Colaboradores : MauNah, Sazz, Bene-X, PegLu, I-Vans, Mario Jorge Jacques, Gustavo Cunha, JoFlavio, Nelson Reis, Beto Kessel, Tenencio, BraGil, Reinaldo, LaClaudia, Marcelon, Marcelo Siqueira, Nelson Reis, Pedro Cardoso o Apóstolo e Carlos Augusto Tibau.

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

22 maio 2015

P O D C A S T # 2 5 8

DUKE JORDAN
JACKIE McLEAN
ERNESTINE ANDERSON






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19 maio 2015

CRÉDITOS DO PODCAST # 257

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÕES LOCAL e DATA
JOE PASS
Joe Pass (gt) e Niels-Henning Orsted Pedersen (bx)
TRICOTISM (Oscar Pettiford) 
Londres, 19/novembro/1978
YARDBIRD SUITE (Charlie Parker)
Joe Pass (gt), John Pisano (rhythm-gt), Jim Hughart (bx) e Colin Bailey (bat)
ROSETTA
(Earl Hines / Henri Woode) 
Los Angeles, 2/setembro/1964
NIGHT AND DAY (Cole Porter)
Joe Pass (gt) solos
HERE’S THAT A RAINY DAY (James Van Heusen / Johnny Burke) 
Los Angeles, 28/agosto/1973
BLUES FOR ALICAN (Joe Pass)
Conte Candoli (tp), J.J. Johnson (tb), Tom Scott (fl), Joe Pass (gt), Carol Kaye (el-b), Paul Humphrey (bat) e  Milt Holland (perc)
BETTER DAYS (Bruce Springsteen) 
Los Angeles, ao final de 1960
Joe Pass (gt) solos
I NEVER KNEW
(Gus Kahn / Ted Fio Rito)
6/junho/1975
ALAGARN (Joe Pass)
Joe Pass (gt), Eberhard Weber (bx) e Kenny Clare (bat)
EL GENTO (Willi Fruth)
Villingen, Alemanha, junho/1970
Joe Pass (gt) solo
I’SNT IT ROMANTIC?
(Lorenz Hart / Richard Rodgers)
Hollywood, CA, 11/ agosto/1992
Oscar Peterson (pi), Joe Pass (gt) e Ray Brown (bx)
WHO CARES?
(George Gershwin / Ira Gershwin) 
Los Angeles, 7/dezembro/1974
RIFF BLUES (Oscar Peterson)
JOE PASS e acc Conte Candoli (flh), J.J. Johnson (tb), Tom Scott (st), Joe Pass (gt), Ray Brown (el-b), Earl Palmer (bat)
AFTER SCHOOL (Jimmy Rowles)   
Los Angeles, 1960

18 maio 2015

MESTRE LOC FALA DE JARRETT EM SUA COLUNA NO JB

Keith Jarrett comemora 70 anos

por Luiz Orlando Carneiro, em 14/05/2015

Keith Jarrett, virtuose do piano, conhecido como o Glenn Gould do jazz – por sua genialidade, seu temperamento e suas excentricidades – é septuagenário desde o último dia 8 de maio. Ele é capaz de interromper um concerto solo ou do celebrado trio que lidera há 32 anos (Gary Peacock, baixo; Jack DeJohnette, bateria) por causa de um flash ou de um ruído vindos da audiência. Durante toda a década de 2000, reinou supremo na categoria best pianist do referendo anual internacional dos críticos promovido pela revista Downbeat. E o seu trio continua a ser, sem dúvida, o melhor pequeno combo de jazz num nível de excelência só comparável ao quarteto Footprints do saxofonista Wayne Shorter (Danilo Perez, piano; John Patitucci, baixo; Brian Blade, bateria).

Em maio de 2003, Jarrett recebeu, da Academia de Música da Suécia, o Polar Music Prize, destinado a músicos excepcionais nos campos erudito e popular. Em anos anteriores tinham sido homenageados, entre outros, os compositores Pierre Boulez e Stockhausen, o violinista Isaac Stern e o celista Rostropovitch. Na área da música popular, foram premiados, por exemplo, Paul McCartney, Stevie Wonder e Miriam Makeba. O único jazzman a merecer o Polar Prize, até 2003, foi Dizzy Gillespie. Sonny Rollins recebeu a mesma distinção em 2007.

Keith Jarrett foi garoto-prodígio. Aos sete anos já dava recitais, e desenvolveu os seus dons extraordinários com Nadia Boulanger (1887-1979) e, depois, na então Berklee School of Music de Boston. Aos 21 anos, deixou os Jazz Messengers de Art Blakey para associar-se ao quarteto do saxofonista Charles Lloyd (Forest flower, Altantic, 1966). Na década de 1970, passou a se apresentar solo numa série de concertos mundo afora, totalmente improvisados, cujo ponto culminante foi o Köln Concert, de 1975, gravado pela ECM, e que – desde sua edição em LP duplo – vendeu mais de três milhões de exemplares.

