Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

UM TRIBUTO PARA DON ALIAS

24 setembro 2017

Don Alias foi um do grandes percussionistas da era do jazz-rock. Esteve presentes em sessões históricas de registros de Miles Davis, Weather Report, Carla Bley, Joni Mitchel, Jaco, Santana, entre outros; e colocou a percussão em primeiro plano, em um universo em que a descarga elétrica era a principal protagonista. Don Alias nos deixou em 2006, mas ficou seu legado e sua influência para as gerações seguintes.

O baterista Alfredo Dias Gomes celebra a memória do percussionista Charles “Don” Alias em Tribute to Don Alias, resgatando seu repertório ao longo de sua trajetória em composições como "Sweetie-Pie", "Samba De Negro", "Uncle Jemima" e "Vaya Mulatto" e "On the Foot Peg", registros do grupo Stone Alliance, esta última composta pelo trompetista Marcio Montarroyos; e "Creepin", clássico tema de Stevie Wonder (Fulfillingness' First Finale, 1974), também gravado pelo grupo. Para fechar o disco, um registro solo de Alfredo Dias Gomes em homenagem a quem teve o privilégio de conhecer e ter aulas de bateria quando Don Alias estava no Brasil.


"Don Alias foi o meu grande professor de jazz e jazz fusion. A pegada forte e a maneira de tocar aprendi com ele, foi uma grande inspiração e um grande incentivador do meu trabalho", diz Alfredo Dias Gomes, que tem ao seu lado nesta sessão Widor Santiago no sax tenor, Yuval Ben Lior na guitarra, Lulu Martin nos teclados, Berval Moraes no baixo e a participação do percussionista Marco Lobo.

Com a palavra, Alfredo Dias Gomes -

Don Alias esteve presente em formações pioneiras do jazz-rock. 
Foi o grande precursor da percussão no estilo?
Sim, junto com outros grandes percussionistas como os brasileiros Airto Moreira e Don Um Romão.
Don Alias participou do álbum marco do jazz fusion “Bitches Brew” do Miles Davis, não só como percussionista mas também dividindo as baterias com Jack deJohnette.

O grupo Stone Alliance foi um marco importante na carreira de Don Alias como líder e compositor. 
Como deu-se a escolha do repertório para este tributo?
Eu dei preferência para as músicas que assisti eles tocando ao vivo, eu queria muito gravá-las. E inclui duas músicas do álbum Heads Up de 1980 - "Uncle Jemima" e "Georgia O".

Você teve a oportunidade de tocar com o "general" Marcio Montarroyos, que inclusive protagonizou um disco ao lado de Don Alias. Foi nessa época que você teve o encontro com Don Alias? Como foi essa experiência?
Profissionalmente eu só toquei com o Márcio mais tarde, mas o conheci com 14 anos de idade quando ele era professor de trompete do meu irmão Guilherme.
Eu virei um seguidor do Márcio, andava de cima e para baixo com ele, fazíamos jam sessions na minha casa, gravações experimentais e conhecia todo o repertório dele.
Quando O Stone Alliance veio ao Brasil pela primeira vez eu tinha 16 anos, e foi por intermédio do Márcio que eu comecei a ter aulas de bateria com o Don Alias. A primeira levada que o Don Alias me ensinou foi da música “Miles Runs the Voodoo Down” do álbum Bitches Brew”. Eu me saí muito bem porque tinha o disco em casa.
Foram muitas vindas do Stone Alliance ao Brasil que eu nem lembro mais quantas foram. Numa dessas vindas eles estavam ensaiando na casa da família do Márcio, no Recreio dos Bandeirantes, meus pais também tinham casa lá, nós éramos vizinhos e nessa época uma casa no Recreio era como uma casa de campo. Alguma coisa aconteceu, faltou água ou luz na casa do Márcio e eles não podiam ensaiar, então o Márcio me perguntou se eles podiam continuar os ensaios na minha casa. Não posso descrever a minha felicidade. Um dia, os ensaios já rolando na minha casa, o Don Alias ainda não tinha chegado e estavam ensaiando somente o Gene Perla, Steve Grossman e o Márcio. Certa hora o Márcio vira pra mim e fala: "Alfredo, vamos ensaiar a minha música On the Foot Peg! Essa você sabe, toca aí!". Quando acabou a música todos me cumprimentaram e eu nunca esqueci este momento. Dei uma canja no ensaio com o Stone Alliance!

