Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Delira Música completa 3 anos com a série DELIRA NO ARMAZÉM

31 outubro 2006

E por falar em aniversário, a Delira Música completa 3 anos este mês de Novembro. A comemoração, é claro, está repleta de grandes músicos em shows no Armazém Digital do Rio Design Center Leblon.

Neste sábado, quem dá o tom da festa é o pianista Hamleto Stamato, apresentando repertório do CD "Speed Samba Jazz 3" juntamente com Erivelton Silva (bateria) e Rômulo Duarte (baixo).

Veja toda a programação e compareça. Av. Ataulfo de Paiva, 270 loja 104. Tel: 2274-5999. Ingressos a R$20,00. Sempre às 21 horas.

PARABÉNS MESTRE LOC, JOFLA, RAYNALDO & PEGLU

A absoluta falta de tempo me impediu de saudar aqui nosso querido Mestre LOC (cuja ausência no Tim Club foi notada por gregos e troianos), pela passagem de seu aniversário, ocorrido ontem. Não fôra um email de cinco linhas, teria sido grande a mancada com tão gentil figura, ora entretido até a tampa nas lides político-jornalísticas que fazem dele o "nosso homem em Brasília" e representante oficial cjubiano para assuntos "oficiais".
Daqui, Mestre LOC, e de público, nosso forte abraço com os votos de felicidades e muito boa saúde.

Já o Sul, sob a responsabilidade do Embaixador Latifundiário para Assuntos Abaixo do Trópico de Capricórnio(EMBALAPAATROCA) - haja vista sua atuação eventual além-fronteiras paraguaianas - o nosso dileto JoFla, hoje tremerá. Nosso "Embaixa" recebe aqui e agora a saudação pelo dia de hoje, que certamente comemorará na companhia de seus incontáveis amigos e amigas, em meio a uma festança jazzística embalada por todos os espíritos alcançáveis no simpático país vizinho. Ave, JoFla, saúde e paz!

No mês que entra, no dia 3, nosso Raynaldo vai reinar com idade nova. E no dia 9, a vez será da PegLu.

A ambos, por antecipação (e com medo de esquecer) uma grande abraço pelas datas mágicas e votos de muitas felicidades.

TIM: UM FESTIVAL DE DESRESPEITO

30 outubro 2006

Independentemente de ter oferecido vários momentos de ótimo jazz neste ano, como se esperava diante da escalação muito bem feita, não posso deixar passar a oportunidade de tecer alguns comentários sobre a organização do festival.

Não há, pelo menos no horizonte da razoabilidade, nada que me faça entender a postura da organização do Tim Festival, que, em nome de sabe-se-lá-o-quê, decidiu amputar as apresentações dos artistas convidados, dentre os quais alguns expoentes da arte jazzística mundial – e muito bem escalados, diga-se de passagem - a golpes de uma insensível e incontornável guilhotina, que, como se ligada a dispositivo de contagem de tempo inacessível (como aqueles contadores de segundos que prenunciam a explosão de algum artefato nos filmes de espionagem), ceifou várias apresentações abruptamente, antes do habitual bis.

Passados 40, talvez 45 minutos do início das apresentações – as exceções foram Ivan Lins e Herbie Hancock, que tiveram tempo livre – músicos foram literalmente enxotados do palco, sem consideração alguma por seus trabalhos e sua arte. Mediante avisos recebidos por mímicas oriundas das coxias, descobriam, com a surpresa estampada em suas caras, que seu tempo se esgotara e que tinham de sair dali imediatamente. Como se fossem crianças, cujo tempo de uso do brinquedo no parquinho se esgotara e tinham de sair às pressas para dar a vez às outras que esperavam na fila.

A palavra que me vem à cabeça é só uma: desrespeito.

Desrespeito aos músicos, que se entreolhavam entre confusos e abismados, incrédulos com a eficiência inusitada da organização em abrir-lhes as cortinas laterais para que passassem (fora), com aquela rigidez suíça no horário, seguida da precisão germânica de preparar o palco adequadamente para o próximo grupo. Sem levar em consideração qualquer sentimento que estivesse perpassando ali tanto os geradores da arte jazzística quanto os receptores, entusiasmados, dessa.

Nem o competente trompetista Roy Hargrove, que eletrizou o público com sua apresentação vigorosa e precisa, nem o grandíssimo Ahmad Jamal, laureado veterano do piano, foram poupados do vexame da expulsão. Jamal, aplaudido de pé pela platéia, que reconhecia ali sua trajetória maiúscula além do set impecável de jazz - como deve ser - que protagonizou, foi escorraçado do palco pelos organizadores, sem poder presentear a platéia de volta com seu último número, como é a praxe.

Desrespeito ao público, então, nem se fala. Inúmeras apresentações, mormente as da promissora cantora Jennifer Sanon, e as dos excelentes pianistas André Mehmari e Stefano Bollani, foram terminadas abruptamente, mesmo sob os protestos do público, que queria desfrutar de sua ótima música com alguma generosidade. Foram expulsos do palco sem poderem sequer terminar suas set-lists.

A propósito, fotografei a de Bollani, na qual constavam duas músicas que tocaria como coda do set: Tico-Tico (provavelmente No Fubá, em homenagem explícita à platéia) e uma outra, Antiche Insediamenti Urbani, reservada para o gran-finale. No entanto, ele nem mesmo chegou perto do passarinho. Foi ejetado da cena de forma precoce, sob vigorosos aplausos do público por sua excelente performance, misturados a uma estrondosa vaia aos “formiguinhas” da organização do palco, que tinham ordem de retirar tudo dali em tempo recorde.

Chegou-se a ensaiar um retorno do grupo, após tentativa – frustrada - de intervenção de Zé Nogueira, homem justo e educado, metade excelente músico e metade dirigente do festival, que, mesmo percebendo a mancada em seu coração de artista, não foi tão rápido em perceber a cilada como organizador. Quando chegou ao palco, tentando parar os operários-recordistas-mundiais-de-desmonte, estes já tinham “roubado” tudo de cena. O bom Zé, coitado, foi igualmente expulso de campo pela tonitroante execução do tema do Festival, maldito jingle que, soberano, a todos determinava: “Acabou e tá acabado! Sem choro nem vela, podem ir fumar ou ao banheiro!”.

Perguntei a diversos músicos presentes se alguma vez na vida, em algum lugar do mundo, haviam visto alguma apresentação que não terminasse com um “encore”. Foram unânimes, nenhum deles havia visto nada parecido. A cara que Bollani, um italiano gozador, fez, diante do esforço patético de Nogueira de tirar os assistentes do palco, para que pelo menos o pianista tocasse mais alguma coisa, ficará para sempre gravada na minha cabeça.

A organização do Tim Club desta vez errou, e muito.

Foi feio desacatar tanto os artistas quanto o público. Ninguém ficou satisfeito, menos pelos minutos de música a mais, mais pela maneira com que foram tratados, ambos. Que isso não volte a ocorrer já que nada justifica a postura “just-in-time” observada ali em detrimento da arte.

A se fazer um papelão desses, é melhor riscar a programação jazzística e abraçar em definitivo as apresentações que geram grande venda de ingressos e portanto melhor receita.

Como assíduo freqüentador do finado Free Jazz Festival, hoje reduzido a um Tim Club com o perfil relatado, acho que é chegada a hora da organização - leia-se a competente Monique Gardenberg - revisar suas proridades.

ROY'S FLUGELHORN NO TIM FEST 2006

29 outubro 2006

Em Fools Rush In (Mercer/Bloom), Roy Hargrove mostrou (logo após um encardido e ritmado funk, lotado de ritmo e intensos improvisos)que pode ser lírico quando assim deseja.

TIM FESTIVAL 2006 (CLUB) - 27.10.2006 - JENNIFER SANON @@@@

28 outubro 2006

Na abertura, Ivan Lins, banda e convidados, realizando emotivo tributo ao precocemente falecido produtor Paulinho Albuquerque; o grand finale da noite, encomendado à band leader mais festejada , hoje, no mundo, Maria Schneider: neles se encontrou apenas a expressão "nominal", "de face", do ingresso.

O valor "patrimonial" do ticket, quem diria, realizou-se na jóia de 24 anos que iluminou o palco, espremida, tal David entre dois Golias, pela nesga de tempo a ela imposta, sem piedade, pelas circunstâncias.

