Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho)*in memoriam*; David Benechis (Mestre Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) *in memoriam*, Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) *in memoriam*, Ivan Monteiro (Mestre I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels)*in memoriam*,, Pedro Cardoso (o Apóstolo)*in memoriam*, Carlos Augusto Tibau (Tibau), Flavio Raffaelli (Flavim), Luiz Fernando Senna (Senna) *in memoriam*, Cris Senna (Cris), Jorge Noronha (JN), Sérgio Tavares de Castro (Blue Serge), Geraldo Guimarães (Gerry).e Clerio SantAnna

HOMENAGEM A JAY McSHANN

09 dezembro 2006

James Columbus McShann foi um pianista de blues e swing, bandleader e cantor. Nascido em Muskogee, Oklahoma em 12/01/1916, iniciou sua carreira profissional em 1931 indo depois para Kansas City em 1936 quando monta sua big-band e em 1937 contrata Charlie Parker em seu primeiro emprego ficando com ele até 1942.

Embora seu currículo incluísse swing e blues a maioria de suas gravações é de blues, sendo uma das mais populares Confessin' The Blues. Após a 2a. Guerra McShann tornou-se líder de pequenos grupos de blues e de 1949 até 1969 se apresentou com certa obscuridade em pequenos clubes. A partir daí retornou para as gravações tornando-se muito popular como pianista e cantor de blues e depois dos 80 anos raramente se apresentava na área de Kansas City. Em 7 de dezembro de 2006 faleceu no St. Luke's Hospital em Kansas City.


Jay "Hootie" McShann encarnou o próprio estilo do jazz e blues de Kansas City ao contribuir para o blues em sua forma pianística, dominando a utilização dos riffs e a flexibilização do ritmo onde os 4 tempos do compasso são expressos de maneira igualmente acentuada o que produz um enorme equilíbrio ao swing, ou seja o balanço da execução.

Confessin' the Blues (McShann, Walter Brown) - Jay McShann (vocal e piano); Paul Quinichette, Buddy Tate (st); Joe Newman (tp); John Scofield (guitarra); Milt Hinton (baixo); Jackie Williams (bat). Fonte: LP - The Last Of The Blue Devils - ATLANTIC #SD 8800 - 1977

Clicar para ouvir Confessin' The Blues

2@@7 CHEGANDO !!!!

08 dezembro 2006

Estamos próximos do final de mais um ano, mas antes disto ainda tem alguns temas a serem lembrados...

* Stanley Jordan volta ao Rio de Janeiro neste final de semana
* O Espaço Victor Assis Brasil, na Lagoa (RJ) terá show na tarde de domingo, com homenagens a Victor, lembrado por músicos como João Carlos Assis Brasil e Luiz Avellar ao piano, José Staneck na Harmônica, Marcelo Martins ao sax, e o Nosso Trio, composto por Nelson Faria (violão), Ney Conceição (baixo) e Kiko Freitas (bateria)
* Está na hora de começarmos a pensar nos melhores do ano, e nos encontrarmos num final de tarde tal como em 2005 no Leblon

Bem, desde já gostaria de desejar a todos os Cjubianos, amantes do Jazz e da boa música, que tenham um ótimo Natal e um 2007 com muita Saúde, muita Paz, muita Harmonia, e possamos cada vez mais ouvir e assistir o Jazz, uma forma de se tocar a música.

Beto Kessel

MORREU JAY McSHANN !

Não quero ser portador apenas e notícias fúnebres mas a importância da perda nos coloca de volta ao assunto. Foi Mestre Raffa que me informou sobre o passamento de Jay McShann, honra e glória do Jazz de Kansas City, ocorrido em 7 do corrente. O pianista e maestro contava 90 anos de idade. RIP
llulla

- STAN GETZ E A CONTROVÉRSIA DO SOM COOL DE SAX-TENOR -

05 dezembro 2006

O saxofonista-tenor Stan Getz despertou a atenção dos críticos quando gravou o clássico “Four Brothers”, de Jimmy Giufre, com a orquestra de Woody Herman, em dezembro de 1947, tendo por companheiros na seção de saxes Zoot Sims e Herbie Steward (sax-tenor) e Serge Chaloff (sax-barítono). Essa gravação ficou famosa por ser o primeiro documento fonográfico em que quatro saxofonistas criaram uma sonoridade coletiva uniforme, mais contida e mais cool, ficando conhecidos como os Four Brothers.

Um ano depois, em dezembro de 1948, ainda com Woody Herman, veio a consagração definitiva de Getz através do seu memorável solo em “Early Autumn”, de Ralph Burns, plágio da velha canção “Something Sentimental”, grande sucesso na voz do maestro Vaughan Monroe no início dos anos 40. Os comentários sobre seu solo elogiaram sua sonoridade pura, sem vibrato e bastante intimista. Prestigiado pela crítica e parte dos músicos, abriram-se as portas do sucesso e da fama para Getz, então com 21 anos, recebendo a alcunha de “The Sound”, dando a ele o crédito por introduzir o novo som de tenor no jazz moderno.

Entretanto, verifiquemos atentamente a origem daquela sonoridade que passou a ser o modelo para os jovens saxofonistas. Getz recebeu o crédito, porém não foi ele quem criou o som cool do sax-tenor moderno.

Vamos objetivamente aos fatos. Façamos uma revisão da obra inicial de Getz. Antes de tocar com Woody Herman, ele gravou quatro temas para a Savoy, em 31 de julho de 1946, com Hank Jones (piano), Curley Russell (baixo) e Max Roach (bateria): “Opus de Bop”, “Runnin’ Water”, “Don’t Worry About Me” e “And the Angels Sing”. Sua sonoridade volumosa e seu ataque bastante agressivo são muito semelhantes ao estilo de Dexter Gordon e Morris Lane daquele período - pelos quais parece ter sido influenciado - contrastando frontalmente com seu solo de um ano e cinco meses depois em “Four Brothers”. Ninguém poderia imaginar que sua sonoridade se modificaria tão drasticamente.

