Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Mágica Noite de Quarta Feira no Mistura Fina

30 outubro 2003

Começava a chuviscar na abafada noite da última quinta quando cheguei ao Mistura para a CJL6. No toldo da entrada, o letreiro dizendo CHIVAS JAZZ LOUNGE me saudou, amistoso, como a afirmar: é aqui e agora! Por alguns segundos preocupei-me com a assistência, imaginando que pudesse amedrontar-se diante da chuva.
Mas lembrando que o produtor da noite, nosso querido e competente DeFrag, era um protegido dos Orixás, coisa destinada aos homens que levam fé no que fazem, o sentimento sumiu. Ia dar tudo certo.
Ao subir a escada que leva ao segundo andar, duas coisas me chamaram a atenção: a primeira, a fila de gente aguardando para entrar, e isso, às 8:40 da noite; a segunda, perceber que, enquanto aguardavam a admissão, as pessoas aproveitavam para ler, no painel ali instalado, o "release" impresso pela casa, informando em detalhes os dados sobre a banda e o programa. Indícios excelentes.
Quando entrei no recinto, outra boa surpresa. Diversas mesas já ocupadas prenunciavam o que aconteceria dali a pouco. E a casa, de fato, lotou. Não apenas de amigos dos membros do CJUB que sempre prestigiam, mas de pessoas estranhas a nós, o que nos leva a acreditar que o trabalho está frutificando, o boca-a-boca está correndo. Lentamente, de e para pessoas que nos interessam ter por perto, verdadeiros amantes do jazz que conseguem perceber que aquilo não é apenas música de fundo para se conversar mas música para tocar fundo na sensibilidade dessas pessoas. E arrepiar os pelos dos braços.
E foi isso o que aconteceu na apresentação do Adriano Giffoni, um perfeito e profissional líder cujo time de músicos atuou com um espírito coeso e sensível, em meio a uma gostosa camaradagem já presente desde o ensaio no dia anterior e antes do concerto, no camarim. A resenha técnica deixo para alguém com mais competência.
Mas a resenha das pessoas presentes, faço gosto em fazer. Nessa noite iluminada estiveram por lá dois músicos que se apresentariam no dia seguinte no Tim Festival, o saxofonista tenor da banda trazida por McCoy Tyner, Javon [diz-se Javán] Jackson e o fenomenal baterista Lewis Nash(nesta foto, Nash está à esquerda), que segundo o mestre Luiz Orlando Carneiro, vem a ser o "busiest drummer" em Nova Iorque, ou seja o mais requisitado do momento. Quem o viu no dia seguinte, como nós, entendeu perfeitamente porque. Além destes, adentrou o Mistura Fina ninguém menos do que a "super-star" da canção pop, a diva canadense k. d. lang, com sua comitiva de mais sete pessoas.
Que, faço questão de notar, apreciaram genuinamente o que estava sendo feito ali em termos de música instrumental. Os aplausos que deram ao grupo no palco não foram educados, por ser desnecessário, mas por terem de fato gostado do que ouviam pois, já que além de mim, ninguém estava prestando atenção nelas.

O abençoado DeFrag, que ao final do concerto vibrava com a coisa toda, conseguiu não apenas manter, como ampliar, a trajetória ascendente do nível de nossos concertos. E ainda teve essa platéia enviada pelos Orixás.

A agradecer especialmente, ao encarregado pelo som do Mistura, o competente Mauro, que foi elogiado em meio ao concerto por Giffoni que o chamou de "sexto músico" presente ao espetáculo. E ainda às sempre presentes e dispostas a resolver o que for preciso, Bia, Adriana e Silvia. Além, claro do mago Mário, aquele que transforma 170 lugares em 200.

Saravá, meu bom!

A Coda - Social - da Noite de Quarta, 29/10/2003

Não bastasse tudo o que rolou no palco, a CJL6 foi abençoada pela presença de belas aficcionadas que emprestaram suas beleza e charme para aumentar a temperatura ambiente. .
Mas a musa preferencial do CJUB, nossa produtota e - até o momento - única editora-residente, Marzita, não se fez de rogada e concedeu-nos tirar uma foto empunhando um robusto, embora não fume.
Assim, termina o reinado temporário de nossa outra co-editora, a longínqua e inalcançável Conchita, que no passado apareceu aqui com seus olhos azuis e seu charuto. Aliás, é Conchita quem aparece na coluna fixa à esquerda, dando baforadas em seu dominicano de fé.
E nossa editora ainda levou suas amigas para ajudarem a embelezar a noite, que pôde ser considerada perfeita também nesse quesito.

É Hoje, Amanhã, Depois e Depois Também

29 outubro 2003

Numa semana grandiosa para um grupo de amantes de jazz como nós, os trabalhos começam esta noite, com a Chivas Jazz Lounge - Número 6 no Mistura Fina , com o que será um novo marco nas nossas realizações, pois trata-se do nosso primeiro tributo. E, muito bem escolhido pelo produtor deste Concerto, nosso DeFrag, a festa será em torno do gênio Charlie Parker. Outros tributos certamente virão.

Amanhã, quinta, na sequência, nossas almas estarão ainda mais leves - se é que isso será possível, depois da CJL6 - por conta do Tim Festival, que vai nos brindar com nada menos do que a Cedar Walton All Stars e a McCoy Tyner Big Band, além do quinteto de Nestor Marconi.

Na sexta, teremos nada menos do que Luizinho Avellar, depois Terence Blanchard Bounce e ainda o para lá de famoso veterano Illinois Jacquet com sua Big Band para animar a festa, que diga-se de passagem, veio recheada de grandes conjuntos, o que permitirá soberbas possibilidades de comparações.

E no sábado, como se tudo isso não bastasse, teremos uma apresentação de J.T. Meirelles e Os Copa5, marcando o retorno a festivais desse importante saxofonista brasileiro, que até pouco tempo estava relegado ao esquecimento e que agora volta para mostrar sua arte. Em seguida se apresentará o inédito, para nós, Walter Weiskopf Nonet, outro grande conjunto para o qual guardamos boas expectativas. E finalmente, cereja no topo do creme, a grande diva Shirley Horn botará o ponto final nesses quatro dias de uma semana quase que totalmente voltada para nós.

Se a tivéssemos encomendado, talvez não fosse melhor.
Voltem aqui para ler os comentários, o CJUB vai ferver.

DEU NO JB DE SEXTA - COLUNA DO TÁRIK DE SOUZA: SUPERSÔNICAS

24 outubro 2003

O antenado colunista do Jornal do Brasil abriu espaço para a CJL6 em sua tradicional coluna "Supersônicas" de hoje, fato que muito nos honra.
Transcrevo:


"- Confraria do jazz -
Cultores da música erudita afro-americana, os confrades do CJUB (Charutos, Jazz, Uísque e Blog) produzem concertos para usufruto da tribo (acessável em www.cjub.com.br), liderada por especialistas como Arlindo Coutinho, Mauro Nahoum, José Domingos Raffaelli e Luiz Orlando Carneiro. O próximo (o sexto da série), produzido por Luiz Carlos Fraga, será dia 29, no Mistura Fina, com um Tributo a Charlie Parker pelo quinteto liderado por Adriano Giffoni (baixo), mais Idriss Boudrioua (sax alto), Altair Martins (trompete e flugelhorn), Felipe Poli (guitarra) e Amaro Junior (bateria). "

Agradecemos, de público, a divulgação de nosso trabalho, feito, como todos aqui sabemos, "con alma".

