Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MAIS UM ERRINHO EM LIVRO SOBRE JAZZ

30 junho 2011

Dessa vez o erro consta da página 48 do excelente livro “Billie Holiday – Biografia”, de autoria de Sylvia Fol. o que estava sendo vendido nas bancas de jornais. O trecho é o seguinte :“Segundo “Pops Foster”, um dos cantores e bailarinos do Pod’s and Jerry’s, Billie vai lá de vez em quando.Mas só para olhar o que acontece por ali.” É claro que qualquer pessoa que conheça um pouco de Jazz sabe que “Pops” Foster foi um dos pioneiros do contrabaixo , usando com freqüência o “slaping”, uma das características da tradição musical de New Orleans.
Fica feito o registro.
llulla

RAYNALDO RIDES AGAIN

BOSSA, JAZZ E MUITO MAIS

Prosseguem, neste fim de semana as atrações do projeto, com as apresentações de Bia Sion e da Conexão Rio, que inclui o Maestro Vittor Santos e o Zé Bigorna na formação.

Um lembrete: as anteriores tiveram, todas, as suas lotações esgotadas, assim é sempre bom sair na frente e reservar seus lugares. A acústica é boa e o serviço tende a melhorar diante do afluxo de mais e melhor público.

Detalhes nas filipetas eletrônicas ao lado.