No reverso da medalha, vejamos quem introduziu a sonoridade cool do sax-tenor no jazz moderno. É suficiente ouvirmos o solo de Herbie Steward (companheiro de Getz na banda de Herman) em “Introspection”, gravado em 15 de outubro de 1946, no álbum “Jazz Scene”– apenas dois meses e meio após as gravações de Getz para a Savoy – para perceber a diferença abissal entre as sonoridades de ambos e atestarmos, sem qualquer tênue sombra de dúvida, que Steward introduziu o som cool do sax-tenor no jazz moderno.

Coda: considerando as provas auditivas e suas respectivas datas de gravação, outra conclusão lógica é que Herbie Steward influenciou Stan Getz, fato jamais mencionado em livros, artigos ou comentários na imprensa jazzística.

Raf

P.S. Insisti na expressão "som cool do sax-tenor no jazz moderno" porque, como todos sabem, Lester Young criou a sonoridade cool do instrumento na Era do Swing, principalmente nas baladas.
A propósito, a grande maioria dos tenoristas revelados nos anos 40 e 50 foram influenciados por Lester "Pres" Young: Herbie Steward, Stan Getz, Zoot Sims, Al Cohn, Brew Moore, Jimmy Giuffre, Wardell Gray, Allen Eager, Dexter Gordon, Gene Ammons, Phil Urso, Dave Pell, Bill Perkins, Richie Kamuca, Bill Holman, Jay Migliori, Joe Romano, Don Rendell, Don Lanphere, etc, etc, etc, a lista é longa.

minha homepage: www.bjbear71.com/raffaelli/jose.html

TIM FESTIVAL 2006 (CLUB) - 27.10.2006 - MARIA SCHNEIDER JAZZ ORCHESTRA – @@@@@

04 dezembro 2006

Por Gilberto Brasil, especial para o CJUB

Numa única palavra: Magnífico! Fechando a noite do Palco Club no primeiro dia do TIM Festival, Maria Schneider, em apenas 4 temas, apresentou toda a diversidade de seu talento. Viajando dos jardins de Minnesota aos “mares” da Lua, ou da Andaluzia aos céus do Rio de Janeiro, fomos envolvidos por temas criativos, arranjos, texturas e harmonias inovadoras.

Apesar da orquestra ser em si o grande “instrumento” da maestra, Maria Schneider abre generosos espaços para seus solistas, porém sem abandoná-los, pois são acompanhados por ensembles ora delicados e pontuais, ora crescentes até climaxes eletrizantes.

Em Concert in the Garden, destacou-se a conversa permanente entre o piano (Frank Kimbrough) e o acordeão (Gary Versace), com tema e improviso entrelaçados de forma tão sutil que quase imperceptível.

Em El Viento, peça com inspiração flamenca, por trás dos solos do trombonista Vince Gardner (denso e vigoroso) e do trompetista Jason Carter (a la Ferguson), ambos novatos na banda, riffs crescentes dos 3 naipes de sopros foram o toque Big Band do concerto.

Sea of Tranquility é um presente de Maria ao melhor barítono da atualidade, Scott Robinson, que, à frente da orquestra, levou a platéia da Terra à Lua, apoiado num colchão sonoro sofisticado.

Ingrid Jensen (flugel) e Bob Shepard (tenor), em inspirados solos, voaram da Pedra da Gávea às areias de São Conrado em Hang Gliding, composição dedicada ao Rio de Janeiro, cujo arranjo traduz em sons os movimentos de uma asa delta.

No bis, com músicas e presença de Ivan Lins, destaque para os lindos arranjos e o ótimo solo de Gary Versace em Lembra de Mim, encerrando o show.

Não podemos deixar de ressaltar o trabalho espetacular da cozinha da orquestra, com solos de transição do guitarrista Ben Monder e atuação impecável de Greg Hutchinson, na bateria.

Maria Schneider alcançou o State of Art em Jazz Orchestra, e ouso afirmar que superou seus mestres, Gil Evans e Bob Brookmeyer. De fato, ela vem ampliando as fronteiras do Jazz.

Testemunhamos o “futuro” no presente.

A orquestra volta aos estúdios em janeiro, para gravar seu próximo cd – Sky Blue –, certamente uma nova viagem ao inexplorado.

Bravo, Maria !


(Gilberto Brasil é, há décadas, colecionador e estudioso do Jazz, e transformou-se na maior autoridade brasileira na carreira e obra da band leader Maria Schneider, de cuja amizade pessoal priva desde vários anos)

MENÇÃO EM DIRETÓRIO

02 dezembro 2006

O diretório brasileiro "Sobre Sites" incluiu o CJUB em seu diretório, sob a aba "Jazz em Português". Até agora constavam ali alguns outros sites, inclusive alguns d'além-mar, mas faltava a menção ao nosso.

A lamentar, apenas, que dentro do bem pequeno resumo sobre nossas atividades, apenas dois Mestres - do timaço dos Seis Monstros Residentes - tenham sido mencionados. Acredito que por mera falta de espaço, já que na cobrança "amigável" que fiz semana passada ao Emerson Marques Lopes, seu atencioso editor, sobre a nossa ausência do guia mesmo sendo um dos - pelo menos - mais antigos, fiz questão de mencionar nominalmente todos os craques que batem um bolão por aqui. Menos o Bené-X, que ainda precisa "envelhecer" um pouco mais, quem sabe num barril de carvalho francês... para adoçar o discurso. Mas já já chega lá.