Charlie Parker, o maior improvisador da história do jazz

22 outubro 2003

"Charlie Parker ? Charlie Parker é Deus". Essa afirmação do saxofonista Gigi Gryce, publicada na extinta revista Metronome, em 1960, dimensiona devidamente a estatura de Parker, o músico que revolucionou o jazz nos anos 40, quando criou o bebop ao lado de Dizzy Gillespie e outros luminares, dando-lhe novas formas e estruturas como nenhum outro jamais contribuiu para a chamada música dos músicos. A revolução do bebop foi total em termos de melodia, harmonia, ritmo, fraseado, timbres, sonoridade, composição, arranjo, concepção orquestral e de pequeno conjunto. Parker também introduziu no jazz a troca de quatro compassos entre os solistas – que logo tornou-se lugar-comum – e popularizou as gravações de um solista à frente de uma orquestra de cordas.
Parker foi um genial saxofonista-alto, criador de uma linguagem totalmente original, um autêntico gigante do jazz, um fenômeno musical que até hoje intriga e desafia análises, estudos e debates entre musicólogos, pesquisadores e historiadores. Além de Parker, somente Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Lester Young e John Coltrane provocaram um grande impacto sobre os demais músicos de suas respectivas épocas.
As novas gerações pouco conhecem a respeito desse músico e pouca atenção dão à sua obra, que figura entre as maiores realizações estéticas da história da música, independente de épocas, estilos ou escolas. As opiniões dos músicos, críticos e historiadores deram a Parker a quase unanimidade pelas realizações de uma carreira que não foi longa, porém suficiente para deixar a marca indelével de sua genialidade como o maior improvisador da história do jazz.
Sua trajetória foi pontilhada de realizações excepcionalmente criativas, desde os primeiros discos com a orquestra de Jay McShann, denotando um potencial raro, até tornar-se o companheiro ideal do trompetista Dizzy Gillespie ao traçarem as diretrizes da escola bebop, que deu início à Era Moderna do jazz.
Charlie Christopher Parker Jr., cujo apelido era Bird, abreviatura de Yardbird, nasceu em 29 de Agosto de 1920, em Kansas City, Missouri. Seu pai abandonou o lar muito cedo, cabendo à sua mãe, Addie Parker, criá-lo e estimular seu gosto pela música. Aos 11 anos ganhou um sax-alto, mas começou tocando tuba na bandinha da sua escola. Logo ficou claro que ele possuía uma imensa vocação musical, e aos 15 anos mostrava suas habilidades no sax-alto, participando de jam sessions com músicos mais experientes que ele, embora sua presença não fosse bem-vinda. Ele referiu-se a isso com certa amargura: "Lembro da primeira vez que toquei numa jam session. Estava me saindo bem até que tentei dobrar o andamento em Body and Soul. O pessoal caiu na gargalhada e retirei-me na mesma hora. Fui para casa, chorei bastante e durante três meses não peguei no meu instrumento".

As primeiras influências de Parker foram Rudy Vallee, que também foi ator de cinema, e Buster Smith, um músico de Kansas City. Mais tarde, também foi influenciado por Lester Young, um dos maiores saxofonistas do jazz.
A habilidade instrumental de Parker possibilitou-lhe conseguir seu primeiro trabalho profissional, aos 16 anos, na orquestra do pianista Lawrence Keyes. A essa altura, já casado e pai, tornou-se um escravo das drogas, vício que jamais conseguiu livrar-se, levando-o à autodestruição. Depois tocou com o pianista Jay McShann, passou pela orquestra de Harlan Leonard e atuou na banda do seu ídolo Buster Smith.
Parker resolveu tentar a sorte em New York, em 1939, quando conheceu Dizzy Gillespie. Como era desconhecido, foi-lhe difícil conseguir trabalho, ganhando a vida como lavador de pratos, mas nas horas vagas dava canjas em clubes de jazz para manter a forma. Voltou a tocar com McShann, em 1940, com quem gravou seus primeiros discos no ano seguinte: Hootie Blues e Swingmatism. Seus solos em Sepian Bounce e The Jumpin' Blues, ainda com McShann, em 1942, intrigaram sobremaneira os músicos da época. Nessa ocsasião, ele se reunia com os trompetistas Dizzy Gillespie e Vic Coulsen, pianistas Bud Powell, Thelonious Monk e Kenny Kersey, e bateristas Kenny Clarke e Max Roach nos clubes Minton´s Playhouse, na Rua 118, e no Monroe´s Uptown House, ambos no Harlem, onde desenvolviam as novas idéias que germinaram o bebop.
Deixando a formação de McShann, passou pelas fileiras de Noble Sissle e tocou brevemente com Andy Kirk e Cootie Williams. Passou a integrar a banda do pianista Earl Hines, em 1943, ao lado de Gillespie e Benny Harris (trompetes), Benny Green (trombone), Wardell Gray (sax-tenor) e Shadow Wilson (bateria), além dos cantores Billy Eckstine e Sarah Vaughan. Quando Eckstine formou sua orquestra, em 1944, que foi um celeiro de músicos bebop, levou Parker e Gillespie para suas fileiras, além de recrutar Fats Navarro, Miles Davis e Howard McGhee (trompetes), Benny Green e Jerry Valentine (trombones), Sonny Stitt, Dexter Gordon, Lucky Thompson, Gene Ammons e Leo Parker (saxes), Tommy Potter (baixo) e Art Blakey (bateria). Deixando Eckstine, passou a tocar nos pequenos conjuntos da Rua 52, depois oficialmente denominada Swing Street, na qual dois dos seus quarteirões abrigavam muitos clubes de jazz.
O ano de 1944 foi importante para Parker, que gravou quatro músicas com o guitarrista Tiny Grimes, das quais Red Cross e Tiny’s Tempo exibem o embrião do seu estilo pioneiro. A essa altura, ele e Gillespie tocavam juntos constantemente, causando verdadeiro furor pelas suas inúmeras inovações. Em Fevereiro e Maio de 1945, eles gravaram para o selo Guild (mais tarde reeditadas pela Savoy) as faixas que sedimentaram o bebop: Groovin' High, Dizzy Atmosphere, All the Things You Are, Hot House, Salt Peanuts e Shaw Nuff, ainda que as seções rítmicas não tivessem afinidades com o estilo deles. Uma faixa complementar – Lover Man - foi o veículo para Sarah Vaughan, que também despontava como uma das grandes vozes do jazz.
Anteriormente, em Janeiro de 1945, Parker e Gillespie participaram de uma sessão liderada pelo pianista Clyde Hart, com o cantor Rubberleg Williams, Trummy Young (trombone), Don Byas (sax-tenor) e outros; Parker e Gillespie tocam pequenos solos nos quais seus lampejos de gênio aparecem em doses homeopáticas. Em Maio, eles participaram de gravações com Sarah Vaughan para o selo Continental, e no mês seguinte de uma sessão com o vibrafonista Red Norvo para a Comet, com dois solos cintilantes de Parker e Gillespie em Slam Slam Blues e Congo Blues, na companhia de Teddy Wilson (piano), Flip Phillips (sax-tenor), Slam Stewart (baixo) e Specs Powell (bateria), músicos da Era do Swing. Todavia, foram os discos para a Guild que definiram a temática bebop, estabelecendo as regras fundamentais para a improvisação do então novo jazz. Esses discos tiveram impacto fulminante sobre a confraria jazzística, especialmente os jovens músicos, que viam em Parker e Gillespie os ídolos e arautos do bebop que desencadearam as inovações sonora, melódica, harmônica e rítmica. Nascia uma nova era. Jamais o jazz fôra transfigurado em todos os seus elementos e aspectos.