28 junho 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 08


A figura humana e musical de DJANGO REINHARDT tem sido objeto de inúmeras interrogações, já que sem formação mínima no ensino escolar e em música, além de acidente sofrido aos 18 anos em que todos os prognósticos o davam como “liquidado” para a guitarra, a história de DJANGO foi um ultrapassar de obstáculos em direção ao JAZZ, a “música dos músicos”. Considerando que esse grande guitarrista cigano, o músico europeu que efetivamente absorveu e desenvolveu a linguagem do JAZZ, passando a servir de modelo para tantos outros guitarristas, vale a pena passear por um pouco de sua cronologia.
Como referência para os interessados, destaca-se a biografia da autoria de Charles Delaunay “Django, Mon Frére” (1968).
Em 23 de janeiro de 1910 nasceu JEAN-BAPTISTE REINHARDT, “DJANGO” REINHARDT, em Liverchies / Bélgica, filho do artista Jean e da ama de casa Laurence, ambos ciganos. A certidão de nascimento é datada do dia seguinte, 24/janeiro.
Em 1912 nasceu o irmão de DJANGO, JOSEPH, alcunhado de “Nin-Nin”. A infância dos dois irmãos é uma epopéia de vida nômade, sempre em uma carroça cigana (“roulotte”).
Em 1914 DJANGO e sua mãe sairam de Nice em função da Iª Guerra Mundial, estabelecendo base sucessivamente na Itália / Córsega e no Norte da África.
Terminada a conflagração retornam à França e ficam nos arredores de Paris (“Coisy”), sempre em carroça. DJANGO não foi à escola e viveu analfabeto, conseguindo, a duras penas e já adulto, assinar o nome em “letra de imprensa”. Suas composições musicais foram ditadas para músicos com quem tocou (Grappelli, Rostaing, Levêque e Hodeir).
Em 1922 e com apenas 12 anos já era um gênio musical, tocando de ouvido e considerado um verdadeiro prodígio. Sua “estréia” musical foi como parte de conjuntos locais com acordeonistas: Guerino, Fredo Gardoni, Maurice Alexander e Jean Vaissade.
Em 1924 DJANGO teve a oportunidade de apreciar a banda americana “Novelty Jazz Band” de Billy Arnold, que se apresentava em um clube de Pigalle.
Em 1927 DJANGO casou-se pela primeira vez, com Bella.
Em março de 1928 DJANGO gravou seu primeiro registro fonográfico, a valsa “Ma Réguliére”, participando do conjunto de Jean Vaissade.
A mulher Bella fazia flores artificiais de papel e celulose para viver e a carroça estava sempre repleta de materiais inflamáveis; no dia 02 de novembro de 1928 e chegando de uma apresentação DJANGO derrubou uma vela quando ia para a cama; sua carroça foi incendiada e DJANGO sofreu ferimentos na perna direita e na mão esquerda, tendo 02 dedos praticamente inutilizados.
A previsão dos médicos era de que que ele nunca mais voltaria a tocar guitarra e de que deveria ter uma perna amputada; com tudo isso DJANGO saiu do hospital pouco depois; seu irmão, Joseph Reinhardt (exímio guitarrista que tempos depois e com DJANGO integrou o Quinteto do “HOT CLUB DE FRANCE” sobre o qual escrevemos adiante), lhe presenteou nova guitarra. Meses e meses de recuperação e de suprema força de vontade, levaram DJANGO a andar com auxílio de bengalas e a desenvolver técnica especial para retornar à atividade musical.
Conheceu em Pigalle o grande músico francês Stéphane Mougin, que reconhecendo os dotes de DJANGO ensinou-lhe conhecimentos jazzísticos.
Em 1929 nasceu o filho de DJANGO e Bella, Henry Lousson Baumpartner.
DJANGO separou-se de Bella em 1930 e passou a viver com Sophie Ziegler (“Naguine”), que viria anos depois a ser sua segunda esposa.
No ano seguinte, 1931, o pintor Emile Savitry “descobriu” DJANGO em Toulon e lhe deu a conhecer a música dos grandes “jazzmens” americanos e outros: Louis Armstrong, Lionel Hampton, Duke Ellington, Joe Venuti, Eddie Lang. DJANGO passou a integrar a orquestra de LOUIS VOLA (que viria a ser o criador e o primeiro contrabaixista do quinteto do “HOT CLUB DE FRANCE”), com o qual gravou “Cariñoso”.
Atuou na orquestra de Léon Volterra em Cannes, na “Boite Amatelots”.
De 1931 até 1934 DJANGO atuou em Paris, inclusive no “Croix du Sud” com Alain Romain e André Ekyan, até ser recrutado para acompanhar o grande cantor Jean Sablon no “Boeuf Sur Le Toit”. Em 1934 e com Jean Sablon DJANGO foi até a Inglaterra onde gravou 02 faixas: “Le Jour Ou Te Vi” e “La Meme Coupe”.
Em 16 de março de 1934 DJANGO gravou o clássico “Presentation Stomp” com Michel Warlop (violino). Nesse mesmo ano gravou com o trombonista Guy Paquinet.
O “QHCF” – Quintette du Hot Club de France foi formado em 02 de dezembro de 1934 pelo contrabaixista Louis Vola, que concedeu audição especial para Charles Delaunay (representando o selo Odeon) e, em apresentações na “Ecole Normal de Musique” e no “Hotel Claridge”, foi aclamado com entusiasmo. Ao longo desse mês de dezembro o “QHCF” gravou seus primeiros discos pelo selo Ultraphone, incluindo “Tiger Rag” e “Dinah”.
Em 23 de fevereiro de 1935 o “QHCF” apresentou-se na “Salle Pleyel”, no mesmo programa do grande sax.tenorista Coleman Hawkins (“Mr. Bean”). Em 02 de março seguinte Coleman Hawkins gravou com DJANGO e Stéphane Grappelli o clássico de Hoagy Carmichael “Stardust” (tema composto por Carmichael para o trumpetista Bix Beiderbecke, interpretado por Kirk Douglas de forma “hollywwodiana” no filme “Êxito Fugaz”, com Carmichael no elenco, além das atrizes Doris Day e de Lauren Bacal).
De 1935 até 1939 o “QHCF” gravou seguidamente com “estrelas” do JAZZ: Barney Bigard, Coleman Hawkins, Benny Carter (que tocou com DJANGO em Barcelona em 1936), Dicke Wells, Rex Stewart, Eddie South, Bill Coleman e outros.
No início de 1938 ocorreram apresentações triunfais do “QHCF” na Inglaterra, assim como em nova turnê em 1939 e imediatamente antes da eclosão da IIª Gerra Mundial, ocasião em que Grappelli permaneceu em Londres, enquanto que DJANGO retornou a Paris sem sua mulher.
Os anos de 1939 e de 1940 foram tempos dificeis para DJANGO como conseqüência da ocupação de Paris pelos nazistas, que executaram muitos e muitos ciganos nos campos de concentração, além de não permitir a execução de JAZZ; nessa época DJANGO foi ajudado por um oficial nazista da Força Aérea, Dietrich Schulz-Köhn (conhecido como “Doktor Jazz”).
Apesar das dificuldades DJANGO tocou em Paris no “Jimmy’s” com Alix Combelle, Chas Lewis e Philippe Brun e remontou em 1940 o “Quinteto”, substituindo o violino de Stéphane Grappelli pelo clarinete de Hubert Rostaing; no mês de outubro/1940 esse novo quinteto gravou o imortal “Nuages”.
Apesar de todas as dificuldades são muito importantes as gravações de DJANGO durante a ocupação nazista, que incluiram “La Cigale et la Formi” (com o excepcional cantor Charles Trenet) e, com o quinteto QHCF, “Manoir De Mes Réves”, “Belleville” e “Sweet Sue”.
Em julho de 1943 DJANGO casou-se pela 2ª vez, agora com uma amiga de infância, Sophie Ziegler (“Naguine”), com quem já vivia há 15 anos. No início de 1944 nasceu o filho do casal, Babik Reinhardt.
Paris foi libertada em 25 de agosto de 1944..
Em 1946 reuniram-se outra vez DJANGO e Stéphane Grappelli: com 02 guitarristas e um contrabaixista inglês gravaram como “Quinteto” o tema “Echoes Of France”.
Em novembro realizaram a primeira etapa de turnê americana, em Cleveland, com Duke Ellington, seguindo para Chicago, Saint Louis, Detroit, Kansas City, Pittsburgh e, finalmente, New York, no “Carnegie Hall” em 23 e 24/novembro.
DJANGO estava habituado e ter seu irmão Joseph Reinhardt carregando e afinando seu violão (um Selmer Maccaferri); aparentemente DJANGO recebeu um instrumento mal afinado para tocar, um novo modelo com amplificador e os resultados não foram muito satifatórios.
No ano de 1947 DJANGO teve seu primeiro contato com a música de Charlie Parker e de Dizzy Gillespie e, com certeza, foi um dos primeiros músicos a entender perfeitamente os conceitos e a gramática do “bebop”.
Retornou a Paris em fevereiro, apresentando-se na “Galerie Constellation” e gravando o clássico “For Sentimental Reasons”.
Em fevereiro de 1948 o “Quinteto” participou do Iº Festival de Jazz de Nice e, em 1949, realizou temporada na Itália, gravando em Roma o tema “Minor Blues”.
No Natal de 1950 e no Théátre des Champs-Elysées, o “Quinteto” foi o sucesso do espetáculo “Expressions du Jazz”.
A partir de 1951 DJANGO instalou-se na cidade interiorana de Samois-sur-Seine, onde permaneceu residindo até falecer. Levou a vida dedicando-se à pintura e já bem desligado dos padrões comportamentais esperados; em uma ocasião comprou um carro novo e o abandonou na estrada por falta de gasolina; apresentou-se em shows sem levar sua guitarra; em muitas oportunidades recusava-se a levantar da cama ao amanhecer; em outras situações mudava-se para a praia ou o campo sem maiores avisos; enfim, já apresentava um quadro menos que normal.
Em janeiro de 1953 DJANGO reencontrou-se com o grande empresário Norman Granz (criador do “Jazz At The Phillarmonic”), que o contratou para uma turnê no outono seguinte: Estados Unidos, Europa e Japão. Essa turnê não se realizou, já que DJANGO veio a falecer poucos meses depois do encontro com Norman Granz.
No dia 10 de março de 1953 DJANGO gravou com guitarra elétrica “Blues For Ike” (paráfrase de “Nuages”) ao lado de Maurice Vander, Jean Louis-Viale e Pierre Michelot, enquanto que no dia 08 de abril do mesmo ano realizou sua última gravação, o hoje clássico “Deccaphonie”, com Martial Solal (piano), Fats “Sadi” Lallemant (vibrafone), Pierre Michelot (baixo) e Pierre Lemarchand (bateria).
No dia 16 de maio desse ano de 1953 DJANGO retornava de Avon após uma apresentação e desmaiou devido a uma hemorragia cerebral. O médico tardou praticamente todo o dia para chegar e DJANGO faleceu de congestão cerebral no “Hôpital de Fontainebleau”.
Desde 1983 e em cada primavera é celebrado em Samois-sur-Seine o “Festival Django Reinhardt”.
A música de DJANGO é o resultado da herança cigana com o JAZZ dos anos 30 e 40 e, portanto, com raízes em guetos culturais distantes das “culturas oficiais”, dai derivando o “Jazz Manouche” (*). A incapacidade de sua mão esquerda fez com que criasse uma poderosa técnica auto-didata dominando as cordas de forma absolutamente original, com inimitável virtuosismo, inesgotável senso de improvisação com “swing”, tanto nas melodias quanto na percussão dos acordes.
Como compositor deixou obras maiúsculas: “Daphné”, “Nuages”, “Swing 42”, “Swing Guitars”, “Djangology”, “Minor Swing”, “Swing 39” e “Manois De Mes Reves”, para citar apenas as mais conhecidas.
HOT CLUB DE FRANCE
Idealizado por Hughes Panassie (crítico) e Charles Delaunay (discógrafo) o “Hot Club de France” foi fundado em 1932, após muitas idéias de constituição, discussões, reuniões, debates e encontros. Como Presidente de honra foi escolhido (e quem mais ? ? ? ) LOUIS ARMSTRONG.
Em apresentação no dia 02/dezembro/1934 o quinteto de cordas formado por DJANGO REINHARDT (guitarra solo), STÉPHANE GRAPPELLI (violino), ROGER CHAPUT e JOSEPH REINHARDT (guitarras) e LOUIS VOLA (contrabaixo e líder), obteve extraordinário sucesso no “HOT CLUB DE FRANCE” e foi batizado como o “QUINTETO DO HOT CLUB DE FRANCE” (QHCF).
Essa formação terminou em 1939 em função da IIª Guerra Mundial, ocasião em que DJANGO e GRAPPELLI excursionavam em Londres; GRAPPELLI ali permaneceu, enquanto DJANGO retornou a Paris.
Em 1940 DJANGO remontou o “Quinteto”, com o então jovem clarinetista HUBERT ROSTAING substituindo GRAPPELLI; o “Quinteto” gravou o eterno clássico “Nuages” de DJANGO em outubro desse ano.
Não sem boas razões a criação dos “Hot Clubs” (**) tornou-se empreendimento mundial, sempre com bons frutos para desfrutar da música de DJANGO.
(*) O “Jazz Manouche” (expressão francesa que indica o “Jazz Cigano”, cigano como a origem de DJANGO REINHARDT) ou “Gypsy Jazz” é originado exatamente a partir de música de DJANGO.
(**) Os “HOT CLUB” espalham-se pelo mundo, seja como “combos” (pequenos conjuntos), seja como “clubes” onde a clientela desfruta de JAZZ, comida e bebida e espetáculos. Podem ser citados os da Noruega, Detroit, São Francisco, Sandwich e Cowtown, possuindo ainda tradição e longevidade em seus “redutos” geográficos os de Las Vegas, de Montevidéu, de Berlim, da Suécia, da Hungria, os da Argentina (Boedo e Rosário) e, particularmente o de Portugal, fundado em 19/março/1948 e, portanto, já com 63 anos de destaque. No Brasil temos o “Hot Club do Brasil” e o “Hot Club de Piracicaba” fundado em 2008 em Piracicaba, interior de São Paulo, já com lançamento discográfico. As formações musicais dos “Hot Club” variam na quantidade de músicos (quintetos, sextetos), mas seguem a linha da tradição “Manouche”, o “Gypsy Jazz” que tem DJANGO REINHARDT como criador, inspirador.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo

RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES 2011, UMA BREVE RESENHA

Que o festival de Rio das Ostras já é um marco do nosso calendário musical ninguém tem dúvida, o maior festival do pais sempre traz atrações interessantes e a edição deste ano teve novidades e algumas brilhantes apresentações. Estima-se que nesta nona edição cerca de 20.000 pessoas circularam pela cidade durante cada dia do festival. Todos atras de boa música e eu também estava lá !
A noite de abertura do festival, numa noite de céu estranho ameaçando uma garoa que contrariava os informes meteorológicos , marcou pela presença do guitarrista Igor Prado. Sem dúvida um excelente guitarrista acompanhado por Rodrigo Mantovani no baixo, o nome do instrumento na linha blues hoje no país, Yuri Prado bateria e Flavio Naves no Hammond que realmente deu a atmosfera certa para a apresentação. Um show contagiante recheado de muito blues e que ainda teve a participação mais que especial do guitarrista Bryan Lee, que incendiou o publico presente. Um encontro histórico de dois gigantes do instrumento, a mão esquerda de Igor abraçada em sua Les Paul e a mão direita de Bryan, sentado, com sua inseparável SG. Apresentação única de Igor Prado no festival, uma pena, fechando a noite de abertura.

Seguindo na linha blues-rock –
Nuno Mindelis empolgou o publico em suas apresentações na Lagoa de Iriry e em Costazul. Em ambas apresentações um repertório em formato bem blues-rock onde Nuno, com sua strato nos braços, apresentou seu novo trabalho mas deixando a eletrônica de lado, que foi o principal elemento de seu último disco. Na tarde de quinta-feira, tempo bom e um público animado com a apresentação e Flavio Naves novamente no palco nos teclados  em Iriry e no Hammond em Costazul. E como rege a tradição do blues, foi tocar com o público. Alguns problemas no áudio no palco de Iriry mas nada que ofuscasse a agitação do público e em Costazul teve uma corda arrebentada na sua primeira música e a guitarra de Big Joe Manfra segurou a onda até o retorno da sua strato. Na noite de Costazul, Flavio Naves estava inspiradíssimo encenando performance a la Joey de Francesco subindo no Hammond e puxando o público levando-o ao delírio. Espaço para dois bis e encerrou com Hendrix.
Bryan Lee incendiou a noite de quinta-feira. Quem o vê fora do palco não acredita no que este senhor, cego, aos 67 anos é capaz de fazer em cena, se transforma assim como ao público que o assiste.
Manteve-se sentado durante as quase duas horas de apresentação na madrugada de sexta-feira acompanhado pelo sensacional-virtuoso-endiabrado guitarrista Brent Johnson, o incendiário baterista John Perkins e o baixista Slim Louis que segurava, literalmente, a onda para esses gigantes. Bryan Lee em seu traje tradicional com sua cartola e roupa pretos, quase como um mágico e se não o é conseguiu trazer a magia do blues-rock na apresentação.  O guitarrista Brent Johnson realmente roubou o show, chamou a atenção pela energia que colocava nos longos solos e pela interação imediata que teve com o plateia.
O guitarrista Tommy Castro não deixou por menos em suas apresentações na Lagoa de Iriry e em Costazul. Parecia extasiado com o publico na arena de Iriry e fez uma apresentação arrasadora convidando ao palco o guitarrista Big Joe Manfra e a trompetista Saskia Laroo. Colocou o publico para dançar com sua apresentação bem recheada de soul-funk suportada pelos metais de Keith Crossan (tenor) e Tom Poole (trompete) e ainda pelo visual inusitado do baixista Scot Sutherland que toca fazendo coreografias. Show contagiante e mostrou porque é um dos grandes nomes do cenário blues hoje.
Em show único na Praça São Pedro, o Blues Groove formado pelo baterista Beto Werther, o baixo de Ugo Perrota e a guitarra de Otavio Rocha veio liderado pelo guitarrista Cristiano Crochemore que estava em uma manhã inspiradíssima. Mostrou muita personalidade e pegada blues abraçado com sua strato com um ar vintage , trazendo além de clássicos do blues de Johnny Winter, Albert King e Robert Johnson temas de sua autoria que será lançado em CD brevemente. Colocou pressão na manhã ensolarada de sexta-feira e teve como convidado mais que especial o guitarrista Brent Johnson, que empolgou na noite anterior, promovendo no palco um verdadeiro duelo de gigantes.
Rodrigo Nézio e Duocondé também fizeram uma boa apresentação. O power trio de Barbacena (MG) veio com energia mesmo tendo encarado a madrugada na estrada e chegado na cidade na manhã do show. Seu baixista lembra muito Pino Palladino, um pouquinho mais gordo, e o som da banda contagiou o bom público presente com repertório autoral e espaço para alguns clássicos do blues-rock.

Saindo do mundo blues-rock –
Jose James mostrou porque é um dos grandes cantores na atualidade. Seu jeitão rapper trouxe identificação com o publico, na maioria jovem, e apresentou-se nos palcos da Tartaruga e Costazul. Basicamente o mesmo repertório em ambos os shows, recheado por baladas com algumas passagens mais jazzy e espaço de sobra para o trompetista Takuya Kuroda. Jose fez muito o uso de um scat adequado ao seu tipo de som e um destaque mais que especial para a interpretação de Equinox (Coltrane) e um encerramento sensacional com Moanin (Art Blakey).
Jane Monheit se apresentou mostrando sensualidade em sua forma renascentista, mas fez um show básico destacando Jobim em Dindi, interpretada em sua língua nativa, e um Samba do Avião cheio de turbulência ao cantar em português, mas levou o público ao delírio e é isso que importa. Bom, me retirei e voltei para as interpretações de Cheek to Cheek e Over the Raibow me rendendo até o final da apresentação que ainda teve algumas boas passagens com uma roupagem mais jazz.
Nicholas Payton trouxe o ar fusion para o festival. Alternava colocações vocais sempre com o auxilio da cantora Johnaye Filelle Kendrick e um destaque para o jovem e excelente pianista Lawrence Fields. Fez um show frio com algumas passagens empolgantes mas determinadamente um show na linha jazz-rock, na onda Miles elétrico.
Das duas apresentações do Yellowjackets, Costazul e Praia da Tartaruga, esta última deu um ar mais intimista, talvez pelo atmosfera bucólica do local proporcionado pelo final da tarde. Comemoram os 30 anos do grupo e trouxeram o lançamento de seu último disco intitulado Timeline. Não dá pra não destacar o baterista Willian Fernandes que roubou o show e é sempre bom ver Bob Mintzer em ação, o baixo elétrico de cordas invertidas do canhoto Jimmy Haslip e o piano de Russel Ferrante. Valeu por ser Yellowjackets mas foi um show sem muita empolgação.
A trompetista Saskia Laroo foi só festa, ela é quase uma "George Clinton" de saias. Entrou no palco com uma roupinha de paquita e uma banda com dois cantores de hip-hop, percussão, teclado, baixo e bateria bem eletrizados e ainda seu trompete cheio de efeitos especiais cujos pedais estavam presos na sua cintura, como um verdadeiro cinto de inutilidades. Fez uma “homenagem” a Coltrane com um tema bem disco-music (acho que se o homenageado sabe disso ressucita) e focou a totalidade da apresentação nessa onda. Alguns momentos mostrava que podia fazer muito mais e melhor com o trompete, a moça tem boa digitação e fez algumas pausas no show, dando até um ar de sobriedade, citando standards com o uso da surdina lembrando o registro de Miles, mas foi muito pouco e o que a gente viu mesmo foi um show festa que parece que cansou o público.
Já o trio Medeski, Martin & Wood com o sax de Bill Evans colocaram muita pressão no caldeirão de Costazul. Impressionante como os caras ao vivo são infinitamente mais empolgantes. A interação entre o excelente baterista Billy Martin, o baixo de Cris Wood e os teclados de John Medeski é certeira e pontual e fica representada pela proximidade deles no palco – um de frente para o outro – aqui com o sax de Bill Evans circulando a frente deles. Longos temas e um groove de primeira qualidade em mais de 1 hora de apresentação com Billy Martin empurrando o grupo com uma energia impar, improvisos brilhantes de Cris Wood que mostrou destreza tanto no acústico quanto no elétrico onde fez até uso do slide e de leves efeitos de drive muitíssimos bem colocados e John Medeski endiabrado colocando as camas indispensáveis para os improvisos de Bill Evans. Sobrou até para uma citação bem colocada de Evidence (Monk).
Sensacional apresentação !