Ao seu lado nesse tributo está a mesma formação base dos últimos trabalhos - "Looking Back" e "Pulse". Como é essa sinergia do grupo no resgate do movimento jazz-rock?
Na verdade são músicos que tiveram, de uma forma ou de outra, uma passagem pelo fusion. Todos tem seus trabalhos, outros estilos, mas todos conhecem a onda muito bem.
O Widor também viveu essa época e sempre tocou comigo ao vivo e nos meus discos; o Yuval é de outra geração, mas estudou em Los Angeles com o Scott Henderson; o Lulu Martin nos conhecemos há tanto tempo que nesse disco chegamos ao ponto de dividir a mesma música nos teclados; e tem ainda a participação do Marco Lobo que, assim como o Widor, tocam com o Billy Cobham.

Obrigado Alfredo Dias Gomes, e sucesso.
Você pode adquirir o disco nas principais plataformas digitais - iTunes, Spotify e CDBaby.

"Tributo to Don Alias" tem a produção de Alfredo Dias Gomes, foi gravado e mixado no ADG Studio por Thiago Kropf e masterizado em Magic Master por Ricardo Garcia. O design gráfico é da REC Design.
Assessoria de Imprensa é da Tempo3 Comunicação.


ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (65)
Setembro 25 a 27
25      Alex Bigard, bateria, Louisiana, 1899
Albert Mangelsdorff, trombone, Alemanha, 1928
Billy Pierce, saxofone.tenor, Virginia, 1948
Sam Rivers, piano / saxofone.tenor, Oklahoma, 1930
John Taylor, piano, Inglaterra, 1942
Shadoow Wilson, bateria, New York, 1919
26      Gary Bartz, saxofone.alto, Maryland, 1940
George Gershwin, composição / piano,  New York, 1898
Julie London, vocal, California, 1926
Romano Mussolini, piano, Italia, 1927
27      Red Mitchell, contrabaixo, New York, 1927 (ou dia 20 ? ? ? )
         Bud Powell, piano / composição, New York, 1924
         Red Rodney, trumpete, Pensilvania, 1927
         Nat Shapiro, escrita / produção, New York, 1922

  Retornaremos

P O D C A S T # 3 8 0

22 setembro 2017

MARY LOU WILLIAMS
RENÉE MANNING
JOÃO DONATO
LEO PARKER






PARA BAIXAR O ARQUIVO DE ÁUDIO CLICAR NO LINK ABAIXO:
http://www102.zippyshare.com/v/y4EkoYxR/file.html

21 setembro 2017

ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (64)
Setembro 22 a 24
22             Dave Dreyer, composição, New York, 1894
Rio De Gregori, piano, Suiça, 1919
John Munford, trombone, Inglaterra, 1940
23             Bardu Ali, líder / vocal, Louisiana, 1910
Albert Ammons, piano, Illinois, 1907
Tiny Bradshaw, líder, Ohio, 1905
Ray Charles, vocal / piano, Georgia, 1930 (ou 1918???)
John Coltrane, saxofone.tenor, Carolina do Sul, 1926
Frank Foster, saxofone.tenor, Ohio, 1928
Les McCann, piano / vocal, Kentucky, 1935
24             Isadore Barbarin, saxofone.alto, Louisiana, 1872
Jimmy Butts, contrabaixo, New York, 1917
John Carter, clarinete, Texas, 1929
James Costanza, conga / bongo, Illinois, 1922
Bill Connors, guitarra, California, 1949
Wayne Henderson, trombone, Texas, 1939
Fats Navarro, trumpete, Florida, 1923