A partir desses discos, a influência de Parker e Gillespie alastrou-se ainda mais. Foi quando Parker decidiu formar seu próprio conjunto com Miles Davis, Curley Russell (baixo), Max Roach e alguns músicos revezando-se no piano.
Em Novembro de 1945, foi perpetuada a sessão definitiva do bebop, produzida por Herman Lubinsky para a Savoy. A formação do quinteto nessa sessão suscitou inúmeras controvérsias. Tudo ficou esclarecido quando o pianista Sadik Hakim (então usando seu verdadeiro nome Argonne Thornton) declarou ter participado da sessão. Foram perpetuados os clássicos Ko-Ko, Now's the Time e Billie's Bounce, além de Thriving From A Riff, Warming Up A Riff e Meandering. A fabulosa atuação de Parker selou definitivamente sua influência. Raras vezes sua força inventiva foi tão prolífica. Seus três choruses de Now’s the Time, um blues de 12 compassos, foram transcritos várias vezes para seções de saxofones completas, pois são considerados perfeitos em construção, inspiração e execução, tão perfeitos quanto a falibilidade humana pode ser.
Billie's Bounce, outro blues, possui uma linha melódica intrincada de difícil execução, cujas características rítmicas são altamente sincopadas. Ko-Ko, baseado nas harmonias de Cherokee, é virtualmente inenarrável. Devido às suas deficiências de execução, sem a técnica indispensável exigida para um músico bebop, além da sua embocadura falha, Miles Davis não conseguiu tocar a linha melódica do tema por ser bastante difícil, obrigando Dizzy Gillespie (que estava no estúdio) a executá-la em uníssono com Parker. O solo de 127 compassos do saxofonista desafia a análise: a descontinuidade rítmica, a fertilidade imaginativa pela sucessão avassaladora de idéias num andamento supersônico, as acentuações deslocadas precisamente colocadas e a cascata de notas alinhavadas com sua proverbial lógica deram à peça a inequívoca conotação de uma suprema obra-prima. Ko-Ko inscreveu-se ao lado de West End Blues, de Louis Armstrong, Body and Soul, de Coleman Hawkins, Concerto for Cootie, de Duke Ellington, These Foolish Things e I Can’t Get Started, de Lester Young, e Round Midnight, de Thelonious Monk, entre as maiores realizações da história do jazz de todos os tempos.
A partir desses discos, a importância de Parker foi definitivamente estabelecida, mas seus problemas pessoais e a indisciplina da sua vida particular, inteiramente oposta à sua rígida disciplina musical, foram minando sua saúde. A vida desregrada, o abuso do álcool, as noitadas em companhia de mulheres e toda sorte de extravagâncias minaram suas resistências, acumulando inexoravelmente um desgaste que trouxe conseqüências tragicamente desastrosas.
Em Dezembro de 1945, Parker foi para a Califórnia com o sexteto de Dizzy Gillespie, mas a receptividade à sua música foi mínima. Desanimados, Parker e Gillespie conseguiram algum trabalho com o grupo Jazz At the Philarmonic, mas o trompetista logo regressou a New York. Parker ficou em Los Angeles e, em Março de 1946, iniciou uma associação com Ross Russell, dono da gravadora Dial, para quem gravou uma série de discos com Miles Davis, Lucky Thompson (sax-tenor), Dodo Marmarosa (piano) e outros. Entre muitos, gravaram A Night in Tunisia, Moose the Mooche, Ornithology e Yardbird Suíte; as três últimas, de autoria de Parker, tornaram-se clássicas. Em A Night in Tunisia, Parker realizou o “impossível” no primeiro break, inserindo uma torrente de 64 notas em apenas quatro compassos, colocadas com total sentido musical, abrigando a centelha fulgurante do seu gênio; como a gravação foi rejeitada, Parker lamentou-se: "Nunca mais tocarei aquele break de quatro compassos". Por esse motivo, e reconhecendo o que Parker fez, Russell editou aqueles quatro compassos separadamente com o título "Famous Alto Break".
Ainda em Los Angeles, Parker organizou um quinteto com o trompetista Howard McGhee, gravando outra sessão para a Dial, em Julho de 1946. Durante a sessão, Parker teve um colapso nervoso logo depois de gravar Lover Man, sendo removido para o Hospital Camarillo, onde ficou internado sete meses. O solo de Parker em Lover Man é o retrato de um músico doente, inteiramente perturbado. Segundo alguns historiadores, Parker jamais perdoou Russell por haver editado esse disco.
Liberado do hospital em perfeita forma física, otimista e de bem com a vida, Parker estava preparado para novas façanhas. Voltou ao estúdio para gravar com o trio do pianista Erroll Garner, em 19 de Fevereiro de 1947, nascendo o clássico Cool Blues; apesar das diferenças de estilo entre Parker e Garner, o entendimento entre eles foi notável. Por insistência de Parker, mas contra a vontade de Russell, no mesmo dia um cantor chamado Earl Coleman gravou duas músicas com eles: This Is Always e Dark Shadows (o solo de Parker foi transcrito para a seção de saxes da orquestra de Woody Herman no arranjo de I’ve Got News For You). Por ironia, This Is Always foi um sucesso instantâneo, rendendo bom dinheiro a Parker, Garner e Coleman.
Uma semana depois, em 26 de Fevereiro de 1947, Parker voltou ao estúdio, desta vez com um hepteto extraordinário integrado por McGhee, Wardell Gray (sax-tenor), Dodo Marmarosa, Barney Kessel (guitarra), Red Callender (baixo) e Don Lamond (bateria). Dos quatro números, Relaxin' At Camarillo (alusão ao hospital onde foi internado), um blues ritmicamente intrincado, tornou-se outro clássico de Parker. O baterista Kenny Clarke assim o definiu: "Relaxin' At Camarillo diz tudo, mostra exatamente como Bird sentia os blues e a original colocação das suas acentuações rítmicas provam que ele conhece mais sobre os blues do que qualquer outro músico".
Mesmo com o apoio de Ross Russell e dos músicos com quem tocava, Parker queria regressar a New York. Logo que juntou algum dinheiro, voltou ao seu habitat musical e formou o quinteto que ficou para a história com Miles Davis (trompete), Duke Jordan (piano), Tommy Potter (baixo) e Max Roach (bateria). Os solos superiormente construídos de Parker e a afirmação de Duke Jordan como pianista original, criando introduções que foram exaustivamente copiadas e improvisações com maravilhosas frases melódicas altamente inventivas, aliadas a uma execução repleta de swing, embora sempre bastante relax, além dos progressos de Miles Davis em relação a dois anos antes, mais o apoio rítmico impecável de Tommy Potter e Max Roach, contribuiram para o quinteto gravar uma legião de obras-primas, ganhando um status que poucos combos alcançaram em toda a história do jazz. Entre outras, ficaram para a posteridade Donna Lee, Chasing the Bird, Cheryl, Dewey Square, Bird of Paradise, Scrapple From the Apple (com solos soberbos de Parker e Duke Jordan), Embraceable You (obra maestra de Parker em balada, cujo solo supera em beleza e graça melódica a célebre composição de George Gershwin), My Old Flame, Out of Nowhere e Don’t Blame Me. Nas quatro últimas, Miles Davis preconiza uma nova direção pela frieza das suas linhas melódicas improvisadas, embora extremamente líricas, mais tarde definida nas gravações da série The Birth of the Cool, que estabeleceram a linguagem do cool jazz. Outras obras importantes foram Blue Bird, Parker’s Mood, Steeplechase, Half Nelson e Milestones; nas duas últimas, originalmente editadas em nome de Davis, Parker toca sax-tenor. Em algumas gravações desse período, foi agregado ao quinteto o trombonista J. J. Johnson.
O ano de 1948 trouxe mudanças para o grupo. Jordan deixou o quinteto no início do ano, sendo substituído por Bud Powell e John Lewis em algumas sessões. No fim do ano, Miles Davis decide tentar a sorte como líder, sendo substituído por Kenny Dorham, Max Roach deu lugar a Roy Haynes e Al Haig ocupou a vaga de Jordan. Parker tocou com essa formação no I Salon du Jazz, em Paris, em 1949, mas logo Red Rodney substituiu Dorham.
Contratado pelo empresário e produtor Norman Granz, Parker grava uma série de canções standards acompanhado por uma seção de cordas, um contexto que foi copiado à exaustão, cujos discos alcançaram surpreendente sucesso de vendas. Ainda em 1949, é fundado o clube Birdland, na Rua 52, em sua homenagem, onde ele toca com freqüência, tornando-se o grande point jazzístico de New York. No ano seguinte, Parker se apresenta nos países escandinavos e no seu regresso grava outra sessão acompanhado por cordas, cujo sucesso tornou seu nome conhecido por um público alheio ao jazz.