Abraços,

MUSEU DE CERA # 8 - McKINNEY'S COTTON PICKERS

30 novembro 2006

em pé da esquerda para direita: Cuba Austin, Prince Robinson, George Thomas, Don Redman, Dave Wilborn, Todd Rhoades, Bob Escudero, sentados: John Nesbitt, Claude Jones, Milton Senoir, Langston Curl.



William McKinney (*1895 †1969), iniciou a carreira de músico como showman e baterista de circo, após ter servido na 1ª Guerra Mundial. Em 1922 formou o grupo The Synco Jazz Band em Springfield, Ohio. Em 1926 foi contratado por Jean Goldkette para ser a banda residente do Greystone Ballroom de Detroit passando então a se titular como os McKinney's Cotton Pickers.

De grande versatilidade musical misturava comédia com música leve e alguns números de Jazz arranjados pelo trompetista John Nesbitt. Mas a partir de 1927 com o ingresso de Don Redman saxofonista e magnífico arranjador também atuando como diretor musical o grupo se desenvolveu incorporando um estilo próprio bem mais jazzístico.

Somente no verão de 1928 começou a gravar na Victor, transferindo seus grandes sucessos como banda de salão para o disco, sendo então perpetuados. Em 1930 deixou de trabalhar sob os auspícios de Goldkette e saindo de Detroit foi para o Frank Sebastian's Cotton Club em Culver City na California e depois para Kansas City. Algo aconteceu após uma turnê no meio-oeste americano e a banda se dividiu, uma parte com Don Redman e outra mantendo o nome de Cotton Pickers sem McKinney e sob a direção de Benny Carter que acabou saindo em 1932.

McKinney desde então passou a empresariar e gerenciar várias bandas até que em 1943 largou o "music business" para ir trabalhar na fábrica de automóveis Ford em Detroit e por lá ficou até se aposentar ao final dos anos 50. Como vemos McKinney era chegado a coisas inusitadas como também jamais atuar na própria orquestra tendo contratado o baterista Cuba Austin.

De um modo geral a banda era excelente, do mesmo nível de outras como a de Duke Ellington, Fletcher Henderson ou Sam Wooding distinguindo-se pela precisão dos saxes e metais enfatizados pela suingante seção rítmica. Vários músicos de grande qualidade e futuro renome ali atuaram como: Benny Carter (cl, sa), Doc Cheatham (tp), Ed Cuffee (tb), Sidney de Paris (tp), Coleman Hawkins (cl, st), Quentin Jackson (tb), James P. Johnson (pi), Fats Waller (pi), Lonnie Johnson (gt), Claude Jones (tb), Kaiser Marshall (bat), Joe Smith e Rex Stewart (cornet).

Selecionamos o tema Nobody's Sweetheart para mostrar esta magnífica banda em toda sua plenitude apresentando ainda solos de Claude ao trombone, Nesbitt ao trompete e o scat de George Thomas mostrando tudo que aprendeu com Armstrong. Notem o excelente apoio rítmico do banjo e da tuba.

Nobody's Sweetheart (Gus Kahn / Ernie Erdman / Elmer Schoebel / Billy Meyers)
McKinney's Cotton Pickers: Langston Curl, John Nesbitt (tp), Claude Jones (tb), Don Redman (cl, sa), George Thomas (cl, st, vo), Prince Robinson (cl, st), Milton Senior (sa, cl) Todd Rhodes (pi), Dave Wilborn (banjo), Bob Escudero (tu) e Cuba Austin (bat). Arranjo de Don Redman e John Nesbitt. Refrão vocal por George Thomas.
Gravação original: Victor V-38000-B – 12/jul/1928 - Chicago – Fonte: LP - McKinney's Cotton Pickers Vol.1 (1928) – RCA - Black & White Vol.81 (741080) – 1973 – França.
Clicar para ouvir a MÚSICA

ALMOÇO AMANHÃ

Está confirmado o almoço habitual das primeiras sextas de cada mês. Embora não achasse que fosse preciso confirmar, faço-o a pedido do Bené-X.

Para quem quiser aparecer pela primeira vez, o endereço é: Rua da candelária, 9- 13o. andar (edifício da Associação Comercial do RJ), perguntem pela sala do CJUB(!) Agora com vista pra chuva.

E levem aqueles CDs que só vcs tem, para que ouçamos enquanto as idéias fluem.

Até lá. Abraços,

- SY OLIVER, UM DOS MÚSICOS MAIS AMÁVEIS, EDUCADOS E MODESTOS QUE CONHECI -

28 novembro 2006

Para os aficionados e entusiastas das novas gerações recém-inoculados com o micróbio do jazz, provavelmente o nome de Sy Oliver pode ser tão desconhecido e estranho quanto os de Copérnico, Indira Ghandi ou Galileu Galilei. É natural, os jovens e mesmo os não tão jovens recentemente expostos aos sons mágicos da música dos músicos não devem ter a menor idéia de quem se trata.

Sy Oliver (1910-1988) foi um dos mais originais, inovadores e talentosos compositores-arranjadores do jazz das eras pré-swing e swing. Hoje falam e escrevem muito sobre os pioneiros Fletcher Henderson, Jelly Roll Morton, Duke Ellington, Don Redman, Benny Carter e Horace Henderson, porém Sy Oliver, raramente citado, também foi um pioneiro.

Sy Oliver revelou-se no início dos anos 30 como trompetista, compositor, arranjador e ocasionalmente cantor da extraordinária orquestra de Jimmie Lunceford, formação inteiramente marginalizada, esquecida e desconhecida nos dias de hoje. Ele criou o “estilo Lunceford” com suas composições e arranjos inconfundíveis que deixaram a estampa da sua identidade na big band do maestro Lunceford. Como poucos, ele mesclava as diferentes seções melódicas da orquestra alternando-se na criação de passagens realmente originais nas suas brilhantes orquestrações. É suficiente ouvir "For dancers only”, “Swanee River”, “Deep River”, “Margie” e, principalmente, o sensacional “Organ grinder’s swing”, no qual a orquestra reproduz fielmente o som de um realejo (organ grinder significa realejo) e o tropel dos cavalos que puxavam as carroças que transportavam aquela engenhoca musical pelas ruas das cidades americanas.

