Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

BOM DE TOCAR

30 setembro 2010

O tempo passa mas a música está sempre eternizada, principalmente quando o assunto é musica instrumental brasileira.

26 anos se passaram desde o primeiro lançamento do guitarrista Ricardo Silveira, Bom de Tocar (1984, Elektra), em um dos grandes momentos da nossa musica instrumental quando aqui no RJ reinavam inúmeros espaços musicais e que a minha geração teve o privilégio de ouvir bem de perto. E esse disco em especial foi uma escola e tanto para a rapaziada que gostava de violões e guitarras cujas melodias sempre ecoavam das seis cordas.

E a celebração desse tempo chega nas lojas, lá de fora lógico, com o lançamento do cd 'Til Tomorrow, lançado pela Adventure Music, e que provavelmente não será lançado no Brasil.

Neste trabalho Ricardo Silveira rearranjou 11 temas, 10 deles dos seus 4 primeiros álbuns e 1 do fantástico High Life com uma roupagem bem diferente, com mais tempero e balanço brasileiro, acendendo até uma certa nostalgia daquela segunda metade dos ´80.

Em 'Til Tomorrow foram regravados os seguintes temas –
Dois Irmãos, O Canto do Pica-Pau e Portal da Cor (intitulada 55) (Bom de Tocar, 1984);
Rocket's Tail, West 26th e Bahia Drive (Long Distance, 1988);
You Can Get What You Want (Sky Light, 1989);
Até Amanhã, Good to Play (que foi regravada do Bom de Tocar) e Let's Move On (Amazon Secrets, 1990);
e Beira do Mar (High Life, 1985).

Neste disco acompanham como base o contrabaixista Romulo Gomes e o baterista Andre Tandeta e tem convidados de honra como Léo Gandelman, Paulo Sergio Santos, Vittor Santos, Marcelo Martins, Jessé Sadoc, Cristiano Alves e Jota Moraes.

Vou deixar 2 temas na radiola : Good to Play e West 26th.

Som na caixa !

BRAD MEHLDAU EM ÚNICA APRESENTAÇÃO NO RJ, SOLO

Única apresentação
dia 02/10, Sábado
Theatro Municipal, Rio de Janeiro
Horário: 20h30
Ingressos R$ 40,00 (galeria), R$ 60,00 (balcão simples), R$ 120,00 (balcão nobre/platéia) e R$ 720,00 (frisa/camarote)

Informações e vendas: 21 2262-3501
http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/

JAZZ NO MUNICIPAL

27 setembro 2010

No próximo dia 05 de novembro, 6ª feira, a partir das 21.30 horas, no Teatro Municipal de Piracicaba, teremos a apresentação de 03 grupos = Hot Club de Piracicaba + Hot Club do Brasil + Traditional Jazz Band, estarão homenageando o transcurso dos 100 anos do nascimento do grande DJANGO REINHARDT, tal como vem ocorrendo em todo o mundo para cunhar esse centenário.
Será, sem dúvida, espetáculo de gala para marcar essa data tão especial, com 03 grupos já há alguns anos fazendo trabalho sério sobre a música do guitarrista cigano que, muito acima de qualquer outro músico não-americano, soube dignificar a arte do JAZZ.
É conferir ! ! !

JAZZ E O MUNDO CORPORATIVO

22 setembro 2010

Publicado no HSM Online em 22/09/2010

Você gosta de Jazz? Não precisa responder.
Veja alguns comparativos entre este estilo musical e o mundo corporativo.

