Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) *in memoriam*, Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) *in memoriam*, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo), Carlos Augusto Tibau (Tibau), Flavio Raffaelli (Flavim), Luiz Fernando Senna (Senna) *in memoriam*, Cris Senna (Cris), Jorge Noronha (JN), Sérgio Tavares de Castro (Blue Serge) e Geraldo Guimarães (Gerry).

O CONTRABAIXISTA ANDREY GONÇALVES RENOVA O JAZZ CONTEMPORÂNEO EM SEU PRIMEIRO CD

25 maio 2021

O contrabaixista capixaba Andrey Gonçalves lança Nocturnal Geometries, seu primeiro CD solo. 

Radicado nos Estados Unidos há oito anos, onde cursa Doutorado em Jazz e Educação Musical pela Universidade de Illinois, instituição onde também ensinou práticas de contrabaixo e big band por três anos, Andrey acumulou experiências impressionantes tocando com Frank Gambale, Chuchito Valdés e Allan Broadbent, atuou em orquestras, foi músico de estúdio, produtor e compositor de trilhas sonoras e atualmente é professor de contrabaixo acústico e elétrico na Olivet Nazarene University ao sul de Chicago, na cidade de Bourbonnais.

Nocturnal Geometries é composto por músicas que o baixista criou ao longo de 1 ano sob a orientação de seu professor de composição Jim Pugh, que foi trombonista de nomes como Chick Corea e atualmente toca com Steely Dan. Utilizando técnicas modernas sugeridas por Pugh, a forma de
composição conferiu aos temas uma roupagem mais contemporânea. 

Nos anos de 2016, eu iniciei meu doutorado em Jazz e Educação Musical na Universidade de Illinois. Eu decidi fazer aulas de composições com extraordinário trombonista e professor Jim Pugh. Foi um processo de aprendizado muito bonito e pude desenvolver novas formas de comunicar minhas ideias e expandir os caminhos harmônicos e melódicos de minhas músicas”, revela Andrey. 

Durante 1 ano, compôs todas as semanas, geralmente à noite, no silêncio do seu quarto. Era ele, o piano, o lápis e a partitura. Reparou que as técnicas que estava estudando tinham nomes ou conceitos geométricos: quadrad, pentatonic, ocatonic. Além disso, o silêncio noturno foi um elemento essencial para instigar sua criatividade enquanto lidava com o caos e o estresse do primeiro ano de doutorado. Dois anos depois, cinco músicos fenomenais abraçaram o projeto do seu primeiro disco e assim iniciou sua produção. As sessões no estúdio foram bem rápidas pois tudo foi gravado ao vivo e fazendo leitura à primeira vista pois o conceito era captar a música com o máximo de espontaneidade possível. 

"Para gravar tudo ao vivo, foi um desafio colocar seis músicos na sala de gravaçãom estavam tão próximos que podiam escutar as batidas do coração e a respiração de cada um”, comenta Andrey para ressaltar a experiência fantástica e um grande momento de comunhão musical que se formou no estúdio - "Cada um representava um mundo musical diferente, mas estávamos unidos pela mesma pulsação, estabelecendo nossas opiniões musicais, improvisando e criando um diálogo único com nossos sons”.

Os arranjos, elaborados em parceria com o trombonista Ethan Evans, deixam o sexteto livre para promover uma fusão de música brasileira, jazz e ritmos caribenhos. Gravado em janeiro de 2019 com músicos ativos nas cenas jazz de Chicago, Utah, Detroit, West Virginia e Denver, o CD teve seu lançamento suspenso no ano passado por conta da eclosão da pandemia do coronavirus.

Nocturnal Geometries foi produzido por Andrey Gonçalves, todas as composições autorais são com arranjos de Ethan Evans. 

Gravado em nos dias 18 e 19 de janeiro de 2019, no Unit One Studios em Urbana, IL com engenharia de áudio de Derick Cordoba, mixado por Joe Corley, Pint Size Studios (Crystal Lake, IL) e masterizado por John Tubbs, Jetman Music Services (Champaign, IL).

Acompanham Andrey Gonçalves, Kurt Reeder no piano, Andy Wheelock na bateria, Robert Brooks no sax tenor, Robert Sears no trompete e Ethan Evans no trombone.