Como pianista “erudito”, o prodigioso e controverso músico gravou obras de fôlego como as Variações Goldberg e o Cravo bem temperado, de J.S. Bach, e a série de 24 prelúdios e fugas de Shostakovitch.

Para marcar o seu 70º aniversário, Keith Jarrett vem de lançar – sempre no selo ECM, de Manfred Eicher – dois CDs com material inédito selecionado por ele e por Eicher.

O primeiro é Creation, com solos improvisados em seis concertos gravados, entre abril e julho de 2014, no Japão (Kioi Hall e Orchard Hall, Tóquio), na Itália (Parco Della Musica, Roma), na França (Salle Pleyel, Paris) e no Canadá (Roy Thomson Hall, Toronto). No total, são nove faixas, de duração variando entre 6m 55 e 8m35.

John Kelman, do site All About Jazz, considera o todo formado pelas nove partes sem títulos de Creation uma espécie de suíte, na qual Jarrett “evita quaisquer construções previsíveis no decorrer do programa, em geral meditativo e sombrio, baseado sobretudo em achados harmônicos e melodias esparsas”, que, em termos de dinâmica, vão “do mais suave pianíssimo ao mais dramático fortíssimo”.

O segundo álbum intitula-se Samuel Barber/Béla Bartók, e contém os concertos para piano e orquestra de Barber (Opus 38) e de Bartók (o número 3), registros dos anos 80, em apresentações, respectivamente, com a Saarbrücken Radio Symphony Orchestra, e a New Japan Philarmonic.


(Samples das faixas do CD Creation podem ser ouvidos em http://www.jazzecho.de/keith-jarrett/diskografie/album/product:274702/creation)

16 maio 2015

HOMENAGEM a B.B. KING


O músico B.B. King, considerado o "rei do blues" e integrante do Hall da Fama desde 1987, morreu na madrugada desta sexta-feira (15) em Las Vegas, nos Estados Unidos, aos 89 anos de idade.
Riley Ben King, conhecido como B. B. King, foi um guitarrista de BLUES e RHYTHM & BLUES compositor e cantor estado-unidense. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, seu pseudônimo.
A lenda se despede com 16 prêmios Grammy, mais de 50 álbuns em quase 60 anos de carreira. Considerado o maior guitarrista de Blues da atualidade, verdadeira lenda. B B. King, nasceu em 16 de setembro de 1925, no Mississippi, Estados Unidos. Sua infância foi parecida com a de milhares de meninos negros, trabalhadores agrícolas nas grandes plantações de algodão do sul segregacionista ao extremo.
Tocava nas esquinas e em bares. Comprou a primeira guitarra quando a falta de eletricidade no interior do país fazia dos instrumentos musicais a maior atração dos anos de 1940.
O músico foi autodidata, nunca teve professor convencional. Gostava de ser seduzido pelas melodias. Mas teve a sorte de contar durante a adolescência com o apoio protetor de Bukka White, seu primo. Este guitarrista, muito renomado na região, deu as dicas de guitarra ao futuro gênio e o levou a descobrir a grande cidade da música, e do blues, Memphis, para onde se mudou em 1947.
O futuro B.B. King passou a conviver com Sonny Boy Williamson (Rice Miller), Robert Lockwood Jr, Bobby "Blue" Bland e tocava regularmente na Beale Street, onde mais tarde abriu um clube com seu nome, conhecido com a "Broadway" da música negra nos Estados Unidos.
Sua carreira ganhou novo fôlego em 1949 ao ser contratado como DJ de uma rádio, onde ganhou o apelido que o eternizou, Blues Boy, ou B.B.
Seu primeiro grande sucesso nacional foi “Three o'clock blues”, que estourou nos anos 1950. A partir daí começou a fazer turnês sem parar. Só no ano de 1956 sua banda chegou a fazer 342 apresentações.
B.B. King criou um estilo autêntico de guitarra. Em seus solos, ao contrário de outros guitarristas, o Rei do Blues preferia usar poucas notas. Ele dizia que conseguia fazer uma nota valer por mil.
Em 2012, fez parceria inesperada com o presidente americano Barack Obama, durante um show de blues na Casa Branca.
Em outubro de 2014, o guitarrista precisou abandonar um espetáculo em Chicago, diante de um quadro de desidratação e esgotamento, o que provocou a suspensão do restante da turnê, que ainda tinha 8 shows programados.
Aos 86 anos, ainda fazia cerca de 100 apresentações por ano. O último show no Brasil ocorreu em 2012, em São Paulo. Antes, se apresentou no Rio de Janeiro e em Curitiba.