Anos mais tarde, em 1939, o maestro e trombonista Tommy Dorsey fez uma oferta irrecusável a Sy Oliver para ser o compositor e arranjador exclusivo da sua orquestra. Imediatamente Sy entrou em ação, levando consigo alguns arranjos que escrevera para Lunceford. Com seu toque pessoal e genial, imediatamente modernizou o estilo da orquestra de Dorsey. Mas isto vem sendo devida e exaustivamente dissecado por nosso Mestre MaJor em seus memoráveis escritos.

Tendo iniciado minha vida de jazzófilo ouvindo as grandes bandas da Era do Swing, logo fiquei familiarizado com grande parte delas. Entre muitas outras, na minha preferência também estavam as de Lunceford e Tommy Dorsey, indissoluvelmente ligadas ao assunto deste relato.

Durante anos sonhava um dia encontrar Sy Oliver para conversarmos e obter o máximo de informações possíveis da sua notável carreira. Após anos aguardando essa possibilidade, com o passar do tempo fui perdendo paulatinamente a esperança, pois, todas as vezes que ia a New York, ninguém sabia do paradeiro dele. Conformado, deixei de lado esse sonho aparentemente irrealizável.

Diz um velho ditado que se acreditarmos firmemente num sonho, ele se realizará. E, para minha infinita surpresa, quando nada mais esperava a esse respeito, o ambicionado sonho materializou-se inesperadamente. Aconteceu em julho de 1982, logo depois da eliminação do Brasil pela Itália na Copa do Mundo da Espanha. Caminhava com minha esposa pela 50th Street, em New York, quando, ao passar em frente ao gigantesco Edifício Rockfeller, levei um susto ao ver, junto à porta, um enorme cartaz com os dizeres: “Tonight: the Sy Oliver Orchestra plays in the Rainbow Room Restaurant at 8:30 PM”.
Fiquei alucinado. Era a oportunidade que perseguia há anos. Entrei e o recepcionista informou que os ingressos estavam à venda no saguão do imponente restaurante, no 65º andar. Por sorte minha, havia mesas disponíveis junto ao palco. Imediatamente comprei uma estrategicamente colocada. Desembolsei a bagatela de U$130,00, que incluía o jantar, sentindo-me realizado. Finalmente ia ver, ouvir e falar com Sy Oliver. Minha mulher dizia a todo momento que eu parecia um menino perdido numa fábrica de brinquedos.
Juro que contei as horas antevendo a realização do velho sonho.

Chegamos às 8:00 PM e sentamo-nos na mesa reservada. O Rainbow Room é uma das maravilhas do mundo. Todo envidraçado, em formato circular, proporciona uma visão fabulosa de 360 graus de toda a área da fantástica megalópole. É de tirar a fôlego. Imaginem uma noite de verão sem nevoeiro e toda New York iluminada à sua volta proporcionando um panorama que nunca irei esquecer.

Finalmente chegou a hora. Os músicos tomaram seus lugares no palco e atacaram um blues de Sy Oliver. Na bateria, de cara reconheci o lendário Jimmy Crawford, que tocou com Lunceford, porque ele era sósia do antigo jogador Eli do Amparo, um brucutu que distribuiu botinadas no Vasco e na Seleção Brasileira. Outros conhecidos eram o trompetista Dick Vance e o tenorista Joe Thomas, este ex-sideman de Lunceford. Aí entrou Sy Oliver e atacou “For dancers only”. Fiquei petrificado! Queria que aquele momento se prolongasse por muitos anos. Mas, logo vieram “Margie”, “By the river Saint Marie” e outros temas que eu conhecia desde rapazinho. Aos poucos fiquei totalmente envolvido pela música e agradecia a Deus por me conceder a graça de estar ali.

Após Sy Oliver anunciar o intervalo, levantei-me rápido e convidei-o a vir à nossa mesa. Ele agradeceu e aceitou, porém ia ausentar-se por alguns momentos e voltaria em seguida. De fato, menos de cinco minutos depois estava de volta. Elegante em seu irrepreensível smoking, simpático e bem-falante, ficou surpreso quando eu disse ser brasileiro e que conhecia razoavelmente bem sua carreira, inclusive inúmeras gravações de Lunceford e Tommy Dorsey. Seguiu-se uma agradável conversa em que esse homem amável, inteligente e educadíssimo, sem pretensão alguma em jactar-se da sua trajetória, emocionou-me por sua modéstia e seus valores morais. Raramente encontrei alguém assim. No jazz, somente Dave Brubeck, Lee Konitz, Jim Hall, George Russell, Cannonball Adderley, Jaki Byard, Lester Young, Horace Silver, Dick Katz e talvez mais três ou quatro.

Entre outras revelações, contou-me que Jimmie Lunceford era um homem culto que exigia completa disciplina dos seus músicos, não só profissional como na vida pessoal. Entre suas exigências, Lunceford só contratava músicos que não bebiam e não fumavam. Antes das apresentações ao vivo da orquestra, passava seus integrantes em cuidadosa revista, verificando se os sapatos estavam engraxados, se a camisa estava alva como a neve, se a ponta do lenço branco no bolso superior do paletó era visível somente uma polegada, a medida exata que ele exigia e outros detalhes mais. Eu ouvia tudo fascinado.

