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A COLUNA DO MESTRE LOC DE HOJE NO JB

31 janeiro 2015

As "composições instantâneas" de Jean-Michel Pilc
por Luiz Orlando Carneiro

Nascido na França, há 54 anos, o pianista Jean-Michel Pilc fixou-se em Nova York em 1995. À frente de um trio integrado por François Moutin (baixo) e Ari Hoenig (bateria), cativou a crítica especializada com os dois álbuns intitulados Together, gravados ao vivo no antigo Sweet Basil, em 1999, e lançados em 2000 e 2001, respectivamente. Na mesma época, a Dreyfus francesa editou o CD Welcome home, no qual Pilc exibiu a intensidade de sua intuição criativa – além de uma técnica assombrosa, digna de um Martial Solal – na reinterpretação de cânones sagrados do jazz moderno como So what (Miles Davis), Rhythm-a-ning (Thelonious Monk) e Giant steps (John Coltrane).

Em 2011, a etiqueta Motéma registrou, em Essential, duas apresentações de Pilc, solo, na sala de recitais mantida pelos fabricantes dos pianos Fazioli em Rahway, New Jersey. Ao todo, 18 faixas, com incríveis reinvenções (“recomposições improvisadas”) de temas batidos como Take the “A” Train, Someday my prince will come, Mack the knife, além de uma valsa de Chopin. E também seis breves estudos (études-tableaux) da lavra do virtuose do piano.

Agora, neste ínicio de ano, Jean-Michel Pilc reaparece num álbum solo da Sunnyside ainda mais extraordinário. Trata-se de What is thing called?, uma série de 31 variações (“composições instantâneas” como ele prefere chamar) direta ou vagamente inspiradas nos contornos melódicos e/ou na configuração harmônica de What is this thing called love?, de Cole Porter, um dos 10 mais tocados e ouvidos jazz standards de todos os tempos.

As 31 faixas foram selecionadas pelo pianista ao fim de três dias de gravações totalmente livres e espaçadas, num Yamaha CFX, no estúdio exclusivo da Yamaha Artist Services, em Nova York. Estas variações foram registradas no CD sem ordem cronológica e sem qualquer preocupação de constituírem uma espécie de suíte. Todas elas receberam títulos. Desde as mais breves ou brevíssimas, como Run (0:43),Quick (0:34) ou Dance (0:38), até as mais longas, como Cole (4m), Prelude (5m20) ou Now you know what love is (6m35).

Mas todas as “composições instantâneas” de Pilc têm alguma relação com o tema What is this thing called love?, estivesse ele pensando também, dependendo do momento, em Bach ou James P. Johnson, em Schubert ou Keith Jarrett, em Martial Solal ou Mozart.

A propósito, ele até interpreta (é a segunda faixa do disco), em tempo lento, de modo bem explícito, o tema-base de Cole Porter. Mas a faixa não dura mais de 1m17.

As notas de apresentação do novo álbum do pianista destacam – com razão e sem exagero – que se trata de “uma incrível (amazing) coleção de improvisações construídas em torno de uma única fonte musical”, sendo “espantoso (astonishing) ouvir a variedade de sons,moods, e texturas que emergem do mesmo material básico”.


O crítico de jazz do Los Angeles Times Don Heckman– que também já foi músico profissional – serviu-se da pintura para sublinhar aspectos da arte pianística de Pilc: “Interpretações cubistas da melodia, nas quais o original é transfigurado numa perspectiva visual completamente diferente; a cintilante densidade do impressionismo em algumas de suas ricas harmonias”.

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