O instrumental brasileiro também mostrou força. Ricardo Silveira fez um excelente show e uma banda inspiradíssima com nosso Andre Tandeta bateria, Romulo Gomes contrabaixo e os metais de Marcelo Martins (sax) e Jesse Sadoc (trompete). Resgatou clássicos da nossa música brasileira de raiz em Se acaso você chegasse (Lupiscinio Rodrigues) e Amélia (Mario Lago) em roupagem bem moderna e apresentou seus clássicos temas que compõem seu ultimo trabalho intitulado Até Amanhã incluindo a brilhante Portal da Cor (Milton). Abraçado com sua bela e nova guitarra semi-acústica da fabricante PRS, nos deu um som de guitarra limpo e muito improviso.
Ivan “Mamão” Conti, Bertrami e Alex Malheiros trouxeram o Azymuth recheado com o sax de Leo Gandelman. Com a responsabilidade de manter a agitação do público depois da apresentação-festa da trompetista Saskia Laroo, o Azymuth não deixou por menos e fez uma boa apresentação mostrando porque é um grupo ícone da nossa música instrumental. Destaque para as interpretações de Partido Alto (Bertrami) e Canto de Ossanha (Baden) mas o público queria mesmo ouvir e cantarolar Linha do Horizonte e o grupo voltou no tempo e encerrou a apresentação com muitos aplausos.

Deixei por último para falar do pianista cubano Roberto Fonseca. Uma apresentação intensa, densa, enigmática, dramática! Dificil encontrar palavras para descrever a energia da música desta apresentação em um repertório baseado no disco Live in Marciac. Veio em formato de quinteto, todos músicos cubanos -  Javier Zalba nos sopros, o excelente Ramsés Rodríguez bateria, Omar González contrabaixo e Joel Hierrezuelo na percussão. Fez uma homenagem aos também cubanos Ibrahim Ferrer e Cachaito Lopez em uma interpretação de cair o queixo, com Roberto se entregando totalmente ao tema, em baixa dinâmica, deleitando-se em improvisos e contorcendo-se ao piano mostrando um virtuosismo e carisma impressionantes. Deu espaço para improvisação de todos, colocou interjeições vocais em algumas improvisações e não dá para destacar alguém em especial porque foram todos brilhantes. Encerrou a apresentação trazendo o público para ditar o ritmo com ele e foi aplaudido de pé.
O melhor show do festival !

É isso ! Ano que vem tem mais.

NOSSO APÓSTOLO EM DIA DE FESTA

Prezados confrades, amanhã será o dia de aniversário de Pedro Cardoso, o nosso mestre Apóstolo, uma das vigas mestras do CJUB. Ao velho amigo,os votos de felicidades e sobretudo muita saúde para que continue nos brindando com suas brilhantes séries jazzísticas aqui no CJUB. Que ao lado da querida Matilde , dos filhos e netos, possa curtir essa data em plena paz.
abcs.
Llulla e Lúcia

Claire Martin recebe homenagem real.

27 junho 2011

A cantora de jazz britânica Claire Martin foi homenageada pela Rainha Elizabeth. A famosa artista recebeu o título de membro da OBE ("Ordem do Império Britânico"), que corresponde ao título de "cavalheiro”. No passado foram agraciados os músicos George Shearing, Humphrey Lyttelton e Ronnie Scott, entre outros expoentes do jazz. da Inglaterra .Agora a "senhora" Claire Martin é sem dúvida a mais importante cantora de jazz britânica . . Ela gravou uma série de álbuns, já cantou com músicos de jazz e apresentou programas do gênero na BBC Radio 3. Hoje está cantando em Nova York e depois fará uma excursão pelo Reino Unido e países da Escandinávia.

17 junho 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 07

John Leslie Montgomery, artisticamente Wes Montgomery, nasceu em Indianápolis, estado de Indiana, em 06/março/1925, vindo a falecer em sua terra natal no dia 15/junho/1968, com apenas 43 anos e em função de problemas cardíacos;
Foi autodidata na guitarra, começando somente com 19 anos após ouvir gravações de Charles Christian, mas desenvolveu-se muito, tecnicamente e em pouco tempo.
Nesse pouco tempo de auto-aprendizado conseguiu contrato para apresentação no “Club 440” de sua cidade, para depois tocar em diversas orquestras locais.
Junto com seus irmãos Buddy e Monk Montgomery formou o trio “The Montgomery Brothers”, atuando em clubes locais.
Foi contratado pelo vibrafonista Lionel Hampton para sua “Big Band”, atuando na mesma durante 02 anos (1948 a 1950), o que lhe valeu aprendizado contínuo em função das excursões pelos U.S.A. com o grupo de Hampton além, principalmente, do contato com músicos do porte de “Fats” Navarro, Charles Mingus e Milt Buckner.
Ficou conhecido pelos músicos como “Reverendo”, já que era completamente abstêmio e de comportamento severo.
Retornou à sua terra natal em função de seu apego à família e passou a tocar nos clubes à noite (“Missile Room” e “Turf Bar”), simultaneamente com seu trabalho diurno numa fábrica de peças de rádio, rotina que se prolongou por 06 anos, até 1956.
A atividade musical noturna sempre foi em trio com seus irmãos. ou em quinteto com o pianista Richie Crabtree e o baterista Bennie Barth.
Realizou para a etiqueta “World Pacific” dois LP’s com os “Mastersounds” e mais outra gravação com o título “The Montgomery Brothers Plus Fiver Others”
Atuando em 1959 no “Missile Room” despertou a atenção do grande saxofonista Julian “Cannonball” Adderley, que o recomendou à direção da gravadora Riverside (leia-se Orrin Keepnews).
Nesse mesmo 1959 e em outubro, Wes Montgomery grava seu primeiro disco ao lado de Melvin Rhyne no órgão e Paul Parker à bateria.
Seguidamente e em janeiro de 1980 na seleta companhia de Tommy Flanagan (o grande pianista que durante tanto tempo acompanhou Ella Fitzgerald), Percy Heath (baixista que integrou durante muitos anos o “MJQ” = Modern Jazz Quartet) e Albert “Tootie” Heath (baterista e irmão mais jovem dos “Heath Brothers”), Wes Montgomery grava um dos mais emblemáticos discos de JAZZ, “The Incredible Jazz Guitar Of Wes Montgomery”, grande sucesso de público e de crítica, que lhe valeu uma série de vitórias em concursos das publicações especializadas: “Down Beat’s New Star”, “Metronome Guitar Award”, “Playboy”, “Time”, “Newsweek” e, pela “Billboard”, como o músico mais promissor do ano.
Tornou-se, assim, o guitarrista mais importante e influente dos anos 60 do século XX, excursionando por todos os U.S.A. e pelo exterior
Wes Montgomery desenvolveu uma técnica singular e pessoal, em que utilizava exclusivamente o polegar da mão direita para tocar as cordas. O polegar possuía incrível mobilidade gerando som de pureza admirável, entre o da guitarra acústica e o da amplificada eletricamente.
O fraseado melódico era muito bem equilibrado, alternando frases em “single notes”, em acordes e em oitavas, com absoluto domínio do tempo e da velocidade, precisão rítmica e perfeito sentido harmônico.
Wes Montgomery gravou com dezenas de músicos de JAZZ da mais alta categoria, podendo citar-se com exemplos: Julian “Cannonball” Adderley e seu irmão Nat Adderley (trumpetista), Harold Land (sax.alto), Vic Feldman (multi-instrumentista), Ray Brown (contrabaixo), com os pianistas Bobby Timons, Hank Jones, George Shearing, Wynton Kelly e Herbie Hancock, Jimmy Smith (organista) e tantos outros.
Infelizmente deixou-nos com 43 anos e em 1968.
Entre as muitas gravações de Wes Montgomery podemos elencar:
· The Incredible Jazz Guitar Of Wes Montgomery;
· Finger Pickin’ (com seus irmãos);
· Hymn For Carl;
· Round’ Midnight;
· Delilah;
· Full House;
· Four On Six;
· James And Wes.
Mesmo tendo uma filmografia relativamente alentada (considerando ter começado tarde na guitarra e falecido cedo), o documento em que mais se pode apreciar a musicalidade, o “feeling” e a técnica de Wes Montgomery, é o DVD da coleção “Jazz Icons” sob o título “Wes Montgomery Live In ‘65”. São apresentações na Holanda, na Bélgica e na Inglaterra, com um total de 14 temas e mais um encarte com excelentes notas (da autoria do guitarrista Pat Metheny) e bom material fotográfico.
Essa gravação na Holanda é importante por mostrar Wes Montgomery instruindo os músicos do trio local, o que surpreende em um músico que nunca “leu música”.
Em VHS temos Montgomery na 2ª parte da série “JAZZ Hero’s”, um senhor documento (essa série inclui [1] Dizzy Gillespie, [2] Wes Montgomery, [3] Gerry Mulligan, [4] John Coltrane, [5] Thelonius Monk e [6] Ella Fitzgerald).
Podemos ainda contemplar Montgomery nos DVD’s indicados a seguir (“EFORFILMS”, série “Jazz Shots From...) e que contem “takes” de diversos músicos de JAZZ:
(a) JAZZ Shots From The West Coast - Volume 1
Art Pepper, Chet Baker, Zoot Sims, Phineas Newborn Jr., Toshiko Akiyoshi & Lew Tabackin Big Band, Shelly Manne, Wes Montgomery;
(b) JAZZ Shots From The West Coast - Volume2
Wes Montgomery, Gerry Mulligan, Shorty Rogers, Paul Desmond, Lester Young, Teddy Edwards.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo

P O D C A S T # 5 5

PROGRAMAÇO

16 junho 2011

Como vocês já sabem, continuam as atrações do novo espaço jazzístico criado no Rio. E neste fim de semana a coisa se mantém em nível elevado, com as apresentações de Guilherme Dias Gomes na sexta e de Ricardo Silveira no sábado. Como denominador comum aos dois grupos e garantia de excelência, lá estará o editor do CJUB e baterista de mãos (e pés) cheios nas horas vagas, André Tandeta.

Abaixo, os releases dos concertos, editados apenas para não ficarem repetitivos:

Guilherme Dias Gomes - SEXTA
Com um pé no sambajazz o outro no puro jazz norte-americano, o trompetista Guilherme Dias Gomes se apresenta com seu quinteto nesta sexta-feira, 17 de junho.

Tocará músicas próprias do repertório de seus últimos CDs, "L’Amour" e "Autoral" e interpretará também temas clássicos de Miles Davis, Freddie Hubbard, Wayne Shorter e outros gigantes da música instrumental.

Guilherme é inspirado pelo estilo hard-bop da lendária banda The Jazz Messengers, do baterista Art Blakley, pela qual passaram muitos trompetistas famosos.

Começou a estudar piano aos seis anos e trompete aos 12. Fã dos trios de bossa nova na adolescência, em 1974 licenciou-se em música pela Uni-Rio, em 1978 embarcou para os Estado Unidos e se aprofundou nas origens do jazz na tradicional Berklee College of Music.

Grupo:
Pete O’Neill, sax tenor
Cliff Korman, piano
Jefferson Lescowich, baixo acústico
André Tandeta, bateria


Ricardo Silveira - SÁBADO
"Vou tocar com Romulo Gomes (contrabaixo), André Tandeta (bateria) e [haverá] participação do Jessé Sadoc, no trompete.
O repertório é basicamente autoral, do disco "Até Amanhã" (lançado recentemente nos EUA), mas vamos mesclar com alguns standards. Como temos um repertório grande, há espaço para tocar músicas de acordo com o que o momento sugerir, além das que com certeza vamos incluir, como "Bom de Tocar", "Tango Carioca", "Você pode o que quiser", "Pica-Pau", "Beira do Mar" e outras..."

Serviço: (clique para ampliar)

JAZZ WEEK - CHART DA SEMANA DE 13 JUNHO

15 junho 2011

Se tem uma coisa que gera discussões acaloradas são os "charts" de artistas de jazz. É um tal de se questionar os critérios usados, ou se este ou aquele músico é um autêntico jazzista ou não, ou se isso ou aquilo. Mas não posso ver uma "parada de sucessos", como foi traduzido no passado - e de modo popularesco - o termo "chart", que na realidade seria a representação gráfica ou "o gráfico", com o desenvolvimento semanal (mensal/anual, etc) das execuções, vendas, etc etc. que passo algum tempo digerindo em silêncio as informações trazidas, que vão ou não se traduzir em aquisições de novos CDs ou, no mínimo, no conhecimento do que está acontecendo na matriz.

Hoje deparei-me com o chart da revista Jazz Week e para chacoalhar a casa com as boas discussões de sempre, lanço-o aqui para todos. Cortei na altura do trigésimo posto (de 100) para não ficar cansativo.

Vale notar os brazucas Eliane Elias em sexto lugar (vindo do 12o.)e Nilson Matta (com o Ben-Hur) em décimo-nono (vindo do 31o.)

Abraços.

ENTRE PENAS E PLUMAS

14 junho 2011


E segue a deliciosa série de cartuns do nosso RayNaldo, sobre "Os Diários de Leonard Plume".

LEE KONITZ INTERNADO

12 junho 2011

O saxofonista Lee Konitz, 83 anos, um dos mais brilhantes alunos da escola Tristano, foi hospitalizado às vésperas de se apresentar no "Festival Internacionalo de Jazz de Melbourne".
Cancelou também sua participação no "Playboy Jazz Festival" que se realiza em Los Angeles. A causa de sua internação não foi divulgada.

DONNY NICHILO E IGOR PRADO BAND

11 junho 2011

A verdade é que não existiria nada sem o Blues. Apesar de ser o estilo preferido dos guitarristas, por historicamente ser a guitarra o instrumento que mais representa o estilo, é no piano blues que chegamos mais perto da raiz e pela estrutura hamônica que proporciona o instrumento.
Pois é, acendam a luz vermelha e chamem as damas ao salão !

E essa atmosfera a gente encontra em Long Way From Chicago, CD do pianista Donny Nichilo lançado aqui em nossa terrinha pelo selo Chico Blues Records, onde voce pode adquirir o CD.

Nesta sessão é acompanhado pela Igor Prado Band composta por Igor Prado guitarra, Rodrigo Mantovani contrabaixo e Yuri Prado bateria.

