Aqui você vai encontrar as ultimas novidades sobre o panorama nacional e internacional do Jazz e da Bossa Nova, além de recomendações e críticas sobre o que anda acontecendo, escritas por um time de aficionados por esses estilos musicais. E que tem preferência por charutos e o uísque como excelentes companhias para as suas audições.
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JIMMY YANCEY............................................................NATTY DOMINIQUE..............................................FRANK TESCHEMACHER
Série dedicada a LPs reeditados digitalmente em computador.
ÁLBUM: HISTORY OF CLASSIC JAZZ – RIVERSIDE (RLP 12-1131- 1956)
Selecionamos do volume V – Boogie Woogie: O Boogie é uma variação pianística do Blues originada no início do século 20 que se tornou muito popular na década de 30 ultrapassando os limites do piano para ser reproduzido até por orquestras inteiras. Nesta coleção 5 faixas foram gravadas por exímios pianistas de Boogie e escolhemos um dos clássicos do repertório ― The Fives da dupla texana George & Hersal Thomas publicado em 1922 e executado pelo excelente Jimmy Yancey (1898 -1951) um dos mais autênticos intérpretes dos Blues e boogies ao piano. Do volume VI – South Side Chicago: South Side representa para Chicago o que o Harlem é para New York, um bairro negro e o Jazz ali executado pertenceu ao estilo levado àquela cidade pelos músicos negros de New Orleans na debandada de Storyville a partir de 1917. O que escolhemos deste álbum foi o que se pode chamar de estilo low down, ou seja expressão usada como gíria pelos negros cantores e instrumentistas de Blues significando interpretar uma canção de maneira lenta, desanimada quase desprezível, no caso magnificamente alcançada pelo trompete assurdinado de Dominique e o "chalumeau" de Jimmy O'Bryant. O tema com título irônico é ― Mama Stayed Out the Whole Night Long (But Mama Didn't Do No Wrong) ― "mamãe passou a noite toda fora, mas não fez nada de errado". Do volume VII – Chicago: Bem, se os negros em Chicago tiveram seu estilo os músicos brancos de lá também adotaram a hot-music criando um o qual foi denominado de Dixieland. O que escolhemos foi China Boy um clássico dixie. O grupo é liderado por Charles Pierce pouco conhecido, um saxofonista amador com profissão de açougueiro. Pierce tocava saxofone alto e tenor e de 1927 a 30 liderou pequenos grupos para gravações em Chicago. O conjunto tem boa sustentação garantida pelo trompete de Spanier e pelo clarinete de Teschemacher. A parte rítimca conta com Muller no estilo slap bass, literalmente bofetada ou tapa e vem nomear um velho estilo dos contrabaixistas de Jazz que usavam percutir as cordas na madeira do instrumento quase que estapeando-as, ou seja exagerando no pizzicato. É um estilo surgido em New Orleans a partir do trabalho desenvolvido por Bill Johnson e muito bem empregado por Mueller. 1. THE FIVES (George & Hersal Thomas) – JIMMY YANCEY - piano solo Gravação original (Solo Art 12008 – mx R2418) – 4/maio/1939 – Chicago 2. MAMA STAYED OUT (Daniel Wilson / Andy Razaf) – BARRELHOUSE FIVE – Natty Dominique (tp), Jimmy O'Bryant (cl), Jimmy Blythe (pi) e Jasper Taylor (bat). Gravação original (Paramount 12851 – mx 1515) – março /1928 – Chicago 3. CHINA BOY (Dick Winfree / Phil Boutelje) - CHARLES PIERCE ORCHESTRA – Muggsy Spanier e Dick Feige cornets, Frank Teschemacher (cl), Ralph Rudder (st), Charlie Pierce (sa), Danny Lipscomb (pi), Stuart Branch (gt), Johnny Mueller (bx) e Paul Kettler (bat). Gravação original (Paramount 12619 – mx 20399-1) – fevereiro / 1928 – Chicago
Saiu o resultado da Downbeat. Mais uma vez o grande vencedor foi SonnyRollins e alguns resultados são questionáveis. Vejam os 3 mais votados por categoria.
Hall da Fama : Freddie Hubbard - Chick Corea - B.B.King. Artista do Ano : Sonny Rollins - Herbie Hancock - Chick Corea. Gravadora : Blue Note - ECM - Verve.
Disco do Ano : Road Show Vol.1 / Sonny Rollins - Earfood / Roy Hargrove - Pass it On / Dave Holland. Disco Histórico : Kind Of Blue 50th Anniv.Edition / Miles Davis - Sunday at The Village Vanguard / Bill Evans - The Anthology / Return to Forever.
Grupo : Pat Metheny Trio - Keith Jarrett Trio - Branford Marsalis Quartet. Big Band : Maria Schneider - Count Basie - Mingus Big Band. Compositor : Wayne Shorter - Maria Schneider - Dave Brubeck. Cantor : Kurt Elling - Tony Bennett - Bobby McFerrin. Cantora : Diana Krall - Cassandra Wilson - Ithamara Koorax.
Trumpete : Wynton Marsalis - Roy Hargrove - Dave Douglas. Trombone : Robin Eubanks - Wycliffe Gordon - Steve Turre. Sax Barítono : James Carter - Gary Smulyan - Ronnie Cuber. Sax Tenor : Sonny Rollins - Wayne Shorter - Joe Lovano. Sax Alto : Kenny Garrett - Phil Woods - Ornette Coleman. Sax Soprano : Wayne Shorter - Branford Marsalis - Dave Liebman. Clarinete : Paquito D'Rivera - Don Byron - Anat Cohen. Flauta : Hubert Laws - James Moody - Charles Lloyd.
Piano : Herbie Hancock - Keith Jarrett - Brad Mehldau. Teclados : Chick Corea - Herbie Hancock - Lyle Mays. Órgão : Joey DeFrancesco - Dr.Lonnie Smith - Larry Goldings. Baixo Acústico : Christian McBride - Ron Carter - Dave Holland. Baixo Elétrico : Stanley Clarke - Christian McBride - Steve Swallow. Guitarra : Pat Metheny - Bill Frisell - John McLaughlin. Vibrafone : Gary Burton - Bobby Hutcherson - Stefon Harris. Bateria : Jack DeJohnette - Roy Haines - Brian Blade. Percussão : Poncho Sanchez - Airto Moreira - Zakir Hussain. Miscelânea : Bela Fleck (Banjo) - Toos Thielemans (Gaita) - Regina Carter (Violino).
JOHNNY GRIFFIN “Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?
(A) BIOGRAFIA - 3ª PARTE, FINAL Com 72 anos e em Paris, nos dias 28, 29 e 30 de maio de 2000, Johnny Griffin grava ao lado de Steve Grossman, para a etiqueta “Dreyfus Jazz”. Volta a gravar com Steve Grossman em quinteto, para o selo Dreyfus. Em 2003 é lançado o album “Johnny Griffin & The Great Danes”, com Griffin coadjuvado por músicos da Europa Central. Pela Riverside e em 2004, o duo Johnny Griffin e Eddie “Lockjaw” Davis grava o antológico album: “Pisces”. São clássicos do JAZZ e do populário levados a improvisações estonteantes, com belas releituras = “Midnight Sun”, “Willow Weep For Me”, “Yesterdays” e “Sophisticated Lady”, entre outros, integram essa gravação “top”. Uma preciosidade é a gravação de 2007, selo JVC, “Left Alone: For Billie Holiday”. Johnny Griffin compôs, tocou e gravou até praticamente seu falecimento, motivado por súbito ataque cardíaco: era pessoa respeitada e querida por seus vizinhos, na calma cidade interiorana de Mauprevior / França. “Philips”, “EmArcy”, “Atlantic”, “Mythic Sound”, “Esoldun”, “Philology”, “Green Line”, “Polydor”, “Black Lion”, “Trio”, “Prestige”, “MPS/BASF”, “Columbia”, “Muse”, “Unique Jazz”, “Affinity”, “Heart Note”, “Campi”, “Moon”, “Holiden”, “Lotus”, “Vogue”, “VeraBra Records”, “Supraphon”, “America”, “Jugoton”, “SteepleChase”, “Horo”, “Pablo”, “Fantasy”, “Timeless”, “Hvhaast”, “Telefunken”, “Four Leaf Clove”, “Galaxy”, “Jeton”, “MCA”, “DECCA”, “Uptown”, “Mediartis”, “Elektra/Musician”, “Amigo”, “Blue Note”, “Sonet”, “Alfa Jazz”, “Orange Blue”, “Who’s Who In Jazz”, “Verve”, “Antilles”, “Dreyfus Jazz”, são alguns dos selos que registraram e distribuiram gravações de Johnny Griffin, num quase interminável caleidoscópio de marcas para a totalidade da música gravada do “Little Giant”. Johnny Griffin foi saxofonista de lirismo bem incisivo, com som elegante, cálido e ainda assim com acentuada dose de “acidez”, fogoso e brilhante O “Little Giant” foi executante de tessitura plena de contrastes, suportada por uma técnica altamente superior à média dos tenoristas, que nos faz descobrir toda a dimensão da sonoridade do sax.tenor. Uma “tentativa” de descrição de seus solos, pode basear-se em que ataca as notas por baixo ou de acordo com sua inspiração do momento, mudando frequentemente de registro, mas com permanente precisão nos agudos, registro que prefere; vai “moendo” as frases em improvisações densas, inventando-as e reinventando-as, em um discurso sempre coerente e com soberba técnica de respiração que lhe permite encadeá-las em legatos, nos tempos ultra-rápidos que é capaz de intercalar mesmo nas baladas mais lentas e nos “blues”. Seu duo com Eddie “Lockjaw” Davis resgatou, em certa medida, o espírito das “chases” de palhetas no esplendor de Kansas nos anos 30 e 40 do século passado, duelos de tradição projetados posteriormente por “Dexter Gordon X Wardell Gray” e “Sonny Stitt X Gene Ammons”. O crítico Ralph J. Gleason declara que “....Johnny Griffin, inquestionavelmente toca mais rápido que qualquer outro músico vivo; mas ele joga com essa velocidade “gerenciando” seu sopro por mais tempo do que normalmente seria considerado possível, sendo capaz de produzir intermináveis choruses....”. Segundo Gérald Arnaud e Jacques Chesnel (“OS GRANDES CRIADORES DO JAZZ”, 1ª Edição, 1989, tradução de original francês de 1985, Portugal, página 118), Johnny Griffin “.....saltando de uma oitava para outra, vindimando os seus cachos de tercinas num tempo infernal, utiliza na totalidade uma paleta expressionista com uma generosidade por vezes um pouco prolixa, mas de uma eficiência incomparável.....”. Sérgio Karam em seu “Guia do Jazz” (L&PM Editores, 1993, página 128) define Johnny Griffin como “.....um sax.tenor na melhor tradição do hard bop. Considerado um dos saxofonistas mais hábeis em tempos rápidos, sua imaginação melódica está à altura desse extraordijnário domínio técnico do instrumento....” Johnny Griffin sempre acreditou que “tocar para o público” (essencial) e “gravar em estúdio” (condição comercial) constituiam a mais elaborada universidade para o JAZZ: “....os músicos de hoje saem das universidades, de Berkeley, conhecedores de um mundo fantástico de técnicas e habilidades para ler e para praticar; quando me profissionalizei, mesmo sendo músico, aprendí com Eddie “Lockjaw” Davis, Dexter Gordon, Wardell Gray, gente que me ensinou JAZZ - que não se aprende na escola - mas tocando em público, na rua, em praças, em clubes esfumaçados, em “big.bands”, interagindo com outros músicos, com uma audiência que te crie personalidade musical e te faça criar, que te faça sair para fora de tí mesmo pelas vibrações que emite; prefiro ver pessoas a ver microfones em estúdios de gravação; os jovens saem da escola de música instruidos da mesma maneira, com um “padrão”, o que não é bom para eles e nem para o JAZZ; a situação deles se torna ainda mais restrita, porque atualmente os espaços para viver o JAZZ foram rareando, já que quando fui para a Europa em 1963 tínhamos clubes do Harlem até o Brooklin, enquanto que hoje são 04 ou 05 clubes, o que significa que esse músicos tecnicamente maravilhosos não têm onde tocar, o que é uma pena....” Sem concessões comerciais e como músico de JAZZ na mais perfeita acepção do gênero, Johnny Griffin, o “Little Giant”, o “Jazz Giant”, é citado em mais de 100 (cem) obras escritas sobre o JAZZ - enciclopédias, biografias etc – deixando-nos extenso e precioso legado da mais alta qualidade que, com certeza, atravessará gerações culturais.