Sem discos ou outras referências de mercado, salvo o apadrinhamento - por poucos sabido - de Winton Marsalis, Jennifer Sanon era o patinho feio que, bastou entoar a primeira linha de, ironica e emblematicamente, Bye Bye Blackbird, revelou o cisne mais vistoso da estréia do Festival.

Seu quarteto de "residentes" - assim judiou um incauto (certamente atraído pelos blockbusters da noite) - mostrou porque, tal como futebolistas aqui, basta balançar uma árvore na América, para dela cairem, às pencas, músicos de jazz.

E que músicos! Seção rítmica impecável, entregue aos jovens e ilustres desconhecidos Fabian Almazan, pianista de técnica e inventividade refinados; Ben Williams, alternando linhas de baixo, ora em walking solidíssimo, ora ousadamente melódicas; e Simon Lott, autêntico relógio rítmico, "puxando" o trio sempre com raro senso de dinâmica e amplo conhecimento do histórico jazzístico do instrumento. À frente, outro "garoto", o coltraneano Matt Marantz, brilhante e fluente no tenor, solando ou fazendo contraponto à límpida assinatura de Ms. Sanon.

A cantora, trajando rosa de uma singeleza digna dos cultos batistas de domingo no Harlem, ou de uma apresentação no mítico Appolo Theatre, iluminou nossas mentes e atingiu o coração com petardos certeiros: My Favorite Things, Them There Eyes, Good Morning Heartache, Take the A-Train, além de um blues por ela letrado.

Timbre abençoado, dicção, entonação e emissão impecáveis, drive cativante e swing explosivo, improvisação corajosa e jamais hesitante, inclusive nos scats, tudo isto wrapped em sóbria mas magnética presença de palco, foram a dádiva dos anjos que o público carioca recebeu ontem e, o Jazz, estamos certos, para sempre.

A aparente timidez e o sorriso lindo e juvenil que jamais deixou de ostentar, escondem, na verdade, um leão que conquistará, seguindo a trilha certa, o mesmo mundo de que Ella, Sarah e Billie foram - são e sempre serão - Soberanas.

Ave Jennifer Sanon. Os Deuses do Jazz estão contigo. Obrigado pela injeção de esperança e pela verdade da sua música, sem parafernálias, invencionices, charts complicados ou incursões em ventos do além-jazz. Obrigado.

HISTÓRIAS DO JAZZ, 13: - CADÊ A FOTO ?

Essa aconteceu em 1971 por ocasião da visita de Duke Ellington ao Rio de Janeiro, onde se apresentou com sua orquestra no Teatro Municipal, nos dias 16,17 e 18 de novembro. Claro que os "Saúvas" foram incorporados para a estréia, todos ansiosos de ver e ouvir a famosa orquestra do criador do "jungle style". No repertório, poucas novidades e entre elas um bonito tema de Duke intitulado "La plus belle africaine" com excelente solo de flauta de Norris Turney. Os vocalistas Nell Brookshire e Tony Watkins não impressionaram e os destaques em nossa opinião foram Johnny Coles(tp), Booty Woody(tb), Norris Turney(st), Harold "Money Johnson(tp) e o baterista Rufus Jones.
Os veteranos deram o seu recado. Cootie Williams, fora do naipe de trumpetes, como um desembargador, emitia pareceres quando consultado. Harry Carney sempre brilhante, com seus solos bem estruturados, ratificava seu "status" e ancorava com personalidade as palhetas. De resto, o número de humor com "Money" Johnson fazendo uma imitação de Louis Armstrong, o que anteriormente era feito por Ray Nance e o baterista Rufus Jones mostrando trabalho no tema "Rufus Kisses". O maestro regia sua orquestra e nos dava pequenas amostras de piano solos. Claro, a introdução de "Take The A Train" empolgou a todos, principalmente aos ouvintes da "Jazz Hour" que era apresentada por Willys Connover na "Voice of America" que tinha o tema como prefixo.

Terminado o concerto fomos para os camarins em busca dos preciosos autógrafos. Encontramos um ou dois músicos apenas e o grosso da orquestra não estava por ali. Saímos pela porta traseira do teatro e vimos o ônibus que transportava a orquestra, VAZIO. Onde estariam os músicos? Encontrei então Oswaldo Marques que me informou que estava havendo um coquetel no "foyer" do teatro, oferecido pela Embaixada Americana. Imediatamente tentamos retornar mas, um porteiro (sempre os porteiros) impediu a nossa entrada. Nem a informação de que acabáramos de sair do teatro o demoveu. Então, fiz uma coisa que nunca tinha feito antes e que reprovo terminantemente a quem faz. A famosa "carteirada". Cessaram os obstáculos e os "saúvas" rapidamente subiram as escadas e correram para o "foyer".

Alí encontrei muita gente conhecida e quem pontificava junto a Ellington era Paulo Santos e os irmãos McDowell. Reconheci o pianista e diretor do Festival de Newport, George Wein e imediatamente lhe arranquei um autógrafo. Luiz Orlando conversava com Joe Benjamin comentando a gravação de Sarah Vaughan (Shulie'bop), onde a divina, nos breaks, citava o nome dos músicos. O bom chá escocês rolava tranquilo e os canapés estavam deliciosos. (Ainda sinto o sabor de um de bacon com ameixa ).

Ellington autografou a "Encyclopedia of Jazz" após folheá-la vagarosamente e a cada foto sorria e fazia ligeiros comentários. Foi quando chegou o fotógrafo da Embaixada Americana. Imediatamente foi formado um grupo comandado pelo próprio maestro. Ele ao centro, abraçado a Paulo Santos e a mim. Nas extremidades os irmãos McDowell. Foram tiradas uma meia dúzia de fotos e a partir desse momento fui tomado por grande ansiedade. Tinha que ter uma cópia para o meu acêrvo, custasse o que custasse.

Perguntei ao fotógrafo como conseguiria cópias das fotos. Ele me informou que procurasse o Serviço de Divulgação da Embaixada Americana. Foi o que fiz algumas vezes sem sucesso. Ninguém sabia de nada, nem mesmo o saudoso amigo Álvaro Soledade Machado, funcionário da própria embaixada, a quem recorri.

Contei o caso a Arlindo Coutinho e ele simplesmente me informou que em muitas ocasiões o "flash" espouca mas a máquina está sem filme. Fiquei na saudade.

Para quem quiser anotar, aí vai a formação da banda:

Duke Ellington - Mercer Ellington, Cootie Williams, Harold "Money" Johnson, Johnny Coles, Ed Preston(tps), Booty Wood, Malcom Taylor e Chuck Connors (tbs)- Russell Procope, Harold Ashby, Paul Gonsalves, Harold Minerve, Norris Turney e Harry Carney(sxs)- Joe Benjamin (b), Rufus Jones(dm), Nell Brookshire e Tony Watkins(vo).

Por enquanto é só. Depois tem mais.
llulla

MUSEU DE CERA # 4 – DUKE ELLINGTON

26 outubro 2006

DUKE - apelido conferido ao pianista, compositor e bandleader Edward Kennedy Ellington (*1899 †1974) por seus colegas de colégio devido à maneira elegante de se portar e de se vestir, talvez a exemplo de seu pai um "maître d'hotel" em Washington. Poderíamos acrescentar que tal nobreza se estendia também à maneira com que desenvolveu o estilo de sua orquestra formada a partir de 1927 após seu início com o grupo The Washingtonians em 1923.
Ellington talvez tenha sido o primeiro músico a experimentar a orquestração buscando soluções alternativas com a participação ativa de seus músicos transformando, assim, a banda em uma verdadeira workshop. Nisto foi influenciado pelo seu trabalho no badalado Cotton Club no Harlem de 1927 a 31 onde, por ser a orquestra residente, era obrigado a trabalhar dentro de uma variedade de gêneros tais como: peças para dança, acompanhamento das revistas musicais, canções populares, alguns blues e instrumentais jazzísticos.
Duke desenvolveu uma relação simbiótica com sua orquestra considerada como seu instrumento, talvez mais que o próprio piano e ousou experimentos de timbres, coloridos tonais e voicings (repartição das notas de um ou vários acordes entre os instrumentos melódicos e harmônicos), contando essencialmente com as habilidades de seus músicos. Neste aspecto conseguiu reunir grandes instrumentistas que deram os subsídios requeridos aos seus clássicos como East St Louis Toodle, Black and Tan Fantasy, Reminiscing in Tempo, The Mooche, Mood Indigo e muitos outros integrando o inusitado estilo jungle.
Há uma gravação não considerada tão clássica, mas de excepcional feeling jazzístico para uma banda daquela época, 1928 - trata-se de Hot and Bothered onde encontramos em destaque elementos principais como beat, swing, virtuoso arranjo e ótimos solistas, enfim o mais puro jazz orquestral. Hodges e Bigard estão excelentes bem como Miley com a surdina wah-wah e o impagável dueto de Baby Cox com Miley imitando sua surdina.
Ressalte-se que não é uma obra prima de execução apresentando até pequenos senões como certa hesitação do contrabaixo de Braud em algumas passagens, uma entrada errada de Cox na segunda frase do dueto com Miley (1:11), logo após uma nota solta (fluff) de Miley (1:14), Bigard se atrapalha um pouco na marcação do tempo (1:42), contudo Ellington mostra a essência do jazz orquestral com entusiasmo e espontaneidade. Citando o mestre musicólogo Gunther Schuller - " uma brilhante música virtuosística pouca coisa é sem uma brilhante e virtuosística execução".










