Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MESTRE LOC NO JB ONLINE: DUO KEITH JARRETT & CHARLIE HADEN, 2o. VOLUME

30 junho 2014

Republicação da sempre deliciosa coluna do Mestre LOC de sábado último, para quem não a leu o JB-Online


Duo Keith Jarrett-Charlie Haden, 2º volume

por Luiz Orlando Carneiro

"Em março de 2007, o pianista Keith Jarrett participou, como entrevistado, de um documentário sobre o contrabaixista Charlie Haden. Os dois grandes músicos aproveitaram o reencontro para tocar um pouco em duo, bem à vontade, no estúdio da casa de Jarrett, relembrando os tempos (década de 1970) em que o pianista era patrão do baixista naquele memorável American Quartet (Dewey Redman, sax tenor; Paul Motian, bateria).

O primeiro registro dessas sessões reservadas – que felizmente foram gravadas – só foi lançado pela ECM, sob o título Jasmine, em 2010, por ocasião do 65 º aniversário do virtuose do teclado. Foi o 41º item seguido da sua discografia para o selo de Manfred Eicher, desde Sun Bear Concerts, uma série de concertos (solo) no Japão, em 1976, e que rendeu uma caixa de cinco volumes.

As oito faixas de Jasmine (comentado nesta coluna em 13/6/2010) eram meditações musicais a partir de temática acessível, transferidas para as teclas do piano e as cordas do baixo acústico pela magnífica dupla. Dentre os temas, destacavam-se Body and Soul, For All You Know, No Moon at All e Where Can I Go Without You?.

Pois bem. No último dia 13, a ECM disponibilizou, nas lojas virtuais, o segundo volume daquelas sessões intimistas de março de 2007. O novo CD chama-se Last Dance, e é um pouco mais longo (74 minutos) do que Jasmine (62 minutos). Tem também uma faixa a mais do que o primeiro volume, embora haja a repetição - em takes só um pouquinho diferentes - de dois standards muito tocantes e caros a Jarrett: Where Can I Go Without You? (Victor Young/Peggy Lee) e Goodbye.

Mas quem se deliciou (e ainda se delicia) com os momentos eminentemente melódicos, de profunda reflexão, de Jasmine não pode deixar de adquirir (no todo ou em parte) a sequência daquele feliz tête-à-tête de dois músicos extraordinários que extraem de seus instrumentos, num fluir contínuo, a nota perfeita, o tom impecável.

Mas em termos de cardápio, Last Dance tem dois “pratos” especiais para os jazzófilos: uma reinvenção muito original de Round Midnight (9m30) – a célebre balada de Thelonious Monk – que leva Jarrett a aumentar o volume daqueles seus espasmos meio vocais, meio nasais, que são um misto de gozo e de aprovação; uma versão arrebatadora, bem bop, como não podia deixar de ser, daquela obra-prima de Bud Powell chamada Dance of the Infidels (4m20).

Os velhos standards do Great American Songbook que são objeto de culto da dupla neste segundo volume – além dos “retocados” acima citados – são: My Old Flame (10m15); My Ship (9m35), de Kurt Weill; It Might as Well Be Spring (11m50), de Richard Rogers; Everything Happens to Me (7m10), aquela canção lançada por Tommy Dorsey e Frank Sinatra, na década de 1940; Every Time We Say Goodbye (4m25), do eterno Cole Porter.


Como escreveu Victor Aaron, no site Something Else, é irrelevante saber se o álbum Last Dance é, realmente, a “última dança” do par Jarrett-Haden: “A importância de Last Dance, assim como de Jasmine, é que temos o souvenir de um encontro de dois velhos amigos magistrais num momento em que ambos estão ainda no topo de suas capacidades”."

"DOWN BEAT" ESCOLHE SEUS FAVORITOS DE 2014 (62nd Annual Critics Poll)

29 junho 2014


A edição de agosto da prestigiada revista de jazz "Down Beat" trará a lista dos vencedores deste ano na votação de seus críticos relacionados internacionalmente.
O Big vencedor deste ano: a relativamente nova vocalista — Cécile McLorin Salvant — foi quem ganhou o maior número de categorias, incluiu "Cantora" e "Jazz Album of the Year".

O guitarrista Jim Hall (o "poeta do violão") tornou-se parte da "Wall of Fame", juntamente com Bing Crosby e Dinah Washington.

