Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

A Lei de Murphy aplicada ao jazz

30 abril 2004

"If, in the course of several months, only three worthwhile social events take place, they will all fall on the same evening and on superposed time so you can only attend one."

Fui buscar nessa que é uma das mais irritantes "Leis de Murphy" a justificativa para o que ocorreu ontem comigo. Não bastasse um Concerto muito promissor, tinha encavalados nessa mesma noite a festa dos 50 anos de uma grande e gentilíssima amiga, que, além de tudo, foi uma das primeiras a prestigiar com seu marido as iniciais produções do CJUB, ainda no Epitácio Lounge. E mais, outro convite, por outro casal tão gentil quanto o anterior, para um "gnocci" da fortuna, a qual, para mim, teria a forma de bela conversa com amigos tão queridos e interessantes, récem-chegados de uma viagem à India. Este, restou adiado para breve, por ter sido o último da lista.

Optei, sob os protestos da chefia, por ir ver o primeiro set no Mistura e sair no intervalo, para comemorar o aniversário da amiga. Foi o que fiz, bastante a contragosto, diga-se, pois festa mesmo rolou no segundo andar do Mistura.

Quando cheguei, ainda sob a marquise encontrei nossa cejubiana LaClaudia [Fialho], a família em peso, filhas, genros, aguardando por alguém que não chegara, para fechar o grupo e assumirem seus postos.

No andar de cima, surpresa, o coração deu um tropeção. Sentada à mesa diante da porta, nada menos do que a Angelina Jolie! Ora, depois de ver k.d.lang em pessoa numa das CJL anteriores, tudo era poss;ivel. Mas foi susto que logo se explicou. Era apenas uma sósia da atriz, outras pessoas antes de mim já se haviam confundido igualmente.

Na mesa seguinte, dois grandes amigos de Jorginho Guinle, Estêvão Hermann e Mariozinho de Oliveira, que foram conferir os elogios que JG havia feito, pouco antes de morrer, à qualidade do som produzido por Widor Santiago quando do Concerto de novembro passado, a ele dedicado. Lá estava também Maria Amélia Mello, da José Olympio, amiga e editora do livro de JG, prestigiando o Concerto.

Gostei muito de ver presente também o Ruy Martinelli com sua esposa, chegado de sua própria produção de outro dos concertos de jazz de ótimo nível realizados no Leblon Jazz Lounge, que acabara de acabar. Muito simpático e prestigioso para o CJUB.

Mais adiante, a mesa do CJUB, acrescida da nossa musa-cantante-honorária, Wanda Sá, a quem havia convidado para iniciar a vertente cantada dos Concertos CJL no futuro e que me disse já estar pensando no assunto com muito carinho. E ainda, entre vários outros, o pianista Philippe Baden-Powell (filho do fabuloso violonista), o saxofonista José Carlos "Bigorna" e o contrabaixista, humorista e excelente praça, Reinaldo, da trupe Casseta & Planeta.

Tudo preparado, o espetáculo começou e, pronto, lá estava eu apreciando um belo concerto em "countdown", com a incômoda sensação de que quanto melhor ficasse, mais chateado ficaria de ter de sair. Não deu outra. O primeiro set, dedicado a Chet Baker, mostrou que Widor e Paulinho Trompete não estavam para brincadeiras, afiadíssimos e integrados pelo longo tempo de estrada juntos. Foi uma maravilha, na medida em que desfiaram uma sequência de "standards"de fácil acompanhamento pelo público amante de Chet. Ao final, juntei minhas coisas e parti rapidamente, ainda ouvindo os ecos das palmas e gritos de entusiasmo da platéia, composta não apenas dos tradicionais rostos de fiéis amantes do jazz mas também de novos grupos de jovens apreciadores, dentre os quais o filho de bom e velho amigo amantíssimo do jazz, que me fizeram considerar estar nosso esforço finalmente frutificando.

Por ser grande apreciador de Sonny Rollins, acelerei o carro em diração à Barra, onde rolava a outra festa, bloqueando qualquer pensamento sobre o que perderia, em matéria de jazz, uísque e charutos, dali em diante.

De fato, preferi guardar comigo o que pude aproveitar dessa noite de qualidade do que ficar pensando no que estaria desperdiçando. Vou aguardar a resenha técnica, em breve aqui no blog, para só então me arrepender pela escolha sem escolha.

Alguém diria que eu transpus o postulado de Murphy por ter, finalmente, conseguido ir a dois bons eventos numa mesma noite. Negativo, fui a dois meios-eventos, o que na soma final, volta a dar um.
C.Q.D.

- BATERISTA ElVIN JONES TOCA GRAVEMENTE ENFERMO -

28 abril 2004


O lendário baterista Elvin Jones tocou terça-feira, dia 27 de abril, no clube Yoshi's, em San Francisco, na Califórnia, naquela que foi, provavelmente, sua última apresentação em público.
Gravemente enfermo, em estado terminal de câncer, tendo passado três meses em tratamento num hospital, segundo suas palavras, Elvin Jones "fez questão de passar seus últimos momentos" tocando o instrumento que o consagrou como um dos mais influentes e revolucionários bateristas da história do jazz.
O radialista Larry Applelbaum fez um dramático relato dessa apresentação no site www.52ndstreet.com:

"Ontem à noite ouvi Elvin Jones em San Francisco. Ele mal podia andar no palco, sua esposa ajudou-o a sentar-se e a colocar as baquetas em suas mãos. Elvin teve problemas para tocar, mas seu tempo e seu som foram impecáveis. Sua esposa explicou ao público que ele estivera três meses num hospital e, a pedido dele, queria passar seus últimos momentos tocando bateria. Ele aparentava ter perdido cerca de 35 quilos. Foi um dos momentos mais tristes da minha vida. Habituei-me a vê-lo sempre em forma, alegre e bem disposto. Ao anunciar o último número, sua esposa pediu que orassem por Elvin enquanto segurava-o por trás da bateria durante a execução da música. Eu não pude parar de chorar...."

CHIVAS JAZZ LOUNGE: BELA NOTÍCIA

Atenção para esta boa novidade de última hora!

Amanhã, no Mistura Fina, no intervalo entre os sets da décima edição da série CHIVAS JAZZ LOUNGE produzida pelo CJUB, teremos brindes muito especiais no nosso habitual sorteio: os presentes poderão ser agraciados com 2 ingressos para cada noite do CHIVAS JAZZ FESTIVAL, que se inicia na quarta feira, 5 de maio, na Marina da Glória.

Além disso, vamos sortear 10 CDs "oficiais" do festival, preparados pela organização artística do CJFest, com uma seleção de temas de todos os músicos que lá se apresentarão.

Não dá para perder uma oportunidade dessas. Vejo vocês lá!

O JAZZFEST

26 abril 2004

Como ja disse anteriormente, o JAZZFEST - THE NEW ORLEANS JAZZ AND HERITAGE FESTIVAL, acontece a partir da última quinta-feira de abril ate o primeiro domingo de maio.

No hipódromo de Nova Orleans são montadas varias tendas, e nelas se apresentam diversos artistas dos mais variados estilos musicais, de 10:00h até as 17:00h. Com um único ingresso é possivel assistir muita coisa.
Há varios quiosques, com os mais variados produtos. Camisetas, comidas, souvenirs, CDs e outras coisas mais.

Há milhares de pessoas circulando e se acotovelando para assistir aos shows. Para se encontrar o bom jazz, tem que dar uma garimpada, mas se encontra.
Melhores são as apresentacoes noturnas, em locais mais apropriados, tais como SNUG HARBOR, TIPITINA'S, STORYVILLE DISTRICT, HOUSE OF BLUES, entre outros.

Nos bares da Bourbon Street não acontece nada referente ao JAZZFEST. Aliás, a Bourbon Street é muito interessante mas está voltada exclusivamente para o turismo.
A verdadeira Nova Orleans, musicalmente falando, fica um pouco mais afastada do French Quarter. Bares mais frequentado pelos "locais" e onde acontecem ótimas apresentacoes e jam sessions sensacionais.