HOT AND BOTHERED (Duke Ellington) – Duke Ellington (piano, arranjo e líder), Arthur Whetsol, Bubber Miley (tp), Joe Nanton (tb), Johnny Hodges (sa), Barney Bigard (cl, st), Harry Carney (sb), Fred Guy (bj), Lonnie Johnson (gt), Wellman Braud (bx), Sonny Greer (bat), Gertrude "Baby" Cox (vo). Solos: Hodges, Whetsol (breve), dueto Miley e Cox, Bigard, Johnson e Hodges. Gravação original: 1/out/1928 – Okeh 8623 – New York – Fonte: CD Columbia CK 46178 - USA

PROSPER JAM Special Edition

25 outubro 2006

O quarteto liderado pelo saxofonista Afonso "AC" Claudio estará no Mistura Fina nesta quinta-feira, 26/10, ao lado de Marco Tommaso no piano, Tony Botelho no contrabaixo e Renato "Massa" Calmon na bateria.
O show faz parte do Prosper Jam Special Edition, uma versão diferente do Prosper Jam, evento patrocinado pelo Banco Prosper que acontece às quartas-feiras no Armazém Digital do Rio Design Center Leblon.

Sob a direção musical de AC e produção de Carolina Rosman, o Prosper Jam sempre recebe um convidado especial e desta vez quem quem aparece é o saxofonista e clarinetista Paulo Moura e baterista Robertinho Silva.

O show promete !

O local : Mistura Fina
O endereço: Avenida Borges de Medeiros, 3207, Lagoa-RJ
O telefone: 2537-2844
O horário: Às 21h.
O preço : R$ 25

FORMAÇÃO SUPERIOR EM JAZZ

Se você quiser ter um diploma de curso superior de Profissional em Tecnologia de Jazz, a Universidade Estácio de Sá promove vestibular para esta área. Os objetivos são: Estimular o desenvolvimento de competências artísticas e científicas, envolvendo o pensamento reflexivo. Desenvolver as suas capacidades de improvisação e a performance em grupo. Formar profissionais aptos a participarem do desenvolvimento da área e atuarem profissionalmente no campo da música popular, instituída e emergente. Viabilizar as pesquisas científicas e tecnológicas no jazz, visando à criação, à compreensão e à difusão da cultura e seu desenvolvimento e estabelecer novos conceitos e caminhos que contribuam para a melhor produção musical, artística, tecnológica e comercial do jazz.

HISTÓRIAS DO JAZZ - 12 - "CLUBE DOS SAÚVAS"

24 outubro 2006


Histórias do Jazz – 12 – “Os Saúvas”
A foto é de 1956 e mostra os fundadores do “Clube dos Saúvas” de Niterói, turma especializada em freqüentar os saudosos sebos da Rua São José catando raridades do Jazz. Da esquerda para a direita : Carlos Humberto, Raymundo Flores da Cunha (Mr.Jones), Silvio, Tião Neto, Hélio “Saturday”, Llulla, Danilo e Antonio Luiz (Pézinho).
Esse grupo teve um alguém muito interessante pelos diversos aspectos de
sua personalidade. Humorista, sádico, histriônico, emotivo, surpreendente etc.
Que dizer de uma pessoa que tinha espalhados pela sala alguns cinzeiros, os quais não permitia que fossem usados. Aos amigos fumantes oferecia um de lata, meio enferrujado. Tinha uma dúzia de gaiolas vazias e se negava a ter passarinhos porque os mesmos sujariam as peças . Tinha uma coleção de relógios de bolso (umas trinta peças) e achava ruim por ter que dar ,todas as noites, corda nos mesmos para que “pelo menos trabalhassem”.
Gostava de caçar e batizara sua espingarda de “Sweet Lorraine”. Certa ocasião quando lhe perguntei como iam as caçadas revelou que havia despedido a “Sweet Lorraine” e contou com os olhos marejados o que sucedeu. Atirou num pato e quando foi buscá-lo viu horrorizado os filhotes, nadando aflitos, em torno da ave abatida.
Torcia pelo América e tinha sob o vidro de sua mesa de trabalho um poster do time campeão carioca de 1960. Mas, na medida em que os jogadores eram vendidos ou trocados, pacientemente retirava o poster e cortava as cabeças dos “desertores”.
Gostava de “Jaze” (como ele pronunciava) e tinha como rival Mr.Jones, com quem disputava qualidade das agulhas, tamanho de caixas de som etc. Mr. Jones quis ser enterrado ao som de “I’m coming Virginia” de Bix Beiderbecke, no que foi atendido. Saindo do enterro comentei com ele: “Nosso amigo foi sepultado com as honras de estilo” e ele imediatamente respondeu : “é mais no meu vai tocar “Satchmo e a Bíblia”, as doze faixas.” Quando alguém comentava que havia comprado determinado disco a sua resposta era imediata : “Eu tenho mas o meu é importado! “ Costumava dizer : “Eu não entendo nada de Jaze mas, ninguém gosta mais do Jaze tradicional do que eu.” E disso deu prova. Quando a “Greatest World Jazz Band” encerrava seu único show no Municipal ele levantou-se de sua poltrona e aos berros solicitou que tocassem “Sweet Georgia Brown”.
Yank Lawson sorriu,chamou os músicos de volta ao palco e atendeu ao pedido. Esse era
DANILO LEMOS.

ANDRÉ MEHMARI " LACRIMAE "

22 outubro 2006

Promessa ou virtuose?, como sugere no encarte do seu CD "Lacrimae" , o que poderá ser conferido no Tim Festival na 2a. noite (próximo sábado, 28/10), no palco Club, onde este pianista, compositor e arranjador de 29 anos, nascido em Niterói mas radicado em S.Paulo, irá se apresentar com o seu trio. Porém, antecipando-me ao evento, venho aqui comentar o CD acima citado, que foi lançado em 2005 pela Cavi Records, embora gravado em Outubro de 2003.

Trata se a meu ver de um trabalho bem cuidado e produzido com muito esmero, onde destaco sua alta técnica, principalmente nos improvisos e sua verve de compositor pois 7 dos 14 temas são de autoria própria.

Com alguma influência clássica e muito de Keith Jarrett, passando por Brad Mehldau, a quem inclusive antecedeu no TIM do ano passado, em S.Paulo (como "side man"), causando um certo frisson no pianista norte americano, que só iniciou sua apresentação após a afinação e re-afinação do instrumento, o que levou quase hora e meia, que entendi mais como preciosismo do que vaidade artística.

Voltando ao CD, Mehmari vem acompanhado por um competente trio sendo, Zé Alexandre Carvalho/Celio Barros (contrabaixo) e Sergio Reze/Rogerio Boccato (bateria) em faixas alternadas e ainda com participações especiais de Luca Reale (clarinete), Dimos Goudarolis (violoncelo) e Monica Salmaso nos vocais.

Com relação ao repertório, além dos seus 7 temas, registro para os "standards" do nosso cancioneiro como; "Só Louco" (Caymmi) em um arranjo genial, "Dindi" (Jobim), "Pra Dizer Adeus" (Edu Lobo) e a sempre batida "Carinhoso" (Pixinguinha) em interpretação solo comovente e de muita emoção.