  Retornaremos

WHISPER NOT: AUTOBIOGRAFIA DE BENNY GOLSON


A Temple University Press publicou o livro "Whisper Not: The Autobiography of Benny Golson", co-escrito com Jim Merod, autor de "The Political Responsibility of the Critic" e executivo da BluePort Jazz.
O livro, com mais de 330 páginas, cobre a vida do extraordinário compositor e saxofonista Benny Golson, que começou a tocar jazz há 70 anos. Golson - um NEA "Jazz Master" - tem atualmente 87 anos e é uma das estrelas mundiais do jazz, não só como saxofonista tenor, mas particularmente como compositor e arranjador.
Entre suas numerosas composições estão: "Killer Joe", "Along Came Batty", "Whisper Not", "Stablemates", "I Remember Clifford", etc., muitas das quais se tornaram famosas quando Golson tocava em conjuntos de Art Blakey - The Jazz Messengers, e o célebre e seminal "The Jazztet" que co-dirigiu com Art Farmer.
Esta autobiografia, bem como outras similares, constituem um excelente veículo informativo e histórico dos últimos 70 anos do desenvolvimento do jazz, já que Golson, que começou a tocar com Lionel Hampton, Johnny Hodges e Dizzy Gillespie, tocou nos anos seguintes e até o presente, com uma longa lista de gigantes do jazz, que dá uma idéia da riqueza histórica do livro.
Golson também passou um período, entre 1959 e 1962, compondo música para filmes e séries de televisão, dentre os quais: "Ironside", Misión Imposible", "Room 222", "MASH", "The Partridge Family", e outras.
Além do "Jazz Master" da NEA, Golson recebeu vários prêmios e honrarias em sua vida artística.


(traduzido e adaptado do blog Noticias de Jazz)

20 setembro 2017

Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
39ª Parte   -   1ª parte
(39)    AL HAIG    Piano na Linguagem de PARKER e GILLESPIE

