Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), André Tandeta (Tenêncio), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

20 janeiro 2017

P O D C A S T # 3 4 5

TERENCE BLANCHARD  
GARY CLARK JR

MARION MONTGOMERY 

MARIAN PETRESCU  















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19 janeiro 2017

Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
23ª Parte
(25)(b)  ERROLL GARNER         Excelência sem estudo     (Apêndice I)

Antes de prosseguir com a 3ª Parte sobre ERROLL GARNER, abrimos um “Apêndice” para incluir a relação dos lançamentos discográficos de ERROL GARNER no Brasil, conforme mestre LULA. Escrevia ele:
“A idéia de relacionar apenas os LP’s de GARNER lançados no Brasil fundamenta-se no fato de que, todos eles, são originais, contendo preciosos textos de contracapa, com fatos nem sempre constantes dos livros e das biografias..........................Buscamos também  apresentar, da melhor maneira possível, as gravações de GARNER em ordem cronológica (não coincidentes com a de seus lançamentos no Brasil), iniciando com os álbuns de “GARNER-titular” para depois abordar as “coletâneas”.   Temos então:

PASSAPORTE À FAMA
LP 10” lançado pela “Copacabana” (“Atlantic Records”), citado por Carlos Tibau em “Discografia do  Jazz” disponibilizada para o CJUB em 08/janeiro/2017, com temas retirados de velhos acetatos gravados em 1944 para o selo “Rex”. As execuções de GARNER já mostram sua característica essencial   -   o proposital atraso da mão direita em relação ao acompanhamento da esquerda e, ainda, um fato  raro em sua carreira = a execução de um “boogie woogie”.  As faixas do LP 10” são “Perdido”, “Everything Happens To Me”, “Soft And Warm”, “I Get A Kick Out Of You”, “I’m In The Mood For Love”, “Boogie Woogie Boogie” e “All The Things You Are”.   Capitaneados por GARNER temos Edgar Brown no baixo e Harold “Doc” West na bacteria.
ERROLL GARNER
Lançamento da “Imagem” (representante da “Everest Records”) foram 02 albuns (este e o  03 próximo), extraídos das longas sessões de gravação para a “Savoy” entre 1945 e 1949.    Praticamente apenas “standards” - “Somebody Loves Me” (com o título de “Somebodys Loves You”, tendo ao lado de  GARNER John Levy / baixo e George de Hart / bateria),  “On The Sunny Side  Of  The  Street”,  “I Can’t Bellieve That You’re Love With Me”, “Stompin At The Savoy”, “Red Sails In The Sunset”, “She’s Funny That Way”, “Storm Weather”, “This Can’t Be Love”, “Moonglow” e “Confessin’”(com John Simmons no baixo e Alvin Stoller à  bacteria, capitaneados por GARNER no piano).
ERROLL GARNER, volume 2
Os clássicos “Star Dust”, “Laura” e “Indiana” com GARNER ao lado de John Levy / baixo e George de Hart / bacteria, enquanto  que Leonard Gaskin / baixo e Charlie Smith / bateria ladeiam o pianista em “Starway To The Stars” e são substituídos por John Simmons / baixo  e  Alvin Stoller / bateria em “Cottage For Sale”, “All Of Me”, “I’m In The Mood For Love”, “The Man I Love”, “September Song”, “All The Things You Are”, “Undecided” e “Over The Rainbow”. A capa do  “LP” é similar à do album anterior, mas em tonalidade azul.
JAZZ MASTERS, VOLUME 2 – MISTY
10 temas gravados entre 1946 e 1954, inclusive com o original  de  “Misty”, que dá título ao álbum.
RAPSÓDIA  (idem Carlos Tibau)
10 temas que incluem “Flamingo”, “Skylark”,  “Pavanne” e “Turquoise”.
THE GREATEST GARNER – THAT’S JAZZ, VOLUME 4
12 temas pinçados de albuns anteriores, remasterizados e com alta qualidade técnica, todos eles com GARNER em trio.
ERROLL GARNER  -  PIANO  (idem Carlos Tibau)
GARNER ao piano mais John Simmons no baixo e Harold Wings na bateria interpretam 08 temas, incluindo o magnífico “Serenade In Blue”.
ERROLL GARNER  TOCA, VOCÊ DANÇA
Início da fase “Columbia” (“CBS”, depois “Sony Music”) onde GARNER gravou a maior parte de seus discos.   São 10 temas gravados originalmente entre 1950 e 1953, sempre em trio.
PLAY IT AGAIN, ERROLL 
       Album duplo da CBS com um total de 21 faixas gravadas entre 1951 e 1953, todas em trio  e variando os acompanhantes de GARNER:     baixo/bateria com John Simmons / Shadow Wilson, Wyatt Ruther / Shadow Wilson, Wyatt Ruther / Fats Heard e Al Hall / Specs Powell.   
JÓIAS DE ERROLL GARNER
Na metade da década de 1950 a CBS editou um dos melhores álbuns de GARNER, com 03 sessões, duas das quais com as mais importantes formações em trio: John Simmons /  Shadow Wilson e Wyatt “Bull” Ruther / Fats Heard secundaram GARNER em 11 de janeiro de 1951, 03 de janeiro de 1952 e 30 de março de 1953, para um total de 12 faixas.  
ROMANTIC & SWINGING
Album lançado pela “Polygram” com gravações para a “Mercury” em 1954 e 1955, a primeira com Wyatt Ruther / baixo e Fats Heard / bateria acompanhando GARNER,  enquanto que a segunda em piano solo, lançada anos mais tarde com o título de “Solitarie”.    
ERROLL
LP com gravações de 27 de julho de 1954 e 14 de março de 1955, com participação em 02 faixas de Candido Camero (conga) e 04 faixas em piano solo por GARNER: “Who”, “Salud Segovia”, “When A Gypsy Makes His Violin Cry" e “Yesterdays”.
CONCERT BY THE SEA
Cabe aquí a perfeita colocação de Joachim-Ernst Berendt e Günther Huesmann em seu laudatório “O Livro do Jazz – De Nova Orleans ao  Século XXI” (SESC,  Editora Perspectiva, 2014, 638 páginas):  “Desde Fats Waller nenhum outro pianista foi tão automaticamente associado à alegria quanto ERROLL GARNER, também comparável a Fats ou a Art Tatum pelo fato de tocar seu instrumento de forma “orquestral” dominando soberbamente todo o teclado.    “Concert By The Sea” é o título de um de seus vários álbuns de sucesso,  e esse título não é apropriado apenas por ter sido gravado no litoral do Oceano Pacífico mas, sobretudo, pela sensação que nos causa:   a de ouvirmos o rumorejar das ondas nas cascatas pianísticas de GARNER”.
SOLITAIRE
Em 1955 ERROLL GARNER gravou em solo, sem preocupações com o tempo de gravação e em  completa liberdade para criar, dando asas à sua ilimitada imaginação.  Mais que um simples LP temos  aqui um compêndio de beleza e criatividade, verdadeira enciclopédia musical que só o gênio de GARNER poderia escrever  -  quem  ousaria, antes dele, transformar “Over The Rainbow” em peça de concerto ? ? ?                                                                                    GAROTA DOS MEUS SONHOS
09 temas gravados em 02 sessões de 1956 (junho e setembro), com um melhores acompanhamentos de GARNER: All Hall no baixo  e Specs Powell na bateria.  Destaque para o tema título do álbum, “Girl Of My Dreams”.
MOMENTOS MUSICAIS  -  OTHER VOICES
“Momentos Musicais”, lançamento da CBS mais tarde relançado como “Other Voices”,  conta com precioso texto de Martha Glaser (secretaria de GARNER entre 1950/1957 e posteriormente sua empresária), que descreve em detalhes o exaustivo trabalho de GARNER, Mitch Miller, Nat Pierce e assessoramento do “staff” da CBS dirigido por George Avakian, já que GARNER foi preparado para atuar com grande orquestra uma vez que não lia nem escrevia música.   GARNER em trio (baixo/bateria) mais naipes de trumpetes, de trombones e de saxofones, violinos, violas e cellos, realizaram 10 faixas, iniciadas com “Misty    “ em 02 de setembro de 1956.
CLOSE-UP IN SWING
Com acompanhamento de Eddie Calhoun no baixo  e Kelly Martin na bateria, GARNER gravou 10 temas em julho/agosto de 1961, integrantes deste LP lançado pela “Companhia Brasileira de Discos” (“CBD” representando a “Phillips”), tendo como destaques “You Do Something To Me” e “Some Of These Days”.
DREAMSTREET
Outro lançamento da “CBD” com 10 faixas e os mesmos  acompanhantes do LP anterior, destacando-se os temas “Just One Of Those Things”, “Blue Lou” e o tema-título “Dreamstreet”.
ERROLL GARNER QUARTET
O selo nacional “Imagem” lançou esse LP, tendo GARNER acompanhado por Willy Richardson no baixo, George Jenkins na  bateria e Johnny Pacheco na conga, em gravação de 1976 na Itália para 10 preciosos temas.
ERROLL GARNER PLAYS GERSHWIN & KERN
Lançamento da “Polygram” representando o selo “Emarcy” com gravações de agosto de 1964 (06 temas com Eddie Calhoun / baixo e Kelly Martin / bateria acompanhando GARNER) e de agosto de 1965 (05 temas com Ike Isaacs / baixo, Jimmy Smith /bateria e Jose  Mangual / conga perfilando ao lado de GARNER).   Com esta segunda formação GARNER nos brindou um soberbo “A Foggy Day”.