Se você não ouviu esta pergunta, provavelmente ainda não ocupa cargo executivo de destaque na empresa em que trabalha. Isso porque nove entre 10 executivos de destaque adoram ouvir Jazz (ou dizem adorar). Esperamos que não tenha ficado assustado! Esta pesquisa não tem nada de científica. Foi realizada por nós mesmos, em contatos informais com executivos das nossas próprias redes de relacionamentos. Cabe, portanto, a prova dos nove.
É bem provável que para os músicos de Jazz, pouco importa o quanto este estilo tem a ver com o mundo corporativo. Porém, para os que apreciam o Jazz, saber as possíveis correlações entre um e outro talvez seja, no mínimo, motivo para ouvir boas músicas. Pois a partir de agora, vejamos algumas.
As Big Bands, por exemplo, eram grandes orquestras compostas por músicos em número de 12 a 25. Marcaram uma época e tiveram grande sucesso até a revolução do Bebop. No mundo organizacional moderno, existe o mito de que trabalhar em grandes grupos é praticamente impossível. Por quê? Excesso de vaidades, falta de liderança ou inexistência do entendimento de um objetivo comum? Por que nas Big Bands grandes grupos davam certo e nas organizações não?
As Jam Sessions, nome que deriva de Jazz After Midnight, por começar após a meia-noite e não ter hora para terminar, são famosas por serem verdadeiros espaços para duelos de improvisação entre músicos, principalmente sax tenoristas.
Quando falamos em improviso, é possível que o nosso leitor imagine uma sucessão de acordes que, por mais bem que fossem tocados, eram frutos de inspiração, ali, naquele exato momento. Se você acredita nisso, engana-se. Tamanho era o conhecimento que, apesar de gerados ali, os acordes ouvidos já haviam sido planejados e avaliados, segundos antes. No improviso praticado pelos grandes do Jazz, a inspiração contava muito pouco; valia sim, a velocidade de implementação.
No mundo corporativo não é tão diferente. “Gênios” improvisam, mas ser “gênio” requer esforços incomuns para ter a melhor resposta no menor tempo e, para isso, muito há que se estudar, praticar, tentar. Talvez seja cômodo não ser “gênio”.
Duke Ellington era um desses gênios. Foi arranjador, compositor, pianista e líder de orquestra e, tinha excelência em tudo o que fazia. Um grande exemplo da capacidade humana de se fazer muitas coisas e bem. Só por curiosidade: como é visto o colaborador que “faz tudo bem feito” na sua organização? Neste exato momento, você deve estar se lembrando dele: agitado, mesa cheia de papéis, por vezes, sequer almoça e, acredite, raramente é promovido! Seria demais inferir que, no mundo moderno, excesso de competências é castigo?
Jazz e organizações podem identificar, sem esforços, profissionais de grande criatividade. Destes, muitos esbarrarão em questionamentos e dificuldades que os inibirão a continuar a busca pela implementação de suas criações. Outros poucos, não se darão como vencidos até que as ideias valiosas se transformem em atos e fatos. Da perseverança deste tipo de músico registram-se avanços em harmonia, melodia, timbre, ritmo, arranjo, fraseado.
Valorizada por dez entre dez músicos do Jazz, a inovação também o é por nove entre dez empresas. Criatividade é importante, mas nada modifica se não for implementada. A confiança e a ousadia em implementar estas novas ideias é que transforma uma pessoa criativa em inovadora.
Coragem para mudar. Mudar pressupõe abrir mão do status atual; envolve perdas reais e ganhos potenciais. Não há que se culpar a natureza das pessoas; há aquelas mais ousadas, dispostas a arriscar mais e outras, mais conservadoras. Como qualquer investimento, seja no Jazz, na Bovespa ou nas empresas, os ganhos tendem a ser proporcionais aos riscos. Assim, acomodar-se é uma forma de se ver condenado a pequenos ganhos.