Abaixo BB King Band em atuação no Festival de Montreaux em 1993

 WHY I SING THE BLUES  (Dave Clark / Riley   King)

 TWO I SHOOT BLUES (Eddie S. Synigal / J.  Bolden / L. Warren / Walter King)


 LET THE GOOD TIMES ROLL (Fleecie Moore /  Sam Theard)



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13 maio 2015

"Gil Evans Project" no JAZZ STANDARD

Hoje, 13 de maio aniversário de Gil Evans (Ernest Gilmore Green - nascido em Toronto, Canadá, em 1912) pianista, bandleader e notável arranjador, e pelo segundo ano consecutivo, há celebrações entre as quais envolve o "Gil Evans Project", um grupo menor do que a orquestra original, com músicos convidados. A orquestra em formato de 19 músicos também existe e é dirigida por seu filho Miles Evans. As apresentações acontecem dias 14, 15 e 17 no famoso clube de Nova York "Jazz Standard".
O chamado "Gil Evans Project" irá realizar arranjos originais da "idade de ouro" de Gil Evans e orquestrações para a música de Jimi Hendrix e Jaco Pastorius, como convidados especiais.
Dia 17 será o lançamento do novo álbum (gravado no clube) “Lines Of Color -- Gil Evans Projeto Live At Jazz Standard".
A principal celebração terá lugar no clube Jazz Standard, com a participação do "Gil Evans Project", dirigido por Ryan Truesdell, abrangendo diferentes fases de Evans desde os dias de "Birth of the Cool". Tryesdell foi o criador do "Gil Evans Project" há alguns anos atrás, a fim de restaurar e reinterpretar os arranjos originais de Evans, a partir das partituras originais. O trompetista solo que originalmente participava era Miles Davis, e atualmente Gregory Lyle Gisbert de 49 anos.

O canadense Gil Evans foi um grande amigo e parceiro musical de Miles Davis e seus arranjos orquestrais revolucionaram o mundo do jazz, notadamente em matéria de grandes bandas. Pianista, compositor, arranjador, diretor, seu nome está firmemente impresso na história do jazz, tendo desempenhado um papel importante no desenvolvimento da fusão dos estilos Cool, Modal, Free/Fusión. Em alguns aspectos, a tradição de Evans continua, agora com composições e arranjos de Maria Schneider, que foi discípula de Evans.

Gil Evans faleceu a 20 de março de 1988 (75 anos) em Cuernavaca, México

(adaptado de Noticias de Jazz de Pablo Aguirre)

12 maio 2015

CRÉDITOS PARA O PODCAST # 256

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS e AUTORES
GRAVAÇÕES
LOCAL / DATA
JIMMY RANEY
Jimmy Raney (gt), George Mraz (bx) e Lewis Nash (bat)
THE WAY YOU LOOK TONIGHT