Aperta o play enquanto Andrey Gonçalves comenta faixa por faixa -

Quadrad: “o nome vem de uma técnica que eu utilizei pra compor, você coloca 4 dedos posicionados aleatoriamente no piano e a partir dessas notas constrói-se uma escala sintética com modos e acordes. Quadrad começou como uma salsa, mas migrou para o que foi gravado”;

This is Not a Blues: “meu professor me pediu pra compor uma música usando a pentatônica blues, mas a música não poderia ser um blues. Num fim de semana, fui visitar a tia da minha esposa em Crestwood, Kentucky, o local é paradisíaco, todo rodeado por mato e vida selvagem, sentei-me na varanda da casa e comecei a esboçar umas ideias. Com 20 min a música estava pronta. Em 2018, quando estava fazendo uma temporada com um pianista em Ouro Preto, mostrei a composição e o cara leu e comentou “Nossa, isso soa muito como Art Blakey.” Acabei arranjando na estética do Art Blakey. Essa é a música mais “jazz tradicional” do disco”;

Anna and the Moon: “Essa faixa a única que tem uma história longa a respeito dela. Também utilizou a técnica “quadrad”, mas simplifiquei bastante na concepção de melodia e harmonia porque queria uma balada mais melancólica. Usei essa faixa para homenagear uma enfermeira chamada Luanna. Em dezembro de 2018, fui visitar minha família no Brasil com minha esposa. Estava atravessando uma rua de Vitória com minha esposa e uma moto me atropelou. Fui parar na UTI com traumatismo craniano... foi foda. A minha sorte é que uma enfermeira estava passando na hora do acidente e me socorreu, chamou a ambulância. O nome dela é Luanna, nunca a vi, não sei como é o rosto dela... só sei que ela existe porque minha esposa me conta dela. Estou vivo por causa dela. O nome da música é uma “brincadeira” com o nome dela: Lua e Anna. Aí fiz de uma forma que fizesse sentido em inglês. O título também é um palíndromo, com palavras com 4 e 3 letras - Anna (4), and (3), the (3), Moon (4). Anna e Moon também repetem a letra do meio (nn - oo). Anna também é um palíndromo”;

Waterfall for a Cubist Passion: “fiz essa música inspirada por uma pintura do Picasso que vi no Guggenheim de Nova Iorque em 2012. A pintura não representava uma fase clássica do Picasso, mas me marcou muito. Compus tudo como se fosse uma história de uma paixão, usando a técnica de through-composed (onde as seções da música raramente se repetem e seguem para uma nova parte). Essa música já estava arranjada para octeto há anos, mas adaptei para o disco. É a faixa que obtém mais comentários positivos do público”;

The Tree of All Inventions: “Fiz essa música baseada numa ilustração que explica a riqueza da cultura brasileira. A ilustração é um totem com elementos que são muito peculiares à nossa cultura. A música em não tem nada de brasileira porque eu não queria soar tão óbvio. Preferi a inspiração para compor e, na hora da gravação, sugeri ao baterista que incluísse elementos da ciranda brasileira”;

Ocatonic Lullaby: “eu tive que compor uma música usando a escala octatônica, uma escala simétrica de oito notas, às vezes organizada em meio tom e tom... ou tom e meio tom, o que confere um bem angular, duro. Peguei uma das formas de organização e fui analisando até quebrar o padrão e compor uma canção de ninar. Acho que compus essa música em 1 hora. Quando acabei de compor, tive uma sensação muito forte, liguei pra minha esposa e comentei “acabei de compor a canção de ninar pro nosso primeiro filho.” Sophia só nasceu em 2021, mas ela acompanhou o processo de mix e máster do disco dentro da barriga da barriga da mãe”;

Mancada: “sambinha duro pra fechar o disco porque eu sou brasileiro e queria pelo menos ter uma faixa que fosse mais um “lugar comum” pra mim. Mancada foi composta usando fragmentos de frases e com a ideia de deixar bastante espaço pra bateria solar. Além da intro, que é bem chata de tocar, o “refrão” de Mancada tem uma modulação métrica entre 2/4 e 6/8 que entorta a cabeça de quem tenta tocar. Essa foi a única música que tivemos que repassar na gravação porque geral mandou mal na primeira passada... portanto, rolou a maior mancada no estúdio.";

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