A certa altura, perguntou-me se o jazz tinha seu público no Brasil. Foi então que as surpresas aumentaram ainda mais ao mencionar que, no início da década de 30, teve um amigo brasileiro que era pianista e compositor. Perguntei-lhe o nome do amigo. Seguiu-se um diálogo que tentarei reproduzir o mais fielmente possível:

Sy – Chamava-se Fernando Pessoa Cavalcante, era muito talentoso. Tocava piano muito bem e vendeu algumas composições para ganhar dinheiro. Uma delas foi “Dardanella”, que foi um grande sucesso da orquestra de Paul Whiteman. Você o conhece ?

Raf – Não o conheci, mas sei que ele morreu há muitos anos porque sou amigo de um filho dele, que mora em São Paulo. Chama-se José Candido Cavalcante e tocou trombone num conjunto dixieland.

Sy – Lamento saber que Fernando faleceu. Não sabia que tinha um filho, deve ter nascido depois que ele voltou para o Brasil. Lembro muito bem dele.

Nesse momento, ele olhou para o relógio e disse que em cinco minutos voltaria ao palco. Perguntei se incluíra no repertório o clássico “T’Ain’t What To Do”, ao que respondeu que sim.
Pediu licença para retirar-se e, antes de subir ao palco para o segundo set, despediu-se demonstrando sua modéstia virtualmente incomparável, como nunca ouvi de outro ser humano:

Sy – Pode fazer-me uma gentileza quando regressar ao Brasil ? Dê minhas lembranças ao filho do Fernando Pessoa Cavalcante. Mas, por favor, não esqueça que meu nome é Sy Oliver.

Dá pra acreditar ? Nunca vi tanta modéstia. Bolas, passei o tempo todo dizendo quanto admirava o trabalho dele e no final pediu que não esquecesse seu nome!

Encerrando aquela noite inesquecível que tanto me emocionou, Sy dedicou o último número “ao amigo brasileiro José”. Adivinhem qual foi. “T Ain’t What To Do”, com direito àquela memorável batalha de três trombonistas como ouvimos na gravação do próprio Sy Oliver para a Decca, e a coreografia das seções melódicas da orquestra voltando-se alternadamente para a direita e esquerda, produzindo um efeito visual dos mais espetaculares.

Desnecessário dizer que saí do Rainbow Room em estado de graça.
Desculpem a extensão deste relato, que planejava escrever há tempos, mas só hoje criei coragem. Prometo nas próximas ser muito mais lacônico.
Raf

minha homepage: www.bjbear71.com/raffaelli/jose.html

WALTER BOOKER

Alô amigos,
Mestre Raffa também me informou sobre o falecimento do contrabaixista Walter Booker aos 73 anos de idade. O público carioca teve oportunidade de conhecê-lo em duas ocasiões. Em 17 de maio de 1982, no Teatro Municipal, integrando o quarteto do trumpetista Charles Tolliver; e em 2l de outubro de 1987, fazendo parte do trio de acompanhamento de Sarah Vaughn no Hotel Nacional.

NÃO É NADA, NÃO É NADA, É MUITO!!! DAPIEVE!

27 novembro 2006

Temos notado como ultimamente mais e mais cronistas de jornais do Rio que não são aberta e sabidamente jazz enthusiasts, vem escrevendo sobre o assunto.

Agora - o artigo está anexado, cliquem - foi o cada vez melhor Artur Dapieve, que comentou com propriedade, na última sexta, 24/11, o lançamento da série de nove discos lançados na coletânea que celebra os 45 anos da gravadora Impulse!, assunto de que também se ocupou o nosso Mestre LOC em sua coluna da mesma data (e que não consegui trazer graficamente para cá, sinto).

Depois das crônicas recentes de Arnaldo Bloch sobre jazz, no mesmo Segundo Caderno do O Globo, é como um bom vento saber que mais e mais leitores estão tendo chance de tomar contato, mesmo que de forma ligeira, com o universo jazzístico. Mesmo que costumem ainda tender a elitizá-lo em seus textos, permitem assim mesmo algumas espiadas dos leigos absolutos para dentro desta misteriosa caixa preta e mesmo que residualmente, abrem a possibilidade de que esta arte seja compreendida por mais alguns.

Some-se a isso a "vitória" enfim alcançada pelo nosso confrade Raynaldo que, sabe-se-lá-como, conseguiu, no último Tim Festival, ter presentes às apresentações jazzísticas - e olha que em dias diferentes, para não dizer que foram todos lá para ver o H. Hancock - outros três Cassetas, a saber, Hélio de La Peña, Claudio Manoel e Beto Silva. Bela conquista, já que os textos da trupe são historicamente contra o jazz e seus aficionados, sempre taxados de chatos. Sempre achei que, no fundo, era uma maneira deles mexerem com o parceiro baixista, mas acho que estão abrindo os olhos, mesmo que tardiamente. Agora a missão para o próximo ano será desencantar o Marcelo Madureira e levá-lo a qualquer audição de bom jazz. Quem sabe, com a ajuda do Dapieve? (Enquanto isso, Raynaldo, se quiser mandar pra gente alguma daquelas belas charges jazzísticas, a gente publica).

Ao contrário do que pregava o jornalista Ibrahim Sued, que dizia "falem mal, mas falem de mim", o jazz precisa, cada vez mais, que se fale dele. E sempre que possível, bem, muito bem ou maravilhadamente, já que vem "levando tinta" faz tempo.

É mais do que chegada a hora da plena compreensão do que o jazz de fato representa, como arte, como estilo e como fator de desenvolvimento musical.

Daqui meu abraço de agradecimento ao Dapieve, ao Bloch e a (quase) todos os demais jornalistas não especializados que gostam de jazz e abrem espaço em suas colunas para ele.

LEONARDO AMUEDO




Leonardo Amuedo é o nome deste guitarrista uruguaio-carioca que vem roubando a cena pelos palcos onde passa. É fácil encontrá-los nas jams do Quiosque Drink Café, Mistura Fina ou na Moderd Sound, além de sideman do Ivan Lins.
Aqui, ao lado do baixista Daniel Mazza interpretando uma Batida Diferente.

