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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

GET HAPPY! (pro Tandeta)

23 maio 2007


Tierney Sutton (Wisconsin, 1963), além da técnica e afinação, é uma vocalista das mais criativas no cenário jazzístico mundial. Talvez pela sua formação intelectual. Graduou-se no “idioma russo”, literatura e concluiu a Berklee em jazz vocal com louvor. Desde pequena teve em Ella Fitzgerald sua maior influência. Em 98, 2ª colocada no Thelonious Monk Jazz Vocal Competition. Foram 7 CDs de lá para cá, culminando agora com On The Other Side. O que mais chama a atenção em Tierney é a sua inquietude, jamais se conformando com o previsível, o que Hancock chama de “zona confortável”. Em seu álbum Unsung Heroes (2000), ela recaptura temas clássicos do jazz instrumental, tarefa nada fácil. Na homenagem a Sinatra, Dancing In The Dark (2004), a abordagem é muito própria, fascinante. Sem contar que Tierney mantém um trio cativo, de altíssimo nível, com Christian Jacob (piano), Trey Henry ou Kevin Axt (baixo) e Ray Brinker (bateria). Jacob, francês de nascimento, é um inesgotável criador de harmonias e arranjos excitantes para qualquer cantor. O novo CD, aliás, é uma aventura das mais interessantes.
On The Other Side (Telarc, fev/2007) explora a palavra “happy” nas canções que marcam o jazz. Tierney às vezes muda a intenção, tornando um tema em principio alegre numa variante intimista. E vice-versa. Algumas faixas, por isso, recebem duas versões, como Get Happy (Arlen & Kohler) e Happy Gays Are Here Again (Ager & Yellen). Com Jack Sheldon (vocal, trumpet), um banho de informalidade via I Want To Be Happy (Caesar & Youmans). Ao contrário de Smile (Chaplin, Parsons & Turner), acompanhada apenas pelo bom gosto do pianista Christian Jacob.
E o clima vai se alternando, sempre com muita originalidade, em temas como You’re My Sunshine (Davis), Haunted Heart (Dietz & Schwartz), Sometime’s I’m Happy (Caesar, Grey & Youmans), Glad To Be Unhappy (Rodgers & Hart) e Happy Talk, (Rodgers & Hammmerstein), entre outros.
Não se trata de um CD comercialmente viável, como Dancing In The Dark. Há que se ter uma boa noção do que o jazz é capaz, tanto no lado harmônico como rítmico. Raramente uma cantora recebeu em toda a sua discografia cotações tão altas dos mais conceituados críticos. Se me colocassem um revólver no peito, exigindo que eu dissesse qual a melhor vocalista de jazz da atualidade, eu nem pensaria em responder: Tierney Sutton.


Tieney Sutton - I Want To Be Happy

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