Parker decide começar a segunda metade do Século XX sem ter um conjunto regular. Sua saúde fica mais abalada, especialmente depois que faleceu sua filha Kim, de dois anos, entregando-se novamente à bebida e aos tóxicos. Ele realiza turnês pelos Estados Unidos, tocando com seções rítmicas das cidades onde se apresentava, mas sempre convocando Duke Jordan, Tommy Potter e Roy Haynes quando tocava em New York.
Em Maio de 1953, o baixista Charles Mingus forma um quinteto de astros para tocar no Massey Hall, em Toronto, no Canadá, reunindo Parker, Gillespie, Bud Powell e Max Roach. O histórico concerto foi brilhante, com todos em forma excepcional. Lançado originalmente pelo selo Debut, foi reeditado inúmeras vezes, marcando o último encontro de Parker e Gillespie em disco. Parece que os dois compadres musicais sabiam ser a última vez que gravavam juntos, deixando para a posteridade uma atuação inesquecível. Segundo a grande maioria de conhecedores, Jazz at the Massey Hall é um dos 20 discos para a ilha deserta. Ainda em 1953, Parker gravou para a Prestige tocando sax-tenor ao lado de Miles Davis e Sonny Rollins, este iniciando sua marcha para o estrelato.
Em 1954, um pouco mais animado, Parker tentava levar uma vida normal, porém seu estado físico era precário. Em Julho realizou-se o primeiro Festival de Jazz de Newport (mais tarde sucessivamente denominado Newport-New York Jazz Festival, Kool Jazz Festival e finalmente JVC Jazz Festival), mas ele não foi convidado, uma omissão imperdoável por parte dos organizadores. Enquanto isso, suas apresentações no Birdland eram o ponto alto da vida jazzística nova-iorquina.
Em Agosto daquele ano ouvi Charlie Parker no Birdland, e dessas noites guardo a mais grata das recordações. Chegando a New York, soube que dois dias depois ele iniciaria uma semana no Birdland, dividindo a programação com o quinteto de Dizzy Gillespie (integrado por Hank Mobley no sax-tenor, Wade Legge no piano, Lou Hackney no baixo e Charlie Persip na bateria) e com a cantora Dinah Washington (com Junior Mance no piano, Keeter Betts no baixo e Ed Thigpen na bateria). Foi com certa apreensão que desci as escadas do Birdland, pois lera sobre sua propalada decadência. Após os sets de Gillespie e Dinah Washington, aguardava ansioso o momento de ouvir o grande monstro sagrado do jazz moderno, acompanhado por Duke Jordan, Tommy Potter e Roy Haynes e uma seção de cordas. Recebido calorosamente pelo público, recordo-me que Bird tinha excelente aspecto. Bastante sorridente e alegre, brincava com a platéia, que não lhe regateava aplausos. Era evidente sua satisfação pela acolhida que recebia. Quando começou a tocar, imediatamente notei que ele estava na plena posse das suas faculdades criativas, tocando com a fluência, a continuidade e a inventividade que marcou o seu gênio. Entretanto, mesmo com a seção de cordas fornecendo o background ideal para aquele contexto, não era exatamente o que o público queria. No início do segundo set, percebendo que o público não aprovava as cordas, ele interrompeu What Is This Thing Called Love e indagou se desejavam ouví-lo somente com a seção rítmica. Uma vibração indescritível tomou conta da platéia e imediatamente Bird dispensou as cordas, atacando em andamento avassalador sua composição Kim, deixando atônitos os que acreditavam na sua decadência. Seguiram-se, entre muitos outros. Scrapple From the Apple, Au Privave, The Song Is You (em andamento supersônico), Red Cross, Bird Lore, culminando com o inenarrável She Rote (baseado nas harmonias de Beyond the Blue Horizon, com Bird a todo vapor num andamento talvez ainda mais rápido que o de Ko-Ko, gravado para a Savoy). Em estado de graça, eu me deliciava com os vôos inacreditáveis de Parker, em forma exuberante. Não era para menos. Seus discos não passavam dos 3 minutos de duração, mas ao vivo, as interpretações se estendiam entre 8 e 12 minutos. Em vários números, ele e Roy Haynes trocaram infindáveis quatro compassos repletos de idéias e interação mágica. Nunca ouvira nada parecido e o público gritava mais alto a cada troca de quatro compassos. O impacto dessa primeira noite foi tão grande que, ao regressar ao hotel sob o efeito daquela experiência única e fantástica, não consegui dormir. Aquela e as cinco noites seguintes ficaram gravadas para sempre na minha memória. Foram os melhores e mais inolvidáveis momentos da minha vida de jazzófilo inveterado, e, acreditem, ouvi centenas dos melhores músicos de jazz do mundo, mas nenhum outro igualou-se a Parker. Naquela semana, eu era o primeiro a chegar ao Birdland, ocupando uma das cadeiras na primeira fila, em frente ao palco. Ao chegar para o que seria a noite de encerramento daquela semana memorável, fui informado que Parker tentara o suicídio injetando iodo na veia e estava hospitalizado em estado crítico. Chocado e muito triste, voltei ao hotel. Nunca mais o vi.
Parker reapareceu num concerto no Town Hall, em 30 de Outubro. Gravou pela última vez em Dezembro uma sessão com músicas de Cole Porter. Essas gravações inspiraram Norman Granz a realizar a série de songbooks com Ella Fitzgerald interpretando canções dos grandes compositores americanos. Ele fez sua última apresentação no Birdland em 5 de Março de 1955.
Parker morreu em 12 de Março de 1955 enquanto assistia televisão no apartamento da Baronesa Pannonica de Koenigswarter, vitima de congestão e pneumonia, segundo a autópsia. Tinha 34 anos, mas o médico que assinou seu atestado de óbito declarou que "o falecido teria presumivelmente 53 anos".
Sua vida agitada, febril, repleta de angústia e tragédia foi romanceada num conto intitulado "Sparrow's Last Jump". Nos anos 80, sua vida foi focalizada no filme "Bird", em que muitos fatos foram aleatoriamente fantasiados, como acontece na maioria das produções de Hollywood.
Parker casou e viveu com várias mulheres, teve diversos filhos, foi amigo dos seus amigos, mas não ganhou dinheiro. A época dos festivais ainda não fôra instaurada e ele não se beneficiou da publicidade e da projeção que esses eventos proporcionam. Tudo que ganhava ia embora com bebidas, mulheres e drogas.
A contribuição de Parker ao jazz foi das mais notáveis. Seu estilo foi revolucionário em todos os sentidos; sua técnica, incomparável; suas idéias, inesgotáveis. Suas frases vertiginosas, a descontinuidade rítmica, a substituição e extensão dos acordes e a riqueza melódico-harmônica das suas improvisações sedimentaram uma nova linguagem rica e original. Sua concepção ousada abriu as portas para as inovações que ele criou. Sua execução nos andamentos rápidos incluía acordes de passagem disseminados entre fragmentos melódicos. Nas baladas incluía frases de notas abundantes com a harmonia implícita, realizando a sublimação da melodia. Sua influência sobre milhares de músicos e seus discípulos - do obscuro Dean Benedetti (que o seguiu por todos os Estados Unidos gravando suas apresentações) aos mais famosos, entre eles Sonny Stitt, Jackie McLean, Cannonball Adderley e Phil Woods, além dos cinco saxofonistas que organizaram o conjunto Supersax com o objetivo de recriarem a sua música e os seus solos – espargiu a sua grandeza.
O jazz percorreu longos caminhos desde a morte de Charlie Parker, conheceu outra revolução - a do free jazz -, cambaleou nos anos 60 com o advento do rock - nascendo uma inexpressiva fusão híbrida do chamado indevidamente jazz-rock (com muito de rock e quase nada de jazz), que nada acrescentou em termos artísticos -, mas revigorou-se a partir da década de 80 com o renascimento da sua linguagem mais autêntica, atravessando desde então uma fase de amplo fastio em todo o mundo. Mas, a despeito de haver mudado tanto desde os tempos de Parker, sua influência continua inspirando músicos das novas gerações, e sua música é ouvida em todo o mundo. Até hoje o jazz não conheceu um músico que o tenha superado ou sequer igualado.
Dizzy Gillespie declarou, em 1963: "Bird era como meu irmão gêmeo. É um gênio do nosso século. No futuro, será citado ao lado de Beethoven, Bach e outros como um dos melhores músicos de todos os tempos".
O saxofonista Ornette Coleman, um dos arautos do free jazz, declarou: "Penso que somente a cada 100 anos nasce um gênio como Charlie Parker. Ele foi o melhor de todos".
O crítico Ben Caldwell escreveu em 1990: "Não existe nada melhor no jazz do que foi tocado pelos inovadores da revolução do bebop. Até que um saxofonista supere Charlie Parker, um trompetista supere Dizzy Gillespie ou um pianista supere Bud Powell, nada melhor existirá no jazz".
E eu assino embaixo.

