Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) *in memoriam*, Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) *in memoriam*, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo), Carlos Augusto Tibau (Tibau), Flavio Raffaelli (Flavim), Luiz Fernando Senna (Senna) *in memoriam*, Cris Senna (Cris), Jorge Noronha (JN), Sérgio Tavares de Castro (Blue Serge) e Geraldo Guimarães (Gerry).

28 abril 2021

 

Série: Histórias do Jazz

 THE AUSTIN HIGH SCHOOL GANG

 Em 1922 seis garotos da AUSTIN HIGHT SCHOOL no lado leste de Chicago formaram uma pequena banda. Eram entusiastas de música tanto quanto muitos outros jovens e a sorte foi pertencerem a um colégio interessado também em música. Todos tocavam violino exceto Bud Freeman, o novato do bando.

Além do violino, Jim Lannigan tocava piano e Jimmy McPartland o cornetim e seu irmão mais velho Dick o banjo e guitarra. Bud Freeman tocava o C-melody sax naquele tempo ainda um tanto popular, mas logo anos depois passou para o sax-tenor o que fez pelo resto de sua vida profissional. Frank Teschemacher era também um dos integrantes do grupo e na época estudava o sax-alto, mas ainda executava o violino, Dave North pianista. As idades do grupo alcançavam desde o caçula Jimmy McPartland com 14 anos, Jim Lannigan e Dick com 17, Teschemacher e Bud Freeman também com 16 este um pouco mais novo.

O interesse era tão grande que além de praticarem ensaiando no colégio o faziam em casa e até mesmo em um apartamento vazio do pai de um deles.

Dominados pela mesma ambição passaram a se apresentar em cinemas, restaurantes e festas. Como eram oriundos da classe média em princípio poderiam tocar por hobby o que lhes deu uma maior liberdade musical, tocavam aquilo que realmente queriam e gostavam, sem nenhuma imposição comercial.

Nesta época conheceram a Al Johnson Orchestra ouvida em um teatro local que impressionou o grupo inspirando a executarem peças de caracter mais dançante passando então a participar das tardes dançantes no colégio Austin realizadas aos sábados de 15 às 17:30h. Aprovados pela associação de pais como uma forma social e saudável de entretenimento para os alunos.

Muitos jovens da região desejaram participar da banda, alguns como Benny Goodman desenvolvendo seu talento, mas muitos interessados em certas "mordomias" tal como uma viagem gratuita ao acampamento de verão do colégio.

A pequena banda se apresentava, além do colégio, em festas nas casas dos colegas estudantes. Praticando dia e noite muitas vezes os estudos formais eram esquecidos.

Na cidade, em Austin, havia uma popular sorveteria The Spoon and the Straw que possuía um fonógrafo automático (jukebox) e um certo dia alguém colocou um niquel e escolheu uma música. Uma tremenda descoberta foi feita! Nada mais, nada menos que uma gravação dos New Orleans Rhythm Kings (NORK), dirigida pelo cornetista Paul Mares de New Orleans e junto George Brunies ao trombone, Leon Roppolo clarinete, Mel Stitzel ao piano e Ben Pollack à bateria. O disco foi tocado exaustivamente e a melodia era TIN ROOF BLUES, (George Brunies / Paul Mares / Walter Melrose / Ben Pollack / Mel Stitzel) a primeira gravação dos NORK em 1923. Era a primeira vez que tinham conhecimento daquele tipo de música e naturalmente logo encantou a "gang" da Austin High School.

The Rhythm Kings, a quem os jovens Chicagoanos ouviam pela primeira vez tinham crescido junto com o Jazz de New Orleans, agora como veteranos vinham a influenciar outros jovens.

The Austin High School Gang, como passaram a ser conhecidos, não tinham outro ambiente tão oportuno para desenvolver seu estilo musical, calcado no ragtime, mas já era o Jazz presente, aquilo que ouviam na “jukebox” a Austin Gang imediatamente iniciou a estudar, não era mais importante ler as partituras e sim se dedicar às improvisações contrapontísticas entre os sopros, o aquecimento do rítmo e a incomparável tonalidade blues.

Mais tarde quando puderam ouvir as gravações da Gennett e Okeh feitas por Bix Beiderbecke e os Wolverines e pela King Oliver's Creole Jazz Band, realmente se tornaram uns jazzistas. O impacto da música de New Orleans havia passado e eles próprios inclusive começaram a criar seu estilo o Jazz de Chicago.

Vários outros jovens e talentosos músicos foram seguindo o caminho da “hot-music” e assim juntaram-se ao grupo: Eddie Condon (banjo, guitarra), os bateristas Dave Tough, George Wettling e Gene Krupa, Floyd O'Brien (trombone), Muggsy Spanier (cornet), Mezz Mezzrow, Benny Goodman e Rodney Cless (clarinete e saxes), Joe Sullivan, Jess Stacy, Art Hodes, Frank Melrose pianistas e Red McKenzie que além de vocal tocava um inusitado instrumento o "pente e papel" (comb-and-paper) procurando imitar o cornet.

Muitas vezes o grupo tocava no Lewis Institute e a tarde era chamada de "tea dances" (chá dançante) no mesmo modelo daquelas ocorridas na Austin School. Cada um recebia em torno de 50 cents pela tarde. Ocasionalmente Benny Goodman e Joe Sullivan tocavam com eles. Um dos maiores sucessos era uma peça hoje tradicional do dixieland JAZZ ME BLUES (Tom Delaney) e algumas do repertório dos New Orleans Rhythm Kings.

Um dos fatores que sempre deixavam os ouvintes intrigados era a ausência de partituras, vez por outra passavam um pequeno papel que continha a harmonia base e o número de choruses dos solos, e nada mais, liam colocavam de lado e saíam tocando.

Todos os membros da "gang" fizeram carreira musical mas o pianista David North desapareceu no tempo não se tendo notícia.

Na verdade o grupo nunca formalizou uma banda comercial e não tiveram oportunidade de alguma gravadora ou alguém do ramo se interessar em fazer registros não havia por parte dos jovens ainda um profissionalismo.

Todos os músicos da gang foram crescendo e se garantindo em suas próprias carreiras, no entanto alguns chegaram a formar pequenos grupos e aí tiveram seus registros fonográficos.

Podemos então ouvir um desses grupos formado por membros da “gang”:

Jimmy McPartland (cnt), Frank Teschmacher (cl), Bud Freeman (st), Joe Sullivan (pi), Eddie Condon (bj), Jim Lannigan (bx) e Gene Krupa (bat) - Chicago, 8/dezembro/1927 – selo Okeh Records.

Um dos grandes clássicos "CHINA BOY" uma canção de 1922 escrita por Phil Boutelje e Dick Winfree. Foi introduzida no vaudeville por Henry E. Murtagh e popularizada pela gravação de Paul Whiteman na Columbia de 1929 com Bix Beiderbecke. A música se tornou um padrão de jazz e foi gravada por, entre outros: Louis Armstrong, Mildred Bailey, Sidney Bechet, Gene Kardos, Benny Goodman, Lionel Hampton, Isham Jones, Red Nichols, Charlie Parker, Django Reinhardt e Fats Waller.


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