Aqui você vai encontrar as ultimas novidades sobre o panorama nacional e internacional do Jazz e da Bossa Nova, além de recomendações e críticas sobre o que anda acontecendo, escritas por um time de aficionados por esses estilos musicais. E que tem preferência por charutos e o uísque como excelentes companhias para as suas audições.
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Volume 6 - Chet Baker Em circulação nas bancas o volume 6 da coleção "Mitos do Jazz", já indicada com restrições por Mestre LULA em postagem anterior (??porque "Glenn Miller" ao invés de "Tommy Dorsey", ?? porque "Chick Corea" ao invés de "Erroll Garner", ou "Bill Evans", ou "Bud Powell", ou "Earl Hines" ou ......??). Nesse volume (página 17) o autor do texto afirma que além de gravação pirata no "Trade Winds Club" da Califórnia não existe nenhuma outra gravação de Parker e Chet tocando juntos. Temos ai 02 enganos, sendo que o primeiro é o fato de que a gravação nada tem de "pirata", já que foi lançada comercialmente no estojo "Bird" (volumes 12/13) e, também, no Brasil e dentro da coleção "The Jazz Masters - 100 Anos de Swing", volume 19, Folio Collection. Trata-se da gravação em 16/junho/1952 dos temas "The Squirrel", "Irresistible You", "Indiana" e "Liza", com Chet ao trumpete, Parker e Sonny Criss nos saxes-alto, Al Haig no piano, Harry Babasin no contrabaixo e Lawrence Marable à bateria (na faixa "Indiana" o pianista é Russ Freeman). O segundo engano é o fato de que Chet voltou a gravar com Parker em quinteto (os dois mais Jimmy Rowles no piano, Carson Smith no baixo e Shelly Manne à bateria), no ano de 1953, dia 05/novembro, na "University Of Oregon" ("Ornithology", "Barbados" e "Cool Blues"), gravação lançada no estojo "Bird", CD volume 17.
Há quase um ano, esta coluna foi dedicada ao baterista carioca Duduka Da Fonseca — radicado em Nova York desde 1975 — por ocasião do seu 60º aniversário, celebrado em quatro “noites de gala” no Jazz Standard, um dos top jazz clubs de Manhattan. E ele aqui está de novo, desta vez em razão do seu mais recente CD, gravado no Rio, em agosto de 2009, e lançado nos Estados Unidos em novembro último: Duduka Da Fonseca Trio plays Toninho Horta (Zoho). O trio em questão é integrado por dois outros músicos excepcionais (Duduka os chama de “fabulous”): o pianista carioca David Feldman, 31 anos, bem conhecido da turma novaiorquina, e o baixista gaúcho Guto Wirtti, 29.
O disco é o terceiro do baterista-líder para o selo de Jochen Becker, que o qualifica muito apropriadamente de o Latin-Jazz label with a distinctive New York vibe. Os anteriores foram Samba Jazz in Black and White (2005), com Anat Cohen (clarinete, saxes), Hélio Alves (piano), Leonardo Cioglia (baixo), Guilherme Monteiro (guitarra); e Forests (2007), com Alves e Nilson Matta (baixo).
O novo álbum de Duduka contém nove faixas: a animada Aqui, oh! (6m30); a romântica Bicycle Ride (4m15), em tempo médio; a balada Moonstone (4m15), introduzida pelo arco do baixista; a valsante Francisca (4m15); De Ton pra Tom (4m45) — tema em homenagem a Jobim, é claro — Waiting for Angela (5m) e Luisa (5m50), tratados com ênfase naquele langor melódico típico da bossa nova, mais as acentuações rítmicas de Duduka, “escovando” os snare drums ou tinindo os pratos; Aquelas Coisas Todas (7m50) e Retrato do Gato (4m15), em tempo rápido, particularmente envolventes em termos de interplay, assim como Aqui, oh!. O piano de Feldman, mais do que cativante, é hipnótico, em qualquer andamento. Duduka é avesso a exibições solitárias de técnica, mas brinda os admiradores com dois solos (Aqui, oh! e Retrato do Gato).
Outro ótimo lançamento recente de samba jazz (jazz com molho de samba, e não samba com sotaque jazzístico) é o CD Essentially Hermeto (Sunnyside), com o conjunto JazzBrasil do vibrafonista Erik Charlston — músico de formação clássica nascido em Chicago, que se sente igualmente à vontade como percussionista da Orquestra Filarmônica de Nova York ou liderando o seu sexteto no Dizzy’s Club.
Os demais músicos do JazzBrasil são o brilhante saxofonista (flautista e clarinetista) Ted Nash, o pianista Mark Soskin (ex-sideman de Sonny Rollins), o baixista Jay Anderson e os brasileiros Rogério Boccato (bateria) e Café (percussão).
Em Essentially Hermeto, o Bruxo assina seis das oito faixas, já que Egberto Gismonti é o autor de Frevo Rasgado (5m30), um eletrizante duo piano-vibrafone, e Paraíba (3m40), cantado em português pelo líder, nada mais é do que uma homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, de saudosa memória.
Logo na peça de abertura do CD, Vale da Ribeira (6m25), o grupo exibe muita disposição e afinidade, com realce para o sax alto à la Phil Woods de Nash e o vibrafone do líder. O irresistível chorinho Rebuliço (4m45) é desenvolvido na combinação clarinete-marimba; Santo Antônio (7m), lembrança de uma festa junina na cidade natal de Hermeto, tem tratamento bem bucólico, com realce para o vibrafone de Charlston, ao fundo o piano de Soskin e a flauta de Nash; Essa Foi Demais (7m20), na batida do maracatu, é bem percussiva, com introdução de Café no berimbau e o líder solando na marimba; a Melodia de Hermeto (9m) é trabalhada na combinação flauta-vibrafone; Viva o Rio de Janeiro (6m25), como indica o título, é uma celebração do samba carioca, com Nash mais uma vez empolgante no sax alto.
Nas notas que escreveu para o disco, Erik Charlston sublinha que a música de Hermeto é cheia de “energia, originalidade absoluta, audácia e beleza”. Em Essentially Hermeto, ele e seus parceiros mostram-se à altura do desafio de jazzificar a música do Bruxo.
