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24 janeiro 2015

As Imaginary Cities de Chris Potter

por Luiz Orlando Carneiro, em 24/01/2015

O saxofonista tenor Chris Potter, 44 anos, consolidou o seu prestígio quando foi convocado pelo eminente baixista-compositor Dave Holland para integrar aquele quinteto que gravou, para a etiqueta ECM, entre 1998 e 2001, três CDs excepcionais: Prime directive, Not for nothing eExtended play: Live at Birdland.

No ano passado, ele foi o sexto mais votado, na sua especialidade, pelos críticos de jazz reunidos pela Downbeat no 62º referendo anual da revista especializada, tendo à sua frente, “apenas”, os “cinco grandes” do sax tenor: Joe Lovano, Charles Lloyd, Sonny Rollins, Wayne Shorter e Branford Marsalis.

Em setembro de 2011, Potter gravou o primeiro álbum para a ECM na condição de líder, realçando também, de maneira definitiva, os seus dotes de compositor. Lançado mais de um ano depois, The sirens foi qualificado nesta coluna (9/2/2013) como o seu disco “mais autoral, mais especulativo e surpreendente”. A suíte de nove partes, inspirada na Odisseia, de Homero, foi interpretada pelo saxofonista na companhia de Craig Taborn (piano), David Virelles (piano preparado, efeitos na celesta e no harmonium), Larry Grenadier (baixo) e Eric Harland (bateria).

Na última semana, o mesmo selo de Manfred Eicher distribuiu a nova obra de fôlego concebida pelo saxofonista-compositor para a sua Underground Orchestra: a suíte Imaginary cities, dividida em quatro partes (Compassion, Dualities, Desintegration e Rebulding), com duração total de mais de 35 minutos, gravada em dezembro de 2003.

A orquestra reunida pelo líder concilia o seu já conhecido quarteto com Craig Taborn (piano), Adam Rogers (guitarra) e Nate Smith (bateria), mais o vibrafonista Steve Nelson e a dupla de baixistas Scott Colley (acústico)-Fima Ephron(elétrico), com um quarteto de cordas de configuração clássica (dois violinos, viola e violoncelo).

Trata-se, assim, de uma associação musical de 11 cabeças que não atua propriamente como uma orquestra jazzística típica – em que predominam instrumentos de sopro (palhetas e metais) apoiados pela seção rítmica tradicional – mas que segue partituras assemelhadas às escritas por Gunther Schuller e John Lewis, paladinos da chamada Third Stream Music, no início da década de 1960 (Abstraction,Variants on a theme of John Lewis, de Schuller).

Contudo, a nova obra de Chris Potter é mais aberta à participação criativa de seus pares do que aquelas peças mais “eruditas” de Schuller, Lewis, Hodeir & Cia. Há muito espaço para os solos sofisticados, hipnóticos, do grande saxofonista tenor, e uma intercomunicação permanente entre a “seção percussiva” da “orquestra” e a “tapeçaria” melódico-harmônica do quarteto de cordas.

A suíte-núcleo do CD é desenvolvida em peças de moods contrastantes, da contemplativa Compassion (8m30) à percussiva Rebuilding(11m30), passando pela movimentada Dualities (8m40) – com solo inebriante do líder no sax tenor – e a romântica Desintegration (7m20) – com Potter no sax soprano.

Há outras quatro faixas que até poderiam ser integradas à suíte que dá título ao álbum: Lament (8m05), a primeira do disco; Firefly (8m35), com solo acrobático do tenorista, por sobre a pulsação funky da bateria de Harland; Shadow self (6m10), meio bartokiana, com Potter no clarinete baixo, e especial realce para a combinação da guitarra de Adam Rogers com o vibrafone de Steve Nelson; Sky (12m), a faixa mais longa e final, bem dançante, as cordas desenvolvendo uma melodia balcânica, e preparando relevante intervenção do pianista Craig Taborn.

“Não quis (criar) aquele negócio de música clássica-com-jazz feeling – comenta o próprio saxofonista-compositor. Quis que tudo fosse completamente integrado, e que, em alguns momentos, o material escrito e o improvisado estivessem um pouco misturados, e que as cordas pudessem também improvisar”.

Estes objetivos foram plenamente atingidos pelo autor e principal ator de Imaginary cities.

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