Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

GRANDE A NOITE DE ONTEM

30 setembro 2005

Aguardem a resenha. Que em nada deverá ser diferente do que ouvimos ontem, numa quase reedição do clima "Beco das Garrafas", do passado musical histórico desta cidade.

Aliás, depois da extraordinária interpretação de Haroldo Mauro e seus acólitos para o "Samba do Avião", acho e declaro, mais uma vez, que esse tema deveria ser o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro. Quem não pôde aparecer lá não tem idéia do que perdeu.

JOBIM - JAZZ

28 setembro 2005

Nota do Antonio Carlos Miguel na sua coluna Sonar no Globo de ontem ( 27/09); A série Chivas Lounge, que acontece toda a última quinta - feira do mês no Mistura Fina, vai homenagear Antonio Carlos Jobim no show do trio do pianista Haroldo Mauro Jr. - esta quinta feira, a partir das 21h.

XXIV CONCERTO CHIVAS LOUNGE - HAROLDO MAURO JR.

Na próxima quinta-feira, dia 29 de setembro, o CJUB e CHIVAS REGAL, apresentarão o 24o. Concerto da série Chivas Lounge dedicado integralmente a temas de TOM JOBIM, em surpreendentes improvisações jazzísticas pelo pianista HAROLDO MAURO JR., acompanhado por SERGIO
BARROZO
, no contrabaixo acústico e RAFAEL BARATA, na bateria.

HAROLDO MAURO JR.é um pianista com experiencia consagradora. Tocou com Edison Machado, Victor Assis Brasil e Marcos Valle. Nos vinte anos que viveu nos EUA, tocou com Joe Lovano, Slide Hampton e muitos outros. Apresentou-se em espaços importantes como o Blue Note e Village Gate, para citar apenas alguns. É sua estréia em espetáculos produzidos pelo CJUB e sua escolha para relembrar Tom Jobim foi feita com critério, levando-se em consideração sua enorme afinidade com a obra desse mestre da música brasileira.

SERGIO BARROZO, um contrabaixista consagrado no meio musical, principalmente por seu trabalho junto aos grandes nomes da bossa nova e do jazz. Em sua carreira tocou com os músicos mais expressivos como: Elis Regina, Edison Machado, Vinicius de Moraes, Dom Salvador e com artistas
internacionais como Michel Legrand, Laura Figy e Sarah Vaughn.

RAFAEL BARATA é um fenomeno que desponta na bateria. Sua criatividade e improvisação o faz um dos músicos mais requisitados para projetos jazzisticos atualmente. Rafael foi eleito pelos membros do CJUB como "revelação do ano de 2004".

Dentre os temas que serão apresentados, destacamos:

- Ela É Carioca
- Sabiá
- Esse Seu Olhar
- Lamento
- Só Tinha Que Ser Com Você
- Outra Vez
- Mojave
- Brigas Nunca Mais
- Samba De Uma Nota Só
- Caminhos Cruzados
- Você Vai Ver
- Amor Em Paz
- Samba Do Avião
- Por Causa De Você
- Chega De Saudade
- Garota De Ipanema
- Desafinado
- Águas De Março

A experiência internacional de Haroldo Mauro Jr., aliada à qualidade de seus acompanhantes permitem-nos afirmar que será uma excelente oportunidade de escutar algumas das obras-primas da vasta e sofisticada obra do Maestro Jobim, interpretada bem dentro do idioma jazzístico.


Serviço:

* Local: MISTURA FINA - Lagoa - Tel. 2537-2844
* Data: 29 de Setembro de 2005
* Hora: 21 horas
* Custo do Ingresso: R$20
* Ingressos Antecipados no Site: www.ticketronics.com.br

- Como é habitual, no intervalo entre os sets serão sorteadas entre os presentes 2 garrafas do uísque Chivas Regal, do nosso patrocinador Pernod-Ricard do Brasil.

O JAZZ TRADICIONAL DO SANTA ROSA

Atendendo à gentil convocação do Armando de Aguinaga, estive na última segunda-feira em seu restaurante e bar, o Santa Rosa, para conferir a programação jazzística que rola todas as segundas feiras. Atraiu-me, sobremodo, a possibilidade de ver tocar a músicos da velha guarda, de quem ouvia falar sempre mas que ainda não tivera a oportunidade de escutar pessoalmente, tais como os saxofonistas-tenores Aurino Ferreira (um dos favoritos do Mestre Raf) e Macaé, que lá se apresentam. E que, junto ao falecido Juarez, formavam no passado uma imbatível tríade de tenoristas na cena musical carioca. Infelizmente, por motivos particulares, fiquei bem menos tempo do que gostaria.