Outros músicos que se destacam na seleção dos críticos são o saxofonista Joe Lovano e a bandleader, compositora e arranjadora Maria Schneider.
A histórica categoria “Album of the Year" foi vencida por Miles Davis com "At The Filmore Miles: Miles Davis 1970 The Bootleg Series, Vol. 3".
Gregory Porter foi batizado de "Músico do Ano" e "Melhor Vocalista Masculino".
Maria Schneider ganhou em três categorias: "Compositor do Ano", "Arranjador do Ano" e "Melhor Big Band".

Wayne Shorter vence como melhor "Grupo do Ano"
Além dos músicos citados acima, os seguintes são os que tomaram o primeiro lugar em cada uma das categorias instrumentais:

Trompete: Ambrose Akinmusire;  
Trombone: Wycliffe Gordon;
Sax soprano: Jane Ira Bloom;
Sax tenor: Kenny Garrett e Joe Lovano;
Sax barítono: Gary Smulyan;
Clarinete: Anat Cohen;
Flauta: Nicole Mitchell
Piano: Vijay Iyer
Teclados: Robert Glasper;
Órgão: Dr. Lonnie Smith;
Guitarra: Bill Frisell;
Contrabaixo: Christian McBride;
Baixo elétrico: Stanley Clarke;
Violino: Regina Carter;
Baterista: Jack DeJohnette;
Vibrafone: Gary Burton;
Percussão: Hamid Drake;
Instrumentos diversos: Bela Flek;
Selo fonográfico: ECM;
Produtor: Manfred Eicher;
Banda de blues: Buddy Guy. 

(adaptado do Noticiero de Jazz de Pablo Aguirre)

27 junho 2014


ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS  -  25

John Alexander “Johnny” St. Cyr, artisticamente JOHNNY ST. CYR, guitarrista e banjoista americano, nasceu em New Orleans, o berço do JAZZ, estado da Louisiana, em 17 de abril de 1890, vindo a falecer de leucemia aos 76 anos em Los Angeles, estado da Califórnia, no dia 17 de junho de 1966.
Estamos focando um guitarrista que participou ativamente dos “primórdios” da formação do JAZZ, integrando os grupos pioneiros dessa que é a “Arte Popular Maior”.
Sempre foi um guitarrista de apoio, raramente ouvido como solista, o que nenhum mérito lhe tira, já que seu apoio rítmico sempre se caracterizou por perfeita firmeza no tempo com excepcional e pleno domínio da harmonia, que conseguia por, simultaneamente, tocar os acordes e fazer soar as cordas de sua guitarra, com um “drive” sobreposto ao grupo.
Seu primeiro contato com a música assinala como professor seu pai, flautista e guitarrista.
Já por volta de 1905 e aos 15 anos iniciou sua atividade profissional noturna como músico à frente de um trio de cordas por ele dirigido até 1909, enquanto durante o dia trabalhava como gesseiro para fortalecer a economia familiar
A partir desse ano de 1909 dedica-se exclusivamente à música, no grupo do violinista, compositor e líder de grupo Armand Piron (também nascido em New Orleans 02 anos antes de ST. CYR e também educado inicialmente na música pelo próprio pai). 
Sucessivamente integrou os grupos do clarinetista Martin Gabriel de 1913 a 1914, passou de 1914 a 1916 ao do grande Edward Kid Ory (o histórico grupo “Tuxedo Jazz Band”), tocou nos “riverboats” que cruzavam o Mississipi com Fate Marable de 1917 a 1919, uniu-se ao grupo de Ed Allen no período de 1920 a 1922, em seguida tocou com Charlie Creath e regressou a New Orleans para tocar no grupo de Manuel Perez.
Sobra dizer que com todo esse alentado “curriculum” construído até os pouco mais de 30 anos de idade, ST. CYR era um mestre nas sessões rítmicas que integrava, sempre requisitado e aclamado entre os músicos.
Em 1923 ST. CYR partiu para Chicago, onde ingressou na formação de Joe “King”  Oliver (padrinho musical de Louis Armstrong).
Seguidamente tocou em 1924 com o clarinetista e saxofonista Jimmie Noone (também natural da Louisiana, mas do distrito de “Cut-Off”) e com  Doc Cook de 1925 até 1929.
Nessa mesma época, de 1925 a 1927, ST. CYR inscreve-se definitivamente na história do JAZZ ao participar das famosas e seminais gravações dos grupos “Hot Five” e “Hot Seven” de Louis Armstrong, sempre ao banjo e em 54 faixas felizmente eternizadas discograficamente.  
ST. CYR não foi o banjoista do grupo de Armstrong nas gravações de 1928 (substituído por Mancy Carr), quando foi registrado o hiper-clássico “West End Blues”, mas sua presença nas 54 faixas gravadas até 1927 garante-o na galeria dos que “escreveram a história” do JAZZ.
Ainda em 1926 ST. CYR foi banjoista nos “Red Hot Peppers” de Jelly Roll Morton.
No ano de 1930 ele retornou à sua cidade natal, New Orleans, onde tocou com diversas formações locais.
Muitos e muitos anos em New Orleans, com eventuais apresentações em outras geografias, garantiram para ST. CYR o permanente reconhecimento de seus patrícios, mas a partir de 1954 ele passou a viver na Califórnia.
É onde atuou com diversos grupos dedicados ao JAZZ tradicional, notadamente com o do baterista Paul Barbarin (também natural de New Orleans, 05/maio/1899 a 10/fevereiro/1969), com a “New Orleans Creole Jazz Band” em 1959 e com a “The Young Men Of New Orleans” em 1960.
Infelizmente em 1965 ST. CYR sofre um acidente de automóvel, o que o força a interromper sua atividade musical.
ST. CYR foi agraciado com o prêmio “All Time All Star Award” na categoria de banjoista pela revista especializada “Record Changer”, como justa e mais que merecida homenagem ao conjunto de sua obra.
Seu falecimento por leucemia em junho de 1966 foi largamente noticiado nos jornais da época, com extensas laudas sobre seu trabalho.
Podemos ouvi-lo apoiando os demais músicos em diversas gravações como, por exemplos:
-        com o grupo de Jelly Roll Morton na faixa “Black Bottom Stomp”, 1926;
-        com Louis Armstrong nos clássicos “Heebie Jeebies” e “Oriental Strut”, 1926;
-        ainda com Armstrong no formidável “Willie The Weeper”, 1927.
Pelo selo “EMI-Odeon” foi lançada no Brasil a coleção de 16 LP’s da série “Jazzology”, com os 04 primeiros discos dedicados a Louis Armstrong, incluindo todas as gravações dos “Hot Five” e “Hot Seven” (64 faixas que incluem as 54 com ST. CYR);  essas gravações foram posteriormente reeditadas em CD.
Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo.
 
