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MESTRE LOC NO JB ONLINE: DUO KEITH JARRETT & CHARLIE HADEN, 2o. VOLUME

30 junho 2014

Republicação da sempre deliciosa coluna do Mestre LOC de sábado último, para quem não a leu o JB-Online


Duo Keith Jarrett-Charlie Haden, 2º volume

por Luiz Orlando Carneiro

"Em março de 2007, o pianista Keith Jarrett participou, como entrevistado, de um documentário sobre o contrabaixista Charlie Haden. Os dois grandes músicos aproveitaram o reencontro para tocar um pouco em duo, bem à vontade, no estúdio da casa de Jarrett, relembrando os tempos (década de 1970) em que o pianista era patrão do baixista naquele memorável American Quartet (Dewey Redman, sax tenor; Paul Motian, bateria).

O primeiro registro dessas sessões reservadas – que felizmente foram gravadas – só foi lançado pela ECM, sob o título Jasmine, em 2010, por ocasião do 65 º aniversário do virtuose do teclado. Foi o 41º item seguido da sua discografia para o selo de Manfred Eicher, desde Sun Bear Concerts, uma série de concertos (solo) no Japão, em 1976, e que rendeu uma caixa de cinco volumes.

As oito faixas de Jasmine (comentado nesta coluna em 13/6/2010) eram meditações musicais a partir de temática acessível, transferidas para as teclas do piano e as cordas do baixo acústico pela magnífica dupla. Dentre os temas, destacavam-se Body and Soul, For All You Know, No Moon at All e Where Can I Go Without You?.

Pois bem. No último dia 13, a ECM disponibilizou, nas lojas virtuais, o segundo volume daquelas sessões intimistas de março de 2007. O novo CD chama-se Last Dance, e é um pouco mais longo (74 minutos) do que Jasmine (62 minutos). Tem também uma faixa a mais do que o primeiro volume, embora haja a repetição - em takes só um pouquinho diferentes - de dois standards muito tocantes e caros a Jarrett: Where Can I Go Without You? (Victor Young/Peggy Lee) e Goodbye.

Mas quem se deliciou (e ainda se delicia) com os momentos eminentemente melódicos, de profunda reflexão, de Jasmine não pode deixar de adquirir (no todo ou em parte) a sequência daquele feliz tête-à-tête de dois músicos extraordinários que extraem de seus instrumentos, num fluir contínuo, a nota perfeita, o tom impecável.

Mas em termos de cardápio, Last Dance tem dois “pratos” especiais para os jazzófilos: uma reinvenção muito original de Round Midnight (9m30) – a célebre balada de Thelonious Monk – que leva Jarrett a aumentar o volume daqueles seus espasmos meio vocais, meio nasais, que são um misto de gozo e de aprovação; uma versão arrebatadora, bem bop, como não podia deixar de ser, daquela obra-prima de Bud Powell chamada Dance of the Infidels (4m20).

Os velhos standards do Great American Songbook que são objeto de culto da dupla neste segundo volume – além dos “retocados” acima citados – são: My Old Flame (10m15); My Ship (9m35), de Kurt Weill; It Might as Well Be Spring (11m50), de Richard Rogers; Everything Happens to Me (7m10), aquela canção lançada por Tommy Dorsey e Frank Sinatra, na década de 1940; Every Time We Say Goodbye (4m25), do eterno Cole Porter.


Como escreveu Victor Aaron, no site Something Else, é irrelevante saber se o álbum Last Dance é, realmente, a “última dança” do par Jarrett-Haden: “A importância de Last Dance, assim como de Jasmine, é que temos o souvenir de um encontro de dois velhos amigos magistrais num momento em que ambos estão ainda no topo de suas capacidades”."

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