O grupo, liderado pelo tecladista Paulo Sá (que durante anos e obstinadamente manteve a banda tocando em seu ex-restaurante no Centro), traz José Santa-Roza no contrabaixo e o baterista Fernando Pereira completando a seção rítmica; além dos dois tenores mencionados, conta com participações especiais do trombonista (amador, porém de boas idéias) Fritz Meyer, do trompetista Alex Andrade (ainda firme e criativo aos oitenta e alguns) e mais alguns outros músicos que por lá aparecem para tocar com os amigos.

Fiquei, de fato, entusiasmado com a vitalidade e "saúde" do veterano Aurino, que aos 68 anos, sopra como se um rapazola fosse. Com preferência pessoal pelas baladas, sua interpretação de "Moonlight in Vermont", logo na abertura dos trabalhos, demonstrou que ali estava um senhor saxofonista. Com sua emissão limpa e fluida a serviço de boas idéias, fez a casa pequena e aconchegante desmanchar-se em aplausos à sua atuação.

Macaé, com o solo principal no tema seguinte, mostrou sua inclinação para o "hard-bop", em levada mais ousada. Com uma experiência notável, fruto de longos anos no métier, seu sopro é claro e firme, cheio de vitalidade e entusiasmo, mas andou se encrencando ao final de intrincado solo mas recuperou-se bem, terminando sob os aplausos dos presentes. É um músico cujo dinamismo se reflete nos demais, empurrando o todo à frente com seu vigor. Não foi poupado, porém, da gozação do eterno "cafajeste" Mariozinho de Oliveira, pelo seu arroubo juvenil. Também na platéia, Estevão Hermann sancionava a qualidade do jazz ali mostrado.

De modo geral, o repertório pretendido é composto de "standards", baladas em sua maioria e inclui ainda antigos sucessos do "ragtime", o que costuma agradar bastante aos assistentes.

Ainda a notar, uma pequena participação do gaitista holandês e discípulo de Toots Thielemans, Tim "Harmony" Wervaars - um solista inveterado, que com sua harmônica, vive em busca de ótimos coadjuvantes para embasar sua arte - que apresentou-se num único tema, recebendo bom reconhecimento dos presentes. Mas que em seguida retirou-se, pois tinha outros compromissos a cumprir com sua gaita.

De modo geral, é um bom programa, e tende a ser mais freqüentado, principalmente por aqueles que apreciam as vertentes menos "hard" do jazz. A casa está bem montada, os donos estão ao sempre ao alcance dos clientes e parecem preocupar-se com o bem estar destes. O projeto jazzístico e a acústica são bons e vão, a meu ver, ganhar adeptos além dos já "regulars".

Vale uma visita mais demorada.

Serviço:
Santa Rosa
Rua Paul Redfern, 41 - Ipanema
Tel. para reservas (recomendável, a casa é pequena): 2512.2640

ANIVERSARIANTE DO DIA: DAVID BENECHIS, O BENÉ-X

27 setembro 2005

Hoje nosso guerrilheiro e palestino de plantão está completando mais um ano de bons serviços prestados a todos os seus amigos. Dono das gentilezas certas e de espírito comum ímpar de que todos já tivemos alguma amostra um dia, nosso Bené-X sabe como estar presente nos momentos importantes de cada um de seus muitos companheiros.

Agora é a hora de retribuir-lhe com muitos parabéns pela data de hoje. E assim homenageá-lo, neste ano de muita importância para ele e a Adriana pelo grande presente que já recebeu, o herdeiro Andrézinho.

Saúde e felicidades, bom David, ad libitum!

Obs.: e este foi o cartão de "Felices Cumpleaños" que o cara ganhou... Não é propriamente jazz, mas tem algum swing.

GARGALHADAS SURDAS DE FELICIDADE

18 setembro 2005

Sei que nosso Sazz está preparando uma resenha completa sobre o excerto carioca do Festival TUDO É JAZZ, que vem acontecendo no Mistura Fina, uma redução do festival do mesmo nome que ocorreu em Ouro Preto. Mas não agüentarei esperar até lá, por conta do estado de graça/choque em que me encontro desde ontem. Bem que a Norma Curi nos avisou em seu artigo, bem ao lado da coluna extra (onde resenha o Fest. de Ouro Preto) que o Mestre LOC publicou ontem no JB. Mas a surpresa foi muito grande, além da expectativa!

Não ficava assim desde as apresentações do pianista francês Jean-Michel Pilc num festival há alguns anos, e a de David Feldman em março deste ano, no mesmo MF, quando apresentou, em produção do CJUB sua interpretação do som do Beco das Garrafas.

Se em breve estarei listando aqui uma pesquisa que fiz sobre quem vai ser destaque provável no futuro panorama jazzístico mundial, ontem tive a oportunidade de ouvir dois dos moleques geniais que estão nessa lista.

