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13 março 2012

COLUNA DO MESTRE LOC, NO JB DE 25/2

TEMAS DE HERMETO E TONINHO HORTA EM DOIS CDS
Por Luiz Orlando Carneiro

Há quase um ano, esta coluna foi dedicada ao baterista carioca Duduka Da Fonseca — radicado em Nova York desde 1975 — por ocasião do seu 60º aniversário, celebrado em quatro “noites de gala” no Jazz Standard, um dos top jazz clubs de Manhattan. E ele aqui está de novo, desta vez em razão do seu mais recente CD, gravado no Rio, em agosto de 2009, e lançado nos Estados Unidos em novembro último: Duduka Da Fonseca Trio plays Toninho Horta (Zoho). O trio em questão é integrado por dois outros músicos excepcionais (Duduka os chama de “fabulous”): o pianista carioca David Feldman, 31 anos, bem conhecido da turma novaiorquina, e o baixista gaúcho Guto Wirtti, 29.

O disco é o terceiro do baterista-líder para o selo de Jochen Becker, que o qualifica muito apropriadamente de o Latin-Jazz label with a distinctive New York vibe. Os anteriores foram Samba Jazz in Black and White (2005), com Anat Cohen (clarinete, saxes), Hélio Alves (piano), Leonardo Cioglia (baixo), Guilherme Monteiro (guitarra); e Forests (2007), com Alves e Nilson Matta (baixo).

O novo álbum de Duduka contém nove faixas: a animada Aqui, oh! (6m30); a romântica Bicycle Ride (4m15), em tempo médio; a balada Moonstone (4m15), introduzida pelo arco do baixista; a valsante Francisca (4m15); De Ton pra Tom (4m45) — tema em homenagem a Jobim, é claro — Waiting for Angela (5m) e Luisa (5m50), tratados com ênfase naquele langor melódico típico da bossa nova, mais as acentuações rítmicas de Duduka, “escovando” os snare drums ou tinindo os pratos; Aquelas Coisas Todas (7m50) e Retrato do Gato (4m15), em tempo rápido, particularmente envolventes em termos de interplay, assim como Aqui, oh!. O piano de Feldman, mais do que cativante, é hipnótico, em qualquer andamento. Duduka é avesso a exibições solitárias de técnica, mas brinda os admiradores com dois solos (Aqui, oh! e Retrato do Gato).

Outro ótimo lançamento recente de samba jazz (jazz com molho de samba, e não samba com sotaque jazzístico) é o CD Essentially Hermeto (Sunnyside), com o conjunto JazzBrasil do vibrafonista Erik Charlston — músico de formação clássica nascido em Chicago, que se sente igualmente à vontade como percussionista da Orquestra Filarmônica de Nova York ou liderando o seu sexteto no Dizzy’s Club.

Os demais músicos do JazzBrasil são o brilhante saxofonista (flautista e clarinetista) Ted Nash, o pianista Mark Soskin (ex-sideman de Sonny Rollins), o baixista Jay Anderson e os brasileiros Rogério Boccato (bateria) e Café (percussão).

Em Essentially Hermeto, o Bruxo assina seis das oito faixas, já que Egberto Gismonti é o autor de Frevo Rasgado (5m30), um eletrizante duo piano-vibrafone, e Paraíba (3m40), cantado em português pelo líder, nada mais é do que uma homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, de saudosa memória.
Logo na peça de abertura do CD, Vale da Ribeira (6m25), o grupo exibe muita disposição e afinidade, com realce para o sax alto à la Phil Woods de Nash e o vibrafone do líder. O irresistível chorinho Rebuliço (4m45) é desenvolvido na combinação clarinete-marimba; Santo Antônio (7m), lembrança de uma festa junina na cidade natal de Hermeto, tem tratamento bem bucólico, com realce para o vibrafone de Charlston, ao fundo o piano de Soskin e a flauta de Nash; Essa Foi Demais (7m20), na batida do maracatu, é bem percussiva, com introdução de Café no berimbau e o líder solando na marimba; a Melodia de Hermeto (9m) é trabalhada na combinação flauta-vibrafone; Viva o Rio de Janeiro (6m25), como indica o título, é uma celebração do samba carioca, com Nash mais uma vez empolgante no sax alto.
Nas notas que escreveu para o disco, Erik Charlston sublinha que a música de Hermeto é cheia de “energia, originalidade absoluta, audácia e beleza”. Em Essentially Hermeto, ele e seus parceiros mostram-se à altura do desafio de jazzificar a música do Bruxo.

Um comentário:

figbatera disse...

Pelas informações e pelos times atuantes, só podem ser coisa MUITO BOA MESMO!