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IDRISS E BANDAÇA ONTEM NO KATMANDU

28 novembro 2008

Os males que vem para bem. Um baita engarrafamento ontem no Rio bastou para jogar para escanteio a um compromisso que tinha, totalmente comprometido em termos de horário. Docemente constrangido, rumei com a chefa para o Katmandu Clube, onde estava anunciada a presença de Idriss Boudrioua e uma escolta de peso.

O primeiro set começou com meros 50 minutos de atraso, próximo às 22 horas. Mas a frontline prometia muito. E entregou um jazz de primeiro mundo, os arranjos do Idriss soando plenos de inventividade e interação, com contrapontos bastante dramáticos e denotando terem sido feitos por alguém que, além de tocar muito, curte a sonoridade jazzística em sua plenitude.

Para não alongar demais algo que não pode ser aqui reproduzido, basta dizer que a batidíssima Body and Soul, no arranjo desse ás do sax-alto brasileiro, prestigiou, adivinhem ..., o barítono de um Henrique Band em excelente forma, com divisão inusitada e criativa - perguntado e elogiado, Band não quis ficar com o mérito e gentilmente declarou que aquilo "estava escrito", o que eu duvido. Band soprou seu sax com maestria, confirmando algo que eu imaginava mas ainda não tinha tido a oportunidade de ver.

Idriss tocou com imenso prazer temas de sua própria autoria, escritos "há uns sessenta anos atrás", como Bop For Me, em arranjo tão intrincado quanto alegre. Altair Martins foi bem eficiente no trompete e no flugel e Thiago Ferté, a quem eu ainda não conhecia, complementou com elegância o time do brass com sua boa pegada no tenor.

Na base, um outro deconhecido para mim, o jovem tecladista Vitor Gonçalves, elogiadíssimo por Idriss, diga-se, demonstrou muita segurança e inventividade nos solos. Pena que numa pianolinha elétrica que parecia de brinquedo, já que a casa não tem um acustico disponível. Esse fato, porém, não empanou a sua atuação, e segurou as harmonias com solidez e expôs idéias interessantes quando em solo. No baixo, seguro e cada dia mais desenvolto no idioma jazzistico, Sérgio Barrozo conduziu com facilidade e manteve a vibração adequada para esse belo time, complementado por um Rafael Barata muito competente e adequado à bateria - chegado, segundo Idriss, do Japão e da Europa onde tinha feito várias apresentações, inclusive com Barrozo - que domina com maestria, alternando climas e moods mais ou menos enérgicos segundo o tema, fazendo ritmo (e não barulho) como um grande veterano.

A lamentar, apenas, a inadequação da casa para eventos do tipo "intimista" - e poderia, com pequeno investimento, ser o novo lar dos jazzistas e jazzófilos cariocas, já fica a sugestão - desde a falta de preparo dos garçons, bartenders e outros empregados quanto ao nível de ruído produzido no ambiente (coisa simples de ajeitar), ao som grave da boate embaixo que ressoa nas mesas e nos nossos pés e pela simples colocação de duas pesadas cortinas separando a sala onde rola jazz daquela onde o "serviço" acontece.

No computo geral, uma boa noite de jazz. Não pude ver o segundo set, mas trouxe dois pequenos trechos da última do primeiro para dar-lhes um gostinho. A baixa qualidade dos vídeos é por conta de terem sido filmados no celular. Mas recomendo (e repetirei) a ida lá para rever a essa formação, que me transmitiu, em termos jazzísticos - e balsâmicos, portanto -, tudo aquilo que eu precisava para consertar uma noite que começou errada.

Abraços.

P.S.: Alguém por favor identifica o tema dos vídeos? Valeu.



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