Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

CRÉDITOS DO PODCAST # 554

23 janeiro 2021

 

LIDER

EXECUTANTES

TEMAS e AUTORES

GRAVAÇÃO

 LOCAL e DATA

GEORGE WEIN

George Wein And The Newport All Stars: Ruby Braff (cnt), Marshall Brown (v-tb), Pee Wee Russell (cl), Bud Freeman (st), George Wein (pi), Bill Takas (bx) e Marquis Foster (bat)

LULU'S BACK IN TOWN

 (Al Dubin / Harry Warren)

New York, 12/outubro/1962

DIANA KRALL

Diana Krall (pi,vcl), Anthony Wilson (gt), John Clayton (bx) e Jeff Hamilton (bat)

EAST OF THE SUN, WEST OF THE MOON

 (Brooks Bowman)

Live at "Olympia", Paris, 2/dezembro/2001

ELLIS MARSALIS

Ellis Marsalis (pi), Derek Douget (st), Jason Stewart (bx) e  Darrian Douglas (bat)

TWELVE'S IT  (Ellis Marsalis)

Live at The New Orleans Jazz & Heritage Festival, 29/abril/2012

DUKE ELLINGTON

Arthur Whetsel, Freddy Jenkins, Cootie Williams (tp), Joe Nanton, Juan Tizol (tb), Barney Bigard (cl,st), Johnny Hodges (sa), Harry Carney (sbar), Duke Ellington (pi), Fred Guy (bj), Wellman Braud (bx), Sonny Greer (bat)

COTTON CLUB STOMP

 (Harry Carney / Duke Ellington / Johnny Hodges) 

New York, agosto/1929

SONNY CLARK

Art Farmer (tp), Jackie McLean (sa), Sonny Clark (pi), Paul Chambers (bx) e Philly Joe Jones (bat)

DEEP NIGHT

(Charles Henderson / Rudy Vallée) 

Hackensack, N.J., 5/janeiro/1958

MARTY PAICH

Frank Beach, Conte Candoli, Al Porcino, Jack Sheldon, Stu Williamson (tp), Vincent DeRosa (flh,fhr), Victor Feldman (vib, perc), Bill Hood, Art pepper (sa), Bill Perkins (st), Jimmy Giuffre (sbar), Bob Enevoldsen, George Roberts (tb), Russ Freeman (pi), Scott LaFaro (bx), Mel Lewis (bat) e Marty Paich (arranjo, condução)

LOVE FOR SALE

 (Cole Porter)

Los Angeles, janeiro/1959

HAMILTON DE HOLANDA

Hamilton De Holanda (bandolim 10 cordas), Daniel Santiago (violão), Thiago do Espirito Santo (baixo) e Edu Ribeiro (bateria).

DEUS É AMOR PRA TUDO QUE É FÉ

 (Hamilton de Holanda)

Gravadora Brasilianos, Brasília, maio de 2019

EDDIE MILLER

Eddie Miller (st), Johnny Varro (pi), Ray Leatherwood (bx) e Gene Estes (bat)

I NEVER KNEW

 (Ted Fio Rito / Gus Kahn)

Live at "Mulberry Street", Studio City, Ca., 10/fevereiro/1982

GARY CLARK JR

Gary Clark, Jr.(gt,vcl),        Duke Levine (pi), Mike Peipman (tp), Gordon "Sax" Beadle (st), Billy Novick (cl,sa), Tim "T-Bone" Jackson (perc), Mike Turk (hca), Jesse Williams (bx) e         James Cruce (bat)

BLUE LIGHT BOOGIE

 (Jessie Mae Robinson, Louis Jordan)

Rhino Records – Inglaterra, 2008

DAVID LUKACS 

David Lukács (cl,st,arranjo), Malo Mazurié (cnt), Attila Korb (b-sax, tb) e Félix Hunot- (gt, bj)


MANDY, MAKE UP YOUR MIND

 (Arthur Johnston / George W. Meyer)