Com 20 e 17 anos, o pianista Taylor Eigsti e o guitarrista Julian Lage são capazes de fazer a alma gargalhar. Em abril passado, contei aqui que o Feldman nos havia feito rir a todos com sua energia criativa e técnica impecável. Ontem eu gargalhava surdamente, batia na minha própria cara e beliscava minha barriga, pleno de felicidade, qual um deputado do PT recebendo um habeas-corpus para adiar a defenestração iminente.

Imaginem dois músicos completos, sem nenhum interesse em competir mas sim de se complementar, cheios de idéias geniais e de uma energia criativa devastadora, laborando para apresentar o seu melhor para um povo sabidamente musical e receptivo.

Esse era o cenário da noite de ontem. E foi exatamente isso o que nos deram: uma completa e perfeita aula de musicalidade, numa torrente alternada de alegria e de paixão pela improvisação onde a fabulosa técnica de ambos, adquirida desde suas infâncias, serviu apenas como veículo para suas sensibilidades exacerbadas e colaborativas. O resultado é devastador, pois ali naquele palco e por decorrencia, naquela sala, parece que nada mais importa.

Se Lage já está nos últimos dois discos de Gary Burton, inclusive com várias de suas composições sendo tocadas pelo grupo, Eigsti lança seu primeiro CD em fevereiro próximo, com ninguém menos do que Julian, Christian McBride e Lewis Nash, entre outros, na formação. É para comprar tudo o que esses meninos produzirem então estou reservando o meu agora: alô, Flávio Raffaelli, bota meu nome na lista de espera!

Pois é, amigos, este é meu testemunho. Estou ainda em choque, pois há muito tempo não via semelhante simbiose a serviço do jazz. Se esse é um exemplo do futuro que nos aguarda, podemos dormir tranqüilos. Os garotos foram simplesmente assombrosos, espantosos, monumentais.

P.S.: A reverência com que se referiram ao Maestro Tom Jobim e a interpretação com que nos brindaram no bis, de "Retrato em Branco e Preto", sem deixar fugir uma nota ou nuance de andamento sequer, já estão na lista das "10 Coisas Mais Lindas" que eu já ouvi. E nem ousaram qualquer tipo de improviso. Foi a partitura limpa. E só.

TIERNEY SUTTON. Enfim, ao vivo (@@@@1/2)

15 setembro 2005


Formada em literatura na Universidade de Boston – graduou-se em idioma russo também – Tierney Sutton (Wisconsin, 1963) sempre esteve ligada ao jazz, como ardorosa fã de Ella Fitzgerald. Alguns meses na Berklee foram suficientes para o surgimento da cantora, hoje uma unanimidade entre os críticos norte-americanos. Desde 94 em Los Angeles, Tierney responde pela cadeira de “jazz vocal” na USC. O primeiro CD, em 98 -“Introducing Tierney Sutton”, recebeu ótimas cotações, seguido por “Unsung Heroes”, onde trouxe versões criativas para alguns clássicos do jazz instrumental, sob forte influência de seu pianista e arranjador, o francês Christian Jacob. “Blue In Green”, uma homenagem a Bill Evans, apenas confirmou seu talento. Ano passado, com um CD inspirado na música de Frank Sinatra , Tierney foi considerada a melhor vocalista de jazz, segundo a Jazzweek Magazine. Entre as cantoras em “ascensão”, ficou em 2º lugar via “critics poll” (57 votos) na Down Beat. E agora em agosto realizou seu maior sonho: um CD ao vivo. I’m With The Band”(Telarc) é a prova final. Tirney Sutton está entre as melhores vozes do jazz, valendo-se muito do entrosamento com seu trio, comandado por Jacob - "Christian Jacob is touched by the souls of Bill Evans and Keith Jarrett" (Jazz Times).
Se a essência do jazz está no improviso e na harmonia, “I’m With The Band” é um produto honesto e super bem acabado. Tierney, quando não uma “scat singer”, consegue tranformar standards – alguns até surrados –em momentos empolgantes. Christian Jacob, pianista e side-arranger, é um mestre em harmonias intrincadas e surpreendentes, coadjuvado pelos ótimos baixistas Trey Henry e Kevin Axt, além de seu fiel baterista Ray Brinker. Ao todo são 16 temas, distribuídos em mais de 60 minutos, muito bem expostos pelo engenheiro Robert Friedrich, um craque por sinal. O repertório passeia entre clássicos como “Softly As In A Morning Sunrise” (Hammerstein/Romberg), “S’Wonderful” (Gershwin), “Cheek To Cheek” e “Let’s Face The Music And Dance” (Berlin), “The Lady Is a Tramp” e outros standards de Richard Rodgers. O clima de “refreshing” elegantemente criado pelo grupo é o ponto alto do CD.
I’m With The Band” é um CD imprescindível no momento em que o rótulo “jazz” se confunde entre cantoras basicamente alinhadas ao “pop”. Tierney é uma exceção, gratíssima aliás. Assino em baixo.

