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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 maio 2009

UMA VIAGEM NO TEMPO - BRIDGESTONE JAZZ, parte 2

A noite do segundo dia de Kind of Blue estava gélida do lado de fora, a clássica garoa paulistana dando à cidade um clima europeu (ou novaiorquino?) que se refletia na indumentária das pessoas, elegantes e bacanas de se ver, em tudo se coadunando com a beleza e a sofisticação do jazz.

Era aquela também a primeira noite em que se apresentaria a primeira das três cantoras escaladas para o evento e assim, com a casa lotada - afinal, era sexta-feira -, entrou no palco René Marie, uma cantora tão estilosa em seu penteado quanto talentosa em sua interpretação, sua voz muito bem dosada nas variações de cada número escolhido, demonstrando um vasto range. René, além de seus músicos, trouxe como coringa o renomado trompetista Jeremy Pelt ao palco, atuando na quase totalidade dos números.

Com notada predileção por temas ligados ao folclore americano e às canções que o descrevem e representam, passou com facilidade pelo blues, pelo soul, beirou os spirituals e entrou pelo jazz com facilidade e uma afinação impecável. Ao entoar, ao final do seu set, quase que a capella (só o contrabaixo a ajudava) e de maneira muito bonita a melodia do hino americano com uma letra híbrida, deu margem a que alguns patetas da platéia protestassem gritando "Brasil!" entre meias-vaias nacionalistas, o que imediatamente nos trouxe de volta à realidade nacional, tão embalados estávamos pelo tal clima novaiorquino (ou europeu?).

A série de temas apresentados por René Marie - a moça andou algum tempo afastada do biz por conta exatamente de problemas que teve com outra versão do hino americano, considerada racista - que vem voltando com força ao panorama musical norte-americano, agradou bastante à platéia presente, ávida, no entanto, para ver/rever a atração principal da noite, a bandaça reunida para comemorar os 50 anos da gravação do disco de jazz mais vendido da história.

Para René, sua personalidade forte e sua voz bem interessante, @@@,5.

Logo em seguida ao intervalo foi anunciada, com pompa e circunstância, a razão maior para que a platéia ali estivesse ocupando cada centímetro do espaço. O retorno da banda arregimentada por Jimmy Cobb para reencenar, re-tocar, repetir ou refazer o que já tinha sido bom na véspera. E essa mesma banda superou-se.
Domada a estridência de Larry Willis, mencionada aqui no post anterior (e para tanto foram adotadas duas técnicas simples: uma, um aperto significativo no Steinway, o que o fez mais duro e "pesado" ao toque; outra, a mera redução no volume dos captadores no piano), tudo fluiu magnificamente, o repertório idêntico ao da véspera porém com muito mais "intimismo" (entre aspas, pois não há disso numa sala com 2.500 pessoas e aquele naipe de metais), Buster Williams sentiu-se confortável para fazer nada menos do que quatro solos, Willis também esteve muito bem nas suas participações em solo, assim como o good old Cobb, um metronomo a serviço da banda.

O frontline de metais superou-se, deu tudo o que podia e mais um restinho, com Roney resplandecente tanto na bata dourada que fora do Miles quanto no trompete, Herring fulgurante no alto e Jackson brilhante no tenor. A casa veio abaixo.

E assim, a magia de Kind of Blue pode ser sentida plenamente, atendendo às mais exigentes expectativas da platéia repleta, diga-se, de jovens de ambos os sexos vivamente interessados na arte jazzística, o que nos impressionou muito favoravelmente, vez que, em outros festivais que temos frequentado, há certa predominancia de cabecinhas brancas no panorama das platéias.

Uma apresentação de gala para essa brilhante sacada do Toy: @@@@@, plenas.

(segue)

Fotos: Guto Nóbrega / Mila Maluhy

Um comentário:

figbatera disse...

Feliz de quem teve uma grande e rara oportunidade de presenciar uma apresentação desse naipe.
Só de me imaginar presente (lendo esta narrativa) eu já fiquei "arrepiado".