José Domingos Raffaelli

Tributo a Charlie Parker - Set List

21 outubro 2003

Apenas para informar que a noite de 29 de outubro será para corações fortes; segurem as pedradas:

1º Set
1. Scrapple From The Apple (Charlie Parker)
2. Blues For Alice (Charlie Parker)
3. Ornithology (Charlie Parker / Benny Haris)
4. Au Privave (Charlie Parker)
5. Buzzy (Charlie Parker)
6. Billie's Bounce (Charlie Parker)


2º Set
7. Donna Lee (Charlie Parker)
8. Tema Da Tarde (Adriano Giffoni)
9. Nem Lá, Nem Cá (Adriano Giffoni)
10. Duo Número Um (Adriano Giffoni)
11. Now's The Time (Charlie Parker)
12. All The Things You Are (Jerome Kern / Oscar Hammerstein)
13. Anthropology (Charlie Parker)

Saravá!

6º Concerto da Série Chivas Jazz Lounge - Tributo a Charlie Parker

19 outubro 2003

O quinteto de jazz do contrabaixista Adriano Giffoni será a atração de quarta-feira, dia 29 de outubro, a partir das 21 horas, no Mistura Fina (Av. Borges de Medeiros nº 3.207, Lagoa - tel. 2537.2844), em seqüência ao Projeto Chivas Jazz Lounge, com patrocínio do whisky Chivas Regal e idealizado pelos membros deste blog.
A produção do concerto, “Tributo a Charlie Parker”, será de Luiz Carlos Fraga, um dos membros fundadores do CJUB, e o quinteto é integrado por Adriano Giffoni (contrabaixo), Idriss Boudrioua (sax alto), Altair Martins (trompete e flugelhorn), Felipe Poli (guitarra) e Amaro Júnior (bateria).

O contrabaixista, arranjador e compositor Adriano Giffoni é natural do Ceará, e estudou no Conservatório da Universidade do Amazonas, tendo feito cursos de extensão, posteriormente, em Brasília, com Buhomil Med (percepção musical) e Jacques Von Frasunkiewsk (contrabaixo acústico).
Com diversos cursos e workshops ministrados no Brasil e no exterior, Adriano Giffoni já compôs trilhas para cinema e televisão, e também possui diversos livros publicados, tendo participado, ainda, na condição de músico, de grande parte dos songbooks da editora Lumiar.
Giffoni gravou quatro CDs solo, “Caçula” o último deles (Perfil Musical, 1999), e já tocou com a nata da música instrumental, no Brasil e no exterior, sendo dignas de destaque as apresentações com Sivuca e Toots Thielemans (Festival de Jazz de Madri, 1987) e Virgínia Rodrigues (turnê mundial de lançamento do disco “Sol Negro”, Londres, Bruxelas, Hamburgo, Nova Iorque, Chicago, São Francisco e Miami). Com Maria Bethânia apresentou-se em Montreux e no Carnegie Hall, e esteve ao lado de Roberto Menescal, Wanda Sá, Danilo Caymmi e Marcos Valle, no Festival de Pavia, Itália, em 2001.

O saxofonista francês (carioca por adoção) Idriss Boudrioua é músico de excepcional criatividade, e, na atualidade, um dos melhores saxofonistas de jazz da América do Sul. Professor e também arranjador, é dono de expressiva fluência sonora na escola jazzística do saxofone, acentuadamente a “parkeriana”.
Ainda em Paris, participou de jam sessions com o trumpetista Chet Baker, o saxofonista Bob Moover e outros músicos de renome internacional.
Em 2001, apresentou-se no Festival Internacional de Jazz de Berna, Suíça, com o clarinetista e saxofonista Paquito d’Rivera, o trombonista Raul de Souza e o trompetista Cláudio Roditi.
Na MPB, já esteve ao lado de grandes nomes, tais como João Donato, Johnny Alf, Leny Andrade, Marcos Valle, Célia Vaz, Tito Madi e Fátima Guedes.
Na música instrumental, Idriss Boudrioua tem uma carreira solo consolidada, com quatro discos gravados e um quinto trabalho em curso, batizado de “Paris-Rio”.

O trompetista Altair Martins é um dos músicos que mais se destacaram em gravações e shows nos últimos anos, no Brasil.
Estudou com Mark Zauss nos Estados Unidos e, nessa oportunidade, participou da big band do baterista americano Bob Grauso.
Foi trompetista da banda de Bob Mintzer no Festival de Ouro Preto, tocou no Free Jazz de 96 ao lado de Paulinho Trompete e atua em shows de artistas como Francis Hime, Emílio Santiago e Alceu Valença, entre outros.

O guitarrista, violonista e arranjador Felipe Poli vem despontando como um dos maiores talentos da nova geração de guitarristas brasileiros.
Estudou com Hélio Delmiro e Ari Piassarolo, e participou de diversos workshops, entre outros com Larry Carlton e Pat Metheny.
Em 2002, lançou o CD “Trem Fantasma”, e já tocou com diversos nomes, entre os quais Cláudia Telles, Jacques Morelenbaum, Luizão Maia, Hamleto Stamato e Raul de Sousa.

Amaro Júnior é baterista, estudou teoria e técnica com o professor Fernando Pereira, e desenvolve um trabalho de bateria acoplada a instrumentos de percussão brasileira, criando novas possibilidades nas bases dos mais variados ritmos.
Já tocou e gravou com consagrados artistas como o pianista Osmar Milito, o guitarrista uruguaio Mônico Aguilera e os cantores Peri Ribeiro, Emílio Santiago e Biafra.

TIM FESTIVAL

16 outubro 2003

Aos cejubianos ( prefiro assim ) gostaria de comentar os 2 artigos publicados hoje no JB, o primeiro a como sempre boa coluna do Luiz Orlando Carneiro, que enaltece a 1a noite do Tim considerando já e sem dúvida a mais quente da parte jazzística do festival, ( acho que o Weiskopf vai surpreender a muitos ) a noite dos 2 grandes pianistas o McCoy Tyner que se apresentará com 14 !!! super músicos, e o Cedar Walton com um super quinteto incluindo Curtis Fuller e Donald Harrison além do Lewis Nash e Ray Drummond.
O outro artigo do Luciano Ribeiro, contendo uma entrevista por telefone desde N.York com a Shirley Horn chamada por ele de diva derradeira, que encerrará o Tim tocando e cantando pela 4a vez no Brasil ( assisti as 2 últimas anteriores ), o repertório do seu cd "May the music never end" e também nosso Tom Jobim.
É esperar mais 2 semanas para curtirmos ao vivo e a cores isso tudo...

15 DE OUTUBRO - DIA DO MESTRE

15 outubro 2003

15 de outubro sempre foi uma data especial para mim. Quando adolescente era mais um feriado escolar onde eu podia brincar com a turma, quando anos mais tarde me formei, passou a ser a data comemorativa da minha profissão. Algum tempo depois, mais precisamente em 1991, eu, meu irmão e o Marcelon inauguramos nossa primeira loja neste mesmo dia. O tempo foi passando e como deixei o magistério a data ficou apenas em minhas lembranças.