A PARTIR DAQUÍ AS “COLETÂNEAS”   
"THE VERY BEST OF BIRD” 
MODERN JAZZ PIANO”  
GREAT JAZZ PIANISTS” 
US$  64,000.00 IN JAZZ” 
JAZZ-THE BEST OF, VOLUME I” 
MUSIC FOR TIRED LOVERS
JAZZ  -  THE BEST OF, VOLUME 2” 
totalizando 27 alguns lançados no  Brasil e tendo ERROLL GARNER como titular ou como “sideman”.

18 janeiro 2017

PABLO AGUIRRE MONTALDO


Temos há tempos feito postagens aqui no CJUB utilizando bastante as informações e sempre mencionando a fonte como sendo do blog - Noticias de Jazz de Pablo Aguirre e aqui está uma pequena apresentação de quem é este consagrado jazzísta.

Músico de jazz e jornalista formado pela Universidade de Valparaíso, Chile. Baseado em Londres desde 1976. Ph.D. da Universidade da Cidade de Londres. Vencedor da Medalha de Bronze no Festival de Nova York pelo  programa "Notas de Jazz" da BBC, que produziu e apresentou por 27 anos.
Em uma carreira de quase três décadas foi jornalista e editor da BBC World Service.
Produtor e apresentador de programas de rádio e séries especiais de jazz.    Atualmente escreve reportagens sobre jazz para a BBC e outros meios de comunicação. Produtor do blog "News of Jazz", com notícias que são atualizadas diariamente. Músico ativo no Reino Unido e Chile. 

Seu blog "News of Jazz",  em versão para o espanhol – “NOTICIAS DE JAZZ” sempre atualizado por várias fontes de informação, além de agências de notícias inclui uma seleção de sites em inglês e espanhol, recolhidos e refinados através de muitos anos a realizar este tipo de trabalho, apresenta efemérides diária de músicos, artigos, comentários, fotos, novidades fonográficas e recordações de grandes músicos.
Blog criado a 14 de agosto de 2009 possui mais de 360 mil número de visitas de leitores.
Temos aproveitado dessas ótimas matérias de Aguirre para enriquecer nosso blog CJUB.


17 janeiro 2017

Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
22ª Parte
(25)(b)  ERROLL GARNER         Excelência sem estudo     (Sequência)

Em 1934 GARNER incorporou-se a uma orquestra de baile dirigida por Art Blakey, este então apresentando-se como pianista e baterista mas que, ante os dotes de GARNER ao teclado, passou a concentrar-se na bateria - o que veio a garantir-lhe celebridade posterior com seu “ABJM – Art Blakey Jazz Messengers”, assim como para nós apreciadores um excepcional baterista e um extraordinário pianista.

Nos anos seguintes GARNER participou de diversas formações até ser engajado pelo saxofonista Leroy Brown, mediante longo e importante contrato.

Durante 1941 e com 20 anos GARNER exibiu-se pela primeira vez e ainda que rapidamente em New York, retornando a Pittsburgh para acompanhar Ann Lewis e outras cantoras em cabarés locais (“Red Door”, “Mercur’s Music Bar” e outros).

Sómente em 1944 ele retornou a New York e exibiu-se no “Spotlite” e no “Famous Door”, até consagrar-se entre os “grandes” com apresentações na “Rua 52”, no “Three Deuces”, então um dos principais “quartéis generais” do “Bebop”. Alí ele teve a oportunidade de suceder a Art Tatum no trio comandado por Slam Stewart, chegando a tocar com Dizzy Gillespie e Don Byas (com quem  mais tarde gravou um disco).

No final de 1944 GARNER estreou em estúdio de gravação e à frente de um trio excelente: John Simmons no baixo e Harold “Doc” West à bateria. A formação de trio viria a ser particularmente feliz para o pianista, que a ela sempre se manteve ligado.

