Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho)*in memoriam*; David Benechis (Mestre Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) *in memoriam*, Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) *in memoriam*, Ivan Monteiro (Mestre I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels)*in memoriam*,, Pedro Cardoso (o Apóstolo)*in memoriam*, Carlos Augusto Tibau (Tibau), Flavio Raffaelli (Flavim), Luiz Fernando Senna (Senna) *in memoriam*, Cris Senna (Cris), Jorge Noronha (JN), Sérgio Tavares de Castro (Blue Serge), Geraldo Guimarães (Gerry).e Clerio SantAnna

TOMASZ STANKO

28 setembro 2006





Já estou para falar deste trompetista polaco há algum tempo de tão impressionado que fiquei na audição de seus últimos trabalhos - Suspended Night e Soul Things - ambos pela gravadora ECM. Simplesmente magnífico !
E parece que a química entre Tomasz Stanko e a ECM faz parte daquelas fórmulas guardadas a sete chaves, cujo encanto se reflete mais uma vez neste terceiro lançamento de Stanko pela gravadora - Lontano - acompanhado de seu trio formado pelo excelente pianista Marcin Wasilewski, o contrabaixista Slawomir Kurkiewicz e o baterista Michal Miskiewicz.

Assim como os últimos discos lançados pela ECM, as músicas deste novo trabalho são variações de um único tema, aqui o tema título - Lontano - e em cada interpretação eles desconstroem e exploram estas variações com uma sensibilidade ímpar.
A comparação de Stanko com Miles Davis é muitas vezes percebida, seja na sonoridade, no timbre além também da genialidade de ambos em descobrir jovens talentos e permitir a eles explorar todo o potencial.

Lontano não é uma extensão de Suspended Night, mas sua natural evolução. Neste último predomina muito mais a improvisação livre e o uso dos espaços determina a Stanko um estilo muito particular, abrindo uma ampla percepção ao piano de Marcin Wasilewski que provê a sustentação perfeita ao trompete de Stanko.
Lontano traz um novo horizonte, é melódico, misterioso e expressivo.

Você não irá ouvir nenhum standard neste disco, mas ouvirá uma das mais originais "vozes" do jazz na atualidade.

HISTÓRIAS DO JAZZ - 9 - DIZZY E UM "BICÃO" NO CANECÃO

26 setembro 2006


Já presenciamos cenas inacreditáveis em shows de Jazz, mas essa, acontecida no Canecão em 12 de maio de 1987 ultrapassou qualquer expectativa. Mais uma vez chegava ao Rio um grupo liderado por Dizzy Gillespie para apresentações no
Canecão em 12 e 13 de maio. Fomos a estréia com o amigo Pedro Cardoso e esposa e nos preparamos para uma "noite de Jazz". Mas, logo de início notamos que algo não estava bem. Dizzy apareceu umas duas ou tres vezes ante a platéia,como que procurando alguma coisa ou alguém. Demonstrava preocupação. O espetáculo atrasou quase uma hora e no seu início Dizzy ocupou o microfone e falou uns quinze minutos sem dizer coisa com coisa. Muitas abobrinhas para a plebe. Em seguida, a banda atacou e após um curto solo de trumpete, Dizzy sentou-se ante uma tumbadora mostrando suas habilidades de percussionista. Quem tomou conta do repertório foi James Moody, co-lider e que também usou o humor para divertir a platéia, falando em um idioma parecido com o grego antes de anunciar o que iriam tocar. Na verdade, os dois saxofonistas, Moody e Sam Rivers salvaram o lado jazzístico do show, principalmente Moody quando interpretou tocando e cantando o seu "Moody's Mood" (I'm in the mood for love). O grupo não tinha pianista,sendo o guitarrista Ed Cherry o responsável pelo chamado acompanhamento harmônico. Mas, no centro do palco estava um piano, no qual esporádicamente Dizzy usava, emitindo alguns acordes.
No intervalo pudemos observar que o público não estava satisfeito. Afinal de contas o astro era Dizzy Gillespie que não tocava o trumpete,a não ser esporàdicamente e não largava a tumbadora.
De repente, aconteceu o inusitado. Dizzy ocupa o microfone e informa que iria receber um grande músico brasileiro, pianista e cantor, que iria interpretar um de seus "sucessos". Chega ao palco um jovem, senta-se ao piano e começa a cantar uma musiqueta, dessas que fariam inveja a um Fábio Jr. Coisa horrorosa logo recebida aos gritos de "bicão, bicão, olha o bicão". Dizzy tentou equilibrar a coisa, tocando algumas "clarinadas" em "obligato" mas, como se diz agora, "A CASA CAIU".
Posteriormente ficamos sabendo que o bicão era filho ou sobrinho de uma figura do governo estadual (Secretário de Fazenda talvez),que teria "molhado a mão" de Dizzy para cometer tal impropério. Alguém disse qu seu nome era Marco Camargo.
Não sabemos ao certo. Mas,como dizem, "money is money" e para concordar com tal
"promoção" Dizzy certamente engordou sua poupança. Enfim, como ele mesmo costumava dizer: "THIS IS BRAZIL". Para quem quizer anotar eis a formação do grupo :
Dizzy Gillespie(tp)- Jamesd Moody-Sam Rivers(st)- Ed Cherry (g) - John Lee(b) e Ignacio Berroa(dm). Por enquanto é só. Depois tem mais.