 
            apostolojazz@uol.com.br

P O D C A S T # 2 1 3

HELEN HUMES
CHARLIE CHRISTIAN 
JOHNNY GRIFFIN
T-BONE WALKER






PARA BAIXAR O ARQUIVO DE ÁUDIO: http://www.divshare.com/download/25621536-003

MESTRE LOC NO JB ONLINE: HORACE SILVER

26 junho 2014

Segue o artigo do Mestre LOC sobre o Horace Silver, como publicado na edição online do JB do dia 21/6/2014.


Horace Silver (1928-2014)
Luiz Orlando Carneiro

"O pianista e compositor Horace Silver, que morreu na última quarta-feira, aos 85 anos, em sua casa, estava já há algum tempo afastado dos estúdios e dos clubes. Mas deixa registrada uma obra que o consagrou como uma das maiores figuras da história do jazz pós-bop.

Nascido em Connecticutt, seu pai era um imigrante de Cabo Verde, que o batizou como Horácio Ward Martins Tavares da Silva. O jovem Horácio americanizou de vez o nome, estudou saxofone e piano, foi à luta, e, ao lado do também canonizado baterista Arte Blakey e dos Jazz Messengers, tornou-se um dos founding fathers do hard bop.

No livro Obras-primas do jazz (Jorge Zahar, 1986), assim abri o capítulo dedicado à dupla Silver-Blakey:

“A condimentação bluesy que o baterista Art Blakey e o pianista Horace Silver deram ao quinteto bop clássico revigorou, na década de 50, o estilo forjado por Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk, 10 anos antes. A revitalização do bop foi uma reação de fundo estético e cultural à introspecção do cool jazz, que passara a merecer a preferência de uma massa considerável de jazzófilos e produtores de discos, fascinados com o new sound da Costa Oeste, tal qual transmitido por Gerry Mulligan, Chet Baker, Shorty Rogers & Cia.

O lendário pianista foi o "vovô do hardbop, como proclama o título de um dos seus melhores discos
O lendário pianista foi o "vovô do hardbop, como proclama o título de um dos seus melhores discos
Em oposição ao estilo suave e aéreo da West Coast, o estilo de Art Blakey, Horace Silver e seus mensageiros respeitava os cânones harmônicos do bop, mas realçava a expressividade fervorosa do gospel e a dolência do blues, além de expor, sem meios tons, as raízes rítmicas africanas do jazz. Hard, soul, funky, groovy foram adjetivações encontradas para ilustrar essa nova tendência do jazz”.