Ainda mais significativa foi a sessão para a etiqueta “Savoy” em 30 de janeiro de 1945, com quarteto liderado por Slam Stewart ao contrabaixo e completada por Mike Brian (guitarra), “Doc” West (bateria) e, obviamente, ERROLL GARNER ao piano; as faixas “Play Fiddle Play” e “Laff Slam Laff” mostram claramente e em toda a sua evidência o modo característico de acompanhamento da mão esquerda, que marca os 04 tempos com acordes à maneira de Freddie Green (lembrar da “All American Rhythm Section” da banda de Count Basie, com este ao piano mais Freddie Green / guitarra, Walter Page / baixo e Jo Jones / bateria, com grande variedade de nuances).
GARNER nunca fez mistério dessa vocação para guitarrista, nem de sua admiração por Segóvia(a quem dedicou homenagem bem original com o tema “Salud Segovia”, registrado pelo selo "Mercury" em 1955). Tampouco fica menos evidente a sutil defasagem em relação à mão direita, possuidora de grande sentido de “rubato” e impressionante acentuação do “swing”. 
A primeira sessão oficial de gravação de GARNER em 1945 foi para a “Black & White Records”, enquanto que seu primeiro êxito de vendas (ao redor das 500.000 cópias do 78rpm) foi com o clássico “Laura” para a etiqueta "Savoy", já em setembro de 1945 (e que algumas fontes afirmam como sendo de novembro seguinte).
Essa gravação de “Laura” abriu as portas de diversas gravadoras para GARNER: “Dial”, “Signature”, “Jazz Selection”, “Blue Star” e outras.
Lembramos que esse sucesso não elimina, não se contrapõe ou invalida a afirmação de Roger Kay (contra-capa do primeiro LP de GARNER lançado no Brasil (“Passaporte à Fama”), segundo a qual e com ênfase ele aponta a importância de Art Ford e de Robert Sylvester para a decolagem do sucesso de GARNER
Poucos meses após em fevereiro de 1946 GARNER voltou a gravar “Laura”, já então para os “V-Disc” (para ver mais detalhes sobre os “V-Disc”, os “Discos da Vitória” produzidos durante a IIª Guerra Mundial para animar as tropas aliadas, consultar as páginas 484/485 do “Glossário do Jazz” do Cjubiano Mário Jorge Jacques, já em sua 2ª edição, Editora Biblioteca 24x7, 2009, 530 páginas).
Data desse período artigo da revista “Down Beat”, comentando ser GARNER
“......o único pianista com duas mãos desde “Fats” Waller........”.
Em 19 de fevereiro de 1947 e a par de colecionar triunfos nas salas de espetáculo e nos cabarés de Los Angeles, GARNER com seu trio(à época com Red Callender no baixo e “Doc” West na bateria) é levado pelo produtor Ross Russell(mais tarde biógrafo de Parker) a gravar pelo selo Dial, no estúdio "C.P.McGregor" em Hollywood, com Charlie Parker, recém-saido do Hospital de Camarillo. 
Martha Glaser(inicialmente secretaria e mais tarde empresária de ERROLL) dá como versão que isso foi feito para aumentar a venda das gravações de Parker.
Lembra Martha Glaser que, então(final dos anos 40 do século passado), GARNER não recebia menos de US$ 500.00/semana em clubes(outros pianistas ficavam na média dos US$ 150.00/semana), chegando a cobrar US$ 1,500.00 por espetáculo de teatro na Broadway. Em meados dos anos 1950 dificilmente GARNER cobrava menos de US$ 1,000.00/semana para atuar em clubes e cabarés. Nessa sessão de gravação com Parker e talvez pelo tempo alucinante de “Bird’s Nest” (03 “takes”), GARNER parece um pouco “deslocado”, enquanto que no tema “Cool Blues” (04 “takes”, sendo o terceiro com 3’07”, em andamento um pouco mais lento), ele alça vôo como “boper” mas mantendo sua sonoridade própria e, por felicidade e para complementar seu ótimo solo, Parker desfila esplêndida improvisação; ainda na mesma sessão foram gravados os temas “This Is Always” (02 tomadas, a primeira com vocal de Earl Coleman) e “Dark Shadows” (04 tomadas, a última também com vocal de Earl Coleman). 
Sucesso seguido foi o concerto de Passadena, organizado por Gene Norman(produtor e organizador da série e dos espetáculos “Just Jazz”), com um GARNER soberbo no clássico “Blue Lou”, ao lado de Wardell Gray e executando a longa suíte “One-Two-Three-Four-O-Clock Jump”, devidamente assistido por Howard McGhee, Vic Dickenson e Benny Carter. Também magnífico no tema “Lover Man”, GARNER diverte-se em torno da melodia e ressalta as acentuações rítmicas do guitarrista Irving Ashby.
Em New York ERROLL GARNER toca com Oscar Pettiford no “Three Deuces”, assim como integra combo “all-stars” no “Royal Roost”: Red Rodney, Bill Harris, Lucky Thompson e Shelly Manne.
Nessa altura GARNER é vencedor do referendo anual da revista “Esquire”, assim como é o primeiro em dois anos seguidos na enquete da “Down Beat”, podendo afirmar-se que havia atingido sua maturidade de expressão técnica. Isso fica bastante evidente na gravação de julho de 1947(selo “Blue Star”), em piano solo, de seu célebre “Play Piano Play”: defasagem rítmica entre as duas mãos, extraordinária sonoridade “orquestral”, variações harmônicas e timbrísticas, com alta carga de “swing”. Na outra face desse 78 rpm uma longa e exuberante introdução para “Don’t Worry “Bout Me”, seguida de outra melodia sobre o tema, mas com retorno final ao original.
Em maio de 1948 ERROLL GARNER é um dos integrantes da “expedição” de músicos americanos, que participam da “Semana de Jazz” em Paris.
No retorno ele toca na Califórnia e depois fixa-se em New York: “Three Deuces”, “Basin Street”, “Café Society”, “The Ember” e, principalmente, no “Birdland”, onde se torna o “pianista da casa” por seguidos anos(ainda que contratado vez por outra para atuar em Boston, Filadélfia, Chicago etc).
Em 1949 a composição “Play Piano Play” de GARNER é contemplada com o “Grand Prix du Disque” na França.
Em 1952 GARNER em conjunto com Art Tatum, Mead Lux Lewis e Pete Johnson, participa de turnê pelo território americano, sob o título de “Piano Parade”.
A partir do ano seguinte o pianista tem sua carreira gerenciada por Martha Glaser, que se revela competente e hábil negociadora, além de extremamente honesta(o que nem sempre é rótulo próprio no mundo dos “managers”).
A 07 de julho de 1954, em Detroit e para a etiqueta "Mercury", GARNER registra em apenas 03 horas 32 magníficos solos, absolutamente diferenciados e expressivos. No dia seguinte, 08 de julho, ele acompanha o “cantor”(!!!) Woody Herman na gravação do LP “Music For Tired Lovers” (uma variação bem humorada dos temas gravados por Frank Sinatra, coqueluches da época).
No final de julho de 1954 e ainda para o selo "Mercury", GARNER grava em Chicago material suficiente para 02 LP’s, ai incluída a primeira versão de uma balada de sua autoria, que posteriormente recebeu o título de “Misty” = sua composição mais famosa, composta em 1950 durante um vôo entre São Francisco e Denver, também popularizada com a letra de Johnny Burke nas interpretações de Sarah Vaughan e Johnny Mathis. Crepuscular e melancólico, o tema “Misty” revela outra faceta de ERROLL GARNER, a intimista(tão ignorada pela crítica), assim como leva para segundo plano ofuscados pela beleza de “Misty” outros belos temas de sua autoria:
- 1954 = Mambo Garner, Seven-Eleven Jump;
- 1955 = Afternoon Of An Elf, Mambo Carmel, Solitaire;
- 1956 = Dreamy, Mambo 207, Passing Through, Way Back Blues;
- 1958 = Just Blues, Left Bank Swing, Paris Bounce, When Paris Crie;
- 1960 = Moment’s Delight; 
- 1961 = Dreamstreet, El Papa Grande, No More Shadows;
- 1962 = Trio;
- 1964 = Other Voices;
- 1966 = Afinidad, Mambo Erroll, That’s My Kick;
- 1967 = Nervous Waltz, Shake It But Don’t Break;
- 1968 = This Time It’s Real, Up In Erroll’s Room;
- 1970 = Mood Island, Something Happens, You Turn Me Around;
- 1972 = Eldorado, Gemini;
- 1974 = It Gets Better Every Time, Nightwind, One Good Turn;
- .......... e mais “Pastel”, “Cloudburst”, “Gaslight” (tema de filme com Ingrid Bergman).........

