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COLUNA DO LOC

23 janeiro 2011

Caderno B, JB, 23 de janeiro
por Luiz Orlando Carneiro

Aniversário celebrado com 84 músicas especiais

No seu décimo ano de existência, a etiqueta italiana CAM Jazz consolidou seu prestígio como uma das mais sofisticadas gravadoras independentes do planeta jazz, além, é claro, de “casa” dos músicos daquele país que desfrutam de fama internacional, como os trompetistas Enrico Rava e Paolo Fresu, os pianistas Stefano Bollani e Enrico Pieranunzi, o saxofonista Francesco Cafiso e o trombonista Gianluca Petrella – para citar seis dos mais conhecidos.
Para comemorar o aniversário, a CAM Jazz lançou uma edição especial com uma faixa de cada um dos 84 álbuns produzidos neste período, desde Seven golden men (4m), do CD More, da Kenny Clarke-Francy Boland – remaster de um LP de 1968, com temas famosos de grandes filmes – até The wonderful fable of Vicki Vargo (8m30), do recentíssimo The sky above Braddock – a última peripécia do trombonista Mauro Ottolini e sua banda Sousaphonix, cultores de uma certa “loucura lúcida”, na linha de um “surrealismo retrô”.
O sampler festivo do selo romano é disponível, apenas, em iTunes. Mas os que gostam de ter seus músicos e temas favoritos em discos, podem montar antologias pessoais com base nesse amplo menu de tunes do jazz contemporâneo. No ano que passou – além do segundo disco da banda de Ottolini, tão insólita como a Italian Instabile Orchestra – a CAM editou quatro excelentes álbuns: O CD duplo Antonio Sanchez/ Live in New York; Cognitive dissonance, do trompetista Ralph Alessi; In stride, com o quarteto Oregon; e Empire, do baixista-compositor Scott Colley.
O quarteto do baterista mexicano foi gravado, em 2008, no Jazz Standard, em Nova York, onde também atuam e brilham os demais integrantes desse grupo, que são os notáveis saxofonistas David Sánchez (tenor) e Miguel Zenón (alto), nascidos em Porto Rico, mais o baixista Scott Colley. Eles interagem em alto grau de tensão rítmica e divagam em longos solos bem free, a partir de oito faixas (quatro em cada volume), com destaque para Greedy silence (19m) e Challenge within (20m), de Sanchez, e H and H (16m), tema de Pat Metheny.
Cognitive dissonance é fruto de uma sessão de 2004 de Ralph Alessi, na luxuosa companhia de Jason Moran (piano), Nasheet Waits (bateria) e Drew Gress (baixo). O trompetista de fraseado melódico plangente, com sutis dissonâncias – adepto da poética de Kenny Wheeler, Enrico Rava e Tomasz Stanko – assina 11 das 15 preciosas faixas do disco, que duram entre 2m50 e 4m40.
O Oregon é um combo cooperativo dedicado a um jazz camerístico com toques étnicos variados, formado, no iní- cio dos anos 70, por Ralph Towner (guitarra, piano), Paul McCandless (oboé, sax soprano, flautas), Glenn Moore (b) e Collin Walcott (percussão). Walcott morreu em 1984, aos 39 anos, num desastre de automóvel, e foi sucedido por Mark Walker. O quarteto está mais vivo do que nunca, como atesta o novo álbum de 11 faixas, de fevereiro último.
Em Empire o autor Scott Colley lidera um quinteto – ou quarteto ou trio, dependendo das 10 partes de uma suíte, com “paisagens musicais” inspiradas numa velha cidade abandonada na pradaria americana. Seus companheiros neste álbum gravado em junho de 2009 são os também refinados Ralph Alessi (novamente), Bill Frisell (guitarras), Craig Taborn (piano) e Brian Blade (bateria).
As faixas de todos estes discos podem ser ouvidas, na íntegra, no site da CAM.

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