Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 24

12 fevereiro 2013

Joseph Barry Galbraith, artisticamente BARRY GALBRAITH, nasceu no dia 18 de dezembro de 1919 em Pitisburg, estado da Pensilvânia, vindo a falecer aos 63 anos em 13 de janeiro de 1983 na cidade de Bennington, estado de Vermont. Aprendeu a tocar o banjo de forma auto-didata, sendo que no início dos anos 30 do século passado, portanto ainda na adolescência, passou a dedicar-se à guitarra após ouvir o guitarrista Eddie Lang acompanhando o cantor Bing Crosby. Iniciou-se profissionalmente nos clubes de Pittsburgh e arredores, sendo que em 1941 e com 22 anos atuou com Red Norvo e Babe Russin. Nessa época e já em New York chegou a integrar a orquestra de Teddy Powell, que havia constituído sua banda no ano anterior (1940), egresso da banda de Abe Lyman em New York. Teddy Powell adotou como prefixo de sua banda o tema “Blue Sentimental Mood”, chegando a atuar durante 01 ano no “Rustic Tavern” e a apresentar-se em diversos números do “Coca Cola Spotlight Band Show”.


Na banda de Teddy Powell, cujos arranjos eram assinados por, entre outros, Ray Conniff, chegaram a tocar músicos do calibre de Charlie Ventura, Pete Candoli e Milt Bernhardt. Isso significa que BARRY GALBRAITH, ainda que auto-didata, “cursou’ uma excelente escola prática. Ainda em 1941 e até 1942 BARRY passou a integrar outra banda importante, a do pianista, arranjador e líder Claude Thornhill, que antes de montar sua banda tocou nas de Hal Kemp, Benny Goodman, Ray Noble, Artie Shaw, Freddy Martin e outras, isto é, possuía vasta experiência no “metiê” das “Big Bands”. Tornhill havia iniciado sua banda no ano anterior e adotado como prefixo o tema “Snowfall”. Participou como banda fixa do programa de televisão “Judy ‘N Jill ‘N Johnny” nas temporadas de 1946 e 1947, gravou para as etiquetas Vocalion, Okeh, Columbia, Decca e Camden e, ao longo do tempo, teve como músicos integrantes de sua banda Conrad Gozzo, Irving Fazola, Nick Fatool, Billy Butterfield, John Graas, Dave Tough, Randy Brooks, Gil Evans, Gerry Mulligan e muitos outros. BARRY obteve sucesso e reconhecimento nesse período com Claude Thornhill, mas desligou-se da banda para servir nas Forças Armadas americanas de 1943 a 1946; retornou ao grupo de Thornhill nos anos de 1946 e 1947, época de participação da banda nos programas de televisão. Mais “escola” para BARRY GALBRAITH ! ! ! É importante assinalar que Claude Tornhill possuía sólida formação musical (sua mãe queria torná-lo pianista clássico), tendo estudado no “Cincinnati Conservatory” e na “University Of Kentucky”; Claude também serviu nas Forças Armadas, com destacada atuação na marinha. Ainda assim e em 1942 BARRY chegou a incorporar-se à banda de Hal McIntyre, sax.tenorista, clarinetista e flautista, que havia iniciado sua banda em New York no ano anterior. Essa banda gravou para as etiquetas Victor e Cosmo e adotou como prefixos os temas “Moon Mist” e “Ecstasy”. McIntire possuía, também, larga vivência no cenário das “Big Bands”, já que era egresso das formações de Glenn Miller, dos irmãos Dorsey (Jimmy e Tommy) e de Smith Ballew. Teve como músicos, entre outros, Clarence Willard, Vic Hamann, Dave Mathews e Larry Kinsey, contando com arranjos de Billy May. BARRY GALBRAITH, portanto, sempre teve participação em formações com músicos de primeira linha. De 1947 e até 1970 BARRY trabalhou no rádio, na televisão (orquestras das redes CBS e NBC) e nos estúdios de gravação, onde atuou com músicos de primeira linha, citando-se entre os principais Coleman Hawkins, Joe Newman, Betty Glamman (harpista então consagrada pela crítica e pelo público), Hal