Um dia conheci José Domingos Raffaelli. É claro que já o conhecia de nome, já tinha lido seus artigos, críticas e reportagens e seu livro era fonte permanente de consultas. Já o tinha visto de longe e há pouco tínhamos nos tornado confrades do blog. Naquele dia na casa do Bene-X, um domingo mágico sem dúvidas, a figura mais esperada era a dele. Quem ainda não o conhecia contava os minutos para sua chegada. Quando finalmente chegou, Raffaelli começou a nos brindar não só com sua inigualável cultura jazzística, mas com uma cativante simpatia e uma imensa generosidade. Começou a partir deste momento uma amizade da qual muito me orgulho. É difícil as vezes não chamá-lo de senhor, pelo respeito e admiração que tenho por ele. Raffaelli porém, com sua simplicidade peculiar, sempre dispensou rótulos e tratamentos mais formais. Trocamos e-mails, nos telefonamos, nos encontramos toda semana no nosso tradicional almoço de sexta e sempre vejo nosso amigo Raffa de sorriso aberto, a contar histórias interessantíssimas e dividir com todos os presentes sua memória e sabedoria.
Hoje, dia 15 de outubro, Dia do Mestre, é o aniversário do nosso amigo. Agora uma data para não mais ser esquecida. Parabéns Mestre.

Marcelink

Ao Mestre JDR - 15 de outubro de 2003

Me perdoem os demais confrades, mas larguei na frente para parabenizar nosso muito querido Mestre, por mais um aniversário.

Lembro-me de nosso primeiro encontro, na casa de Bene-X, quando realizei o sonho de conhecê-lo; aliás, sonho antigo, visto que sempre foi minha referência musical maior, desde as páginas do "O Globo", em minha adolescência.
Passado esse primeiro ano de prazeroso convívio, tive a satisfação de descobrir qualidades muito mais significativas do que a usina enciclopédico-musical ali instalada, e deixo aqui meu mais fraterno abraço ao querido amigo, fazendo votos para que eu possa desfrutar de muitos outros aniversários em sua companhia.
Saravá!

GLOBO FM - 30 ANOS

14 outubro 2003

Hoje pela manhã recebi junto com o meu jornal um encarte sobre os 30 anos da Radio Globo FM. Em meio a entrevistas e reportagens, o encarte nos traz uma linha do tempo contando toda a evolução da rádio nestas três décadas. No início da década de 90, no ano de 1991, a linha do tempo nos relata: "A cantora e pianista Joyce Collins se apresenta ao vivo no programa "Jam Session" produzido por Arlindo Coutinho, cantando desde clássicos do jazz americano até dois sambas de seu último disco."
Arlindo, o nosso "Goltinho", faz parte não só da história da Globo FM, faz parte da história da música no Brasil. Quem tem o privilégio de seu convívio e pode ser brindado com suas inúmeras histórias sabe disso.

Abraços,

Marcelink

JAMBALAYA!

09 outubro 2003

Alguns contratempos fizeram com que eu chegasse ao João Caetano exatamente às 20h, horário previsto para o início do show Jamba! Cartola – Da Velha Guarda ao New Birth. Logo percebi que o início sofreria um atraso, o saguão estava lotado e ainda tinha gente do lado de fora tomando descontraidamente sua cervejinha. Aproveitei para, finalmente, adquirir a camisa do festival (R$ 10,00), sem precisar ficar pulando para conseguir uma. Ao entrar vi que o público era muito bom. A platéia, bem variada, contava com um surpreendente número de estrangeiros. Sentei ao lado de umas francesas empolgadíssimas e observei no canto do teatro o diretor do evento, o americano Thomas André, ansiosamente olhando para a platéia e o relógio intercaladamente. O público já demonstrava alguma impaciência quando às 20h 20min as luzes se apagaram e foi anunciado o show. A bateria da Mangueira, composta por onze ritimistas, entrou pela platéia causando um alvoroço total. Subindo ao palco, os jovens músicos deram em quinze minutos, um pequeno show com inúmeras variações rítmicas e até uma batida meio funk que fez a platéia se empolgar de vez.

O violonista Marcos Pereira entrou em seguida e tocou sozinho por uns dez minutos, tempo suficiente para dar uma acalmada no público. A magnífica Leny Andrade entrou triunfal no palco, sendo aplaudida por longos minutos. Com total domínio de palco e com sua voz inigualável, Leny emocionou o público presente com uma interpretação magistral de “As Rosas Não Falam”. Após tecer diversos elogios a Cartola, o homenageado da noite, Leny apresentou o clarinetista Paulo Moura, que entrou acompanhado de Marco Susano no pandeiro. Os quatro interpretaram então várias canções de Cartola e de sambas-exaltação da Mangueira. “A Mangueira chegou ô ôô...” foi a deixa para as cortinas se abrirem apresentando a Velha Guarda da Verde Rosa, que mais uma vez fez a platéia ficar de pé.


Finalmente, às 21h 25min, o tão esperado encontro da Brass Band com a bateria da Mangueira aconteceu. Todos entraram no palco e tentaram fazer um número juntos. Não funcionou muito bem. Os gringos estavam meio perdidos e não sabiam muito bem o que fazer, até porque a bateria abafava por completo os instrumentos de sopro da banda. O ótimo trompetista Kenneth Terry até tentou cantar alguma coisa, repetindo desengonçadamente o refrão “mulata ensaboa”. Não durou muito a confraternização e cinco minutos depois a New Birth Brass Band estava sozinha, e muito mais á vontade, no palco. Repetindo basicamente o repertório que apresentaram em Ipanema no último domingo, os caras mais uma vez contagiaram o público com uma vibrante empolgação, embalada pelos solos ininterruptos e intercalados do trompete, saxofone e trombone e principalmente pelos refrões simples e alegres das músicas, que faziam com que a platéia interagisse com a banda. Bastaram duas músicas para que todos ficassem de pé dançando entre as cadeiras. Aproveitei e dei uma olhada no teatro que percebi que estava bem cheio, quase lotado. Vi novamente o Thomas André, desta vez com um amplo sorriso e feliz da vida com a empolgação do público. As 22h os integrantes da banda desceram do palco e tocaram nos corredores do teatro, convidando a todos para tocarem do lado de fora. A fila logo se formou e começou o desfile rumo a Praça Tiradentes. No saguão do teatro, procurei pelo CD deles (D-Boy de 1997), mas não havia. Fui então para rua e vi que estavam no largo em frente ao Real Gabinete Português de Leitura. Lá, rodeados pelo público, imprensa e meninos de rua, fizeram um show á parte que durou uns dez minutos, terminando é claro, com a clássica “When The Saints Go Marching In”. O público adorou.

No final ainda consegui falar algumas palavras com o trombonista Glenn Andrews. Disse-lhe que tinha visto o desfile em Ipanema e falei do nosso blog, dando-lhe inclusive o cartão do CJUB. Falei também com o trompetista Kenneth Terry, mas este estava mais interessado numa loira que pedia seu autógrafo em sua camiseta suada. Ao emprestar minha caneta, vi que era uma das francesas que estavam ao meu lado no teatro.
Foi uma noite bem eclética e animada, o encontro do jazz da Brass Band com o samba da Mangueira não funcionou como o esperado, mas separadamente os shows foram interessantes e agradaram ao público que, sem dúvida, saiu muito satisfeito.
O festival continua até sábado no Bar do Tom e no domingo no Hotel Sofitel.

Marcelink

Da série IMAGENS HISTÓRICAS

08 outubro 2003

Quero ver se na galera cjubiana há algum outro registro de amor pela música como este, de um moleque de ano e meio já nas carrapetas. Podem fazer concorrência talvez o Raf e o Sazz, loucos por música desde tempranito.
Se alguém tiver algo semelhante, por favor enviar para a redação para ser publicada.

P.S.: não há informação se o disco manuseado era de jazz, provavelmente não. Talvez umas trilhas sonoras de desenho animado. Mas, pensando melhor, como não havia TV na época, muito menos Randy Waldmann (né, JoFla ?), imagino que poderia ser um daqueles 78 rpm com histórias da Carochinha, como muitas que há por aí, desde esses tempos remotos.

TIM CLUB, primeira noite, 30/10: NECESSITA-SE INGRESSO

Em vista de terem se esgotado todos os ingressos para ouvir jazz, em todos os dias do festival, informo que há uma pessoa para quem gostaria de conseguir um lugar para a noite de estréia, mesmo que para isso seja necessário recorrer ao mercado paralelo, cambistas, etc.
Se alguém souber de alguma oferta para a data específica, por favor que entre em contato comigo pelo email acima, clicando em Mau Nah. Grato.