Alan Warren Haig, AL HAIG, pianista americano, nasceu em 22/julho/1924 na cidade de Newark, estado de New Jersey (leste dos U.S.A. encravado entre Delaware, Pensilvania e  New York e cuja capital é Trenton).
AL HAIG possuía sólida formação musical, já que estudou teoria musical e piano desde a infância e até o bacharelato, também aprendendo harpa, clarinete e a família das palhetas. Graduou-se em piano no “Oberlin College”
Com 18 anos foi convocado para o serviço militar (1942 até parte de 1944).
Ainda amador e em 1944 tocou piano numa orquestra de baile e saxofone em uma fanfarra, mas a essa altura  já influenciado pela audição de Teddy Wilson, Nat “King” Cole, Mel Powell e de Billy Kyle, ingressou no JAZZ, debutando profissionalmente em Boston, isso ainda em 1944.
Na virada de 1944 para 1945 AL HAIG estreou na “Rua 52” com Tiny Grimes, sendo o único branco participante do movimento “Bebop”.
Foi recrutado por Charlie Parker e Dizzy Gillespie em 1945 e participou das históricas gravações para o selo “Guild” (gravadora fundada e extinta em 1945, cujas matrizes foram compradas pela “Musicraft” e mais tarde pela “Pickwick”).   Para essa gravadora foram gravados 03 temas em 28 de fevereiro (“Dizzy Atmosphere”, “Groovin’ High” e “All The Things You Are”) com o pianista sendo Clyde Hart, além de mais 04 temas em 11 de maio (“Salt Peanuts”, “Shaw ‘Nuff”, “Lover Man” e “Hot House”), já então com AL HAIG.   As gravações dos 04 temas com AL HAIG ao piano, sob o título de “Dizzy Gillespie And His All-Stars Quintet”, são  consideradas as primeiras do “Bebop” disponíveis comercialmente no mercado e às quais nos referiremos mais adiante.
Entre 1945 e 1946 AL HAIG gravou seguidamente com Gillespie, com o “Eddie Davis And His Beboppers”, com Fats Navarro, com o “Eddie Davis Quintet” já em 1947 e, após acompanhante titular de Parker de 1948 a 1950, com Stan Getz de 1949 a 1951.
A integração de AL HAIG com Parker  e Gillespie motivou outras gravações, em particular com Parker, a saber:
(a)   em 30/maio/1945 no “Lincoln Square Center” de New York com o tema “Sweet Georgia Brown”;
(b)  em 05/junho/1945 na “Academy Of Music” da Filadelfia com o tema “Blue ‘n’ Boogie”;
(c)   em 29/dezembro/1945 no “Billy Berg’s” em Hollywood / Califórnia com os temas “Shaw ‘Nuff”, “Groovin’ High” e “Dizzy Atmosphere”;
(d)  em 24/janeiro/1946  também no  “Billy Berg’s” em Hollywood / California com o tema “Salt Peanuts”;
(e)   em 18/julho/1947 no “Washington Music Hall” na capital americana com os temas “Scrapple From The Apple”, “Bernie’s Tune”, “C’Jam Blues”, “Ko-Ko” e “These Foolish Things”;
(f)    em 11, 12, 18 e 25/dezembro/1948 no “Royal Roost” de New York com os temas “Jumping With Symphony Sid”, “Groovin’ High”, “Big Foot”, “Ornithology”,  “On A Slow Boat To China”, “Hot House”, “Salt Peanuts”, “Chasin’ The Bird”, “Out Of Nowhere”, “How High The Moon”, “Half  Nelson”, “White Christmas”, “Little Willie Leaps” e “52nd Street Theme”
(g)   ainda e também em 1949, 1950, 1951 e 1953 outras gravações, mostrando a continuidade da integração de AL HAIG com os dois maiores expoentes do “Bebop”, mais ainda com Parker nos anos 1948 a 1950.
O importante estojo com 05 CD’s “Charlie Parker Immortal Sessions, Volume I 1945-1948 e Volume II 1949-1953” (SAGA Continuation Ltda, 1996, Alemanha) nos fornece no Volume 1, CD 1, “Charlie Parker In The Studio 1945” os 04 temas gravados em New York em 11/maio/1945 com o grupo então denominado “Dizzy Gillespie And His All-Star Quintet” a que já nos referimos (“Salt Peanuts”, “Shaw’Nuff”, “Loverman” e “Hot House”), com Gillespie, Parker, AL HAIG no piano, Curley Russell no baixo, “Big Sid” Catlett à bateria e Sarah Vaughan no vocal em “Loverman”.  Ainda no Volume I e CD 5, gravações em 11, 12, 18 e 25 de dezembro de 1948 sob o título de “Charlie Parker Al Stars”, temos AL HAIG ao lado de Parker, Miles Davis, Tommy Potter no contrabaixo e Max Roach à bateria, nos temas “Groovin’ High”, “Big Foot”, “Hot House”, “Salt Peanuts”, “Out Of Nowhere”, “How High The Moon”, “White Christmas” (Kenny Dorham substituindo Miles Davis). 

Retornaremos com a “2ª Parte, Final” sobre AL HAIG

MUY POQUITO COM ITAMAR CARNEIRO TRIO

19 setembro 2017

A simplicidade é a máxima sofisticação.
É por essas linhas que o guitarrista paulista Itamar Carneiro rege seu modo de ser, simples, que gosta das coisas simples; e faz do uso desta simplicidade um universo de histórias musicais.
Com muito talento e criatividade, ele apresenta seu primeiro disco solo, Muy Poquito, um registro independente em que traz um repertório autoral em 6 composições, fazendo uma fusão de ritmos latinos, muito influenciado pela música cubana, sem perder o swing e a linguagem da música brasileira.
Sem dúvida, uma música de extrema grandeza, emoção e singularidade.


Ao lado de Itamar Carneiro estão Shamuel Dias no baixo elétrico e Danilo Carvalho na bateria, um trio super integrado e com espaço para muito improviso, em uma sessão gravada sem cortes, sem overdubs, sem correção nem adição de mais nada, para que se perceba o som mais real possível, ao vivo.
O álbum abre com a forte melodia do tema título, cadenciado pela atmosfera latina e trazendo intensos improvisos de Itamar, Shamuel e Danilo. Em "Meu Porto, meu Cais", Itamar introduz o tema com um chord melody em uma belíssima balada; assim como na bossa "Um Mar de Saudade". O ritmo brasileiro marca o "Baião de Assis Carneiro", mostrando sua influência por Gonzagão em um mood muito particular; e o Blues tem presença em "Martino Blues", uma reverência ao guitarrista Pat Martino. Fechando o álbum, uma belíssima interpretação solo em "O Trem de Cabedelo".