Enkhuizen, Holanda, 20/fevereiro/2018

ROB MCCONNELL

Rob Mcconnell & The Boss Brass: Arnie Chycoski, Erich Traugott (tp,flhrn) Guido Basso, Sam Noto, Dave Woods (flh), Rob McConnell (v-tb), Ian McDougall, Bob Livingston, Dave McMurdo (tb), Ron Hughes (b-tb), George Stimpson, Brad Warnaar (fhr), Moe Koffman (sa,fl), Jerry Toth (sa,cl,fl), Eugene Amaro (ts,fl), Rick Wilkins (st,cl), Dave Caldwell (sbar,b-cl,fl), James Dale (pi,el-pi), Ed Bickert (gt), Don Thompson (bx), Terry Clarke (bat) e Marty Morell (perc)

START WITH MRS. BEANHART

 (Rob McConnell)

Toronto, 31/outubro/1979

MILT JACKSON & JOHN COLTRANE

John Coltrane (st), Milt Jackson (vib), Hank Jones (pi), Paul Chambers (bx) e Connie Kay (bat)

BLUES LEGACY

 (Milt Jackson) 

New York, 15/janeiro/1959

P O D C A S T # 5 5 4

22 janeiro 2021

 

GEORGE WEIN
SONNY CLARK

EDDIE MILLER

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20 janeiro 2021

 

Série: Histórias do Jazz

NOVA ORLEANS E A FORMAÇÃO DO JAZZ (1ª parte)

 NOVA ORLEANS - cidade na Lousiana, sul dos EUA que passou a denominar a escola dos primórdios do Jazz formada quase que inteiramente ali. Cidade portuária localizada no delta do Mississippi fundada por colonos franceses em 1718, sob o nome de La Nouvelle-Orléans. Inicialmente como uma concessão territorial francesa cujo nome foi atribuído em homenagem a Filipe, Duque de Orléans, que era então o regente e o chefe de estado da França. Depois foi cedida à Espanha em 1763 e em 1800 retornou à França sendo finalmente vendida aos Estados Unidos em 1803, juntamente com toda a Louisiana por cerca de 15 milhões de dólares à época. Naturalmente foi habitada por integrantes latino-americanos, europeus, africanos e antilhanos formando um coquetel cultural. New Orleans desempenhou um papel bastante incomum como a primeira "cidade do jazz". Embora ― Kansas City, Chicago e Nova York produziriam mais tarde cenas de desenvolvimento do Jazz.

Na parte social a miscigenação de linhagem diversificada de influências francesas, irlandesas, espanholas, africanas e caribenhas, produziu o gosto pelas festas de todo tipo sempre animadas pelas “brass bands” (bandas de metais) que desfilavam "congestionando" musicalmente a cidade.

Um dos fatores de maior contribuição foi a oportunidade de acesso aos instrumentos de sopro após o fim da Guerra de Secessão (1864), quando o negro-americano, recém liberto, conseguia tais instrumentos, até então uma exclusividade do músico branco. Esse ambiente social e “modus vivendi” inteiramente propício do povo, favoreceu à criação de uma forma de se interpretar, de se criar música, quando vieram a se mesclar vários gêneros tendo o ragtime e o blues a maior responsabilidade na formação do que se denominou de Jazz.

Não só instrumentos polidos compunham o meio musical de New Orleans, alguns usados pelos negros ainda escravos eram mais pobres e rudes feitos grosseiramente ou improvisados destacando-se o kazoo (1), jug (2) e washboard (3) que formavam as bandas de instrumentos primitivos chamadas de Jug Bands que incluíam, além desses a harmônica de boca e por vezes o violino. Essas bandas muito contribuíram para o início do Jazz e uma das mais famosas foi a Memphis Jug Band que podemos ouvir em um trecho de gravação.