Segue em (B) BIBLIOGRAFIA, (C) FILMOGRAFIA e (D) DISCOGRAFIA
Esta série apresenta trechos de concertos de Dixieland Jazz produzidos por Ernest Anderson e dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall na cidade de New York em transmissões pela National Broadcasting Corporation Radio – Blue Network Broadcast Series. Esta primeira apresentação realizou-se em 16 de dezembro de 1944 abrindo o concerto o tradicional do repertório dixie - Ballin' The Jack (Chris Smith / James Henriy Burris) com solos de Kaminsky ao trompete, do grande trombonista Jack Teagarden, de Pee Wee Russel o excelente clarinete cativo desses grupos de Condon, do saxofonista barítono Ernie Caceres e do piano de Schroeder. Eddie Condon anuncia então a clássica balada There's A Small Hotel (Lorenz Hart / Richard Rodgers) veículo para magnífico solo do cornetista Bobby Hackett e do pianista Schroeder com arranjo de Dick Cary. O grupo completo que atua é formado por: Eddie Condon (gt e lider), Max Kaminsky e Dick Cary (tp), Bobby Hackett (cornet), Jack Teagarden (tb), Ernie Caceres (sax bar), Eugene Schroeder (pi), Pee Wee Russel (cl), Sid Weiss (bx) e Johnny Blowers (bat). Gravação: 16/dezembro/1944 – New York City.
Segue-se o concerto de 23/dez/1944 com o anúncio de Ja-Da (Ja Da, Ja Da, Jing, Jing, Jing!) canção escrita em 1918 por Bob Carleton, destacando-se novamente Bobby Hacket ao cornet e o terno barítono de Caceres. Finalizando - On The Sunny Side Of The Street (Doroty Fields / Jimmy McHugh) destacando-se o trompetista e vocalista Wingy Manone natural de New Orleans.
Nesta audição o grupo era formado por: Eddie Condon (gt e lider), Max Kaminsky (tp) e Wingy Manone (tp e vocal), Bobby Hackett (cornet), Jack Teagarden (tb), Ernie Caceres (sax bar), Jess Stacy (pi), Pee Wee Russel (cl), Bob Casey (bx) e George Wettling (bat). Gravação: 23/dezembro/1944 – New York City
Mais uma informação de Mestre Raffa que passo ao plenário cejubiano. Foi a morte do pianista, arranjador, compositor e homem de disco, Dick Katz aos 85 anos, ocorrida em 12 de novembro. Da biografia de Katz recolhemos alguns dados importantes. Seus ídolos no piano fazem parte da realeza, Art Tatum, Teddy Wilson e Fats Waller, talvez por isso ele conhecia e tocava bem do “stride” até às formas modernas dos anos oitenta . Em sua parte discográfica tem destaques na participação dos excelentes álbuns “Further Definitions” de Benny Carter e “The feeling is mutual” de Helen Merrill . Antes, nos anos cinqüenta, atuou em trio no “Café Bohemia” em West Village com Oscar Pettiford e Kenny Clarke . Tocou no conjunto de Kay Winding e J.J.Johnson e também integrou o grupo “The Jazz Prophets” do trompetista Kenny Dorham. Em 1966 fundou com o veterano Orrin Keepnews o selo “Milestone” onde gravaram expoentes do Jazz. Sem pouca o nenhuma divulgação de seus trabalhos entre nós, Dick Katz deixou marcas relevantes em sua longa careira.RIP
JOHNNY GRIFFIN “Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?
(A) BIOGRAFIA - 2ª PARTE No final de 1958 Griffin retornou a Chicago onde passou a trabalhar em clubes e teatros, viajando de tempos em tempos para New York, sómente quando era requisitado para gravações. Com o grupo do baixista Wilbur Ware para o selo Riverside, como titular em gravações ao lado de Sonny Clark, de Donald Byrd, de Pepper Adams, de Kenny Drew, como “sideman” em formações de Thelonius Monk, Babs Gonzales, Philly Joe Jones, Chet Baker, Nat Adderley, Blue Mitchell, Randy Weston, Machito e Ira Sullivan, em duo com Bud Powell, assim como no contexto de “big.band” em que pontuou como líder (Clark Terry e Bob Bryant nos trumpetes, Matthew Gee e Julian Priester aos trombones, Pat Patrick, Edwin Williams e Charles Davis nas palhetas, Harold Mabern e Bobby Timmons no piano, Bob Cranshaw no baixo e Charlie Persip à bateria), Griffin se apresentou e gravou até 1960. No período de 1960 até fevereiro de 1962 formou um grupo com destaque para seu duo de saxes.tenor com Eddie “Lockjaw” Davis, o que rendeu 08 discos para as etiquetas Fantasy, Jazzland e Prestige, gravados em 10 sessões e/ou ao vivo (04 delas diretamente do “Minton’s Playhouse”, New York, em 06 de janeiro de 1961), com participações de Junior Mance, Ben Riley, Horace Parlan e Art Taylor. Também nesse espaço de tempo Griffin atuou e gravou no quinteto do trombonista Bennie Green, com formação liderada pelo vocalista Eddie Jefferson, assim como em grupos que ele mesmo liderou (quartetos, quintetos e “big.band” com sessão de cordas = 03 violinos e 02 violoncelos, em julho de 1961). 1962 foi repleto de “grandes encontros" para Johnny Griffin, que gravou com a orquestra “all stars” de Tadd Dameron, com o quinteto de Wes Montgomery e com o grande Clark Terry em quinteto. Tambem nesse ano de 1962 e com a idade de 34 anos Johnny Griffin deixa os U.S.A. e reside por breve período na Europa; em março de 1963 retornou por período ainda mais curto aos U.S.A., para logo depois mudar-se definitivamente para a Europa. Griffin havia sido muito bem recebido pelo público e pela crítica da Europa na primeira breve estada e, além disso, no curto retorno aos U.S.A. teve problemas com o governo, com a família e com o fisco americano. Somando-se a esses “problemas”, o cenário musical do Jazz apontava para o “free”, muito propagandeados pelos críticos americanos, o que em definitivo desgostou Griffin.
Na época ele dirigiu-se à Riverside para gravar, mas os dirigentes disseram-lhe que deveria primeiramente promover seus discos na Europa, o que levou Griffin à mudança permanente para o Velho Continente, onde sentiu-se livre, sem pressões das gravadoras e sem a sombra do racismo. Lá deparou-se com a realidade de que muitos e muitos músicos de JAZZ o haviam precedido e viviam, e muito bem, na Europa: Bud Powell e Kenny Drew lá estavam, Kenny Clarke, Dexter Gordon, Sahib Shihab, Idrees Sulieman, Memphis Slim e outros. Art Taylor também chegou à Europa no mesmo ano e pouco depois de Griffin.
Griffin apresentou-se durante 06 meses no “Blue Note” de Paris, abrindo as portas para toda a França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Espanha, Inglaterra e toda a Escandinávia. Em 1964 Johnny Griffin apresentou-se e gravou em Colônia, em Hamburgo e em Recklinghausen na Alemanha, assim como fez temporada e gravou em direto na França com Bud Powell (no “La Belle Escale”, hotel-restaurante na pequena Edenville, em agosto). Durante 1965 apresenta-se no “Theatre Des Champs-Elysees” de Paris, seguindo depois para Hamburgo; essas apresentações e gravações são realizadas ao lado de Wes Montgomery. Em julho desse ano fez parte de gravação com a banda do grande contrabaixista francês Pierre Michelot. Itália, França, Suiça, Alemanha, Inglaterra, Dinamarca e Espanha (para frequentes apresentações e gravações com Tete Montoliu), constaram então do périplo europeu de Griffin, que estabeleceu-se na França em 1966 e na Holanda a partir de 1970 (onde casou-se com Miriam, holandesa), comprou uma granja e passou a residir até, finalmente, radicar-se definitivamente no interior da França, em Mauprevior (a cerca de 400 quilômetros de Paris). 1967 é o ano em que Griffin integra a “big.band” de “Kenny Clarke / Francis Boland” para apresentações em Colônia/Alemanha e Praga/Checoslováquia, até pouco depois do 1º semestre. Na 2ª parte desse ano Griffin alinha ao lado de Thelonius Monk = Roterdam/Holanda, Berlim/Alemanha e Paris/França são os palcos desses músicos, sempre com gravações ao vivo e sucesso de público e crítica. 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1974 = Colônia, Roma, Londres, Varsóvia, Munique, Copenhague, Dusseldorf = Dexter Gordon, Kenny Clarke/Francy Boland Big Band, Eddie “Lockjaw” Davis, Dizzy Gillespie em sexteto e tantos outros = a vida musical de Johnny Griffin corre em “ceu azul” de respeito público, de temporadas seguidas, de gravações de qualidade, de críticas favoráveis, de saude plena e vida tranquila. No “Festival de Jazz de Montreux” de 1975 Griffin é solicitado por Dizzy Gillespie (“Dizzy Gillespie Big 7”) e Count Basie (“Count Basie Jam”), participando de apresentações e de gravações com esses gigantes, tudo diretamente do “Casino de Montreux”. Ainda nesse ano Griffin desfila seu talento ao lado do “Roy Eldridge 7”, no Festival de Jazz de Antibes. De 1976 (com 48 anos) até 1993 (65 anos) Griffin manteve sua carreira de sucesso europeu e oriental (visitou o Japão em 1976), com saude física e financeira, contracenando com os primeiros nomes do JAZZ, nos melhores palcos de concertos e de festivais, sempre gravando para uma discografia que se tornou mais que centenária. Hanover, Wiesbaden, Tóquio, Dusseldorf, Berlim, Estocolmo, Barcelona, Paris, Bolonha (com Jackie McLean), Genebra, são alguns dos locais que receberam a música do “Little Giant” nesses anos. Em 1977 e em 1984 uniu-se novamente a Eddie “Lockjaw” Davis. Também a partir de 1978 e quase sempre em abril (comemoração de seu aniversário, 01 semana em New York, 01 semana em Chicago e outros compromissos) Griffin esteve presente nos U.S.A. em visitas anuais, tendo oportunidade de tocar e gravar em Berkeley (em 1978 com Nat Adderley, também em 1979 e em 1983), no Carnegie Hall (1978 com Dexter Gordon), no “Atlanta Free Jazz Festival” de 1983 com o “Jimmy Smith 4” e em New Jersey com Philly Joe Jones e nos estúdios da BMG em New York (1990 e 1992).