PS. Discografia e cotações (AMG).
(1998)- Introducing Tierney Sutton @@@@1/2
(2000)- Unsung Heroes @@@@
(2001)- Blue In Green @@@@1/2
(2002)- Something Cool @@@@
(2004)- Dancing In The Dark @@@@
(2005)- I'm With The Band @@@@

PAU BRASIL

13 setembro 2005

Um dos mais importantes grupos instrumentais de São Paulo, o PAU BRASIL acaba de lançar seu mais novo cd chamado ' 2005, agora pela Biscoito Fino a gravadora da "hora".
Grupo hibrido de formação difusa, multifacetada e inter temporal, como definido no proprio encarte e que nos deixa uma grata e agradável sensação sonora.
A formação atual do quinteto conta com seu maestro e um dos fundadores Nelson Ayres no piano, teclados e arranjos; Rodolfo Stroeter baixos acústico e eletrico e produção; Teco Cardoso sax alto, soprano e flautas; Paulo Bellinati violões e na bateria Ricardo Mosca.
No trabalho são apresentados apenas 8 temas, sendo 4 da propria cêpa. Abrindo o cd com "Jongo" do Bellinati, tema bastante sincopado dando a exata idéia de integração e improviso dos musicos. A seguir "Bye Bye Brasil" (R. Menescal e Chico) com um arranjo bastante sutil para esse classico bossa novista, destacando se principalmente os teclados de Ayres e sopros do Teco.
A terceira faixa é mais uma do P.Bellinati chamada "Pulo do Gato" onde o ponto alto são os solos e improvisos dos violões, e do piano em duo com o sax soprano.
Na sequencia uma balada " Ciranda" do R.Stroeter para refrescar a pressão e dando o clima de São Paulo, qual seja; garôa e céu cinzento.
Após a chuva nada como um samba jazz baião "Fogo no Baile" (N.Ayres), misturando todos os ritmos em uma salada bem brasileira mas com muito tempêro.
As próximas 2 faixas são as "Bachianas n.5" (Villa Lobos) com interpretações distintas e arranjos bem originais, um lento e outro veloz.
E para terminar o maior tema do cd com mais de 10 minutos na "Baixa do Sapateiro" (Ary Barroso) numa onda totalmente jazzística.

Enfim um cd @@@ para saudar a boa e velha musica instrumental, que continua sem ser tocada nas radios brasileiras infelizmente.

ARREPIOS E EMOÇÃO COM BLAS RIVERA E GRUPO

03 setembro 2005

Se eu brincava, escrevendo nos posts que antecederam a noite da última quinta-feira, que ela tinha tudo para ser arrepiante, no sentido benévolo da palavra, não imaginei o quanto isso poderia representar, como representou, em termos de emoção, um dos belos sentimentos com que fomos "vitimados" por Blas Rivera e seus companheiros de palco.

Quando os cabelos de meus braços se levantaram pela segunda vez - que a primeira bem poderia ter sido causada pela boca de ar refrigerado que jorrava, eficiente, sobre nós - entendi a mágica que estava acontecendo ali e percebi que a ótima platéia também estava sendo dominada por sensação semelhante. A integração dos espíritos iniciada no palco pelos quatro performers - a direção segura de Blas foi pontuada pela arte de seus parceiros, em rígido esquema de timing que deu qualidade ao grau de concatenação ritmico-melódica do todo - rapidamente se espraiou pelo público, que percebeu logo que seria brindado com uma qualificada rendição dos momentos trágico-lírico-recompensadores que caracterizam a obra de Piazolla. E que, para não perder um momento sequer, devolveu aos artistas silêncio e atenção absoluta, para só ao término das músicas extravasar em aplausos calorosos.