Prosseguiremos nos próximos dias com a indicação de Mestre LULA sobre a coletânea de LP's de GARNER lançados no Brasil (Apêndice I)

CRÉDITOS DO PODCAST # 344

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÃO  LOCAL / DATA
CARMELL JONES
Carmell Jones (tp) Harold Land (st), Frank Strazzeri (pi), Gary Peacock (bx) e Leon Petties (bat)
NIGHT TIDE (Jimmy Bond) 
Los Angeles, junho/1961
FULL MOON AND EMPTY ARMS
(Buddy Kaye / Ted Mossman)
ART PEPPER
Art Pepper (sa), Ted Brown (st), Warne Marsh (st), Ronnie Ball (pi), Ben Tucker (bx) e Jeff Morton (bat)

AVALON
(Buddy DeSylva / Al Jolson / Vincent Rose)
Hollywood, CA, 21/dezembro/1956
I CAN'T BELIEVE THAT YOU'RE IN LOVE
(Clarence Gaskill / Jimmy McHugh)
GEORGE SHERING
Emil Richards (vib), George Shearing (pi), Toots Thielemans (gt), Al McKibbon (bx), Percy Brice (bat) e Armando Peraza (cga)
SENOR BLUES (Horace Silver)    
New York, agosto/1957
THE LATE LATE SHOW
(Roy Alfred / Murray Berlin) 
ETHAN IVERSON
Ethan Iverson (pi), Ron Carter (bx) e Nasheet Waits (bat)
ALONG CAME BETTY
(Benny Golson)
Brooklyn, NY, 22/fevereiro/2016
SENT FOR YOU YESTERDAY
(Count Basie / Eddie Durham / Jimmy Rushing)
THE MANHATTAN TRANSFER 
Janis Siegel, Laurel Masse, Tim Hauser, Alan Paul (vcl) acc por Yaron Gershovsky (pi), John Pisano (rhythm-gt), Tony Dumas (bx) e Ralph Humphrey (bat)
STOMP OF KING PORTER (J.R.Morton / Manhattan Transfer)
New York c. 1997
DOWN SOUTH CAMP MEETING
(Fletcher Henderson)
HARRY ARNOLD
Sixten Eriksson, Weine Renliden, Bengt-Arne Wallin (tp), Arnold Johansson (tp,v-tb), Ake Persson, Andreas Skjold, George Vernon, Goran Ohlsson (tb), Arne Domnerus, Rolf Backman (sa), Rolf Blomquist (st,fl), Bjarne Nerem (st), Rune Falk (sbar), Bengt Hallberg (pi), Rolf Berg (gt), Georg Riedel (bx), Egil Johansen (bat), Quincy Jones (arranjo) e Harry Arnold (condução)
KINDA BLUES (Harry Arnold)
Live at "The Concert Hall", Estocolmo, Suécia, 28/abril/1958
COUNT’EM (Quincy Jones) 
GEORGE CABLES
George Cables (pi,ldr), Essiet Okon Essiet (bx) e Victor Lewis (bat)
AFTER THE MORNING
(John Hicks)
Brooklyn, NY, 10/fevereiro/ 2015

16 janeiro 2017

GRAVAÇÃO INÉDITA DE JOÃO GILBERTO E STAN GETZ







O selo Resonance lançou no mercado um álbum com gravações feitas em 1976 no clube de jazz - Keystone Korner de San Francisco,  jamais publicadas.

As gravações deixaram representadas as apresentações do cantor e compositor João Gilberto e do saxofonista Stan Getz, além deles, pelo pianista Joanne Brackeen, o baixista Clint Houston e o baterista Billy Hart.
O álbum é chamado "Getz / Gilberto '76" e foi publicado 50 anos após o outro, que teve mais de um milhão de vendas (Verve), bem como um prêmio Grammy, "Getz / Gilberto" em dois volumes diferentes (1964 e 1966).
O novo álbum está disponível em uma caixa de luxo, em formato de CD, mas também em um LP de edição limitada em vinil.
Junto com o álbum inédito, foi publicado um outro com o mesmo quarteto de Stan Getz, João Gilberto, mas, intitulado Moments In Time.

(traduzido e adaptado do blog Noticias de Jazz de Pablo Aguirre)


NOTA: Resonance Records é uma gravadora de jazz independente estabelecida em 2008 como a peça central da Rising Jazz Stars Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação da arte e legado do jazz. A etiqueta é baseada em Los Angeles, Califórnia e é dedicada à preservação do jazz e descobrir as estrelas em ascensão de amanhã. O “cast” da etiqueta inclui John Beasley, Bill Cunliffe, Tamir Hendelman, Christian Howes, Kathy Kosins, Andreas Öberg, Marian Petrescu, Claudio Roditi, Donald Vega e outros.