Acaba de ser lançado um álbum inédito do legendário quarteto de Dave Brubeck, gravado em 26 de dezembro de 1967. A história é a seguinte: não se sabe porque as fitas da gravação não foram para a Columbia e ficaram com o próprio Brubeck, que as guardou num armário. Diz a notícia que ano passado, Russell Gloyd, um amigo do pianista, ao examinar as fitas concluiu pelo seu valor histórico e convenceu Brubeck a levá-las para a Columbia objetivando o seu lançamento em disco. Surgiu então esse “The Last Time Out”, concerto gravado ao vivo em Pittsburgh, cuja capa segue em linhas gerais as dos históricos álbuns “Time Out” e “Time Further Out”. Os músicos são Dave Brubeck, Paul Desmond, Eugene Wright e Joe Morello.
A pianista e cantora canadense Diana Krall inicia no dia 22 de março uma longa “tournée”, na qual tocará em quarenta cidades americanas e em seguida em algumas capitais européias. Além disso ela participará de alguns festivais no Canadá. Seus companheiros serão o guitarrista Anthony Wilson, o baixista Bob Hurst e o baterista Karriem Riggins.
A notícia foi publicada em “O Globo”, na coluna de Ancelmo Góes. O maestro virá reger a O.S.B. no mês de novembro. Embora venha mostrar o seu lado erudito, bom seria que alguém conseguisse que Previn mostrasse sua arte pianística no Jazz, atuando em trio. Um bom empresário conseguiria isso. Vamos torcer.
Em acidente de carro, ocorrido em 6 do corrente quem veio a falecer foi o contrabaixista Joe Byrd, irmão do guitarrista Charlie Byrd. Joe fez parte do trio do irmão em suas principais gravações, inclusive com Stan Getz. Tinha 78 anos. RIP
À exemplo de Clifford Brown, o também trompetista LOU COLOMBO foi vitimado em um acidente de automóvel na Flórida, no ultimo dia 3, aos 84 anos de idade. Embora pouco conhecido por aqui Colombo teve uma carreira movimentada, tendo tocado nas bandas de Dizzy Gillespie, Perez Prado Buddy Morrow e Dick Johnson. Liderou pequenos conjuntos e também gravou alguns álbuns,sendo que destacamos o seu “I remember Bobby”, onde presta homenagem a Bobby Hackett. Seus companheiros nesse CD foram o pianista Dave McKenna, o guitarrista Gray Sargent,o baixista Phil Flanigan e o baterista Keith Copeland. Colombo tinha como característica usar apenas uma das mãos quando tocava o instrumento. Sobre ele assim se expressou Dizzy Gillespie : “Lou Colombo is what call a trumpet painter.He resolves. He starts playing and the notes keep going, but the chords keep changing all the time . This guy’s amazing”
Pouco conhecido por aqui o acordeonista Frank Marocco faleceu em 3 do corrente, aos 81 anos de idade. Além do acordeon, Marocco tocava piano,compunha e arranjava. Em sua biografia consta que tocava todos os gêneros de música mas,tinha predileção pelo Jazz. Foi, junto com com Art Van Damme, o acordeonista que mais gravou e no Jazz tocou com músicos famosos como Ray Brown, Jeff Hamilton, Zoot Sims, Joe Pass, Herb Ellis, Harold Jones, Conte Candoli e Richard Galliano, além da Chicago Pops Orchestra. RIP
Foi anunciada a criação de mais seis festivais de Jazz que terão por títulos : “John Coltrane”, “Dizzy & Bird”, “Duke Ellington”, “Chick Corea”, “Birth of the cool” e “Best of Blue Note”. Esses festivais integrarão a programação comemorativa dos vinte e cinco anos do “Lincoln Center”, que inclui também um intenso programa educacional de exposições e outros eventos relacionados com o Jazz. Tudo sobre a direção de Wynton Marsalis.
O saxofonista Joe Lovano está na Espanha onde articipará do “V Ciclo de Jazz 1906”, que teve início no final do mês passado. Lovano tocará em Madrid e Santiago de Compostela. Seus acompanhantes serão o pianista Salvatore Bonafede, o baixista Pete Scavov e o baterista Francisco Mela.
Em continuação da republicação de artigos escritos pelo Mestre Raf, segue-se este sobre a magistral pianista, verdadeiro pilar do conhecimento, amor e dedicação ao jazz. Tal qual o nosso decano, que, no entanto só não toca piano.
MARY LOU WILLIAMS – A PIANISTA ADMIRADA E CULTUADA POR TODOS
No mundo do jazz em que os homens predominam, algumas mulheres de trajetórias marcantes brilharam com seu talento, categoria e criatividade. Uma dessas grandes figuras foi a pianista, compositora e arranjadora Mary Lou Williams (1910/1981), considerada a primeira instrumentista famosa no jazz, sempre elogiada e respeitada por astros do quilate de Duke Ellington, Benny Goodman, Thelonious Monk, Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell e Tadd Dameron, entre muitos outros. Mary nasceu em Atlanta, Georgia, e seu verdadeiro nome era Mary Elfrieda Scruggs. Desde cedo revelou-se uma criança prodígio em Pittsburgh, onde viveu algum tempo e aprendeu a tocar piano. Embora ainda sem prender-se a um estilo em particular, ela marcou significativamente sua carreira no jazz alcançando um status bem acima das demais instrumentistas que atuaram na música dos músicos. Sobre seu estilo, ela declarou: “Na verdade, eu mudei de estilo experimentando vários caminhos até encontrar o que buscava”.
Consta que ela compôs centenas de peças de jazz e sacras e gravou cerca de 100 discos. Ela sempre declarou que sua vida era guiada em dois planos paralelos: seu amor por Deus e seu amor pelo jazz. Entre suas inúmeras composições destacam-se “Camel Hop” (gravada por Benny Goodman), “Froffy Bottom”, “Little Joe From Chicago”, “Trumpets no End” (baseada em “Blue Skies” e gravada por Duke Ellington com uma notável batalha dos trompetistas da orquestra), “Zodiac Suite”, cuja première no Carnegie Hall, em 1945, foi executada pela Orquestra Philarmonica de New York, “Pretty Eye Baby” e “In the Land of Oo-Bla-Dee, gravada por Dizzy Gillespie.