Ficar mais velho é sempre uma preocupação dos profissionais do mundo corporativo ocidental. Não sabemos se pela necessidade de viver a vida intensamente ou por entender que a arte não sofre com as fronteiras do tempo. Tal preocupação parece não existir entre os músicos de Jazz.
Grande parte deixa o convívio terreno precocemente (sobre alguns deles, falaremos mais adiante). Outros, como o nonagenário Clark Terry, e o octogenário Lee Konitz, por exemplo, continuam a tocar, e bem, ainda hoje. Hank Jones que trabalhou até os 93 anos, faleceu no último mês de maio, em plena atividade. Que não no Oriente, quantos profissionais, em plena capacidade produtiva são considerados obsoletos pelo mundo corporativo e, compulsoriamente, aposentados?
O Jazz, assim como as empresas, registra “colaboradores-problema”. Viver muito em pouco tempo. Para alguns, como Billie Holiday, Charlie Parker e John Coltrane, a máxima dos excessos foi levada ao pé da letra. Billie faleceu aos 44, Parker, antes de completar 35 e Coltrane, com pouco mais de 40. Talentos apagados em pleno auge das carreiras; colaboradores perdidos por rotulados “perdidos”, em plena capacidade produtiva.
Por outro lado, o Jazz nos proporciona exemplos de artistas que se destacaram pela solicitude e competência; “talentos do bem” como Ella Fitzgerald, por exemplo. A artista morreu aos 80 anos de idade, em 1996, com esta mesma fama. Johnny Hodges, saxofonista de primeira linha, tocou na banda de Duke Ellington por mais de 40 anos, sendo um dos seus destaques até falecer, em 1970. Dois exemplos de talentos reconhecidos e mantidos. Colaboradores que permaneceram nos quadros das organizações em reconhecimento às suas capacidades produtivas.
Investir, recuperar ou demitir? Como fazer para reter talentos e aumentar o ativointelectual da empresa? Estas são discussões que permeiam mais do que corredores e salas; são decisões que podem estar associadas aos valores da própria empresa, à visão do seu papel na sociedade e à própria sociedade em que está inserida.
Art Tatum era cego de um olho, Thelonious Monk tinha um jeito insólito de tocar piano com os dedos estendidos e parecia “batucar” nas teclas. O universo jazzístico não permitiu que preconceitos lhes impedissem de atingir o sucesso. Como são vistos aqueles que, nas organizações, atuam de maneira diferente da ”consagrada”?
Sonny Stit, saxofonista, segundo pares e analistas, poderia ser hoje reconhecido como um “monstro” sagrado do sax alto. Por que não o é? Simples: estava na contramão do sucesso. Primava pela qualidade de vida e, até morrer, não modificou seus ideais. É curioso como o discurso da excelência da qualidade de vida está em voga nas empresas há mais de 10 anos e, por incrível que pareça, poucos são os que a ele aderem. Optar por ele, assim como Stit o fez, é dizer não ao reconhecimento do sucesso por outros, de dinheiro, de fama, de poder. Talvez este discurso ainda tenha outros tantos anos a percorrer até que as pessoas sejam estimuladas a rever seus próprios valores.
É claro que aqui não falamos de todas as estrelas do Jazz nem dos seus grandes feitos. Por mais que gostemos de falar deste assunto, a proposta do presente artigo é a de apresentar algumas das possíveis associações entre o Jazz e as empresas e, sem a pretensão de exauri-las, promover questionamentos que nos levem à reflexão dos modelos e comportamentos que adotamos no mundo corporativo. Não imaginamos soluções por não haver “verdades”. As “verdades” mudam; assim como muda o mundo.
Existem muitos outros exemplos de possíveis associações. Algumas delas abordamos em nossas palestras e cursos; outras, preferimos que você mesmo as busque. Há muito conhecimento nas entranhas do Jazz. Há, no entanto, muito mais ainda que, sobre ele, nós, participantes do universo corporativo, devamos repensar.