Também a Resonance Records lançou gravações de John Coltrane, Bill Evans, Gene Harris, Scott LaFaro, Charles Lloyd e Wes Montgomery.

13 janeiro 2017

P O D C A S T # 3 4 4

ETHAN IVERSON
CARMELL JONES






GEORGE SHEARING
HARRY ARNOLD
















PARA ACESSO AO ÁUDIO VOCÊ DEVERÁ CLICAR NO LINK ABAIXO E SERÁ DIRECIONADO PARA O SITE ZIPPYSHARE. O PRIMEIRO CLIQUE NO ÁUDIO SEMPRE REMETE A UM ANÚNCIO, APAGUE O ANÚNCIO (X) E VOLTE AO STREAMING DE ÁUDIO. O MELHOR É FAZER O DOWNLOAD E OUVIR NO COMPUTADOR.

http://www82.zippyshare.com/v/Mfdp2WaF/file.html

11 janeiro 2017



Piano – Uma História de 300 anos, edição do SESC, com apresentação e texto de João Marcos Coelho, DVD com duração de 68 minutos e livro com 78 páginas, é trabalho sério e de qualidade abordando obras de J.S.Bach, Scarlatti, Mozart, Beethoven, Chopin, Brahms e outros.     Recomendamos mais esta realização do SESC, sempre lançando material de qualidade.

Havíamos interrompido a edição da série “PIANISTAS DE JAZZ” na “20ª Parte” com o pianista número “24” (Bill Evans, 24.b Acima de Qualquer Nivel) em 17/outubro/2015 e agora prosseguimos com o pianista número “25”, Errol Garner, que será postado em 03 partes, dada a extensão do texto.
                                                          Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
21ª Parte
(25)(a) ERROLL GARNER         Excelência sem estudo
Boa parte do texto seguinte foi feito para trabalho conjunto com nosso falecido amigo e Mestre LUIZ CARLOS ANTUNES, o “Lula”, quando pensávamos em escrever livro dedicado e esse gigante do teclado, ERROLL GARNER.