O argentino - hoje cidadão internacional, tendo morado, estudado e trabalhado nos Estados Unidos da América, no Brasil e agora, na Espanha (Madrid) - Blas Rivera, dono de veia humorística muito fina, calcada em ironias e com um tempo perfeito nas boutades, conquistou o público de vez, logo ao apresentar o segundo tema. Contando uma passagem da vida de Piazolla, ocorrida há muito tempo, em Buenos Aires, quando tocava numa casa chamada Michelangelo e onde, a cada intervalo silencioso, ouvia-se lá do fundo um grito de "Filho da P...!". Ao fim do set, "calma e educadamente, como se espera de um argentino", Piazolla teria largado o bandoneón no palco e partido para o autor dos xingamentos para quebrar-lhe a cara e tendo interpelando o xingador, ouviu, mais uma vez a frase, "Filho da puta..., toca como um deus!", dita por ninguém menos do que Vinícius de Moraes, que se tornava ali o grande admirador que virou de Astor Piazolla. Foi assim que Blas introduziu o tema "Michelangelo", ao fim do qual foi saudado com diversos gritos de "filho da puta!", por parte da platéia, já ali totalmente íntima, cativada. Estava forjada a sinergia artista-platéia tão prezada por esses, capaz de transformar uma simples apresentação em evento memorável.

Seu timbre cheio e elegante no tenor e sua boa técnica na emissão - que fluiu eficiente, notadamente nos pianissimos - fez de seus trabalhos na palheta (onde alguns puderam perceber pontos de contato com Gato Barbieri, o mais famoso tenorista argentino e de quem, possivelmente, Blas possa ter buscado influências) o complemento à sua emoção, tudo facilmente transponível à platéia, que o consagrou.

Marcantes também foram as participações dos coadjuvantes a Rivera. Ana de Oliveira, única mulher no palco, a "spalla" da Orquestra Sinfônica Brasileira, que acompanha Blas há algum tempo em suas apresentações, mostrou toda sua técnica e ritmo precisos, não apenas nas entradas em uníssono com o bandoneón, mas também nas oportunidades de que dispôs para seus curtos solos. Arrepiou-me, especialmente, quando executou alguns compassos utilizando-se das "cordas duplas" na abertura de "Adios Nonino", já ao final do segundo set. Com uma ótima presença musical e cênica, Ana enriqueceu o concerto com sua graça e seu profissionalismo, denotado pela concentração visível e por seus parcos sorrisos, estes reservados aos momentos dos aplausos.

O jovem Renato Hanriot, de 24 anos (que não se entende ainda como foi arranjar um professor de bandoneón argentino em plena Belo Horizonte), mostrou-se perfeitamente adaptado ao conjunto e produziu todos os sons que os aficionados por Astor Piazolla conhecem e esperam ouvir quando das apresentações de suas composições. Em outras músicas, cuja temática remete ao tango, Renato também está confortavemente instalado, pois já incorporou devidamente o "espírito" porteño. Embora com parcas oportunidades de desenvolver seu inegável talento em solos, vez que a rigidez piazolliana nos andamentos e a própria tematica intensa de suas peças pouco espaço dá a fugas da linha principal, Hanriot demonstrou ter um grande futuro musical pela frente, tendo composto com Ana e o pianista Marcos Nimrichter, um grupo de suporte sem rasuras à arte de Rivera.

Nimrichter, o niterioense encarregado do piano, por sua vez, vem fazendo de sua técnica e desempenho a alavanca para a grande projeção que sua carreira vem obtendo, inclusive com apresentações no exterior junto a nomes de grosso calibre no panorama do jazz internacional, como em sua mais recente aparição, ao lado de Wynton Marsalis, entre outros, no Festival de Marciac, na França. No Mistura, pudemos ter uma boa visão do porquê disso, pois seu fraseado é fácil, seu tempo é preciso e suas intervenções em solo, mesmo pautadas, demonstraram a presença ali de um artista pronto para vôos mais e mais ambiciosos, figurando já no time dos pianistas a terem a carreira acompanhada com total interesse pelos amantes da música de qualidade.
Aqui estão capturados alguns momentos do concerto:
Uma noite como essa fica na memória por longos anos, como uma marcação de tesouro, aquele "x" em vermelho ali no mapa das coisas que gostaremos de relembrar por muito tempo, e mesmo que daqui a alguns anos não sintamos o arrepio pretérito, dele guardaremos forte lembrança pois de emoções assim a gente não se esquece.

E tudo graças à Vera Helena, o Bené-X e a esse grande argentino "filho da p***!"

Para ver e ouvir umas amostras do concerto, clique aqui 1, aqui 2, aqui 3, aqui 4 e aqui 5.