O primeiro marco fonográfico essencial do hard bop (A night at Birdland, selo Blue Note) foi feito numa noite de fevereiro de 1954, naquele lendário clube de Nova York, lá na esquina da Rua 52 com a Broadway. O quinteto Silver, Blakey, Cilfford Brown (trompete), Lou Donaldson (sax alto) e Curley Russell (baixo) gravou então versões bem groovy de clássicos do bop, como Night in Tunisia (Gillespie) e Confirmation (Parker).

Entre dezembro daquele ano e fevereiro de 1955, Silver e Blakey gravaram o também essencial Horace Silver and The Jazz Messengers (Blue Note), com Kenny Dorham (trompete), Hank Mobley (sax tenor) e Doug Watkins. O LP continha não um, mas cinco “hinos” do hard bop bem bluesy, da pena do pianista-compositor: The preacher, Doodlin', Creepin' in, To whom it may concern e Room 608.

A carreira de Horace Silver, então com 26 anos de idade, poderia ter acabado naquela altura, e ele já teria sido um heroi do jazz (E vale lembrar que alguns “santos” do jazz morreram prematuramente, como Clifford Brown e Charlie Christian, aos 25 anos, e Fats Navarro, aos 26).

Mas Horácio Martins Tavares da Silva teve ainda mais quatro décadas de muito sucesso e de muita criatividade. Entre 1956 (Six pieces of Silver) e 1966 (The jody grind), ele lançou um total de 13 LPs no selo Blue Note, à frente de seus quintetos. Em 1965, o Horace Silver Quintet ficou ainda mais popular no planeta jazz com a edição de dois álbuns cujas faixas-título remetiam à ascendência do líder: Song for my father e Cape Verdean blues (com Joe Henderson no sax tenor, e os trompetistas Carmell Jones e Woody Shaw – estes, respectivamente, em Song e em Cape).

Da década de 1990, merecem especial destaque, na sua discografia, dois CDs com sessões para o selo Impulse: The hardbop grandpop (1996) e A prescription for the blues (1997). Para o primeiro, Silver escreveu 10 composições para um timaço formado por Michael Brecker (sax tenor), Claudio Roditi (trumpete, flugelhorn), Steve Turre (trombone), Ronnie Cuber (sax barítono), Ron Carter (baixo) e Lewis Nash (bateria). No segundo, ele toca a faixa-título e outras oito peças ao lado dos irmãos Michael e Randy Brecker (trompete), mais Ron Carter (baixo) e Louis Hayes (bateria).

“Pessoalmente, eu não acredito em (meter) política, ira ou ódio em minhas composições” - escreveu Horace Silver nas notas de apresentação do seu álbum Serenade to a soul sister (Blue Note, 1968). “A composição musical deveria trazer felicidade e alegria para as pessoas”,

Horácio Ward Martins Tavares da Silva cumpriu à risca o seu credo. Requiescat in pace."

CRÉDITOS DO PODCAST # 212

25 junho 2014

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
LOCAL e DATA
BENNY GREEN
Benny Green (pi), Christian McBride (bx) e Carl Allen (bat)
AIN'T SHE SWEET?
(Jack Yellen / Milton Ager)
New York, 23/dezembro/1992
THAT'S RIGHT
(John Scofield / Miles Davis)
DOWN BY THE RIVERSIDE (tradicional)
Live "Village Vanguard", New York, novembro/1991
CARL’S BLUES (Carl Allen)
Benny Green (pi) Russell Malone (gt)
REUNION BLUES (Milt Jackson) 
New York, 16/novembro/2003
BLUE BIRD (Charlie Parker)
Benny Green (pi), Christian McBride (bx) e Kenny Washington (bat) + ensemble: Byron Stripling (tp), John Clark (fhr), Delfeayo Marsalis (tb), Herb Besson (tu), Jerry Dodgion (sa), Gary Smulyan (sbar).
I WANT TO TALK ABOUT YOU
(Billy Eckstine)
Englewood Cliffs, N.J., maio/1994
THE FOLKS WHO LIVE ON THE HILL (Jerome Kern / Oscar Hammerstein II)
Oscar Peterson, Benny Green (pi), Ray Brown (bx) e Gregory Hutchinson (bat)
JITTERBUG WALTZ
(Fats Waller / Richard Maltby, Jr.)
Toronto, 10/setembro/1997
MARIA SOLE GALLEVI e HOT JAZZ CLUB
Ernani Teixeira (violino), Jose Fernando Seiffart, Marcelo Modesto (guitarra), Gilberto de Syllos (contrabaixo acústico) e Maria Sole (vcl)
Oh! LADY BE GOOD
 (Irving Berlin)
22/01/2014 em Campinas
CHET BAKER
Chet Baker (tp,vcl) Richard Galliano (acordeão), Rique Pantoja Leite (keyboards), Michel Peratout (el-b) e Jose Boto (bat)
BALSA (Rique Pantoja) 
Paris, 23/julho/1980
KAI WINDING
Dizzy Gillespie (tp), Kai Winding, (tb), Sonny Stitt (st), Thelonius Monk (pi), Al McKibbon (bx) e Art Blakey (bat)
LOVERMAN (James Davis / James Sherman / Roger Ramirez)
“Live” Tivoli Gardens in Copenhagen, Demark in 1971.
B G
BERNARD PEIFFER (pi), Joe Puma (gt), Chuck Andrus (bx) e Ed Thigpen (bat)
BLUES IN THE WIG (Bernard Peiffer)
New York, 11/abril/1956