Enfim, sou mais um dos que estão aguardando pelo seu concerto no TIM, confessando desde já bastante otimismo em relação ao mesmo.

É isso.

UM "MICO" DE ARMSTRONG

Em 1924 a banda de Fletcher Henderson passou a tocar para milhares de entusiasmados dançarinos e foi quando Louis Armstrong chega para substituir Joe Smith. Seu início na banda foi um tanto tímido. Armstrong não conseguia se livrar daquele jeito caipira que o acompanhava desde New Orleans, vestindo um surrado casaco preto apertado, faltando nas mangas e a calça deixando aparecer suas inseparáveis botinas também pretas. Era uma figura! Claro, que os músicos o encaravam com certa desconfiança. No primeiro ensaio, olhava perplexo para a partitura de trompete que Don Redman distribuiu. Era um arranjo para umas valsas irlandesas que deviam tocar no Roseland Ballroom para qualquer comemoração especial. A orquestração indicava passagens desde o fortíssimo cuja notação era f f f indo até o pianíssimo indicado por p p. Armstrong que já não era muito versado em leitura de música jamais tinha visto aquilo em partituras para bandas de JAZZ. Estava preocupado, mas firme. Por algum motivo, percebeu que os f f f significariam uma passagem em fortíssimo e se tranquilizou. A banda começa a tocar e ao chegar aos f f f vai "subindo" num crescendo e Louis firme...acompanhando, logo após na notação p p a banda vai "caindo” para o pianíssimo e Armstrong continua "subindo" tocando cada vez mais alto, até que Henderson para tudo e diz:
-" Louis, você não está seguindo o arranjo!"
Louis: - "Claro que sim, estou lendo tudo nesta folha"
Henderson: - "E o que me diz destes p p?"
Louis mais que depressa, porém já meio desajeitado –"Ora, penso que significam pound-plenty ?" ( força-total!)
O pessoal caiu em estrondosa gargalhada, inclusive Henderson. Louis, que apesar de tímido, era também um gozador desandou a rir, fazendo aqueles trejeitos e caretas que o caracterizaram pelo resto da vida, quebrando assim, qualquer gelo que pudesse existir com o pessoal da banda e com o próprio Henderson.

Traduzido do depoimento de Don Redman no encarte da – A Study in Frustation The Fletcher Henderson Story – Thesaurus of Classic Jazz – Columbia Jazz – Masterpieces (57596) - 1994.

ATRAÇÕES DO TIM FESTIVAL

20 outubro 2006


Foi divulgado no Blog do Arlindo Coutinho, http://paradisofm.terra.com.br/ a relação dos músicos estrangeiros que irão tocar nos dias 27, 28 e 29 de Outubro de 2006 no Tim Festival, no palco CLUB. São eles:




HERBIE HANCOCK - piano & keyboards
Terri Lyne Carrinton - drums
Matthew Garrison - bass
Chris Potter - Sax

ROY HARGROVE - trumpet & flugelhorn
Gerald Clayton - piano
Tony Sanders - bass
Justin Jay Robinson - alto sax
Montez Coleman - drums

STEFANO BOLLANI (QUINTET) - piano
Ferruccio Spinetti - basso, chorus
Nico Gori - clarinetto
Mirko Guerrini - sax tenor
Cristiano Calcagnile - bateria

CHARLIE HADEN - bass
Ernie Watts - sax
Alan Broadbent - piano
Rodney Green - bateria

AHMAD JAMAL - piano
James Cammack - bass
Idris Muhammad - drums

JENNIFER SANON - voz
Fabian Almazan - piano
Benjamin Williams - bass
Simon Lott - drums
Matt Marantz - sax

MARIA SCHNEIDER - vem com sua orquestra com 19 integrantes.

MUSEU DE CERA # 3 – FLETCHER HENDERSON / DON REDMAN

19 outubro 2006

No início do século XX Nova York já era uma cidade rica em entretenimentos extraídos também da riqueza da música e dos músicos que se apresentavam onde houvesse um teatro, um café, um night club, um cabaré ou um ballroom. Surgiam as gravações de discos, mesmo que precárias e íam proliferando as companhias fonográficas e um dos empregados da Black & Swan Records era um jovem pianista, muito polido e oriundo da Georgia chamado Fletcher Henderson que viera para a grande cidade pretendendo continuar seus estudos já que recebera o diploma de Química pela Universidade de Atlanta.Fletcher Hamilton Henderson Jr. nasceu em Cuthbert, na Georgia em 18 de dezembro de 1898. Sua família era de classe média e sua mãe Ozie Henderson pianista e professôra de música. Aos 6 anos começou a estudar com a mãe tornando-se um estudante de música clássica razoável. Não parece ter-se interessado pelo Jazz antes de ir para Nova York, onde chegou no verão de 1920.
Logo conheceu Ethel Waters, uma cantora com algum repertório de blues e Fletcher decidiu acompanhá-la em uma excursão pelo país formando assim os Black & Swan Jazz Masters. Naturalmente que, após tal fato, a pretensão de continuar seus estudos de Química foi se extinguindo para consternação geral de seus pais, principalmente por sua ligação com uma cantora de blues!
No verão de 1923 as primeiras gravações da King Oliver’s Creole Jazz Band de Chicago foram postas à venda em Nova York. Os músicos, Fletcher e o próprio público entenderam que lá estava a resposta para um estilo mais quente e expressivo com sucesso garantido nos ballrooms - O hot Jazz.
Rapidamente tornou-se uma força naquele mundo musical sendo o regente negro de maior sucesso e influência na década de 20, tanto no show business quanto junto às gravadoras.

Donald "Don" Redman um jovem da Virginia (*1900) saxofonista-alto e clarinetista conhecido também como "The Little Giant of Jazz" se filiou ao grupo trazendo idéias brilhantes para os arranjos e aliado à chegada do gênio de Louis Armstrong no outono de 1924, sem dúvida puseram fogo na banda.
Redman ajudando nos arranjos começou a inovar usando melhor os saxofones como uma seção, em vez de harmonizar simplesmente a melodia e escrevendo passagens “solo” para as seções, até bastante complexas. A linha melódica era dividida entre os metais e os saxes e às vezes uma seção começava e a outra terminava uma frase.
Outro padrão inovador de Redman foi a exposição da melodia pela seção de saxes em uníssono com súbitas interjeições dos metais, enfim a banda cresceu. Redman transpusera a linguagem polifônica do Jazz Tradicional de seus camaradas pioneiros de New Orleans para a banda dando a cada seção o papel de protagonista da improvisação coletiva. Henderson e Redman foram figuras notáveis como bandleader e arranjador, além de compositores, de enorme importância no desenvolvimento da linguagem orquestral das big bands para a futura era swing.
O que vamos ouvir no tema Copenhagen é realmente inusitado, Redman emprega o trio de trompetes e um trio de clarinetes em curtas frases de 4 compassos alternando com as ensembles (todo o conjunto) tudo sustentado por uma seção rítmica coesa com o beat seguro da tuba e a pontuação de Kaizer nos címbalos. O único solo é o de Armstrong (12 compassos) e apenas duas pequenas intervenções (4 compassos cada) de Green ao trombone. Ótima execução da banda em se tratando de arranjo complexo e naturalmente com partitura o que nem sempre era muito compreensível e familiar para aqueles músicos. (Aliás há uma passagem hilariante de Armstrong nesta banda em termos de partitura, depois eu conto).





COPENHAGEN (Charles Davis/Walter Melrose) – Fletcher Henderson (piano e líder), Elmer Chambers, Howard Scott, Louis Armstrong (tp), Don Redman (sa, cl), Buster Bailey (cl), Coleman Hawkins (st, cl), Charlie Green (tb), Charlie Dixon (banjo), Bob Escudero (tuba), Kaizer Marshall (bat) – arranjo Don Redman – solo Armstrong
Gravação original: 30/out/1924 - Vocalion 14926 - Fonte: K7 Columbia/Legacy C4L 19 – 1961.

- JAZZ QUIZZ -

18 outubro 2006

Após longa ausência, retorna nosso Jazz Quizz para os cejubianos exercitarem seus dotes de conhecedores.

O tema deste é uma série de perguntas sobre os primeiros solos de alguns instrumentos gravados na história do jazz.