Data especial: Manim cumpre anos

07 outubro 2003

Não pode ficar sem registro o aniversário - e por favor, os membros que não receberam saudações com figurinhas que me perdoem a falta de tempo, mas essa veio numa mensagem de email, ou seja, caiu do céu - do nosso mais novo co-editor Mario Vieira, Manim, que completa ... bem, deixa pra lá, idade nova hoje.
Que tenha muita saúde e tranqüilidade na vida e continue sendo, por muitos e muitos anos o bom e fiel amigo de sempre.

NA PRAIA DE IPANEMA COM A NEW BIRTH BRASS BAND

06 outubro 2003

Ontem, por volta das 15h cheguei a Ipanema para ver a abertura do Jambalaya! 2003. A concentração marcada para as 14h 30min havia atrasado um pouco em virtude de um problema no gigantesco trio elétrico da prefeitura que serviria de palco para os músicos de Nova Orleans. O trio ficou parado, em frente ao canal do Jardim de Alah por um bom tempo. A praia, como de costume estava cheia e a pista fechada, como todo domingo, convidava os cariocas a desfilarem com seus filhos, cachorros, namorados, bicicletas, skates e patins. Todos, porém, não resistiam a uma olhada mais atenta no trio elétrico: “Vai ter samba?”, perguntava um, “Deve ser coisa do César Maia”, devolveu um velhinho. Fui tentar explicar e disse que era uma brass band de Nova Orleans. “Brass o que?” exclamou o senhor. Quando entendeu que era jazz e que iria ser tocado no trio elétrico, sua cara de surpresa foi inevitável: “Jazz, num trio elétrico, debaixo deste sol na praia de Ipanema? Isso é coisa do César Maia!”. Nem tentei explicar, até porque a prefeitura realmente apoiava o festival.

Resolvi andar um pouco e logo encontrei meu amigo Walmor Pamplona, que envolvido na produção, conferia o movimento. Depois de um fraterno abraço ele me apresentou ao curador brasileiro do festival, o simpático João Luiz de Albuquerque, que depois de uma troca de cartões prometeu conhecer melhor o CJUB.
O movimento frenético da produção adiantava a todos que breve teríamos música. O número de pessoas aumentava a cada instante e nos primeiros acordes de uma música que, juro, parecia mais um reggae, todo mundo parou. Era apenas um teste no som, excelente por sinal, mas conseguiu despertar a atenção de toda a praia. Pontualmente às 16h o narrador do evento anunciou a abertura do Jambalaya, tentando explicar o festival, divulgando as datas, os artistas e, é claro, os patrocinadores.

Às 16h 30min foi anunciada a New Birth Brass Band, com seus sete integrantes. Os caras começaram com tudo. O som contagiante fez com que a praia parasse. Das janelas e varandas as pessoas observavam incrédulas. Logo já tinha gente dançando, pulando, imitando os músicos e dava até para ouvir uns “yeahhh!!” de vez em quando. Na terceira ou quarta música, os organizadores começaram a jogar camisas para a multidão. Aí foi a festa! A música rolando pesada e a galera pulando, dançando e disputando as bonitas camisas. Minha altura pouco privilegiada me impediu de pegar uma, mas quando os caras mandaram um “St. Thomas” deixei de lado a inútil disputa para ligar para o celular do Bene-X, que tinha prometido ir também. Era impossível falar, mas queria dividir com ele o prazer de estar ouvindo Sonny Rollins de uma forma tão atípica. Nessa altura estava quase todo mundo com a camisa do Jambalaya. A Imprensa estava lá e pude ver no “Jornal das 10” da Globo News, uma ótima matéria. O clima do evento continuava a surpreender todo mundo, a praia, parada, só tinha olhos e ouvidos para a Brass Band. Todos sorrindo e se divertindo muito. Umas garotas conseguiram até sambar diante de um grupo de gringos avermelhados que não cansavam de tirar fotos, ou seja era um evento completamente sui generis.
Na altura da Farme de Amoedo os músicos deram uma parada, exaustos e molhados de suor. O trio elétrico deu uma acelerada em direção do Arpoador, pois em breve a pista teria de ser liberada para os carros. Pude ver nosso Paulo Moura, o diretor musical brasileiro do evento, sorrindo encantado com a impressionante receptividade do público.

Quando chegamos ao Arpoador, os músicos desceram do trio e começaram a tocar na calçada para uma multidão que vinha pedindo mais música desde a parada na Farme. Infelizmente o cordão de isolamento dos seguranças, todos com uns 3m de altura, impediu uma melhor visão dos músicos, mas nada que fizesse a platéia não delirar quando tocaram “When The Saints Go Marching In”. “Essa eu conheço!” exclamou um garotão. Foi um encerramento apoteótico e sem dúvida, uma grande divulgação para o festival que continua nos dias 8, 9, 10 e 11. No final fui dar os parabéns ao Walmor, ao João Luiz e ao Thomas André, o produtor e diretor executivo do festival. Thomas, que esteve no primeiro Chivas Jazz Lounge do CJUB, ficou muito feliz quando eu disse que tinha adorado o desfile.

Eventos como esse só demonstram que quando o público tem acesso à música de qualidade ele gosta e quer mais. Da mesma forma que quando a Orquestra Sinfônica toca na Quinta da Boa Vista e fica lotado, um desfile de uma Brass Band, tocando jazz e blues de qualidade num domingo em Ipanema é perfeitamente viável. Mas que foi surpreendente foi. E digo mais, foi inesquecível!

NO TÚNEL DO TEMPO...

05 outubro 2003

James Ercolani (Darren) chegou a Hollywood em 1956, grande promessa como ator. Já veio famoso de Philadelphia, onde nasceu (1936). Rapidamente assinou contrato com a Columbia Pictures. Depois de alguns papéis inexpressivos, transformou-se no Dr. Tony Newman (1966) na série de TV "Time Tunnel", sucesso até mesmo aqui no Brasil. E ficou nisso, além de um permanente candidato a canastrão. Em paralelo, havia o cantor - são 11 discos desde 1960.
Darren - um híbrido de Andy Williams e Frank Sinatra - parece ter levado mais a serio sua segunda vertente artística. Pelo menos é o que demonstra o penúltimo CD, "This One's From The Heart"(Concord Jazz). Com uma banda afinada e arranjadores competentes, percorre "standards" habilmente selecionados. Como ignorar músicos como Alan Broadbent, Pete Christlieb, John Pisano e Gary Foster? Os arranjos são assinados pelo próprio Broadbent, além de Patrick Williams, Marty Paich, Sammy Nestico, Jimmy Bryant e Tom Ranier. E, para completar, o repertório navega por Ellington ("Satin Doll" e "Sophisticated Lady"), Cole Porter ("Night & Day" e "I've Got You Under My Skin"), além de outros craques como Jerome Kern, Dietz/Schwartz e Cahn/Van Heusen.
Se por um lado como ator Darren seja descartável, talvez aquele túnel do tempo possa ter incorporado um talento pelo menos mais honesto, digno da curiosidade entre os que fazem da boa música uma terapia essencial para a sobrevivência do espírito.