Uma boa dica é ir nas quintas feiras ao VAUGHAN'S LOUNGE e assistir a uma tremenda apresentacao de um dos melhores trompetistas de Nova Orleans, KERMIT RUFFINS e sua banda chamada THE BARBECUE SWINGERS, finalizando com uma sensacional jam session. Este local não oferece nenhum conforto mas o seu bar é impecavel. Fica na esquina das ruas Dauphine e Lesseps. Este trompetista estaciona a sua pick-up bem nas esquina, e na caçamba ele tem uma churrasqueira que fica assando as carnes que os musicos comem, alem de beberem muito bem, durante os intervalos.
Outras dicas sobre Nova Orleans sao encontradas nos sites:
www.neworleans.com ou www.nola.com.

É isso.

10o. CONCERTO CHIVAS JAZZ LOUNGE - MISTURA FINA, 29/04/04
TRIBUTOS A CHET BAKER E A SONNY ROLLINS

Este CJUB realiza, no proximo dia 29 de abril, quinta-feira, às 21 horas, no Mistura Fina ( Av. Borges de Medeiros, 3207, Lagoa - tel. 25372844 ) o décimo concerto da série Chivas Jazz Lounge.
Será uma noite de inovação pois pela primeira vez, num programa duplo, idealizado e produzido por José Henrique Felzenszwalb, 2 gigantes do jazz serão homenageados. O primeiro set será dedicado a Chet Baker e o segundo a Sonny Rollins.

O produtor convidou o saxofonista (tenor) WIDOR SANTIAGO, de vasta carreira nos palcos e estudios brasileiros, para liderar este concerto.
Widor, que impressionou ao saudoso jazzófilo Jorginho Guinle na edição de novembro do mesmo CHIVAS LAZZ LOUNGE, é remanescente das bandas de Flora Purim e Airto Moreira, João Bosco e Djavan e, atualmente, acompanha Milton Nascimento. Foi solista da banda Fourth World de 1977 a 2000, percorrendo todo o circuito mundial de festivais. Músico nato, com autênticas caracteristicas dos músicos bem dotados e de tecnica reconhecidamente superior, seu fraseado arrojado e sua paixão por Sonny Rollins, levaram-no a preparar este tributo ao "mestre", cuja sonoridade, certamente, agradará a todos os admiradores desse "monstro" do jazz.

A seu lado estará o fenomenal PAULINHO "TROMPETE", considerado uma das fábulas da música instrumental brasileira, que já se apresentou em dois concertos produzidos pelo CJUB. Ao trompete ou ao flugelhorn, Paulinho é quem vai relembrar os melhores momentos que o outro tributado, Chet Baker, deixou impressos nas memórias dos aficcionados por sua sonoridade peculiar.
Músico de experiência internacional, radicado em Nova York no final dos anos 70, Paulinho fez parte da prestigiosa orquestra de Thad Jones-Mel Lewis, integrando, também, a banda do mais famoso dos "soulmen", James Brown. Entre nós, formou com quase todos os grandes nomes da MPB e do jazz nacional.

A seção rítmica escalada para tão desafiador "tour de force", tem ao piano
HAMLETO STAMATO, que sem dúvida nenhuma é um dos expoentes da nova geração da música instrumental brasileira. Tendo sua formação na Escola Russa, se apresentou no Teatro Bolshoi.
Músico atuante no circuito instrumental, participou dos discos de Adriano Giffoni, Rosa Passos, Leo Ortiz, João Castilho, entre outros. Participou, ainda, das bandas de Tim Maia, Ed Motta, Nando Reis, Danilo Caymmi, para citar alguns. É integrante do sexteto BR PLUS e sócio do estudio multimidia com o mesmo nome. Seu recente disco "Speed Samba Jazz" que remonta, com grande balanço, a era dos grandes trios brasileiros, foi entusiasticamente recebido pela crítica e pelo público.

No contrabaixo estará RODRIGO VILLA, considerado pelo colegas como "Velho-Novo" pois aos 26 anos ele toca baixo acústico como um veterano do jazz. Prova disto é ter sido convocado por legendas como Paulo Moura, J. T. Meirelles e José Roberto Bertrami (leia-se Azymuth ) para com eles tocar.

Na bateria estará ERIVELTON RIBEIRO. Oriundo da Escola de Brasilia, este baterista se revelou tocando ao lado das cantoras Rosa Passos e Leila Pinheiro. Conhecimento, técnica e musicalidade fluem pelas suas baquetas com uma naturalidade que impressiona. É hoje, inquestionavelmente, um dos bateristas mais requisitados no circuito da música instrumental.

O quinteto apresentará no primeiro set, dedicado a CHET BAKER, Love For Sale, There Will Never Be Another You, My Funny Valentine, entre outros temas que marcaram sua carreira. No segundo, dedicado a SONNY ROLLINS, serão apresentados Valse Hot, Airegin, Oleo, Pent' Up House entre outros clássicos de "Newk" (apelido de SONNY ROLLINS).

ZENRIK

THE NEW ORLEANS JAZZ AND HERITAGE FESTIVAL

25 abril 2004

Acontece todos os anos, do último final de semana de abril até o primeiro final de semana de maio. Este ano, de 23 de abril até 2 de maio.
A Internet nos proporciona a oportunidade de ouvir o JAZZFEST, pelo seguinte site: www.wwoz.org
Lá se encontra o link : Listen to the Internet Broadcast.
Clique e divirta-se.

Blue in Green

22 abril 2004

Vou partilhar com vocês todos uma idéia que me veio à mente ao fotografar o mar em Fernando de Noronha, semana passada. Vejam esta foto e me digam se o tema de Miles não vem imediatamente à cabeça.
Alguns dizem que o fraseado está mais para o estilo de Bill Evans, que na época poderia ser o co-compositor ou mesmo o efetivo autor do tema. Não importa quem foi, é tão bonito que no fim tudo se encaixa. Na minha cabeça coube perfeitamente.

Fenômeno do piano é gênio do jazz aos 17

Transcrição de artigo do San Diego Union Tribune - on line. Tradução livre.

Por George Varga

"Se os donos do Poder em Hollywood estiverem procurando um personagem interessante para um filme sobre jazz com apelo internacional garantido, Eldar Djangirov é o seu homem.



Considerem, melhor ainda, seu homem-muito-jovem, porque esse fenômeno do piano com cara de menino, proveniente da Ásia Central, da antiga República Soviética do Quirjiquistão, só completou seus 17 anos em 28 de janeiro passado.

"Se Eldar tivesse o dobro ou o triplo de sua idade, ainda assim seria surpreendente" disse Mike Wofford, pianista do primeiro time, de San Diego, que conta com Ella Fitzgerald, Benny Carter e B.B. King entre seus parceiros musicais do passado. "Técnica e criativamente, ele tem de fato uma concepção musical madura. E já desenvolveu uma "voz" [ao piano] pessoal, o que nesta idade é efetivamente raro. Acho que Eldar tem um futuro brilhante."

Djangirov tinha apenas 9 anos quando estreou apresentando-se em solo em 1995, num festival de jazz na cidade de Novosibirsk, na Sibéria.

Lá foi ouvido por Charles McWhorter, amante do jazz e patrono de artes, baseado em Nova Iorque. McWhorter ficou tão impressionado pelo prodígio ao piano que mais tarde ajudou Djangirov e seus pais a imigrarem para os EUA.

Desde sua chegada em 1998 – a princípio para Kansas City, e no ano passado para Rancho Bernardo – Djangirov já dispõe de uma carreira lotada de citações elogiosas.

Agora na terceira série do Segundo Grau da Francis Parker School, ele foi o vencedor da edição de 2001 do prêmio concedido no Lionel Hampton Jazz Festival. Seu perfil já foi apresentado no programa de TV "Sunday Morning", da emissora CBS e é o músico mais jovem a tocar série "Piano Jazz", de Marian McPartland na rede pública nacional de rádio. Tocou ao vivo durante a transmissão do Prêmio Grammy de 2000 e lançou dois discos relevantes, "Eldar" em 2001, e o recentemente saído "Handprints" (ambos com informações completas em seu website, www.eldarjazz.com).

Ele também dispõe de uma das mais respeitadas publicitárias ligadas ao jazz, Virginia Wicks, cujos clientes anteriores incluíam Nat "King" Cole, Peggy Lee and Benny Goodman. Ela ficou tão impressionada com a forma de tocar de Djangirov que está trabalhando para ele gratuitamente.
"Sei que Eldar pode ser um grande artista do jazz," diz Wicks, de Los Angeles, cujos clientes anteriores para quem trabalhou de graça foram os então dsconhecidos Harry Belafonte e Eartha Kitt.
Djangirov faz o melhor para conciliar seus estudos e sua crescente agenda de turnês como jazzista. (...)