O grande destaque nessas visitas anuais situa-se em 1985, quando da gravação dos 04 LP’s (também editados em CD e com filme em VHS e DVD) sob o título “The All Stars Messengers At One Night With Blue Note”, em New York e diretamente do “Town Hall”. Em entrevista para a N.Y.Times e perguntado se retornaria aos U.S.A., Griffin afirmou à época que dificilmente o faria, dado que se sentia muito bem onde estava: “estou no paraíso, gosto de comer legumes do meu próprio jardim, as pessoas em torno de mim são boas, na minha sala de música com meu piano, meu sintetizador e meu computador, que são a “minha banda”, posso compor, reproduzir e “ensaiar” o que crio; quando saio para tocar é um verdadeiro “safari”, mas retornar para casa é encantador; ainda faço minhas visitas anuais aos U.S.A., em especial para curtas temporadas semanais ou gravações em Chicago ou Berkeley na Califórnia e New York, mas sempre retorno para meu amado campo francês...”. Na Itália e em 1983 (Orvieto, Teatro Mancinelli, 28 de dezembro), Johnny Griffin tem como grupo o “Roy Hargrove 5” = uma perfeita integração da tradição com a juventude !
12 = JOHNNY GRIFFIN “Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?
INTRODUÇÃO A maior parte do texto seguinte relativo a JOHNNY GRIFFIN está baseada no roteiro que consta da coluna “CANTINHO DO JAZZ”, que mantive no Caderno de Cultura do jornal “Hoje Em Dia”, Belo Horizonte/MG (edição nº 2.084, 27/abril/1994, página 02). Agora evidentemente foram pesquisadas publicações e gravações pós-1994, assim como mais informações sobre esse músico excepcional que, para tristeza de todos nós, veio a falecer no passado dia 25 de julho de 2008, 6ª feira, em Mauprevior, interior da França; havia realizado apresentação na 2ª feira 21 de julho, em Hyeres, também interior da França. (A) BIOGRAFIA - 1ª PARTE Johnny Arnold Griffin III, artisticamente Johnny Griffin, nasceu em Chicago / Illinois, no dia 24 de abril de 1928, vindo a falecer aos 80 anos, vítima de ataque do coração, em Mauprevior / França, em 25 de julho de 2008. Em função de sua gigantesca estatura como músico de JAZZ e de sua reduzida altura física, tornou-se conhecido como o “Little Giant”. Sua mãe era pianista e cantora no coral da igreja local e seu pai cornetista; no lar sempre se ouvia e se executava JAZZ, “gospel” e “spiritual”. Ouvia gravações de “blues” pertencentes a um músico amigo da família, ninguém menos que o grande contrabaixista Milt Hinton, que o levou a ouvir e a executar “blues”, mais ainda se considerarmos o “reforço” da cultura vigente em Chicago desde a década de 20 de século passado, a maior fonte do “blues” clássico. Nesse ambiente musical Griffin cedo demonstrou aptidões, começando a estudar piano aos 06 anos (instrumento que utilizou até os últimos dias de vida para o estudo de harmonias), depois violão havaiano e guitarra (com a qual acompanhava “gospels” e “spirituals” cantados pela mãe na igreja), para em seguida iniciar-se nas lições de clarinete na DuSable High Schol, com o professor Captain Walter Dyett (considerado por Griffin com um grande disciplinador e que influenciou Nat “King” Cole, Gene Ammons, Clifford Jordan e Bennie Green), o que perdurou até seus 13 anos em 1941. Ai aprendeu todos os tipos de clarinetes, de oboé, de trompa, de corno inglês, de sax.alto e de sax.tenor. Aprofundou-se no exercício e na prática do sax.alto, para depois aperfeiçoar-se no tenor. Na festa de formatura na escola em 1941 participou a banda de “King” Kolax, onde tocava sax.tenor Gene Ammons: essa exposição ao tenor de Ammons iluminou a mente de Griffin, levando-o a adotar o instrumento como seu preferido. Inicialmente passou a ouvir Ben Webster, em seguida “estudou” Johnny Hodges, Don Byas, Dexter Gordon, Wardell Gray e Lucky Thompson, sem desprezar outras influências como Charlie Christian e Jimmy Blanton. Mas foi ouvindo Charlie Parker que Johnny Griffin adotou novo estilo de fraseado e novos enfoques para o material harmônico, até cristalizar-se ao longo do tempo como um dos chefes da escola “hard bop”. Já então Griffin se distanciava da “escola texana” da Arnett Cobb (fortemente representada por Illinois Jacquet, que inclui inegáveis impressões digitais do “rhythm & blues”) para, mesmo com suas acentuações agudas, criar sintaxe própria. Já aos 15 anos tocava profissionalmente com T-Bone Walker, nos clubes locais = “DeLisa”, “ElDorado” e outros. Em 1945 e com a tenra idade de 17 anos Griffin ingressou nas fileiras de Lionel Hampton, que tinha como sax.tenor Jay Peters; como este foi convocado para o serviço militar, Hampton recrutou Griffin, que com ele permaneceu até novembro do ano seguinte. Na banda de Hampton e em função da potente “massa” sonora do grupo, Griffin exercitou e adquiriu sua soberba técnica de respiração e sua extrema velocidade de fraseado, mesmo em alto volume, forma adotada para destacar seu volume do “ensemble”. No ano seguinte, 1946, e até novembro Griffin participou de diversas gravações com a “big.band” de Lionel Hampton (os integrantes variaram nesse período), todas para os selos “MCA” e “DECCA”, entre as quais uma em New York, 78rpm, com o vocal de Bing Crosby (titular da gravação); o “carro.chefe” era o lado “A” (“Pinetop’s Boogie Woogie”), mas o sucesso veio com o lado “B”, o clássico “On The Sunny Side Of The Street”, até hoje adotado pelos músicos de JAZZ. A partir daí e até 1949 Griffin atuou e gravou com as bandas de Joe Morris (egresso da banda de Hampton), Tony Mayo (e seus “Boys From New Orleans”), sendo que uma dessas gravações foi titulada pela cantora Wynonie Harris, mas com os mesmos integrantes das outras 02 bandas. No início dos anos 50 do século passado Griffin foi convocado para ir para a Coréia (“Far East Command”), juntamente com mais 07 jovens negros; em função de um show que seria realizado para os oficiais, Griffin foi incorporado à banda do Exército no Hawaí, sendo dispensado de seguir para o front, o que provavelmente lhe salvou a vida já que os demais jovens convocados morreram na Coréia: o mundo ganhou um músico excepcional ! ! !
Sob o comando do tenorista Arnett Cobb com quem havia atuado na formação de Lionel Hampton, Griffin participou de gravação em 1951. Sómente em 1956 (17 de abril) é que Johnny Griffin gravou pela primeira vez como titular, em Hackensack/New Jersey, no estúdio sob a batuta de Rudy Van Gelder (excelência ! ! !) e para o selo Blue Note. Foram 09 temas, reeditados vezes sem conta pela Blue Note, mas originalmente no album “Introducing Johnny Griffin” (“Nice And Easy”, “Lover Man”, “Cherokee”, “It’s All Right With Me”, “The Way You Look Tonight” estão entre esse temas). A partir de 1957 Johnny Griffin passou a integrar o combo de Art Blakey, os “Jazz Messengers” (“ABJM”), com o qual se apresentou e gravou seguidamente, sempre em New York, tendo a oportunidade de atuar ao lado dos trumpetes de Lee Morgan e Bill Hardman, dos trombones de Melba Liston e Buster Cooper, do sax.alto de Jackie McLean e, sob o comando do líder Art Blakey (uma “cozinha” onde atuaram Thelonius Monk, Sam Dockery, Wynton Kelly, Tommy Flanagan e Junior Mance no piano, mais Spanky DeBrest e Paul Chambers no contrabaixo): uma senhora constelação para uma universidade de “hard bop”. É no seio desse grupo que foi gravado o belo album “Art Blakey - A Night In Tunisia”. Importante nesse ponto assinalar a influência que Griffin recebeu de Thelonius Monk, com quem manteve amizade cerca de 10 anos. Havia conhecido anteriormente a Bud Powell e a Elmo Hope e, por intermédio deles é que conheceu Monk; Griffin, habitualmente, ia às residências de Bud Powell e de Elmo Hope, onde tocava com Monk; mesmo quando estava no “A.B.J.M.” Griffin saia para tocar com Monk no “Five Spot”. Griffin tinha Monk em alta conta e o admirava, inclusive por seu refinado senso de humor, declarando em certa ocasião: “......sair com ele era uma garantia, já que seu aspecto físico “assustava” qualquer transeunte mas, por trás desse aspecto era uma pessoa calorosa e bem humorada; em meio a uma discussão Monk podia ficar calado por 01 hora mas, em não mais que 03 ou 04 palavras, proferia sentenças determinativas e sempre com olhos à frente, para a vanguarda musical........” Em certa ocasião Monk demonstrou no piano que podia tocar como Art Tatum, deixando Griffin atordoado com a técnica de Monk, mas este disse-lhe que não precisava de “aeróbica pianística”, já que podia criar com seu estilo aparentemente parcimonioso. Ainda que atuando no “ABJM”, Griffin gravou nesse ano de 1957 com outros grupos (destaque-se a gravação com o grande Clark Terry, em abril e para o selo Riverside), assim como gravou como titular (“Johnny Griffin Septet”) o antológico album “A Blowing Session”: Lee Morgan (trumpete), Griffin, John Coltrane e Hank Mobley (saxes.tenor), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Blakey (bateria), no estúdio de Rudy Van Gelder, legaram-nos pérolas do quilate de “All The Things You Are”, “The Way You Look Tonight” e outras; mellhor impossível ! ! !
Sigo postando a série "RETRATOS" e torcendo para que a edição original não seja desconfigurada, como ocorreu com a "BIOGRAFIA - 2ª Parte" (Tete Montoliu). Desculpas antecipadas pela apresentação.
Superação e Qualidade em JAZZ: da Catalunha para o Mundo ! ! !
