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COLUNA DO LOC

21 fevereiro 2011

Caderno B, JB, 19 de fevereiro
por Luiz Orlando Carneiro

Grammy do Jazz: James Moody ‘in memoriam’, Mingus Big Band e Chucho

O jazz foi notícia de repercussão mundo afora, além de suas fronteiras, no último domingo, com a outorga do 53º Grammy, na categoria best new artist (artista revelação), à contrabaixista Esperanza Spalding – precoce líder aos 26 anos, e integrante do consagrado quinteto US Five, do saxofonista Joe Lovano.
Pela primeira vez, um músico de jazz ganhou o cobiçado prêmio da National Academy of Recording Arts and Science (Naras), derrotando os outros quatro artistas pop indicados, entre os quais Justin Bieber. A escolha de Esperanza provocou, na internet, forte reação contrária da enorme legião de fãs do garoto-sensação de 16 anos, nascido no Canadá. Mas nas categorias relevantes diretamente ligadas ao jazz, os grandes vencedores foram os discos Moody 4B (IPO), melhor álbum instrumental (individual ou pequeno conjunto), do legendário sax tenor James Moody, que morreu em dezembro último, aos 85 anos, depois de desistir de lutar contra um implacável câncer; Mingus Big Band live at Jazz Standard (Jazz Workshop), na área das large ensembles; e Chucho’s Steps (Four Quarters), dos Afro-Cuban Jazz Messengers do pianista cubano Chucho Valdés, na divisão Latin jazz.
É claro que o prêmio concedido a James Moody teve um caráter de homenagem a um dos herois do bebop. Ele já estava nas últimas quando foram anunciados os indicados ao Grammy, e competia com os pianistas-compositores Vijay Iyer e Danilo Pérez, que lançaram no ano-base (outubro de 2009-outubro de 2010), respectivamente, os CDs Historicity (ACT) e Providencia (Mack Avenue), figurantes destacados nas mais conceituadas listas dos melhores do ano.
No entanto, o prêmio in memoriam não desmerece a qualidade de Moody B, a segunda parte de uma sessão de julho de 2008, que já havia gerado Moody A, editado em 2009. O saxofonista ainda estava em grande forma, e é algo bem mais do que simples nostalgia o prazer de ouvi-lo na companhia dos notáveis Kenny Barron (piano), Lewis Nash (bateria) e Todd Coolman (baixo) interpretando joias do repertório jazzístico do quilate de Take the ‘A’ train (Billy Strayhorn), Hot house Tadd Dameron) e Along came Betty (Benny Golson). E ainda standards inesquecíveis como I love you (Cole Porter), Polka dots & moonbeans (Van Heusen) e But not for me (Gershwin).
Já a vitória da Mingus Big Band foi mais do que merecida. É simplesmente espetacular o álbum gravado pela melhor big band de jazz em ação, na passagem de 2008 para 2009, ao vivo, no Jazz Standard de Nova York – clube onde a orquestra que reinventa a obra fascinante de Charles Mingus (1922–79) atua às segundas- feiras. Formada por músicos do primeiro escalão da capital do jazz, a MBB celebrou, naquela noite, o cinquentenário de peças constantes de três álbuns fundamentais da mingusiana: Mingus dinasty, Mingus ah um e Blues and roots. Ao destacar, nesta coluna, há 15 dias, o favoritismo de Chu cho’s step ao Grammy de melhor disco de Latin jazz, escrevi:
“Ainda que ele (Chucho Valdés) não consiga repetir a façanha, pela oitava vez, o CD lançado em setembro último merece ser ouvido e apreciado pelos jazzófilos. Não se trata de jazz latino manufaturado em Havana para consumo externo, mas de jazz do bom, que se alimenta das raízes afrocubanas semeadas por Dizzy Gillespie, Chano Pozo e George Russell, lá se vão seis décadas”.

Um comentário:

Anônimo disse...

É ótimo saber que alguém da imprensa brasileira menciona o nome de George Russell, o verdadeiro criador do modal jazz, e não Miles Davis, a quem é erroneamente atribuida essa inovação.