TIM JAZZ FESTIVAL SOLTA A PROGRAMAÇÃO

02 setembro 2005

Vejam abaixo a programação completa do Tim Festival 2005, na parte que concerne ao jazz, e que acontecerá no palco Tim Club, a partir das 20 hrs.:

SEXTA-FEIRA, 21/10

Bob Mintzer Big Band
Russell Malone & Benny Green
Wayne Shorter Quartet


SÁBADO, 22/10

SpokFrevo Orquestra
Enrico Rava
John Mc Laughlin: Remember Shakti


DOMINGO, 23/10

The Conga Kings
Dona Ivone Lara
Dr. John


Quando: de 21 a 23 de outubro
Local: Museu de Arte Moderna
Preços:
Tim Club - R$120

Capacidade:
Tim Club - 800 pessoas

CIGARS IN RIO - TRANSPOSIÇÃO DO SITE DA CIGAR AFICIONADO

Artigo de Suzie Nash, postado na revista online da Cigar Aficionado em 2/3/2005:

"Like a phoenix rising from the ashes of a post City of God world, the glittering metropolis of Rio de Janeiro is in the midst of a vibrant cultural awakening. The town that once dismissed tobacco as the device of ancient macumba rituals (Brazilian voodoo) is lighting up, and these days the ashes are from tobacco leaves.
With the stabilization of inflation and a wave of privatization that is persuading multinational corporations to relocate their cosmopolitan top guns to Latin America's most populous nation, cariocas, as denizens of Rio are called, are developing a keen appreciation for the finer things in life. But for the first time in history, the love of luxury is seeping beyond the bounds of aristocracy into the middle class.

"Cigar consumption is like a thermometer that measures the sophistication of Brazilian society," said Bernardo Leão, a native of Rio whose tour business caters to both domestic and international business and leisure travelers. "The number of clients seeking tabacarias and cigar cafes has increased dramatically in the last five to 10 years."

A recent visit proved the boom is in full swing. In the Centro district at the chaotic SAARA market, known for its cheap knockoffs of luxury goods manufactured in Paraguay, kiosks selling a full range of domestic and imported cigars and accessories have sprung up in the last year alone. In restaurants, umidors now occupy as prominent a place in the bar as the local top-shelf cachaca, the sugar-cane liquor coveted by locals. The highlights follow.

Tabacaria Africana is the must-see merchant that claims its place as Brazil's oldest tobacconist. In business since 1846, when Dom Pedro II ruled the Portuguese empire from his throne in Rio -- and himself became a regular client at its counters -- the store is known for the quality and breadth of its selection as well as its attentive service and significant deals. It has the feel of a classic indoor bazaar with brightly lit display windows and gleaming glass counters. Heads of state subsequent to the Portuguese king have patronized Tabacaria Africana as well; in the 1950s President Getulio Vargas stopped by weekly to purchase his favorite GGG cigars fashioned especially for him in the Bahia province north of the city, and President Juscelino Kubitschek frequently dropped in to have his lighters fixed. The store has since been renovated to climatic perfection and expanded to showcase brands from Brazil, the Canary Islands, Cuba, the Dominican Republic, Honduras, the Netherlands and Switzerland, among others. It also stocks a selection of mini-cigars, popular among locals. There's a cozy room where customers can enjoy a smoke and a cocktail or a cup of the shop's famous espresso. Be prepared to have your favorite stogie autographed as celebrity sightings are frequent.
> Tabacaria Africana, Largo do Paço, 38 (praça XV) – Centro, +55 (21) 2509-5333, www.tabacariaafricana.com


If Tabacaria Africana is Rio's original cigar merchant, then Esch Café is its archetypal cigar bistro. Established in 1994 by Edgar Esch as a place where the best food in Brazil could be enjoyed alongside the best liquor and the best cigars, Esch Café is preparing to expand its current franchise of two - in Leblon and Centro - to include a third location in Sao Paulo within the year. The café specializes in Cuban cigars and stocks a comprehensive range of brands, including Cohiba, Romeo y Julieta, Montecristo, Partagas, Bolivar, Punch, Hoyo de Monterrey, Saint Luis Rey, H. Upmann, Ramon Allones, Rey del Mundo, Vegas Robaina, San Cristobal de la Habana, Juan Lopez, and Fonseca. They also sell Brazilian smokes such as the Dona Flor and Alonso Menendez brands. Regular jazz performances enhance the bustling atmosphere, and a walk-in humidor accommodates up to six guests. Staff members trained by tobacconists in Panama, Cuba and Honduras accommodate clients' requests for hand-rolled cigars; and manager Mariana Souza de Lima acknowledges that the majority of customers prefer a robusto in keeping with the Brazilian appetite for intense experiences.
> Esch Café, Rua Dias Ferreira, 78A, Leblon, +55 (21) 2512-5651, www.eschcafe.com.br

The clearest sign yet that the city has truly embraced cigar culture is that its biggest churrasco (steak) Porcão, has signed a deal with cigarmaker El Puro to develop an aggressive cigar-selling program to supplement its already booming bar and restaurant business among corporate and leisure clientele. Each of its five locations offers a selection of more than 40 labels. The company has designed intimate bar spaces, set apart from the din of the meat-wielding waiters and their clamoring customers for which the churrascaria is known, that seductively merchandise high-end liquor alongside high-end tobacco. The wine list is meticulously maintained by renowned local sommelier Paulo Nicolay, and sumptuous leather chairs, live music and soft lighting make it difficult for customers to leave.
> Porcao Rio's, Av. Infante Dom Henrique, s/numero, Aterro do Flamengo, +55 (21) 3461-9020, www.porcao.com.br

At an exchange rate that is holding steady at roughly 2.6 Brazil Reais to the U.S. dollar, even the Churchills are cheap."