PREMIUM JAZZ

26 novembro 2006



Em uma sessão de 1957 da Count Basie Band, Dickie's Dream, com o chefe no piano, Ben Webster tocando um sax encapetado (e Billie Holliday passeando no set, batendo papo com Basie), Benny Morton, Vic Dickenson e Dickie Wells nos trombones, Gerry Mulligan (bs), Roy Eldridge (tp), e mais Jo Jones na batera, e Freddie Green na guitarra. Há mais dois trompetistas distintos que não são identificados (Mestres, acorrei!).

Muito bom.

A LISTA DE MELHORES DISCOS DA "ALL ABOUT JAZZ"

Poizé. Agora, vem a lista dos cinco melhores discos de cantoras de 2006, elaborada pelos editores da revista All About Jazz, uma espécie de guia mensal do Jazz em New York. A lista saiu em ordem alfabética (faz diferença?):
Fay Claassen, "Sings Two Portraits of Chet Baker" - não sei quem é.
Gal Costa, "Live at the Blue Note" - sei muito bem quem é.
Roberta Gambarini, "Easy to Love" - boa!
Stacey Kent/Jim Tomlinson, "The Lyric" - não ouvi ainda.
Nancy King, "Live at the Jazz Standard" - acho-a chata no geral.

AVE ANITA

25 novembro 2006

Quando morre um parente nosso, a gente fica todo condoído e não titubeia em rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria. Às vezes, a gente esquece que certas pessoas conviveram com a gente por uma vida embora não sejam parentes. São amigos que a gente nem conheceu pessoalmente, mas ficava alerta a cada novo disco, por um novo deleite. Assim como literalmente chorei a morte de Elis, não posso deixar de me emocionar com esta notícia.

Faço meus os comentários de David Brent Johnson da Rádio WFIU de Bloomington, Indiana:

There are singers you like, singers you respect, singers you admire, and singers that you just love beyond the boundaries of rational discussion (the rational reasons for such love are there -- you just don't need or care to discuss them). There are very, very few vocalists I've loved more than Anita O'Day. I'll be spending a lot of time revisiting the Mosaic set and other albums tonight... RIP and thanks for everything, Miss O'Day. David J. WFIU-Bloomington,IN

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ANITA O'DAYOctober 18, 1919 - November 23, 2006 Jazz vocal legend Anita O'Day passed this morning November 23, 2006 at 6:17 AM in West Los Angeles. The cause of death was cardiac arrest according to her manager Robbie Cavalina.Born Anita Belle Colton in Chicago, Illinois on October 18, 1919, O'Day got her start as a teen. She eventually changed her name to O'Day and in the late 1930's began singing in a jazz club called the Off- Beat, a popular hangout for musicians like band leader and drummer Gene Krupa. In 1941 she joined Krupa's band, and a few weeks later Krupa hired trumpeter Roy Eldridge. O'Day and Eldridge had great chemistry on stage and their duet "Let Me Off Uptown" became a million-dollar-seller, boosting the popularity of the Krupa band. Also that year, "Down Beat" magazine named O'Day "New Star of the Year" and, in 1942, she was selected as one of the top five big band singers. After her stint with, Krupa, O'Day joined Stan Kenton's band. She left the band after a year and returned to Krupa. Singer Jackie Cain remembers the first time she saw O'Day with the Krupa band. "I was really impressed," she recalls, "She (O'Day) sang with a jazz feel, and that was kind of fresh and new at the time." Later, O'Day joined Stan Kenton's band with whom she cut an album that featured the hit tune "And Her Tears Flowed Like Wine" In the late'40s, O'Day struck out on her own. She teamed up with drummer John Poole, with whom she played for the next 32 years. Her album "Anita", which she recorded on producer Norman Granz's new Verve label, elevated her career to new heights. She began performing in festivals and concerts with such illustrious musicians as Louis Armstrong, Dinah Washington, Georg Shearing and Thelonious Monk. O'Day also appeared in the documentary filmed at the Newport Jazz Festival in 1958 called "Jazz on a Summer Day", which made her an international star. Throughout the '60s Anita continued to tour and record while addicted to heroin and in 1969 she nearly died from an overdose. O'Day eventually beat her addiction and returned to work. In 1981 she published her autobiography "High Times, Hard Times" which, among other things, talked candidly about her drug addiction. Her final recording was "Indestructible Anita O'Day" and featured Eddie Locke, Chip Jackson, Roswell Rudd, Lafayette Harris, Tommy Morimoto and the great Joe Wider. A documentary, "ANITA O'DAY - THE LIFE OF A JAZZ SINGER" will be released in 2007.