(Jerome Kern / Dorothy Fields)
New York, 5/dezembro/ 1990
BILLIE HOLIDAY
Irving "Mouse" Randolph (tp), Vido Musso (cl) Ben Webster (st), Teddy Wilson (pi), Allen Reuss (gt), Milt Hinton (bx), Gene Krupa (bat) e Billie Holiday (vcl)
New York, 21/outubro/1936
BUDDY RICH
Sam Most (fl), Mike Mainieri (vib), Johnny Morris (pi), Wyatt Ruther (bx), Buddy Rich (bat, ldr), Vince Marino (cga) e Ernie Wilkins (arranjo)
Chicago, janeiro / 1961
GEORGE COLEMAN
George Coleman (st), Hilton Ruiz (pi), Sam Jones (bx) e  Billy Higgins (bat)
AMSTERDAM AFTER DARK
(George Coleman)
New York, 29/dezembro/ 1978
JAMES MOODY
James Moody (flute), Kenny Barron (pi), Christopher White (bx) e Rudy Collins (bat), Apresentador: Dizzy Gillespie
Mmm Hmm (James Moody)
Apresentação no programa JAZZ 625 na BBC TV de Londres em 1966.
MUGGSY SPANIER
Muggsy Spanier (cnt), George Brunies (tb), Rod Cless (cl), Nick Caiazza (st), Joe Bushkin (pi), Bob Casey (bx) e Don Carter (bat)
BLUIN’ THE BLUES
(Henry W. Ragas)
New York, 10/novembro/ 1939
DAVE GRUSIN
Arturo Sandoval, Randy Brecker, Chuck Findley, Byron Stripling (tp,flhrn), George Bohanon (tb), Phillip Bent (fl), Eddie Daniels (cl), Nelson Rangell, Eric Marienthal (sa), Ernie Watts (st) Bob Mintzer (st), Tom Scott (sbar), Gary Burton (vib), Dave Grusin (pi, ldr, arr), John Patitucci (bx) e Dave Weckl (bat)
BLUE TRAIN (Billy Smith)
Live "Gotanda Kan-i Hoken Hall", Tokyo, 31/janeiro/ 1993
DOC WATSON
Doc Watson (gt, vcl,arrj) e Merle Watson (slide guitar e vcl), Bob Wilson (pi), Sam Bush (violino), Joe Smothers (gt), Chuck Cochran (bx) e Jim Isbell (bat)
COLUMBUS STOCKADE BLUES
(Eva Sargent / Jimmie Davis) 
junho/2010
DUDUKA DA FONSECA
Claudio Roditi (tp), Anat Cohen (ss), Paulo Levi (st,fl), Helio Alves (pi), Guilherme Monteiro, Vic Juris (gt), Leonardo Cioglia (bx) e Duduka Da Fonseca (bat)
MESTRE BIMBA
(Bebeto / Hélcio Milito / Luíz Eça)
Brooklyn, NY, 26/setembro/2005
BOBBY GORDON e BOB WILBER
Bobby Gordon (cl) Bob Wilber (cl,sop) John Sheridan (pi), David Stone (bx) e Tony DeNicola (bat)
I AIN'T GOT NOBODY (Dave Peyton / Roger Graham / Spencer Williams)
Costa Mesa, CA, 15/outubro/ 2002
JUNIOR COOK
Junior Cook (st), Mickey Tucker (pi), Walter Booker (bx) e Leroy Williams (bat)
YOU KNOW WHO (Coleman Hawkins / Jon Hendricks / Thelonious Monk)
New York, Junho, 1989
ROY HARGROVE
Roy Hargrove (tp, ldr), Frank Greene, Greg Gisbert, Darren Barrett, Ambrose Akinmusire (tp), Jason Jackson, Vincent Chandler, Saunders Sermons (tb), Max Seigel (b-tb),Bruce Williams, Justin Robinson (sa, fl), Norbert Stachel, Keith Loftis (st), Jason Marshall (sbar), Gerald Clayton (pi), Saul Rubin (gt), Danton Boller (bx), Montez Coleman (bat) e Roland Guerrero (perc)
MAMBO FOR ROY
(Chucho Valdés)
Hollywood, CA, 17/junho/2008
JAY JAY JOHNSON
J.J. Johnson (tb), Wynton Kelly (pi) Charles Mingus (bx), Kenny Clarke (bat) e Sabu Martinez (cga)
COFFEE POT
(J.J. Johnson)
Hackensack, N.J., 24/setembro/1954
B G
THOMAS FRANCK (st), Carsten Dahl (pi), Lennart Ginman (bx) e Ole Streenberg (bat)
HELLO YOUNG LOVERS (Oscar Hammerstein II / Richard Rodgers)
Copenhagen Jazz Festival 2010 no Copenhagen Jazz House

COLUNA DO MESTRE LOC NO JB MENCIONA CJUBIANO BENÉ-X

Foi do confrade Bené-X a idéia de interessar Duduka nessa trilha pouquíssimo explorada do jazz, a das composições, arranjos e interpretações, por músicos estrangeiros - majoritariamente mas não exclusivamente norte-americanos - de temas baseados ou inspirados na música ou na repercussão nesses, de aspectos da cultura brasileira. O fato é que Duduka não apenas gostou e encampou a sacada e o resultado está expresso nesse álbum. E Duduka fez questão de mencionar nas liner notes esse reconhecimento a seu amigo David Benechis.


O Jive samba de Duduka Da Fonseca

por Luiz Orlando Carneiro em 9/5/15


"Jive samba é o título do mais recente CD do carioca Duduka Da Fonseca, mestre da bateria de renome internacional, radicado em Nova York desde 1975. Recém-editado pelo selo Zoho, o disco foi gravado no Rio de Janeiro, em abril do ano passado, por um trio integrado por dois outros excelentes músicos brasileiros, muito afinados com o líder no balanço do samba jazz: o pianista David Feldman e o baixista Guto Wirtti.

Duduka firmou o seu prestígio lá fora, como arauto do samba jazz (jazz moderno com temática e tempero do samba), à frente do Trio da Paz, na companhia dos também émigrés Romero Lubambo (guitarra) e Nilson Matta (baixo). Os três fizeram muito sucesso com os álbuns Black Orpheus (Kokopelli, 1994), Partido out (Malandro Records, 1998), e Café(Malandro, 2002) – este último com a participação do eminente saxofonista Joe Lovano.