Nascido em Chicago,  Donny Nichilo descobriu o Blues aos 17 anos quando ouviu o gaitista Little Walter - "... foi como se eu tivesse sido atingido por um raio", disse ele; e foi este instrumento que iniciou os seus estudos resolvendo comprar no ano seguinte um velho piano. Isso no início dos anos 70' quando  já começava a trabalhar todos os domingos na Maxwell Street em Chicago, na época um ponto de encontro onde muitos músicos de blues se apresentavam na rua e o som rolava solto de todos os lados, um ponto de referência na cidade. Não demorou muito para encontrar a atmosfera do jazz e do swing, principalmente quando esses sons eram baseados no blues e é o que ele mostra com absoluta maestria aqui.

Hoje Donny Nichilo se reveza entre Chicago e Brasil e foi aqui que ele resolveu gravar seu primeiro CD solo, privilégio nosso. Alias. CD muitíssimo bem gravado no Guidon Studios em São Paulo e com a engenharia de som de Jeff Berg, quem deu realmente a atmosfera musical que a gravação pedia.

Um disco obrigatório com apenas 1 tema autoral, Lately, e interpretações de The Preacher (Horace Silver, gravada com os Jazz Messengers), o standard Gee Baby Ain´t I Good to You (Andy Razaf, Don Redman), I´m Walkin´ (Fats Domino), Confessin´the Blues (Jay McShaw),  Seventh Son (Willie Dixon) e a badalada Confessin´ the Blues (Maceo Merriwheater), entre outras.

Som na caixa !

RABO DE ARANHA, PENA DE GALINHA...

07 junho 2011

Antes que receba uma saraivada de impropérios "comemorativos", assumo em público que esqueci de mandar daqui um abraço pelo aniversário do Mestre Goltinho, que arredondou o placar no último sabado, 5 de junho.

Sua verdadeira idade é a incógnita que falta aos matemáticos para resolverem o Teorema de Fermat! As variações vão dos meros palpites a equações de graus tão elevados que corresponderiam aos metros dos anos-luz que definem distancias no espectro galático. É tão difícil a sua plotagem pelos seus "sinais exteriores" que até a famosa casa de apostas "bwin.com", da Inglaterra, declarou ter desistido de aceitar palpites, em vista da impossibilidade de fazer uma apuração razoável antes de 2091. E o pessoal especializado em datação pelo Carbono-14 também já declarou que não vai se manifestar, dada a complexidade do assunto.

Brincadeiras à parte, o querido "Couto" está muito bem pra caramba, saudável e faceiro, podendo ser visto todos os dias caminhando apressado pelo calçadão da Praia de Copacabana naquele seu ritmo frenético de ser.

Que possa continuar fazendo esse bronzeamento, por muitos e longos anos.
Saúde e Paz!
Abraços do CJUB!!!

A VEZ DAS GUITARRAS NA SALA BADEN POWELL

Começa esta semana a segunda edição do festival de guitarras na Sala Baden Powell.
Duas semanas de apresentações onde um guitarrista convida outro para uma verdadeira jam das seis cordas.

Primeira semana -
9 de junho, Big Manfra convida Big Gilson
10 de junho, Roberto Rosenberg convida Cecelo Frony
11 de junho, Mark Lambert convida João Castilho
12 de junho, Dino Rangel convida Gabriel Improta

Segunda semana -
16 de junho, Walter Villaça convida Fernando Caneca
17 de junho, Lula Galvão convida Humberto Miracelli
18 de junho, Marcus Nabuco convida Felipe Poli
19 de junho, Paulinho Guitarra convida Otaavio Rocha

Sala Baden Powell
Av. Nossa Senhora de Copacabana, 360
Horário  20hs
Ingresso : R$ 30,00

06 junho 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 06

Joseph Anthony Jacobi Passalaqua, artisticamente Joe Pass, nasceu na cidade de New Brunswick, estado de New Jersey, em 13/janeiro/1929, vindo a falecer em 25/maio/1994 em Hollywood / Califórnia.
Seu estudo de guitarra foi iniciado aos 09 anos com Nick Gemus, um amigo de seu pai, passando a dedicar todo o tempo livre ao seu instrumento.
Ainda estudante e em 1943, com 14 anos, tocou em diversos grupos da cidade nas festas locais, além de ser contratado como solista na orquestra de Tony Pastor, para show radiofônicos.
Influenciado pelos discos de Django Reinhardt e Charles Christian formou um grupo idêntico ao do “Quinteto do Hot Club de France”, passando a tocar nos clubes e festas locais, mas já então fortemente orientado para o “bebop”, àquela altura dominando o cenário jazzístico.
Ainda que influenciado pela música de Django Reinhardt, Joe Pass é nitidamente mais voltado para as raízes de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e no classicismo de Coleman Hawkins.
Foi sem sombra de dúvidas um dos maiores virtuosos da guitarra no JAZZ (e o título de “Virtuoso” que lhe foi dado é perfeitamente identificador), com um sólido “swing” e refinado gosto enquanto harmonizador; solista eficiente, pessoal, com abordagem “pianística” e improvisações elaboradas sutilmente, em muitas ocasiões interpretando as linhas melódicas com destaque para cada nota sobre base rítmica da baixos e acordes, graças ao seu toque superior da mão direita. Possuidor de ataque perfeito, com um “drive” irresistível e uma sonoridade cálida, sensual, consegue soar como “acústico” mesmo quando executa com amplificação elétrica. Joe Pass gravou também com guitarra de 07 cordas.
Terminado seus estudos escolares básicos com 20 anos (1949), mudou-se para New York, onde podia apreciar de perto os “ícones” do movimento: Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell e outros. Lamentavelmente e como muitos dos músicos da época, não conseguiu resistir á tentação das drogas.
Filiou-se ao “Local 802” (“Local” refere-se à seção do sindicato de músicos de determinada cidade, filiada à “American Federation of Musicians”; no caso do “802” os músicos filiados vivem ou trabalham na cidade de New York e arredores; o pianista George Shearing é autor do tema “Local 802 Blues”) e passou a tocar desde Long Island até o Brooklyn, realizou diversas temporadas pelo país e serviu 01 ano na Marinha americana.
Esteve detido e após liberto foi para Las Vegas onde tocou em diversos hotéis, sendo preso mais uma vez.
Praticamente 12 anos afastado da cena do JAZZ, Joe Pass conseguiu livrar-se da dependência das drogas em 1960 e após 03 anos de estadia na “Synanon Foundation” (onde tocou sempre, assim como os diversos outros músicos que ali estavam), da qual saiu totalmente recuperado e pronto para retornar á carreira musical.
Em 1961 reapareceu para o grande público por meio da gravação do álbum “The Sounds Of Synanon”, ao lado do pianista Arnold Ross e para o selo Fontana.
Passou a atuar ao lado de músicos expoentes e em diversas formações: Bud Shank, Bobby Troup, Gerald Wilson, Clare Fisher, Julie London, Bill Perkins, Page Cavanough, Groove Holmes, Earl Bostic, Les McCann e tantos outros.
Em 1963 gravou o primeiro album como líder, com o título de “Catch Me”, seguindo-se a homenagem a seu ídolo Django Reinhardt, “For Django” de 1964.
Em 1965 integrou o quinteto do pianista George Shearing, colaboração que se prolongou até 1967.
A partir de 1968 trabalhou para diversos estúdios de cinema e de televisão, tendo oportunidade de atuar e gravar com Frank Sinatra, Billy Eckstine (“Mr. B”, (*) vide anedota ao final), Joe Williams, Sarah Vaughan e Carmen McRae.
Gravou em 1970 e para o selo MPS na Alemanha o album “Intercontinental”, seguindo-se a gravação de novo álbum, dessa vez com o acordeonista Art van Damme e, em 1972, formou com Herb Ellis um duo de guitarras gravando os álbuns “Two For The Road”, “Seven Come Eleven” e “Jazz Concord”.
Assinou contrato com o empresário Norman Granz (selos Clef, Verve, Pablo, Norgran), passando a excursionar pelo mundo inteiro com os grupos “JATP” (Jazz At The Philharmonic), simultaneamente com a gravação de dezenas de albuns.
Como já mencionado, ficou conhecido como o “Virtuoso” da guitarra de JAZZ e o “Art Tatum” da guitarra.
Apresentou-se em inúmeras ocasiões em solo, participou dos mais importantes festivais de JAZZ (Monterrey, Concord, Newport” etc) e foi vencedor em mais de uma oportunidade das enquetes (de público e de críticos) das publicações especializadas (Down Beat, Melody Maker etc).
Gravou com a prática totalidade dos “grandes” do JAZZ, podendo citar-se, entre outros igualmente importantes: Count Basie, Benny Carter, Buddy DeFranco, Duke Ellington, Johnny Griffin (“Little Giant”), Roy Eldridge (“Little Jazz”), Zoot Sims, Ella Fitzgerald, ademais dos já nominados ao longo da presente resenha.
Anotem as seguintes poucas gravações, que selecionamos na relação das dezenas de Joe Pass, um banquete de qualidade:
· For Django
· Just Friends
· Night And Day
· Perdido
· Virtuoso (série de 03 albuns)
· At Montreux ‘75
· At Montreux ‘77
· Guitar Interludes
· A Sing Of The Time
· Catch Me
· Simplicity
· Stone Jazz
· The Trio
· Cherokee
· Peterson & Pass A Salle Pleyel
· Peterson Big Six At Montreux
· Portrait Of Duke Ellington
· Take Love Easy
· Ella In London
· Dizzy Gillespie Big Four
· Porgy And Bess.