P O D C A S T # 2 1 2

20 junho 2014

BENNY GREEN
MARIA SOLE e o  HOT JAZZ CLUB DE CAMPINAS


KAI WINDING



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HOMENAGENS MUNDIAIS A HORACE SILVER

19 junho 2014


A imprensa internacional hoje homenageia em suas informações e obituários o pianista e compositor Horace Silver, que morreu ontem em sua casa aos 85 anos de idade.
Silver, co-fundador dos Jazz Messengers com Art Blakey, contribuiu para o desenvolvimento do jazz nos anos 50 com seu estilo poderoso do blues combinando, funk e latin-jazz, bem como uma série de composições que tornaram-se standards do jazz , muitas das quais foram imediatamente interpretadas pelos colegas do estilo hard bop.
Antes dos Jazz Messengers e de tornar-se famoso, Horace Silver foi contratado por Stan Getz acabando de completar 20 anos de idade. Ele se mudou para Nova York, que seria o trampolim para sua carreira.
Uma de suas composições mais famosas é "Song For My Father", escrito para o homem que o apoiou quando jovem.
Assim disse Horace Silver: — "Meu pai me disse uma vez, quando eu era criança, você sabe que eu não sou um homem rico, eu sou um trabalhador de fábrica, mas se você quiser ir um dia para a faculdade, eu faço o meu melhor para conseguir".
E Silver disse: — "Não, eu não quero ir para a faculdade, eu quero ser um músico de jazz. Mas se não chegar a ser um músico famoso, não importa, eu tocarei música em locais públicos toda a minha vida, eu só quero tocar a música, isso é tudo que eu quero fazer. "
(adaptado do Noticiero de Jazz)

Horace Silver Quinteto na Jazz Omkring Midnat - Denmark TV 1968
Horace Silver (pi), Bill Hardman (tp), Bennie Maupin (st), John Williams (bx), Billy Cobham (bat)

SONG FOR MY FATHER (Horace Silver)