MESTRE LOC: OBRIGADO POR SUA COLUNA NO JB DE HOJE

01 setembro 2005

Gosto não se discute. Ou se respeita ou se ridiculariza, mas sempre da maneira mais barulhenta possível. Assim são nossos almoços habituais das sextas-feiras, onde as novidades são quase sempre atropeladas por algumas dessas trocas de impressões sobre este ou aquele jazzista e como há algumas poucas unanimidades absolutas, nem sempre a troca de opiniões sobre as preferências pessoais são revestidas de absoluta polidez. Às vezes soam mesmo como a torcida do Fla contra a do Flu, assunto que, a propósito, é o segundo mais discutido ali, em vista do equilíbrio numérico entre estas facções.

O agradecimento ao Mestre CJUBiano-Remoto, Luiz Orlando Carneiro, no título do post diz respeito apenas à minha preferência pessoal de saxofonista-tenor, ratificada por nosso guru em suas palavras na coluna de hoje do "B", abaixo transcrita, não só por impecável, "as always", como esclarecedora a alguns outros espíritos. Em tempo, vale notar que a coluna voltou a crescer em termos de espaço, sendo a única para referência exclusivamente jazzística na imprensa do do Rio de Janeiro:


"No meio do saxofone tem um vulcão

Se Sonny Rollins tivesse desaparecido do mundo do jazz antes de chegar aos 30 anos, já teria deixado registrada, em cinco LPs (hoje disponíveis em CDs remasterizados), a obra que dele fez o maior saxofonista tenor de todos os tempos e um improvisador tão genial e influente como Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Lester Young, Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Entre maio de 1956 e novembro de 1957, Rollins gravou Tenor Madness, Saxophone Colossus (Prestige), Way Out West (Contemporary), Newk's Time e os dois volumes de Night at the Village Vanguard (Blue Note).

Como a forma de perpetuação por excelência do jazz ainda é o disco, Sonny "Newk" Rollins não precisava ter gravado mais nada para ser consagrado como "chefe de escola" e chamado de "colosso do saxofone". Mesmo assim, depois de seu misterioso retiro de dois anos (1959-61), voltou aos estúdios para reafirmar sua majestade em quatro álbuns antológicos, ao lado de músicos de estilos tão diversos como o guitarrista Jim Hall (The Bridge, RCA, 1962), o trompetista "free" Don Cherry (Our Man in Jazz, RCA, 1963), o patriarca Coleman Hawkins (Sonny Meets Hawkins, idem) e o baterista Elvin Jones (East Broadway Run Down, Impulse, 1966).

Rollins vai muito bem, obrigado, com agenda cheia até o fim do ano, incluindo um tour pelo Japão, em novembro. Na próxima quarta-feira, ele completa 75 anos e celebra a data com o lançamento do CD Without a Song: the 9/11 concert (Milestone 9342) - 70 minutos de música (cinco faixas) de um concerto em que lidera um quinteto com os fiéis Clifford Anderson (trombone), Bob Cranshaw (baixo elétrico) e Stephen Scott (piano), mais Perry Wilson (bateria) e Kimati Dinizulu (percussão).

Esse concerto é dramaticamente relevante, porque teve lugar no Berklee Performance Center de Boston, em 15/9/2001. Ou seja, quatro dias depois do maior atentado terrorista em série de todos os tempos (dois aviões seqüestrados por fanáticos da Al Qaeda destruíram as Torres Gêmeas de Nova York, um terceiro foi arremessado contra o Pentágono, e um quarto - que tinha como alvo a Casa Branca - explodiu no ar. Lembram-se?).

O concerto foi quase cancelado. "Newk" morava no 40º andar de um edifício a apenas seis blocos das Torres e, logo após a tragédia, o prédio foi interditado e os moradores foram evacuados. O gigante do jazz resolveu vencer o estado de choque em que se encontrava e partir para Boston - "exatamente a cidade onde embarcaram os seqüestradores dos aviões, e onde muitos passageiros/vítimas viviam", como anota Bob Blumenthal nas notas do livreto do CD.

