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19 dezembro 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 17


MUNDELL LOWE, guitarrista norte-americano, nasceu no dia 21 de abril de 1922 na cidade de Laurel, no estado do Mississipi, no seio de família de classe média, protestante e, para felicidade de todos nós, permanece vivo com seus 87 “aninhos”.
Seu pai era pastor na igreja local, violinista amador e professor de música, com o qual MUNDELL aprendeu os fundamentos da guitarra a partir dos 06 anos de idade.
A partir dos 13 anos MUNDELL viveu entre constantes escapadas do lar e resgates pelo pai, com retorno à casa paterna.
Assim, fugiu de casa com 13 anos para tocar em New Orleans nos bares, clubes, espeluncas e casas de espetáculo, onde consolidou sua aprendizagem prática com os expoentes da época, chegando a integrar grupo “country” com ABBIE BRUNIES (cornet) e SID DAVILLA (clarinete e saxofone).
Reconduzido ao lar por seu pai, tornou a evadir-se em 1939 com 17 anos, desta feita indo até Nashville apresentando-se em programa radiofônico (“Grand Old Opry”), então abrilhantado pela banda de PEE WEE KING durante 06 meses.
Novamente resgatado pelo pai pouco tardou em casa; no ano seguinte, 1940, MUNDELL concluiu seus estudos básicos na escola e iniciou vôos mais longos, com uma série de apresentações em clubes dos estados do Mississipi, da Flórida e da Louisiana. Conheceu e tocou na “big band” de JAN SAVITT (nascido na Filadélfia e que havia iniciado sua banda em 1935, onde tocaram ao longo dos anos e entre outros CUTTY CUTSHALL, GEORGIE AULD, GENE DE PAUL, GUS BIVONA, URBIE GREEN e NICK FATOOL, utilizando arranjos próprios e de EDDIE DURHAM e capitaneando as vocalistas JANE WARD, HELEN WARREN e GLORIA DE HAVEN, além do “crooner” BON BON).
MUNDELL LOWE permaneceu com a banda de JAN SAVITT até ser convocado para o serviço militar em 1943, servindo em base próxima a New Orleans onde, por sua sorte, o oficial encarregado de proporcionar diversão à soldadesca era JOHN HENRY HAMMOND Jr. (15/dezembro/1910 a 11/julho/1987), nascido em uma das famílias mais ricas dos U.S.A., grande produtor na área do JAZZ, descobridor e incentivador de talentos (BILLIE HOLIDAY, TEDDY WILSON e BENNY GOODMAN apenas para citar os exemplos mais importantes) e que em 1945, ao desligar-se do exército, conseguiu para MUNDELL um contrato com a banda de RAY McKINLEY, na qual o guitarrista permaneceu até 1947, já então reconhecido nos meios musicais e com as portas abertas para sua carreira.
Atuou com BENNY GOODMAN, FATS NAVARRO e WARDELL GRAY e apresentou-se durante os seguintes 02 anos no “Café Society” de New York, ao lado de DAVE MARTIN, atuando também com SARAH VAUGHAN, MILDRED BAILEY e MARY LOU WILLIAMS, assim como em 1948 com ELLIS LARKINS no “Village Vanguard” e em 1949, também com ELLIS LARKINS e RED NORVO, no “Bop City”.
Entrando nos anos 50 do século passado MUNDELL LOWE trabalhou em diversos clubes da “big apple” e em gravações com os “grandes” de então, citando-se LESTER YOUNG, BILLIE HOLIDAY, BUCK CLAYTON e CHARLIE PARKER (gravação tomada ao vivo diretamente do “Rockland Palace” de New York em 26 de setembro de 1952, em que CHARLIE PARKER no sax.alto e MUNDELL LOWE na guitarra, alinharam ao lado de WALTER BISHOP Jr. no piano, TEDDY KOTICK no baixo e MAX ROACH na bateria, para um total de 31 faixas entre as quais o clássico “Everything Happens To Me”, com estupendo solo de PARKER).
Ainda assim MUNDELL LOWE chegou à Broadway, onde além de músico foi ator no longa metragem “The Bird Cage”. Trabalhou para a orquestra da rede de televisão “NBC” (permaneceu durante 15 anos, de 1950 até 1965), dirigiu o programa “Today”, tocou em clubes e gravou com ninguém menos que BEN WEBSTER, RUBY BRAFF, GEORGIE AULD (reencontro após 12 anos), integrou a “Sauter-Finegan Band” e formou um quarteto com o grande pianista e professor de música BILLY TAYLOR para atuar no rádio.
A partir do final da década de 50 (1958) MUNDELL LOWE dedicou-se ao ensino, ao arranjo e à composição, tendo se estabelecido a partir de 1965 em Los Angeles, onde compunha músicas para a televisão e o cinema, tendo como destaque o longa metragem “Billy Jack” de 1971.
Apresentou-se em clubes e em festivais: no “Monterey Jazz Festival” de 1971 atuou ao lado de ROY ELDRIDGE e DIZZY GILLESPIE, voltando anos mais tarde ao mesmo festival (1983) com o grupo “TransiWest” que formara nessa década, com músicos do nível de um SAM MOST (de Atlantic City mas á época radicado na Califórnia), MONTY BUDWIG e NICK CEROLI, passando a realizar temporadas por todo o mundo, uma delas pela Europa com a cantora BETTY BENNETT.
No retorno da Europa tocou com o grande sax.tenorista RICHIE KAMUKA.
MUNDELL LOWE é considerado um “chefe-de-escola”. Guitarrista de técnica perfeita, estilo moderno, com improvisações que revelam excepcionais “sensibilidade e inteligência” melódicas, com acentuações do “bebop” (ainda que seja um músico marcadamente “cool”), cuja estética emprega com agilidade e segurança exemplares em audaciosos contrastes rítmicos e harmônicos, plenos de “swing”. Nas baladas é um guitarrista lírico, sensível, capaz de transmitir todas as nuances da melodia. Em função de décadas e décadas de “estrada” com músicos do mais alto nível, MUNDELL LOWE adquiriu apurado senso de humor e vasto repertório, que emprega nas contínuas citações de “standards”, via “harmonia”.
Entre as muitas gravações com a participação de MUNDELL LOWE (como titular ou “sideman”), destacamos entre outros:
- Tumblebug, 1946
- Cheek To Cheek, 1955
- A Grand Night For Swing, 1957
- Porgy And Bess, 1958
- After Hours (Sarah Vaughan), 1961


Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
apostolojazz@uol.com.br

4 comentários:

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Esse é craque! tenho poucos discos dele, mas todos de primeiríssima linha.
Tá na listinha pra uma futura postagem no barzinhi e, de logo, peço licença para usar esse formidável material na minha pesquisa (como de hábito, me restará apenas colocar uma coisinha aqui ou ali, já que o texto é irretocável).
A sabedoria apostólica é uma dádiva para os jazzófilos!!!!
Abração.

MaJor disse...

Este é o cara das poucas linhas!
Excelente como sempre e Mundell não menos excelente.

APÓSTOLO disse...

Estimado ÉRICO:
Como sempre o texto pode ser utilizado a vontade; "confesso" e estou certo que será devidamente enriquecido e completado com a escolha de um dos mais que ótitmos discos desse "chefe-de-escola".

Estimado MÁRIO JORGE:
Intitulei de "algumas poucas linhas" de propósito, já que o material armazenado sobre os guitarristas daria para ocupar muito mais espaço e cansar nossos amigos "cjubianos", o que não pode ser o objetivo.

MaJor disse...

Claro, faço esta brincadeira porque acho a resenha bem minuciosa e há bastante material, as poucas linhas fica na modéstia, peculiar de VSa.
Um grande abraço, feliz Natal e recomendações a Dona Matilde e em janeiro o estamos aguardando na AND.