(B) FILMOGRAFIA Como não temos informações sobre produtos (DVD’s, VHS’s) com Tete ao vivo, indicamos a seguir 05(cinco) trechos dele que podem ser apreciados via Internet, endereço (http://www.nme.com/artists/tete-montoliu), em diversos contextos / formações, ainda que de pouca duração mas que nos permitem assistir um músico exponencial. (1) Tete Montoliu / Jackie McLean Quartet, 6’16” (2) Joan Manel Serrat & Tete Montoliu, “Paroules D’Amor”, 3’55” (3) Tete Montoliu & Friends, Playing Jazz, 1’15’ (4) Tete Montoliu, “Speak Low”, 4’22” (trecho sómente de audio, extraido de gravação da VERVE, “Swinging Jazz Piano”, que reúne gravações com Oscar Peterson, Monty Alexander e outros) (5) Tete Montoliu Trio, “If I Should Lose You”, 9’11” (Kerbie Lews/ baixo e Billy Higgins/bateria)
(C) BIBLIOGRAFIA As melhores publicações tipo “Enciclopédia/Dicionário de Jazz” trazem alentados verbetes sobre Tete Montoliu. Destacamos apenas 02(duas) dessas publicações por suas concisões e fidelidades históricas, ainda que insuficientes para o todo da carreira do pianista catalão. (1ª) "Dictionnaire du Jazz", da autoria de Philippe Carles, André Clergeat e Jean-Louis Comolli, que reuniram cerca de 50 colaboradores para os diversos verbetes (Xavier Prévost redigiu o verbete dedicado a Tete Montoliu), Editions Robert Laffont S.A., Paris, 1988. (2ª) "Gran Enciclopédia Del Jazz" da Editora SARPE, com Chefia de Redação a cargo de Gabriela Costarelli, Madrid, 1980.
(D) DISCOGRAFIA Considerando a imensa discografia de alta qualidade de Tete Montoliu, optamos por indicar as primeira e última gravações, seguidas de 07(sete) indicações que, pelo menos para nós, exibem um pianista em plena forma ao longo das várias etapas de seus anos de trabalho.
(1) Primeira Gravação Entre junho e setembro de 1954, na Holanda e para o selo Philips Tete Montoliu gravou os temas “Píntame de Colores Pa Que Me Llamen Superman” e “No, No, No”. (2) Última Gravação Em 21 de março de 1997, no “Palau de La Música Catalana”, Barcelona, Espanha, Tete apresentou-se em piano.solo, com temas próprios, de Ellington/Strayhorn, Dexter Gordon, Coltrane e Monk. Essa apresentação foi devidamente registrada para o selo DiscMedi, com as seguintes faixas: 01 Feelings 02 My Way 03 Au Privave 04 Muntaner 83A 05 Jo Vull Que M'Acariciis 06 Pont Aeri-Acuarela 07 T'Estimo Tant... 08 Come Sunday 09 It Don't Mean A Thing 10 In A Sentimental Mood 11 Take The "A" Train 12 Sophisticated Lady 13 Cotton Tail 14 Come Sunday 15 Cheese Cake 16 Society Red 17 Soul Sister 18 Naima 19 I Want To Talk About You (Billy Eckstine, “Mr. B”) 20 Lush Life 21 Giant Steps 22 Monk's Dream 23 Ask Me Now 24 Misterioso 25 Apartment 512 (3) 1ª Indicação Em 2005 a “Radiotelevisión Española” (RTVE) edita um primoroso CD duplo sob o título “Jazz Em España - Tete Montoliu”. É o primeiro de uma série de resgates de JAZZ promovidos pela corporação espanhola, dedicado exatamente a Tete Montoliu. Extensas notas de encarte por José Ramón Rippol, que inicialmente nos remetem ao “Jazz subterrâneo” na Espanha franquista, para logo rememorar a largos traços um pouco da carreira de Tete Montoliu. Em um dos CD”s temos 17 faixas de Tete em piano.solo, reunindo composições próprias, além de clássicos de Victor Young (“When I Fall In Love”), Roger “Ram” Ramirez (“Lover Man”), Bill Evans (“Waltz For Monika”), Cole Porter + Tadd Dameron (“What Is This Thing Called Love?” / “Hot House”), Duke Ellington (“Sophisticated Lady”) e outros. As gravações constantes do gigantesco acervo da RTVE foram realizadas em 17/fevereiro/1973 e em 24/março/1982. No outro CD temos 08 faixas com Tete Montoliu em trio (David Thomaz ao baixo e Peer Wyboris à bateria), gravadas em 22/março/1982. A primeira faixa de autoria de Tete intitula-se “Blues”, levando-nos a todo um perfeito discurso da linguagem de raiz. Segue-se um “Days Of Wine And Roses” com claras e sublimes referências ao pianismo de Bil Evans. Charlie Parker é revisitado em “Confirmation”, Coltrane em “Giant Steps” e Monk/Cootie Williams em versão primorosa de “Round About Midnight”. (4) 2ª Indicação Com Pedro Diaz /tumbadoras, Miguel Angel Lizandra/bateria e Alberto Moraleda / baixo, Tete montoliu gravou em Barcelona (16/agosto/1963) o LP, reeditado em CD pela “Discos Ensayo”, “Temas Hispano-americanos”. São “medleys” de clássicos do bolero, todos em linguagem jazzística e repletos da técnica de frases em legato, perfeitas divisões de fraseados, digitação superior, enfim, um disco para ouvir sempre. Juntam-se a “Frenesi / Contigo En La Distancia / Maria Elena”, outros como “Tres Palabras / Amor Mio / Siempre En Mi Corazón” e “Perfidia / No Me Platiques / Bésame Mucho”. (5) 3ª Indicação Ainda na linha dos “boleros”, mas então com temas individuais tomados dos clássicos do gênero, Tete gravou em 1975 e também em quarteto (ele mais Rogelio Juarez / tumbas, Manuel Elias / contrabaixo e Peer Wyboris / bateria), o LP, reeditado em CD pelo mesmo selo “Discos Ensayo” de Barcelona, sob o título de “Boleros” e com linguagem jazzística, os temas “Somos”, “Sabra Dios”, “Siboney”, “Somos Novios”, “Sabor a Mi”, “Poinciana” e mais 04 temas que completam os 10 do álbum. (6) 4ª Indicação O CD “Tete Montoliu Em El Teatro Real” foi gravado diretamente do “Teatro Real” de Madrid em 02 de fevereiro de 1988, em piano.solo e contitui-se, em sua parte inicial, em ode á obra de Thelonius Monk. A 1ª faixa do CD ocupa nada menos que 42’30” sob o título de “Monkiana”, em que a esfinge é totalmente decifrada pela execução inspirada, decodificada e até com a sonoridade e o fraseado de Monk: “Straight, No Chaser”, “Reflections”, “Misterioso”, “Well, You Needn’t” e semi-trechos de outros clássicos monkianos desfilam para o prazer sensorial da audição. É coisa de “gente grande” para todo o sempre. Mais 03 faixas completam os 64’22” do CD: “Don’t Smoke Anymore, Please” (seria uma premonição das leis estaduais do momento???...), “Jo Vull Que M’acaricis” e “Apartment 512”. Excelente texto do encarte por Paco Montes, com bom retrospecto da carreira de Tete e qualidade superior de gravação, tornam esse CD um precioso documento. (7) 5ª Indicação “Tete Montoliu & Orquestra Taller de Músicos de Barcelona” foi CD gravado em 25 e 26 de junho de 1988 em Barcelona, reeditado em 2003. 05 trumpetes, 04 trombones, 02 saxes.alto, 02 saxes.tenor, 01 sax.barítono, piano (Tete Montoliu), guitarra, baixo e bateria, sob a condução de Zé Eduardo (também autor de 02 dos 07 temas do CD), mostram-nos uma “big.band” alentada, com belos arranjos e temas muito bem escolhidos, inciando-se pela faixa 1, o clássico “C.T.A.” de Jimmy Heath, incluindo “All Of Me” (soberbo solo de Tete Montoliu), “Second Race” de Thad Jones com arranjo do próprio, “Recordarme” de Joe Henderson (arranjo de Ernie Wilkins), enfim, um trabalho de alta qualidade. (8) 6ª Indicação O CD “Free Boleros”, em realidade uma coletânea de boleros clássicos interpretados por um trio em estado de graça (Tete Montoliu elabora discursos pianísticos de pura beleza, com toques de “blues”), acompanhando Mayte Martins, uma verdadeira “CANTORA” (dicção, divisão, timbre, extensão, emoção.........), foi indicado ao longo da “Biografia” de Tete Montoliu. É trabalho sério, de muito “feeling” e puro prazer para os ouvidos e a mente. “Contigo En La Distancia”, “El Dia Que me Quieras”, “El Reloj”, “Somos”, “Sabor A Mi” e mais 08 faixas integram essa seleção tocada em trio e cantada com uma soberba voz, que merece todo o interesse, os aplausos e a divulgação do “melhor”. (9) 7ª Indicação “Tete Montoliu Interpreta a Serrat Hoy” reúne 12 temas e 01 “medley” da autoria do compositor espanhol Joan Manel Serrat, que Tete Montoliu conheceu em 1965 na EDGISA, companhia discográfica catalã. À época Serrat integrava o denominado “Els Setze Jutges”, grupo musical e cultural. Em 1969 Tete havia gravado “Tete Montoliu Interpreta a Serrat”, sendo que nessa nova visita ao compositor, Tete jazzifica toda uma obra. Temos nesse CD a reunião de composições belíssimas a uma interpretação de altíssima qualidade pianística e jazzística: mais pedir impossível ! ! ! Segue em
12. JOHNNY GRIFFIN: “Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?
Num dos finais de semana mais agradaveis deste ano, ja sob o efeito de um calor com a cara do Rio, e com praia que nos volta a lembrar do astral desta cidade, nada melhor que ir conferir duas novidades para mim numa unica noite...
Fregues habitual do quiosque drink na Lagoa, ja estava ha algum tempo curioso para conhecer a outra versao do drink numa rua tranquila do Humaita, ha cerca de uns 30 metros da Rua Voluntarios da patria.
O grupo programado para esta noite era a versao compacta da Companhia Estadual do Jazz, grupo formado pelos musicos Sergio Fayne - piano / Fernando Clark - guitarra / Reinaldo - contrabaixo
No repertorio do primeiro set, temas de Bossa Nova como Vivo Sonhando, Chovendo na roseira (Tom Jobim), Os grilos (Marcos Valle) e Razao de viver (Eumir Deodato), e tambem Summertime,e outros standards de jazz, levados num balanco que muito me agradou.
O trio sem bateria traz um outro formato, com solos de guitarra do inspirado Fernando Clark, com os temas sendo introduzidos por Sergio Fayne ao piano e o agradavel som do baixo acustico do CJUBiano Reynaldo.
Muito me agradou a sonoridade do trio, eu que sou aficionado por Bossa Nova e pelo SambaJazz, estilos que os musicos transitam com naturalidade.
Apenas um adendo, tanto o piano quanto o baixo, sao acusticos, o que e otimo
A casa e muito agradavel, ambiente descontraido, bebida gelada, e com certeza irei voltar.
Torco para que se firme como um reduto de musica de qualidade no Rio de Janeiro, o que nao tenho nenhuma duvida ocorrera, visto que a Ana, que muito bem pilota o outro drink, tem nos oferecido sempre musica e musicos de qualidade.
O proximo musico que pretendo ouvir e o pianista Marcos Ariel, que salvo engano toca na casa as quartas feiras, num horario happy hour.
Quem sabe o CJUB nao volta a organizar concertos de jazz na casa.