O que faz Djangirov tão notável não é sua idade mas suas assombros técnica e sofisticação na improvisação e na interpretação das canções. Com um disco para um selo-pesado em suspenso, ele está prestes a atingir uma maior proeminência tocando a música que ele considera uma forma de arte libertadora.

"O jazz te liberta, literalmente," disse Djangirov, que fala inglês fluentemente, com pouquíssimo sotaque. "Porque cada vez que você toca você está passando sua própria perspectiva das coisas. Você se expressa através da música, livremente."

Seu caso de amor com essa quintessencial forma de arte americana começou quando, aos 4 anos, ouviu um dos discos do gigante do piano Oscar Peterson que pertencia a seu pai. Um ano depois começou a ter aulas de piano com sua mãe Tatiana, professora de piano clássico e musicologista. Ele aprendeu sozinho a tocar jazz ouvindo os álbuns que seu pai, Emil, colecionava.

"Era, obviamente, algo que eu nunca tinha ouvido antes e uma experiência esfuziante", lembra-se Djangirov. "Comecei a tocar clássicos e jazz, simultaneamente. Ainda acho que ouvir discos é provavelmente a melhor maneira de aprender jazz. Adoro todos os pianistas que ouço porque me dão novas perspectivas ao ouvir sua música."

Suas preferências diversificadas se refletem no disco de estréia de Djangirov, "Elgar" que mistura cinco composições suas com clássicos de Thelonious Monk, Duke Ellington e ícones do saxofone como Charlie Parker e Ornette Coleman.

Abençoado com mãos rápidas e uma imaginação mais rápida ainda é capaz de articular claramente cada nota mesmo nos seus solos mais acelerados Sua versão em alta octanagem de "Bemsha Swing", de Monk, deixaria pianistas de todas as idades sorrindo em admiração.

Djangirov tem suficiente capacidade para equalizar fogo e finesse em suas interpretações. É igualmente capaz de injetar sua personalidade em clássicos como "Matrix," de Chick Corea, "Footprints" de Wayne Shorter ou "Cantaloupe Island", de Herbie Hancock. "Eu vejo a coisa assim: o que esse tema tem para mim e quantas coisas eu posso fazer com ele?" fala Djangirov.

Ele não se lembra muito de sua infância no Quirjiquistão, um país montanhoso próximo à China. Mas lembra-se que eventos jazzísticos eram raros em sua cidade natal de Bishkek e que a primeira performance de jazz ao vivo de sua vida foi a sua própria, em 1995.

Embora Djangirov não tivesse dificuldade em ajustar-se à vida de americano ele ficou desapontado em saber que jovens na América eram tão ignorantes quanto às riquezas que o jazz tem para oferecer quanto seus pares na antiga União Soviética. "Isso me deixa um pouco confuso pois a verdadeira e única forma de arte americana é o jazz, e isso é reconhecido mundialmente," disse o devotado pianista, que passa três horas por dia praticando.
"Garotos na minha idade não ouviram muito jazz, e há tantas coisas no jazz que poderia interessá-los. Jazz na escola e educação musical em geral deveriam ser estimuladas e não reduzidas. Eu vivo para o jazz."

Pergunto eu: alguém aí já ouviu o "monstro" / tem disco dele?

PRIMEIRA FESTA JAM DELIRA MÚSICA – SUCESSO TOTAL!!!

20 abril 2004

Fernando e PegLu

Casa lotada, som, luz, tudo no esquema. O público já aquecido de um "happy-hour" excepcional com Paulinho Trompete. Muitos amigos e toda a platéia, sem exceção, aficionada por boa música. O clima estava perfeito para a abertura da PRIMEIRA FESTA JAM DELIRA MÚSICA, pouco após as 20:00h de ontem.

A anfitriã entrou e não falou. Tocou a sua flauta, acompanhada de violão. Surpresa para quem só conhecia a executiva do SELO DELIRA MÚSICA, expectativa para quem aguardava a entrada dos artistas anunciados. A música era "Pilar" de Toninho Horta. Os músicos, Luciana e Fernando Pegorer.







Tur?bio Santos


Após a abertura surpresa, o real início do evento com a "canja" de Turíbio Santos, seguida pelo belíssimo show do Trio Taluá e de uma absurda apresentação ao piano solo de Luiz Avellar. Os artistas estavam particularmente inspirados. Todos já são reconhecidamente grandes feras nos seus instrumentos, mas ontem, tocaram como deuses para o deleite da platéia que assistiu a tudo entusiasmada. Aplausos frenéticos se seguiram a cada solo, a cada fim de música.











Luiz AvellarEm seguida às apresentações dos três músicos do SELO DELIRA MúSICA, Philippe Baden Powell comandou uma "jam session" convidando Carlos Malta (no sax soprano), José Staneck (gaita) e a cantora Helen Calaça. Foi um grande evento.

Agradeço aos amigos do CJUB (Marcelón, Bene-X, Zenrik, Sazz e Manim) que puderam abrilhantar a noite com as suas presenças. Agradeço ao Sazz por ter comemorado seu aniversário conosco. Espero ter lhe proporcionado uma noite à altura desta data especial.

Muitos músicos presentes, não pautados para a festa, se coçaram de vontade. É, ficou um gostinho de quero mais...

PegLu

Mr. Sazz

19 abril 2004

Meu relógio marcava 13:58 naquele sábado do longínquo ano de 1990, quando cheguei à All The Best, melhor loja de jazz da época, na esperança de comprar algum CD pirata que por lá encontrasse. Fui atendido por uma figura simpaticíssima, que me informou que a loja fecharia em 2 minutos, mas, se eu quisesse, poderia me trancar lá para ouvir um bom som, acompanhado de um cachorro engarrafado.

Pois bem, a ampola desceu inteira, o papo magnífico teve como fundo musical algumas preciosidades jazzísticas, e eu ganhei um irmão para a vida toda. Hoje, milhares de matilhas depois, sinto-me feliz em poder comemorar com figura tão querida mais um dos muitos aniversários que ainda estão por vir.

Saravá, meu irmão!
Fraga

Clube de Regatas do Flamengo

Apenas para que não passe sem registro, agradeço à Luciana, desde já, que na jam session de hoje seja tocado o hino do campeão carioca (tantas vezes campeão ...), em versão jazzística.

Saravá!
Fraga

Um pequeno grande homem

18 abril 2004

Amigos,
Num domingo remoto, noite maravilhosa na casa de BeneX, conheci um pequeno grande homem. Parei junto ao portão e toquei o interfone. Nesse momento, chega a ilustre figura de Sá, que estava na dúvida de qual apartamento tocar. Vendo uma sacola de cds, perguntei se ía p/ casa do David e, diante da resposta positiva, me apresentei. O tempo passou e o meu respeito e admiração por ele só fizeram aumentar. Hoje, 19 de abril, no dia do seu aniversário, posso dizer que tenho o privilégio de partilhar do seu entusiasmo e energia. Parabéns Sá, que a sua luz continue brilhando sempre.
Marcelón

WINTON MARSALIS - "THE MAGIC HOUR", Blue Note 91717 @@

17 abril 2004

Sejamos francos. O currículo de Winton Marsalis, por si só, parece suficiente para intimidar qualquer crítico. Quem ousaria falar mal do músico crossover, cuja técnica assombrosa lhe permite transitar com igual naturalidade e prestígio no mundo do jazz e da música clássica; do todo-poderoso diretor da importante Lincoln Center Jazz Orchestra, com quem conquistou firme reputação pelo trabalho de "resgate" das raízes da "única arte originalmente americana"; do artista bestseller, pronto a liderar as paradas com vendagens que sempre desafiam os reconhecidos limites comerciais do gênero; do scholar do jazz, chamado pelo diretor Ken Burns para ser o consultor do mais relevante documentário já feito sobre o estilo ?