Sua carreira profissional começou, Missouri, nos anos 20/30, como pianista, compositora e arranjadora da orquestra de Andy Kirk’s 12 Clouds of Joy, tocando blues e boogie woogies, que na época eram estilos muito populares. Sua produção de compositora foi bastante prolífica gerando as obras primas “Roll’Em”, que, gravada por Benny Goodman, contribuiu para tornar-se uma espécie de hino oficial do estilo Swing, alcançando enorme sucesso; outro tema seu muito popular entre os dançarinos dos ballrooms foi “Walkin’ and Swingin’”, cuja introdução foi aproveitada por Thelonious Monk em sua conhecida “Rhythm-a-Ning”. Durante seu período com Andy Kirk ela casou-se com o saxofonista John Williams, de quem se divorciou mais tarde. Deixando a orquestra de Andy Kirk nos anos 40 foi para New York, onde a música fervilhava e as orquestras de jazz proliferavam. Na Big Apple, ela liderou seu conjunto que tocou muito tempo no conhecido clube Café Society, contribuindo para ela ser conhecida no meio musical, a tal ponto que seu apartamento tornou-se um ponto de encontro dos músicos de jazz, que reconheceram seu real talento, passando alguns deles a tocar suas composições. Nesse período ela casou-se com o trompetista Harold Baker Seu vasto talento de compositora e arranjadora firmava-se a cada dia e alguns críticos exaltavam suas qualidades, mas, ao mesmo tempo, ela foi invejados por alguns músicos. Por isso, nos anos 50 ela retirou-se da música convertendo-se para a religião católica em 1956; durante três anos dedicou-se com afinco à religião e converteu vários músicos que passaram a freqüentar sua igreja. Em 1957, Dizzy Gillespie convenceu-a a tocar com sua orquestra no Newport Jazz Festival. Mais tarde ela dividiu seu tempo, entre a música e a igreja até 1969, quando a pedido do padre jesuíta Peter O’Brien voltou a tocar em clubes de jazz e compondo música religiosa, incluindo a peça “Missa”, que ela tocou na famosa Saint Patrick Categral de New York, em 1975. Em 1978 ela passou a lecionar jazz na Duke University, onde formou um conjunto com 18 estudantes.
Mary Lou Williams apresentou-se no II Festival de Jazz de São Paulo, em 1980, vindo acompanhada por seu grande amigo o Padre Jesuita Peter O’Brien. Nessa ocasião, embora adoentada, sempre solicita e muito simpática, Mary Lou Williams atendeu a imprensa e o público que a procurou para os autógrafos com alegria, sempre generosa com seus agradecimentos. Foi com imensa tristeza que no ano seguinte soubemos da sua morte. Sua figura encantadora e seu sorriso perene deixaram muitas saudades nos corações dos que tiveram a felicidade de conhecê-la.
Na Brasserie Rosário, dos boas praças Luiz Antonio Rodrigues - o mesmo Rodrigues do antigo "Garcia e Rodrigues" - e do igualmente competente chef Fréderic Monnier, além de se dar um trato gastronomico no corpo, pode-se afagar o espírito às sextas-feiras com uma bela apresentação de samba-jazz do grupo comandado por Kiko Continentino . Vale, totalmente, uma vinda ao Centro. Bem melhor do que por este escriba, entenda o que é o grupo, pelas palavras do crítico Tárik de Souza:
"O SAMBAJAZZ é um grupo integrado pelo veterano Luiz Alves (de trios com Luis Eça e João Donato), o pianista Kiko Continentino e o também experiente baterista Clauton Sales, o 'Neguinho', que adiciona trompete ao trio (como Bebeto levava a flauta para o Tamba). O resultado é excelente, tanto na reconstrução do surrado standard do jazz 'Sweet Georgia Brown' (num trabalho de baixo com arco por Alves) quanto nas diferentes velocidades do 'Trenzinho do caipira' (Villa-Lobos) e nas remodelagens de 'Deus brasileiro' (Marcos e Paulo Sérgio Valle), 'Canção do sal' (Milton Nascimento) e 'O morro não tem vez' (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes). Mas o melhor do trio é que seu intenso entrosamento e inventividade não se limita às releituras. Também o material da lavra dos integrantes é de abalar, como 'Maracalaxo', acoplada a 'Maracangalha' (de Caymmi) e 'Sabor antigo', ambas de Continentino, além de 'Quero-quero' e 'Praça Pio XI' (com Luizão Paiva), de Luis Alves."
Brasserie Rosário: R. do Rosário, 34 - Centro (na Praça XV, perto do Arco do Teles, atrás do CCBB); contato para reservas: 2518-3033 / 3533
Quem faleceu em 25 de fevereiro foi o saxofonista Red Holloway, que contava 84 anos de idade. O público carioca teve a oportunidade de conhecê-lo, quando aqui esteve co-liderando um quinteto com o também saxofonista Sony Stitt. Do grupo faziam parte o pianista Art Hillary, o baixista Larry Gales e o baterista Bruno karr. Ótimos shows com longas “chases “ dos dois tenores nas noites de 25,26 e 27 de maio de 1979 na Sala Cecilia Meirelles. Informa a nota da Internet que ultimamente Holloway tocava mais fora dos Estados Unidos, principalmente na Europa de onde chegou recentemente. RIP
A excelente cantora inglesa Claire Martin, recentemente homenageada pelo governo britânico, irá lançar em abril , nos Estados Unidos, um novo CD no qual ela é acompanhada por músicos americanos. São eles: Kenny Barron ao piano, Peter e Kenny Washington ao contrabaixo e bateria, respectivamente, e ainda o flautista e saxofonista Steve Wilson.
Além de cantora , Claire Martin, como informamos anteriormente, é também comentarista de Jazz e apresenta programa na rádio 3 da B.B.C
Foi em 22 de fevereiro que faleceu o pianista Mike Melvoin, aos 75 anos, vitimado por um câncer. Ele era natural de Oshkosh, Winsconsin e começou a tocar piano desde os três anos. Graduou-se em inglês ,em 1959, no “Darthmouth College”, mas decidiu fazer uma carreira como músico. Em 1961 mudou-se para Los Angeles e tocou com grandes músicos como Frank Rosolino, Leroy Vinnegar, Gerald Wilson,Terry Gibbs, Joe Williams e muitos outros. Trabalhou também como músico de estúdio e tocou em night clubs de Los Angeles. Foi o único músico em atividade que ocupou o cargo de presidente da Record Academy. RIP
A trompetista e cantora canadense Bria Skonberg anunciou para abril o lançamento do álbum “So is the Day” em New York, primeiro trabalho seu a ser editado nos Estados Unidos. Bria jê é conhecida na cidade pois tem tocado nos principais night clubs e salas de concerto locais.