RETRATOS 11. TETE MONTOLIU (A) BIOGRAFIA - 2ª PARTE - FINAL
A temporada de um mês no Japão, em piano.solo, foi o fato internacional mais significativo na carreira de Tete no ano de 1977, além de apresentação ao lado de George Coleman no “Ronnie Scott’s Club” de Londres, de um mês de atuação no “Paull’s Club” de Bruxelas, encerrando o ano com suas apresentações nos clubes “La Cova Del Drac”, “Zeleste”, “Jazz Cava” (de Terrasa), e “Satchmo”, além das atuações em diversas cidades espanholas.
Em 1978 Tete Montoliu foi figura regular no clube “Satchmo”, ao lado do francês Michel Roques, além de atuações em Madrid, Lausanne e na rádio “Suisse Romand”.
Em 1979, Tete realizou uma de suas grandes aspirações: foi o protagonista de concerto no “Palau de la Musica Catalana”. Nesse mesmo ano esteve em Londres, para apresentar-se ao lado do guitarrista Joe Pass no “Ronnie Scott’s Club”, participando em seguida do “Festival Internacional do Mar do Norte” ao lado de Oscar Peterson, Cecil Taylor, Duke Jordan e Dexter Gordon (músico com quem teve oportunidade de gravar em diversas ocasiões).
Ainda em 1979, Tete realizou temporada nos U.S.A. e no Canadá, iniciada no “Festival de Monterrey”, sendo ali aclamado como um dos grandes músicos de Jazz da época. Nessa temporada gravou por duas vezes, uma delas com Chick Corea em Los Angeles (este então não mais como “baterista”). Apresentou-se, também, no “Keystone Corner”.
Retornando dos U.S.A. Tete realizou nova temporada na Europa, acompanhando a Jackie McLean, para em seguida e na primavera de 1980 retornar ao Canadá e aos U.S.A. para novas temporadas, ocasião em que participou do “Boston Concert”, gravado diretamente da “Berkley High School of Music”, em disco largamente elogiado.
Ainda em 1980 Tete Montoliu inicia seus trios com Herbie Lewis / baixo e Billy Higgins / bateria e com John Heard / baixo e Albert “Tootie” Heath / bateria.
Com a morte de Bill Evans (a caminho do “Mount Sinai Hospital” em 15 de setembro de 1980), grande amigo de Tete Montoliu, este realizou em Barcelona uma sucessão de apresentações em homenagem ao grande pianista.
Nos anos 80 do século passado Tete Montoliu realiza diversas temporadas com músicos norte-americanos, em contextos “all stars”: destacam-se nessas formações Johnny Griffin, Joe Henderson, George Coleman, Sonny Stitt, Slide Hampton, Jerome Richardson e Eddie "Lockjaw" Davis.
Em duo com o vibrafonista Bobby Hutcherson e na cumplicidade musical com o então já consagrado Niels-Henning, Tete Montoliu atua com enorme satisfação em diversas ocasiões. Em 1982, é destaque no “Festival de Jazz de San Sebastian”, onde é homenageado.
Temporadas européias com Johnny Griffin marcam as atuações de Tete Montoliu em 1983. 1984 = temporada nos U.S.A. com Bobby Hutcherson em duo, com Jerome Richardson apresentações na Europa e atuação com Eddie "Lockjaw" Davis em Zurique, no “Widder Bar”.
No ano de 1985 Tete apresenta-se no “Carnegie Hall”, com enorme sucesso de crítica e de público, além de ser o “padrinho” do “Festival de Jazz de Andorra” e constituir-se em destaque no “Festival de Jazz de Nice”.
Em 1986 apresenta-se no “Festival de Jazz de Madrid” ao lado de Harold Land, com o qual e em seguida realiza grande temporada por toda a Espanha, para depois participar do “Festival de Jazz de La Habana”(Cuba).
Em 1987 é a vez de com Dizzy Gillespie, em duo, realizar temporada na França. Tete apresenta-se durante tres semanas em Buenos Aires e depois segue para o Canadá: Montreal, Toronto, Edmonton e outras cidades são seus palcos.
Em 1988, Montoliu apresenta-se em 02 de fevereiro no “Teatro Real de Madrid”, em concerto de gala, onde executa em 42’30” sua suíte espetacular “Monkiana”. Em meio a vasto contingente de músicos de ponta, Tete Montoliu participa da temporada da “Orquestra Ecos del Bebop”, para em seguida excursionar com Paquito D’Rivera.
No ano seguinte integra as apresentações do “Timeless All Stars” por toda a Espanha, simultaneamente com a manutenção em Barcelona de trio com Horacio Fumero e Peer Wyiboris, em apresentações nas quais também se exibe em “piano.solo”, forma na qual pode desfilar seu vasto repertório e sua quase infinita capacidade de improvisação, ademais de permitir-lhe desenvolver projeto de uma série de 13 discos sob a denominação de “The Music I Like To Play”, da qual foram editados os quatro primeiros.
Em 1989 participou na Itália de homenagem a Dizzy Gillespie, ao lado de Milt Jackson, Randy Brecker, Johnny Griffin, Max Roach e do próprio Dizzy.
Os anos 90 do século passado vão encontrar Tete apresentando-se no Japão no “Keinsgton Córner” local durante duas semanas. Grava para as etiquetas “Alfa Records” e “Concord Jazz” (leia-se Carl Jefferson, fundador), em 1992 forma novo trio (Hein Van de Gein / baixo e Idris Muhammad / bateria) para apresentações em festivais, além de protagonizar a abertura dos “Jogos Paraolímpicos Barcelona-92” em memorável concerto com Bobby Hutcherson.
Ainda em 1992 Tete Montoliu é o convidado da “Orquestra Sinfônica de Cadaqués”, para o “Festival Internacional del Castell de Perlada” (Catalunha), onde interpreta a suíte “Porgy and Bess” de George Gershwin.
É homenageado no “Palau de La Musica Catalana” em 1993 no “Festival Internacional de Jazz de Barcelona” pelos seus 60 anos, atuando ao lado de Johnny Griffin e Roy Hargrove. Seguem-se nesse ano temporadas por cidades espanholas e européias com o trio formado em 1992 (Tete, mais Hein Van de Gein / baixo e Idris Muhammad / bateria) e agregando o saxofonista Ralph Moore. Conhece a Cantora de música flamenca Mayte Martin.
1994 é o ano em que Tete Montoliu apresenta-se em piano.solo no Egito (“Palácio da Ópera de El Cairo”), em Amã (Jordânia) e em Damasco e Aleppo (Síria). O êxito dessas apresentações faz com que retorne aos mesmos locais no Oriente, ainda nesse mesmo ano e no ano seguinte. Atua em diversas cidades européias e espanholas a par de, no Natal, formar duo com Joe Henderson no “Festival de Jazz de Terrasa” (Catalunha).
Em 1995 Tete participa em diversos festivais de Jazz: Vitória-Gasteiz (em piano.duo com Chick Corea), Marciac, Genebra (duo com Niels-Henning) e Junas (França, com Horacio Fumero e Peer Wiboris). Para apresentações em Sevilha, Tete incorpora o saxofonista francês Guy Laffite ao seu trio.
Alcança marca superior às 100 (cem) gravações para o mercado fonográfico; entre essas gravações destaca-se uma antologia de puro bom gosto musical quando em 1996, com seu trio, se reúne à cantora Mayte Martin (Barcelona, 1965, cantora originalmente de música flamenca) para gravar o CD “Free Boleros”, em realidade uma coletânea de boleros clássicos interpretados "em JAZZ" por um trio em estado de graça (Tete Montoliu elabora discursos pianísticos de pura beleza, com toques de “blues”), acompanhando uma verdadeira “CANTORA” (dicção, divisão, timbre, extensão, emoção.........). Tive a satisfação de ganhar essa gravação do Mestre “LLULLA” (Luiz Carlos Antunes, produtor e apresentador do programa radiofônico “O Assunto é Jazz”, Rádio Fluminense-FM de Niterói / RJ, líder de audiência em seu horário das terças-feiras das 22.00 às 24.00 horas, que chegou a alcançar a incrível marca de 2.457 edições contadas de 06 de dezembro de 1958 até 27 de setembro de 1994).
Em 1996 Tete é homenageado a nivel nacional pela “Sociedad General de Autores”, por seus “50 Anos de Jazz”, no “Teatro Monumental de Madrid”, em um concerto do qual participam Alvin Queen, Gary Bartz, Pierre Boussaguet e Tom Harrell. Ainda em 1996 Tete comemora seus 63 anos gravando em piano.solo o CD “T’estimo Tant...”.
No ano seguinte os 64 anos de Tete são comemorados no “Palau de La Musica Catalana” em Barcelona, com concerto em piano.solo que foi gravado em CD. Nesse ano de 1996 e em novembro a grande tragédia pessoal: é diagnosticado câncer em Tete Montoliu.
Em 1997 são gravados mais tres CDs com a apresentação de Tete Montoliu em fevereiro no “Festival de Jazz de Terrasa”. Em março e no “Palau de La Música Catalana”, Barcelona, também em piano.solo, Tete tem gravado seu último CD.
Tete Montoliu faleceu como indicado no início desta sua “Biografia”, em 24 de março de 1997.
Ao longo de sua carreira Tete Montoliu recebeu muitas homenagens e honrarias, destacando-se entre as muitas a “Creu de Sant Jordi de La Generalitat de Catalunya”, a “Medalla de Oro del Ayuntamiento de Barcelona” (bom catalão e fiel à cultura e aos valores de sua terra natal) e, como fá de futebol, “culê” de boa cepa como são os torcedores do "Barça", barcelonista que sempre foi e cultor do F.C.Barcelona (“mes que um club”), a insíginia de “Oro Y Brillantes del Football Club de Barcelona”.
Tete Montoliu sempre foi um ouvinte, admirador e executante de Charlie Parker, Thelonius Monk e John Coltrane, suas bases para altos vôos musicais e pianísticos.
Entenda-se que a idade pesou progressivamente mais para Tete Montoliu (cego de nascença) do que para outros músicos, peso agravado a partir do câncer diagnosticado em novembro de 1996 e dado o esforço necessário para seu pianismo e, particularmente, quando atuando com outros músicos, o que sempre lhe trazia mais dificuldades para interação e equilíbrio musical; o que para muitos exigia um simples olhar, para Tete requeria toda uma aguçada sensibilidade e desenvolvimento de sentidos muito além da visão e, com certeza, bem mais cerebrais.
Mesmo apresentando-se e gravando com outros músicos, esse nível de dificuldade sempre levou Tete a preferir atuar em piano.solo, quando não dispunha de baixo/bateria muito bons, conforme declarou em entrevista para a revista francesa “Jazz Magazine”, por ocasião de apresentação em Châteauvallon: “Jazz Magazine:Em Espagne, Tete Montoliu, vous jouez souvent em trio. Pourquoi, a Châteauvallon, avez-vous joué en solo ? Tete Montoliu : Oui, pendant de nombreuses années, j’ai joué avec une section rythmique. Mais il est très difficile de trouver un bassiste et un batteur qui se comprennent bien, qui aient les mêmes objectifs musicaux… Aussi, quand je me sens en bonne forme, je préfére jouer en solo – ou avec un très bon bassiste et un três bon batteur.“
Tete foi, sem dúvida, bem influenciado pela arte de Bud Powell e de Al Haig e, de alguma forma por Lennie Tristano, ainda que tivesse desenvolvido ao longo de sua trajetória um estilo e uma “linguagem” muito pessoais, com base em uma pulsação percussiva, com articulação nítida e forte inclinação por toques golpeados com rapidez; em alguns solos nota-se certa descontinuidade, acentuadas “escapadas” da estrutura em desenvolvimento, assim como farto ludismo na exploração de figuras “bluesy”.