1. Primeiro solo de baixo. Qual o músico, em que tema, nome do líder da gravação e quando gravou (basta o ano);
2. Primeiro solo de sax-barítono. Músico, tema, líder e quando gravou .
3. Primeiro solo de flauta. Musico, tema, líder e quando gravou
4. Primeiro solo de vibrafone. Músico, tema, líder e quando gravou.
5. Primeiro solo de guitarra elétrica. Músico, tema, líder e quando gravou.
6. Primeiro solo de baixo elétrico. Musico, tema, líder e quando gravou.
7. Primeiro solo de cello. Músico, tema, líder e quando gravou.
8. Primeiro solo de piano elétrico. Músico, tema, líder e quando gravou.
9. Primeiro solo de fluegelhorn. Músico, tema, líder e quando gravou.
10. Primeiro solo de clarone. Músico, tema, líder e quando gravou.

Divirtam-se e bom sucesso,
Raf

ILUSTRANDO A “HISTÓRIA” Nasce um MC

16 outubro 2006


A foto de 6 de dezembro de 1959 é do primeiro
aniversário do programa “O ASSUNTO É JAZZ”.
Da esquerda para a direita : Estevão Herman,
Paulo Santos, Leonardo Lenine de Aquino, Llulla
e Rocha Mello. Bons tempos !

O "NINHO DOS MÚSICOS"


Confirmando a opinião do Salsa no comentário a nossa última história, mostramos a foto abaixo em que a nata dos músicos do Rio de Janeiro esteve em “Jam Session” no mesmo Clube Central de Niterói no longínquo ano de 1957. Promoção de Paulo Santos que entregou diplomas aos músicos vencedores do concurso anual do programa “Em tempo de Jazz” . Na fila de baixo : Waldir, Cipó, Jorginho, Nelsinho, Santos. Acima : Paulo Santos, Vidal (encoberto), Hélio Marinho, Clélio(encoberto),Paulo Moura e, Geraldo Miranda. Atuaram ainda : Luiz Eça, Ed Lincoln,Paulo Ney, Maurício Einhorn,
Raul Mascarenhas, Paulinho Magalhães, Edson Machado e o cantor panamenho Jorge Green. Segundo a saudoso Ary Vasconcellos escreveu na revista “O Cruzeiro” : “Foi a melhor e mais animada “Jam Session” realizada até então.

BONS PROGRAMAS PARA A SEMANA

Olá amigos,
Abaixo algumas sugestões de shows no Rio de Janeiro nesta semana:

Amanhã - 17/10 - tem dois shows:
- Monique Aragão na Sala Baden Powell às 19 horas - Av. N.Sra. Copacabana, 360. Ingressos a R$10 e R$5.
Pianista, compositora e arranjadora, Monique Aragão compõe trilhas sonoras para cinema, peças teatrais e musicais. Neste show apresenta as músicas do CD "Suite do Rio" com temas compostos para o espetáculo do grupo Companhia de Dança Rio. Participação de Angelo Dell’Orto (Violino), Iura Ranevsky (Violoncelo), Daniel Garcia (Sax e Flauta), Sérgio de Jesus (Trombone), Ronaldo Diamante (Baixo), Élcio Cáfaro (Bateria).

- Hamleto Stamato Trio no Bar Eclético às 21 horas - Centro Comercial Mario Henrique Simonsen - Av das Américas, 3434 - Barra da Tijuca.
Pianista e compositor virtuosi apresenta o repertório do CD "Speed Samba Jazz" Vol. 3

Sexta-feira - 20/10 - tem Scott Feiner no Armazém Digital do Leblon às 21 horas - Rio Design Center loja 104. Ingressos a R$15 e R$10.
Pandeirista norte-americano em mais uma apresentação do excelente "Pandeiro Jazz". Participação dos músicos Marcelo Martins (sax), Bernardo Bosísio (guitarra) e Alberto Continentino (baixo).

OUT OF BUSINESS

Após 46 anos de atividades a Tower Records fecha suas portas causando tristeza e frustração a seus clientes.

Uma grande liquidação pretende extinguir seus estoques, mas mesmo assim os preços ainda não conseguem chegar aos anunciados pela Amazon.com

A empresa sofreu um impacto forte com a venda virtual de CDs e DVDs pela Internet e pelas Box Stores como a Wal-Mart, onde os custos são bem mais baixos.

Muitos clientes que gostavam de escolher pessoalmente seus discos nas prateleiras escreveram centenas de cartas declarando que estão sentindo essa lamentável perda.

A Tower Records foi a falência (Chapter 11) devendo cerca de 200 milhões aos credores e em 6 de outubro foi decretada a venda de suas 89 lojas, que empregavam 3000 funcionários.

PARABÉNS MESTRE RAFFAELLI!!! 196 ANOS, SÓ DE JAZZ

15 outubro 2006

Já foi dito por alguém em algum lugar: aniversários fazem um bem tremendo à gente. Quantos mais fazemos, mais a gente vive!

Mestre Raf, um GRANDE ABRAÇO para você hoje, muita saúde e felicidades pela estréia da nova idade. E que possa ir fazendo muitas e muitas novas trocas pelos anos vindouros.

KEEP SWINGIN'

HISTÓRIAS DO JAZZ, 11: "NASCE UM MC"

14 outubro 2006

Essa aconteceu no longínquo ano de 1960 e para minha surpresa apresentava os primeiros sintomas de uma rivalidade boba e inconsequente. Sabendo das dificuldades que o Jazz sempre encontrou nos veículos de comunicação, principalmente rádio, jamais alimentei qualquer desejo de rivalizar com quem quer que seja, muito pelo contrário. A tal ponto que em dezembro de 1959, quando "O Assunto é Jazz" completava seu primeiro aniversário, reuni em um coquetel comemorativo, nos estúdios da Rádio Difusora Fluminense, todos os disc-jockeys que tinham programas em outras emissoras. Lá estavam Paulo Santos (Rádio MEC), Estevam Herman (Rádio Globo), Rocha
Mello (Rádio Eldorado), Leonardo Lenine de Aquino (Rádio Roquete Pinto) e Flávio de Macedo Soares (Rádio Rio de Janeiro).
Foi um programa sensacional em que todos os colegas participaram, quebrando de certa forma um rígido preceito que ainda hoje parece que existe,de não oferecer o microfone a colegas de outras emissoras.

Nosso programa caminhava para o segundo ano de existência e começava a reunir ouvintes interessados que muitas vezes compareciam para assistir à audição. Houve uma espécie de propaganda "boca a boca" e a correspondência começou a crescer. Um relativo sucesso, tendo em vista o pouco alcance da emissora. Muitos anos depois, vim a saber pelo radialista Jerônimo Chagas que, nos dias de programa, um grupo de amigos, moradores dos subúrbios do Rio de Janeiro, vinham em seus carros até o Sacopã, onde a rádio entrava "estourando", só para ouvir "O Assunto é Jazz".

Por isso, estranhei quando alguns amigos me informaram que haveria uma "Jam Session" no Clube Central, em um domingo à tarde, às 15:30 hrs, trazendo entre outros convidados o trio de acompanhamento da cantora Lena Horne, então cumprindo temporada no Copacabana Palace (28, 29 e 30 de Junho). Estranhei porque a promoção era do "Diretório Acadêmico Otávio Catanhede" da Escola Fluminense de Engenharia e do programa "Vesperal do Jazz" (apresentado na Rádio Rio de Janeiro por Robert Celerier)que não me procuraram sequer para divulgar o evento e consequentemente não fui convidado.

Amigos meus (Carlos Tibau e Luiz Fernando de Pinho), ao saberem que eu não iria, logo trataram de arranjar um convite e depois de muito insistirem acabei concordando e fomos incorporados para o Clube Central.

Confesso que dos integrantes do trio de Lena Horne eu só conhecia o baterista Frankie Dunlop pelo seu trabalho com Thelonius Monk. O pianista Benny Aronov e o baixista Stuart Wheeler ainda não tinham seus nomes constando da "Encyclopedia of Jazz" de Leonard Feather, que era a minha principal fonte de consulta.

A "Jam" começou com um ligeiro atraso, logo compensado pela generosidade do trio na interpretação de uma dúzia de temas, bem desenvolvidos e mostrando um perfeito entrosamento entre seus integrantes. Lembro-me da interpretação de "Well You Needn't", onde Dunlop mostrou serviço. Termina o set e é anunciado um pequeno intervalo.

