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COLUNA DO LOC

29 janeiro 2013



Cyrus Chestnut, ex-"young lion", celebra 50 anos

JB, 26 de janeiro
por Luiz Orlando Carneiro


Nestes últimos cinco dias, o pianista Cyrus Chestnut vem celebrando 50 anos de vida do modo que mais lhe compraz. Ou seja, tocando dois sets por noite no palco do refinado Dizzy's Coca-Cola Club - debruçado sobre o Central Park de Nova York - à frente de seu trio (Dezron Douglas, baixo; Neal Smith, bateria), e na companhia do saxofonista Stacy Dillard e de outros convidados.
Nascido em Baltimore (Maryland), em 17 de janeiro de 1963, Chestnut é um daqueles young lions que, na década de 80, começaram a reinterpretar a mainstream do jazz, na base do old wine, new bottle, sob a liderança intelectual do grande trompetista-compositor Wynton Marsalis - que comemorou o 50º aniversário em outubro de 2011. Dessa mesma geração fazem parte outros consagrados músicos, tais como os pianistas Marcus Roberts, Benny Green, Gonzalo Rubalcaba e Danilo Perez (os dois últimos oriundos de Cuba e do Panamá); os saxofonistas Branford Marsalis, Kenny Garrett, Vincent Herring e Donald Harrison; os trompetistas Terence Blanchard e Wallace Roney; o trombonista Wycliffe Gordon e o baterista Jeff “Tain” Watts.
Filho de um organista amador de igreja paroquial, Cyrus foi embalado ao som da música gospel, revelou-se logo um pianista nato e, antes de completar 10 anos, já ocupava o banco do piano da Mount Calvary Star Baptist Church de Baltimore. Mais tarde, graduou-se pelo Berklee College of Music de Boston, enquanto aprofundava sua intimidade com a arte e a obra de mestres Bud Powell, Thelonious Monk, Hank Jones e Wynton Kelly. Depois de um “emprego” de dois anos como sideman do trio da vocalista bop Betty Carter – uma especialista em descobrir novos talentos – o pianista juntou-se à turma dos Marsalis & Cia. Em 1993, lançou seu primeiro disco como líder para um selo de renome: Revelations (Atlantic), em trio, contendo nove peças de sua autoria.

No ano passado, a etiqueta WJ3 editou o 14º álbum autoral de Chestnut, gravado em dezembro de 2010, e intitulado, simplesmente, The Cyrus Chestnut Quartet. Os três outros membros do combo são o jovem e vigoroso Stacy Dillard (saxes tenor e soprano), Dezron Douglas (baixo) e Willie Jones III (bateria). Das oito faixas do álbum, apenas duas não são assinadas pelo líder: No problem (7m40), o tema de Duke Jordan gravado pelos Jazz Messengers de Art Blakey para a trilha sonora do filme Les liaisons dangereuses (1960), de Roger Vadin; What's happening (4m35), hard bop em tempo quente do baixista Douglas.
As demais têm aquela coloração bluesy ou soul que o pianista-compositor privilegia, no entanto sem o clima bem contemplativo do álbum Blessed quietness (Atlantic, 1996) - primoroso vôo solo de Chestnut a partir de temas de hinos e spirituals.
O novo CD tem mais a ver com o também ótimo disco Soul food (Atlantic, 2001), que contava com Christian McBride (baixo) e Lewis Nash (bateria), mais convidados do quilate de James Carter (sax tenor), Stefon Harris (vibrafone), Marcus Printup (trompete) e Wycliffe Gordon (trombone). Neste último álbum da WJ3 – no qual a atuação de Stacy Dillard é brilhante – os pontos culminantes são as interpretações dos temas bluesy de Chestnut intitulados Anibelle cousins (7m05) e Indigo blue (8m), em tempo médio, e o dolenteMustard (8m35). Dillard toca sax soprano nas delicadas peças Waltz for Gene and Carol(5m) e Solace (7m05).
The Cyrus Chestnut quartet é um registro que enriquece ainda mais a discografia desse pianista agora cinquentão que, com engenho e arte excepcionais, sabe navegar pela mainstream do jazz “sem jamais parecer old fashioned” - para tomar de empréstimo recente comentário do estimado crítico John McDonough.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezados LOC e Gustavo Cunha:

Cyrus é "pedra 90" da melhor garimpagem e merece homenagear-se e ser homenageado sempre.
Ainda tão jovem ("cinquentinha") e já ostenta bagagem de atuações e gravações de maior qualidade.
Ave Cyrus ! ! !

APÓSTOLOJAZZ

MauNah disse...

Guzz, obrigado pela conversão do arquivo e a publicação. Não podemos prescindir do nosso Mestre LOC e suas sempre sábias resenhas.
Abs.