video



CRÉDITOS DO PODCAST # 211

18 junho 2014

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS
Todos de autoria de Cole Porter
LOCAL e DATA
COLE PORTER
Coler Porter (pi, vcl)
ANYTHING GOES
Victor Studio, NY 27/novembro/1934
LENA HORNE
orquestra de Lennie Hayton com arranjo de Joe Reisman
FROM THIS MOMENT ON
Webster Hall, NY, 4/abril/1956
ANITA O’DAY
Billy May's Orchestra: Anita O'Day (vcl) acc by Mannie Klein, Conrad Gozzo, Frank Beach, Uan Rasey (tp) Dave Wells, Si Zentner, Dick Noel, Ed Kusby (tb) Skeets Herfurt, Wilbur Schwartz (as) Justin Gordon, Gene Cipriano (ts) Chuck Gentry (bar) Al Pellegrini (p) Tommy Tedesco (g) George Morrow (b) Mel Lewis (d) Billy May (arr,dir)
GET OUT OF TOWN
Hollywood, CA, 9/abril/1959
BILLIE HOLIDAY
Eddie Heywood And His Orchestra : Shad Collins (tp), Leslie Johnakins, Eddie Barefield (sa), Lester Young (st), Eddie Heywood (pi), John Collins (gt), Ted Sturgis (bx), Kenny Clarke (bat) e Billie Holiday (vcl)
LET’S DO IT
New York, 21/março/1941
SHORTY ROGERS
Shorty Rogers (tp), Milt Bernhart (tb), Bud Shank (fl,sa), Bob Cooper (st,oboe), Jimmy Giuffre (sbar), Andre Previn (pi), Jack Marshall (gt), Joe Mondragon (bx) e Shelly Manne (bat)
IT’S DELOVELY
Los Angeles, 14/setembro/1954
SIDNEY BECHET
Sidney Bechet Quartet : Sidney Bechet (ss), Lloyd Phillips (pi), Pops Foster (bx) e Freddie Moore (bat)
LOVE FOR SALE
New York, 23/julho/ 1947
CARMEN MCRAE
Carmen McRae (vcl), Marshall Otwell (pi), Jim Andron (bx) e Mark Pulice (bat)
I CONCENTRATE ON YOU
Fort Lauderdale, Florida, 17/janeiro/1981
ARTIE SHAW
Artie Shaw And His Orchestra : John Best, Claude Bowen, Chuck Peterson (tp) George Arus, Ted Vesely (tb) Harry Rogers (tb), Artie Shaw (cl), Les Robinson, Hank Freeman (sa), Tony Pastor e Ronnie Perry (st), Les Burness (pi), Al Avola (gt), Sid Weiss (bx), Cliff Leeman (bat) e Jerry Gray(arranjo)
BEGIN THE BEGUINE
New York, 24/julho/1938
COLEMAN HAWKINS
Manny Album And His Orchestra : Nick Travis (tp), Chauncey Welsch (tb), Al Epstein (sa), Coleman Hawkins (st), Ray Beckenstein (fl), Romeo Penque (sbar), Marty Wilson (vib,) Hank Jones (pi), Barry Galbraith (gt), Arnold Fishkin (bx), Osie Johnson (bat) e Manny Albam (ldr,cond)
I LOVE PARIS
New York, 9/julho/1956
PAUL DESMOND
Al Richman (fhr), Romeo Penque, Stan Webb (st), Gloria Agostini (harp), Jim Hall (gt), Milt Hinton (bx), Bobby Thomas (perc), Paul Desmond (as, ldr)  + cordas, Bob Prince (condução)
I’VE GOT YOU UNDER MY SKIN
Webster Hall, New York, 2/outubro/1961
TOMMY DORSEY
Tommy Dorsey And His Orchestra : Johnny Amoroso, Stan Stout, Doc Severinsen, Ray Wetzel (tp), Ange Callea, Nick DiMaio, Billy Pritchard (tb), Walt Levinsky (cl, sa), Hugo Lowenstern (sa), Babe Fresk, Boomie Richman (st), Sol Schlinger (sbar), Gene Kutch (pi), Sam Herman (gt), Ward Erwin (bx), Buddy Rich (bat), Bill Finegan (arranjo)
I GET A KICK OUT OF YOU
New York, 4/janeiro/1950
JOHN COLTRANE
John Coltrane (st), Earl May (bx) e Art Taylor (bat)
I LOVE YOU
Hackensack, N.J., 16/agosto/1957
SARAH VAUGHAN
Sarah Vaughan (vcl) acc by Sir Roland Hanna (pi), Richard Davis (bx) e Percy Brice (bat)
WHAT IS THIS THING CALLED LOVE ?
Radio Broadcast "The Navy Swings", Los Angeles, 1961
CANNONBALL ADDERLEY
Nat Adderley (cnt), J.J. Johnson (tb), Cannonball Adderley (as, ldr), Jerome Richardson (fhr,st) Cecil Payne (sbar), John Williams (pi), Paul Chambers (bx) Kenny Clarke (bat) e Quincy Jones (arranjo e condução)
YOU’D BE SO NICE TO COME HOME TO
New York, 29/julho/1955
SONNY ROLLINS
Sonny Rollins (st), Sonny Clark (pi), Percy Heath (bx) e Roy Haynes (bat)
EVERYTIME WE SAY GOODBYE
New York, 11/junho/1957
LES BROWN
Eddie Bailey, Bob Thorne, Joe Bogart (tp) Warren Brown, Si Zentner (tb) Ronnie Chase (tb,vcl) Les Brown (cl,as,arr) Steve Madrick, Abe Most (as,cl) Wolfe Tayne (ts) Eddie Scherr (sop,ts,bar) Billy Rowland (p) Joe Petrone (g) Charlie Green (b) Eddie Julian (d) Doris Day (vcl) Ben Homer (arr)
LET’S BE BUDDIES
Radio Broadcast, Glen Island Casino, New York, 29/novembro/1940
NAT KING COLE
Mannie Klein, Conrad Gozzo, Frank Beach, Uan Rasey (tp) Dave Wells, Si Zentner, Dick Noel, Ed Kusby (tb) Skeets Herfurt, Wilbur Schwartz (as) Justin Gordon, Gene Cipriano (ts) Chuck Gentry (bar) Al Pellegrini (p) Tommy Tedesco (g) George Morrow (b) Mel Lewis (d) Billy May (arr,dir)
JUST ONE OF THOSE THINGS
New York, 7/agosto/1957
CHARLIE PARKER
Charlie Parker (sa), Walter Bishop, Jr. (pi), Billy Bauer (gt), Teddy Kotick (bx) e Art Taylor (bat)
LOVE FOR SALE
New York, 10/dezembro/1954
B G
Count Basie com Helen Humes ao vcl, Buck Clayton (tp,arr) Shad Collins (tp) Harry "Sweets" Edison (tp,arr) Ed Lewis (tp) Dicky Wells, Dan Minor, Benny Morton (tb) Earl Warren (as) Chu Berry, Lester Young (ts) Jack Washington (bar,as) Count Basie (p) Freddie Green (g) Walter Page (b) Jo Jones (d) Jimmy Rushing, Helen Humes (vcl) Jimmy Mundy (arr)

