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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

03 março 2017



Série “PIANISTAS DE JAZZ”
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
30ª Parte

(30) DUKE PEARSON      Digitação discreta, grande realização (Resenha curta)

COLUMBUS CALVIN PEARSON, Jr. “DUKE” PEARSON, filho do homônimo “Sr.” e de Emily Pearson, nasceu em Atlanta, Georgia, em 17/agosto/1932 e, em vias de completar 48 anos, faleceu também em agosto (04/agosto/1980) e também em sua cidade natal.
Pianista, compositor, arranjador e regente/lider de bandas, notabilizou-se como pianista, arranjador e produtor para o importante selo discográfico “Blue Note”, a partir da década de 1960 e direcionando-o para o “hard bop”.
Ganhou o “nickname” “Duke” de um tio, grande apreciador de Duke Ellington.
A partir dos 06 anos sua mãe ministra-lhe as primeiras lições de piano, o que perdurou até os 12 anos, ainda que nesse período PEARSON tenha se interessado e estudado diversos instrumentos de sopro (melofonio, sax-barítono e mais tarde trumpete).
Dedicou-se ao trumpete durante seus estudos escolares primários, ingressou no “Clark College” e seguiu com o trumpete, inclusive participando de formações em Atlanta com esse instrumento. Dos 21 aos 22 anos de idade (1953-1954) PEARSON fez seu serviço militar sempre com o trumpete.
Desligado do serviço militar e em Atlanta PEARSON integrou diversas formações, ai incluídas as lideradas por Little Willie John e por Tab Smith.
Também nessa época PEARSON revelou seus melhores dotes autorais com o tema dedicado a Clifford Brow “Tribute To Brownie”, gravado em 1957 em New York pelo quinteto de Julian “Cannonball” Adderley (LP “Sophisticated Swing”).
Em janeiro de 1959 ele foi para New York, sendo que nessa mudança surgiram-lhe problemas dentários o que o levou a abandonar o “sopro” e, também em função de apreciar o trabalho do pianista Wynton Kelly, retornou às 88 teclas mágicas. 
Datam desse ano as 02 primeiras gravações de PEARSON para o selo “Blue Note” - “Profile” e “Tender Feelin's”.
Contratado pela “Blue Note” (leia-se Alfred Lion e Francis Wolff) chamou a atenção do trumetista Donald Byrd, passando a escrever os arranjos e a gravar com ele e demais artistas da casa.
Foi o autor em 1960 do tema “Jeannine”, em parceria com Oscar Brown Jr., gravado em 11 de novembro de 1960 no LP “At The Half Note Café” por Donald Byrd como titular de quinteto como indicado mais adiante (apreciem o “podcast 351” de nosso estimado “cjubiano” MÁRIO JORGE postado em 03/março/2017 e terão o concerto completo), mesmo título de tema do álbum de Don Byas “A Tribute To Cannonball” (quem não se lembra do prefixo do magnífico programa radiofônico “Jazz Mais Jazz” do confrade e também “cjubiano” ARLINDO COUTINHO, irradiado às quintas feiras pela “Globo-FM”, com “jam’s” mensais ? ? ? ! ! ! . . . ).
Esse tema de PEARSON recebeu versão vocal pelo co-autor, cantor e apresentador Oscar Brown, Jr., foi gravado por Eddie Jefferson (LP “The Main Main” em outubro/1974) e pelo grupo “The Manhattan Transfer” (LP “Bop Doo-Wopp” em 1984).
Gravou em 1960 com o “Jazztet” de Art Farmer / Benny Golson, recrutado por Donald Byrd integrou o quinteto deste com Pepper Adams (vide o “podcast 351” já citado), realizou temporada em 1961 com a cantora Nancy Wilson, acompanhou a cantora Dakota Station e com o quinteto Byrd/Adams e ainda em 1961 marcou presença em diversas apresentações.
Com Donald Byrd PEARSON gravou para a Blue Note os álbuns “Fuego” (1959), “Byrd In Flight”, “At The Half Note Cafe” (o mesmo do “pod 351”) e “The Cat Walk” (1960), “Fancy Free”, “Kofi” e “Electric Byrd” (1970).
Em 1963 lança seu álbum “A New Perspective” com a faixa “Cristo Redentor”, influência recebida no Rio de Janeiro quando acompanhante de Nancy Wilson.
Em 1963 falece o grande Ike Quebec, então figura “top” no selo Blue Note e PEARSON assume seu posto, realizando trabalhos com os artistas da casa em diversos contextos e vertentes, inclusive arranjando e regendo grande orquestra em 1967.
Em 1971 PEARSON desliga-se da “Blue Note” e retorna a Atlanta, passando a lecionar no “Clark College”. Então foi o acompanhante de Carmen McRae e de Joe Williams, além de esporadicamente dirigir grandes formações.
No final de 1972 reaparece em New York à frente de “Big Band”.
Durante os anos de 1970 ele teve diagnosticada esclerose múltipla, que progressivamente imobilizou-o mentalmente, até seu falecimento no “Atlanta Veterans Hospital” de sua terra natal.
PEARSON pianista é imediatamente reconhecível pelo seu toque “discreto”, atrasado em relação ao solista ou ao grupo, o que o caracteriza como acompanhante perfeito e solícito, melodioso, claramente voltado para o “sentimental”, dançante, que cunha suas composições com adornos relaxados, como “poéticos finais de noites”.
Ademais das gravações indicadas anteriormente, PEARSON legou-nos discografia alentada, com destaque para os LP’s (muitos dos quais editados em CD): "Angel Eyes" (Polydor, 1961), "Dedication" (Prestige, 1961), “Wahoo!” (Blue Note, 1964), “”Honeybuns” (1965) e “Prairie Dog” (1966) ambos pela Atlantic e, pela Blue Note, “Sweet Honey Bee” (1966), “The Right Touch” e “Introducing Duke Pearson’s Big Band” ambos de 1967. Ainda pela Blue Note e em 1968 “The Phantom” e “How Insensitive”, além de outros em 1968 e 1970.
Como “sideman” PEARSON foi destaque como pianista para Bobby Hutcherson, Grant Green e Carmen McRae.
Como arranjador ele assinou para Donald Byrd, Hank Mobley, Lee Morgan, Lou Donaldson, Stanley Turrentine e Blue Mitchell, entre outros.
Com toda a sua singeleza e discrição no toque, PEARSON foi um gigante no que reaizou.

Retornaremos nos próximos dias

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