REVELAÇÕES 2003

03 outubro 2003

Como prometido seguem abaixo alguns dos eleitos pela "Down Beat - Critics Poll" como revelações ( Rising Stars ) de 2003, a saber :

Piano - Jason Moran
Bass - Scott Colley
Drums - Matt Wilson
Alto Saxophone - Antonio Hart
Tenor Sax - Chris Potter ( second Eric Alexander - 20 votos )
Soprano - Janr Bunnett
Baritone - Claire Daly
Trumpet - Jeremy Pelt
Trombone - Josh Roseman
Guitar - Russell Malone
Male Vocalist - Peter Cincotti
Female - Norah Jones

CURIOSIDADES:

Lendo o segundo número da revista " Jazz + " ( publicação brasileira que recomendo aos cejubianos ) me chamou a atenção uma crítica sobre um vinil ( é bolacha mesmo ) chamado "Jazz no Municipal", que trata-se de apresentações em 4 dias consecutivos de sessões vespertinas (???) e noturnas do mais puro jazz, gravado ao vivo em 1961 e contando nada mais nada menos com: Coleman Hawkins, Zoot Sims, Tommy Flanagan, Curtis Fuller, Herbie Mann, Al Cohn, Roy Eldridge, Kenny Dorham, Jo Jones, entre outros, e o melhor de tudo, sabem de quem são as informações contidas nessa preciosidade? De ninguém menos do que do nosso mestre, José Domingos Raffaelli, denominado aqui como RAF.
É, meu bom Raffaelli, será que poderíamos conseguir um exemplar para, além de curtirmos sua escrita, desfrutar desses concertos que certamente essa cidade
não deveria esquecer e quem sabe transformar em CD para uma futura audição do CJUB?

Finalmente, a lamentar a ausência, no Rio ( perdemos uma vez mais para a paulicéia ) da apresentação do Mark Murphy, seis vezes nomeado ao Grammy como melhor cantor de jazz, e que se apresentou no Bourbon Street dias 01 e 02 p.p., e para quem quiser, no mesmo local. dias 05 e 06/11, Steve Turre.

Quem sabe em um futuro bem próximo o CJUB estará trazendo essas atrações que cansam de passar por São Paulo e não aparecem, infelizmente na cidade maravilhosa?

Digna de nota ainda, hoje no Cais do Oriente, no Centro, às 22 h, a apresentação de Roberto Rosenberg com sua guitarra jazzística, lançando seu CD "Circular". Roberto já esteve nos prestigiando na CJL4 e agora faz novo show. Fone para reservas: 2233.2531.

MAD ABOUT MADELINE!

Nasceu em 27 de junho de 1954, San Francisco. Pela gravadora “Mad Kat”, lançou 4 interessantes cds, segundo os críticos norte-americanos. A própria Down Beat teria comentado:"From an era in wich (accordind to Carmen McRae) there are no new jazz singers, one has appeared out of nowhere, fully incontestably jazz". Mesmo assim, Madeline Eastman é pouco conhecida em seu país, talvez por se concentrar apenas nos arredores de San Francisco. Criativa e ousada, ela é uma vocalista que merece atenção especial, mais ainda por estar sempre muito bem acompanhada.
O segredo de Mrs. Eastman está na forma de encaixar a letra nos temas, ou melhor, pelo seu sentido atrevido de divisão. Sofreu forte influência de Carmen McRae e Mark Murphy. Claro que a melhor avaliação mesmo é vê-la em ação. E a sugestão recai sobre o CD “Mad About Madeline!”, gravado em 1991 - talvez seja o melhor. A começar pelos convidados especiais, como o próprio Mark Murphy, Phil Woods e Cedar Walton. Leonard Feather, na contracapa, rasga elogios. O repertório, singular, vai desde “All Of You” (Porter), “Freedom Jazz Dance” (Harris), “Four” (Davis & Hendricks) até “Flor De Lis” (Djavan).
Conhecer uma nova e legítima cantora de jazz é sempre agradável. Mas o simples fato de se pegar uma carona com Phil Woods e Cedar Walton – sem contar Mark Murphy - , inspirados e soltos, o prazer é redobrado.
PS. E já saiu um novo(2003), também pela Mad Kat ("Speed Of Life")

JAZZ EM ALTA TEMPORADA NO RIO

01 outubro 2003

Estamos entrando em um período de alta temporada de jazz em nossa cidade. E o que é melhor, jazz de altíssima qualidade. Depois do sucesso absoluto da quinta edição do Chivas Jazz Lounge, realizado no Mistura Fina no final do mês passado e a inevitável consolidação do CJUB como referência na produção de jazz, o Rio entra no mês de outubro respirando e vivendo o jazz.
No início do mês, a partir do dia 5, teremos a segunda edição do Jambalaya Festival, que trará a rica cultura musical de Nova Orleans, berço do jazz. O festival acontecerá no Teatro João Caetano, no Bar do Tom e pelas praias de Ipanema e Leblon onde haverá um desfile de uma Brass Band. Um evento que, com certeza, irá surpreender muita gente. Para maiores informações visite o site: www.jambalaya.com.br
O ponto alto do mês, porém, será a estréia do Tim Festival, sucessor do Free Jazz. O festival é produzido pela Dueto Produções, a mesma que idealizou e conduziu o Free Jazz por tanto tempo. O formato será o mesmo e o local também. Os concertos irão acontecer em três palcos no MAM, entre os dias 30 de outubro e 1 de novembro e terão alguns nomes de peso como McCoy Tyner e sua Big Band, a cantora e pianista Shirley Horn e o saxofonista Illinois Jacquet. É claro que a armada cjubiana estará em peso no palco Club do festival e certamente irá brindar a todos com resenhas, histórias e todos os detalhes dos shows.
Temos também, em vários pontos da cidade e quase que diariamente, jazz de qualidade. Toda terça-feira no Caroline Café Centro se apresenta o Wilson Meirelles Quarteto, na Modern Sound em Copacabana, temos de segunda a sábado música instrumental de qualidade e de graça. Também de graça, as terças, por volta das 18h, a loja Arlequim no Paço Imperial nos oferece sempre uma nova atração de jazz. Também no Centro o Giuseppe Grill, de segunda a sexta, e Esch Café, as quintas, tem em suas happy hours jazz de qualidade. Os restaurantes Partitura (Lagoa), Árabe da Gávea e Esch Café (Leblon) também oferecem atrações de jazz. O Rio Design Center oferece gratuitamente apresentações de jazz após as palestras ministradas por nossos confrades Arlindo Coutinho e José Domingos Raffaelli. No Mistura Fina, além das inúmeras atrações nacionais e internacionais, temos semanalmente o Osmar Milito Trio.
Resumindo: uma verdadeira festa para todos nós que gostamos de jazz.

Marcelink

Uma Ode a Mr. Bene-X

A entrada no camarim, antes do show, quando fui apresentado aos músicos por nosso Mau Nah, já era um prenúncio da bela noite que se seguiria.

Não sei se os novos ares e as boas-vindas que tivemos no Mistura Fina contribuíram, de alguma forma, para o sucesso do evento, mas tenho certeza que a dedicação de Mr. Bene-X foi decisiva. Igualmente importante foi constatar a dimensão que o evento adquiriu, considerando-se que muitos dos presentes ali estavam pela primeira vez – prêmio justo e merecido ao querido produtor.

Aliás, não se poderia esperar outro resultado, que não o sucesso absoluto, em se tratando de uma produção de Bene-X, que, após a memorável noite, reescreveu, com linhas sonoras, o bordão “no pain, no gain”, doravante “no feeling, no gain”.

Agradeço ao querido amigo por ter me proporcionado uma das grandes noites musicais de minha vida, fruto de sua competência, bom gosto, sentimento e dedicação.

Saravá!

Nas palavras de João Rodrigues Neto: "FESTA PARA [A] ALMA"

Tomo aqui a liberdade de transcrever parte de um email recebido pelo Bené-X, de um amigo seu, a propósito da CJL5:

"Realmente maravilhosa a noite no encontro do Cjub. Fico sem palavras para definir a qualidade de tudo e de todos. Acredito que toda a magia seja um reflexo desse grupo maravilhoso que temperado com a música do Rio de Janeiro Jazz Trio e o atendimento do Mistura Fina nos proporcionou uma "Festa para Alma" impecável."

Isso tudo aí porque o João, dublê de dentista e fotógrafo competente, estava sem palavras. Pena que ele não é também jornalista ou poeta pois aí ia ter cjubiano de boa cêpa chegando às lágrimas com seus comentários.

João, obrigado por descrever dessa maneira o que você sentiu lá, pois esse é exatamente o nosso interesse maior, fazer com que as pessoas se sintam bem ao entregar-lhes música de alto nível, capaz de gerar esse tipo de emoção.

Aqui está um dos registros fotográficos que o João gentilmente nos enviou, podendo as demais serem vistas em seu site .