Will Shade (hca), Charlie Pierce (violino), Jab Jones (jug), Charlie Burse (kazoo), Robert Burse (washboard) ― MEMPHIS SHAKEDOWN (Traditional)  -   Chicago, novembro/1924

Os afro-americanos libertos tiveram um acesso fácil a instrumentos como o trompete, cornetim, clarinete, trombone, tuba e os de percussão e inclusive muitos instrumentos eram frequentemente adquiridos de segunda mão em lojas de penhores, incluindo instrumentos usados de bandas militares e vendidos pelos soldados com baixos preços dada a penúria dos estados derrotados do sul.

O blues passa então, do plano vocal puro ou vocal com acompanhamento para o plano também instrumental, incorporando-se definitivamente como uma forma básica do Jazz, onde pode-se encontrar todos os aspectos estéticos que fazem a música ser de Jazz, como a improvisação, a rítmica, as inflexões negróides (4) usadas pelos instrumentos de sopro na tentativa de imitação da voz, as vozes do blues, à maneira de se sentir o blues.  Literalmente sentimento, referindo-se à qualidade emocional de uma interpretação em contraposição ao virtuosismo muito técnico e desprovido ou diminuído da emoção, de sentimento, que deve existir no relacionamento entre músico e público, notadamente no Jazz.

Por isso, dizemos que o Jazz tem uma linguagem própria, uma gramática e que não é só atribuída ao caráter de improvisação.

Sem dúvida, a maior expressão na execução do ragtime ao piano e do estabelecimento de um estilo pianístico que mais tarde viria a se incorporar como estilo de Jazz, foi Ferdinand Joseph La Menthe, mais conhecido como JELLY ROLL MORTON, nascido em Gulfport na Lousiana em 1885 e que se auto-intitulava o inventor do Jazz. Exageros e vaidades à parte o certo é que aos 17 anos Jelly Roll já trabalhava nas espeluncas de New Orleans. Morton também foi um dos primeiros compositores reais de jazz e mais tarde um notável arranjador.

STORYVILLE ― denominação esta dada a um distrito da cidade de New Orleans em out/1897 quando foi aprovada sua criação pelo City Council (Conselho da Cidade uma espécie de Câmara Civil que regia certos negócios públicos) e cujo presidente era Mr. Alderman Sidney Story. Trinta e oito quarteirões foram reservados para agrupar todas as casas de shows, bebidas, dança, prostituição e jogos, (sporting house, speaky easy, honk tonks, barrelhouse), enfim todo o tipo de estabelecimento onde a música deveria fazer parte do clima e que funcionou até 12/nov/1917 quando Storyville foi interdidada por solicitação do Departamento Naval dos EUA dado que se pretendia estabelecer ali uma base naval e a área deveria ser "limpa".

Inúmeros músicos encontravam trabalho em Storyville e onde se formou o núcleo principal das atividades musicais que originaram o Jazz como maneira de se interpretar e executar a música popular norte-americana de origem negra. A interdição do distrito com o fechamento das casas ocasionou o êxodo de músicos para o norte, principalmente para as cidades de Kansas City e Chicago, a maioria através dos riverboats do rio Mississipi que subiam o rio.

Mas o Jazz notabilizou-se também com o estilo fanfarra das bandas de rua executando um estilo interessante de polifonia com o trio de instrumentos de sopro tendo o trompete ou cornetim como lider e o clarinete e trombone em contracanto acompanhados por uma seção rítmica efetiva.

A primeira escola de Jazz tem como características principais, a improvisação coletiva sobrepondo-se a trechos em solo e as partes harmônicas e melódicas, herdadas diretamente do blues, são de uma simplicidade elementar. Ritmicamente a linguagem era expressa em “two beats” (compasso 2/4) originada das marchas e ragtimes, porém com uma distribuição alternada de acentos entre os tempos fracos e fortes do compasso tornando a execução alegre, saltitante, muito propícia para a dança.

