Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

II PRÊMIO CJUB DE MELHORES DO JAZZ - RESULTADO FINAL

22 fevereiro 2005

Segue abaixo o resultado final do II Prêmio CJUB de Melhores do Jazz - edição 2004. O resultado oficial contou apenas com os votos dos membros do CJUB.

Agradecemos a todos que participaram da votação, principalmente nossos amigos visitantes.

A entrega dos diplomas aos vencedores de cada categoria será realizada no próximo concerto que o CJUB irá produzir, dia 31 de março no Mistura Fina.


SHOW INTERNACIONAL: LOUIS HAYES QUINTET - CHIVAS JAZZ FESTIVAL

SHOW NACIONAL: BRAZILIAN JAZZ TRIO - MISTURA FINA

MÚSICO ESTRANGEIRO: KEITH JARRET

MÚSICO BRASILEIRO: HÉLIO ALVES

MÚSICO CJUB: VICTOR BIGLIONE

REVELAÇÃO NACIONAL: RAFAEL BARATA

REVELAÇÃO INTERNACIONAL: FRANCESCO CAFISO

FESTIVAL: CHIVAS JAZZ FESTIVAL

CASA: MISTURA FINA

MÍDIA: COLUNA DO LUIZ ORLANDO CARNEIRO - JORNAL DO BRASIL

PRÊMIO ESPECIAL: LUIZ CARLOS ANTUNES (LULA)

MÚSICO VIVO (3 NOMES): DAVE BRUBECK, WYNTON MARSALIS E SONNY ROLLINS

MELHOR DISCO DO ANO: THE OUT OF TOWNERS - KEITH JARRET


Lembramos que o vencedor da categoria "Melhor Músico Brasileiro" recebe o Prêmio Arlindo Coutinho e o vencedor da categoria "Especial" (para aquele que ajuda no desenvolvimento do jazz no Brasil) recebe o Prêmio José Domingos Raffaelli.

Convidamos a todos para a grande festa que o CJUB irá promover na entrega dos prêmios.

Abraços,

Marcelink

ROY HARGROVE QUARTET, MISTURA FINA, 18 E 20/01/2005 - @@@@@

Perguntado, dois ou três anos atrás, como definiria um "momento mágico" no Jazz, Ira Gitler, o legendário crítico americano, não hesitou:

"Ouvir Roy Hargrove, num 3º set de sábado, no Village Vanguard".

Quem dizia era o mesmo Gitler que testemunhou praticamente toda a história do Jazz.

Nem Armstrong, Parker, Miles, Coltrane, Hawkins, Webster, Tatum, Powell, ou tantos outros gênios de cuja arte privou com inigualável intimidade. O "momento mágico" de Gitler é "Roy Hargrove, num 3º set de sábado, no Village Vanguard".

Sorte do público carioca, que, por dois dias, 18 e 20 de janeiro, pode também partilhar não de um, mas de vários "momentos mágicos" com que o quarteto de Roy Hargrove e o Trio da Paz, em estelar double bill, nos presentearam.

O trompetista retornou ao Brasil em excepcional companhia, trazendo John Lee no baixo elétrico, Willie Jones III , na bateria e o repatriado Guilherme Vergueiro ao piano. Como convidada especial, Roberta Gambarini, cantante radicada em Nova York.

Hargrove não deixou dúvida. De sua geração e das que vieram depois, não há trompetista mais completo. Um timbre altamente distintivo e magnético, tanto no trompete quanto no flugel; o fraseado sempre original e musicalmente consistente; a técnica titânica e a excelência também na composição: todos estes predicados, inobstante sua juventude, já reservaram a Hargrove lugar cativo no Olimpo da "música dos músicos", ao lado dos mitos Armstrong, Eldridge, Navarro, Gillespie, Miles, Clifford Brown, Lee Morgan, Freddie Hubbard e Marsalis, entre outros poucos.

As recentes apresentações deixarão para sempre na lembrança:

- o lirismo imcomparável de seu flugel nas baladas, em especial a estonteante Fools Rush In;

- o domínio também da latinidade que tanto influenciou o jazz, no bolero, tratado "quasi rumba", Contigo Aprendi, com direito a citações de La Barca;

- o respeito absoluto por Birks, nitidamente privilegiado no set list - talvez pela presença de Lee, antigo sideman de Dizzy - e de cujo repertório ouvimos memoráveis versões supersônicas de Blue´n Boogie e Bebop, sem contar a bissexta This Lovely Feeling.