DAVE HOLLAND NO MISTURA FINA

25 setembro 2006

Na sombra do festival de Ouro Preto, Dave Holland e seu quinteto aqui estiveram nas noites de sexta e sábado último.
Primeiramente visto o Kurt Elling, a ansiedade para o próximo show era mais que justa e no primeiro set de sábado estava lá ao lado do confrade Sá para testemunhar um show e tanto ... literalmente, "quebraram tudo" !!

O quinteto estava formado por Steve Nelson no vibrafone, Dave Holland no contrabaixo, Cris Potter no tenor e soprano, Robin Eubanks no trombone e Nate Smith na bateria, este último um verdadeiro trator, tocou muito !
Muito do set foi do último disco chamado Critical Mass, que pelo visto vale conferir de perto.
Quase 1 hora e meia de show e casa lotada.

E o festival continua ... a cantora Alma Thomas na quinta - quem foi ao concerto de aniversário do Gilson Peranzzetta na Cecília Meireles viu ela cantando e diz que não pode perder, e o Trio da Paz na sexta e sábado com Romero Lubambo, Nilson Matta e Duduka da Fonseca !

UFRJAZZ EM DOSE DUPLA LANÇANDO CD PAISAGENS DO RIO

21 setembro 2006

Domingo, 24/09 ao meio-dia, é dia de Música nas Estrelas, o bom projeto do Planetário da Gávea dedicado à música instrumental.
E quem se apresenta é a UFRJazz Ensemble em show de lancamento do CD Paisagens do Rio, que acaba de ser lançado pelo selo Rádio Mec como parte das comemorações dos 70 anos da rádio.
E a dose se repete no dia 27/09 também ao meio-dia e, como todo bom filho, a UFRJazz à casa torna em show no Teatro do Roxinho na Ilha do Governador.
E nos 2 eventos a entrada é franca.

A UFRJazz tem 10 anos de existência, nos quais conquistou importantes espacos como big band e como intérprete da música brasileira contemporânea. O respeito que os compositores têm pela orquestra pode ser medido pelo novo disco - Francis Hime, Guinga, Carlos Malta, Wagner Tiso, Hermeto Pascoal, Jovino Santos Neto, , entre tantos outros, fizeram composições e arranjos especialmente para o conjunto. Gilson Peranzzetta, que comemorou seus 60 anos com belo concerto com a UFRJazz na Cecília Meireles na semana passada, é outro que não cansa de elogiar a qualidade dos instrumentistas.

A UFRJazz é hoje uma orquestra composta por 5 saxofones, 4 trompetes, 4 trombones e uma base rítmica de guitarra, piano, baixo, bateria e percussão. Idealizada pelo maestro José Rua, saiu dos quadros da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vem ocupando rapidamente seu espaço profissional no jazz contemporâneo. Em seu primeiro álbum, de 1997 - Jazz na Universidade - interpretou compositores americanos contemporâneos e terminou o ano como “o melhor CD do gênero gravado por uma big band no Brasil”.
Os 10 anos do projeto foram comemorados com o disco "UFRJazz Ensemble interpreta Julio Barbosa", importante compositor e trompetista brasileiro radicado na Alemanha.
Todos os integrantes são alunos da Escola de Música da UFRJ, seja na graduação em seus instrumentos, dando aulas na própria Escola e no curso de prática de conjunto.