Acrescenta-se que as execuções apesar de muito simples denotavam grande sensibilidade ou “feeling” negróide que as diferenciavam das demais execuções populares e que passou a ser largamente imitada pelos músicos brancos sendo inclusive, mais tarde, adotada pelas bandas dos grandes e por vezes sofisticados salões de dança. Costuma-se mencionar “feeling” negróide quando se quer enfatizar o sentimento, a emoção de uma execução à maneira do negro, oriunda de suas afro-tradições.

Há historiadores que classificam esta escola de Jazz como uma forma dançante do repertório das fanfarras que desfilavam pelas ruas de New Orleans no início do século XX. Não há dúvidas quanto ao grande apelo da dança em toda a história do Jazz.

Podemos ouvir uma típica execução do estilo New Orleans com JASPER TAYLOR AND HIS STATE STREET BOYS: Freddie Keppard (cnt), Eddie Ellis (tb), Johnny Dodds (cl), Tiny Parham (pi), Jasper Taylor (wbd) ―    STOMP TIME BLUES (Tiny Parham) ― Chicago, janeiro/1927

 

(1) KAZOO  - instrumento primitivo muito rústico que consiste em um tubo normalmente de bambu ou mesmo em metal com cerca de 12cm com a "boca" recoberta de pele. Na verdade é uma extensão amplificada da voz humana rouquenha empregado há centenas de anos na África para imitar vozes de animais para ajudar na caça e em vários tipos de cerimônias. Foi muito usado nas jug bands de New Orleans procurando imitar as inflexões do cornetim.

(2) JUG  - botija feita em cerâmica muito usada no início do século XX para guardar o gim, whiskey ou cerveja e com a qual os músicos primitivos de New Orleans emitiam, através de sopro no gargalo um som bastante grave à guisa de acompanhamento semelhante à tuba. A JUG continua sendo empregada como um instrumento folclórico no sul dos EUA.

(3) WASHBOARD  - é realmente o que significa — tábua de lavar. Foi muito empregada como instrumento de percussão nas bandas primitivas de New Orleans. Os executantes usavam as unhas ou colocavam dedais para tirar um melhor som. Muitas bandas estritamente tradicionais ainda empregam o instrumento.

(4) O que caracteriza a inflexão negróide é toda uma gama de recursos de execução musical essenciais ao Jazz quais sejam: os acentos, ataques, sustentação de notas, vibrato, semitonar e todas as combinações daí decorrentes. Uma técnica inspirada nos cantores de blues primitivos a fim de a tornar a execução mais expressiva;

CRÉDITOS DO PODCAST # 553

16 janeiro 2021

 

LIDER

EXECUTANTES

TEMAS e AUTORES

GRAVAÇÃO  LOCAL / DATA

JIMMY HEATH

Nat Adderley (cnt), Clark Terry (tp,flh), Tom McIntosh (tb), Dick Berg (trompa), Cannonball Adderley (sa), Jimmy Heath st), Pat Patrick (sbar), Tommy Flanagan (pi), Percy Heath (bx) e Albert "Tootie" Heath (bat)

BIG P (Jimmy Heath)

New York, 24 e 28/junho/1960

DAT DERE

(Oscar Brown, Jr. / Bobby Timmons)

HOWARD ROBERTS

Howard Roberts (gt)  Bob Cooper (st), Pete Jolly (p)i Jules Bertaux (bx) e Bobby White (bat)

JILLZIE (Howard Roberts)

Los Angeles, 17/janeiro/1957

INDIANA

 (James F. Hanley / Ballard MacDonald)

ANITA O’DAY

Anita O'Day (vcl) acc by Paul Smith (pi), Barney Kessel (gt), Joe Mondragon (bx) e Alvin Stoller (bat)

WHO CARES ?