A famosa Juilliard School of Music de New York prestou homenagem a Gerry Mulligan, da qual fizeram parte o saxofonista- barítono Gary Smulian e a “Juilliard Jazz Orchestra”, dirigida por James Burton. Ótima iniciativa que deve ser estendida a outros músicos, esperamos.
ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 19
EVERETT BARKSDALE foi um guitarrista norte-americano que teve participação em incontáveis gravações com consagrados músicos de JAZZ “top”, a saber e entre outros: Henry "Red" Allen, Art Tatum, George Barnes, Cozy Cole, George Duvivier, Louis Armstrong, Sidney Bechet, Big Sid Catlett, Ernie Hayes, Milt Hinton, Billy Kyle e Dave McRae. Por essa plêiade de músicos que acompanhou, fica patente sua estreita ligação com as origens do JAZZ (New Orleans, Chicago, New York), seja por sua origem, já seja pela origem dos músicos com quem tocou. EVERETT BARKSDALE nasceu em Detroit, estado de Michigan, em 28 de abril de 1910, tendo vivido por 75 anos e vindo a falecer em Inglewood, estado da Califórnia, no dia 29 de janeiro de 1986. Desde cedo dedicou-se aos instrumentos de corda: contrabaixo (sua primeira “paixão” instrumental, com a qual voltaria e encontrar-se no final da década de 1950), piano e violino. Em formações das quais participou em sua cidade natal apresentava-se com a guitarra, algumas vezes com o contrabaixo, principalmente em salões de baile. Com pouco mais de 20 anos incorporou-se em Chicago à banda de Erskine Tate (violinista e multi-instrumentista nascido em Memfis, no Tenessee, e que liderou sua “Erskine Tate’s Vendome Symphony Orchestra” para apresentações no “Vendome Theatre”). A importância dessa banda pode ser avaliada pelo fato de nela ter atuado Louis Armstrong em 1926, assim como por ela terem desfilado Freddie Keppard, Buster Bailey, Eddie South, Omer Simeon e tantos e tantos outros. Em 1932 integrou a orquestra de Clarence Moore, apresentando-se no “Grand Terrace Hotel”. Participou do conjunto do violinista Eddie South, com o qual excursionou em 1937 para apresentações na Europa. Em 1940 foi contratado pelo grande Benny Carter para sua “big-band”. Vale citar que o grande Benny Carter (Bennett Lester Carter, multi-instrumentista - sax alto, clarinete, trompete e piano - compositor e arranjador), dedicou-se mais constantemente ao sax-alto com sonoridade e fraseado inconfundíveis, viveu de 08 de agosto de 1907 até 12 de julho de 2003, portanto a ponto de completar 96 anos e ainda, imediatamente antes de seu falecimento, em atividade. Gravou em 1941 com o grande Sidney Bechet. Seguidamente EVERETT BARKSDALE participou de diversas formações: em 1942 nas de Herman Chittison (com a qual gravou diversos discos), Buster Browne e Leon Abbey, em 1944 nas de Cliff Jackson e Lester Boone, além de manter grupo próprio com atuações esporádicas (isso em 1945) e de ser membro fixo durante um ano e meio da orquestra de estúdio da rádio CBS. No período de 07 anos de 1949 até 1955 BARKSDALE participou de trio com o piano de Art Tatum e o baixo de Slam Stewart. Ainda assim e entre 1950 e 1952 BARKSDALE teve oportunidade de integrar grupos que acompanharam a “Primeira Dama” Ella Fitzgerald, destacando-se como integrante da “cozinha” da banda de Sy Oliver ao lado de Hank Jones e Ray Brown (uma delícia ouvir a versão de Ella para o clássico de Harold Arlen e Koehler “I’ve Got The World On A String” em 1950, assim como a de “Angel Eeyes” de Brent e Dennis em 1952) e, ainda, com destaque para seu acompanhamento do duo Ella / Louis Armstrong em 1950, também com Hank Jones e Ray Brown.. Logo após integrar o trio com Art Tatum e Slam Stewart BARKSDALE tornou-se o diretor musical do grupo vocal “The Ink Spots”, com o qual realizou temporada na Europa. Ao regressar aos U.S.A. voltou a trabalhar por breve período com o grande pianista Art Tatum (que veio a falecer em 05 de novembro de 1956). BARKSDALE retornou, então, aos estúdios de gravação da “Big Apple”, onde reencontrou à sua mencionada primeira paixão instrumental, o contrabaixo, já agora em versão elétrica. É com o contrabaixo que alinhou na formação de Buddy Tate, no período de 1958 a 1959. A partir daí passa a apresentar e a gravar tanto na guitarra quanto no contrabaixo, assim como para os estúdios de rádio e os de televisão, via-de-regra em pequenos grupos. Ainda que fosse um “virtuose” na guitarra e possuidor de técnica superior, EVERETT BARKSDALE dificilmente fazia alarde de seus dotes à guitarra, mesmo nos períodos em que alinhou ao lado de Art Tatum, que era um super dotado e capaz de soar como se 02 pianistas fosse. BARKSDALE possuía uma sonoridade atraente (som de guitarra “sem água”), fraseado íntegro, no sentido de belo e sem excessos; basicamente e tal como Freddie Green um acompanhante, um suporte de pulsação firme; nas gravações em que podemos ouví-lo nos seus raros solos (particularmente em cálidos “blues”), nos deparamos com perfeita correção estrutural e equilíbrio. Destaques para as gravações de 1941 com Sidney Bechet (“Strange Fruit” e “Mood Índigo”), as de 1952 com Art Tatum (“Out of Nowhere”, “Indiana” e “Just One Of Those Things”) e, ainda com Joe Thomas em 1958 (“Blues For Baby”) É importante ouvir a qualidade de “sideman” de BARKSDALE no CD clássico “Henry ‘Red’ Allen World On A String”, contendo faixas gravadas em New York (21 e 27/março e 10/abril de 1957, selo econômico da RCA, “Bluebird”) com um seleção de “craques”: Henry “Red” Allen ao trumpete, J.C.Higginbothan no trombone, Buster Bailey no clarinete, Coleman Hawkins no sax.tenor, Marty Napoleon no piano, EVERETT BARKSDALE na guitarra, Lloyd Trotman no baixo e Cozy Cole à bateria. Nesse CD temos 11 faixas, com destaque especial para o belíssimo clássico de Green e Heyman “I Cover The Waterfront”, abertura com BARKSDALE que permanece apoiando todos os solos harmonicamente, seguindo-se solos de “RED” com o tema, de MARTY NAPOLEON ao piano e retorno de “RED” para uma aula de trumpete com técnica, emoção e domínio de todos os registros: uma grandeza ! ! ! Logo após e completando os 8’25” da gravação, COLEMAN HAWKINS nos brinda com sua sonoridade encorpada, com intervenção de “RED” nas alturas para uma “coda” que vale por um curso superior de trumpete..
Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo apostolojazz@uol.com.br
Um amigo, Fernando Ribeiro, sempre interessado por boa música e mais ainda em jazz, para o qual vem voltando sua atenção com mais e melhores audições a cada dia, enviou-me o clip abaixo (o que está no link, pois o autor não autoriza embutir no blog), no qual fica patente que ainda há esperança para a humanidade, que ainda há vida inteligente grassando pelo planeta, mesmo que em regiões frias e longínquas, e que o jazz ainda pode empolgar aos jovens de qualquer parte. Sim, desde que apresentado através de suas vertentes mais animadas e empolgantes, como o trazido essa banda de porte médio, formada por meninas japonesas chamadas de Swing Girls - apenas o pianista é do sexo masculino -, que tocam com alto nível técnico.
Viva a civilização japonesa e o alto padrão educacional conferido a seu povo!
Será no famoso “London Palladium”, no dia 2 de abril, a homenagem ao baterista Buddy Rich, quando se cumprem vinte e cinco anos de sua morte. Muitos músicos ingleses e americanos participarão do evento. Cathy Rich, filha do baterista, atendendo a pedido do pai, manteve a sua big-band em atividade, organizando concertos anuais , nas datas de aniversário de seu pai. É bom lembrar que em 1961 Buddy Rich tocou no Rio de Janeiro, liderando seu próprio sexteto que contava com Sam Most(fl), Mike Manieri(vb), JohnMorris(p), Wyat Ruther(b) e Morgana King (vo). Apresentou-se na TV Tupi e no Copacabana Pálace em 8 de março de 1961.
O harpista colombiano Edmar Castañeda estará lançado seu disco “Double Portion”, que gravou com Gonzalo Rubalcaba e com o saxofonista Miguel Zenon, no famoso night-club “Blue Note” de New York, em apresentações marcadas para 6 e 7 de março.
Nesse álbum, Castañeda tenta fundir a música colombiana com o jazz de New York, sendo que nove dos dez temas do repertório são de sua autoria. Nas apresentações no “Blue Note” integrará o grupo o bandolinista brasileiro Hamilton de Holanda.
DODO MARMAROSA – UM PIANISTA FABULOSO ESQUECIDO NA POEIRA DO TEMPO
Sigo publicando artigos do Mestre RAF, grandes pérolas do conhecimento da história do jazz onde podemos tomar contato - falo apenas por nós, os não-Mestres - com algumas personagens menos conhecidas mas nem por isso menos relevantes e geniais do universo jazzístico. Curtam!
A Era do Bebop produziu um gigante do jazz: Charlie Parker, um punhado de jazzmen de primeira categoria e uma quantidade de músicos com grande potencial que não viveram além do suficiente como extraordinárias promessas. Um desta última categoria que chegou muito perto foi Dodo Marmarosa. No auge da sua carreira, ele foi um dos mais excitantes pianistas de jazz, considerado o novo astro mais capacitado a vestir o manto real de Art Tatum.
Dodo Marmarosa nasceu em Pittsburgh em 19 de dezembro de 1925 numa família italiana de classe média. Seu nome era Michelle Marmarosa. Ele iniciou as primeiras lições de piano ainda menino sob a direção de professores enraizados na música clássica. Ainda rapazinho era obrigado a praticar muitas horas diariamente sempre vigiado de perto pelos professores. Não sobrava tempo para Dodo praticar esportes ou ter atividades sociais, concentrando-se unicamente nos estudos de piano. A idéia de Dodo mais aproximada do lazer era divertir-se diariamente em tocar a Two-Part Inventions de Bach aumentando gradualmente o andamento até suas escalas alcançarem o dobro da velocidade medida pelo metrônomo. Na escola, o jovem fanático pelo piano não participava da prática de esportes devido à sua inaptidão e às exigências dos seus professores de piano, que o sobrecarregavam de aulas e estudos. Socialmente sua vida também não era melhor. Sua alienação devia-se ao fato do seu apelido (Dodo, que significa pato) originado devido ao seu pequeno porte e sua enorme cabeça desproporcional ao corpo, além de ter um pronunciado nariz de falcão. O apelido permaneceu para sempre, relegando seu nome Michelle apenas a constar em seus documentos e recibos de pagamentos oficiais. O jazz tornou-se a válvula de escape dele para deixar seus estudos de piano com os professores de música clássica. Dodo estudou em sua cidade natal com Mary Lou Williams e Earl Hines, dois notáveis pianistas da história do jazz. Mais tarde tornou-se um discípulo de Art Tatum, como aconteceu com virtualmente todos os pianistas que aspiravam tocar jazz. A maestria inigualável de Tatum não estava além das expectativas de Dodo. Poucos foram tão disciplinados como ele em ouvir e absorver os ensinamentos dos solos de Tatum. Aos 15 anos Dodo possuía um formidável domínio da técnica pianística. Seu toque era claro, preciso e fluente. Graças aos exercícios de Two-Part Inventions, sua mão esquerda adquiriu o mesmo desembaraço e mesma independência da mão direita. Ele também lia música à primeira vista com total facilidade. Sua técnica desenvolvida rapidamente aliada à sua segurança e agilidade no teclado permitia-lhe tocar em andamentos tão velozes como somente Tatum conseguia. No início dos anos 40 as orquestras de dança começavam a sofrer desfalques dos seus músicos devido à convocação militar para a guerra e diariamente apareciam oportunidades para os jovens músicos tocarem. Com sua imensa habilidade em tocar em qualquer andamento e ler música à primeira vista, Dodo tornou-se uma espécie de sonho secreto para qualquer líder de orquestra ter em sua formação. Ele tocou com as orquestras de Charlie Barnet (com um solo memorável em “The Moose”, gravado em outubro de 1943), Tommy Dorsey, Johnny “Scat” Davis e Ted Fio Rito. Finalmente sua categoria de grande músico foi reconhecida na idade em que ele deveria estar se preparando para o colegial. Dodo atuou na orquestra de Artie Shaw em 1944-45, na qual tocavam Roy Eldridge, Barney Kessel e Herbie Steward. Ele alcançava a uma situação privilegiada na música