André Acioli (Administrador, mestre pelo Coppead-Ufrj, consultor de empresas, professor universitário na Mackenzie Rio e chef fundador do Boteco do Conhecimento)
Luiz Henrique (Jornalista, economista, consultor de empresas, produtor, crítico e pesquisador musical de jazz e blues, além de chef do Boteco do Conhecimento)

FRANCESCO CAFISO

21 setembro 2010

Há quase seis anos atrás MauNah deu a dica deste que se tornou um dos melhores saxofonistas da atualidade.
Francesco Cafiso nasceu na Sicilia em 1989, hoje tem 21 anos. Mas aos 17 gravou esta música que me deixou fora dos trilhos: Green Chimneys, de Thelonious Monk.
Cafiso usa uma expressiva quantidade de notas nos seus solos, mas é fácil ver como ele faz com perfeição, sem abusos e com uma técnica primorosa. Aliás, a escolha de Monk o leva a um patamar superior, uma vez que não são fáceis de serem tocadas.
Ouça "Ciminera Verdi" (Green Chimneys). Clique aqui

TUDO É JAZZ NA ÓTICA DO NOSSO MESTRE LOC

20 setembro 2010

Jornal do Brasil, 20 de setembro
por Luiz Orlando Carneiro


O saxofone – instrumento em forma de ‘j’ que se tornou marca registrada do jazz – foi o responsável pelos momentos mais empolgantes das duas primeiras noites do Festival Tudo é Jazz, que movimentou Ouro Preto (MG), pelo 9º ano consecutivo, até a madrugada de domingo, quando os fogos de artifício dos trompetistas Jon Faddis, o magnífico discípulo dileto de Dizzy Gillespie, Terell Stafford e o brasileiro Claudio Roditi encenaram uma arrebatadora homenagem a Louis Armstrong, em recriações memoráveis de West End blues, Struttin wih some barbecue, Mack the knife,e até uma versão sambada de After you’ve gone? .
O sax tenor de Joshua Redman e o sax alto de Miguel Zenón deram ao jazz, oferecido a um público rotativo de mais de mil pessoas, o corpo e a alma exigidos pelos aficcionados desse modo de expressão musical, que não é apenas o ‘som da surpresa’, mas também ‘serious fun’, compartilhada por músicos notáveis numa cena cada vez mais globalizada. Estejam eles em Manhattan ou Ouro Preto; no Brooklyn ou em Tel Aviv; em Porto Rico ou na Austrália; na Cidade do México ou em Viena.