Joe Pass esteve no Brasil em 1978, apresentando-se em duo ao lado do pianista canadense Oscar Peterson, com 04 apresentações no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro nos dias 27, 28, 29 e 30 de janeiro.

Retornou ao Brasil em 1985 apresentando-se no "Free Jazz" (06 de agosto, no Rio de Janeiro).

Novamente no Brasil apresentou-se em temporada no "Jazzmania" (Rio de Janeiro) de 07 a 10 de abril de 1987.

Agradecemos às indicações de nossos prezados NELSON e BETO KESSEL, colaboradores permanentes do "CJUB" e sempre atentos com seus preciosos comentários.

(*) Sobre “Mr. B”, Billy Eckstine, William Clarence Eckstein (08/07/1914 Pittsburgh / Pennsylvania a 08/03/1993 em sua terra natal), possuidor de bela e potente voz, trumpetista, trombonista, compositor e líder da orquestra de “bebop” que reuniu os maiores expoentes do gênero nos anos 40 do século passado, há uma passagem que revela seu cáustico humor crítico, assim como sua vaidade, bem justificada até certo ponto.
Em certa ocasião e perguntado sobre como se compararia a Frank Sinatra, então em crescente sucesso, afirmou: “Dêm-me o dinheiro de Sinatra e eu lhe darei a minha voz!” (vide “An Autobiography Of Black Music”, Dempsey J. Travis, 1983, Urban Research Institute, Inc., U.S.A., páginas IX/Índice e 311/texto) .

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
apóstolojazz@uol.com.br

RENAUD GARCIA-FONS EM ENTREVISTA NO ESTADÃO

O Estado de S.Paulo, 06 de junho de 2011
por Jotabê Medeiros

Baixo em alta

Revelação europeia, Renaud García-Fons diz ao "Estado" que não é "prisioneiro de um instrumento" e fala da utopia em reunir Ocidente e Oriente na música.

A música do contrabaixista e compositor francês Renaud García-Fons, de 48 anos, é daquele tipo que é familiar e inesperada ao mesmo tempo, possivelmente por conta da carga de informação múltipla que carrega: jazz, flamenco, música mediterrânea, clássico. Considerado "hipnótico" pelo jornal inglês The Guardian, e como um artista que "move adiante" o jazz, pela revista JazzTimes, ele de fato ocupa lugar especial no jazz moderno. Seu contrabaixo acústico de cinco cordas é uma das preciosidades do BMW Jazz Festival - ele toca com seu quarteto Línea del Sur (David Venitucci, acordeão; Kiko Ruiz, guitarra flamenca; Pascal Rolando, percussão). Será no domingo, dia 12, no Auditório Ibirapuera - uma jornada tripla que terá ainda o Tord Gustavsen Trio e outro monstro do instrumento, Marcus Miller, tocando inteirinho o álbum Tutu, de Miles Davis (1985).

'Na música que componho, há um componente de jazz, de clássico e, eu diria, também do flamenco, dos Bálcãs, da Europa do Leste'

García-Fons falou com exclusividade ao Estado, na semana passada, por telefone, de Paris.
É a primeira vez no Brasil, certo? Que nível de informação o sr. tem sobre o País? Toca alguma coisa de música brasileira?
Sim, é a primeira vez. Diria que tenho um nível de informação mediano sobre o seu País. Da música, eu tenho um interesse que se renova de tempos em tempos, por intermédio das grandes figuras da música brasileira: Villa-Lobos, João Gilberto, Gil, Jobim. É um império da música, o Brasil. Atualmente, eu não toco nada do Brasil. Mas eu toquei muitas coisas ao longo da carreira, standards. Mas agora, o repertório que estamos levando não tem nada de brasileiro, é basicamente o repertório do disco Línea del Sur.

Vi que o sr. nasceu no dia 24 de dezembro, nasceu no Natal. É difícil fazer aniversário no Natal?
Para presentes, é formidável (risos).

O sr. tem uma música que se chama Berimbass. Tem algo a ver com o Brasil?
Sim, totalmente. O título, é claro, vem de uma música que, conforme fazia, formava uma levada de percussão que me lembrava um instrumento de um jogo brasileiro, o berimbau. E imaginei que o baixo, nessa música, agia assim - tinc, tinc, tum, tum, tinc, tinc, tum tum -, como se fosse um berimbau, e batizei assim a composição.

Há outro tema seu, que se chama La Silhouette, que me lembrou o tango argentino. Estou errado?
Tango mesmo, no sentido estrito, é La Línea del Sur, outra música desse disco. La Silhouette é um pouco mais estranha, porque a melodia não evoca nada particularmente.

Há uma tradição muito forte do jazz na Europa, que é diferente da tradição americana. Começa com artistas como Django Reinhardt, e se estabelece em outro caminho. Hoje em dia há muitos europeus fazendo algo muito característico, como Richard Galliano. Ao mesmo tempo, é jazz, certo?
Na música que componho, há um componente de jazz, de música clássica e diria também de música do mundo em geral, do flamenco, dos Bálcãs, da Europa do Leste. Há também um componente latino importante, que vem da minha imaginação, assim como o jazz e o erudito. Meus pais são da Espanha. Meu pai é pintor, Pierre García-Fons, catalão. Ele é bem conhecido, tem quadros em diferentes museus do mundo todo, e continua a pintar, está com 84 anos.

Vi que em seu novo álbum há uma canção que se chama Fortaleza. Sabia que nós temos aqui uma cidade chamada Fortaleza?
Sim, é o nome em espanhol para construção fortificada. É uma música no ritmo do flamenco que se chama La Seguiriya que misturei à música da Europa Central. La Seguiriya é a forma mais antiga do flamenco (data de fins do século 18 e tem seu surgimento estabelecido na região entre Cádiz e Sevilha).

O sr. é um pouco um antropólogo musical, não?
Tive a sorte de encontrar muitos artistas durante minha carreira, e pesquiso muito para meus discos. Há quem aponte ecos da Mahavishnu Orchestra, há quem aponte outras coisas. Não vejo por que estabelecer fronteiras. Claro, cada tradição musical tem seus estilos e especificidades, mas amo que a música se preste a essas misturas, que se molde às diferentes visões dos artistas.