Itamar usou uma Ibanez AF100 em todas as faixas, com exceção de "O Trem de Cabedelo", em que usou uma guitarra fabricada pelo luthier Aquiles, de Brasília, ambos plugados em um amp Fender Delux 112.

Com a palavra, Itamar Caneiro -

Conte sobre sua formação musical e como a guitarra se tornou protagonista em sua vida.
Me formei primeiramente no extinto Conservatório Padre Jose Mauricio, localizado na minha cidade São Bernardo do Campo. Antes disso tive aulas particulares com um excelente guitarrista da região, Ronaldo Mirandah. Eu tinha uns 16 anos e estava aprendendo tudo que eu podia sobre teoria musical e começava a empunhar a guitarra de uma maneira interessante. Foi quando esse meu primeiro professor me deu uns discos pra eu levar pra casa e ouvir, entre eles Larry Coryell e Toninho Horta. Lembro-me de ter ficado alucinado com aqueles dois discos, me fizeram chorar e foi a partir dali que tudo começou de verdade. Em seguida, com aquele som na orelha 24hs por dia, procurei o Conservatório Padre Jose Mauricio e tive outra grande sorte, um presente de Deus - encontrei outro super professor chamado Sergio Leão. O "Leão", como todos aqui em S.B.Campo o chamamos, me ensinou tudo, ele é um cara minucioso com os alunos e percebeu que eu tinha vontade de aprender. Estar como aluno sob o comando de suas batutas foi fundamental, sempre muito honesto e como professor não poderia ser diferente, atencioso com minhas duvidas, me acalmando com minhas ansiedades e procurando sempre me levar ao amadurecimento; foi assim durante quatro anos.
Depois fui para a FAAM onde estudei dois anos como o professor Marcelo Gomes, e tive as outras matérias do curso. Dai migrei definitivamente para a FASCS, Fundação Das Artes de São Caetano do Sul, onde estudei 5 anos cumprindo todo o conteúdo de um curso extremamente acadêmico, e lá meu professor de guitarra foi o Jorge Hervolini. Além disso, toquei na Big Band da FASCS por 2 anos sob a regência do Maestro Sergio Gomes.
Mais tarde procurei um cara que continua sendo um exemplo pra mim, o professor Heraldo do Monte, um ídolo e um super ser humano, cujo período de aulas durou apenas 5 meses.

"Muy Poquito" tem a formação de trio, sem instrumento harmônico. É um desafio tocar nesta formação?
Sim, é um desafio. Principalmente pra mim que só tocava em quarteto com um piano sempre me dando suporte. Na verdade, eu não sabia tocar em trio até este disco. Ainda tenho muito que amadurecer, e estou na busca por isso. Ainda sou uma criança aprendendo a dar os primeiros passinhos em relação a tocar em trio, onde a guitarra assume um papel de harmonizador.

Itamar Carneiro

Fale sobre os músicos que estão com você e como surgiu a ideia de registrar esta sessão.
Vou descrever isso da maneira mais honesta que eu puder. Começou com minha vergonha de ser eu mesmo. Eu tinha muita vergonha do meu sotaque, das coisas que escrevia, e me preocupava com “O que os outros iriam pensar de mim”; e é bem verdade que eu tinha um problema psicológico a ser resolvido. Eu escrevia melodias e as deixava na gaveta mofando.
O pouco tempo de aula com o Heraldo me ajudou muito; com as aulas comecei a pensar sobre o fato da existência humana, sobre o “Eu”, singular, único, especial.
Nesta gravação, como músico sei perfeitamente que preciso amadurecer muito, mas como ser humano, no que diz respeito a “certeza”, eu estava pronto. Na gravação fui eu mesmo com toda a verdade que pude ser. Fui feliz em gravar, muito feliz. Foi dessa maneira que comecei a pensar em registrar uma sessão de gravação dos meus temas.
Os músicos são meus amigos e companheiros de FASCS - o Shamuel Dias fez o baixo elétrico e cuidou de parte da Produção do disco, e o Danilo Carvalho fez a bateria. Ressalto que ambos são extremamente talentosos e pessoas do bem, dois cavalheiros. Fizemos 2 takes de cada faixa, mas eu escolhi os primeiros, com exceção do "Martino Blues".