americana ocupando o piano numa prestigiosa orquestra do swing, que ele descreveu como “bem no meio daquela profusão de grandes sons”. Depois de Shaw, vieram orquestras de igual renome e prestígio como as de Gene Krupa e novamente Tommy Dorsey.Tudo isso aconteceu quando o garoto de Pittsburgh alcançou a maioridade. Os atrativos da Califórnia e seu crescente interesse no bebop e nos pequenos conjuntos de jazz levaram-no a deixar Dorsey em Los Angeles após uma temporada no Cassino Gardens, de propriedade de Dorsey, Harry James e Woody Herman. Ele empolgou-se com os boppers de Los Angeles e logo integrou a orquestra progressiva de Boyd Raeburn, tornando-se parte ativa e importante da renascença do jazz na Costa Oeste no mesmo período em que Charlie Parker e Lester Young estavam morando lá e em grande evidência. Os dois primeiros solos de Dodo gravados como líder foram “Deep Purple” e “Tea for Two”, que mostram claramente a influência de Art Tatum em seu estilo. Estas faixas foram gravadas de uma transmissão radiofônica da AFRS Broadcast pouco antes de Dodo e o saxofonista Lucky Thompson deixarem a orquestra de Boyd Raeburn para formarem seu conjunto. Foi também quando ele chamou a atenção de Charlie Parker. Após quatro semanas tocando com Dizzy Gillespie no clube Berg’s, Charlie Parker convidou-o a ocupar o lugar de Joe Albany no piano na banda que fora contratada para tocar no Finale Club. Com sua atuação, Dodo foi chamado para gravar na primeira sessão de Parker para a Dial, que originou a famosa gravação de “Ornithology”. Marmarosa também participou da primeira sessão do trompetista Howard McGhee para a Dial. As faixas desta sessão foram editadas no CD “Howard McGhee – Trumpet at Tempo, The Complete Dial Sessions – 1946-1947”. Os takes alternativos de “Dilated Pupils” e “Up in Dodo’s Room” são altamente relevantes devido às intervenções de Dodo. Na época, McGhee liderou um sexteto do qual faziam parte Marmarosa, Teddy Edwards e Bob “Dingbod” Kesterson, entre outros. Os anos 1946 e 1947 foram dourados na carreira de Dodo Marmarosa, e, em 1947, ele foi eleito “New Star of Piano” no concurso de críticos promovido pela revista Esquire. As faixas “Tone Paintings I” e “Tone Paintings II” foram gravadas sem intenção de serem editadas comercialmente. Ambas antecipam as mudanças que logo ocorreriam no jazz. São explorações de improvisações em série sugerindo a extinção das formas de 12 e 32 compassos de duração das composições desenvolvidas por Ornette Coleman que levaram ao free jazz de John Coltrane e Cecil Taylor. Às vésperas da segunda greve geral de gravações decretada pela Federação Americana de Músicos, em 1948, Dodo gravou pela última vez para a Dial, acompanhado por Jackie Mills, seu baterista favorito, e Harry Babasin no violoncelo. Esta sessão com cinco temas exibe Dodo no auge da sua grande forma: “Bopmatism”, “Dodo’s Dance”, “Trade Winds”, “Dary Departs” e “Cosmo Street”. Os acompanhamentos e solos de Babasin no violoncelo documentam a primeira sessão de gravação desse instrumento na história do jazz. A longa sessão resultou em 26 gravações entre takes masters e alternativos. Como estilo de piano, Dodo foi um descendente direto da escola brilhante de Art Tatum. Ele possuía a clareza de Tatum, imensa facilidade de digitação e o mesmo comando autoritário das escalas e arpejos pulsantes. Ele utilizava acordes originais na mão esquerda. Por outro lado, era menos complexo e polirrítmico do que seu mestre Tatum, preferindo tocar com uma seção rítmica. Seu intuitivo instinto jazzístico, o perfeito senso do fraseado e suas texturas pessoais são marcas indeléveis do seu estilo. A vida de Marmarosa foi conturbada, repleta de altos-e-baixos, com problemas pessoais e psíquicos, internações em instituições especializadas em recuperação de pessoas com problemas mentais, teve um divórcio tumultuado em que ficou proibido de ver as duas filhas, enfim, uma série de atribulações que o afastaram da música. Em 1961 gravou um disco excepcional (Dodo’s Back!), com baixo e bateria, tocando um repertório eclético em que mesclou canções antigas (“Me and My Shadow”, “We Call it Madness”, “A Cottage for Sale”, April Played the Fiddle”, “The Very Thought of You” e “Just Friends”), além de suas composições originais. Sua execução manteve a forma excepcional de quando surgiu nos anos 40, especialmente marcantes em “Relaxin’ at Camarillo”, “Yardbird Suite”, “Ornithology” e “A Night in Tunisia” com Charlie Parker. Ele estava em absoluta posse das suas faculdades criativas, com improvisações notáveis, a cada chorus renovando suas idéias articuladas com a facilidade de expressão que o consagrou entre os músicos. No ano seguinte, gravou sua última sessão em estúdio para a Prestige, em trio e quarteto (esta com a saxofonista-tenor Gene Ammons), resultando num álbum duplo em que, mais uma vez, sobressaiu seu talento e musicalidade. Depois disso, desapareceu da cena musical quando seus problemas se avolumaram. Gravou uma sessão para a Savoy com alguns standards, músicas batidas e, visivelmente, ele não se sentia confortável, cumprindo apenas sua obrigação. As coisas pioraram quando divorciou-se de sua esposa, perdendo o gosto pela vida, passando dias e noites sem sair de casa. Nem quando alguns músicos seus amigos insistiram para juntar-se a eles a fim de tocar surtiu efeito. Solitário e sem qualquer perspectiva de vida, Dodo Marmarosa foi internado num sanatório onde faleceu longe de todos e sem amigos, restando a lembrança da sua música e seus maravilhosos discos.
No sábado, com um frio de rachar, tivemos 3 sets. DMITRY BAEVSKY QUARTET - @@@ Dmitry Baevsky - sax alto Jeb Patton - piano David Wong - baixo Joe Strasser - bateria Baevsky é um jovem músico russo(32 anos) radicado em NY, que tocou standards e baladas sem me impressionar. A cozinha foi muito convencional para o meu gosto.