E suas influências como instrumentista, como contrabaixista? Há diversas escolas mais conhecidas do baixo, do elétrico ao acústico.
Escuto muito pouco baixo e contrabaixo, ouço bem mais todos os outros instrumentos. Não sou particularmente ligado ao contrabaixo (risos). É paradoxal, mas ao contrário, não posso dizer que meu mestre foi fulano, foi sicrano. Não posso dizer que fui influenciado por Ray Brown ou Paul Chambers. Nunca fui prisioneiro de um instrumento. Mas é claro que posso apontar um mestre, na pessoa de François Rabbath, porque foi um músico que preconizou uma abertura do seu instrumento. Ouvi muita guitarra, saxofone, flauta, todo tipo de instrumento. A linguagem de Jaco Pastorius, evidentemente, me marcou, ouvi muito.

O sr. fala de uma ligação natural entre Ocidente e Oriente nas notas de seu novo disco Méditerranée?
Segundo historiadores, os movimentos populacionais sempre foram, na maior parte do tempo, do Leste para o Oeste. Por exemplo: da Europa para a América. Penso que meu disco propõe um encontro natural entre Ocidente e Oriente. Claro, predomina o Ocidente, porque é minha origem. Na guitarra, por exemplo. É óbvio que há diferenças, mas eu busco o que há de comum, essencialmente. Adoro procurar isso. Eu creio que o contrabaixo, que eu toco, permite muito bem essa interação. Trata-se de tentar esquecer de um e de outro e tornar tudo simples.

RAY BRYANT (1931 / 2-6-2011)

05 junho 2011

Foi-se mais um grande pianista de Jazz, conhecido como “um tradicionalista moderno”, pela maneira como que interpretava os “blues”.

Ray Bryant contava 80 anos e construiu uma carreira sólida , firmada numa espetacular discografia como solista e acompanhando grandes intérpretes músicos e cantores. Segundo as noticias, Bryant sucumbiu após uma longa luta contra pertinaz doença.

RIP

O “Jazz em preto e branco”

02 junho 2011


Toda arte trás em seu bojo o “espírito popular” que a origina e, nisso, as considerações, de caráter social, religioso e econômico, predominantes nas épocas pelas quais atravessa. Assim sendo, o jazz como sendo a única arte genuinamente popular norte-americana, não poderia fugir a isso, onde a tristeza advinda do “blues”, cantado pelo negro trazido como submisso para uma sociedade mandatária branca, sofreria dos aspectos competitivos dessa influencia política e social dominantes. Tanto socialmente em si, como em seus aspectos de execução, divulgação e, pelas próprias situações econômicas de vida atravessadas pelos Estados Unidos da América do Norte, influenciaram o jazz onde o mesmo se originou como arte.
Da antiga Nova Orleans, através das passagens mais características por Chicago, Cidade do Kansas e, às modernas Nova York e a São Francisco, o jazz sofreu tratamentos de estilos, considerações de elevação social e de natureza dos participantes executantes, em seus primordiais 70 anos de (1900 a 1970), influenciado pelas desigualdades de natureza sócio-econômicas, que vieram a se tornar mais amenas em relação à discriminação do negro e sua elevação no “status” social, ocorrida somente à partir dos anos 70 e 80 do século passado.
Com isso, para todo Louis Armstrong far-se-ia surgir um Bix Beiderbecke ou, mesmo para todo Charlie Parker ir-se-ia incentivar um Art Pepper. Como a originalidade da arte do jazz é negra, a competitividade branca se fazia notar a cada movimento, mesmo quando – marcantemente – Benny Goodman teve a “ousadia” de, nos anos 30, colocar Teddy Wilson a seu lado como pianista, no mesmo palco. As barreiras da exeqüibilidade pública conjunta poderiam estar quebradas, mas o sentimento racista - de ambas as partes – não funcionava, comercialmente, dessa forma. Portanto, numa loja de discos em Chicago que você entrasse, nos anos 60, para comprar um disco da banda de Count Basie era, mais que provável, que lá não encontrasse nada da banda de Woody Herman – e, ao contrário em uma outra loja. Hoje, após mais de meio século decorrido, graças ao progresso humano, as situações arraigadas se modificaram, em benefício da arte e, de todos nós. Abaixo uma cena conhecida, de caráter naturalmente jocoso, entre os dois grandes bateristas, de saudosa memó-ria, Max Roach e Shelly Manne, que “subliminarmente” ilustram as suas proeminências não só instrumentais mas também raciais, em um simulado duelo de esgrima com baquetas, quando em 1953 ambos atuaram no “Lighthouse Cafe” de Hermosa Beach, na Califórnia (USA).

BELA NOTÍCIA

01 junho 2011

Chega a nós a notícia de que nem tudo está - totalmente - perdido! Há uma luz no fim do tenebroso túnel que é a noite carioca no que diz respeito a programações que tragam ao coração música que o revigore e não o comprometa. Assim é que vai rolar um novo lugar, segundo o aviso recebido, que transcrevo abaixo:

Depois do sucesso da pré-estréia, está sendo lançado oficialmemte na sexta e no sábado, 3 e 4 de junho, o projeto Bossa, Jazz e Muito Mais, no Vizta.

Este é um projeto pensado para quem gosta de ouvir música ao vivo num ambiente muito especial, neste caso, com vista para a praia do Leblon...

Às sextas e sábados o Restaurante Vizta, no Hotel Marina Palace, vai se transformar no mais novo point de música ao vivo do Rio.

Atualmente todo mundo está vendo e ouvindo muita música na internet... Mas nada se compara à experiência da música ao vivo que acontece na sua frente e que nunca mais vai se repetir daquela maneira, principalmente se estamos falando de jazz, samba-jazz e bossa nova, com muito improviso e muito balanço. Para ter essa sensação não existe outro jeito: você tem que estar lá, naquele lugar e naquela hora.

Na sexta, 3 de junho, a Companhia Estadual de Jazz (CEJ) vai contar com a participação especial do trompetista Guilherme Dias Gomes.

No sábado, dia 4, o grupo Conexão Rio se apresenta com dois convidados especiais: Vittor Santos (trombone) e José Carlos Bigorna (sax e flauta).

* Companhia Estadual de Jazz (CEJ) - Sergio Fayne (piano), Fernando Clark (guitarra), Chico Pessanha (bateria) e Reinaldo (contrabaixo).

* Conexão Rio - André Cechinel (piano), Fernando Clark (guitarra), Fernando Barroso (baixo), João Franzen (sax alto) e Paulo Diniz (bateria).

Bossa Jazz e Muito Mais
Hotel Marina Palace – Restaurante Vizta (Av. Delfim Moreira, 630 - Leblon – Rio de Janeiro)
Preço: R$ 25,00 (couvert artístico)
Horário: a partir de 21h30
Reservas: 2172-1089

RAYNALDO VOLTA A ATACAR COM ARTE

Recebemos de presente do nosso mais famoso colaborador, dublê de contrabaixista, humorista e grande boa-praça - e eterno sacaneado pelos demais Cassetas, por conta de sua paixão pelo jazz -, RayNaldo, a série de charges que fez do "famoso crítico internacional" Leonard Plume e seu delicioso diário (em referência ao idem idem Leonard Feather, decano dos colunistas e comentaristas jazzísticos). Muitas delas só serão captadas integralmente pelo povo que acompanha o jazz e arredores, mas nada como dar uma ótima "pista" para os neófitos se interessarem pelo assunto.

Cliquem nas imagens para ampliá-las e assim poderem se esbaldar com a magnífica série, publicada anteriormente no Segundo Caderno do jornal O Globo.

HOJE É DIA

Quarta, dia 1º de Junho de 2011 - Baixada Jazz Big Band na Sala Municipal Baden Powell.
Às 8 da noite. Ingresso 30,00 / 15,00
Cada dia melhor!