Mais recentemente, em 2012, as revistas e site especializados deram especial destaque a Samba jazz-Jazz samba, registro da etiqueta Anzic de um quinteto comandado pelo baterista, tendo como parceiros a aclamada clarinetista-saxofonista Anat Cohen e os brasileiros também novaiorquinos Hélio Alves (piano), Guilhrme Monteiro (guitarra) e Leonardo Cioglia (baixo).

Agora, em Jive samba, Duduka volta a atuar em trio – sua formação favorita – mas a partir de uma nova concepção temática, assim descrita pelo produtor Todd Barkan, nas notas do próprio CD:

“A ideia fundamental deste projeto especial germinou a partir de uma conversa entre Duduka e o seu amigo David Benechis (um advogado e escritor brasileiro) há muitos anos, quando Duduka estava de visita à cidade natal, o Rio de Janeiro: interpretações mágicas de composições inspiradas na música brasileira de grandes compositores jazzísticos americanos tais como Keith Jarrett, Joe Henderson, Clare Fischer e John Scofield”.

Duduka da Fonseca acrescenta: “Cresci ouvindo intensivamente – e aprendendo – a obra de caras como Wayne Shorter, McCoy Tyner, Herbie Hancock, Chick Corea e outros ícones do jazz americano. E, em matéria de música, tem sido uma das experiências mais gratificantes da minha vida ver e ouvir o quanto muitos desse Gigantes foram profundamente influenciados artisticamente pela música e pela cultura brasileiras”.

Assim é que o trio Duduka-Feldman-Wirtti interpreta, em interação contínua – mesmo nos momentos de solos propriamente ditos – 10 peças assinadas por 10 músicos excepcionais que enriqueceram a discografia jazzística, marcadamente nas décadas de 60 e 70.

Estas composições e seus respectivos autores são: Jive samba (4m30), de Nat Adderley; Lucky Southern (5m10), Keith Jarrett; Sco's Bossa (6m40), John Scofield; Recorda me (5m05), Joe Henderson; Peresina (6m45), McCoy Tyner; Clouds(6m35), Kenny Barron; Pensativa (6m), Clare Fischer; Speak like a child (4m25), Herbie Hancock; El gaucho (4m10), Wayne Shorter; Samba Yantra (4m35), Chick Corea.


Como se pode ver, um menu muito atraente preparado e executado por um trio que, ainda segundo Todd Barkan, se tornou, nos últimos cinco anos, “um dos mais engenhosos e coesos conjuntos desse tipo, em termos harmônicos e rítmicos”."

Série   PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
11ª Parte

 (14)       JOE  ZAWINUL   -   Austríaco multi-instrumentista   (Resenha longa)
 