RICHIE GOODS QUARTET - @@@1/2 Richie Goods - baixo Helen Sung - piano Mike Clark - bateria Seamus Blake - sax tenor Goods e Clark estão mais para funk e fusion,(Clark tocou nos Headhunters de Hancock nos anos 70/80) mas Sung e Blake tocaram demais! Composições de Goods mescladas com clássicos como Caravan, ótimos solos de Blake e uma grande revelação para mim : Helen Sung de quem comprei um cd muito bom.
CLARINET SUMMIT - @@@@@ Paquito D'Rivera, Anat Cohen, Victor Goines e Dr.Michael White - clarinetes Renee Rosnes - piano Todd Coolman - Baixo Adam Nussbaum - bateria O grande show do festiva lcom destaque para Paquito, Anat e Nussbaum. Tocando juntos ou separados os 4 clarinetes arrasaram, cada um com seu estilo próprio. Batalha de solos em temas clássicos ou in;editos como o gravado na semana anterior por Anat para seu próximo cd. Anat foi apresentada por Paquito como "israelense carioca"e atacaram no final com um deliciosa 1x0 do Pixinguinha que levou a platéia ao delirio. Destaque especial para o baterista Adam Nussbaum, que vi ao vivo pela 1a vez e que foi brilhante em todos os contextos.
Domingo, 3 shows, um repetido de Richie Goods. ERIC ALEXANDER / GRANT STEWART QUINTET - @@@@ Eric Alexander, Grant Stewart - sax tenor Harold Mabern - piano David Wong - baixo Philip Stewart - bateria Dois tenores, um brilhante, Eric e outro convencional, Grant apresentaram um set "hard bop" de boa qualidade com um "plus", que foi o pianista Mabern (75 anos), mentor de Eric e que ainda toca demais!
Encerrando o festival, tivemos um tributo a James Moody (@@@@@) com o seguinte sexteto : Paquito D'Rivera - sax alto e clarinete Diego Urcola - trumpete e trombone de válvula Valery Ponomarev - trumpete Renee Rosnes - piano Todd Coolman - baixo Adam Nussbaum - bateria Grandes sucessos de Moody com destaque para Moody's Mood For Love, Body and Soul, Birk's Work e outros temas da era Gillespie. A seção rítmica vinha acompanhando Moody nos seus últimos shows e segurou o set com muita competência novamente com destaque especial para Nussbaum. Ao final, foram chamados ao palco Anat Cohen, V.Goines e D.Baevsky para uma Jam Session de despedida. Fantástico!
Para terminar, quero dizer que valeu muito a pena o festival em sí, bem como Punta del Este, um paraíso ao sul do equador. BraGil
Como vem fazendo com uma certa periodicidade, nosso editor-quase-eletrônico, PeWham nos envia este saboroso relato de sua recente estada na Grande Maçã, com as palavras exatas para fazer com que nos sintamos como se ali ao seu lado, na verdadeira maratona que empreendeu. Ave, Pedro, obrigado pela bela reportagem.
Jazz em Manhattan:
Aos companheiros do CJUB registro alguns ótimos momentos que vivi em NY na semana anterior ao Carnaval. Como não deixo de impressionar-me pela diversidade das casas de jazz e por inúmeros novos músicos que disputam seu espaço nesses palcos, produzindo musica da mais alta qualidade e sensibilidade, espero repartir com vocês a memória desses momentos.
Com o justo tempo de deixar a mala no hotel corri para o Jazz Standard e lá chegando já subia ao palco o YES! TRIO.
Três músicos que não poderiam ter visuais mais distintos: a figura do “bom moço” do nosso muito conhecido e admirado Aaron Goldberg, cabelos aparados, camisa branca e paletó escuro, contrastava com Omer Avital, com sua vasta cabeleira encaracolada, espessa barba e seu quase inseparável cachecol, e mais o baterista Ali Muhammad Jackson, cabeça raspada, colete cinza e vistosa gravata borboleta.
Mas essa impressão de desarmonia é, claro, meramente do visual, e não passa do conjunto da imagem dos três, e fica logo desfeita desde as primeiras notas e acordes do rápido e alegre tema “Muhammad Market”, e a integração e harmonia do trio é total e de raro bom gosto!
Com direito a conhecermos a história do porque do titulo dessa peça inicial, oriunda da ultima turnê do Trio pela Europa, seguem numa impecável apresentação, temas na maioria originais de Aaron ou Omer, sempre com o acento da musica da terra, seja na bela “Homeland” de Goldberg ou na linda balada “El Soul” de Avital. “Epistrophy”, de Monk com um clima dramático criado pelos cymbals de Ali e o ostinato de Avital no baixo.
Relembram ainda o grande Coltrane com um tema de Omer, “Flow ,” onde colocam algumas frase de “Giant Steps”, e mal se percebe quando invertem, tocando “Giant Steps” e nesse inserindo citações de “Flow”.
A casa não está lotada mas a intensidade e a integração do trio mantém a plateia ligada em todo o set. Ao final total convencimento de que valeu tanta correria.
Posso afirmar-lhes YES! O TRIO é ótimo!
E não há como sair sem comprar o CD à venda no bar (Sunnyside SSC 1271, já disponível na iTunes brasileira).
No VILLAGE VANGUARD apresenta-se Fred Hersch. O crítico Nate Chinem do “The New York Times”, presente aos sets de abertura na terça feira assim escreveu: “Se tivesse de descrever a musica de Fred Hersch em uma única palavra escolheria refinamento”. E acresceu: "Hersch é um pianista de cultivado bom gosto e erudição. Elegante no que toca e não nos deixa perceber qualquer esforço nisso”.
Durante toda semana os sets seriam gravados para edição de um novo CD, a ser lançado até o final do ano, no que será o terceiro gravado ao vivo por Hersch no templo maior do jazz.
O primeiro foi “Live at the Village Vanguard” de 2003 e no ano passado “Alone at Village Vanguard”.
Nesta semana acompanhando Hersch e à ele perfeitamente integrados (e já haviam gravado em estúdio o álbum “Whirl” em 2010), os excelentes John Hébert, bs e Eric McPherson, dr.
“The Song is You” que abre o set em tempo de balada , já justifica plenamente a assertiva de Nat Chinem do refinamento de Hersch. Logo a seguir, como num contraponto, um alegre e em up-tempo, original seu, “Jackalope” que diz ter se inspirado num bicho, seja lá qual for.