O problema - ou, quem sabe, a solução para os críticos - é que, se a música, de um lado, é inteiramente pessoal, porque produto da consciência única do autor, ao mesmo tempo, de outro, ela se torna totalmente impessoal, na medida em que sua abstração a isola, por completo, de quem lhe deu à luz. Bem verdade que é exatamente no jazz que esse paradoxo é menos evidente, já que, como em nenhum outro tipo de música, nunca o "tocar" se confunde tanto com o "compor"; jazz é improviso e improvisar nada mais é do que "compor tocando" e vice-versa.

Santa solução. Problema para Marsalis.


The Magic Hour, seu debut na Blue Note, é o primeiro disco do trompetista em quarteto, após vários anos, formação na qual, acredite-se, pareceu algo deslocado, impressão talvez reforçada pela mixagem fria, que isolou demais os instrumentos, inobstante a fidelíssima reprodução sonora.

Dos oito temas originais, Feeling of Jazz, faixa de abertura, e Baby, I Love You, são canções, entoadas, respectivamente, por Diane Reeves e Bobby Macferrin.

A introdução da primeira, evocando o hino americano, conduz a um blues simplório e rigidamente marcado, com Reeves cantando sob os comentários do líder, que incorporou Cootie Williams, no uso da surdina plunger.

Já a deliciosa Baby I Love You salva o disco, mercê dos sedutores recursos de McFerrin, que, ao contrário de sua colega tão overrated, sabe como cantar jazz, inclusive com pleno êxito na difícil linguagem do scat, o qual, em Reeves, não passa de pífio arremedo. Impressionante como este cantor magnífico, a concentrar-se naquilo que realmente sabe fazer, prefere desperdiçar o talento em duvidosas aventuras e flertes musicais com outros gêneros.

Em You and Me, pontuada por clappings, o bom baixista Carlos Henriquez surpreendeu com dois recursos raros fora do universo da música "de concerto". Primeiro, todo o tempo, acompanha usando o arco, tal como bissextamente faz Christian Mcbride e já faziam, há décadas, os fundamentais Oscar Pettiford e Paul Chambers. Mas o spicatto (percutir as cordas, com o arco, sem sobre elas deslizar), sinceramente, não compõe, ao menos a priori, nossa memória jazzística, salvo em experiências híbridas, como L'Orchestre de Contrebasses, de Paris.

Bem mais fracas são Skipping e Free to Be, esta com certo destaque para o piano impressionista de Eric Lewis, que, também em outros momentos, deixou clara sua formação clássica, ao fundir Bach, Beethoven, e mesmo Debussy, a seus improvisos.

A irritante Big Fat Hen, com a mesma base harmônica repetida à exaustão, representa, sem dúvida, o ponto mais baixo do CD, cujo interesse só renasce na balada Sophie Rose - Rosalee, escandalosamente inspirada (da abertura no contrabaixo ao indefectível muted) na eterna versão de Miles Davis para Someday My Prince Will Come, sem contar os vestígios de My Romance e Invitation, nos meandros da composição.

É claro que a faixa-título merece capítulo à parte. Trata-se de uma suite em onze movimentos - isto mesmo, onze pequenos movimentos - funcionando o 1º como um prelúdio e o 2º, 7º e 11º como interlúdios, todos celeríssimos, lembrando a atmosfera noir de algumas passagens da trilha sonora de Ascenseur pour L'echafaud (novamente o "desafeto" Miles), mas de estrutura melódica equivalente a do famoso "Vôo do Besouro", de Rymsky-Korsakov. As demais partes alternam-se em uptempos, blues, slow blues, latin (nota por nota, o riff de Oye Como Va, de Tito Puente) e uma espécie de tango, até a interessante balada final, com os instrumentos se revezando em diferentes formações ao longo de toda a peça, veículo ideal para o baterista Ali Jackson confirmar suas habilidades.

É uma pena constatar que, enquanto músicos como Dave Douglas e Walt Weiskopf, fazem questão de buscar na tradição a centelha criativa que incendeia, transforma e impulsiona o jazz do novo milênio, um artista do quilate e consagração de Winton Marsalis - que já tem no sangue a tradição - vale-se dos mesmos suprimentos, só que, atualmente, andando para trás, conforme prova este decepcionante The Magic Hour.

CJUB EM CD

15 abril 2004

Cejubianos (as), grata surpresa foi ouvir o "CD" preparado pelo nosso Benex, do concerto do Duduka da Fonseca, Helio Alves e Nilson Matta realizado em Janeiro último no M.F., que apesar de pequenos problemas de gravação, como privilegiar mais o piano que os outros instrumentos - nada que uma mixagem não possa corrigir - realmente temos como apreciar sem duvida a melhor produção do CJUB até o presente, desde a simpática e competente apresentação dos musicos pelo Raffaelli, passando pelas canjas da Maucha Adnet e do Paulo Levi, mas sobretudo e principalmente pela qualidade dos improvisos desses musicos brasileiros maravilhosos, que infelizmente o mercado, as rádios e gravadoras fizeram deixar o país.
Quanto às musicas, destacaria uma vez mais a soberba interpretação de Vera Cruz (certo, Luiz Carlos "DeFrag"? ) além das demais, e que me fez pensar porque não produzimos este CD de forma comercial/convencional, como já ocorrido com o Ron Carter naquele mesmo palco e com o apoio do próprio M.F.
Assim lanço aqui a idéia para ouvirmos nossos experts, principalmente a PegLu da Delira Musica.
É só.

Nivaldo repete show no Mistura Fina, amanhã

14 abril 2004

Devido ao sucesso da sua apresentação produzida pelo CJUB, no final do mês passado, quando fez um Tributo a John Coltrane, o saxofonista Nivaldo Ornellas repetirá a dose amanhã, no mesmo Mistura Fina, às 21 horas. A formação será identica à do concerto, com Kiko Continentino no piano, Sergio Barroso no contrabaixo e Pascoal Meirelles na bateria. Desta vez, o time doCJUB estará lá mas apenas na platéia, aproveitando.

Nivaldo também promete levar ao palco no segundo set os saxofonistas tenores Marcelo Martins (que também participou da CJL9, Eduardo Neves e ainda a pianista Délia Fischer, o que transformará o espetáculo numa grande festa.

É só ir lá e conferir.

Primeira Festa Jam Delira Música na Modern Sound

13 abril 2004

Programa imperdível!!! Será na próxima segunda-feira, 19/04, Dia do Índio, às 20:00h, na Modern Sound, a Primeira Festa Jam Delira Música. A festa começará com uma canja do violonista Turíbio Santos, seguida de um pocket com Taluá e Luiz Avellar e uma jam com o pianista Philippe Baden Powell convidando, Carlos Malta, José Staneck e outros ases da música instrumental brasileira. Convidem os amigos, divulguem, compareçam, prestigiem. Será uma grande confraternização. Os lugares cjubianos já estão reservados em local nobre.

Serviço:
Sem couvert artístico / sem consumação mínima
O show começa às 20:00h e depois das 21:00h as portas da loja se fecham.
É prudente reservar lugar pelo telefone (21) 2548-5005 - as reservas são garantidas até às 19:00h (membros do CJUB não precisam reservar)
Modern Sound - Rua Barata Ribeiro, 502
Estacionamento rotativo no local - R$ 5,00 primeiras 2 horas / R$ 2,00 hora excedente ou fração.

UM ANDY BEY DEFINITIVO

Entre as máximas ingênuas creditadas ao nosso “bruxo” Hermeto Pascoal, uma delas é quase verdade absoluta em relação ao jazz contemporâneo. Segundo ele, o pai da música seria a harmonia; a mãe, o ritmo; e o filho, a melodia. O que faz a diferença no jazzista atual é a sua concepção harmônica. Isso vale para os cantores também, que dependem mais do que nunca do talento de seus arranjadores. Ainda mais quando o repertório é feito com “standards”. Basta lembrar o álbum “All The Way”, do pequeno Jimmy Scott. Ali Johnny Mandel (23/11/1925) prova em definitivo sua condição de maior arranjador vivo norte-americano e proporciona ao polêmico cantor, segundo a crítica, seu melhor trabalho. Guardadas as proporções, isso agora se repete no mais recente CD do pianista e cantor Andy Bey, “American Song”. Ao lado do também pianista Geri Allen, Bey elabora arranjos arrebatadores, até mesmo para os seus mais ferrenhos críticos. Aos 64 anos, Andy Bey enfim parece
ter produzido sua mais inspirada obra.

