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COLUNA DO LOC

04 julho 2010

JB, Caderno B, 4 de julho
por Luiz Orlando Carneiro

Herói do free jazz

O SAXOFONISTA TENOR Fred Anderson, 81 anos, morreu no último dia 24, no hospital de Chicago em que fora internado 15 dias antes, em consequência de complicações cardíacas. Embora não tenha sido canonizado em vida – como seus contemporâneos John Coltrane (1926-1967) e Sonny Rollins (este ainda ativo e criativo aos 79 anos) – Anderson foi um dos mais prolíficos e influentes músicos da corrente do free jazz de raízes bem bluesy, desenvolvida na Windy City sob a égide da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians).
A AACM foi fundada, em 1965, por ele, Muhal Richard Abrams e outros heróis do jazz
moderno de Chicago, como Lester Bowie, Roscoe Mitchell, Joseph Jarman, Malachi Favors e Famoudou DonMoye, criadores do célebre conjunto Art Ensemble of Chicago.

Em março do ano passado, o 80º aniversário de Fred Anderson foi comemorado no novo Velvet Lounge, de sua propriedade, situado na Cermak Road East, perto do endereço do antigo clube, inaugurado em 1978. Lá estavam alguns luminares habitués do clube que está para Chicago como o Village Vanguard para Nova York: os baixistas Henry Grimes, Richard Davis e Tatsu Aoki; os bateristas Kahil El’Zabar e Chad Taylor; os saxofonistas Kidd Jordan, Hamiet Bluiett, Ken Vandermark e Ari Brown; a flautista Nicole Mitchell (atual presidente da AACM) e a vocalista Dee Alexander.

Howard Reich, crítico de artes do Chicago Tribune, assim iniciou o obituário do guru do Velvet Lounge: “É quase impossível avaliar, em toda a sua extensão, o impacto do saxofonista Fred Anderson na música, em Chicago e ao redor do mundo. Como saxofonista tenor, ele inventou uma linguagem escarpada e tortuosa que influenciou gerações de improvisadores adeptos do free jazz”. E relembrou: “Sempre que subia ao palco, ele se inclinava um pouco para a frente, e desencadeava torrentes de notas, frases em cascata e solos que, às vezes, ultrapassavam a marca hercúlea de 20 minutos.
Mesmo no show dos seus 81 anos, em março último, no seu amado Velvet Lounge, o homem produziu uma avalanche de ideias em cada solilóquio”.

A quem não foi ainda apresentado à arte de Fred Anderson, recomenda-se a audição de pelo menos dois álbuns de sua produção mais recente, ambos gravados ao vivo, no seu clube, pela Delmark: Back at the Velvet Lounge, com Maurice Brown (trompete), Jeff Parker (guitarra), Chad Taylor (bateria), Harrison Bankhead ou Tatsu Aoki (baixos), de novembro de 2002; Timeless, com Hamid Draake (bateria, percussão) e Bankhead, de julho de 2005.

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