A clarinetista e tenorista israelense Anat Cohen, 34 anos, foi mais uma vez a musa do festival, integrando o sexteto 3 Cohens, com os irmãos Avishai (trompete) e Yuval (sax soprano), na primeira parte do tributo retrô-pós-moderno (isto existe, sim) a Armstrong, ao qual aderiu a figura icônica de Jon Hendricks.
Aos 89 anos, celebrados em Ouro Preto, o maior vocalista de jazz vivo foi uma descoberta tardia para a maioria do público, que não sabia ter Hendricks uma cabeça de músico, que pensa suas (ainda) irresistíveis improvisações como se saxofonista fosse, dedilhando no ar o instrumento imaginário, como se o tivesse soprando.
Na noite de sábado, o macróbio Jon reviveu a arte de instrumentalização do vocal no jazz (o vocalese e o scat) tal como criada, há meio século, pelo trio Lambert, Hendricks & Ross, com ele no papel dele mesmo, sua filha Aria no de Annie Ross, e Kevin Burke no de Lambert. Foi um raro acontecimento, com o trio vocal apoiado por seção rítmica (Tardo Hammer ao piano e Paul Meyers no violão elétrico) fazendo uma panorâmica das grandes figuras do jazz: Armstrong (Stardust), Ellington (In a mellow tone), Count Basie (Jumpin at the Woodside), Charlie Parker (Now’s the time), Thelonious Monk (Rhythm-a-ning) e Horace Silver (Doodlin, Come on home).
Nnenna Freelon, com seu vozeirão sexy, saxy nos scats, conquistou os jazzófilosmais exigentes, à frente de seu quarteto bem percussivo, com destaque para uma versão em ritmos contrastantes de I love you (Cole Porter) e de uma preciosa releitura de Skylark, em duo e em trio, com baixo e bateria.
Na primeira noite do festival, ao introduzir, a capella, um maravilhoso solo a partir das changes de Body and soul, Joshua Redman, 41 anos, levantou a platéia, dando a alma que faltava ao trio do incrível (ainda) garoto-prodígio Eldar Djangirov, 23 anos, nascido no interior da antiga URSS, há muito radicado nos Estados Unidos. Eldar (com Armando Gola, baixo elétrico, e Ludwig Afonso na bateria) abriu os shows internacionais, voando solo pela pista do piano, e exibindo sua capacidade de tratar com a mesma facilidade, uma mélange de Scriabin, Oscar Peterson, fugas bachianas e contrapontos tristanianos.
Depois que o trio de Eldar virou quarteto com o sax tenor do eminente convidado, passou-se a desfrutar um set excepcional, em que Joshua – filho do também tenorista Dewey, que foi sócio de Ornette Coleman – pontificou em Blues sketch in clave (de Eldar), na balada imortalizada por Coleman Hawkins, e em What’s this thing called love/Hot house. E confirmou que forma o triunvirato dos grandes do sax tenor em ação, ao lado de Joe Lovano e Wayne Shorter (Sonny Rollins, 80 anos feitos no último dia 7, é hors-concours).
Linda Oh, 25 anos, atrevida baixista, compositora e líder de um trio integrado pelo pistonista Avishai e Obed Calvaire (bateria), surpreendeu até os que já a tinham ouvido no CD de estréia (Entry), lançado no ano passado. É realmente uma baixista excepcional, rápida no gatilho, de som redondo, como o mestre Dave Holland. Mas, acima de tudo, o seu trio demonstrou a possibilidade de raras invenções melódico-harmônicas a partir de instrumentos não-harmônicos, numa moldura mais free do que composicional. Seja a partir de originais como 201, ou de temas da estante pop (Soul to squeeze, do Red Hot Chili Peppers). E – last but not least – o trio Oh-Cohen-Calvaire foi um exemplo relevante do jazz como esperanto musical, falado por uma malaia de ascendência chinesa, um israelense e um negro novaiorquino nascido em Miami.
Num grau ainda mais elevado de tensão rítmica e criatividade sem barreiras, na base do aqui e agora, operou o trio chefiado pelo feérico baterista Antonio Sánchez, mexicano, 38 anos, com o vertiginoso sax alto de Miguel Zenón, portorriquenho, 33, e o baixista Hans Glawischnig, austríaco, 39. O grupo de Sánchez era um quarteto, mas o tenorista David Sánchez, também nascido em Porto Rico, fez forfait, o que aumentou a responsabilidade do único horn do trio. No problem para Zenón. O ‘Homem de 500 mil dólares’ (valor do grant que recebeu da Mac Arthur Foundation para gastar, durante cinco anos, em estudos ou produções, como bem entender) tomou conta do show de cinco longas improvisações, incluindo Inner urge (de Joe Henderson), Revelation (de Zenón) e uma balada do também incrível baterista-líder, com destaque especial para o baixista.
Entre a contagiante performance dos 3 Cohens e o eletrizante show de Zenón, não teve repercussão a documentação de valor mais folclórico do que jazzístico da diáspora africana concebida pela grande violinista Regina Carter, constante do CD Reverse thread. À frente de um grupo com acordeão, kora, baixo e o potente baterista Alvester Garnett, Regina não deu asas à sua prodigiosa técnica e às suas qualidades de improvisadora.

TUDO É JAZZ 2010 EM IMAGENS



Nosso Mestre LOC já disse tudo o que rolou nesta edição do festival em sua coluna no JB nesta segunda-feira (aí em cima).