Escrevia “Lula” que a admiração dele por GARNER ocorreu no início da década de cinqüenta do século passado, quando o rádio ainda cumpria seu primordial papel de difusor cultural. Certa tarde “Lula” foi atraído para perto do rádio por uma música executada por um pianista de forma totalmente diferente do que habitualmente se ouvia; colou os ouvidos no aparelho, aguardando o anúncio do locutor e foi premiado: - Ouvimos “Penthouse Serenade” com o pianista Erroll Garner. 
Naquela época o comércio fonográfico ainda era incipiente, principalmente no que se referia a LP’s, então escassos. Após infrutíferas buscas, foi orientado por amigos a procurar as “Lojas Murray” (centro da cidade do Rio de Janeiro), onde Jonas Silva, mais tarde proprietário do selo “Imagem”, importava discos sob encomenda. Por sorte, lá estava o 10” da “Savoy” com o “Penthouse Serenade”.
Daí para a frente, procurou adquirir tudo o que ERROLL GARNER gravou, principalmente os LP’s lançados no Brasil.
Coletou o máximo possível de informações, organizando arquivo próprio com entrevistas, reportagens, “releases” e noticiário referente á estadia de ERROLL GARNER no Rio de Janeiro, quando se apresentou no Teatro Municipal em magnífica récita, ocorrida em 10 de julho de 1970 (viajou para São Paulo no dia seguinte, onde realizou 03 apresentações de 12 a 15 de julho, retornou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho, de passagem para temporada na Europa).
Entusiasmado com a idéia de “Lula” e tendo ouvido, admirado e desfrutado da arte pianística de ERROLL GARNER desde os anos 50 do século passado, dediquei tempo para pesquisar a vida desse músico excepcional. 
Na verdade e na sua aparente (nunca real) limitação de “aproach”, GARNER possuía amplo senso de organização sonora, o que lhe permitia desempenho pianístico com sonoridade de grande orquestra, a par de ter sido um dos grandes improvisadores do JAZZ.
Os que tiveram a ventura de acompanhá-lo quase nunca sabiam o que seria executado. Seu repertório, constantemente renovado, era vastíssimo e mesmo quando retornava a um tema, modificava o tempo, ou a harmonia, ou a tonalidade, conferindo execução inteiramente diferente da(s) anterior(es). Um dos clássicos exemplos disso são as 04(quatro) versões que deixou registradas de “St. Louis Blues”.
Uma escuta atenta e uma análise aprofundada do extenso patrimônio discográfico que GARNER nos legou, nos faz descobrir, sob a superfície luxuriante carregada de tons rapsódicos, de arpégios e aparência barroca, um admirável domínio da vizinhança de todos os estilos pianísticos: é um pequeno universo do “piano-Jazz”.
Do “stride-piano” de James P. Johnson e “Fats” Waller(escute-se a versão de GARNER em setembro de 1945, do clássico “I Know That You Know”), ao “boogie-woogie”(“Boogie Woogie Boogie” de dezembro de 1944) e ao largo emprego dos “block-chords”(1953, “I’ve Got My Love To Keep Me Warm”), GARNER está sempre a vontade.
Mesmo não sendo um devoto do “Blues” dos quais poucos registrou, ainda assim e como demonstrou na gravação de “Way Back Blues” em 1956, possuía um “feeling” exato.
De resto suas mãos se multiplicam: ataque poderoso com as duas, impressionante rapidez e destreza com a direita(ouvir sua versão de “Honeysuckle Rose” de janeiro de 1951), inconfundível e característica defasagem(ligeiro atraso) da direita em relação à esquerda(“Undecided” de março de 1949 é um primeiro de múltiplos exemplos) e completa independência entre as duas – o que lhe permitia combinar ritmos diferentes com absoluta naturalidade(ouça-se o registro de 1956 para “But Not For Me”). Permanente carga de “swing”, alimentando incessantemente sua improvisação com inesgotável fantasia criativa, desenvolvendo ao infinito qualquer melodia, mesmo se banal, enriquecendo-a com adornos, tessituras rapsódicas, variações de timbre, até literalmente transfigurá-la.
Como episódio esclarecedor das execuções de GARNER, lembramos a exclamação de Jerome Kern após escutar as peças de sua autoria, “Who” e “Yesterdays”, gravadas por GARNER em março de 1955(texto da capa do LP “Erroll”, EmArcy MG 36.069):
“..........será possível que tudo isso seja obra minha ? ? ? .............”.
É importante lembrar as magníficas “introduções” de GARNER, sempre inovadoras e imprevisíveis mesmo para ouvintes preparados, provocando a curiosidade e criando suspense até que, quando ele atacava o tema com seu inconfundível “Garner beat”, o auditório não podia fazer menos que explodir em ovação, descarregando a tensão acumulada e deixando-se envolver pela impressionante cascata de notas.
Simples é ouvir e deliciar-se com a música de ERROLL GARNER, mas complexo é analisá-la. Transcrevemos a seguir em tradução livre e adaptada, uma pequena parte do artigo de Mini Clar(revista “The Jazz Review” de janeiro de 1959, páginas 06 a 10), gentilmente cedido pelo “cjubiano”Carlos Augusto Tibau Ribeiro.
“........Analisar a música de ERROLL GARNER envolve o exame, não de um, mas de vários estilos de tocar. Talvez mais que qualquer outro pianista de JAZZ, ele sempre prosseguiu desenvolvendo seu estilo. De um início razoavelmente simples, GARNER forjou continuamente a produção de uma crescente complexidade de idéias e de sons. Sem importar o quanto seu desenvolvimento foi radical, ele sempre manteve identidade musical marcante em todo o seu trabalho. 
