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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

02 maio 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 03



Mitchell Herbert Ellis, HERB ELLIS, nasceu no Estado do Texas, na pequena cidade de Farmesville em 04 de agosto de 1921 e faleceu em vias de completar 90 anos no dia 28 de março de 2010, em Los Angeles.


Sua carreira como guitarrista foi intensa, voltada para o JAZZ e marcada por uma qualidade indiscutível.


Sabendo-se que o sul americano, particularmente o Texas, gerou uma série de outros guitarristas de JAZZ de renome (Eddie Durham, Oscar Moore, Charlie Christian, “Lightnin’ Hopkins, como exemplos), é natural que o estilo de ELLIS tivesse toques de “hillbilly” e, notadamente, de “blues”.


E tocando “blues” HERB ELLIS sempre se destacou pela habilidade e um claro “feeling”, seja como exímio acompanhante, já seja como solista de imaginação fértil para as improvisações, sempre sutis, elaboradas com refinamento e permanente swing.


Interessante notar que aos 5 anos de idade iniciou-se na harmônica, passando logo em seguida pelo banjo e somente aderindo à guitarra aos 20 anos, quando ingressou no “North Texas State University”, local de estudos de uma série de futuros grandes músicos de JAZZ, podendo citar-se, entre outros, Gene Roland, Harry Babasin e Jimmy Giuffre.


Com 23 anos foi incorporado à “Casa Loma Orchestra” do band-leader Glen Gray.


No ano seguinte, 1945, e pelos próximos 3 anos atuou na banda de Jimmy Dorsey (irmão de Tommy Dorsey), onde podemos ouvir seus primeiros solos gravados nas faixas “Perdido”, “J.D.'s Jump”, “JD's Boogie Woogie”, “Super Chief” e “Sunset Strip”.


Montou e comandou durante 5 anos o “The Softwinds”, trio instrumental e vocal.


O mais marcante dessa fase foi seu trabalho como compositor, que gerou alguns clássicos do JAZZ, tais como “Detour Ahead” e “I Told Ya I Love Ya Now Get Out”, ambos gravados pelo selo Majestic.


Foi no período de 1953 a 1958, em que substituiu o guitarrista Barney Kessel para integrar o trio do pianista canadense Oscar Peterson, que a carreira de HERB ELLIS efetivamente decolou em termos de projeção para o grande público e a crítica especializada.

Nesse contexto de trio HERB ELLIS foi impulsionado pela suprema habilidade técnica do pianista Oscar Peterson, assim como pelo estilo adotado, com os músicos em permanentes “diálogos” e em tempos de difícil sustentação.


A partir de 1959 diversos eventos marcantes pontuaram o trabalho de HERB ELLIS. Em primeiro lugar sua atuação como acompanhante da “primeira dama do JAZZ”, Ella Fitzgerald (1959 a 1963).


Ao longo dessa atuação e em 1960 teve oportunidade de gravar bela homenagem a uma de suas grandes influências, Charles Christian (“Thank You Charlie Christian”).


Em seguida destacou-se sua incorporação à “crew” do empresário e produtor de JAZZ Norman Granz (criador das etiquetas VERVE, Pablo, Norgran), passando a fazer parte das apresentações do “JATP” (Jazz At The Philharmonic).

Nos estúdios de gravação, nas apresentações e temporadas do “JATP” , nos U.S.A. e no mundo inteiro, HERB ELLIS gravou e apresentou-se ao lado de todas as grandes figuras do JAZZ: Lionel Hampton, Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Stan Getz, Joe “Flip” Phillips, Ben Webster, Jimmy Giuffre, Tony Harper, Freddie Green, Bil Berry, Laurindo de Almeida, Russ Tompkins, Remo Palmieri e tantos e tantos outros.


Concomitantemente trabalhou ao lado da cantora Julie London, com o saxofonista Al Cohn, assim como apresentou-se e gravou com a banda de Toshiko Akiyoshi.


A partir de 1961 e com 40 anos HERB ELLIS instalou-se em Hollywood, trabalhando para a televisão e estúdios de gravação.

Acompanhou Joey Bishop, Della Reese e Mary Griffin.


Ainda assim e no biênio 1964/1965 atuou em combo com Terry Gibbs.