 
Josef Zawinul, JOE ZAWINUL, pianista, tecladista, vibrafonista, organista, guitarrista, clarinetista, trumpetista e compositor nasceu em Viena / Austria no dia 07 de julho de 1932, vindo a falecer em sua terra natal aos 75 anos no dia 11 de setembro de 2007.      Ao falecer já era cidadão norte-americano após chegar nos U.S.A. com 27 anos (em 1959), em função de bolsa para matricular-se na “Berklee School Of Music” de Boston.
Sua infância transcorreu em uma  granja nos arredores de Viena, desde muito cedo tocando clarinete.    Aos 06 anos de idade ZAWINUL ganhou um acordeão e de forma auto-didata nele praticou até os 07 anos.
Com 08 anos ingressou no Conservatório de Viena e dedicou-se ao estudo da música clássica, do violino e do piano;  como a família não possuía piano o garoto não tinha como praticar em casa, passando a estudar também o trumpete e o vibrafone.
Com 12 anos e  em 1944 ZAWINUL e sua família sairam de Viena para escapar dos bombardeios alemães, mudando-se para a Checoslováquia onde viveram muitos anos e onde o jovem passou a estudar piano diariamente, com afinco.
Terminada a IIª Guerra Mundial o jovem e sua família retornaram a Viena;  a partir de então ZAWINUL passa a interessar-se  pelo JAZZ, muito em decorrência de ter assistido 24 vezes ao filme “Stormy Weather” (produção de 1943, direção de Andrew Stone, participações de Nat “King” Cole, Benny Carter, Lena Horne, “Fats” Waller, Cab Calloway e outros músicos). 
ZAWINUL passa a fazer parte de pequeno conjunto musical que se apresenta em festas e bailes, até que em 1952 integra a banda do saxofonista Hans Koller e conhece Friedrich Gulda no “Hot Club” de Viena.
Em 1953 teve a oportunidade de escutar Lester Young (temporada do “Jazz At The Phillarmonic” em Munique).    Em 1954 une-se ao grupo de Horst Winter e  de 1954 a 1956 vai para a orquestra de Johannes Fehring (“Fatty George Two-Sound Band”) onde é destaque no piano, no trumpete, no vibrafone e como arranjador, chegando também a exibir-se em trio nas bases militares na Europa.
Nesse intervalo, em 1955, Friedrich Gulda que havia regressado dos U.S.A. com o encargo de uma emissora de rádio, cede parte desse encargo a ZAWINUL;   este cumpre com sua parte.  Em 1957 e já desligado do grupo de Johannes Fehring ZAWINUL monta seu primeiro grupo, ao lado ao do clarinetista, saxofonista-tenor e pianista Karl Drevo.
Por essa época ele conhece o “Hammond B-3” e passa a praticá-lo.
Em 1959 e como já citado anteriormente ZAWINUL vai para os U.S.A. e ingressa na “Berklee” em Boston.
Imediatamente chegando aos U.S.A. via New York ele percorre diversos clubes noturnos e conhece a Louis Hayes, a Babs Gonzales e a Wilbur Ware.
Rumando para Boston ele causa excelente impressão em muitos colegas “estudantes”, assim como em Charlie Mariano e em Jimmy Zito (trumpetista);  com eles participa em “jam-sessions”.
Por feliz coincidência o então proprietário do  “Storyville”, George Wein, recorre à escola em busca de um pianista para compor o trio de Ella Fitzgerald, já que o titular estava enfermo;    ZAWINUL é o indicado e ao lado de Jake Hanna e Gene Cherico dá conta do recado.
Jake Hanna, entusiasmado com ZAWINUL recomenda a Maynard Ferguson que o contrate, o que rendeu ao pianista uma temporada de 03 meses.
Inicia-se uma combinação com Slide Hampton para a execução de arranjos, cresce o grupo com a chegada de Wayne Shorter, amplia-se com os trompetistas Bill Chase, Don Ellis e Richard Wiliams.     A grande Dinah Washington retira-se da banda de  Maynard Ferguson e convida ZAWINUL para acompanhá-la em apresentação no “Village Vanguard”, onde é visto e ouvido por Miles Davis, que o convida para gravar a partir de 1959;  ZAWINUL recusa o convite e permanece com Dinah até 1961.
Atua por 01 mês com Harry Edson, depois acompanha Joe Williams e logo após passa a  integrar o grupo do grande Julian “Cannonball” Adderley, com quem permanecerá até  1970.    Em 1966 e durante  sua permanência com “Cannonball” ZAWINUL foi membro de um corpo de jurados em Viena, ocasião em que gravou “Concerto para dois pianos e orquestra” ao lado do autor, Friedrich Gulda;    gravou em 1967 “Mercy, Mercy, Mercy” (piano elétrico).
Passa a gravar com diversos músicos de ponta, citando-se Coleman Hawkins, Ben Webster, Yousef Lateef, Clark Terry, Oliver Nelson, Ernie Wilkins, Joe Jones, Victor Feldman, Charlie Rouse, Jimmy Forrest, Roy Haynes, Philly Joe Jones, Thad Jones, Curtis Fuller, J.J.Johnson entre outros.
ZAWINUL atua como “sideman” no grupo de Miles Davis em 1968, então contando  com Wayne Shorter;   também é o compositor para “Bitches Breew”, “Big  Fun” e “Live-Evil”.
Com temas e arranjos de William Fischer ZAWINUL grava “The Rise And Fall Of The Third Stream”.
1971 é o ano em que ZAWINUL grava o álbum “Zawinul”, em grupo no qual se encontram Wayne Shorter e Jack DeJohnette.
Logo após e com Wayne Shorter cria o grupo “Weather Report” com Miroslav Vitous, Alphonse Mouzon e Airto Moreira, mantendo a união e as experiências do grupo por 14 anos, até que em 1985 a associação com Wayne se desfaz, assim como o “Report”.
A partir de 1986 ZAWINUL apresenta-se em excursão-solo, devidamente acompanhado por sua parafernália:  “ARP 2600”, “Propher V. Korg”, “Vocoder” mais instrumentos eletrônicos de percussão.
Nova excursão, agora pelo mundo, com o grupo intitulado “Weather Update” (com Peter Erskine, Robert Thomas Jr., Steve Khan e Victor Bailey).
ZAWINUL sai da cena discográfica por 02 anos, atuando com Gulda e Chick Corea, retornando às gravações em 1988 com seu grupo “Zawinul Syndicate” (Scott Henderson, Abraham Laboriel, Alex Acuña, Cornell Rochester e Mr. Mister e as Perry Sisters) e lançando o álbum “The Immigrants”.
Lançando-se aos teclados eletrônicos na década de 1970 ZAWINUL foi um experimentador de sons, de conceitos sonoros, de sonoridades exóticas, até tornar usual a utilização de eletrônicos.
Além das gravações citadas anteriormente, ZAWINUL está presente em “Scotch And Water” (de 1962 sob a titularidade de  “Cannonball” Adderley), “In A Silent Way” (comando de Miles Davis, 1969), “Birdland” (de 1977 com o “Weather Report”), “Update” (1986) e “Dialects” (1985).
Prosseguiremos  nos  próximos  dias