The Jezebel of Jazz,' Anita O'Day, Dies of Pneumonia at 87by Adam BernsteinWashington Post, November 24, 2007Anita O'Day, 87, whose breathy voice and witty improvisation made her one of the most dazzling jazz singers of the last century and whose sex appeal and drug addiction earned her the nickname "the Jezebel of Jazz," died of pneumonia Nov. 23 at a convalescent hospital in West Los Angeles.Ms. O'Day led one of the roughest lives in jazz, possibly surpassed only by her idol, Billie Holiday. Impoverished and largely abandoned in childhood, she became a marathon dancer and changed her surname from Colton to O'Day, pig Latin for "dough," slang for money.Over a five-decade career, a mental breakdown, a rape, numerous abortions, a 14-year addiction to heroin and time in jail all contributed to her legend as a survivor. Her 1981 as-told-to autobiography was appropriately titled "High Times, Hard Times."However, as a singer she soared. Jazz writer Nat Hentoff declared her "the most authentically hot jazz singer of all."In the 1940s, when most "girl singers" were pert appendages to a featured band, Ms. O'Day was a star attraction who often enlivened the orchestra with her playful and inspired vocals. She said she saw herself as an instrumentalist and often wore a band uniform instead of an evening gown.She was among the hippest female singers of the big-band period, lending rare emotional resonance to the relentlessly up-tempo and brassy big bands of Gene Krupa and Stan Kenton. She gave both orchestras their first million-selling hits, doing a rare interracial duet on "Let Me Off Uptown" with Krupa trumpeter Roy Eldridge and then the novelty number "And Her Tears Flowed Like Wine" with Kenton's ensemble.For Verve records in the 1950s, she performed some of the most inventive interpretations of jazz standards. Andy Razaf, who wrote the words to Fats Waller's "Honeysuckle Rose," once said hers was the definitive version of the tune -- surpassing even Waller's recording.Ms. O'Day was sometimes compared to Holiday, with whom she shared a tendency to project vulnerability through a calculated crack in her tone. She also was highly regarded for her scat singing.Her signature sound created an elasticity with words, often breaking them into faster eighth and sixteenth notes instead of quarter notes, which were harder for her to sustain. This tendency was a result of a childhood tonsillectomy in which the doctor accidentally removed her uvula, the bit of flesh in the throat whose vibrations control tone.To compensate, she would playfully stretch single-syllable words; "you" would be "you-ew-ew-ew," love would became "lah-uh-uh-uv.""When you haven't got that much voice, you have to use all the cracks and crevices and the black and the white keys," she once said.Ms. O'Day was born Anita Belle Colton in Chicago on Oct. 18, 1919. Her father was a printer, and her mother worked at a meat-packing plant.In the mid-1930s, she dropped out of school and hitchhiked to Muskegon, Mich., to enter a walkathon, one of the Depression-era crazes in which contestants were fed in exchange for brutal entertainment.After some singing experience, she won a positive review in Down Beat magazine while performing in a downtown Chicago club with Max Miller's band. Krupa hired her and Eldridge in 1941. The jazz writer Will Friedwald noted that the new additions "galvanized the Krupa men and positively transformed the band into one of the most powerful bands of the great era, putting it in a class with Ellington, Basie, Goodman and Dorsey."Her first million-selling record -- and best-known early recording -- "Let Me Off Uptown" paired O'Day's sultry vocalizing with Eldridge's raspy voice and roaring trumpet. The flirting between the white O'Day and black Eldridge was groundbreaking. "Do you feel the heat?" she asks Eldridge before instructing him to "blow, Roy, blow!"Besides Krupa's group, she also spent shorter and less-enjoyable stints with Woody Herman and Kenton, whose intellectual, "modern" sound did not mesh with her accent on easy swing.The relentless performing on tour triggered a nervous breakdown, and over the next decade, she was jailed for marijuana and heroin possession.She downplayed her arrests, writing in her autobiography that she "looked on serving my sentences as a kind of vacation.... Rehabilitated? Hardly. Rested? Definitely."In 1956, she was signed by Norman Granz's Verve records, and the nearly 20 albums she put out during the next decade were among her most tantalizing, including "Anita" (with "Honeysuckle Rose"), "Pick Yourself Up," "Anita O'Day Swings Cole Porter," "Waiter, Make Mine Blues," "All the Sad Young Men" and "Travelin' Light."She also played with Benny Goodman (who in the early 1940s refused to hire her because she was not disciplined enough to stick to a music chart), Stan Getz, Dave Brubeck, Count Basie, Louis Armstrong, Lionel Hampton, Joe Williams and Oscar Peterson.She had a 32-year musical association with drummer John Poole, who she said introduced her to heroin.Her vibrant appearance in the 1959 documentary "Jazz on a Summer's Day," a film about the 1958 Newport Jazz Festival, made her an international celebrity and brought her important dates in Japan and England.Then, in 1966, she nearly died of a heroin overdose in a bathroom in a Los Angeles office building. The experience rattled her, and she quit heroin at once. Most of her money gone, she spent the rest of her life struggling financially.In the early 1970s, she was living in a $3-a-night hotel in Los Angeles but she revived her career over the next decade, culminating in a profile of her on the CBS newsmagazine "60 Minutes."She received her first Grammy nomination in 1990 for "In a Mellow Tone" and was given an American Jazz Masters award in 1997 by the National Endowment for the Arts.When interviewed, her voice indicated an unyielding distress and frequent irritation. She told a reporter that alcohol provided a welcome relief for her at the end of the day. In 1996, permanent alcoholic dementia was diagnosed.She played jazz dates until late in life -- with embarrassing results as her frailties overtook her talent. But she was to be honored in March 2007 as one of the "living legends" of jazz as part of the Kennedy Center's Jazz in Our Time festival.Her marriage to drummer Don Carter, which she said was never consummated, was annulled. A marriage to golfer Carl Hoff, whom she called unfaithful, ended in divorce.She said she never wanted children, telling People magazine, "Ethel Kennedy dropped 11. There are enough people in the world. I did my part by raising dogs."She dedicated her autobiography to her dog.