Seu apurado sentido de “blues”, com fortes tintas negróides, foi bem explorado por Joachim E. Berendt (“El Jazz – De Nueva Orleans A Los Años Ochenta”, 2002, México, página 509), quando enuncia que: “...verdadero virtuoso ...como el español (o, como le gusta llamarse a él, catalán) Tete Montoliu, quien dijo una vez - basicamente, nosotros los catalanes somos negros - y así es como toca: quizás el más negro de todos los pianistas europeos, arraigado, sin embargo, em la tradición de su natal Cataluña, a cuyas canciones populares há dado conmovedoras interpretaciones.”
Foi, sempre e isso é perfeitamente ouvido e sentido em suas gravações, um pianista superior, capaz de imprimir perfeito swing ao seu fraseado e citações muito bem encaixadas de “blues”.
Um senhor pianista para quem gosta, verdadeiramente, de JAZZ !!!
Curso "100 anos de jazz" com o jornalista e escritor Roberto Muggiatti
Dias 9, 16, 23 e 30 de novembro Horário : das 19:30 às 21:30 Local : Polo de Pensamento Contemporâneo Rua Conde Afonso Celso, 103 - Jardim Botânico Tels: (21) 2286-3299 e (21) 2286-3682
Mestre Raffa mais uma vez nos informa e eu divulgo para os amigos do CJUB.Faleceu em 30 de outubro, vitimada por um grave acidente de carro, Stacy a filha do pianista Jimmy Rowles, aos 54 anos de idade. Ela tocava o flugel horn e em sua biografia consta que, quando adolescente, atuou no “Monterey Jazz Festival” ao lado do pai. Tocou também na “Ann Patterson’s Mayden Voyage Band” e no “Jaz Birds”, pequeno grupo com músicos da própria banda. Também atuou na “Clayton-Hamilton Jazz Orchestra “ . Segundo os críticos, ela foi notada pelo som lírico e melódico de seu flugel horn. RIP.
TETE MONTOLIU Superação e Qualidade em JAZZ: da Catalunha para o Mundo ! ! !
(A) BIOGRAFIA - 1ª PARTE
O pianista Vicenç Montoliu y Massana, artisticamente “Tete Montoliu” (pronuncia-se Tetê Montolíu), nasceu em Barcelona (no “Ensanche” / “Eixample”, a parte nova da cidade, na Calle Muntaner), capital da Catalunha, em 28 de março de 1933, vindo a falecer aos 64 anos no dia 24 de agosto de 1997 em sua terra natal.
Cego de nascença, neto e filho de músicos profissionais (o pai, Vicenç Montoliu, formou parte da “Banda Municipal de Barcelona” e da “Orquestra del Gran Teatro del Liceo” , tocava clarinete, saxofones e oboé e tinha a intenção de que seu filho tocasse música clássica) e da aficcionada por JAZZ Ângela Massana (que acostumou Tete a ouvir desde criança “Fats” Waller, Art Tatum, Earl Hines, Duke Ellington e outros expoentes da Arte Popular Maior), Tete já desde os 04 anos demonstrando dotes para o piano foi incentivado a estudar seriamente, o que o levou ao aprendizado inicial em aulas particulares aos 05 anos, com a pianista e professora Petri Palou.
Segundo o próprio Tete Montoliu ele tinha que estudar música: “...o me hacia músico o me ponia a vender cupones.... (na Espanha os deficientes e em particular os cegos possuem uma loteria, “la quiñela”, cujos cupons são vendidos pelos próprios, com extrações diárias).
Ingressou no “Conservatório Superior de Música de Barcelona” em 1946, onde estudou piano, órgão, harmônica, solfejo e composição, graduando-se com brilhante histórico curricular. Seu aprendizado no piano foi extremamente disciplinado, já que tocava com a mão esquerda e utilizava a direita para a leitura em Braille, exigindo-lhe elevado poder de memorização e alta capacidade de persistência.
Dos 13 aos 15 anos participa regularmente nas “jam sessions” do “Hot Club de Barcelona”, local onde foi “descoberto” pelo grande sax.tenorista Don Byas (então residindo em Barcelona, “la ciudad condal”), que reconhecendo seus já grandes talento e desenvolvimento técnico, foi capaz de aconselhá-lo e instruí-lo sobre o Jazz, permitindo a Tete aprofundar o conhecimento do gênero; os dois, Tete e Don Byas, chegaram a tocar juntos em muitas ocasiões, desde então.
A partir dos 15, 16 anos, Tete liderou seus próprios grupos tocando em salões de Barcelona.
Aos 21 anos Tete Montoliu gravou pela primeira vez, entre junho e setembro de 1954. Quando Tete contava 22 anos, em 1955, Lionel Hampton cumpriu 02 concertos em Barcelona, tendo na ocasião a oportunidade de assistir a uma apresentação de Tete, ficando entusiasmado com suas habilidades técnicas e considerou que estava diante de um superdotado; segundo suas palavras, “o melhor pianista de Jazz da Europa”. Convidou Tete a unir-se à sua orquestra para larga temporada na Europa e para gravar com a banda: estava decolando a carreira internacional de Tete Montoliu !
Tete gostava de acompanhar músicos das Américas do Sul e Central, particularmente os ligados ao bolero, além de participar de apresentações na Catalunha (particularmente na capital Barcelona) e no sul da França.
Data desse período o aprofundamento da admiração de Tete pelo pianismo de “Fats” Waller, que havia ouvido ainda criança, mas já agora em outros nível de apreciação e entendimento. Interessou-se então e também pelos trabalhos de John Lewis, Horace Silver e Oscar Peterson o que, de certa forma, influenciou e melhorou de forma substancial sua técnica e seu estilo.
Em 1958 apresentou-se em trio no Festival de Cannes (Doug Watkins / baixo e Art Taylor / bateria), para em seguida tocar com Dizzy Gillespie, Donald Byrd e Kenny Clarke (“Mr. Clock”). Em 1959 apresentou-se no “1º Festival de Jazz de San Remo” (acompanhado por Pete LaRocca, baterista de New York que depois trabalhou com Art Farmer) e em 1960, sob contrato com a “Blue Note” local, atuou em Berlim e Frankfurt (rádio local) com Albert Mangelsdorff, Chet Baker, Sahib Shihab, Herb Geller e Benny Bailey.
Quando estava na Espanha nesse ano de 1960, era comum encontrar Tete atuando ao lado de Pedro Iturralde em Madrid (“Whiskey Jazz Club”, na “Calle Marqués de Villamagna”, primeiro “Whiskey Jazz” de Madrid e que foi inaugurado por Tete), onde conheceu o baterista Peer Wyboris, um de seus mais fiéis colaboradores desde então.
Tete Montoliu voltou a apresentar-se na Alemanha, em Frankfurt, em 1961, em 1963 em clubes de Copenhague e em 1964 no “Molde Jazz Festival” da Noruega; assim e continuadamente, Tete já era figura permanente no circuito europeu de Jazz, apresentando-se ao lado de Dexter Gordon, Kenny Dorham, Archie Shepp e outros.
Retornando ao ano de 1961 e em Frankfurt, foi montado um dos grupos que mais influenciou a vanguarda do Jazz europeu: ao lado de Tete ao piano, alinhavam Ben Jaedig / sax.tenor, Dick Spencer / sax.alto, Peter Trunk / baixo e Alfons Blesses / bateria; esse grupo dissolveu-se em 1963. Também nesse ano de 1961, assim como no ano seguinte de 1962, Tete Montoliu foi agraciado com o prêmio de “Melhor Pianista Europeu de Jazz”.
Integrou quarteto com o multi-instumentista Roland Kirk, apresentando-se em temporada por toda a Europa, inclusive com a “European All Stars”, permitindo-lhe contato com o então muito jovem baixista Niels-Henning Orsted Pedersen (17 “aninhos” na época, mas que infeliz e recentemente nos deixou em 19 de abril de 2005).
Esses anos de 1963 e 1964 assinalam também seguidas apresentações de Tete Montoliu no “Montmatre Jazz House” de Copenhague, acompanhando músicos do calibre de Ben Webster, Dexter Gordon, Lucky Thompson, Kenny Dorham, Stephane Grapelli, Niels-Henning e Benny Golson.
Em 1965 e no regresso a Barcelona, Tete formou um trio com Eric Peter / baixo e Billy Brooks / bateria, trio esse que atuou até 1966 no lendário “Club Jamboree de Barcelona” e realizou uma série de gravações para a etiqueta “Concentric”, até hoje consideradas como das mais importantes realizadas na Espanha, além de apresentar-se em diversos festivais de Jazz, entre os quais o de Antibes, Jean-les-Pins (com Anita O’Day), o de Bolonha na Itália e muitos outros.
Também no “Club Jamboree de Barcelona” Tete teve oportunidade de atuar ao lado de músicos do quilate de Art Farmer, Dexter Gordon, Booker Erwin, Donald Bird, Bill Coleman, Pony Poindexter, Lee Konitz, Lucky Thompson, Stephane Grapelli e muitos outros.
Tendo sido dissolvido o trio montado em 1965, a partir de 1966 Tete mudou-se para a Holanda onde atuou para diversas emissoras de rádio e de televisão, além de converter esse pais como seu ponto mais imediato para apresentações por toda a Europa.
A convite da Câmara de Comércio americana, em 1967 Tete apresentou-se nos U.S.A. para alguns concertos, mas o êxito obtido faz com que sua estadia em solo americano se prolongasse por cerca de 03 meses, com atuações em piano.solo e em em trio com Richard Davis e Elvin Jones, no “Up Of The Gate”. O trio Tete / Davis/ Elvin chegou a realizar uma gravação, todavia não lançada no mercado.
Tete Montoliu percorre os anos 70 do século passado com grandes êxitos na Europa, atuando na então Iugoslávia (Lubljana, Zagreb e em Belgrado com Dusko Dojkovic), na Finlândia (em Pori, com Lei Right) onde foi acompanhado à bateria (sim senhor!!!) por um então “jovem” Chick Corea, na Alemanha (em Munique, no “Jazz Domicilie”), na França (Festival de Jazz de Chateau-Valon) e em Londres, Paris e Bruxelas.
Em 1972 na Holanda (maio) e em Barcelona (novembro) Tete gravou com Ben Webster, para em 1974 e por larga temporada de verão acompanhar a Johnny Griffin (“The Little Giant”), em trio, por inúmeras cidades espanholas; ainda em 1974 teve oportunidade de tocar com Joe Henderson.
Em 1975 Tete volta a atuar no “Jazz Domicilie”, realiza temporada na Holanda com Dexter Gordon e participa do “Festival de Jazz de Konsberg” na Noruega, al lado de Niels-Henning e Albert “Tootie” Heath.