(George Gershwin / Ira Gershwin)

Hollywood, CA, 6/dezembro/1955

AS LONG AS I LIVE

(Harold Arlen / Ted Koehler)

ROB MCCONNELL

 

SWR BIG BAND

Felice Civitareale, Wim Both, Claus Reichstaller, Karl Farrent, Rudolf Reindl (tp,flh), Ernst Hutter, Marc Godfroid, Ian Cumming, Gunter Bollmann, Georg Maus (tb), Raymond Warnier, Viktor Sokolov (trompa), Rob McConnell (v-tb,direção,arranjo), Klaus Graf, Axel Kuhn, Jorg Kaufmann, Andreas Maile, Pierre Paquette (saxes), Klaus Wagenleiter (pi), Klaus-Peter Schopfer (gt), Decebal Badila (bx) e Holger Nell (bat)

SO VERY ROB

 (Rob McConnell)

Stuttgart, Alemanha, 14/maio/2003

CONFIRMATION

 (Benny Harris / Charlie Parker)

CHICO HAMILTON

Buddy Collette (st,cl), Fred Katz (cello), Jim Hall (gt) Carson Smith (bx) e Chico Hamilton (bat)

BUDDY BOO

  (Buddy Collette) 

Live at "Strollers", Long Beach, CA, 4agosto/1955

I WANT TO BE HAPPY

 (Irving Caesar / Vincent Youmans)

MARTY PAICH

Frank Beach (tp), Stu Williamson (tp,v-tb), George Roberts (tb,) Bob Enevoldsen (v-tb,ts), Vince DeRosa (trompa), Art Pepper (sa), Bill Perkins (st), Jimmy Giuffre (sbar,cl) Victor Feldman (vib,perc), Marty Paich (pi), Scott LaFaro (bx) e Mel Lewis (bat)

I LOVE PARIS

 (Cole Porter)

Los Angeles, janeiro/1959

IT'S ALL RIGHT WITH ME

 (Cole Porter)

KENNY WERNER

Kenny Werner (pi), Johannes Weidenmueller (bx) e Ari Hoenig (bat)

TIME REMEMBERED

(Bill Evans)

Paris, 25/novembro/2000

P O D C A S T # 5 5 3

15 janeiro 2021


ANITA O'DAY
HOWARD ROBERTS
KENNY WERNER 

PARA BAIXAR O ARQUIVO DE ÁUDIO USAR O LINK ABAIXO:

https://www.4shared.com/mp3/s0OfXEpjea/PODCAST_553.html


13 janeiro 2021

 Série: Histórias do Jazz

 

AS PRIMEIRAS BANDAS E AS GRAVAÇÕES DE JAZZ (FINAL)

A primeira banda afro-americana a gravar indicando que tocava Jazz foi a Wilbur Sweatman's and his Jazz Band. Em abril de 1917 Sweatman gravou sete instrumentais para o selo Pathe. A execução ainda era calcada firmemente na tradição do Ragtime, mas há passagens bastante jazzy no clarinete do próprio Sweatman e no saxofone de Henry Minton. Sweatman fez mais gravações entre 1918 e 1920 para os selos Columbia e Little Wonder.

Charles Prince's Band gravou várias canções em 1917 incluindo a palavra Jazz em vez de Jas ou Jass. A primeira delas a 16/abril intitulava-se Hong Kong com o subtítulo de Jazz One-Step (*). Em junho várias sessões produziram Everybody's Jazzin' It e New Orleans Jazz. A banda de Prince foi criada em 1902 tornando-se uma das mais conhecidas das gravações populares no processo acústico (até 1925). Em julho de 1917 Prince gravou Lily Of The Valley a qual foi caracterizada como mais um Jazz One-Step. Em 15/dezembro sob a chancela de Jazz foi editado o tema Cleopatra Had A Jazz Band.

O famoso sexteto de saxofones do teatro vaudeville ― The Six Brown Brothers liderado por Tom Brown fez uma gravação para a Victor em maio/1917 do tema ― Smiles And Chuckles - A Jazz Rag. Realmente era muito mais um rag do que Jazz, mas o sexteto gravou ainda vários títulos como Jazz em 1920 e se não executavam exatamente o Jazz sua contribuição na divulgação do saxofone foi notável.