A música cubana exerceu forte influência na linguagem do Jazz. Há uma presença muito forte desta textura em sua música, além da riqueza da música brasileira, em ritmo e melodia. Quais suas influências e/ou referências?
Ouço musica Cubana e latina desde criança, mas tenho um amigo que me fez mergulhar nisso e ouvir ainda mais - um filho de chilenos chamado Pablo Lopez. Eu tenho uma preferencia pela musica camponesa cubana, aquelas que só têm voz e três instrumentos, e tem uma melodia curta e simples. Isso me fascina. Gosto de coisas simples.
Tenho uma ligação muito forte com a natureza, principalmente com o mar, talvez pelo fato de ser neto de pescador. Minha família materna é de João Pessoa, e minha família paterna é do sertão do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ouvi Gonzagão e companhia a vida toda. Acho que tudo se juntou na minha cabeça e saiu o que saiu. Adoro melodias e acho que consigo escrever coisas bonitas, gosto do que eu escrevo.
Então, minhas influencias musicais são musica de gente humilde mesmo, eu não me considero um músico sofisticado e não pretendo ser, gosto de coisas simples.

As composições longas abrem um bom espaço para explorar o lado criativo. Você acredita que a improvisação livre é um caminho natural para expressar emoção no tempo em que a música ocorre?
Pra mim, se uma melodia começa ela tem seu próprio curso pra ir aonde ela quer ir, e ninguém pode interromper isso. Penso como Carlos Drummond de Andrade, a poesia vem de uma estância maior, seja ela qual arte for, e nos improvisos a coisa pra mim é dessa maneira. A liberdade de criação nos improvisos requer muito estudo. Estudar os estilos musicais, as texturas, a historia da cultura de onde a música veio, e por ai vai.
Então, penso sim que o improviso é uma forma natural de se expressar com emoção, mas isso requer muito estudo, não da pra fazer isso do nada.

Belíssima composição solo em "Trem de Cabedelo". O que o inspira nesses momentos intimistas?
Uma Paisagem. La em João Pessoa, na cidade dos meus pais, tem um trem muito antigo que transita das cidades mais simples levando trabalhadores para João Pessoa, uma delas é a cidade de Cabedelo. O trem é periférico, pobre, feio, velho e mal tratado.
Se forem a João Pessoa, mais precisamente no centro velho, ao lado do Hotel Globo, vão entender minha inspiração. O trem passa entre construções antigas buzinando. Se quiser, pode ir a Cabedelo nele, é bem legal, é lindo. Isso me marcou. As coisas simples geralmente mexem muito comigo, e eu gosto de transpor isso para a música, a arte onde me coloco.

Obrigado Itamar Carneiro, e sucesso.

Você pode adquirir o disco Muy Poquito na Pops Discos e na Freenote.

ANIVERSARIANTES  DO  MÊS    -  JAZZ  &  OUTROS (63)
Setembro 19 a 21
19              Muhal Abrahams, piano / arranjo, Illinois, 1930
Fred Ahlert, composição, New York, 1892
Lovie Austin, piano / composição, Tennessee
Winston Clifford, bateria, Inglaterra, 1965
Don Thompson, saxofone.tenor, Canadá, 1932
Helen Ward, vocal / piano, New York, 1916
20              Steve Coleman, saxofone.alto, Illinois, 1956
Johnny Dankworth, saxofone.alto, Inglaterra, 1927
Bill De Arango, guitarra, Ohio, 1921
Red Mitchell, contrabaixo, New York, 1927
Jelly Roll Morton, piano / composição / lider / canto, Louisiana, 1885
Joe Temperley, saxofones, Escócia, 1929
21              Gene Harris, piano, Michigan, 1933
Chico Hamilton, bateria, California, 1921
Fred Hunt, piano, Inglaterra, 1923
“Papa Jack” Laine, bateria / lider, Louisiana, 1873
Tommy Potter, contrabaixo, Pensilvania, 1918
Slam Stewart, contrabaixo, New Jersey, 1914