Na televisão participou do famoso “Steve Allen Show”, integrando a banda de Don Trenner que animava o programa.
Foi contratado pela etiqueta do empresário Carl Jefferson, a Concord Jazz, atuando nos festivais dessa gravadora e deixando registrados diversos álbuns, entre os quais aqueles em que atuou ao lado do pianista Monty Alexander e do contrabaixista Ray Brown, emulando o trio com Oscar Peterson.


Por esse mesmo selo e ao lado dos também excelentes guitarristas Barney Kessel e Charlie Byrd, atuou no grupo “Great Guitars”.

Nos anos 70 do século passado tocou em duo com o guitarrista Joe Pass.


Voltou a apresentar-se ao lado de Oscar Peterson e tendo como baterista Jeff Hamilton, para reviver o famoso trio, em apresentação que ficou gravada no documentário de 1992 “In The Key Of Oscar - Trio e História”, um primor de produção em matéria de história, música e emoção.
O legado discográfico e filmográfico de HERB ELLIS é, felizmente, bem extenso e entre tantos outros considerados “clássicos” do JAZZ, podemos elencar:

- “56nd Street”, sob a titularidade de Oscar Peterson, 1956;
- “Ellis In Wonderland”, 1956 (mesmo título de gravação de 2006);
- “Nothing But The Blues”, 1957;
- “Meets Jimmy Giuffre”, 1959;
- “Thank You Charlie Christian”, 1960;
- “Softly, But With That Feeling”, 1961;
- “It Don’t Mean A Thing”, 1962;
- “The Midnight Roll”, “Three Guitars In Bossa Nova Time”, “Herb Ellis And Stuff Smith And Charlie Byrd”, todos esses albuns entre 1962/1963 e pelo selo CBS;
- “Man With A Guitar”, 1965 (DOT);
- “Hello Herbie”, 1969 (MPS);
- “Jazz / Concord”, “Seven Come Eleven” e “Soft Shoe” pelo selo Concord Jazz entre 1973/1974;
- “Hand B Guitar Boogie”, com os “Great Guitars”, 1974;
- “At Montreaux”, 1979;
- “At The Winery”, também com os “Great Guitars”, 1980;
- “But Not for Me”, com Monty Alexander, 1982.

Todas as etiquetas discográficas de prestígio no JAZZ gravaram HERB ELLIS: Columbia, CBS (atual SONY), Dot, VERVE, Epic, MPS, Pablo, Concord, a japonesa Atlas etc.

Repetimos aqui parte do parágrafo final da postagem 02 desta série sobre “Guitarristas”, para assinalar que no Brasil e em edição nacional a “MPO Vídeo” distribuiu, em VHS e dentro da série “O Melhor do Jazz”, o vídeo “Great Guitars”, em que HERB ELLIS apresenta-se ao lado de Barney Kessell e de Charlie Byrd, em clássicos como “Outer Drive”, “Favela”, Tangerine”, “Alfie”, “The Days Of Wine And Roses”, “On Green Dolphin Street”, “Meditation” e outros, sendo importante comparar as diferenças de estilo entre os 3 guitarristas, cada qual com suas características e técnica.


Ouvir as gravações e as apresentações que ficaram documentadas de HERB ELLIS é sempre um prazer para os ouvidos, os olhos e os sentidos, em função da sensação de perfeição técnica e de sentimentos que transmite.


Retornaremos ao "Guitarristas" em próximo artigo (04).
apóstolojazz@uol.com.br

4 comentários:

Anônimo disse...

Mestre Apóstolo,
desculpe a interferencia deste editor desastrado! Eu quis eliminar os parágrafos vazios, para diminuir a amplitude vertical do seu post e desconfigurei a parada! Ainda bem q vc. consertou...
Mas o conteúdo, aliás, a série, que é o que de fato importa, está sensacional!
Sorry de novo e prometo não me meter a "editar", mesmo que espaços em branco, hahaha!
Abração.
Mau Nah

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Prezado ANONIMO:

Sem problemas e talvez até que os espaços maiores servissem para complementos pelos cjubianos.
Abraços.

renajazz disse...

http://hotfile.com/list/1277911/2b4c287

caro pedro cardoso comfesso realmente nunca tive vontade de ouvir nada sobre herb ellis porem apos a sua brilhente discrição sobre o mesmo sair em campo e logo descobri esse excelente disco do mesmo HERB ELLIS MEETS JIMMY GIUFFRE de cara eu gostei e ai estou mandando o link do disco desde ja muitop obrigado pela s informações sobre o mesmo

renajazz disse...

me perdoe os erros confesso e brilhante