Nascido em Newark (NJ), Andy Bey foi considerado um genuíno menino prodígio não só como pianista mas como cantor. O timbre grave de voz, um híbrido de Johnny Hartman e Johnny Alf, sempre fez seu estilo original. Até o inicio dos 60 viveu em Paris ao lado das irmãs quando formou o “Andy & Bey Sisters”. O grupo se desfez em 66, já nos Estados Unidos. Nas duas últimas décadas, Bey foi visto ao lado de grandes nomes do jazz, como McCoy Tyner, Thad Jones/Mel Lewis, Eddie Harris e Lonnie Liston Smith. Foi ainda o vocalista de Gary Bartz e Horace Silver. “American Song” é o seu 8º álbum solo, lançado em fevereiro deste ano pela Savoy Jazz, e com referências entusiasmadas na Down Beat. Participam do CD o clarinetista Dwight Andrews, o percussionista Mino Cinelu, o flautista e saxofonista Frank Wess, o guitarrista Paul Meyers, o trombonista Steve Davis e o trumpetista Vernell Garnett. O repertório gira em torno de “standards” mais do que clássicos assinados por Ellington, Strayhorn, Burke e Bernstein, entre outros.

O tempero saboroso do CD fica por conta dos arranjos que, pela atitude harmônica, transformam o óbvio em momentos até surpreendentes. Basta conferir o primeiro tema, “Never Let Me Go” (Evans/Livingston). Outros destaques ficam para “Prelude To A Kiss” (Ellington/Gordon/Mills), “Speak Low” (Nash/Weill), “Lush Life” (Strayhorn) e “Satin Doll” (Ellington/Mercer/Strayhorn). A voz de Bey parece não sofrer mutações com o tempo. “American Song” é mais uma prova do respeito dos norte-americanos aos seus artistas, independente da idade. Uma prova, no caso de Andy Bey, definitiva.

Wanda Sá & João Donato

12 abril 2004

Transcrevo, abaixo, crítica capturada no site www.nominimo.com.br, de autoria de Paulo Roberto Pires, sobre o novo disco de nossa musa honorária, Wanda Sá, em parceria com o grande João Donato:

" "Wanda Sá com João Donato" fez o caminho difícil que é cada vez mais familiar a tantos músicos brasileiros de qualidade: foi pensado e gravado para o público japonês, lançado lá em 2003 e só agora, quase um ano depois, chega por aqui como novidade pela Deckdisc. E que novidade. Do repertório aos arranjos, é um disco primoroso, que certamente vai freqüentar lojas de todo o mundo na sessão "bossa nova", mas a rigor deveria estar entre os lançamentos de jazz, gênero que tanto a cantora quanto o pianista mais se aproximam neste que é seu primeiro trabalho conjunto.

É preciso pedir licença aos clichês para falar de um e outro. Desde a estréia com o surpreendente e juvenilíssimo "Vagamente", em 1964, Wanda Sá só fez melhorar. Sempre cantou bem e afinadamente, mas ganhou com o tempo aquele peso que só a vida pode dar a uma voz. Em 2002, lançou com menos repercussão do que merecia "Azul da cor do mar", um disco de extremo bom gosto em repertório e arranjos que, no entanto, parece um esboço se ouvido lado a lado com este novo.

João Donato, cada vez mais prolífico, tem gravado demais - no bom e mau sentido. Vem de uma experiência surpreendente com Emilio Santiago, no último disco produzido por Almir Chediak para o selo Lumiar. É uma baita parceria piano e voz, freqüentando as latitudes caribenhas de Donato e levando a belíssima voz de Emílio para onde ela merece, longe do inferno dos pot-pourris e dos mela-cuecas em série. Mas, assim como o trabalho anterior de Wanda, acaba um tanto ofuscado pelo disco produzido por Kazuo Yoshida - o melhor, aliás, de uma carreira pontuada por bons discos como de Wanda.

Jamil Joanes no contrabaixo e a bateria de Robertinho Silva já garantiriam a qualidade da cozinha musical, mas o disco traz ainda, além do próprio Youshida na percussão, o auxílio mais do que luxuoso do mítico J. T. Meirelles, pilotando sax e flauta em discretas e memoráveis intervenções em duas das 14 faixas - com comentários ao hino donatiano "Minha saudade" e um memorável solo na ultraromântica "O que é amar", uma pérola de Johnny Alf que, em suas harmonias sofisticadas, vira uma festa para o instrumentista mais impressionante, em virtuosismo e criatividade, dos que saíram do Beco das Garrafas.

Ambas dizem, aliás, do gosto e da qualidade do repertório, que vai além das pérolas do próprio pianista (a metade das canções) e do período áureo da bossa nova, navegando ainda pelos mares sempre tranqüilos e às vezes surpreendentes - quando bem percorridos - do american songbook. Levar standard em ritmo de samba é sempre risco, aqui conjurado por uma citação de "Perdido" (adequadamente unida ao "Samba torto") e versões mais do que adequadas para os Gershwin de "But not for me" e "There will never be another you", esta última perfeita, como se Harry Warren e Mack Gordon a tivessem composto num terraço à beira mar - de Copacabana, é claro - com um solo arrebatador de Donato.

Ao lado de um clássico como "É com esse que eu vou", Wanda e Donato trazem de volta uma preciosidade pouco gravada, "Cartão de visita", samba de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes sacado da trilha sonora original do musical "Pobre menina rica". A própria Wanda já a havia gravado, com Roberto Menescal, no songbook de Vinicius de Moraes, encontrando aqui um sotaque mais jazzístico e suingado insuperável.

No grande capítulo "donatiano", tem clássico para todos os fãs do compositor, que a cada disco gravado as reinventa, como na melhor tradição jazzística. "Sambou , sambou" ganha versão memorável, com brincadeiras sutilíssimas de voz, piano e percussão. A gozação "Daquele amor nem me fale", parceria deliciosa com Martinho da Vila, vem mais convencional, no clima de festa de sempre" e "Quem diz que sabe" encerra os trabalhos com a letra de Paulo Sergio Valle. No maior risco de clichê, a dupla sai-se mais do que bem com a jam session armada para "A rã", um primor na dosagem de improviso vocal e instrumental.

O único senão do disco é mesmo o título. Não se trata de um álbum "de" Wanda Sá "com" João Donato - ou vice-versa. Trata-se de uma gravação, rara, em que um e outro têm peso igual, que ambos comparecem com suas maiores virtudes e longe de seus eventuais e costumeiros tropeços. Um primor que não cabe em nenhum rótulo e muito menos no de "bossa nova".

QUARTA FEIRA ALTAMENTE MUSICAL

08 abril 2004

Pensando na melhor maneira em fazer hora para ouvir ao Nelson Freire, nosso mais premiado pianista clássico, no Municipal, fui assistir ali do lado no CCJF, para aquecer, ao "duo" Carlos Malta e Philippe Baden Powell, programa que nos foi apresentado e sugerido pela Luciana Pegorer, o qual abracei de imediato mesmo sem qualquer parceiro do CJUB, que perderam um grande concerto sem dúvida e principalmente para os amantes de duetos como eu.
Quanto ao encontro propriamente dito, gostaria de enaltecer o espaço, ideal para a programação, bastante confortável e de ótima qualidade sonora, com um piano para matar o Pedro "Mistura Fina" Paulo de inveja.
A abertura do repertório se fez com uma homenagem não dita, mas bem entendida, a Baden Powell, com uma versão de quase 20 minutos de "Berimbau", que deu um susto na atenta platéia com a surpresa e o impacto provocado; a seguir dois temas Jobinianos, "Águas de Março" e "Garota de Ipanema", com o Malta desfilando seus inúmeros instrumentos de sopro, que vão do flautim, flauta baixo e sax soprano até o sax barítono, entre outros, e este afinado em MI bemol, o que lhe dá uma sonoridade ímpar, principalmente para executar uma das musicas mais interpretadas da história, dando lhe uma roupagem jazzística com espaços para improvisos dos dois musicos, bastante bem ensaiados e entrosados.
Logo após um Pixinguinha, outro grande homenageado com louvor, destacando o total conhecimento e afinidade do Malta com aquele musico e sua obra, a quem já dedicou um dos seus CDs. Terminada essa pauleira, segundo o próprio Malta, e com a platéia inteiramente entregue, uma balada para relaxar, onde "Preciso Aprender a Ser Só" fez com que viajassemos (a todos), a locais imaginarios, de acordo com a consciência musical de cada um dos presentes.
E para encerrar, um "bis" conceitual de "Upa Neguinho" com a participação da platéia convocada por Malta, sem antes enaltecer seu parceiro Philippe, já uma das gratas revelações do piano brasileiro.
Só me restou, ao final, parabenizar a nossa PegLu pela iniciativa, mostrando a sábia decisão do CJUB em tê-la como membro, além de confirmar a positiva contribuição da DELIRA MUSICA para eventos instrumentais, conquistando cada vez mais adeptos e seguidores.