Homenageia em seguida três grandes músicos de sua declarada admiração, todos por três originals seus, “Dream Monk” valorizada com repetidas citações de “Monk’s Dream”; à Tom Jobim dedica “Sad Poet”, e reverencia Paul Motian, recém falecido, em “Tristesse”, e como os títulos já dizem, temas lentos e de muito sentimento, trechos quase sussurrados, como se cada nota fosse entregue flutuando à audiência, e ainda mais valorizadas pela bela moldura que compõe o baixo de Hebert e as suaves escovas de McPherson. Envolventes!
Terminam com outra composição de Monk, “Played Twice”, e a esta altura a platéia já totalmente encantada, retribui ao final com demorados aplausos à maravilhosa apresentação de Hersch e seu trio. Casa cheia de terça a domingo.
Saio do Village e percorro na noite gelada as três quadras que me levam ao Small’s , pois não poderia deixar de visitar esta casa que aqui já registrei como a mais divertida, quente e diversa no que apresenta no cenário jazzístico de NY. Impossível deixar de rever o simpático door-man e sua caixa de charutos/bilheteria e o gordo gato, presença infalível na casa. Muito menos os jovens e excelentes músicos que ali se apresentam, como primeiro estagio de um maior reconhecimento no universo jazzístico.
Quando chego já estão no palco os músicos que compõe o sexteto de Omer Avital. Sim, cabe um sexteto no exíguo palco do Small’s, e se apresentam sob a firme liderança e organização de Omer, tocando por mais 45 minutos uma musica vibrante, intensa, alegre, as vezes modal, e com visível influência da terra natal desse músicos. Não consegui identificar ou registrar qualquer dos títulos e nem precisava, pois esses jovens músicos empolgaram a platéia, arrancando entusiasmados aplausos a cada solo ou intervenção, e uma das que mais festejava a apresentação era nossa conhecida e notável Anat Cohen.
Anotei seus nomes pois são músicos aos quais vale a pena estarmos atentos e buscando conhecer outros trabalhos. Nesse competitivo universo do jazz dos dias atuais, para brilhar e ganhar notoriedade já não há outro caminho que não de muita técnica que vem da prática e dos estudos e muito empenho. Já não basta o dom. Aplica-se aqui a máxima do grande Armando Nogueira: “inspiração e transpiração, a receita do craque”, o que não faltou aos jovens desse sexteto.
Então anotem: Itamar Borochov, tp, Matan Chapnizka, ts, Nadav Remy, gt, Yoni Halevy, dr e o excelente pianista Shai Maestro, que já é mais conhecido e requisitado.
O BMCCTribeca Performing Arts Center é um espaço que integra o campus do New York College. Impressionante!
Além de outros espaços, dois excelentes teatros, um com capacidade para 240 pessoas na forma de um anfiteatro e acústica impecável, e outro maior, para quase 500 pessoas.
O objetivo desses espaços é proporcionar aos artistas possibilidades de criação e apresentação de seus trabalhos, e a cada temporada homenagear os que no passado brilharam, e por um olhar nos que brilharão no futuro. E nesse segundo viés é que, na fria noite de sábado, fui conhecer Joshua White, ganhador do Concurso Thelonius Monk de 2011. Já haviam se apresentado os segundo e terceiros colocados, em sábados anteriores, Emett Cohen e Cris Bowers. Numa recente coluna Mestre LOC escreveu sobre os três.
White apresenta-se acompanhado pelos já muito bem conceituados Doug Weiss, bs, e AdamCruz, dr, que já foram sidemen constantes de ninguém menos que Fred Hersch e Danilo Perez respectivamente, além do otimo e versátil Marcus Strickland, ts e ss.
White é um virtuose !! Nunca ouvi Emett ou Bowers mas fica difícil imaginar alguém tão criativo e cheio de vigor como o jovem e tímido White, que quando põe as mãos sobre as teclas do piano transforma-se.
Começa com uma introdução intensa e percussiva, ao melhor estilo McCoy Tyner, aos poucos construindo um belo “Yesterday” que a medida que Weiss e Cruz vão se integrando percebe-se com maior clareza. Apresenta o único original seu, “Amazing”, que faz total jus ao título da composição. Aliás e é uma visão muito pessoal minha que os jovens músicos deveriam seguir essa formula de White, menos originals e mais temas conhecidos. Sei que nessa visão tenho, ao menos, o apoio do Dr. David Bené-X!
Chama Strickland ao palco para interpretar obras dos músicos que diz serem grandes influências, Monk e Shorter. Do primeiro compõe um belo “Ugly Beauty”. Não pude identificar o tema de Shorter, que Strickland em seus solos mostra grande influência do mestre autor.
Climax da apresentação é o numero solo de White. Outra vez uma inspirada e percussiva introdução em que pode improvisar e mostrar todo seu poder de digressão, muito mais por estar só. Percebe-se que uma musica muito linda e conhecida está sendo aos poucos construída, e a medida que vai diminuindo a percussão, baixando o volume, tornando-se aos poucos melodioso, vamos distinguir uma "Skylark" como não podia imaginar. Linda! Final sussurrado. Público em suspense e totalmente envolvido pela enorme qualidade e sensibilidade desse grande pianista Joshua White.
De volta Weiss, Cruz e Strickland, terminam com a bela canção dos Beatles “And I Love Her” que alternam com um tema de Coltrane, que não consigo identificar embora tenha pesquisado (ajudem-me por favor,) e que encaixa-se à perfeição na citação de frases entre um tema e outro.
Do Tribeca fui ao Cornelia Street Café onde queria ver Vijay Iyer, no set de 11 hs, a única frustração da temporada, mas por culpa de minha imprevidência de não ter feito reserva. Depois de quase trinta minutos na fila de espera na calçada, com frio e com alguns leves flocos de neve caindo, não consegui lugar no simpático porão da Cornelia St. Menos mal que no térreo, onde funciona o restaurante, consegui ao menos jantar. Já tive oportunidade de escrever que o Cornélia tem um steak com fritas e molho de manteiga e ervas pra ninguém botar. Reafirmo. Vale a pena.
Finalmente deixo aqui minha sugestão pois me lembro que outros companheiros, o Sazz e o Gustavo, também já postaram no nosso Blog impressões de suas idas a NY. Por que não combinarmos um grupo no futuro ? Que nosso chefe MauNah nos lidere...
Por Pedro Wahmann
Quanto à ultima sugestão do nosso confrade, "me levem", ou seja, peço que estudem e organizem a melhor época para o aproveitamento total - da temporada 2012 - e me informem "quando", pois qual Brancaleone, liderarei nossa valorosa armada. Abs.