MY HEART BELONGS TO DADDY
New York, 5/janeiro/1939
o trompete de Dizzy Gillespie, na voz de Ella Fitzgerald e pelo piano de Oscar Peterson, Ray Brown (bx) e Herb eEllis (gt)
New York, 1975

17 junho 2014


ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS  -  24
Joseph Barry Galbraith, artisticamente BARRY GALBRAITH, nasceu no dia 18 de dezembro de 1919 em Pitisburg, estado da Pensilvânia, vindo a falecer aos 63 anos em 13 de janeiro de 1983 na cidade de Bennington, estado de Vermont.
Aprendeu a tocar o banjo de forma auto-didata, sendo que no início dos anos 30 do século passado, portanto ainda na adolescência, passou a dedicar-se à guitarra após ouvir o guitarrista Eddie Lang acompanhando o cantor Bing Crosby.
Iniciou-se profissionalmente nos clubes de Pittsburgh e arredores, sendo que em 1941 e com 22 anos atuou com Red Norvo e Babe Russin.
Nessa época e já em New York chegou a integrar a orquestra de Teddy Powell, que havia constituído sua banda no ano anterior (1940), egresso da banda de Abe Lyman em New York.    Teddy Powell adotou como prefixo de sua banda o tema “Blue Sentimental Mood”, chegando a atuar durante 01 ano no “Rustic Tavern” e a apresentar-se em diversos números do “Coca Cola Spotlight Band Show”.    Na banda de Teddy Powell, cujos arranjos eram assinados por, entre outros, Ray Conniff, chegaram a tocar músicos do calibre de Charlie Ventura, Pete Candoli e Milt Bernhardt.   Isso significa que BARRY GALBRAITH, ainda que auto-didata, “cursou’ uma excelente escola prática.
Ainda em 1941 e até 1942 BARRY passou a integrar outra banda importante, a do pianista, arranjador e líder Claude Thornhill, que antes de montar sua banda tocou nas de Hal Kemp, Benny Goodman, Ray Noble, Artie Shaw, Freddy Martin e outras, isto é, possuía vasta experiência no “metiê” das “Big Bands”.    Tornhill havia iniciado sua banda no ano anterior e adotado como prefixo o tema “Snowfall”.    Participou como banda fixa do programa de televisão “Judy ‘N Jill ‘N Johnny” nas temporadas de 1946 e 1947, gravou para as etiquetas Vocalion, Okeh, Columbia, Decca e Camden e, ao longo do tempo, teve como músicos integrantes de sua banda Conrad Gozzo, Irving Fazola, Nick Fatool, Billy Butterfield, John Graas, Dave Tough, Randy Brooks, Gil Evans, Gerry Mulligan e muitos outros.   
BARRY obteve sucesso e reconhecimento nesse período com Claude Thornhill, mas desligou-se da banda para servir nas Forças Armadas americanas de 1943 a 1946;    retornou ao grupo de Thornhill nos anos de 1946 e 1947, época de participação da banda nos programas de televisão.     Mais “escola” para BARRY GALBRAITH ! ! !
É importante assinalar que Claude Tornhill possuía sólida formação musical (sua mãe queria torná-lo pianista clássico), tendo estudado no “Cincinnati Conservatory” e na “University Of Kentucky”;   Claude também serviu nas Forças Armadas, com destacada atuação na marinha.
Ainda assim e em 1942 BARRY chegou a incorporar-se à banda de Hal McIntyre, sax.tenorista, clarinetista e flautista, que havia iniciado sua banda em New York no ano anterior.   Essa banda gravou para as etiquetas Victor e Cosmo e adotou como prefixos os temas  “Moon Mist” e “Ecstasy”.   McIntire possuía, também, larga vivência no cenário das “Big Bands”, já que era egresso das formações de Glenn Miller, dos irmãos Dorsey (Jimmy e Tommy) e de Smith Ballew.  Teve como músicos, entre outros, Clarence Willard, Vic Hamann, Dave Mathews e Larry Kinsey, contando com arranjos de Billy May.      BARRY GALBRAITH, portanto, sempre teve participação em formações com músicos de primeira linha.