  Retornaremos

HIROMI UEHARA NO RIO

18 setembro 2017

De figura totalmente desconhecida para mim até a criação do grupo de WhatsApp deste CJUB - ao qual faltam apenas os nossos Mestres de São Paulo e Niterói aderir -, a pianista japonesa Hiromi, como é mais conhecida, transformou-se no meu mais novo xodó jazzístico. Explico.

Criado o grupo, a conversa passou pelas atrações do Blue Note carioca, nova esperança de permanência e sucesso da casa nesta cidade sem jazz. Ela foi mencionada ali pois iria apresentar-se ao lado de um harpista colombiano(!) Edmar Castañeda. Para a dissipação parcial de minha completa ignorância a seu respeito, menções ao trabalho do duo foram as melhores possíveis, sendo que nosso confrade PWham, que assistira a ambos no Festival de Marciac/17, e cujo gosto jazzístico afina-se com o meu, endossou a escolha do clube.

Pois bem, comprados os ingressos (ser idoso nessa hora é uma beleza!), rumei com a chefa para ver sua apresentação. Já na entrada, uma surpresa: a harpa de Castañeda ficara retida em Bogotá e malgrado os esforços da casa em conseguir outra - sendo que a famosa harpista carioca Cristina Braga fora contactada e posto à disposição uma de suas quatro -, o colombiano não aceitava tocar em nenhuma outra, dadas as peculiaridades de sua própria, modificada para obter determinada sonoridade. Assim, desculpava-se a casa, muito profissionalmente, oferecendo não apenas acesso aos concertos-solo que Hiromi faria naquela noite, em 2 sets, como ingressos para o dia seguinte para o programado duo.

Foi, portanto, acidentalmente, que pude assistir a quatro sets com esse fenômeno do piano moderno, uma reencarnação de pianistas do passado aliada à admiração e influência de seus mestres do presente, tudo encaixotado num corpo pequenino e aparentemente frágil mas cuja vitalidade, força, ritmo, delicadeza versus pancadaria nas teclas, me encantaram a partir de seu segundo tema. Necessário dizer que, além de exímia executante, Hiromi é uma compositora de mão cheia, com idéias e andamentos ricos e complexos permeando suas obras. E as de outros também. Um negócio!, como diria o meu pai.

Variando sua atuação entre líricas passagens alatinadas (onde ouvi Chick Corea) e outras mais cerebrais (onde percebi a presença de um Keith Jarrett um pouco mais lírico, mais arredondado), passeando por solos só de sua mão direita à Oscar Peterson (ídolo declarado), a japonesinha, dona também de uma diabólica mão esquerda, trovejou alto nas teclas graves e fez chover chuva fininha nas agudas, alternando os climas entre explosivos e pianissimos de forma inebriante, recheados pela escolha de inusitadas mudanças de ritmo e acordes "ricos", escolhidos sabiamente por sua inteligência musical superior. Sua capacidade de emular pianistas dos calibres de Count Basie, Errol Garner, Bud Powell etc, e enfiar citações em momentos inesperados, com um sorriso cúmplice e divertido no rosto, ganhou a admiração de toda a platéia, composta tanto de aficionados como de gente comum.

Posto aqui um dos momentos mais cálidos de sua apresentação, quando "descansou" após um tema poderoso, brincando com a platéia. Mesmo assim pode-se perceber seu inesgotável arsenal de variações e a presença nítida de sua formação clássica.