Três influências(ou raízes) são identificáveis no estilo de GARNER, a saber: (1) o Ragtime, (2) o Impressionismo e (3) o “Stride-piano” do Harlem à “Fats” Waller. As harmonias luxuriantes e as sinuosidades sonhadoras, nas baladas em tempo lento de GARNER, vêm do Impressionismo; o balanço e a jovialidade nas faixas em “up-tempo” derivam do Ragtime; a vitalidade robusta e o humor insinuante que permeiam seu toque, vem de “Fats” Waller e da sua escola “Stride”. Observe-se que essas raízes são puramente pianísticas, sem influência de estilos conseqüentes dos instrumentos de sopro. Uma aproximação bem satisfatória pra o estudo do estilo de Garner pode ser obtida considerando: melodia / harmonia / ritmo / cores tonais / expressão emocional. Melodicamente GARNER utiliza cada recurso possível em sua improvisação: as duas mãos executam papéis melódicos(padrões para a mão esquerda, trabalho de mãos cruzadas e freqüente alternância de fragmentos melódicos). Em execuções com um único dedo GARNER emprega notas de enfeite, apogiaturas simples e duplas, arpégios ascendentes e descendentes, escalas cromáticas e diatônicas, escalas pentatônicas e repetição de notas. A repetição constante de notas da melodia é uma marca registrada de GARNER: notas ou acordes são repetidos duas ou três vezes por tempo.....”
Erroll Louis Garner, artisticamente ERROLL GARNER, nasceu em 15 de junho de 1921 na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia., a mesma cidade natal de tantos e tantos outros nomes importantes no JAZZ e nos espetáculos, que citaremos mais adiante.
A família era musical: o pai era tenor na Igreja e um diletante do piano e de outros instrumentos(guitarra e bandolim em um conjunto amador), que tocava de ouvido; seu irmão mais velho, Linton, tocava trumpete, piano e fazia arranjos, tendo chegado a colaborar com Billy Eckstine e Dizzy Gillespie; as irmãs mais jovens, Martha e Ruth, estudaram piano. Em contrapartida GARNER teve um irmão gêmeo, Ernest, que para desespero da família nasceu retardado e viveu muito tempo em um instituto de reabilitação psico-física.
Nesse ambiente a educação musical do menino GARNER estava garantida e ele logo demonstrou possuir audição e memória musicais extraordinárias: o irmão Linton, em seguidas ocasiões, observou com indisfarçável inveja que o menino, mesmo sem conhecimento musical, era capaz de tocar qualquer música após ouvi-la uma única vez.
Sua irmã Ruth declarou a James M. Doran, biógrafo de GARNER, que quando este estava tomando lições de música, ao invés de aprender a ler as partituras memorizava os exercícios tal como a professora os executava no teclado: depois os tocava sem respeitar as notas do pentagrama, mas à sua maneira, com digitação “heterodoxa” e interpretação toda pessoal. Segundo a família GARNER com nada mais que 03 anos de idade já executava com as 02 mãos trechos de Art Tatum, Teddy Wilson, Earl Hines e “Fats” Waller: ouvia os discos e os reproduzia de ouvido.
Claro que depois de cansativas e infrutíferas tentativas de ensinar a maneira “correta” ao menino GARNER, a professora recusou-se a prosseguir ensinando-o, até porque o interesse maior do seu aluno era o beisebal.
Deixado à sua sorte GARNER saiu-se muito bem, se confirmada a versão de que já aos 10(dez) anos participava de uma orquestra de jovens, a “Kan-D-Kids”, que se apresentava regularmente na rádio local(emissora KDKA).
Aos 11(onze) anos o menino GARNER tocou nos “riverboats” do Rio Allegheny.
Na escola e entre outros que o encorajaram a “ir para a estrada”, destacaram-se seu amigo Dodo Marmarosa e o então bem jovem Billy Strayhorn(ambos já então com sólida formação musical), assim como Fritz Jones(leia-se Ahmad Jamal), que foi um de seus principais seguidores musicais. 
Tantos músicos como contemporâneos ? ? ? Claro que sim; Pittsburgh foi importante celeiro de figuras do JAZZ ou ligadas ao mundo dos espetáculos, bastando citar-se, por exemplos e entre outros, os seguintes nativos:
Ahmad Jamal - Art Blakey - Babe Russin - Barry Galbraith - Billy Eckstine - Billy May - Billy Strayhorn - Bob Cooper - Christina Aguilera - Dodo(Michael) Marmarosa - Dakota Staton - Eddie Safranski - George Benson - Henry Mancini - Horace Parlan - Kenny Clarke - Lena Horne - Mary lou Williams - Oscar Levant - Paul Chambers - Perry Como - Ray Brown - Roy Eldridge - Shirley Jones - Stanley Turrentine - Stephen Foster - Tommy Turrentine - Victor Herbert....ufa!!
GARNER não se exercitava muito e era do tipo que gostava de viver muitíssimo bem, mesmo sem possuir um piano à sua disposição. A quem lhe perguntava qual era o segredo de uma técnica, respondia:
“....basta sentar-me ante o piano e pedir às mãos que façam seu trabalho....”
Sempre será lembrada sua declaração(revista “Melody Maker”, dezembro de 1952) de que:
“....se posso soar melhor sem ler música, porque deve mudar meu estilo???... para mim é suficiente escutar, sentir a música - deixo a leitura para os outros....”
A carreira precoce a partir de então estava delineada e prosseguiria sem obstáculos. 