A W.C. Handy's Orchestra de Memphis que desfilava instalada e tocando em cima de um carroção em setembro de 1917 gravou 10 canções para a Columbia incluindo sua versão de Livery Stable Blues o grande hit da ODJB. Handy tinha 43 anos quando estes discos foram feitos. Se considerarmos que as gravações de 1917 da Wilbur Sweatman's Jass Band eram mais Ragtime estilisticamente e não Jazz poderíamos dizer que as gravações de Handy foram as primeiras realmente de Jazz. Somente a canção That Jazz Dance (The Jazz Dance Everybody Is Crazy 'Bout) foi classificada como Jazz nos selos dos discos, normalmente eram tituladas de foxtrot. A associação de W.C. Handy's com o Jazz após 1917 foi principalmente como compositor com canções imortais como St. Louis Blues e Memphis Blues até hoje fazendo parte do repertório jazzístico.

Ford Dabney foi outro afro-americano e bandleader que gravou em agosto de 1917 e que poderia ser considerado como música de Jazz. À mesma época que as gravações eram feitas a Dabney's Band se apresentava no Ziegfeld's Midnight Frolic, uma revista musical no The New Amsterdam Theatre (214 W. 42nd Street at Broadway) em New York. O show iniciava às 23:30h e era aberto pelo número de dança com a música ― The Jass - Lazy Blues.

O primeiro disco contendo Jazz em ambos os lados foi o Columbia A2472 com as canções Cleopatra Had A Jazz Band e Alexander's Got A Jazz Band Now, última gravação do cantor Gene Greene, conhecido como ― The Ragtime King.

Alguns historiadores consideram a canção de 1911 ― King of the Bungaloos interpretada por Greene como o primeiro exemplo de scat singing em gravação, mas na verdade não era estilisticamente o que foi consagrado por Armstrong em Heebie Jeebies em 1926 e depois por muitos vocalistas de Jazz que o seguiram.

A lembrança de bandas que gravaram canções em 1917 que incluíam de alguma forma a palavra Jazz no título ou no nome da banda foram grupos de estúdio como a The Memphis Pickaninny Band que gravou Some Jazz Blues. The Emerson Military Band registrou duas versões de Hong Kong Jazz One-Step. A Emerson Symphony Orchestra gravou Hawaiian Butterfly Jazz Foxtrot.

O clarinetista Ted Lewis nascido em Circleville, Ohio em 1890 já liderava grupos antes de 1910. Ted formou dupla com seu irmão mais velho Edward Friedman conhecida como "Ted and Ed" atuando no teatro vaudeville. Em 1916 Lewis juntou-se a Earl Fuller's Band a qual atuava no Aux Caprice Domino Room e Rector's Supper Club em Manhattan fazendo inúmeras gravações em 1917 para a Victor das quais alguns temas como ― Jazzing' Around, Beale Street Blues e A Conn Band Contest dentre outras. Depois a Ted Lewis and his Band tornou-se a mais popular dos anos 20 tendo feito várias gravações em 1919.

De todos os grupos e sucessos individuais a primeira gravação da Original Dixieland Jass Band provou ter tido o maior impacto na história da música. As canções de W.C. Handy obtiveram a maior popularidade por muitos anos e Ted Lewis foi o mais popular e bem sucedido de todos os artistas que primeiro gravaram Jazz em 1917. Durante anos as bandas lideradas por Lewis apresentaram muitos músicos que mais tarde se tornariam importantes estrelas do Jazz, tais como: Muggsy Spanier (tp), Jimmy Dorsey (sa), Dave Klein (cornet), Benny Goodman (cl), Don Murray (sax baritono), George Brunies (tb) e Jack Teagarden (tb).

Wilbur Sweatman também empregou vários músicos iniciantes em suas carreiras como Duke Ellington (pi), Sonny Greer (bat), Otto Hardwick (sa), Cozy Cole (bat) e Coleman Hawkins (st).