Aí aconteceu o que eu não esperava. Timidamente Robert Celerier e Sérgio Mendes (sempre ele) vieram até mim e explicaram que iriam levar os músicos de Lena Horne para o Copacabana Palace e não tinham quem apresentasse a segunda parte da "Jam Session". Minha primeira resposta foi mais ou menos assim: "E o que é que eu tenho com isso? Estou aqui porque amigos me deram um convite, a organização do evento sequer cogitou de me comunicar sua realização e agora vocês pedem minha colaboraçao?"

Celerier, diplomático como sempre, pediu desculpas pela omissão e insistiu para que eu aceitasse o encargo, afinal de contas "Tudo pelo Jazz!".

Meio constrangido, fui para o palco onde fui apresentado oficialmente por Celerier e foi esse o meu batismo como MC.

Para quem quiser anotar, relaciono os musicos que me lembro terem participado da "Jam Session" :

Benny Aronov, Stuart Wheeler, Frankie Dunlop, Maurício Einhorn, Luiz Carlos Vinhas, Bebeto, Sérgio Mendes, Bill Horne, Oswaldo Oliveira Castro, Genaro, Domingos Sodré e alguns outros.
Local do evento - Clube Central de Niterói
Data - 29 de Junho de 1960

Por enquanto é só. Depois tem mais!

llulla

SOM NA CAIXA - RADIOLA ATUALIZADA !

12 outubro 2006

E como a semana é das crianças fazemos uma homenagem com o tema que, em outra geração, não tão longe assim, fez a alegria da garotada - Os Trapalhões - aqui em uma versão instrumental muito legal com o grupo Taluá, liderado pelo arranjador e violonista Willians Pereira acompanhado por PC Castilho na flauta e Fabio Luna na percussão ;

Tem mais ... Duduka da Fonseca em disco inédito nos apresenta Bluesette, com Helio Alves ao Piano e Eddie Gomez ao contrabaixo ;
Rob McConnell & The Boss Brass em uma versão magistral para o clássico Scrapple From the Apple de Charlie Parker ;
Jimmy Bruno, autoridade na guitarra jazz, ao lado de Joey de Francesco no Hammond com The Way You Look Tonight ;
a nossa Tania Maria ao vivo no Blue Note com Minha Mãe and Sangria , de arrasar ;

e continua na playlist os temas My Foolish Heart com Kurt Elling (belíssimo!) e The Time is Now com Eliane Elias & Danish Radio Big Band.

Som na caixa !

MUSEU DE CERA # 2 – JELLY ROLL MORTON

11 outubro 2006

Ferdinand Joseph LaMothe (ou LaMenthe) nasceu em 1890 em uma comunidade Creole nas vizinhanças de New Orleans. Na sua juventude adotou o sobrenome Morton em lugar do afrancesado da família e "Jelly Roll" era apelido. Pianista, compositor e emérito arranjador, iniciou aos 7 anos na guitarra, mas impressionado pelo recital de um pianista clássico que executou alguns ragtimes optou pelo piano e sem maiores instruções musicais aos 14 anos já trabalhava nos bordéis de Storyville exibindo um repertório de ragtimes, blues, quadrilhas francesas, outras danças, canções populares e alguns clássicos ligeiros.

Morton foi uma das grandes figuras da criação do Jazz e seu grande mérito está em ter absorvido pouco a pouco o blues criando um estilo instrumental e assim a rítmica do ragtime com as harmonias blues foram se amalgamando. Talvez por isso, muito vaidoso, se auto-titulava como -"o criador do Jazz" (menos Baptista!), porém de qualquer maneira foi um expoente.

Mantendo sua cidade natal como base estendeu seus itinerários por Memphis, St. Louis, Kansas City e Los Angeles onde viveu por 5 anos, muitas vezes trabalhando em shows de menestréis. Em 1922 segue para Chicago, então o novo centro da atividade jazzística, a exemplo de Armstrong e King Oliver. Inicia ali as gravações não só como piano solo, mas liderando um sexteto.
Aqui vamos nos ater no pianista, um criador inventivo com a técnica adequada e grande senso de equilíbrio musical (já que equilíbrio no seu comportamento de vida é que não possuía muito, jogador compulsivo, trapaceiro contumaz, cáften, bem... deixemos para lá seus atributos menores).

Dentre os primeiros registros uma autêntica obra-prima New Orleans Joys um blues clássico de 12 compassos (AAB) composto por Morton em 1902. Combinando a precisão formal do ragtime com um suave fluxo melódico resulta em uma verdadeira elegância poética. Emprega o rítmo habanera típico de uma dança cubana bastante comum também em New Orleans, cidade sob forte influência hispano-caribenha e o tema, condizente com o título, reflete as alegrias naturais daquela explendorosa cidade.




NEW ORLEANS JOYS (J. R. Morton) – Jelly Roll Morton (piano solo) Gravação original: 17/jul/1923 – Gennett 5486-B (mx 11538-A), Richmond, Indiana, USA. Fonte: CD - Jelly Roll Morton – Vol. 1 – 1923-1924 – Master Of Jazz – MJCD 19 - França

ERRO NOSSO

TIM FESTIVAL 2006 (RIO DE JANEIRO, PALCO CLUB) - PRÉVIA EM IMAGENS

10 outubro 2006

Dia 27/10:

Ivan LinsJennifer SanonMaria Schneider


Dia 28/10:

Andre MehmariRoy HargroveCharlie Haden


Dia 29/10:

Stefano BollaniAhmad JamalHerbie Hancock

Até lá !

ANA MAZZOTTI - FOTO


Aí vai mais uma foto de Ana. Desculpem mas ainda estou "apanhando" na publicação das fotos.
llulla

ANA MAZZOTTI - SAUDADES


Estivemos em São Paulo em visita ao casal Pedro Cardoso e o nosso "Apóstolo" nos presenteou com as últimas fotos de Ana Mazzotti obtidas em seu último show no "Nó na madeira" em Niterói, ano de 1988. Para os que não conheceram Ana, aí estão suas últimas imagens.
llulla

NOSSOS BRAZUCAS ESTA SEMANA, NO DIZZY'S CLUB COCA-COLA, DO LINCOLN CENTER, NY

Example

Tue-Sun, Oct 10-15
The Music of Antonio Carlos Jobim and Stan Getz featuring Trio Da Paz, Harry Allen, Maucha Adnet, and Joe Locke
Featuring Romero Lubambo, guitar; Nilson Matta, bass; Duduka Da Fonseca, drums; Harry Allen, tenor saxophone; Maucha Adnet, vocals; Joe Locke, vibes.

MUSEU DE CERA # 1 - LOUIS ARMSTRONG

06 outubro 2006

Amigos jazzófilos, inauguramos esta seção chamada Museu de Cera com o intuito de resgatar um pouco da história do Jazz apresentando sempre antigas e antológicas gravações dos maiores nomes desta arte maior.
Não poderíamos iniciar por outra figura que não a do grande Armstrong, nosso popular Satchmo, talvez a maior, pelo menos no início do Jazz. A genialidade de Armstrong vinculou-se exatamente a sua concepção sobre os conceitos que caracterizavam aquela maneira de executar música, à época, recém denominada de Jazz.

A liberdade de criação melódica e rítmica aliadas às harmonias trazidas pelo blues conceituavam a interpretação de uma canção na forma jazzística e isto já era notório desde Buddy Bolden pelos relatos que nos chegam. Armstrong sentia a música em sua plena forma de liberdade criando em cima das estruturas formais de um tema, empregando suas convicções de como deveria soar, colocando toda a poderosa emoção que sentia.

Nisto foi um gênio, fundamentando assim as bases do aspecto primordial para o Jazz que é a improvisação. Armstrong foi o primeiro músico cujo estilo foi marcado pelo swing fluente preparando o terreno para o que viria depois, Hawkins, Ellington, Gillespie, Parker, Coltrane, Monk e outros.

Satchmo teve uma infância difícil, pobre, negro, vivendo em um gueto de Storyville, internado em um reformatório, enfim momentos tristes e penosos. Com a música que abraçou conseguiu se libertar de quase tudo, apenas o racismo o atormentava. Suas apresentações foram marcadas de muita alegria com suas estrondosas gargalhadas e multicaretas, mas ao executar um blues traduzia todo o estado de tristeza e melancolia próprio da evolução das canções de trabalho, espirituais e cânticos afro-americanos referidos às raizes estilísticas da África Ocidental.