A julgar por samples de três faixas do disco - A Nightingale Sang in Berkeley Square (10m57s), Why Was I Born? (16m14s) e Where or when (12m20s) - o velho Sonny estava tão senhor de si, intenso e magnífico no concerto de quatro anos atrás como quando se apresentou na primeira edição do Free Jazz Festival, aqui no Brasil, em 1985. Ou no falecido Jazz Workshop, lá em Boston, onde tive um dos maiores deslumbramentos de minha vida, em matéria de criatividade e técnica musicais, ao ouvi-lo, em dois sets seguidos numa noite de março de 1976.

A música inventada por Sonny Rollins, nesta sexta década de carreira, continua a brotar de seu sax tão natural e fluente como água da fonte. Ou a jorrar, tão inexorável e impactante, como lava de vulcão."

Estive no concerto mencionado de Rollins, no Free Jazz de 85. Nunca vi nada semelhante até hoje, e fui no dia seguinte para o Parque da Catacumba onde ele repetiu, ao ar livre e de graça, sua uma hora e meia de intensa energia, levando a garotada, majoritáriamente não aficionada por jazz, ao delírio, tamanha as suas intensidade e inventividade rítmicas, repassadas ao público através de seu timbre caloroso. Ainda espero poder reviver emoções tão fortes e persistentes, na área musical.

COUTINHO E BLAS NO "B" DO JB: ANTONIO TORRES

Antonio Torres é um escritor que faz da simplicidade de seu texto um atrativo para suas três colunas semanais no Caderno B. Na publicada nesta data, dedica-o a um de nossos confrades, Arlindo Coutinho e menciona o concerto de hoje no Mistura, com Blas Rivera tributando a Astor Piazolla. Segue a transcrição:


"História de bons vizinhos

Primeiro, imagine o que é viver sob um teto que trepida o tempo todo. Ora é o lançamento de pesados objetos que estrondam, dando a impressão de que o prédio está desabando; ora são outros impactos: uma criança pulando com um cachorro; adultos arrastando móveis; adolescentes disputando campeonatos de boxe, de luta livre e de futebol ou promovendo baile funk, como se não bastassem as estridências que vêm do morro. Quem mora nas proximidades de um sabe quais são os níveis dos decibéis das suas guerras. Enlouquecedores.
Você interfona para a portaria. Chama o síndico. Pede providências em relação aos intrépidos moradores do andar de cima. E ganha uns 15 minutos de trégua. Depois, os ruídos infernais recomeçam. Neste modus vivendi trepidante, só lhe restará sonhar acordado com uma ilha deserta, uma casa no campo ou na merencória e silente Lua!

Agora, imagine um vizinho com quem você se entende por música. Já tive um assim, porta a porta, até o dia em que o almirante Saboya, então ministro da Marinha, pediu-lhe o apartamento, de que era o proprietário. Precisava dele para um filho, o tenente Rodolfo, que ia se casar. A notícia deixou os meus muito tristes. Por perderem o convívio diário da Carmem, pois viviam brincando com ela. O menor dos dois meninos, ao ser vencido pelo cansaço, costumava estirar-se num sofá. Então Marcela, a boa mãe da sua amiguinha, trazia-lhe um travesseirinho, no qual ele encostava a cabeça e adormecia ao som do jazz de Arlindo Coutinho, o personagem central desta história. Não por acaso, aquele garoto, chamado Tiago, ao crescer iria se tornar um músico profissional.

Os do planeta musical, como Luiz Orlando Carneiro, Tárik de Souza, Luís Pimentel, Antônio Carlos Miguel e Arthur da Távola, se por ventura estiverem lendo estas linhas, já ligaram o nome à pessoa. A do ex-gerente de música clássica e jazzística na Sony - hoje seu consultor -, e que teve um programa semanal na Rádio Globo FM, o Jazz mais jazz.

Mas confesso: ele se tornou o melhor vizinho do mundo ao me dizer que não gostava de Miles Davis. Seu trompetista preferido era (e deve continuar sendo) Dizzy Gillespie. Não, não polemizei sobre o assunto. Aceitei como uma bênção todos os discos do Miles que Arlindo Coutinho me repassou no ato. E dizendo-lhe, em agradecimento: "É verdade. O Dizzy foi um gigante!" (subtexto: "Venha daí tudo o que você tem do senhor Todos os Trompetes Havidos e a Haver Davis").

Dia destes ele me enviou uma raridade. Uma cópia do CD "The Sheriff", em que o Modern Jazz Quartet interpreta magistralmente dois sucessos brasileiros que encantam o mundo: as Bachianas nº 5, de Villa-Lobos, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria.

O presente chegou com um convite que repasso ao distinto público: esta noite, às 21h30, no Mistura Fina, na Lagoa, Arlindo Coutinho estará animando um tributo a Astor Piazzolla. Em cena, o saxofonista argentino Blas Rivera. Outra bênção para ouvidos massacrados por tanto barulho."