Então anota aí :

Dia 24/09, domingo ás 12h - Entrada Franca
Planetário da Gávea - Cúpula Carl Zeiss
Rua Vice-governador Rubens Berardo, 100 - Gávea, RJ
* Retirar senha 1 hora antes do início da apresentação

27/09, quarta-feira às 12h - Entrada Franca
Teatro do Roxinho
Campus Universitário, Ilha do Fundão

KURT ELLING NO MISTURA FINA, (ONTEM E) HOJE
NUMA PALAVRA: VÃO

Corram para ver se ainda há ingressos. Kurt Elling é "O" cantor de jazz da atualidade. Timbre(s), extensão, divisão, clareza, ritmo e o que mais se exige de um profissional de alto nível, tudo isso pôde mostrar ontem e deverá repetir hoje, ainda mais se acolhido por mais público do que a meia casa - no entanto, barulhenta e receptiva - de ontem, na Lagoa.

Kurt é uma presença rara por aqui e justificou plenamente todos os prêmios que vem recebendo há anos nos EUA, tanto os meritórios das revistas especializadas quanto os mercadológicos do Grammy. Não percam a oportunidade. Desculpem a pressa, mas foi só para avisá-los da bela arte musical e poética - ele compôs várias das letras das músicas que cantou - que Elling expôs em seu show. E se ele não cantar "Rosa" (ou seria Rosa Morena?) do Caymmi, espontaneamente, batam o pé que ele canta. Maravilhosamente.
Abraços.

OLHA O BLOG DO COUTINHO AÍ, GENTE !!!

20 setembro 2006

Paradiso FM

HISTÓRIAS DO JAZZ, 8: O "MICO" DOS SWINGLE SINGERS

Confesso que nunca fui um fã ardoroso dos "Swingle Singers". Admirava a sua habilidade na vocalização das obras de Bach e outros compositores clássicos mas não passava disso. Porisso não me animei muito quando anunciaram a vinda do grupo para apresentações em nosso Teatro Municipal nos dias 13, 14 e 17 de abril de 1971. Recebi convite e resolvi ir. Só que meu ingresso era para o dia 17, quando os "Swingle Singers" cantariam com a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Isaac Karabtchewsky, a "Sinfonia de Luciano Bério", composta especialmente para o grupo em 1969. Ao mesmo tempo a CBS lançava o LP correspondente.

Tudo começou bem, com a Sinfônica interpretando a "Flauta Mágica" de Mozart. Em seguida entraram os "Swingle Singers" e iniciaram a interpretação da Sinfonia. Logo aos primeiros compassos já notamos que surgia aos poucos um incômodo na platéia. As pessoas começaram a se mexer nas poltronas, viravam para o lado, conversavam com o vizinho, sinal de que não estavam gostando do que ouviam. Realmente era uma música complicada e a meu juizo (não sou músico), sem pé nem cabeça. Vez por outra, dentro da música, Ward Swingle mencionava o nome de alguém, incluindo o do maestro Karabtchewsky. Foram cerca de 45 minutos de tortura auditiva. A esperança era que, se houvesse um número extra, o grupo interpretasse um tema de Bach com as vocalizações que o consagraram.

Termina a Sinfonia. Aplausos convencionais e pedidos de bis, naquela ansiedade de ouvir uma "Badinerie" ou a festejada "Air on G string". Expectativa. O maestro sacode os braços e a orquestra ataca novamente tocando a parte final da Sinfonia.

A decepção foi enorme e aos poucos o público foi saindo de fininho, como se o "flautista de Hamelin" estivesse tocando a sua flauta fora do teatro. E o espetáculo chegou ao seu final com menos de meia casa.

Para quem quiser anotar, aqui está a formação do grupo:
Sopranos : Christiane Legrand e Nicole Darde; Contraltos: Claudine Menier e Helena Devos; Tenores: Ward Swingle e Joseph Naves; Baixos: José Germain e Jean Cussac. Músicos: Jacky Cavallero (b) e Roger Fugin (dm).

Por enquanto é só. Depois tem mais.
llulla

O PÁSSARO E O FALCÃO, VOANDO BAIXO: BIRD & HAWK

19 setembro 2006

Tenho poucos vídeos de jazz em casa e confesso que pouca paciência - que dirá tempo -para ficar coisa de hora e meia diante da TV ouvindo-os. E olhem que eu gosto muito de jazz. A solução que encontrei, ao pesquisar alguns grandes nomes no YouTube me parece satisfatória pois tenho conseguido conhecer coisas a que nunca tinha tido acesso. Algumas são do conhecimento de vários confrades, outras não.

O encontro abaixo de Charlie Parker, (Bird) e Coleman Hawkins, (Hawk) , interpretando, conforme o "dono do clip" Ballade (não seria Ballad?) pareceu-me portanto importante o bastante para botar aqui.

