CD, no mínimo, é de certa forma humilhante para nosotros tupiniquins. Difícil ver entre nós um álbum tão bem cuidado, com um varal de cordas, arranjos caprichados, tudo em prol da boa música.

Som na caixa
Jane Monheit - So Many Stars