Fez aniversario ontem, e eu nao tive tempo de fazer o devido registro aqui no blog. Problemas familiares e uma mudanca de casa estao me deixando sem tempo para almocar ou jantar, o que dira sentar no computador e fazer o minimo dever de casa. So hoje pude abrir o laptop e usando o wi-fi de um vizinho generoso (a Net ficou de vir: facam suas apostas!) consegui entrar no blog e, agora sim, saudar nosso querido Mestre de modo precario, mas de coracao, mesmo sem o concurso da pontuacao.
Que o Mestre LOC, tao informativo quanto inspirador, nas colunas (Guzz, onde andam as transcricoes que vc. publicava, homi?) e mais ainda, no trato pessoal, possa prosseguir nos dando a oportunidade de privar de sua tao amavel convivencia, recheada das suas inteligencia, delicadeza, afabilidade, educacao, simpatia e simplicidade, coisas de uma alma macerada e curtida em jazz de alta qualidade e em classicos idem.
Muito e muitos anos de vida saudavel ao lado de D. Branca e de seus CDs prediletos, sao os votos deste amigo, e em nome da Confraria.
UM GRANDE ABRACO, PARABENS E MUITAS FELICIDADES!!!
Mestre MaJor, tambem conhecido como Mario Jorge Jacques, presenteou-nos, muito gentilmente, com a segunda edição de seu livro-referencia com aquele titulo. Trata-se de uma obra de grande qualidade, escrita por um especialista de vasta experiencia e sobretudo, grande amor ao JAZZ, ora atualizada (ele sempre vai achar que precisa).
Trata-se de material obrigatório para todos aqueles que procuram ampliar seu conhecimento a respeito, contendo não apenas os verbetes desejáveis mas verdadeiras aulas sobre cada um, e em inúmeros casos, todo um entorno de fatos curiosos que os transformam, de simples termos de consulta, em deliciosos motivos para que o autor estenda o seu farto conhecimento sobre o tema, de maneira muito agradável ao leitor.
Como exemplo, tomamos aleatoriamente o termo chorus (plural choruses)e obtivemos não só o que representa, com as varias possibilidades em que foi e é usado, como também a sensacional história de um dos mais famosos encadeamentos deles - ali, no sentido da série de improvisos -, executados pelo saxofonista Paul Gonsalves em 1956, no Newport Jazz Festival, quando se apresentava na banda de Duke Ellington. E em como transformou, com seus 27 choruses no sax-tenor, um concerto até então morno, numa festa memorável... Mais, só lendo.
Isso tudo faz do Glossário do Jazz, ora refrescado, mais do que um livro de referência. Transforma-o numa saborosa leitura para aqueles que se interessam pelo jazz, seus personagens e inúmeros outros aspectos relacionados com música em geral. É livro de cabeceira, catecismo, bíblia, ou o que mais quiserem chamar.
Mais uma vez, Mestre, obrigado pelo presente, e parabéns pela renovação dessa tão importante fonte de referência para as comunidades de lingua portuguesa.
Grande abraço.
Em tempo: esqueci de contar que o prefácio à edição é de outro Cjubiano, nosso caro Mestre Llulla.
Em tempo 2: tendo escrito o post de cabeça, longe do livro, disse que o Newport mencionado foi o de 57. Estava errado. Foi em 1956 essa célebre performance de Gonsalves, que fez com que, lá pelo sexto chorus, uma loura platinada se "alevantasse" e começasse a dançar, inflamando toda a platéia.
Glossário do Jazz- 2a. edição autor: Mario Jorge Jacques editora: Biblioteca 24x7 preço: R$63,39 pedidos: biblioteca24x7 (link)
Foi em 22 de outubro no “Velho Armazém” em Niterói, o show de Pascoal Meirelles que teve como característica um repertório eclético que abordava a música brasileira, temas de Jazz e composições do próprio Pascoal e de Márvio Ciribelli, que em companhia do excelente Marcelo Martins (st-fl)e de Rogério Fernandes(b) formaram um quarteto sólido e competente.Dois temas de Miles Davis deram início à apresentação (Nardis e Solar), onde desde logo observamos o desempenho de Marcelo Martins, um improvisador nato de qualidade superior. “Waltzing” do nosso Victor Assis Brasil, deu seqüência ao programa e a qualidade permaneceu . Aliás esse tema é freqüente em apresentações de nossos músicos. Justa homenagem a um de nossos melhores saxofonistas que abraçaram a difícil arte do Jazz. O restante do primeiro set foi preenchido com composições de Márvio (Mió di bão), de Pascoal (Tom) e ótimas versões dos clásssicos da MPB, “Apanhei-te cavaquinho “(Nazareth) e” Corta Jaca “(Chiquinha Gonzaga) e encerrado com chave de ouro com espetacular leitura do tema de Benny Golson, “Blues March”. Nesse clássico do “hard bop” Pascoal mostrou porque é um dos nossos melhores bateristas. Solos bem construídos e desenhos rítmicos de muita qualidade. E ainda nos dedicou esse número. O segundo “set” contou com a participação do ótimo guitarrista Ricardo Silveira, que em breve estará também se apresentando no Velho Armazém. O ecletismo permaneceu, agora com o standard “Beautiful Love” na abertura. Seguiu-se ” Triste” (Tom Jobim), “Cherokee” (Ray Noble), “Well you needn’t” (Monk),”Tico Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu” e “Pro Moura” (Pascoal Meirelles). Difícil destacar um solista. Tocaram como se o grupo estivesse formado ha muito tempo. No “Tico Tico no fubá” , por exemplo, tiveram destaque a flauta de Marcelo Martins e o piano de Ciribelli, desenvolvendo em uníssono não só o tema como improvisações oportunas. Ricardo Silveira mostrou também porque é um dos nossos melhores guitarristas. Solos muito bem elaborados e preciosas trocas de frases com Marcelo Martins. Rogério Fernandes deu o recado no seu baixo elétrico e Pascoal Meirelles dividiu muito bem a sua liderança com os companheiros. Indiscutível a sua qualidade de acompanhamento e solista, como mostrou principalmente em seu original “Pro Moura”. Enfim, uma noite super agradável que marcou mais um encontro de velhos amigos que, como não poderia deixar de ser, relembraram as pizzas da meia-noite after “O Assunto é Jazz”. Parabéns a Márvio Ciribelli pela iniciativa, mais uma que valorizou em muito a noite de Niterói.
Esta série apresenta trechos de concertos de Dixieland Jazz produzidos por Ernest Anderson e dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall na cidade de New York em transmissões pela National Broadcasting Corporation Radio – Blue Network Broadcast Series.
Apesar dessa série de concertos de Eddie Condon ser conhecida como Town Hall Concerts algumas transmissões foram feitas do Teatro Ritz na Broadway local arrendado pela Blue Network como estúdio para muitos programas e este concerto foi o caso. Na verdade o que ocorreu por incrível e inacreditável racismo houve falta de patrocínio para alugar o Town Hall já que um músico negro iria atuar junto com os demais ― Cozy Cole e o patrocinador habitual, cigarros Chesterfield, declinou do patrocínio achando que não ficaria bem, alegando que muitas regiões no país, já que o programa era transmitido a nivel nacional, não admitiam a integração de raças e consequentemente poderiam boicotar o patrocinador, e tal... Esta apresentação contou com a presença de novos músicos no grupo como os trompetistas Max Kaminsky e Dick Cary, o trombonista Miff Mole e o clarinete de Edmond Hall, além do baterista Cozy Cole e do baixista Jack Lesberg. Muggsy Spanier ao cornetim como convidado especial. Após rápida abertura pelo locutor Fred Robbins - At Sundown (Walter Donaldson) é executada por todo o grupo. Segue-se o anúncio pelo próprio Condon de Edmond Hall um dos grandes clarinetistas de New Orleans em It's Been So Long (Jerry Leiber / Mike Stoller) apenas com o trio Schroeder, Lesberg, Cole e mais Condon naturalmente. Finalizamos com o excelente cornetista Muggsy Spanier e o grupo em Mandy, Make Up Your Mind (Grant Clarke / Arthur Johnson / George Meyer / Roy Turk). O grupo completo que atua é formado por: Eddie Condon (gt e lider), Max Kaminsky e Dick Cary (tp), Miff Mole (tb), Ernie Caceres (sax bar), Eugene Schroeder (pi), Jack Lesberg (bx) e Cozy Cole (bat). Convidado: Muggsy Spanier (cornet). Gravação: 7/outubro/1944 – Ritz Theatre, New York City Fonte: CD Jazzology – JCE1011 -1992 – EUA
45 ANOS DA TRADITIONAL JAZZ BAND Espetáculo único em Piracicaba ! ! ! Teatro Municipal
Na 6ª feira, 13 de novembro de 2009 às 21.00 horas, no Teatro Municipal de Piracicaba, será realizado o show de lançamento do CD comemorativo dos 45 anos da “Traditional Jazz Band Brasil”. Durante o show comemorativo serão anunciados 02 projetos: (1º) a “Traditional Jazz Band Brasil” irá lançar pelo seu selo novas bandas de Jazz, como “porta de entrada” para músicos que cultivem JAZZ; (2º) a criação do “Hot Club de Piracicaba”, verdadeiro “clube de jazz” destinado à execução do “Jazz Manouche” (tão pouco executado e divulgado no Brasil), do “Jazz Tradicional” e da música brasileira; os músicos da “Traditional Jazz Band Brasil” farão parte do “Hot Club de Piracicaba”. A “Traditional Jazz Band Brasil” executará temas do novo CD, dentre eles “I´ve Found a New Baby” (Spencer Williams/Jack Palmer), “Blue Monk” (Thelonious Monk), “Darktown Strutters Ball” (Shelton Brooks), “Nostalgia In Times Square” (Charles Mingus) e “As Long As I Live” (Harold Arlen/Tad Koehler). Contará com a participação da cantora Ida Muhlmann, que também gravou no CD comemorativo. Também participará do show do dia 13/novembro, o quinteto de músicos de Piracicaba (Ely/trompete, Eloy/trombone, Franck/tuba, Legal e Fernando Seifarth/violões ciganos), executando “Georgia On My Mind” (participação da cantora Júlia Simões), “Dark Eyes” seguida da “Habanera” da Carmen de Bizet, “Saudades da Bahia” e “Vestido de Bolero” (participação do cantor José Roberto, homenageando o saudoso guitarrista Óscar Aleman, que gravou estes dois temas do Dorival Caymmi), “Czardas” (destaque de Luis Fernando Dutra no violino) e “There Will Never Be Another You”. No final do espetáculo ocorrerá a apresentação de temas com todos os músicos participantes da noite. A “Traditional Jazz Band Brasil” é um símbolo de longevidade como grupo musical, de JAZZ, acústico e permanente. Sabemos que poucas formações no Brasil ou no exterior perduraram tantos anos, com qualidade, entusiasmo, ampliação de repertório, som próprio, sucesso de crítica e de público. A “Traditional Jazz Band Brasil” contabiliza todos essas qualidades, todavia não suficientes para sustentar o grupo por 45 anos. Há outro motivo que serve como boa indicação para entender essa permanência no tempo: a fidelidade a um objetivo, do qual e para o qual todos os seus integrantes sempre partilharam, com convicção; esse objetivo foi, é e, seguramente seguirá sendo pelos próximos anos, fazer música com satisfação, com alegria, a mesma que a banda sempre espera proporcionar ao público que assiste às suas apresentações e ouve suas gravações, interpretando o “Jazz Tradicional” com linguagem própria. Festivais de JAZZ, teatros, cinemas, hospitais, universidades, parques, aviões, caminhões, trens, navios, entrevistas para emissoras de rádio e de televisão, novelas, missas, funerais, circos, shows, campanhas educativas direcionadas para aspectos ecológicos, sociais e de saúde, promoção de novos grupos musicais, escolas de música, Brasil, América do Sul, Estados Unidos, Europa: a “Traditional Jazz Band Brasil” percorreu todas as latitudes, longitudes, espaços nobres e alternativos, enfim, sua presença foi universal, sempre com alegria e a satisfação de fazer música que alegra e satisfaz seu público ! ! ! Quando completou 40 anos em 2005 a pergunta no encarte do CD comemorativo era: What Now? (E agora?). Quando completa 45 anos a afirmação é: Now and Forever! (Agora e Sempre!). O espetáculo de 6ª feira 13 de novembro de 2009 às 21.00 horas, no Teatro Municipal de Piracicaba, será único e imperdível, mostrando que Piracicaba está efetivamente inscrita no roteiro do melhor.