É inegável que o festival de Ouro Preto é um marco no nosso calendário musical e desta vez a estrada ficou pequena frente aos shows que assistimos. Nossos confrades Mauro, Gilberto, Pedro e Ivan também estavam presentes e provavelmente vão colocar suas impressões por aqui. E mais uma vez a oportunidade de encontrar com Wilson Garzon (clubedejazz.com.br) e o grande Salsa (jazzigo.blogspot.com).
Pena que o festival começou na quinta-feira e lamento não ter acompanhado o show de Joshua Redman (pra mim o número 1 hoje) que, como disseram nossos amigos presentes, salvou o show do (ainda) prodígio pianista russo Eldar. Mas a sexta-feira não ficou por menos, desde a abertura da noite com o grupo Rabo de Lagartixa (que não assisti inteiro, cheguei no meio do show) liderado pelo sax carioca de Daniela Spilzman. Bonito show e que já teve a participação mais que especial da clarineta de Anat Cohen e um repertório de Villa Lobos com a roupagem do choro carioca. Bom show, gostei !
Os 3 Cohens deram uma aula de jazz, sobrou swing para todo lado. Anat Cohen novamente em cena ao lado dos irmãos Avishai e Yuval mais o grande pianista Aaron Goldberg e o excelente contrabaixista Matt Penman, este que assisto pela terceira vez este ano e sem dúvida um dos gigantes da cena nova iorquina no instrumento. Show nota 10!
Regina Carter fez um show viajandão com um repertório com elementos cajun passeando pelas atmosferas indiana e africana. Não foi uma apresentação jazz, mas eu curti o som.
Meia noite no relógio e não tinha nenhuma cinderela por perto mas o trio do baterista Antonio Sanchez literalmente fez a casa cair. David Sanchez não veio e o sax alto de Miguel Zenon voou alto. Essa formação sax-contrabaixo-bateria é ousada e foram 5 longos temas e não sobrou espaço vazio. Show nota 10!
Sabado começa devagar com o show da cantora Mariana Machado que resolveu focar num repertório les français, cheguei mais tarde também e na hora que ela chamou a participação do sax de Chico Amaral para a interpretação de Nice work if you can get it, saí em seguida.
Voltei para a espantosa apresentação da bela Nnenna Freelom que fez um show primoroso. Baladas para despertar todo tipo de sentimentos. Show nota 10!
Jon Hendricks é uma figura, 89 anos e está melhor que muita gente por aí com metade da idade. Como ele mesmo apresentou, um show Hendricks, Lambert & Ross redo. Um contrabaixista espetacular (que não peguei o nome) que deu uma aula de arco e pena que o violonista Paul Meyers não estava com uma guitarra acústica (acho que cairia melhor ali) mas é um grande músico, mostrou boa digitação e aplicação das vozes harmônicas de forma soberba.
E chega o fim do festival com 1, 2, 3 trompetes da melhor qualidade no palco - Jon Faddis, Roditi e Terell Stafford fizeram um show eletrizante, pra deixar saudade.

Nosso colega Salsa tem uns videozinhos gravados da platéia disponibilizados no YouTube.

É isso, ano que vem tem mais !
Valeu.

HARD BOP COM HIGH FIVE QUINTET

15 setembro 2010

Hard Bop : escola de jazz surgida no inicio dos anos ‘50 procurando revitalizar o bebop ameaçado pelo estilo mais cool como o da west coast. Pode-se dizer que melódica e harmonicamente o blues esteve mais presente e ritmicamente mais agil, mais versatil que o bebop, no entanto mais simples (Glossário do Jazz, Mario Jorge Jacques)

Em cena o trompetista italiano Fabrizio Bosso, importante nome do cenário jazzístico italiano. Quem assistiu sua apresentação aqui no finado TIM Festival no quarteto do Stefano di Battista se impressionou com seu som - timbre, energia e rápidos improvisos. Sem duvida hoje um dos melhores no instrumento e é da verdadeira escola do jazz.

O grupo em foco aqui é o High Five Quintet que ainda tem em sua formação Daniele Scannapieco sax, Luca Mannutza piano, Pietro Ciancaglini contrabaixo e Lorenzo Tucci bateria, este já eleito pela crítica local como um dos melhores bateristas do jazz italiano dos últimos anos.

A nata italiana em pura escola do hard bop em tempos modernos.
Na radiola três temas registrados nos albuns Five for Fun e Jazz Desire – Five for Fun, Dubai e Inception.





Som na caixa !











