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29 junho 2008

COLUNA DO LOC, Mrs. Schneider

por Luiz Orlando Carneiro
JB, Caderno B
29 de junho
cadernob@jb.com.br

Maria Schneider ganha quatro prêmios da Jazz Journalists Association

MARIA SCHNEIDER foi definitivamente consagrada pela crítica especializada como uma das maiores figuras do jazz contemporâneo, na premiação anual da Jazz Journalists Association (JJA), anunciada, no dia 18, em tarde festiva no clube Jazz Standard, em Nova York. Não se pode continuar a qualificar, simplesmente, de a discípula predileta do grande Gil Evans (1912-1989) aquela que, aos 47 anos, arrebatou os "obeliscos" destinados aos melhores álbum do ano (no caso, o fascinante Sky blue), compositor, arranjador e grande orquestra. Foram computados os votos de mais de 400 integrantes da respeitada associação internacional, que levaram em conta as performances dos músicos e conjuntos (sobretudo em CDs, mas também em festivais e apresentações em clubes e salas de concerto) no ano-base de abril de 2007 ao mesmo mês do ano corrente.
Duke Ellington dizia que o seu principal instrumento era a orquestra, muito embora fosse pianista de técnica e inventividade excepcionais. Gil Evans tocava, eventualmente, piano (acústico e elétrico) para sublinhar certos climas em determinadas peças. Mas ambos escreviam tendo em mente os solistas que improvisavam dentro (e até fora) das molduras de seus arranjos e composições. Saxofonistas como Johnny Hodges, Paul Gonsalves e Harry Carney ­ para ficar na seção de palhetas ­ tiveram seus grande momentos como sidemen de Ellington, e não como líderes de conjuntos próprios.
Evans era muito exigente na escolha de seus músicos, e alguns deles ­ como o underrated trompetista Johnny Coles ­ só tiveram visibilidade e reconhecimento quando atuaram e gravaram sob a condução do compositor-arranjador (Out of the cool, 1960; Great jazz standards, 1959). Sem falar nas três suítes (Miles ahead, Porgy and Bess e Sketches of Spain) escritas por Evans para Miles Davis (1957-59), como se fossem "concertos para Miles Davis e orquestra". O mesmo pode ser dito ­ guardadas as proporções devidas, em matéria de tempo, engenho e arte ­ de La Schneider. Seu instrumento é também a orquestra de 17 integrantes que conduz, com suas envolventes e densas partituras na cabeça, e, nas mãos, gestos de generosa liberdade para solistas extraordinários cujas técnicas e sensibilidade conhece a fundo, como Donny McCaslin, Rich Perry, Steve Wilson, Scott Robinson (palhetas), Ingrid Jensen (trompete, flugel), Ben Monder (guitarra), Gary Versace (acordeão).
Sem que se esqueça a colaboração freqüente de Luciana Souza, cuja voz, como se um instrumento fosse, dá um colorido todo especial às partes escritas de Cerulean sky e Pretty road (pontos culminantes de Sky blue) e em peças do igualmente celebrado CD Concert in the garden, que conquistou o Grammy de 2005, na categoria large jazz ensembles. Na eleição do ano passado da JJA, Ornette Coleman ­ hoje um veterano vanguardista de 78 anos ­ levou os prêmios de músico do ano; líder do melhor pequeno conjunto; autor do melhor CD da temporada (Sound grammar); e ainda de melhor sax alto em atividade.
Neste ano, o pianista-compositor Herbie Hancock foi escolhido músico do ano, certamente em função do sucesso do disco The Joni letters (Verve) ­ um dos outros quatro CDs indicados para a categoria de Melhor Álbum da safra 2007-08, derrotados por Sky blue. À pianista Marian McPartland, que comemorou 90 anos em março, ainda na ativa, com o lançamento de
Twilight world (Concord), foi conferido o prêmio intitulado Lifetime achievement (conjunto da obra e vida dedicada à difusão do jazz).
O guitarrista africano Lionel Loueke, nascido há 34 anos no Benin, ficou com o "obelisco" da JAA na categoria das estrelas em ascensão.

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