McKusick, Ralph Burns, o também guitarrista Tal Farlow, John Lewis (“remember” o Modern Jazz Quartet), Hank Jones, a vocalista Chris Connor, Sam Most, os arranjadores George Russell e Gil Evans, enfim, uma verdadeira “constelação” de astros musicais. BARRY granjeou enorme prestígio entre os músicos e as gravadoras e era nessa ocasião, muito provavelmente, o guitarrista mais ativo no panorama novairquino. Participou da gravação de mais de uma centena de de LP’s, quase que totalmente como “sideman” e tendo como titulares, além dos já citados anteriormente, Stan Kenton, Peggy Lee, Ella Fitzgerald, Tony Bennet, Benny Goodman, Benson Brooks, Tommy Shepard, o “Manhattan Jazz Septet”, Wild Bill Davinson, Willie Rodriguez e Jimmy Cleveland. Podemos ouví-lo integrando a sessão rítmica composta por ele à guitarra, Wynton Kelly, Keeter Betts e Jimmy Cobb (piano/baixo/bateria), na clássica e seminal gravação “For Those In Love” (março de 1955, todos os temas em arranjos de Quincy Jones) da cantora Dinah Washington (Ruth Lee Jones nascida em Tuscaloosa, estado do Alabama, em 29 de agosto de 1924 e falecida no dia 14 de dezembro de 1963, cantora de jazz, blues e música religiosa), com uma banda de qualidade superior: Clark Terry ao trumpete, Jimmy Cleveland no trombone (solando a “la Frank Rosolino” em “I Get A Kick Out of You”), Paul Quinichette no sax-tenor e Cecil Payne ao sax-barítono. Essa gravação nos permite acompanhar solos excelentes de todos os músicos, com Dinah em plena forma nos temas “I Get A Kick Out of You”, “Blue Gardenia” (canção tornada clássica por Nat “King” Cole e, nessa gravação de Dinah Wahington, com magnífico solo de BARRY GALBRAITH), “Easy Living” (excelente versão de Dinah), “If I Had You” e mais 06 standards do populário americano e sempre bem aproveitados no JAZZ. Também podemos apreciá-lo no documentário “After Hours” de 1961, 27 minutos, ao lado de Coleman Hawkins / sax.tenor, Roy Eldridge / trumpete, Johnny Guarnieri / piano, Milt Hinton / contrabaixo e Cozy Cole / bateria, em que é filmada uma “jam session” na madrugada do clube do mesmo nome (“After Hours”) em New York. O fato de atuar e gravar com grupos de outros titulares aparentemente não trouxe para BARRY GALBRAITH maior popularidade mas, com absoluta certeza, tornou-o um super-requisitado guitarrista por outros músicos, que o tratavam com um astro muito estimado. Gravou em seu nome ou com grande destaque para os selos DECCA (“Guitar And The Wind”), Bethlehem (“East Coast Jazz nº 8 With Hal McKusick”), Norgran (“Tal Farlow Álbum”), Jazz Kings (“Jimmy Hamilton Orchestra”) e Mea Coral (“Jazz At Academy”). Seu estilo sempre se revelou “moderno”, com toques inspirados em Charlie Christian, Jimmy Raney e Tal Farlow. Ainda que seu maior acervo de atuações e de gravações seja o de acompanhante e mesmo que auto-didata, GALBRAITH possuía uma técnica soberba, extraordinária, um solista que se destacou por sua delicadeza nas linhas melódicas e pelo “swing” sempre presente. Até o final da década de 50 do século passado GALBRAITH formou seção rítmica com Hank Jones, Milt Hinton e Gus Johnson (piano, baixo e bateria), grupo esse que permanece como referência, modelo e símbolo de coesão, de liberdade e de agilidade dentro dos cânones do JAZZ. Ai ele era um solista de “concerto” ! ! ! Durante os últimos anos de sua vida, 1971 e até quase o final de 1982, com problemas na coluna, BARRY dedicou-se ao ensino. Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo.
 PEDRO CARDOSO, São Paulo/SP, fevereiro/2013

Um comentário:

llulla disse...

Mais um excelente capítulo de um futuro livro do nosso Apóstolo.
Abcs, Pedro,
llulla