Vieram também esplendorosos originais como Burn Out, Fun as It Gets e Clear Thought, e, na voz da afinada Roberta Gambarini, os clássicos Stardust, Day Dream, e Only Trust Your Heart. Esta última contou com a inusitada (e não agendada) participação do desconhecido e voluntarioso gaitista holandês Tim "Harmony" Welvaars, grande surpresa do 1º set do dia 18, "convidando-se" ao palco, porém impressionando pela desenvoltura e musicalidade de seus solos, fruto - soube-se depois - de dez anos estudando com o mestre supremo da harmônica, Toots Thielemans.
Hargrove atacou também um furioso funk baseado em Straight Life, do Freddie Hubbard anos "Creed Tatlor/CTI", mostrando ainda grande categoria também na música brasileira, ao acompanhar Vergueiro e o Trio da Paz em Só Danço Samba, quando, todos no palco, celebraram a excelência de tão afortunada reunião, promovida pelo Mistura Fina.

Guilherme Vergueiro teve, então, seu grande momento, mostrando porque é um dos principais pianistas, no mundo, de sambop, ou, como ele prefere, de "samba livre". Sua aparente discrição em alguns momentos, jamais escondeu o enorme talento do qual o samba-jazz há decadas tanto dele se orgulha.

John Lee é um portento de solidez e inventividade. O veterano baixista usa os recursos do instrumento elétrico para criar, exatamente a partir das diferenças deste com o primogênito acústico, linhas de walking preciosas, entremeadas de slaps e acordes que dão o acento certo, na hora certa.

Willie Jones III destacou-se por sua incrível versatilidade, não se deixando intimidar nem no samba, apesar de ter, a seu lado, nada mais nada menos, do que Duduka da Fonseca, nas jams do dia 20. O jovem baterista foi aluno de Billie Higgins, honrando a tradição de Philly Joe Jones e Jimmy Cobb, porém revelando severa influência, ainda, de Louis Hayes.

Roberta Gambarini, dignificou as sempre dificílimas Stardust e Day Dream, pecando, entretanto, nas canções em que aventurou-se pelo scat, dom que só a poucas rainhas do jazz foi concedido, entre elas Carmen Macrae, farol mais que evidente da italiana. Ressente-se ainda de um timbre mais atraente, embora sua técnica e personalidade denotem já uma cantora de induvidosa classe.
Após essas gloriosas performances, Hargrove parecia exausto já na madrugada de quinta, espraiado na escadaria do Mistura. Fumava quieto e olhava o vazio da rua.

Até hoje me pergunto quando, de novo, terei a ventura de esperar meu carro ao lado de um autêntico gênio do Jazz.

RARIDADES DO JAZZ EM LEILÃO: NOVA IORQUE

18 fevereiro 2005

(sobre nota da AP)

Verdadeiro tesouro em termos afetivos, será leiloado em Nova Iorque, neste domingo, um grande conjunto composto de 450 peças de memorabilia jazzística. Os lotes incluem o saxofone de John Coltrane, o trompete angulado de Dizzy Gillespie e também o vibrafone de Lionel Hampton.

A hasta, que incluiu uma prévia para visitação no sábado, ocorrerá na nova casa da fundação Jazz at Lincoln Center, no complexo da Time Warner, na ilha de Manhattan.

Para aqueles que não podem estar presentes mas se interessem por algum dos itens, serão aceitas ofertas por telefone e via o site de leilões eBay.com .

As peças foram doadas palas famílias dos artistas e a arrecadação irá para fundações que suportam o jazz, arquivos e jovens músicos de jazz.

Adicional e curiosamente, para aqueles que não se interessarem em deter um instrumento, há também dúzias de desenhos coloridos e surrealistas feitos por Miles Davis.

Quem se habilita? Dou-lhe uma...

WANDA SÁ IN CONCERT (AGAIN)

17 fevereiro 2005

Aos críticos de plantão do blog e aos desavisados, comunico que a Wanda estará reapresentando o concerto cuja estréia foi pelo CJUB, neste fim de semana (6a. e sábado), no Cais do Oriente, às 22:00hrs, acompanhada por Adriano Souza no piano, Dôdo Ferreira no contrabaixo e João Cortês na bateria.

JAZZ FM [LONDRES] TENTA UMA LEVADA MAIS MACIA

15 fevereiro 2005

(transcrição livre de artigo de hoje de Helen Johnstone, no www.telegraph.co.uk)

Jazz FM, a primeira estação britânica dedicada ao jazz, está sendo rebatizada de Smooth FM, depois que o título original começou a perder ouvintes. O grupo Guardian Media Group Radio (GMG Radio), que detém a estação, recebeu permissão da agência reguladora de mídia, Ofcom, para incrementar sua potência a partir da Smooth FM, que agora incluirá artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonder e Diana Krall em sua grade.