E viva a PegLu.

10 Discos para uma Ilha Deserta por PegLu

07 abril 2004

Amigos,
Tarefa difícil esta de escolher 10 discos. De vários dos artistas abaixo poderia escolher certamente mais de um e muitos outros não puderam ser citados. De qualquer forma, fiz uma seleção que sintetiza o ecletismo do meu gosto musical.

- Chick Corea - Return to Forever
- Egberto Gismonti - Circense
- Cyrus Chestnut - Soul Food
- Hubert Laws - Romeo & Juliet
- Charlie Haden & Pat Metheny - Beyond the Missouri Sky
- Brad Meldhau - Largo
- Radu Lupu e Daniel Barenboim - Schubert a 4 mãos
- André Mehmari - Lachrimae
- Orlando Cachaíto Lopes - Cachaíto
- Monterey Jazz Festival - 40 Legendary Years


Sem falar nos meus Luiz Avellar e Taluá, que certamente levaria, mas não vou ficar só puxando brasa para a minha sardinha, não é mesmo?
É isso.
PegLu

9º CHIVAS JAZZ LOUNGE, NIVALDO ORNELAS QUARTETO, 25/3/2004, MISTURA FINA @@@

06 abril 2004

Em se tratando de Jazz, bons músicos, se ensaiados - e bem, como testemunhamos no último dia 25 - costumam ser garantia de espetáculos de qualidade.

Deste resultado ninguém duvidou ao fim dos dois generosos sets que o quarteto do saxofonista Nivaldo Ornelas (Ornelas: sax tenor, soprano e flauta; Kiko Continentino, piano; Sérgio Barrozo, contrabaixo; Paschoal Meireles, bateria), escalado pela produtora Marzia Esposito, trouxe para o palco do Mistura Fina, na 9ª edição do Chivas Jazz Lounge.

Bem verdade que o anunciado "Tributo a John Coltrane" não chegou a "entrar em campo", embora tenha até "aquecido".

Isto porque vai grande distância entre, de um lado, interpretar músicas compostas ou tocadas com frequência por Coltrane, e, de outro, prestar-lhe um tributo, aí sim na acepção mais profunda de revisitar o espírito de sua obra.

A opção pela primeira abordagem ficou clara já pelo fato de, em nenhum momento, o grupo aventurar-se pelo sentimento de vanguarda marcante na obra do saxofonista americano, preferindo, sempre, versões “light” de temas que, entretanto, dificilmente se prestam ao mainstream apenas.

Foi assim com a provocativa Mr. Day, que o contrabaixo introduz em stacato brusco, quase um slap, e Like Sonny, esta em surpreendente e pouco feliz arranjo “bossado”, ambas indicando, desde logo, que dificilmente teríamos, naquela noite, a música modal, ou “sheets of music”, celebrizadas pelo homenageado desde o fim dos anos 50.

Ainda menos convincente foi a execução, em andamento anacronicamente contido, de um dos mais furiosos uptempos originalmente imaginados para o Jazz: Giant Steps, sem rastro algum de desafio à improvisação, acabou sintetizando a visão complacente dispensada pelo quarteto ao universo coltraneano.

Todavia, à parte o conceito deslocado – que em nada pareceu afetar a eufórica platéia que lotou a casa da Lagoa – assistimos, quase todo o tempo, a um bom concerto de Jazz, sem dúvida, o que não é pouco.

E Naima – balada símbolo, no modo de compor e tocar, de Coltrane – foi a primeira evidência disto, quando o inspirado solo de Nivaldo transformou-se no cartão de visitas de sua conhecida técnica e perfeita afinação. O mineiro tem como trunfo o fato de, seja qual for o estilo versado, jamais separar-se de suas raízes musicais, preferindo, a imitar pirotecnias alheias, associar à canção escolhida o sopro genuinamente brasileiro, traduzido no encadeamento melódico e amadurecido, sem desperdícios, de seus choruses.

Tal fato – a dicção distintiva de Ornelas, rara entre nossos saxofonistas – já seria atrativo suficiente para merecer uma produção CJL.

Seguiu-se On the Trail, em slow blues e novamente com destaque para o líder, desta vez no soprano, porém ali mais ao modo de Wayne Shorter, encerrada, contudo, com o indefectível final Basie.

Viriam, ainda, na primeira sessão, a jóia Central Park West; o melodioso original Emanuel, em que o tone de Barney Willen foi lindamente evocado; e, por fim, Body and Soul, mais apropriado, talvez, a um "tributo a Coleman Hawkins", mas que proporcionou ao pianista Kiko Continentino sua primeira boa intervenção da noite.

O distanciamento conceitual daquele a quem supostamente se renderia culto, ficou ainda mais explícito no 2º set, quando até a improvável The Look of Love foi entoada.

Entre a livre improvisação inaugural, na flauta apenas, e as duas atraentes composições de Ornelas que fecharam o concerto (como Rock Novo, ciclicamente pontuado pelo mesmo riffsoul”, a la Otis Redding e Wilson Pickett), brilharam mesmo os temas nos quais instalou-se verdadeiro "Desafio de Tenores", com os convidados especiais Idriss Boudrioua e Marcelo Martins.

O franco-argelino “roubou a cena”, emergindo triunfante da “disputa”, com sua costumeira eloquência, hoje sem rival no Brasil, aliás tanto no alto quanto no tenor.

Boudrioua é um improvisador completo, cujo fraseado exuberante nos surpreende e delicia da primeira à ultima nota de cada solo. Ele pensa e executa com a mesma naturalidade, desenvoltura e ilimitada criatividade, de qualquer dos notáveis - de ontem e hoje - do Jazz, como mostrou em Milestones, na qual também reluziu o promissor piano de Continentino.

Por sua vez, descontado o péssimo arranjo, que a descaracterizou por inteiro, a pérola maior de Horace Silver, Tokio Blues, serviu para confirmar que Marcelo Martins, apesar do ótimo potencial (parecendo bastante influenciado por Brecker), tem ainda, pela frente, longo percurso até achar voz própria, qualidade que Nivaldo e Idriss guardam de sobra, cada um com seu estilo.

Em outra balada famosa, When I Fall in Love, com andamento agilizado aos poucos, Alberto Chimelli, chamado ao piano, mostrou classe invejável e o toque refinado dos pianistas calcados no blues – cada vez mais raros atualmente – que sabem como construir um solo relevante.

Cumpre exaltar, finalmente, a coesão do grupo, inteiramente entrosado, o que denota seriedade e respeito pelo público, em compasso harmônico com o comprometimento do CJUB com a qualidade de seus espetáculos.

Diferente, aliás, não seria de supor quando à frente do concerto está um artista da categoria - e importância para a música brasileira - de Nivaldo Ornelas.

Aniversário do Newport Jazz Festival, como reportado por Tony Gieske

05 abril 2004

(Transcrição do Hollywood Reporter, 15/3/04, tradução livre)


O septeto apareceu e começou a tocar um sedoso bebop. Imediatamente pôde-se antever que muita coisa boa ia rolar, como acontece quando não há nenhum medalhão à bordo. Estava pintando que um bocado de jazz ricamente compensador ia ser tocado ali. E o que poderia ser mais apropriado para celebrar o 50o. aniversário do Newport Jazz Festival?

Para tocar na comemoração, estavam ali figuras como Cedar Walton, que ganhou primeiro os refletores com uma levada de "Somewhere Over the Rainbow", que soou mais brilhante do que suas brilhantes apresentações habituais. Depois, esse grande e pouco badalado gênio retirou desse mesmo poço inventivo uma "Satin Doll," na qual cada nota, individualmente, foi uma pequena surpresa.