11 maio 2015

9 CDs DE LOUIS ARMSTRONG

 

TEAGARDEN , ARMSTRONG E BIGARD







Está à venda uma coleção do selo Mosaic,  em caixa de luxo com 9 CDs de gravações de Louis Armstrong entre 1947 e 1958 em performances ao vivo. Os discos foram originalmente lançados pela RCA Victor e Columbia.
Também é esperado o lançamento de quatro álbuns com apresentações completas de Louis Armstrong e seus All Stars em Newport, nos festivais de 1956 e de 1958.
A coleção contém mais de 160 faixas e começa com um lendário concerto no Town Hall em Nova York (1947), mas também acrescenta a gravação obtida no famoso Carnegie Hall no mesmo ano, tal gravação tinha sido armazenada rotulada de forma errada por décadas até que foi descoberta recentemente.
Nestas gravações aparecem alguns dos grandes mestres que tocaram com Satchmo durante esses anos, incluindo Jack Teagarden, Barney Bigard, Arvell Shaw, Peanuts Hucko, Dick Cary, George Wetting  e outros.

(Adaptado do blog Noticias de Jazz de Pablo Aguirre)

08 maio 2015

COLUNAS ATRASADAS DO MESTRE LOC

Steve Turre: 'Spiritman'

Por Luiz Orlando Carneiro, em 25/04/15


"Steve Turre, 66 anos, e Wycliffe Gordon, 47, são considerados pela crítica especializada os mais técnicos e criativos trombonistas pós-bop, no mesmo nível de excelência de mestres J.J. Johnson, Kai Winding e Frank Rosolino, que iluminaram o planeta Jazz nas décadas de 50, 60 e 70.

Mas o primeiro mentor de Steve Turre não foi um trombonista. Quando ele tinha menos de 20 anos, e já tocava razoavelmente bem o trombone de vara, ficou fascinado com a arte fora de série do saxofonista cego Rahsaan Roland Kirk (1936-77) que, como escreveu Joachim Ernst Berendt, “tinha todos os atributos de um selvagem e inculto músico de rua aliados à sutileza de um jazzman moderno”.

Em maio de 2004, o então já famoso trombonista homenageou o seu ídolo no CD The spirits up above (HighNote), à frente de um sexteto de luxo integrado pelos saxofonistas James Carter (tenor) e Vincent Herring (alto), recriando oito originais de Kirk. Antes disso, em 1999, Turre gravou o álbum In the spur of the moment (Telarc) – um best seller dividido em três partes (“The blues in jazz”, “Modern and modal” e “Afro-Cuban sounds”), com três estrelas do piano em cada um dos estilos: Ray Charles, Stephen Scott e Chucho Valdés, respectivamente.

Steve Turre reaparece agora em Spiritman (Smoke Sessions), disco gravado em junho do ano passado, com uma seleção de 10 faixas em que interpreta – no comando de um quinteto – cinco composições de sua lavra, mais Peace (7m50), de Horace Silver, e quatro standards: Lover man (6m25), de Ram Ramirez; 'S wonderful (5m30), dos irmãos Gershwin; With a song in my heart (6m15), de Hart e Rogers; It's too late now (9m25), uma balada bem lenta de J. Fred Coots, autor da muito mais conhecida You go to my head.

As peças assinadas pelo trombonista são: BU (6m35), tributo ao lendário baterista Art Blakey, que adotava o sobrenome muçulmano de Buhaina (“Bu” para os íntimos); Funky thing (7m50), que é exatamente isto; Nanga def (5m45), que significa “como vai você?” em senegalês, e é africanizada pelas congas de Chembo Corniel; Spiritman/All blues (9m05), uma incrível reinvenção do All blues de Miles Davis, com Turre trocando o trombone por búzios (conch shells) – “instrumentos” que ele “toca” como ninguém, principalmente quando os sopra sobre as cordas do piano, com o som amplificado pelo pedal.

Ou seja, um cardápio bem variado, incluindo baladas, temas bluesy, funky e hardbop.