GRUPO TUTTI NO TRIBOZ, RJ

[clique na imagem para ampliar]

CLAUDIO RODITI QUINTETO

14 setembro 2010

Noite de segunda feira, 13 de setembro de 2010, na Modern Sound. Roditi toca com Dario, Idriss, Barrozo e Kleberson.

O tema é ‘Blues for Ronnie’, uma homenagem a uma amiga sua que gerencia um club em New Jersey.

Enjoy!

ERIC REED & CYRUS CHESTNUT

13 setembro 2010

Antes tarde do que nunca, volto aqui como prometido para comentar o cd do ERIC REED & CYRUS CHESTNUT " Plenty Swing, Plenty Soul " (Savant Records), gravado ao vivo no Dizzy's Club Coca Cola, ao meu ver o mais bonito clube de jazz de N.York no Jazz at Lincoln Center e debruçado no Central Park e também dirigido pelo Wynton Marsalis.
Vamos ao cd razão da coluna e que foi o encontro destes 2 gigantes do piano atual, de mesma formação East Coast e treinamento gospel acompanhados por Dezron Douglas ( b ) e Willie Jones III ( dr ) em uma verdadeira aula do bom e velho jazz, ou melhor de uma autêntica celebração como no proprio tema ( tk 5 ) auto explicativo "Prayer " de autoria do Reed, uma balada gospel/jazz lindíssima, para deixar qualquer presbitero de bem com a vida.

São apenas 7 temas alguns standards como I'll Remember April ( DePaul ) que abre o cd concêrto, logo após All The Things You Are ( Kern ) em uma versão fantástica , Two Bass Hit ( Gillespie ) em arranjo bem original, Lift Ev'ry Voice and Sing ( Johnson ), It Don't Mean a Thing para não faltar Ellington e fechando com um blues de autoria dos 2 astros que inclusive dá nome ao cd "Plenty Swing, Plenty Soul", de arrepiar o último pelo do corpo.

Enfim um cd já para os melhores do ano fácil @@@@@


Cannonball Adderley Sextet - Work Song

12 setembro 2010

Uma composição apropriada , amanhã e' segunda feira.
Boa semana !

Phil Woods, Tom Harrell, Hal Galper - Jazz Jamboree'88

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 12 de setembro
por Luiz Orlando Carneiro

O Jornal do Brasil saiu de circulação das bancas mas continua na internet, no formato online.
Ainda não está muito certinho, principalmente o formato HTML de onde tirávamos a nossa coluna do LOC, mas ainda conseguimos ler esse jornal que já foi o que tivemos de melhor circulando aqui no RJ. Eu, pelo menos, ainda o lia de vez em quando. Parece que no formato online será pago, mas por enquanto a leitura e navegação ainda está gratuita.
E podemos pensar que essa inovação também será adotada pelo New York Times, tendências da modernidade e do mundo cada vez mais virtual, assim sendo o JB inovou e saiu na frente.

[clique para ampliar]





BUDDY RICH - Time Check

11 setembro 2010

Shelly Manne and His Men - 'What is this thing called love' on Frankly Jazz

Asssim e' que e' !
Um dos maiores Mestres da bateria no jazz aqui simplesmente dando uma aula de como tocar bateria com vassourinhas. Bom sabado .

OS IRMÃOS OLES

07 setembro 2010

Bartlomiej Brat Oles é baterista, compositor e produtor. Nasceu em Sosnowiec, ao sul da Polonia, em 4 de janeiro de 73. Fascinado por música desde criança, inicou os estudos musicais aos 13 influenciado pelo pai, contrabaixista, cujo instrumento foi abraçado pelo seu irmão Marcin Oles. Sua admiração pela bateria deu-se por causa de Buddy Rich e descobriu o jazz pela música de Billie Holiday e Charlie Parker nas audições do disco Anthropology para, desde então, estudar a bateria no jazz nos nomes de Elvin Jones, Max Roach, Art Blakey, Tony Williams, Vinnie Colaiuta e Steve Gadd.
Sua música flutua na fronteira do free, sempre ao lado do irmão contrabaixista Marcin Oles.
Em 2005, criaram sua própria gravadora, Fenommedia Records. O trabalho do grupo se enquadra em varias formações, desde duo bateria-contrabaixo com alto grau de virtuosismo, trilhas sonoras e trios geralmente com o sax na linha de frente sem o acompanhamento da base harmônica de um piano ou guitarra. A ousadia do irmão contrabaixista vai mais longe - lançou um CD solo em tributo a Ornette Coleman chamado Ornette on Bass.

