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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

COLUNA DO LOC

12 julho 2010

JB, Caderno B, 11 de julho
por Luiz Orlando Carneiro

O piano de Moran

OS JAZZÓFILOS do eixo Rio-São Paulo ficaram deslumbrados, em 2003, no finado Chivas Festival, com o piano de Jason Moran, então com 28 anos, na proa do trio Bandwagon, interagindo vertiginosamente com os vorazes Nasheet Waits (bateria) e Tarus Mateen (baixo elétrico). Os mais entusiasmados encomendaram logo o disco-cartão de visita do trio, gravado em novembro de 2002, no Village Vanguard, pela Blue Note. E tiveram outras duas oportunidades de apreciar, ao vivo, a arte do mais bem dotado e criativo pianista da geração nascida na década de 70: no 5º Festival Tudo é Jazz (Ouro Preto), em 2006, com o mesmo trio; em maio último, no 3º Bridgestone Music Festival (São Paulo), como integrante do quarteto cooperativo Overtone, ao lado de Dave Holland (baixo), Chris Potter (sax tenor) e Eric Harland (bateria). O irrequieto Moran teve ainda participação ativa em três excepcionais álbuns gravados nesta década: Ivey-divey (Blue Note, 2004), em trio com Don Byron (clarinete, sax tenor) e Jack DeJohnette (bateria); Rabo de nube (ECM, 2007), do quarteto do saxofonista Charles Lloyd; o recém-lançado Lost in a dream(ECM, 2009), ao lado de Paul Motian (bateria) e Chris Potter.

No último referendo anual dos críticos da Downbeat (agosto de 2009), ele foi o quarto pianista mais votado, atrás de Keith Jarrett e Hank Jones, mas à frente de Herbie Hancock e Brad Mehldau.

Isto posto, recomenda-se vivamente a audição do álbum Ten(Blue Note), comemorativo dos 10 anos de nascimento do Bandwagon. São ao todo 13 faixas, quatro das quais interpretações de peças de compositores nada ortodoxos que marcaram a formação de Moran: Crepuscule with Nellie(6m), de Thelonious Monk; To Bob Vatel of Paris (6m), do seu falecido professor Jacki Byard; e duas versões bem originais do Study nº 6, do singular e pouco conhecido Conlon Nancarrow (1912-97). O pianista-líder também não esqueceu um outro mestre – o hermético Andrew Hill, com o qual compôs Play to live (4m20).

Nas suas próprias composições, Moran promove – juntamente com seus comparsas – uma aventura musical que vai dos blues e do stride do Harlem aos clusters à la Cecil Taylor, passando pela assimetria monkiana, com ecos da batida do hip hop, e até efeitos sônicos pré-gravados. Tudo isso num todo orgânico, que começa no langoroso tema gospel de Blue blocks (4m35) e no arrebatador crescendo de RFK in the land of apartheid (4m10), e termina no stride futurista de Old babies (5m43), tendo como interlúdio o solo de Pas de deux (3m30).

As faixas podem ser ouvidas, na íntegra, em First listen, no site da NPR.

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