De 1947 e até 1970 BARRY trabalhou no rádio, na televisão (orquestras das redes CBS e NBC) e nos estúdios de gravação, onde atuou com músicos de primeira linha, citando-se entre os principais Coleman Hawkins, Joe Newman, Betty Glamman (harpista então consagrada pela crítica e pelo público), Hal McKusick, Ralph Burns, o também guitarrista Tal Farlow, John Lewis (“remember” o Modern Jazz Quartet), Hank Jones, a vocalista Chris Connor, Sam Most, os arranjadores George Russell e Gil Evans, enfim, uma verdadeira “constelação” de astros musicais.
BARRY granjeou enorme prestígio entre os músicos e as gravadoras e era nessa ocasião, muito provavelmente, o guitarrista mais ativo no panorama novairquino.
Participou da gravação de mais de uma centena de LP’s, quase que totalmente como “sideman” e tendo como titulares, além dos já citados anteriormente, Stan Kenton, Peggy Lee, Ella Fitzgerald, Tony Bennet, Benny Goodman, Benson Brooks, Tommy Shepard, o “Manhattan Jazz Septet”, Wild Bill Davinson, Willie Rodriguez e Jimmy Cleveland.
Podemos ouví-lo integrando a sessão rítmica composta por ele à guitarra, Wynton Kelly, Keeter Betts e Jimmy Cobb (piano/baixo/bateria), na clássica e seminal gravação “For Those In Love” (março de 1955, todos os temas em arranjos de Quincy Jones) da cantora Dinah Washington (Ruth Lee Jones nascida em Tuscaloosa, estado do Alabama, em 29 de agosto de 1924 e falecida no dia  14 de dezembro de 1963, cantora de jazz, blues e música religiosa), com uma banda de qualidade superior:  Clark Terry ao trumpete, Jimmy Cleveland no trombone (solando a “la Frank Rosolino” em “I Get A Kick Out of You”), Paul Quinichette no sax-tenor e Cecil Payne ao sax-barítono.  Essa gravação nos permite acompanhar solos excelentes de todos os músicos, com Dinah em plena forma nos temas “I Get A Kick Out of You”, “Blue Gardenia” (canção tornada clássica por Nat “King” Cole e, nessa gravação de Dinah Wahington, com magnífico solo de BARRY GALBRAITH), “Easy Living” (excelente versão de Dinah), “If I Had You” e mais 06 standards do populário americano e sempre bem aproveitados no JAZZ.
Também podemos apreciá-lo no documentário “After Hours” de 1961, 27 minutos, ao lado de Coleman Hawkins / sax.tenor, Roy Eldridge / trumpete, Johnny Guarnieri / piano, Milt Hinton / contrabaixo e Cozy Cole / bateria, em que é filmada uma “jam session” na madrugada do clube do mesmo nome (“After Hours”) em New York.
O fato de atuar e gravar com grupos de outros titulares aparentemente não trouxe para BARRY GALBRAITH maior popularidade mas, com absoluta certeza, tornou-o um super-requisitado guitarrista por outros músicos, que o tratavam com um astro muito estimado.
Gravou em seu nome ou com grande destaque para os selos DECCA (“Guitar And The Wind”), Bethlehem (“East Coast Jazz nº 8 With Hal McKusick”), Norgran (“Tal Farlow Álbum”), Jazz Kings (“Jimmy Hamilton Orchestra”) e Mea Coral (“Jazz At Academy”).
Seu estilo sempre se revelou “moderno”, com toques inspirados em Charlie Christian, Jimmy Raney e Tal Farlow. 
Ainda que seu maior acervo de atuações e de gravações seja o de acompanhante e mesmo que auto-didata, GALBRAITH possuía uma técnica soberba, extraordinária, um solista que se destacou por sua delicadeza nas linhas melódicas e pelo “swing” sempre presente.   
Até o final da década de 50 do século passado GALBRAITH formou seção rítmica com Hank Jones, Milt Hinton e Gus Johnson (piano, baixo e bateria), grupo esse que permanece como referência, modelo e símbolo de coesão, de liberdade e de agilidade dentro dos cânones do JAZZ.  Ai ele era um solista de “concerto” ! ! !  
Durante os últimos anos de sua vida, 1971 e até quase o final de 1982, com problemas na coluna, BARRY dedicou-se ao ensino.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
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