Pelo sim pelo não, vou pautar minha seleção pela minha própria experiência. Espero que este clip seja mais original do que penso. Abraços.

ANTONIO ADOLFO E CAROL SABOYA : AO VIVO

18 setembro 2006

Pai e filha em perfeita harmonia.
Esta é a receita do novo CD, Ao Vivo, gravado em outubro de 2005 na Universidade de Miami que chega nas lojas pelo selo Kuarup.
Com produção de Antonio Adolfo, este belíssimo trabalho traz além da sua filha e cantora Carol Saboya, a guitarra de Claudio Spiewak, o contrabaixo de Gabriel Vivas e a bateria de Carlomagno Araya.

Um disco que chegou as minhas mãos de forma despretensiosa e já na primeira audição proporcionou momentos de pura beleza, com releituras de grandes clássicos da nossa música, sobrando espaço para muita bossa e balanço.
Um destaque especial para Fotografia (Jobim), Canto de Ossanha (Baden/Vinicius), Sa Marina (Antonio Adolfo/Tibério Gaspar), Milagre (Dorival Caymi) e Corrida de Jangada (Edu Lobo).

Obrigatório para quem gosta de boa música !

A história contada por Antonio Adolfo : (Kuarup Discos)

"Quando começamos a elaborar o repertório e a concepção geral do show "Bossa Nova Forever", que deu origem a este disco, eu e Carol quisemos prestar um tributo à bossa nova, ao samba-jazz e àquela com quem trabalhei e tive momentos de grande felicidade trazidos pela música: Elis Regina. Quisemos também combinar tudo isso com o repertório que Carol já havia gravado em seus quatro CDs no Brasil e em dois para o Japão, além do repertório dos shows que apresentamos, principalmente no exterior.

Foram somente dois ensaios com os músicos Cláudio Spiewak (violão e guitarra), Gabriel Vivas (contrabaixo acústico) e Carlomagno Araya (bateria). No show, tocamos soltos e felizes, arriscando, sem imaginar que poderia vir a ser um disco. E isso é estimulante e distingue uma gravação feita realmente num show, ao vivo, de uma feita em estúdio.

Comecei com um improviso (Abertura), mostrando uma saudável conexão entre Rhapsody In Blue, Aquarela do Brasil e Garota de Ipanema, com citações e, acredito, surpreendendo, pois, no momento em que parece que vamos entrar com Garota de Ipanema, tocamos Você e eu, do meu mestre e padrinho Carlos Lyra (parceiro de Vinícius), com magnífico solo do guitarrista brasileiro radicado na Flórida, Cláudio Spiewak.

Em seguida, entra Carol, estalando os dedos na marcação do contratempo.

Acompanhada, na introdução, somente pelo contrabaixista venezuelano Gabriel Vivas e, depois, pouco a pouco, conforme subimos de tom, por todo o quarteto, em Fotografia, num estilo swing, como originalmente foi gravada e ficou conhecida.

Dali passamos para o folclore, com a bela Meu limão, meu limoeiro, com um arranjo baseado no que fez o Maurício Maestro para o disco Sessão Passatempo, da Carol, dirigido pelo Hermínio Bello de Carvalho combinando o tema de folclore com a suingada e cheia de charme De onde vem o baião, do Gilberto Gil, arrematada, no final, com uma citação de O cantador de Dori Caymmi e Nelson Motta.

O público parece se descontrair e, num clima introspectivo, eu e Carol começamos a apresentar Bonita, gravada com Nelson Faria no disco que ela fez para a Lumiar, produzido pelo saudoso Almir Chediak, em homenagem a Jobim, em 1998. Vou tocando a introdução com notinhas condutoras da harmonia por semitons descendentes e ascendentes, o que é uma das características das músicas do mestre Antônio Carlos Jobim. E então, em certo momento, entra todo o quarteto. Tudo bem jazzístico ali, numa total síntese bossanovista.

Vem, então, Canto de Ossanha, dos geniais parceiros Baden Powell e Vinícius de Moraes, num arranjo competente e animadíssimo assim como quem o criou, o mestre, também da bossa nova, Oscar Castro-Neves, arranjo este que havíamos apresentado um ano antes no Lincoln Center, em Nova York, num show com Carol, Oscar, Paulo Jobim e outros.