Anita O'Day, 87, Big Voice from Big-Band Era, Diesby Dennis McLellanLos Angeles Times, November 24, 2006Anita O'Day, who shot to fame as a singer with drummer Gene Krupa's swing band in the early 1940s and became one of the most distinctive voices in the history of jazz, died Thursday. She was 87.O'Day died of cardiac arrest in a convalescent hospital in West Los Angeles, according to her manager, Robbie Cavalina. She had been in declining health battling Alzheimer's and had a recent bout with pneumonia.Known as hip-talking, blunt and feisty, O'Day launched her career as a teenager while competing on the Depression-era Walkathon circuit. She was still a relatively unknown singer in jazz joints in her native Chicago when Krupa hired her as his $40-a-week vocalist in 1941.She was born Anita Belle Colton in Chicago on Dec. 18, 1919. Her father left when she was 1 year old; her mother, whom O'Day portrayed in her book as cold and indifferent, worked in a meat-packing plant.An only child, O'Day began singing as a young girl in church during summer visits to her grandparents in Kansas City.She left home at 14 and, with her mother's approval, hitchhiked to Muskegon, Mich., to enter a Walkathon, a 24-hour-a-day endurance contest similar to the dance marathons that were the rage with out-of-work Americans during the Depression.O'Day then began traveling in the Midwest as a professional Walkathon contestant. "I got fed seven times a day and I was having a ball," she told People magazine in 1989. "When you are 14, you don't hurt."She made extra money singing, dancing and selling pictures of her and her partner. During this time she changed her name to "O'Day," which she later explained was pig Latin for the "dough" she hoped to make.O'Day, who once logged 97 straight days walking, spent two years on the circuit before a truant officer caught up with her and forced her to return home to finish school.She went to school during the day, but nights she began singing in taverns in the Uptown area of Chicago's North Side. In 1939, she was hired to sing at the Off-Beat Club in downtown Chicago. At the end of her debut five-song set, she received a standing ovation."People shouted, stamped, applauded, whistled, stood on their chairs and cheered," she wrote in her autobiography. "It was the response you dream about... I was a success beyond my wildest expectations... I wasn't just the toast of Chicago nightlife; I was the toast of all the hep... musicians and hepcats in the city."Billed as the "Jezebel of Jazz" a decade later, O'Day titled her 1981 autobiography "High Times, Hard Times." In it, she described a life that included back-room abortions, a nervous breakdown, two failed marriages, jail time for drug possession and more than a decade-long addiction to heroin that nearly killed her with an overdose in 1966."She was a wild chick, all right, but how she could sing!" Krupa once said.O'Day sang with what jazz critic Leonard Feather described as a "note-breaking, horn-like style and hip, husky sound."As a result of having her uvula (the small, fleshy part of the soft palate that hangs down above the back of the tongue) accidentally cut off by a doctor during a tonsillectomy at age 7, O'Day had no vibrato and was unable to hold notes."I'm not a singer; I'm a song stylist," O'Day said in a 1989 interview with The New York Times. "I'm not a singer because I have no vibrato.... If I want one, I have to shake my head to get it. That's why I sing so many notes -- so you won't hear that I haven't got one. It's how I got my style."O'Day scored one of the Krupa's band's greatest hits with "Let Me Off Uptown," with trumpeter Roy Eldridge, in 1941. It featured Eldridge's memorable plea, "Anita, oh Anita!... say, I feel somethin'!" before he launched into an electrifying solo passage.Named "New Star of the Year" by Down Beat magazine, O'Day went on to amass other hits with the Krupa band, including "Alreet," "Kick It," and "Bolero at the Savoy."In his book "The Big Bands," George T. Simon wrote that O'Day's "rhythmic, gutty, illegitimate style first confused but soon converted many listeners. Whereas most band girl singers had projected a very feminine or at least cute girl image, Anita came across strictly as a hip jazz musician."Indeed, O'Day even set a style for female band singers by wearing a band jacket, skirt and shirt instead of a gown on stage during long road trips.After leaving Krupa, O'Day was a vocalist with Stan Kenton's band from 1944 to '45; her most popular recording with Kenton was the million-selling "And Her Tears Flowed Like Wine."In 1945, Down Beat named O'Day "Top Girl Band Vocalist," and 22 jazz critics voted her "Outstanding New Star" in an Esquire magazine poll.In the early '50s, she recorded on jazz impresario Norman Granz's Clef and Norgran labels and, beginning in the mid-1950s, she recorded a series of well-received albums for Granz's Verve label, including "Anita" (1955), "Pick Yourself Up" (1956), "Anita O'Day Sings the Winners" (1958), "Cool Heat" (1959) and "All the Sad Young Men" (1961).A memorable appearance at the 1958 Newport Jazz Festival, in which she sang nine songs, was captured in photographer Bert Stern's documentary "Jazz on a Summer's Day." The documentary, which spotlighted O'Day singing "Tea for Two" as a fast tune and also "Sweet Georgia Brown," added to her stature as a jazz legend, made her a star in Japan and paved the way for international tours.At the time of her triumphant Newport Jazz Festival appearance, O'Day was well into her 14-year addiction to heroin.As a band singer, she said in a 1973 Los Angeles Times interview, "The narcotics thing was just there. It was what was happening. Kept me in and out of trouble for 20 years; cost me a couple of very nice houses, the Jaguar, the self-respect, everything. I got busted the first time for marijuana and served 45 days. Next time was for pot again -- I got 90 days, but they gave me 45 off for good behavior. These were misdemeanors."But the third time around, I got busted for heroin. That was a bum rap -- a musician set me up for it. He was able to keep out of trouble by turning someone else in every so often. They put me in jail for six months. Well, I figured I had the name, I might as well play the game. So when I got out, I decided to try it. It's like quicksand -- you never get out."After a near-fatal overdose in Los Angeles in 1966, she kicked her heroin habit cold-turkey, although she turned to alcohol.O'Day, who continued singing into her 80s, was married in her early years to musician Don Carter and golfer and businessman Carl Hoff. The marriage to Carter was annulled, and the marriage to Hoff ended in divorce.She leaves no immediate survivors.

Here are four mp3 audio files that you can download of Anita's appearance on Art Ford's Jazz Party. Taped during the week of an engagement at the Village Vanguard in 1958, this is prime Anita, and is the complete broadcast that is excerpted on the Sunday Night clip on YouTube. Anita sings Body And Soul, Tea For Two, and Let's Fall In Love.

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