John Myers, executivo chefe da GMG Radio comentou: "Acreditamos que esta estação tem um potencial enorme e que em breve estará entre as cinco maiores de Londres, em termos comerciais. Estamos muito tristes em dizer adeus à Jazz FM, é um triste fato da vida que ela não tenha gerado lucro em seus quinze anos de existência. Ficamos espremidos entre não tocar todo o jazz possível para agradar aos puristas e ao mesmo tempo ter o nome de Jazz FM, que inibe experiências de outros ouvintes" [por se tratar de segmento para ouvintes musicalmente sofisticados].

A Jazz FM foi lançada em 1990 com um concerto de Ella Fitzgerald, numa época em que o jazz parecia estar no auge de sua popularidade entre os londrinos. Mas os esforços para levar ao ar uma gama mais abrangente de estilos enquanto se mantinha o título de Jazz FM falharam em aumentar a audiência.

[Essa dicotomia, presente sempre que se fala em jazz, faz com que pelo dinheiro, oxigênio sem o qual o jazz iria para os museus ao invés de manter-se como arte pura e vibrante, conceda-se denominar de "jazz" a diferentes estilos e artistas. Como, no exemplo das premiações do Grammy 2005 (vide post abaixo), a Jamie Cullum, Queen Latifah e Al Jarreau. Não sendo um radical, defendo aqui há tempos a tese de que, somente através dessa mistura se poderá despertar, nas novas gerações, a curiosidade de explorar os meandros do jazz, essa palavra que tanto assusta aos ignorantes de todas as idades. É uma lástima a perda do nome Jazz FM, pelo emblema. Mas que permaneçam, misturados na programação, pelo menos alguns bons clássicos jazzísticos para a garotada saber quanto "swing" de qualidade se pode encontrar por ali.]

P.S.: não é o caso da Smooth FM, infelizmente. Enquanto redigia estes comentários fiquei ouvindo a rádio pela internet. É uma pena, mas em cerca de 30 minutos, nenhum jazz foi tocado, o mais próximo foi "Just The Two Of Us", por Grover Washington Jr., após uma de Marvin Gaye e uma outra de Barry White. A mudança foi radical, pelo menos no horário. Voltarei mais tarde para checar. Quem quiser conferir, o link é este.

GRAMMY (JAZZ 2004)

Melhores CDs de jazz contemporâneo
1. Unspeakable - Bill Frisell
2. Journey - Fourplay
3. In Praise Of Dreams - Jan Garbarek
4. The Hang - Don Grusin
5. Strength - Roy Hargrove

Melhores CDs de cantor ou cantora de jazz
1. R.S.V.P - Nancy Wilson
2. American Song - Andy Bey
3. Twentysomething - Jamie Cullum
4. Accentuate The Positive - Al Jarreau
5. The Dana Owens Disco - Queen Latifah

Melhores faixas de solistas de jazz instrumental
1. Speak Like A Child - Herbie Hancock ("With All My Heart, Harvey Mason)
2. What's New - Alan Broadbent ("You And The Night And The Music")
3. I Want To Be Happy - Don Byron ("Ivey-Divey")
4. Buleria, Soleá Y Rumba - Donny McCaslin ("Concert In The Garden", Maria Schneider)
5. Wee - John Scofield ("EnRoute")

Melhores CDs da jazz instrumental
1. Illuminations - McCoy Tyner
2. Somewhere - Bill Charlap Trio
3. Fountain Of Youth - Roy Haynes
4. The Out-Of-Towners - Keith Jarrett Trio
5. Eternal - Branford Marsalis Quartet

Melhores CDs de grande formação ("big bands")
1. Concert In The Garden - Maria Schneider Oschestra
2. Get Well Soon - Bob Brookmeyer New Art Orchestra
3. On The Wild Side - John La Barbera Big Band
4. Coral - David Sanchez
5. The Way:Music Of Slide Hampton - The Vanguard Jazz Orchestra

Melhores CDs de "latin jazz"
1. Land Of The Sun - Charlie Haden
2. Bebop Timba - Raphael Cruz
3. Jerry Gonzales Y Los Piratas Del Flamenco
4. Another Kind Of Blue:The Latin Side Of Miles Davis - Conrad Herwig Nonet
5. Soundances - Diego Urcola


Cejubianos de plantão! Essa foi a ordem de preferência - resultado final.