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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

YANKEE JAZZ WEEK - NOVEMBRO EM NEW YORK

08 novembro 2010

Nova Iorque estava em festa, ontem, por conta da realizacao de mais uma edicao da sua afamada Maratona, misto de grandioso evento esportivo e genial jogada de marketing turistico. Mas, mais em festa ainda ficou minha alma em nada esportiva, que foi revigorada e muito bem massageada pela energia musical de dois eventos a que pude assistir.

O primeiro foi ida a um templo religioso, para ouvir o ja "Grammynado" Brooklyn Tabernacle Choir. E ser totalmente envolvido pela bela festa promovida pelos fervorosos fieis daquela congregacao. Quando dei por mim, estava entoando os canticos junto da enorme e vibrante plateia, com gente de todas as origens, em coro com o Coro, poderoso instrumento de cerca de 280 componentes e a fonte maior de atracao para aquela igreja da Smith Street, 17. Embora nao seja religioso, aquela corrente do bem, composta de avos, filhos e netos, comoveu-nos muito, a Silvia e a mim, e em minutos estavamos cantando e batendo palmas, como se la fossemos toda semana. E ao mesmo tempo, vimo-nos vertendo lagrimas pela emocao e a alegria de estar fazendo, mesmo que transitoriamente, parte daquela confraria que ali louvava ao Senhor. Uma recomendacao: se estiverem num domingo em NYC, a ida ao Brooklyn para o servico das 12 horas e ouvir ao BTC eh algo obrigatorio, sairao todos mais leves e felizes.

Do Choir matinal para o Jazz Standard: neste primeiro dia, tive a sorte de tambem assistir ao fenomenal baixista Christian McBride em quinteto, fechando sua temporada iniciada na terca anterior - as segundas-feiras da casa estao reservadas para as chamadas Mingus Mondays, quando se alternam as Mingus Big Band, a Orchestra e a Dinasty.

Como eu antevia, um McBride arrasador apresentou-se com o Inside Straight, seu combo composto pelo jovem e maravilhoso pianista Christian Sands [anotem este nome, o moleque eh genial], pelo sax-alto de Steve Wilson (muito correto porem sem gerar maior empolgacao na plateia), Warren Wolf no vibrafone, da boa escola do outro Steve - o Nelson, e um vigoroso e criativo solista, que nao deu vida mansa aos mallets; e ainda, o velho e bom amigo de McBride, o olimpico Carl Allen, na bateria.

Depois de tocar uma antologica versao, solada inteiramente no contrabaixo e com a participacao em pianissimo do trio, da bela East of the Sun, West of the Moon, Christian soltou os cachorros para que todos pudessem ser estrelas em seu proprio universo. Tocou temas de seu ultimo CD, King of Brown, como as suas Brother Mister e Stick and Move, e o Theme for Kareem, de Freddie Hubbard em homenagem a Kareem Abdul Jabaar. Alias, "stick and move" e' uma expressao usada no basquete, aparentemente uma das preferencias de McBride.

E depois de judiar intensa e diabolicamente de Allen, criando linhas absurdamente intrincadas para que este em seguida as vertesse para a lingua bateristica, sempre com um sorriso no rosto, divertindo-se bastante todo o tempo, serviu aos presentes um vigoroso espetaculo de swing. no limite permitido pelas autoridades locais. Destaque absoluto para o jovem pianista (o mais aplaudido no set, depois do lider) que "arrebentou" misturando andamentos, tecnicas e estilos variados, resultando numa linguagem muito inspirada porem de caracteristica unica, de encher os olhos, os ouvidos e definitivamente, a alma.

Um dia para ficar, para sempre, na minha historia.

P.S.: fotos, gravacoes ou filmagens impedidas (e patrulhadas) resultaram em 0 ilustracoes neste post, sorry!

Em tempo, aqui no YouTube ha uma curiosa "colaboracao" colegial de C. Sands com ninguem menos do que Oscar Peterson. E agora vi que o rapaz tem seu site com algumas interpretacoes em video. Em NY me falta tempo para explorar como gostaria. Abs.

5 comentários:

John Lester disse...

Talvez este mal estar que sinto agora seja mera inveja de você.

Mas não uma inveja absoluta, afinal você, Mestre MauNah, não sentiu como eu o adorável sabor de todo um Blue Note lotado olhando para você.

Foi assim: muito discretamente, pensei ter desligado o fortíssimo flash de minha poderosa Sony - preparando assim o terreno para um flagrante do solo de Delfayo Marsalis. Mas algo deu errado: quando cliquei, um imenso clarão foi emitido de minhas mãos estendidas para o alto. Marsalis, momentaneamente cego, quase largou o trombone sobre o público e todos, rigorosamente todos os presentes olharam para mim.

Momento único na vida de um jazzófilo chato de galocha.

Grande abraço, JL.

APÓSTOLO disse...

Prezado MauNah:

O "paraíso", como você constatou, existe. Ótimo que você tenha podido estar presente por alguns raros momentos de beleza.

MaJor disse...

É MauNah, NY é um paraíso de coisas boas, apesar de grande cidade, (saudades!!) há quem desdenhe, mas para o Jazz então ainda é a Meca. Anotei o nome do pianista Christian Sands e vou procurar para um podcast. Boa Viagem e um abraço
Mario Jorge

Mau Nah disse...

Mr. Lester, nao estas sozinho! Ja passei por situacoes parrcidas! A penultima foi gravar o Eric Reed no VVanguard com a maquina em cima da mesa voltada pro teto negro, so para registrar o som! Ate que a garconeta viu a luzinha piscando e me mandou desligar! O q a gente nao faz pela nossa paixao!
Apostolo e MaJor, Mestres: hoje sigo para ver outro "young lion", Julian Lage, otimo guitarrista. Amanha o velho e bom Jim Hall! Abracos!

figbatera disse...

Ah, eu tb fiquei com uma bruta inveja...