A questão de qual tenha sido o primeiro ― o Ragtime ou Jazz nas primeiras gravações divide os historiadores há muitos anos, contudo as listas de gravações feitas como sendo de Jazz em 1917 ajudaram o público a entender e a reconhecer um novo estilo de se tocar e interpretar a música popular norte-americana – O JAZZ.

Abaixo podemos ouvir a Wilbur Sweatman's and his Jazz Band como já vimos a 1ª. Banda afro-americana a executar o mais próximo do Jazz.

Wilbur Sweatman (cl), Vess Williams (sa), Piccolo Jones, Henry Minton (st), Charlie Thorpes (sbar) Frank Withers (bass-sax)

JOE TURNER BLUES (W.C. Handy)  New York, abril, 1917        Selo Pathe-Act 20147

 


 

 

 (*) - ONE-STEP – refere-se a uma dança afro-americana muito popular entre os anos de 1910 a 1920 que se baseava em música sincopada semelhante ao Ragtime. Através do casal de dançarinos Castle (Vernon e Irene), invadiu os salões mais refinados de New York, sendo a base de desenvolvimento de outros passos. Uma pequena variação no passo da dança gerou outro tipo intitulado two-step. 


CRÉDITOS DO PODCAST # 552

09 janeiro 2021

LIDER

EXECUTANTES

TEMAS e AUTORES

GRAVAÇÃO LOCAL e DATA

CYRUS CHESTNUT

Cyrus Chestnut (pi), Russell Malone (gt), Michael Hawkins (bx) e Neal Smith (bat)

IF (Cyrus Chestnut)

New York, 19/julho/2005

Cyrus Chestnut (pi), Dezron Douglas (bx)e Neal Smith (bat)

EYES OF AN ANGEL

(Cyrus Chestnut)

South Orange, NJ, 15/maio/2010

Stacy Dillard (st), Cyrus Chestnut (pi), Dezron Douglas (bx) e Willie Jones, III (bat)

WHAT'S HAPPENING

(Dezron Douglas)

WJ3 Records, Brooklyn / 2011

Cyrus Chestnut (pi), Eric Wheeler (bx) e Chris Beck (bat)

GOLLIWOG'S CAKEWALK

(Claude Debussy)

New York, 29/abril/2018

Cyrus Chestnut (pi), David Williams (bx) e Victor Lewis (bat)

FROM A TIP (Victor Lewis)

Astoria, NY, 24/novembro/2014

Cyrus Chestnut (pi), Michael Hawkins (bx) e Neal Smith (bat)

ERROLING

(Rev. Thomas A. Dorsey)

Talahassee, FL, 17/novembro/2002

Cyrus Chestnut (pi), Christopher J. Thomas (bx) e Clarence Penn (bat)

CORNBREAD PUDDING

(Cyrus Chestnut)

Brooklyn, NY, 8/junho/1993

Freddie Hendrix (tp), Cyrus Chestnut (pi), Dezron Douglas (bx) e Willie Jones, III (bat)

THE HAPPINESS MAN

(Cyrus Chestnut)

New York, 7/março/2013

Dancing with Duke - An Homage to Duke Ellington: Cyrus Chestnut (pi), John Brown (bx) e Adonis Rose (bat)

IT DON'T MEAN A THING [IF IT AIN'T GOT THAT SWING]

(Duke Ellington)

Charlotte, North Caroline, 14/março/2010

PERDIDO

 (Juan Tizol / Ervin Drake / Hans Lengsfelder)

Stacy Dillard (st), Cyrus Chestnut (pi), Dezron Douglas (bx) e Willie Jones, III (bat)

NO PROBLEM (Duke Jordan)

New York, 2011

P O D C A S T # 5 5 2

08 janeiro 2021


MÚSICO EM FOCO


CYRUS CHESTNUT


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