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COLUNA DO LOC

30 maio 2011

JB, Caderno B, 29 de maio
por Luiz Orlando Carneiro

Um mestre discreto canta heróis esquecidos

Só agora tive a oportunidade de ouvir o primeiro volume de Unsung heroes, o álbum digital de Brian Lynch, lançado pelo seu “selo” Hollistic MusicWorks, no fim do ano passado. O notável trompetista de 54 anos – que já merece também o título dessa coleção de tributos a sete pistonistas que elegeu como mestres – é mais conhecido por suas viagens ao território do Latin jazz, sobretudo em razão do Grammy da categoria, conquistado, em 2007, com o CD Simpático: The Brian Lynch/Eddie Palmieri project (Artistsha - re). Em 2000, ele gravara, em quarteto, um belo Tribute to the trumpet masters (Sharp Nine), dedicado a Kenny Dorham, Lee Morgan, Thad Jones, Woody Shaw, Freddie Hubbard, Blue Mitchell, Booker Little, Charles Tolliver e Tom Harrell.
O volume 1 da nova produção de Lynch não tem nada a ver com os ritmos caribenhos, embora as congas apareçam discretamente em duas das nove faixas. E é ele mesmo quem destaca, com simplicidade, o caráter mainstream do projeto: “Os múltiplos temas desta coleção de jazz despretensioso, straight ahead e – espero – aceitável são artistas sem os quais a tradição do trompete no jazz teria sido muito empobrecida, embora a impressão que se tenha é a de que eles voaram fora do alcance do radar de muitos jazzófilos.
Além disso, são instrumentistas e compositores que tocaram minha alma, e me influenciaram nas duas disciplinas”. Esses jazzmen são: os saudosos Tommy Turrentine (1928-97), Joe Gordon (1928-63) e Idrees Sulieman (1923-2002); os veteranos Charles Tolliver, 69anos, e Charles Sullivan (também conhecido como Kamau Adilifu), 67; Louis Smith, que se aposentou aos 74 anos, em 2005, vítima de um derrame; o carioca-novaiorquino Claudio Roditi que comemora hoje 65 anos, cada vez mais admirado pelos jazzófilos e pela crítica especializada. Brian Lynch lidera, em cinco faixas, um sexteto integrado por músicos à altura de sua maestria: Vincent Herring (sax alto) e Rob Schneiderman (piano), que dispensam adjetivos; os new stars Da - vid Wong (baixo), Alex Hoffman (sax tenor) e Pete Van Nostrand (bateria).
O conguero Johnny Rivero atua em duas peças assinadas pelo líder, Further arrivals (9m50), dedicada a Sullivan, e Roditi samba (7m). Esta última, tocada no flugelhorn, é uma cartas@jb.com.br envolvente homenagem a Claudio que, segundo Lynch, o encorajou, arranjou seus primeiros gigs em Nova York e “enriqueceu meu conhecimento do instrumento, com o seu inestimável entendimento da mecânica dos pistões”. Os outros três temas desenvolvidos em sexteto – na linha dos lendários álbuns de hard bop do selo Blue Note – são Terra Firma Irma (8m10), de Joe Gordon, de um LP de 1961 da Contemporary; “Saturday afternoon at four” (8m), de Idrees Sulieman, que foi sideman de Thelonious Monk em 1947 (Cf. Genius of modern music, Vol.1, Blue Note); Wetu (7m15), de Louis Smith (Cf. Reedições dos LPs Blue lights, Blue Note, 1958, com Kenny Burrell, Junior Cook, Tina Brooks, Art Blakey & Cia., capa desenhada por Andy Warhol). As faixas restantes são duas em quinteto e duas em quarteto. Lynch e a seção rítmica interpretam Unsung blues (7m10), de sua autoria, e I could never forget you (7m30), de Turrentine. O quinteto tem o sax tenor de Hoffman em Big Red (5m35), também de Turretine, e o sax alto de Herring em Household of Daud (7m30), de Tolliver.

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