Será na quinta feira 22, a apresentação de Paschoal Meirelles pela primeira vez no Velho Armazém de Niterói. Mais uma iniciativa de Márvio Ciribelli, valorizando nossos músicos e trazendo a Niterói músicos importantes com carreira internacional.
Esta série é dedicada às matérias reeditadas digitalmente oriundas de magníficos long plays - LP. ÁLBUM: HISTORY OF CLASSIC JAZZ – RIVERSIDE (RLP 12-1131- 1956) É chover no molhado dizer que o Jazz se desenvolveu em New Orleans, sim... mas como era então a música ali executada à qual se denominou de Jazz? A resposta vem dessas 3 magníficas gravações no mais autêntico estilo, apesar de feitas fora de New Orleans, onde praticamente nada se gravou de importante à época já que as gravadoras se instalaram em Richmond, Chicago e New York, principalmente. New Orleans efetivamente a primeira escola de Jazz onde, como características principais, encontra-se a improvisação coletiva sobrepondo-se a trechos em solo e as partes harmônicas e melódicas herdadas diretamente do blues são de uma simplicidade elementar. Ritmicamente a linguagem era expressa em "two beats" originada das marchas e ragtimes, porém com uma distribuição alternada de acentos entre os tempos fracos e fortes do compasso resultando em uma música saltitante a qual foi apelidada de hot. Selecionamos do volume IV - New Orleans Style: 1. FROGGIE MOORE (Jelly Roll Morton) – KING OLIVER'S CREOLE JAZZ BAND – King Oliver cornet e líder, Louis Armstrong cornet, Honore Dutray trombone, Johnny Dodds clarinete, Lil Hardin Armstrong piano, Bill Johnson banjo e Baby Dodds. Aqui a escola de New Orleans encontrou a perpetuação, talvez como o melhor dos grupos tradicionais formado e prosperado em Chicago. Gravação original (Gennett 5135 – mx 11390) – 06/abril/1923 – Richmond /Indiana 2. BLUE GRASS BLUES (Billy Meyers / Elmer Schoebel) – ORIGINAL MEMPHIS MELODY BOYS – Paul Mares trompete, Leon J. Roppolo clarinete e demais desconhecidos, talvez George Brunies ao trombone, uma banda de músicos brancos de New Orleans. Estes 3 músicos andavam muito juntos inclusive fazendo parte da Friars Society Orchestra e dos New Orleans Rhythm Kings. Gravação original (Gennett 5157 – mx 11379) – 31/março/1923 – Richmond /Indiana 3. CAKE WALKING BABIES FROM HOME (Clarence Williams / Chris Smith / Henry Troy) - RED ONION JAZZ BABIES - Louis Armstrong cornet, Charlie Irvis trombone, Sidney Bechet sax soprano, Lil Hardin Armstrong piano e Buddy Christian banjo. Josephine Beatty (pseudônimo de Alberta Hunter) & Clarence Todd vocal. Gravação original (Gennett 5627 – mx 9248) – 11/dez/1924 – New York Os nova orleanos, Armstrong e Bechet os grandes talentos nesta gravação sugerem a transição da forma ensemble original da escola New Orleans para o emprego de solos.
Cumpre anos nesta data, para a mais absoluta ventura dos amantes do jazz - e, mais ainda, para pleno regozijo dos poucos que de sua amizade têm a honra de privar - o decano maior e soberano da crônica jazzística nacional José Domingos Raffaelli.
Já aqui outrora confessei que, pessoalmente, tenho múltipla paternidade musical, iniciada com aquele, pai biológico e querido, engenheiro e pianista clássico, com seus 83 anos de convicções em solo firme inabalavelmente fincadas.
Mas José Domingos Raffaelli é meu pai jazzístico indisputável, que o DNA de meus modestos comentários, aqui e alhures, tão explicitamente revela.
Tudo o que sei, ou aprendi, sobre jazz, dele deriva.
O estilo inconfundível e delicioso de resenhar; a generosidade e o estímulo permanente sempre com carinho dispensados ao músico brasileiro; a enciclopédica memória, que, não tenho a menor dúvida, pouquíssimos rivais, NO MUNDO, ousariam desafiar; e, acima e apesar disto tudo, a modéstia, simplicidade, afeto e lealdade de que nós, amigos, por tantos anos vimos testemunhando, destas resulta, dentre outras infinitas virtudes, motivação suficiente para que todas as homenagens ora se-lhe rendam, Mestre Raf.
Mestre, Homem e Amigo com M, H e A maiúsculos, Sumo Pontífice dos jazzófilos, seu sacerdócio, Raffaelli, tem sido fundamental - quando não, poucos sabem, por vezes hercúlea e até quixotesca - engrenagem para alavancar e divulgar, entre gerações e gerações de instrumentistas, estudiosos e ouvintes, a chamada "música dos músicos".
E essa energia persiste hoje com a mesmíssima intensidade das já várias décadas de entrega a tão sofrido ofício - o do jornalismo musical sério - como se ontem mesmo estivesse você lá na América, um jovem ítalo-brasileiro embevecido diante da Nova Yorque da Rua 52, trêmulo ao colher os autógrafos de Parker e Billie, para nunca mais parar de conviver com dezenas de legendas do gênero, de cuja pessoal amizade privou, de outros tantos com quem se correspondeu amiúde, ou daqueles a quem entrevistou e in loco testemunhou brilhar, crescer, amuderecer, ou, infelizmente, decair, porém geralmente sem perder a majestade.
Isto porque, Mestre Raffaelli, orgulho maior do CJUB, você é a testemunha - nossa testemunha - ocular mais perfeita da história do jazz.
O nome RAFFAELLI, em nosso dicionário, significa JAZZ.
Por isso, muitos e muitos anos de História para o Mestre Raf, presente de outro Mestre, aquele que tudo, todos e toda arte criou, o Artista supremo que, se navidad celebra, ela certamente com esta data coincide. Hoje é Natal para o Jazz.
Modern Sound – Sala Multimídia - 20h - Ingresso R$25,00 Rua Barata Ribeiro 502 D Copacabana
22 de outubro - A DANÇA E O JAZZ - a íntima e proveitosa relação da "música dos músicos" com o melhor da dança popular Expositor : Mario Jorge Jacques
29 de outubro - BOOKER PITTMAN - 100 ANOS DE MÚSICA - um músico especial meio americano e muito brasileiro, homenageado no centenário de seu nascimento Expositor : Estevão Herrmann
5 de novembro - MICHEL LEGRAND - UM PASSEIO PELAS TELAS - as trilhas melodiosas de um gênio da música francesa, no cinema europeu e americano Expositor : Sergio Batista
12 de novembro - VERA CRUZ - UMA UTOPIA BRASILEIRA - a tentativa de se criar um cinema brasileiro de primeiro mundo Expositor : Sergio Batista
19 de novembro - ELLA FITZGERALD CANTA STANDARDS - a grande voz do jazz interpreta os grandes clássicos da música americana Expositor : Roberto Murilo
24 de novembro - DORIS DAY EM HOLLYWOOD - uma recordista de bilheteria que não completou sua saga Expositor : Sergio Batista
Quem não resiste a um blues ? Bom, quando o assunto é a música dos músicos isso é assunto sagrado. Aliás, todo mundo devia ter um blues correndo no sangue. Mesmo tendo sua forma condenada no início do século passado às profundezas do inferno, o blues é a raiz de tudo de bom que a gente ouve, do jazz ao rock.
Quantos músicos de jazz fizeram trabalhos com essa voz única – Coltrane, Coleman Hawkings, Miles, Jackie McLean, Horace Silver, entre tantos outros.
E o nome em destaque aqui é do trompetista Flavio Boltro a frente de um quinteto em uma homenagem ao selo Blue Note e uma referência ao blues, com uma abordagem moderna, é verdade, mas com a pura essência.
Flavio Boltro é daqueles trompetistas de sopro vibrante, enérgico, bem bop. Ele arregalou os olhos de Wynton Marsalis e tenho certeza que vai agradar a quem passa por aqui. Neste CD lançado na Italia em 87' participam Michele Bozza tenor, Piero Bassini piano, Riccardo Fioravanti contrabaixo e Giampiero Prina bateria. Esses nomes do jazz italiano, e os europeus em geral, estão mesmo aí para intimidar os americanos, sem competição, mas para mostrar que o jazz atravessa as fronteiras e não deixa espaço vazio.
Dois temas na radiola - Paulermin's Blues e Step's Blues Som na caixa !
Muggsy Spanier ..........................................................Gene Krupa..................................................................... Lee Wiley
Esta série apresenta trechos de concertos de Dixieland Jazz produzidos por Ernest Anderson e dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall na cidade de New York em transmissões pela National Broadcasting Corporation Radio – Blue Network Broadcast Series.
O concerto de 13/agosto/1944 se inicia com o "lead cornet" Muggsy Spanier conduzindo a banda pela composição – Everybody Loves My Baby. O apresentador Fred Robbins chama por Eddie Condon que assume o microfone como mestre de cerimônia e anuncia a cantora Lee Wiley em You're Lucky To Me, onde Pee Wee faz um excelente solo. A seguir chama Gene Krupa e anuncia Limehouse Blues executado em quarteto sendo o clarinete a cargo de Ernie Caceres, piano de Schroeder e baixo por Haggart. Como em toda audição dos Eddie Condon's Concerts é encerrada com uma ensemble, um blues improvisado tendo por base o original de W.C. Handy ― Ole Miss. O próprio Condon vai anunciando os solistas e Fred Robbins encerra. · Everybody Loves My Baby (Jack Palmer e Spencer Williams) · You're Lucky To Me (Eubie Black e Andy Razaf) · Limehouse Blues (Philip Braham e Douglas Furber) · Impromptu Ensemble Blues O grupo que atua é formado por: Eddie Condon (gt e lider), Muggsy Spanier e Bobby Hacket (cornet), Benny Morton (tb), Ernie Caceres (sax bar e cl), Pee Wee Russel (cl), Eugene Schroeder (pi), Bob Haggart (bx) e Joe Garuso (bat). Convidados: Lee Wiley vocalista e Gene Krupa bateria. Fonte: CD Jazzology – JCE1007 -1989 – EUA