Prosseguiremos nos próximos dias

BANDA MANTIQUEIRA COM ALMA

Recebemos de nosso colaborador Pedro Cardoso o CD COM ALMA  da Banda Paulista MANTIQUEIRA contando com convidados ilustres Wynton Marsalis e Romero Lubambo.  

“Manter uma orquestra ativa durante 25 anos já é por si só uma proeza, mas os músicos da Banda Mantiqueira e seus fãs têm mais a comemorar com o lançamento desse álbum. Basta ouvir algumas faixas para comprovar que a aventura iniciada por essa big band paulistana, em 1991, resultou em uma liguagem instrumental brasileira que não se fecha às enriquecedoras influências de outras tradições musicais... “ 
(Notas do encarte do CD)

Integrantes: Nailor Proveta (sax alto, clarinete, arranjos e direção); Ubaldo Versolato (sax barítono, flauta e piccolo); Josué dos Santos (sax tenor e flauta); Cássio Ferreira (sax tenor, sax soprano e flauta); Valdir Ferreira (trombone de vara); Odésio Jericó, Walmir Gil e Nahor Gomes (trompete e flugelhorn); François de Lima (trombone de válvulas); Jarbas Barbosa (guitarra elérica); Edson Alves (arranjos, contrabaixo elétrico e violão); Cleber Almeida e Fred Prince (percussão); Celso de Almeida (bateria).
Participações especiais: Cacá Malaquias (autor e arranjos); Wynton Marsalis (flugelhorn) e Romero Lubambo (violão).
Ao clicar no link abaixo poderá ouvir a faixa CON ALMA (Dizzy Gillespie) com arranjo de Edson Alves e solos de Wynton Marsalis (flugelhorn), Romero Lubambo (violão) e Josué dos Santos (sax tenor). 



CD cedido pelo Produtor Executivo Roberto Bruzadin  

 www.sescsp.org.br/livraria link através do qual pode ser adquirido o cd da BANDA MANTIQUEIRA e outros do selo SESC.

10 janeiro 2017

CRÉDITOS DO PODCAST # 343

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÃO
LOCAL /DATA
WYNTON MARSALIS
Wynton Marsalis (tp), Bob Wilbert (cl), Victor Goines (st, ssop, ssop curvo), Olivier Franc (sa, ssop), Wyclife Gordon (tb), Dan Nimmer (pi), Carlos Henriquez (bx) e Ali Jackson (bat)
THE SHEIK OF ARABY
(Harry Beasley Smith / Ted Snyder / Francis Wheeler)
Festival Jazz Marciac de 2009 na França
BECHET’S FANTASY (Sidney Bechet)
CAKE WALKIN’ BABIES FROM HOME  (Chris Smith / Henry Troy / Clarence Williams)
SUMMERTIME (G. Gershwin)
PROMENADE AUX CHAMPS ELYSÉES  (Sidney Bechet )
PETITE FLEUR (Sidney Bechet )
THE WAY I RIDE (Tradicional)
SWEET LOUISIANA (Sidney Bechet)