A carreira de Armstrong se inicia com grande apoio do mestre King Oliver, que o leva para Chicago aos 21 anos, onde faz os primeiros registros fonográficos com a Creole Jazz Band. Talvez a mais interessante de todas essas gravações seja Tears, uma composição do próprio Armstrong e a da pianista Lil Hardin, sua futura esposa, na qual já mostra suas idéias não exatamente em solo mas em nove breaks que de relance começam a revelar seu trabalho, ainda que tímido mas genial.

É interessante ressaltar que o estilo da banda, apesar de estar em Chicago, era o New Orleans Ensemble, ou seja da forma como era executado na cidade berço do Jazz, enfocando a polifonia entre os instrumentos de sopro, no caso os cornetins de Oliver e Louis, e os excelentes trombone de Dutrey e clarinete de Dodds. A seção rítmica se mantém discreta no apoio, como era costume.





TEARS (L. Armstrong – L. Hardin) - King Oliver's Creole Jazz Band – Joe "King" Oliver (cornetim e líder), Louis Armstrong (cornetim), Johnny Dodds (cl), Honore Dutrey (tb), Lil Hardin (pi), Baby Dodds (bat), Johnny St. Cyr (banjo), Reverend Charlie Jackson (sax-baixo). Gravação original: 5/out/1924 (Okeh 40000) – Chicago. Fonte: CD – Columbia /Legacy – C4K 57176 – 1994- USA

MESTRE LOC NO JB DE HOJE

Depois de lutar por algumas semanas com o novo sistema de identificação de leitores, finalmente consegui transpor a barreira técnica e fotografar a de todo indispensável coluna do nosso estimado Mestre LOC no JB desta sexta.

Como não sei por quanto tempo será mantida esta faculdade de acesso, deliciem-se aqueles que não assinam o jornal com mais esta jóia do nosso confrade, enquanto ainda se pode. Se vedarem futuramente o acesso, o jeito será botar o jornal no chão e, de fato, fotografar a coluna com uma máquina digital. Mas, a perda de qualidade da imagem...

Cliquem na dita, para ampliar.

Do FREE ao TIM - 21 anos de JAZZ

04 outubro 2006

Num daqueles processos de arrumação interna de estantes,sempre encontramos coisas interessantes.

A material em questão era uma reportagem com um balanço de 10 anos de Free Jazz Festival.

O motivo do meu interesse, num momento em que estamos próximos a uma edição do TIM, que infelizmente nào poderei assistir (desde já aguardo uma resenha da noite dos pianistas Hancock, Jamal e Bollani), foi o de relembrar dos grandes músicos que por aqui passaram nos anos de 85 a 95...

Desde já listo alguns dos nomes para refrescar a memória de todos:

1985 - Joe Pass, Toots Thielemans, McCoy Tyner, Sonny Rollins, Phil Woods, Chet Baker, Hubert Laws

1986 - Wynton Marsalis, Stanley Jordan, Gerry Mulligan, Manhattan Transfer

1987 - Art Blakey and the Jazz Messengers, Sarah Vaughan, Jim Hall, Michel Petrucciani

1988 - Stephane Grappelli (este na noite de 03.09.88, dia de meu casamento), Modern Jazz Quartet

1989 - Horace Silver, Max Roach Quartet

1991 - Dizzy Gillespie, Jimmy Smith & Kenny Burrel, Wynton Marsalis

1992-Tributo a Miles Davis (com Hancock, Wayne Shorter, Wallace Roney, Tony Willians e Ron Carter), Lyle Mays quartet com Jack DeJohnette, Edie Daniel & Gary Burton

1993 - Pat Metheny, McCoy Tyner,

1994 - Jack Mclean, J.J. Johnson

1995 - Roy Hargrove, Brandford Marsalis

Da edição de 1996, lembro de ter levado meu filho de apenas 03 anos para circular pelo mezanino do MAM, sendo que acabei entrando no Club para assistir Mark Whitfield.

Um grande concerto, cujo segundo set não pude assistir, pois meu filho foi barrado !!!!A alegação era que o festival era patrocinado por uma empresa de cigarros. Uma criança de apenas 03 anos que se comportou muito bem...

Bem, a relação de alguns dos músicos participantes seguiu um critério pessoal de gosto, contudo tirando Joe Pass, Toots Thielemans e Mark Whitfield (os que assiti), apenas lamento não ter tido a chance de um dia assitir Grappelli, e nem Nancy Wilson.

Fica o registro, num momento em que o CJUB está perto de se reunir com a presença de mais duas aquisições de peso.

Benmindos Nelson Tolipan e Mário Jorge Jacques.

Abraços,

Beto Kessel

OUTRA NOVIDADE ESTIMULANTE

03 outubro 2006

No almoço da última sexta feira, quando convidamos e tivemos aceito o convite feito ao Mestre Nelson Tolipan, Bené-X e eu conversamos sobre um outro convite, que seria intermediado por Mestre Llulla a outro grande conhecedor e amante do jazz, Mario Jorge Jacques, antigo companheiro dele em andanças e apresentações do programa O Assunto é Jazz.
Autor do livro Glossário do Jazz, com mais de 1200 verbetes sobre os termos que caracterizam essa arte, o convite ao Mario Jorge seria nosso próximo passo.

Tal salamaleque de nossa parte frustrou-se esta manhã, por via da simpática e expontanea oferta de MJ, por email, de colaborar com nosso blog. Imaginem minha felicidade com a mensagem dele. Era como se estivessem perguntando a um macaco se queria um prato com bananas, cortadas em rodelinhas e cobertas de mel!

Respondi-lhe que não só estava aceito como, desde então, intimado a comparecer ao almoço deste mês, próxima sexta, para ser saudado, junto com o Tolipan, pelos Mestres Raf, Goltinho e Llulla, pelas adesões, que só fortalecem este grupo. E, Mestre LOC, por favor, se estiver eventualmente no Rio e "nos ouvindo", confirme presença!

Aproveito portanto para avisar a todos, desde agora! Estão entronizados, assim, os Mestres Tolipan e MaJor no grupo de editores deste blog.

Que beleza! como diz o Sazz.

HISTÓRIAS DO JAZZ, 10: ANA MAZZOTTI

Navegando na internet descobri em determinado blog que seus responsáveis ainda não sabiam do passamento de nossa saudosa e querida amiga Ana Mazzotti, ocorrido em 1988. De imediato veio o desejo de homenageá-la, incluindo-a nessa série.

Quem me falou sobre Ana Mazzotti inicialmente foi Gedir Pimentel. Trouxe convite para que fosse assistí-la no "Made in Brazil", uma casa noturna na Barra de Tijuca. Não pudemos comparecer mas, semana seguinte recebemos sua visita no programa e alí iniciamos uma sólida e sincera amizade. Ana, como tantos outros músicos, reclamava da falta de espaço para suas apresentações e do completo descaso da mídia em relação à música instrumental. Corria o ano de 1985 e Ana procurava desenvolver sua carreira de uma forma ou de outra. Voltou algumas vezes ao programa levando fitas gravadas de seus shows e falando sobre projetos para excursões a outros estados.

Vê-la "ao vivo" era uma alegria só. Muita energia, criatividade e uma técnica apreciável nos teclados. Cantava com mestria suas próprias composições, não deixando de criticar, em algumas letras, o "status quo" da nossa MPB.

Em junho de 1986 excursionou à Bahia e de lá me mandou cartão postal com os seguintes dizeres: "Lula, daqui, uma lembrança dessa linda terra: Salvador. Recebi carta de Chick Corea. Enviarei vídeo-cassete do meu trabalho para ele. Ficaremos aqui o mês de julho também. O "som" tá rolando por aqui. Abraços à você, seus ouvintes e ao Tião Neto. Da amiga Ana Mazzotti."

Dela assisti três shows. O primeiro, no antigo "Mistura Fina", ocasião em que me pediu que chegasse mais cedo para que pudéssemos conversar. Ao chegar, o baterista Romildo, seu marido, levou-me ao camarim onde travamos uma longa conversa. Ana falou sobre sua vida, a preocupação que tinha com a criação de seus dois filhos, a luta pela sobrevivência no meio artístico e ainda me confessou que havia perdido um seio, vitimado por um câncer. Mas, continuou na luta correndo atrás de oportunidades.