Carol, então, passa a bola pra mim, que toco ao piano, em um mesmo número, duas belas músicas que transcendem qualquer estilo, podendo pousar até mesmo na ampla linha da bossa nova, devido à riqueza de suas melodias e harmonias e a força de seus criadores: os mestres Pixinguinha e Nazareth, que compuseram respectivamente as melodias de Carinhoso e Bambino. E por falar em mestres, em seguida apresento com o quarteto uma das mais belas músicas que conheço, Insensatez, de Tom Jobim, que tem um solo de baixo entremeado de modulações de tom conduzidas pelo piano.

Novamente, Carol, no palco, canta conosco. Dessa vez, Wave, do Jobim, num arranjo meu, cujo final tirei do que fizemos para Elis para os shows de 68 e 69. Carol brinca com o público no meio do arranjo e faz scats. O público parece vibrar.

E aí vem um dos grandes momentos do show: Carol canta a cappella, em outro arranjo de Maurício Maestro, extraído do disco Sessão passatempo, a lindíssima Passarim, e emenda com a não menos linda Chovendo na roseira, ambas do mestre Antonio Carlos Jobim.

Uma interpretação de Sá Marina, canção já gravada por Carol no segundo disco que fez para o Japão, desta vez com um arranjo meu, um dos autores da música, com um insert no intermezzo, extraído do belo arranjo que Luiz Avellar fez pra Carol, prepara os dois últimos números do show. Milagre, uma composição lindíssima do imortal Dorival Caymmi, gravada em um dos discos de Carol lançados no Japão e, finalmente, Corrida de jangada, de Edu Lobo, num arranjo importado do que criamos e tocamos muitas vezes com a saudosíssima Elis. Muitos aplausos e muita comemoração.

Ao tomar conhecimento da gravação, resolvemos, então, registrar esse momento natural, que pintou numa noite de grande energia e alegria, sabendo, inclusive, que não tivemos os recursos de uma superprodução para gravação ao vivo, em que se grava um show por duas ou três vezes, no mínimo, e pudemos fazer um CD praticamente sem retoques (a interpretação de Carol ficou intacta, exatamente como cantou ali, na hora) e que ficará para quem quiser viajar musicalmente conosco.

Antonio Adolfo"

BUDDY RICH - VENDO E OUVINDO: PRO LLULLA (O BOM)

17 setembro 2006

Pro Mestre Llulla, depois desse belo post sobre Rich, um dos mais requisitados clips dele, em 1973, com sua orquestra executando Time Check. Atenção para a atuação destacada do naipe de saxes. Excepcional.

STEINWAY SOLO: FELDMAN NO IBAM

16 setembro 2006



Sem palavras.

HISTÓRIAS DO JAZZ, 7: O CALOR DE BUDDY RICH

15 setembro 2006

Em março de 1961, chegava ao Rio o sexteto do baterista Buddy Rich para uma única apresentação na TV Tupi, realizada no dia 3. No mesmo dia, outra performance no Copacabana Palace. Partimos para a Urca, onde encontramos na porta da emissora os amigos Cláudio Cosme Pinto e Anfilófio Rocha Melo. Felizmente não havia problemas de porteiro e chegamos ao estúdio sem nenhuma dificuldade. Os promotores do evento, que teve o patrocínio das lojas TONELUX, ao invés de uma apresentação pura e simples, resolveram inserir Buddy Rich como personagem dos "Espetáculos Tonelux", que eram estrelados pela cantora Marlene e o humorista Hamilton Ferreira. Para tanto, criaram a velha história de um milionário que contrata o grupo americano para "animar uma festinha". Nesse tempo não havia "videotape" e o programa ia para o ar "na raça".

Aí começou o drama de Rich. Já de smoking, afinou cuidadosamente os tambores da bateria e voltou para os camarins. Faltando uns dez minutos para o início da "chanchada", os refletores foram acesos e o diretor Mário Provenzano começou a dar as instruções de praxe. Qualquer coisa fez o programa atrasar e Rich ao ver toda aquela iluminação e o calor sufocante, voltou para o palco de camiseta, colarinho e gravata borboleta e reclamando que estavam querendo arrebentar o couro dos tambores, afrouxou a afinação.

De onde estávamos víamos Rich reclamar em altos brados da desorganização e da irresponsabilidade do pessoal da TV. Finalmente, foi dado o último sinal e o espetáculo começou. Ante um diálogo ridículo entre Marlene e Hamilton Ferreira, Buddy Rich esperou a deixa e "entrou com tudo" no tema de abertura ("Clap hands here comes Charlie"). Em seu solo, a impressão que tinhamos era que despejava toda a sua raiva nos tambores, mostrando entretanto uma técnica irrepreensível.
E digo mais. Dos bateristas a que assistí, inclusive Elvin Jones, Eddie Grady, Art Blakey, Jimmy Campbell e Tony Williams, entre outros, Rich foi o que mais me impressionou em termos de técnica, divisão e desenhos rítmicos.

