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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

TEM JAZZ NO KATMANDU

18 setembro 2008

Ontem fomos conferir, Bené-X e eu (o Sazz, que também tinha confirmado que iria ao "programa" resolvido naquela tarde, ficou com medo da chuva e furou...), as produções da Carolina Paris para a série Prosper Jam, agora na casa na Lagoa cujo nome dá título ao post.

Se ainda não está preparada para sem um templo para o estilo - e talvez isso nem interesse ao proprietário -, pelo menos nota-se um grande esforço da produtora para que o ambiente se transforme em algo mais próximo de um. A acústica pode ser melhorada mas isso só vai ocorrer se houver gente indo prestigiar e conhecer o que se faz lá. Por isso é que lá estivemos, sem poder disfarçar alguma nostalgia pelo antigo projeto do CJUB.

E, constatamos, ali tem jazz.

Apresentaram-se (em ótima forma, diga-se) o pianista e tecladista Marco Tommaso, brilhante e criativo nas intervenções em solo e seguríssimo como sempre nas bases. Uma pena não estar pilotando um piano de verdade (o espaço é restrito) mas um teclado Kurzweil que, exigido em volume pleno, infelizmente mostrou sinais de cansaço tendo distorcido alguma coisa. Nada grave, apenas uma decorrência do a meu ver excessivo nível do som geral, para o recinto.

A seu lado o conhecido e competente saxofonista-tenor Widor Santiago, que pode demonstrar seu total domínio do instrumento, com sua sonoridade limpa e seus solos muito bem concatenados.

No contrabaixo amplificado, o bem postado Tony Botelho atuou com solidez, mantendo o pulso adequado e firme, saindo-se muito bem nos uptempos dos temas mais exigentes.

Dono de uma bateria suficiente (só um prato, o contratempo e um cow-bell, além das peles) mas de timbres muito elegantes, Renato "Massa" Calmon, ótimo profissional, empurrou esse time com firmeza e muita criatividade nos solos. Só achei que ele, um baterista reconhecidamente vigoroso, poderia tentar adequar seu estilo para uma sala como aquela, de modo a que seu instrumento não se mantivesse superposto aos demais por todo o tempo. Uma mera questão de volume que poderia ser melhor trabalhada, segundo meu entendimento, de forma a tornar a audição mais prazerosa para todos, mantendo-se intocada a percepção de sua arte.

Depois da quarto tema, juntou-se ao grupo o bom guitarrista Dino Rangel, que passou ao centro das atenções como solista, e o fez com desenvoltura e domínio do instrumento. Coube a ele garimpar um dos melhores temas da noite (de Aldo Romano), que permitiu atuação em contraponto direto a Widor com criatividade entre diversas sonoridades da guitarra e pedais.

Foram tocados standards (menos comuns do que os de hábito) como Bolivia e Gibraltar, e ao final do set, um vigoroso tema de Vítor Assis Brasil cujo nome não peguei, mas que serviu para avaliar o bom desempenho do grupo, que estava tocando com vontade e com prazer.

Resumindo, há jazz no Katmandu sim, e bom. Alguns pequenos detalhes a ajustar aqui e ali e as quartas-feiras oferecerão mais um programa aos aficionados por essa arte.

KATMANDU - Av. Epitácio Pessoa, 1484 - Lagoa; Fone: 2522.0645
A casa não cobra couvert artístico.

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