Quando contei a ela que fiz parte de uma comissão que escolheria artistas que participariam do FREE JAZZ e sugeri o seu nome e os "foquinhas" e "críticos" presentes confessaram que não a conheciam, riu e disse que não era surpresa. Contei-lhe ainda que Leny Andrade não estava na lista apresentada pela produção e que só após eu ter reclamado informaram que poderíamos acrescentá-la na relação. (Leny foi escolhida por unanimidade). Contei também que quando sugeri Dick Farney ninguém sabia que ele também tocava piano. E ela, sorrindo, falou: "Pois é, Lula, é esse tipo de gente que toma conta da nossa música."

O segundo show que assisti foi na Sala Funarte e teve a direção de Regis Cardoso. Como sempre, me chamou ao camarim para conversarmos sobre o espetáculo, pedindo também que após a apresentação eu voltasse para dar a minha opinião. Fazia isso com o maior prazer e me envaidecia quando ela, ao me ver chegar, pedia licença às pessoas com quem conversava e vinha saber o que eu achara de sua musica.

Seu último show aconteceu aqui em Niterói, no "Nó na Madeira". Mais uma vez as conversas prévias e nesse dia ela se queixava de cansaço e dores de cabeça. Eu nem desconfiei do que estava por vir. Que aquela era a última vez que eu estaria com Ana Mazzotti. Dias depois Arlindo Coutinho me telefona e dá a notícia: "Ana está internada no Hospital Matarazzo em São Paulo e seu estado não é bom." Passou-me o número do telefone e liguei imediatamente para lá. Romildo atendeu e perguntei como estava Ana. Ele então mandou que eu falasse com ela. Com voz fraca e trêmula agradeceu o telefonema e disse que estava no fim. Tentei animá-la dizendo que tivesse fé, pois já vencera a doença uma vez. Mas a resposta foi fatídica: "Não adianta, Lula, o câncer foi para a cabeça, adeus."

Horas depois falecia a nossa amiga, deixando amargurados todos aqueles que apreciavam sua arte. Dediquei-lhe o programa daquela noite, fazendo rodar faixas de seus LPs e trechos de nossas entrevistas.

ANA MAZZOTTI - * 17-08-1950 Caxias do Sul - RS
+ 20-01-1988 São Paulo - SP

lulla

RADIOLA DO CJUB ESTÁ DE VOLTA

02 outubro 2006

E volta atualizada com novidades !

Kurt Elling interpretando My Foolish Heart, que tivemos o privilégio de assistir ao vivo em sua apresentação no RJ. Aqui, no Bratislava Jazz Days, Slovakia em 21 de outubro de 2002. O trio que o acompanha está formado por Laurence Hobgood ao piano, Rob Amster no contrabaixo e Michael Rainer na bateria ;

Ernie Watts acompanhado do guitarrista sueco Andreas Pettersson em uma interpretação vibrante de Bolivia em 23 de outubro de 2003 na Suécia. Completam o time Daniel Karlsson ao piano, Jan Adelfeldt no contrabaixo e Bob Leadberro na bateria ;

Outra raridade, Eliane Elias e a Danish Radio Big Band conduzida por Bob Brookmeyer com o tema The Time is Now no Parque do Ibirapuera, São Paulo, em 3 de novembro de 1996 ;

E Enrico Rava em duo com o pianista Stefano Bolani interpretando Poinciana em recente apresentação na ilha francesa de Porquerolles em 10 de julho de 2006. Aqui ele põe a plateia pra cantar a melodia ... Belíssimo !

Boa audição !

O JAZZ NO TOPO DO ROCK

Miles Davis foi homenageado com a colocação de um busto de bronze na RockWalk em Hollywood, na última sexta feira. O evento foi comemorado por diversos músicos e sua família.

Enquanto os grandes icones eram imortalizados pela impressão das mãos na calçada em frente ao Guitar Center, na Sunset Boulevard, o busto de bronze de Miles Davis faz jus a um grande músico de jazz que influenciou os roqueiros no mundo todo.

Davis morreu aos 65 anos em 1991, começou a tocar trompete aos 13 e gravou pela primeira vez em 1947. Ficou muito conhecido pelo sons experimentais que, mais tarde, resultaram no jazz funk e hip-hop grooves.

Um novo CD de Miles Davis será lançado em breve, chamado "Evolution of the Groove", com o guitarrista Santana e o rapper Nas.

O RockWalk foi estabelecido em 1985 para homenagear os músicos de deram uma significante contribuição para a história da música.

CANÇÕES DO CINEMA NO PARQUE LAGE

Nesta próxima sexta-feira, dia 6 de outubro de 2006, às 20:30, teremos mais um concerto num dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro.

O sucesso do recente concerto de Carlos Montes, no Parque Lage, naquele local à luz de velas, com uma noite estrelada, fez parecer que estavamos num ambiente da Roma antiga.

Promovido pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o cantor Paul Jonnes irá apresentar "Canções do Cinema", com temas como: Our Love Is Here To Stay, As Time Goes By, The Lady Is A Tramp, My Funny Valentine, Days Of Wine And Roses, dentre outras.

Também teremos um canja do Carlos Montes que cantará em duo com Paul Jonnes.

É um programa imbatível, pelo local, a facilidade de estacionamento lá junto a casa, o bar muito chique, com cervejas e sanduíches de primeira, bom atendimento nas mesinhas e esteiras com almofadões à volta da piscina, sem falar do preço de apenas R$10,00 por pessoa.

Data : 6 de Outubro de 2006 – Sexta–feira - 20:30 horas
Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Endereço: Rua Jardim Botânico, 414 – Parque Lage Tel: (21)2538-1879 Estacionamento Gratuito
Ingresso: R$ 10,00
Pagam meia estudantes, professores, maiores de 65 anos e sócios da AAPNT
Obs: Aberto ao público após as 19h30min

NOVIDADE ESTIMULANTE

01 outubro 2006


Foi na última sexta-feira, em agradável almoço no restaurante Atrium, dentro do Paço Imperial, um local cuja nobreza ímpar faz jus à companhia, que almoçamos com o crítico, produtor e apresentador - há 23 anos - do programa Momento de Jazz, Nelson Tolipan, um marco da Rádio MEC no Rio. Conosco, sua esposa Heloisa e a nossa boa amiga, a advogada Rosane Thomé, que gentilmente trouxe os Tolipan para nosso convívio. Pelo CJUB, presentes o Bené-X e este que vos relata o acontecimento. Onipresente, a para lá de gentil e atenciosa proprietária do Atrium e nossa queridíssima, Verinha Helena Carneiro.

Ao longo de duas horas de conversa inebriante, versada em 90% sobre o nosso interesse maior - com rápidas e inevitáveis fugas para comentários sobre política que eu tentava reconduzir ao cerne - aproveitamos, claro, para convidá-lo a integrar este blog e seu time de loucos por jazz.

Francamente amistoso, como se nos conhecesse há décadas, Tolipan disse-nos imediatamente que gostaria muito de participar e que aceitava fazer parte de nosso grupo. Convite aceito, logo ao chegar ao escritório despachei-lhe, ao email memorizado, o convite "oficial" do Blogger, que permitirá que, quando menos se espere, apareça aqui algum escrito da lavra desse expoente do conhecimento e da paixão pelo jazz, outro Mestre a juntar-se aos nossos Mestres CJUBianos já consagrados.

Tão logo assuma o posto, terá seu nome indelevelmente gravado no frontispício do blog, do que muito nos orgulharemos.

P.S.: E foi nesse mesmo almoço que soube que tinha dado uma "furada" incrível, ao deixar de botar aqui, como de hábito, o aviso e a saudação que sempre faço, quando um cjubiano faz aniversário. E adivinhem logo de quem eu me esqueci, e que completou 162 anos no último dia 27 de setembro, sem uma mera menção aqui no blog? Peço, em público, desculpa ao parceiro e amigo. Foi mal.
Aos demais, prometo uma cocada para quem acertar... a ser entregue no almoço desta sexta-feira, no lugar e horário habituais e, se tudo se confirmar, já com a presença do nosso mais novo membro. Abraços.