O elenco tentava acompanhar, fazendo caras e bocas, o acelerado ritmo do sexteto, procurando mostrar que "sabiam das coisas". Mas, o "script" não foi seguido e após mais quatro números (I Remember Clifford - Caravan - Summertime e Blowin' the Blues Away), aquela edição de "Espetáculos Tonelux" terminou. Ainda sob a forte iluminação, os músicos suavam em bicas e autografavam atendendo aos fans. Rich já sem o paletó era só simpatia e convidava a todos para o show do Copacabana Palace, incluindo a garota propaganda Neyde (Perucas Lady) Aparecida. Fui procurar Morgana King para o ultimo autógrafo e fui encontrá-la escondida atrás das cortinas fugindo da forte iluminação que poderia "derreter sua maquilagem".

Na saída Cláudio Cosme Pinto e Rocha Melo comentavam o espetáculo e pediram minha opinião. Ei-la: "Achei o grupo fantástico, Rich esplendoroso e um repertório bem escolhido. Agora com o calor eles poderiam ter homenageado um compositor brasileiro, o Braguinha e tocado "Alala ô".

Para quem quiser a formação do grupo, aqui está:
Buddy Rich(dm) - Sam Most(fl) - Mike Manieri(vb) - John Moris(p) - Wyatt Ruther(b) e Morgana King(vo).

Por enquanto é só. Depois tem mais.
llulla

OUTRO PETARDO, CHARLIE "BIRD" PARKER & DIZZY GILLESPIE

Após receberem seus prêmios da Down Beat em 1951, Charlie Parker e o - dito ali - "famoso" Dizzy Gillespie, respectivamente pelo "melhor saxofonista em disco de jazz" e "melhor trompetista de todos os tempos", recebendo a palavra do Mestre de Cerimônias e perguntado se havia algo que queria dizer, Bird dispara que a música pode falar mais alto do que palavras e ato contínuo, vão para o palco e mandam bala em uma ótima Hot House.
No piano está Dick Hyman, no baixo, Sandy Block e, conduzindo a bateria de forma admirável, está Charlie Smith.
Como se disse num comentário acerca do clip, "isso é uma jóia do século 20, botem numa cápsula do tempo"! Mesmo com evidentes problemas de sincronização, é isso mesmo, uma peça rara, para mortal nenhum botar defeito.
Enjoy!

ANIVERSÁRIO DO MONSTRO ROLLINS É HOJE
E HÁ PRESENTES PARA OS JAZZÓFILOS

12 setembro 2006

Comemorando hoje o seu aniversário de 76 anos e um ano em que seu site está no ar, o vigoroso cat Sonny Rollins decidiu disponibilizar tantos vídeos de apresentações suas quantas vidas ele tem. Só durante sete dias. Quem seguir o link acima poderá ver e ouvir SR em momentos selecionados por ele. E como um gato do primeiríssimo time, declara que tem nove e não apenas sete vidas. Quem tem o hábito de ouví-lo sabe que é pura verdade.
São nove aparições que vão de 1957 até 2006, celebrando o Colosso do Saxofone: Paul's Pal, Weaver of Dreams, 52nd Street Theme, Oleo, Four, Moritat, Smoke Gets in Your Eyes, My One and Only Love e Serenade.

Abrindo com um soberbo Happy Birthday para ele mesmo, todos são sensacionais. Um must.

VER E OUVIR (MAL) JOHN COLTRANE COM WYNTON KELLY

A vida dos jazzófilos fica mais rica a cada dia, graças aos pedaços da história dessa arte que, capturados em imagens (nem sempre de boa qualidade e cujo som deixa muito a desejar, na maioria das vezes) e detidos por aficionados, agora voltam ao domínio público graças à fantástica invenção dos garotos do YouTube.

Desta vez, uma rara aparição do Coltrane tocando com Kelly, mais o contrabaixo de Paul Chambers com direito a arco e tudo (nosso BenéX, se nunca viu, vai delirar, certamente).

Com 8 minutos e colocado no ar há cerca de 2 meses, já teve 12 mil visualizações. Agora, então, vai bombar. Aumentem o som no máximo!

Abraços.