Um som moderno, a nova cara do jazz que vem transformando a arte principalmente do outro
lado do continente. E a crítica aplaude, os irmãos foram considerados como 'a rhythmic dream-team' pela JazzZeitung (Alemanha) em 2007.

Vou deixar três temas na radiola - dois em trio formado por Bartlomiej, seu irmão
Marcin e o ilustre pianista Kenny Werner do album Shadows (2006) que foi eleito como o album do ano pela crítica local, os temas Green Water e Shape & Shades; e um tema do CD solo de Marcin Oles - Ornette on Bass (2003), Echoes.





Som na caixa !

MARIO ADNET - PARA GERSHWIN E JOBIM

06 setembro 2010

Ha cerca de duas semanas, ganhei de presente de aniversario de minha irma um album que se fosse vinil, ja estaria riscado de tanto ouvir. Ela acertou na mosca o meu gosto musical, ou seja musica de qualidade, interpretada por musicos de qualidade.

Mario Adnet nos traz um daqueles trabalhos de excelente bom gosto musical, que certamente ja ganhou minhas 5 estrelas, pois e belissimo.

Com a participacao de musicos por demais conhecidos do CJUB, como os brilhantes Helio Alves (piano), Nilson matta (baixo), Duduka da Fonseca (bateria) e Romero Lubambo (guitarra), alem de Hugo fatoruso (piano), Hugo Pilzer (cello), Marcos Nimrichter (piano), Eddie Gomez (baixo) e outros, o som do album e muito agradavel, sendo quea familia Adnet nos traz a voz suave de Joana num "love is here to stay", que desejamos que nunca acabe...

Em Isabela, belissimo tema instrumental de Adnet, lembramos Jobim.

Parafraseando a gravadora que lancou o album, trata-se de um Biscoito Fino

Beto Kessel

Art Blakey's Jazz Messengers - Dat Dere

DUKE ELLINGTON EM TRIBUTO NA SALA BADEN POWELL

05 setembro 2010

VAMOS TOMAR UM CAFÉ?

Saindo um pouco do trivial, uma aventura bem sucedida da pouco conhecida cantora Anita Gravine. Balanço, ritmo e afinação na voz, acompanhada pelo excelente solo de Tom Harrell. No piano Mike Abene, George Mraz no baixo, Billy Hart bateria e Harry Lookofsky nas cordas.

“THE COFFEE SONG”

PODCAST # 14

03 setembro 2010






PARA BAIXAR: http://www.divshare.com/download/12441418-248

LOUIS ARMSTRONG, NOVO LIVRO

LOUIS ARMSTRONG – Mais um livro

Acaba de ser lançado no Brasil mais um livro sobre Louis Armstrong.

“Pops” é o seu título e traz a autoria do jornalista Terry Teachout. Deve ser coisa de qualidade, pois “O Globo” , coisa rara, ocupou toda a primeira parte de seu segundo caderno com matérias assinadas por Luiz Felipe Reis e João Máximo. Já encomendamos o nosso via Internet e depois comentaremos.


llulla

McCoy Tyner

02 setembro 2010

O pernambucano estará em alta no próximo dia 5.
Na Igreja da Santa Sé em Olinda estará se apresentando o trio do pianista McCoy Tyner, levando como convidado o saxofonista Gary Bartz.
Iniciativa que deve ser aplaudida por todos aqueles que apreciam a fina arte do Jazz.
llulla