O clarinetista Ken Peplowski mostrou então o belo e fluido som de seu clarinete quando, junto com Howard Alden, esplêndido guitarrista de estúdio, detonaram como raios numa tempestade de verão em "This Will Be My Shining Hour", citando antigos nomes de Newport como Barney Bigard, Russell Procope, Jimmy Hamilton e Benny Goodman para prefaciar seu feito. A propósito, a velocidade original de Benny Goodman na clássica "After You've Gone" foi facilmente excedida.

Os dois deram várias outras amostras de sua fluência em "Farewell Blues", de Louis Armstrong e em "Isfahan", de Duke Ellington, dois classicos muito queridos mas pouco executados desde o advento do fusion.

Quando parecia que não haveria mais surpresas houve outra, e muito estimulante: Jeremy Pelt, apresentado como "uma das grandes forças do trompete hoje". Vestindo um terno risca-de-giz cinza, ele tocou uma "The Nearness of You" próxima da perfeição no seu flugelhorn, com um conservadorismo que combinou muito bem com sua forma de se vestir. Pelt procurou dentro de sua cabeça pela melodia e a encontrou intacta e então ele a manteve assim e apenas permitiu que o seu timbre peculiar cativasse o público. Seu calor e sua postura trouxeram lembranças de nomes ligados a Newport como Thad Jones ou Clifford Brown, salpicados aqui e ali com um pouco de Harry "Sweets" Edison.

Os clássicos duelos de tenores dos anos iniciais de Newport, com caras como Dexter Gordon e Illinois Jacquet, foram muito bem revividos por Peplowski e Lew Tabackin, que arrebentaram com uma "Cottontail" sem nenhuma nota fora do lugar. Uma outra revisão competente de "Caravan" por Cedar Walton deu ao baterista Kariem Riggins uma abertura para um solo longo ao estilo de Buddy Rich. Ele e o baixista Peter Washington mantiveram o ritmo sólido e pulsante por toda a apresentação.

A rapaziada continuou a festa com "Take the 'A' Train," outro na série dos grandes prazeres da noite. Foi gratificante ver o "escavador" Pelt tocar uma frase de "Exactly Like You", a balada da qual Billy Strayhorn destilou esse tema de Ellington.

Próximo ao final, Lea DeLaria andou fazendo umas cantorias à la Ella Fitzgerald mas os rapazes simplesmente a ignoraram."

ABRIL - Jazz Appreciation Month

02 abril 2004

O Smithsonian's National Museum of American History, várias organizações educacionais, musicais, artísticas e humanitárias, se uniram para divulgar o Jazz entre pessoas que ainda não foram introduzidas a esse estilo original de música americana. Para isso criaram o Jazz Appreciation Month.

Esta celebração será observada todos os anos no mês de Abril, encorajando as pessoas a assistirem concertos, ouvirem gravações de jazz, patrocinarem programas de jazz e simplesmente apreciar o verve, o pulso e o poder da música.

O evento de abertura do JAM teve a presença de Herbie Hancock, que doou tres pianos ao museu e falou sobre a importância do jazz durante a cerimônia.

Diversas informações podem ser obtidas no site www.smithsonianjazz.org onde, inclusive, pode-se ter aulas de jazz interativas. Vale a pena visitar.

Manim

Chuck Niles

Chuck Niles -- a voz do Jazz em Los Angeles, faleceu aos 76 anos. Chuck ficou no ar por 50 anos, amado por todos, ganhou inumeros apelidos -- Bob Florence o chamava de "Beebop Charlie"; o mundo do Jazz Latino o conhecia como "Carlitos Neelace"; e Horace Silver o chamava de "Hippest Cat in Hollywood".

Até hoje Chuck Niles é o unico Disk Jockey de Jazz com uma estrela na Hollywood Walk of Fame.

"The King of Jazz Radio", Chuck Niles. 24 Junho 1927 - 15 Março 2004.

Manim

Ei-las que chegam para alegrar o CJUB!

01 abril 2004

Olhem bem para estas moças. Amanhã, no nosso habitual almoço das sextas-feiras, Claudia Fialho, Beth Martinelli e Luciana Pegorer - da esquerda para a direita - serão conduzidas aos seus pedestais de musas CJUBianas, para fazer companhia à nossa Marzita no mister de prover este muro de inteligência emocional, graça feminina e charme incomparável.
Aguardamos ansiosos pelas opiniões femininas sobre os assuntos que aqui pontificam, que pretendemos, vão dotar o blog de maior amplitude no que diz respeito ao público ao qual atinge.
Com tais redatoras, nossa audiência do lado das saias deve aumentar tanto quanto o interesse que as mulheres atuais vem demonstrando, se ainda em menor escala quanto a charutos e uísque, em grande expansão no que diz respeito ao jazz.
Benvindas, pois, meninas!

Cuba

Relendo o roteiro idealizado por Mau Nah para uma viagem inesquecível às Highlands, lembrei-me de ter confeccionado, em dezembro de 2000, a pedido de meu irmão Gilberto e do nosso bom DePires, um roteiro baseado em minha primeira viagem a Cuba, em janeiro/fevereiro daquele ano. O Fernando mencionado vem a ser outro "irmão" meu, Fernando Teixeira, presidente da Brascuba (50% Souza Cruz - 50% Governo Cubano), à época.

"Senhores,

Embora eu não tenha viajado pela COPA, acho prudente resguardar a matilha das eventuais surpresas de bordo. Portanto, nada mais recomendável que comprar, no infecto Free Shop de Guarulhos, munição adequada para cada um; um cachorro e uma "aguinha boa", litros, bem entendido.

A chegada em Habana já vai contemplá-los com a estupenda recepção de nosso bom e indefectível Nelson, dublê de motorista e cachaceiro, expert em cinema nas horas vagas. Do aeroporto, antes de seguir para casa, façam o "recorrido" Bodeguita – El Floridita, para uma ambientação mais rápida.

O capítulo programação diurna passa, necessariamente, por uma tarde de dia ensolarado no restaurante no terraço do Hotel Ambos Mundos. Tradicionalíssimo hotel, embora pouco freqüentado pelos turistas em geral, foi residência de Ernest Hemingway durante a época da construção da residência dele, "Finca Vigía", outro passeio obrigatório. Recomendo almoçar no Ambos Mundos por 2 razões: a primeira delas porque come-se lá uma bela paella, e lembro-me de ter bebido um magnífico Pesquera; a segunda, pelo estupendo visual de Havana vista de cima, ao sabor de um bom puro e rum idem.

Uma sugestão para drinques à tarde nos remete ao agradável bar do Hotel Florida e sua arquitetura deslumbrante; lá costumava beber gin tônica antes do almoço, já que foi o único local de Havana em que encontrei Bombay Sapphire (também dispõem de boa vodka, lá). Ainda obrigatória (para mim, obrigação diária) é a ida à Bodeguita del Medio para um mojito, ou mesmo ao “El Patio”, bar em frente à Catedral, ao lado, também de estupenda estirpe, e com boa freqüência durante todo o dia.

Eu costumava encerrar a tarde no Café Oriente, próximo à Igreja de São Francisco e que se tornou muito querido pelo atendimento atencioso nas mesinhas ao ar livre, além do melhor mojito da Ilha em minha opinião, sempre conjugado com as extraordinárias e crocantes bananinhas fritas.

Não deixar de passear, em hipótese alguma, na Plaza Vieja, especialmente no final de tarde, e depois relaxar no bar da esquina da Rua Brasil, que é centenário e de onde podemos ver o contraste das construções em reforma com aquelas já reconstituídas, tudo ao redor da Praça. Para uma cachaçada mais profissional, adentrem o Bar “Dos Hermanos”, o favorito de García Lorca. Ao lado, igualmente prazeroso, está localizado o Bar do Havana Club, com relíquias da marca e outras bugigangas que tais.

O capítulo jantar reserva algumas surpresas bastante agradáveis, e entre elas considero imperdível uma ida ao "La Guarida", célebre como locação do filme "Morango e Chocolate" e onde jantei com Gabriel Garcia Márquez e Arthur Miller ao lado. Fernando cuidará da reserva, que é missão quase impossível, já que lá ele é rei.