Se fosse descrevê-la totalmente, teria de usar alguns posts. Este pretende ser um resumo do que vi, em 2 sets solo e no dia seguinte, aliada à bela harpa tocada por Castañeda, este um capítulo à parte.

Abraços!


CRÉDITOS DO PODCAST # 379

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÕES LOCAL e DATA
BARNEY KESSEL
Barney Kessel (gt), Harry "Sweets" Edison (tp), Georgie Auld (st), Jimmy Rowles (pi), Al Hendrickson (gt rítmica), Red Mitchell (bx) e Irv Cottler (bat)
LOUISIANA
(J.C. Johnson / Andy Razaf / Bob Schafer)   
Los Angeles, 26/junho/1955
Barney Kessel (gt), Ray Brown (bx) e Shelly Manne (bat)     
SATIN DOLL
 (Duke Ellington / Johnny Mercer / Billy Strayhorn)
Los Angeles, março/1957
I'M AFRAID THE MASQUERADE IS OVER
(Herbert Magidson / Allie Wrubel 
Los Angeles, novembro/1959
Frank Rosolino (tb), Ben Webster (st), Jimmy Rowles (pi), Barney Kessel (gt), Leroy Vinnegar (bx) e Shelly Manne (bat)
JERSEY BOUNCE
(Tiny Bradshaw / Edward Johnson / Bobby Plater / Robert Wright)
Los Angeles, 6/agosto/1957
Mannie Klein (tp), Arnold Ross (pi), Barney Kessel (gt), Red Callender (bx) e Irv Cottler (bat)
TWELFTH STREET RAG
(Euday L. Bowman)
Los Angeles, 12/dezembro/1947
Conte Candoli (tp), Victor Feldman (vib),  Barney Kessel (gt), Paul Horn (fl, sa), Red Mitchell (bx) e Stan Levey (bat)  
THE BIG BLOW OUT
(Henry Mancini / Johnny Mercer) 
Los Angeles, 1961
Bob Cooper (st, oboe) Claude Williamson (pi), Barney Kessel (gt), Monty Budwig (bx) e Shelly Manne (bat)
BARNEY’S BLUES
(Barney Kessel)
Los Angeles, 1/julho 1954
Barney Kessel (gt) e Monty Budwig (bx)
STAIRWAY TO THE STARS
 (Matty Malneck / Mitchell Parish / Frank Signorelli)
Los Angeles, 3/abril/1959
Barney Kessel (gt), Jimmy Rowles (pi), Howard Rumsey (bx), Stan Levey bat) e Claude Williamson (arranjo)
BEGIN THE BLUES
(Barney Kessel) 
Live at "Irvine Bowl, Laguna Beach, CA, 20/junho/1955
Barney Kessel (gt), Ray Brown (bx) e Shelly Manne (bat)
NAGASAKI
(Mort Dixon / Harry Warren)  
Los Angeles, 19/março/1957
Bob Cooper (st), Hampton Hawes (pi),  Barney Kessel (gt), Red Mitchell (bx) e Chuck Thompson (bat)
64 BARS ON WILSHIRE
 (Barney Kessel)
Los Angeles, 12/setembro/1955
Marvin Jenkins (pi), Barney Kessel (gt), Jerry Goode (bx) e Stan Pepper (bat)
WHEN JOHNNY COMES MARCHING HOME
(Traditional / Patrick S. Gilmore)
Los Angeles, 10/janeiro/1961
Oscar Peterson (pi), Barney Kessel (gt) e Ray Brown (bx)
SALUTE TO CHARLIE CHRISTIAN
(Barney Kessel) 
Los Angeles, 19/dezembro/1953
Bob Cooper (st), Hampton Hawes (pi), Barney Kessel (gt), Red Mitchell (bx) e Chuck Thompson (bat)
JEEPERS CREEPERS
(Johnny Mercer / Harry Warren)
Los Angeles, 12/setembro/ 1955
Marvin Jenkins (pi), Barney Kessel (gt), Gary Peacock (bx) e Ron Lundberg (bat)
BLUESOLOGY (Milt Jackson)
Los Angeles, 19/julho/1960