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09 março 2015

Uma nova estrela em matéria de vocalese

Nascida na Rússia, Angelica Matveeva lança CD em selo próprio

Por Luiz Orlando Carneiro

Há muita gente boa que ainda confunde vocalese com scat singing. Ou com vocalização sem palavras. Mas é preciso esclarecer que nem toda performance de um(a) vocalista em que não há letras (lyrics, em inglês) deve ser chamada de vocalese ou de scat singing (improvisação vocal onamotopaica de que foram mestres Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan).

O vocalese, no jazz, consiste em acrescentar (e cantar) letras (versos) em solos instrumentais previamente gravados que ficaram famosos. Foi a forma de expressão que teve como pioneiros os vocalistas da era do bebop King Pleasure, Eddie Jefferson e Jon Hendricks. Foram eles - mais o saxofonista-tenor James Moody - que também inspiraram conjuntos vocais posteriores de muito sucesso, como o Manhattan Transfer.

Isto posto, registre-se o lançamento recente do cativante CD intitulado Vocalese (Chan Puma), da cantora Angelica Matveeva, 29 anos, nascida em Moscou, mas já há algum tempo radicada na Finlândia, onde é dona da editora Chan Puma House. O álbum - o terceiro da vocalista - contem oito faixas, das quais quatro são interpretações de peças de vocalese já existentes, e as outras tantas têm as letras escritas (sempre em cima de solos de jazzmen) pela própria líder do conjunto integrado pelos instrumentistas europeus Manuel Dunkel (sax tenor), Jukka Eskola (trompete), Fabio Giachino (piano), Davide Liberti (baixo) e Ruben Bellavia (bateria).

As faixas em que Angelica Matveeva recria - com sua voz potente e excitante - jazz originals de "repercussão geral reconhecida" são as seguintes: Moody's mood for love, com as lyrics de Eddie Jefferson em cima do solo de James Moody gravado na Suécia, em 1949, a partir do tema de I'm in the mood for love; Joy spring, baseado no vocalese que Jon Hendricks fez do solo de Clifford Brown (1930-1956) sobre o tema do próprio trompetista;Scrapple from the apple, a célebre composição de Charlie Parker, vocalizada em cima dos solos de Parker e de Miles Davis no registro original da Dial, de 1947; Good bye pork pie hat, aquela pungente peça de Charles Mingus em memória de Lester Young, com letra de Joni Mitchell escrita para o solo de John Handy (sax alto), na gravação original de 1959.

Angelica, por sua vez, escreveu lyrics para solos do trompetista italiano Franco Ambrosetti numa versão de Yes or no, tema de Wayne Shorter; do próprio saxofonista Shorter em Ping pong, também de sua lavra; de Clifford Brown e do sax alto Lou Donaldson numa versão da muito conhecida melodia de You go to my head.


Uma mostra da arte de Angelica Matveeva tal qual registrada no CD Vocalese pode ser ouvida no teaser de 3m48 disponível na SoundCloud (https://soundcloud.com/angelicamatveeva). Ou no site da Chan Puma House (www.chanpuma.com).

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