Os sidemen de Steve Turre são o sax alto Bruce Williams (sax soprano em BU e na faixa-título), o professor Xavier Davis(Juilliard, Michigan State University) ao piano, Gerald Cannon (baixo) e Willie Jones III (bateria).

Mike Jacobs, da NPR (National Public Radio), anotou, com propriedade, no seu comentário sobre o CD Spiritman: “Todos os músicos estão em ótima forma no disco. Eles seduzem o ouvinte, e transmitem a sensação de que se está no último set de uma noite num clube de Nova York, testemunhando um tipo de química muito especial”.


(Dois minutos de duas faixas de Spiritman podem ser ouvidos em http://steveturre.com/recordings/spiritman/) "


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Três vezes três Antonio Sanchez

por Luiz Orlando Carneiro, em 02/05/15


"O baterista-compositor Antonio Sanchez nasceu há 43 anos no México, e radicou-se em Nova York em 1999, depois de completar sua formação musical em Boston, no Berklee College e no New England Conservatory. Ele mereceu especial destaque na mídia, no início deste ano, por ter assinado e interpretado a trilha sonora de Birdman, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, filme que arrebatou quatro estatuetas na premiação  do Oscar: melhor filme, direção, roteiro original e fotografia.

No palco do jazz, Sanchez é considerado, já há algum tempo, um dos melhores na sua especialidade. É o baterista preferido do guitarrista Pat Metheny, com o qual gravou quatro celebrados CDs editados entre 2008 e 2014 pelo selo Nonesuch: Day Trip, Tokyo Day Trip, Unity Band e Unity Group/Kin.

Como líder, tem no seu currículo dois álbuns - ambos editados pelo selo italiano CAM Jazz - que o credenciam também como relevante compositor: Migration (2007), com os saxofonistas tenores Chris Potter e David Sanchez, mais os ilustres convidados Metheny (duas faixas) e Chick Corea (uma faixa); New life (2012), no qual assina as oito peças do disco, em quinteto com David Binney (sax alto) e Donny McCaslin (sax tenor).

A mais recente peripécia de Antonio Sanchez registrada em estúdio, também pela CAM Jazz, no ano passado, é o excelente CD duplo Three times three.

Três vezes três, no caso, significa não só que a coleção tem um total de nove faixas. Mas também que se trata de três trios integrados pelos seguintes craques: o pianista Brad Mehldau; o guitarrista John Scofield; o saxofonista Joe Lovano; os contrabaixistas (acústicos e/ou elétricos) Christian McBride, John Patitucci e Matt Brewer.

Baterista ouvido em 'Birdman' lança CDs em trios com Mehldau, Lovano e Scofield
Baterista ouvido em 'Birdman' lança CDs em trios com Mehldau, Lovano e Scofield
O primeiro CD apresenta o trio com o incomparável Mehldau e Brewer (baixo acústico), em originais do líder Sanchez, desenvolvidos em longas improvisações, ricas em troca de ideias e confabulações: Nar-this (12m30), tema inspirado emNardis, de Miles Davis; Constellations (13m50), com tratamento extrovertido, às vezes rockish; a balada Big dream (8m10).

No segundo volume, a atmosfera é bem diferente, sujeita a “descargas” elétricas da guitarra de Scofield e do baixo plugado de McBride, principalmente em Nook and crannies (8m45). Nas duas outras peças deste trio, o clima é bem mais ameno em Fall (8m30), tema de Wayne Shorter, e harmonicamente bop em Rooney and Vinski (6m20), com McBride no baixo acústico.

Nas últimas três peças do segundo CD, o líder Sanchez, o magistral saxofonista tenor Joe Lovano e o contrabaixista John Patitucci formam um trio que os franceses chamariam de sans pareil. Eles interpretam mais duas composições do baterista – a turbulenta Leviathan (8m55), que decola depois de uma lenta abertura, e a envolvente Firenze (8m30), em moderato cantabile – e concluem o programa com uma dissecação temática de I mean you (7m50), de Thelonious Monk.

Antonio Sanchez assim explica a sua concepção de trio e do álbum duplo Three times three:

“Para mim, o trio é o veículo ideal no jazz. Tem tudo o que você precisa para fazer a música soar forte, viçosa e cheia, e também para soar de modo esparso, minimalista e aberto. Toquei durante anos numa penca de grandes trios que me inspiraram a escrever para todas essas três configurações diferentes. Além disso, compor especificamente para vozes individuais tão fortes foi um desafio muito interessante e divertido”. 

(Samples das nove faixas deste CD duplo podem ser ouvidos em

http://rippletunes.com/album/Antonio-Sanchez/Three-Times-Three/918042524/t0) "