Acho o ambiente do restaurante do Hotel Nacional imponente e chique ao mesmo tempo, embora pareça-me que o serviço do hotel propriamente dito esteja decadente. Lá se consegue a melhor “Lagosta à Mariposa” da Ilha, e, também, a melhor carta de vinhos, especialmente franceses, a preços acessíveis. (lembro-me bem de um Rhône, de produção do Jaboulet, que estava esplêndido, a US$ 35 !!!)

Comemos muito bem na Floridita (El Floridita, por engano de Hemingway), talvez a melhor recomendação de carne bovina, artigo raro na Ilha, e acho que vale a experiência de sentir um pouco o clima de Cuba no auge dos anos 40 e 50.

Para a última noite recomendo o restaurante Tocororo, para muitos, inclusive nosso digníssimo FHC, o melhor de todos. É caro, mas vale cada centavo, especialmente uma Sinfonia de Frutos do Mar que eles servem lá, acompanhada por champagne de boa cepa.

Uma ida ao Clube Habana com o Fernando é sempre bom programa, e creio que vocês vão gostar muito da infra-estrutura disponível, com academia, quadras, praia, boas piscinas, restaurante, ...etc., além de uma charmosa Casa del Habano, onde eu costumava fumar um Série D4 de fim de tarde. Também costumava ir muito à loja localizada na 5ª Av. com a 16, onde fiz boa amizade com o gerente, Hosmani (falem em meu nome), a quem vocês deverão recorrer para obter aqueles puros tidos como impossíveis de se encontrar nessa época, especialmente os da marca Ramón Allones, que ele mantém guardados no cofre da loja.

A feira livre próxima à estátua de La Giraldia em Habana Vieja sempre vale dar uma olhada, especialmente pelo interessante artesanato oferecido lá.

Não deixar de ir, em hipótese alguma, à boate Macumba, reduto das cubanas mais sensacionais da Ilha, e que dançam como verdadeiras deusas; aliás, os cubanos, de forma geral, dançam como ninguém, é espetáculo de se ver. No mesmo ambiente há um restaurante chique, que me pareceu digno de um teste (Fernando orientará vocês a respeito, já que lá ele faz sempre questão de ir).

Com sorte, é possível assistir a algum concerto ou ao sensacional balé de Cuba pilotado pela Alicia Alonso, e nisso, mais uma vez, pode-se contar com a estrutura do Fernando em Brascuba para ajudá-los. Nos Teatro Nacional e Teatro Karl Marx sempre se consegue assistir alguma coisa interessante, o que é imperdível, especialmente se considerarmos a importância histórica do Karl Marx nos discursos do Che e de Fidel; hoje, os Festivais de Cinema e de Jazz são encerrados lá.

Estará agendada uma visita a El Laguito, fábrica do Cohiba e do Trinidad (a marca mais importante do mundo), que, afirmo, é experiência inesquecível. Não se esqueçam de dar um grande beijo em Emilia Tamayo, diretora da fábrica, e com quem me relacionei muito bem, tendo, inclusive, enviado uma foto minha com ela na fábrica, com dedicatória (se ela lhe der uma caixa de Trinidad, Diogo, agradeço a deferência de me ofertá-la, dado que você não fuma os puros).

Os passeios turísticos, vejam no guia (Capitolio, Plaza de la Revolución etc.), também são obrigatórios.

Tentem ir a Pinar del Rio, pois lá estão as mais famosas plantações de tabaco do mundo, e onde, caso tenham sorte, conseguirão encontrar Don Alejandro Robaina, o maior nome vivo da indústria “tabacalera”. Vale o passeio à “Cueva del Indio”, também.

Mais interessante que Varadero, caso tenham tempo, é viajar para a Cayo Largo, uma maravilhosa ilha virgem, encravada no Caribe, com razoável estrutura hoteleira, mas onde passei inesquecíveis momentos no fundo do mar, mergulhando até com garrafa. É barato, e vale o vôo, de aproximadamente 45 minutos.

São estas as modestas sugestões que gostaria de lhes transmitir, e creio que o Fernando possa recheá-las mais adequadamente in loco. Desejo-lhes que a viagem seja auspiciosa, agradecendo, compungido, se os amigos, em ato de extrema benevolência, me agraciarem com uma caixa de Torpedos Bolivar.

Saravá e até a volta,
Fraga"

LANÇAMENTOS 2004 E INJUSTIÇA

Pelo visto, 2004 promete um belo ano em termos de lançamentos jazzísticos, após um muito fraco 2003 sem grandes novidades e afins.
Assim para começar, resolvi entre muitos (Brad Mehldau e Dave Douglas por exemplo, bem recomendados com @@@@1/2 e @@@@@ respectivamente ), comentar 2 lançamentos específicos, sendo o primeiro a estréia do Wynton Marsalis na Blue Note, depois de muito tempo de Columbia, e 5 anos após seu ultimo CD de quarteto, onde segundo o nosso BeneX, não se sente muito a vontade...
Seu novo trabalho chama se "The Magic Hour" produzido pelo seu irmão caçula Delfeayo e vem acompanhado por Eric Lewis ( piano ) , Carlos Henriquez ( baixo ) e Ali Jackson ( bateria ), apresentando ainda nos vocais Dianne Reeves na faixa de abertura "Feeling of Jazz" e Bobby McFerrin também co-autor de "Baby I Love You".
Trata se do CD mais vendido nos EUA e também o mais criticado pelos especialistas, que, para dizer o mínimo, o classificaram como "Disapointed Return" e não tendo mais do que @@ e @@1/2; ou seja, avaliado como fraco e regular, tanto para a Down Beat (onde inclusive é capa), como para a All Music Guide.
Aí entro considerando além de uma grande injustiça, a falta de respeito e o eterno patrulhamento da critica especializada; é um dos mais premiados músicos de jazz de toda a história, tendo sido o 1o. a ganhar o "Pulitzer Prize For Music", 9 Grammys, o
Grand Prix Du Disque, é Membro Honorário da Royal Academy of Music, líder e organizador de turnes anuais da Lincoln Center Orchestra, fora outras condecorações além-musica, como por exemplo, "Messenger of Peace" da ONU, indicado pelo seu Secretário-Geral Kofi Annan.

Mesmo assim ou até por isso, a crítica não tem por Marsalis qualquer tipo de afeto, até pelo contrário, e dizem se dever ao fato de que na histórica entrevista de Miles (pouco antes de falecer) à Rolling Stone, teria dito não considerar Wynton como seu eventual substituto por ser um "body without soul", e que em sua resposta Marsalis que o tinha por ídolo, o chamou de "fdp" com todas as suas letras. Não sei se o patrulhamento vem daí, gostaria de ouvir os comentários do Raffaelli, que com certeza sabe a verdadeira razão.

Em resumo e voltando ao CD, recomendo-o a todos aqueles que gostam do bom e velho jazz, para enriquecer suas discotecas.

Quanto ao segundo lançamento, trata se do novo trabalho de um dos principais, se não o maior musico de jazz italiano, Enrico Rava (também trompetista como Marsalis), intitulado "Easy Living", pela ECM e acompanhado só por conterraneos, alguns da nova geração, como Gianluca Petrelli (trombone), Steffano Bollani (piano), além de Rosario Bonnacorso (baixo) e Roberto Gatto (bateria).

CD já enaltecido pela crítica, considerando esse musico de Trieste como o maior seguidor e melhor discipulo de Miles, a quem dedicou inclusive seu CD de 2002 junto com Paolo Fresu. Neste trabalho, no entanto, traz composições próprias (11), à exceção do titulo, bastante criativo e mostrando total integração com seus musicos, deixando-os inteiramente a vontade para os improvisos.

Enfim, Rava mostra neste CD porque cada vez mais a Italia se perpetua no cenário atual como sendo onde se faz o melhor jazz fora dos EUA.

Gostaria, antes de encerrar esta curta e corrida analise, de registrar como gratíssima surpresa (pelo menos para mim) o CD que recebi do nosso embaixador JoFlavio, do Joe Lovano (que não é, decididamente, my piece of cake) de 1991, "From the Soul" (Blue Note) com o Petrucciani, Dave Holland e Ed Blackwell, que além de coroado pela Penguin é digno de ser levado para nossa ilha, ressaltando a soberba versão de "Portrait of Jenny".

E já pedindo perdão pelos erros pois a pressa continua sendo inimiga da perfeição,