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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

CONEXÃO CHICAGO-MANHATTAN

20 abril 2010

Pois é meus amigos, quando retornei da última visita (e primeira) que fiz a NY ano passado esticaram minha orelha porque nao comentei nada aqui sobre os shows que assisti na terra do Tio Sam. Voltei lá e desta vez deixo um relato desta viagem que acabo de fazer neste início de abril.
Viajei dia 6 de noite com a cidade em pleno caos após a chuva daquela madrugada e com a expectativa de nem embarcar devido ao fechamento dos aeroportos, mas fui sem atraso. Uma tristeza o estado em que o RJ se encontra. Mais uma vez é o cidadão carioca que sofre enquanto nosso prefeitinho só quer saber de arrecadar com multas de transito. Uma vergonha ! Enfim, o assunto não é política, é musica.

Desta vez coloquei um tempero na viagem, fui para Chicago para celebrar meu último ano que foi muito mais de blues que de jazz, embora nesta linda cidade tenha jazz rolando pra valer.
Que bela cidade é Chicago !

Vôo direto para NY e nem saí do JFK trocando de terminal no próprio trenzinho do aeroporto e pegando outro vôo para Chicago. 4 horas de intervalo entre os vôos por garantia e mais 3 horas de atraso para decolar para Chicago me deixou um pouco irritado me perguntando o que eu estava fazendo ali.
Pois bem, chegando na cidade deixo meu mochilão no hotel e rumo para o Buddy Guy´s Legend, um ícone da cidade, do tipo quem vai em Chicago tem que ir lá, é o mesmo que ir a Bahia e não comer acarajé mesmo que nao goste. Um bar bem ao estilo, mesas de sinuca, mutas guitarras autografadas na parede e a noite era do guitarrista local Michael Copeland. Bom, se eu tinha alguma dúvida sobre o que eu estava fazendo ali eu descobri no primeiro acorde - blues nativo, nervoso, elétrico. Bom guitarrista, e lógico que um bom e moderno blues tem que ser arrastado por uma Gibson 335 e um Hammond e lá estavam ambos, a 335 plugada num Fender Twin. Sonzeira, celebração a Buddy, Clapton, Lee Hooker e como se diz por lá ... Sweet Home Chicago !

Planejando a viagem, nosso amigo Sá me encomenda o disco do Rufus Reid Trio com Duduka da Fonseca na bateria. E por feliz coincidência no dia seguinte estava o trio tocando na cidade no Jazz Showcase, tradicional reduto do jazz em Chicago e para lá eu fui para o primeiro set da noite. Cheguei cedo e o trio ainda passava o som. Encontrei Duduka e batemos um papo animado que depois se juntou o pianista Steve Allee e o muito simpatico Rufus. Lógico que aproveitei e tirei uma foto com o trio. Duduka mandou abraços para Bene-X, Sazinho e Mauro e disse estaria de volta para NY na semana seguinte me convidando para um concerto que sua esposa Maucha estaria realizando junto com a clarinetista Anat Cohen numa igreja na rua 71.

Bom, o show da noite ... nem preciso dizer, quebrou tudo ! O repertorio foi do CD que esta em segundo lugar na parada de jazz americana, atras apenas do disco do Ahmad Jamal Trio. No show um destaque mais que especial no repertorio para Dona Maria em um uptempo endiabrado, a balada If You Could See me Now com Rufus improvisando em todo o tema sustentado pela harmonia do piano de Steve e pelas vassouras do Duduka e um fechamento apoteótico com o blues Crying Blues com Rufus inspiradissimo num solo de walking bass e sobrando improviso pra todo mundo, Steve e Duduka.
Nao teve jeito, assisti os dois sets @@@@@ ! O disco, veio na mala autografado pelo trio.

Terceiro e ultimo dia em Chicago, depois de muita andança passei de tardinha no Andy´s Bar, outro reduto de jazz na cidade. As sessões iniciam às 5 da tarde e se estendem até de noite. Assisti o set das 5 e no palco o quarteto do contrabaixista Brandon Meeks em set de 1 hora recheado de standards de Hubbard a Coltrane e uma belíssima interpretação de Invitation.

Parti dali para uma noite de blues. A verdade é que o blues acontece em Chicago mesmo na Halstead Av. De um lado da rua Chicago Blues Bar e voce atravessa e tem o Kingston Mines, dois redutos obrigatórios para ouvir blues na cidade. Ambos lugares bem concorridos e com muita boa frequencia.

No Chicago Blues Bar, denominado B.L.U.E.S, o lendario guitarrista Lurrie Bell, filho do gaitista Carey Bell. Foi blues na veia, puro, de negão mesmo ... a casa caiu !! Um lugar pequeno mas com uma atmosfera muito blues, tudo muito simples e a garçonete Catherine muito simpática que te trata pelo nome e uma conhecedora de verdade de blues, tudo muito original e antes do show rolando na vitrola Chico Banks, Otis Rush e o melhor do blues de Chicago. Palco pequeno e nao tem essa de passagem de som, os músicos chegam e plugam os equipamentos. Lurrie Bell fazendo festa com todo mundo e um quarteto da pesada com direito a canja da cantora Mary Lane. Assisti ao primeiro set e saí enlouquecido para o Kingston Mines onde rolavam dois shows na mesma noite - o gaitista Billy Branch e o guitarrista Eric Davis.

Eu entrei e atacava a banda de Billy Branch, sem ele no palco. A banda numa pressão absurda, blues elétrico e R&B pra valer com uma formação de teclado, baixo, bateria e um excelente guitarrista. Sobe ao palco Billy Branch e coloca mais pressão alternando em uptempo blues e aqueles blues arrastados e ao final ainda convida um outro gaitista local. Showzão, showzão ... e fecharam com Lee Hooker Boom Boom Booom que foi de matar o velho ! E a galera na pista.
A casa tem dois palcos, acaba um show e começa outro no palco ao lado separado pelo bar. Em cena o guitarista Eric Davis com um pegada absurda na guitarra blues, formação em quarteto e foi delirio total. Imperdiveis esses lugares, faltou conhecer o Blue Chicago na North Clark, fica pra uma próxima.

Back to NY !

Segue.

5 comentários:

Beto Kessel disse...

Guzz,

Que coincidência. Tambem estive em Chicago (fiquei de 01 a 04 de abril, depois de uns dias de west coast - San Francisco). Fui ao Kingston Mines, onde assisti o guitarrista Larry MCCray, que está fazendo um tour por cidades brasileiras neste mês (infelizmentoe o Rio ficou de foram mais uma vez). A casa é bem leagl.
Durante as andanças pela windy city (belíssima cidade, passei pelo Andy´s). Gostos ler tuas linhas sua a viagem.

Obs. voce visitou a Jazz Record Mart ? dizem que é amaior loja de jazz e blues do mundo..
Abraços,

Beto Kessel

SAZZ disse...

OH Gusta, mais uma aqui do seu velho amigo que só nós sabemos quanto insisti para vc conhecer Chicago.
Agora vc entendeu porque ?

Salsa disse...

Ô, inveja! Mas meu dia está chegando...

Guzz disse...

pois é Sá,
a tentação de ver o Pat Metheny nas redondezas foi grande, mas ficou pra próxima ... Chicago valeu e muito !

Beto,
A Jazz Record Mart fica na quadra ao lado do Andy´s, não sei se hoje é a maior do mundo mas tem um grande acervo de jazz e blues, principalmente de vinil. A loja é uma loucura, impossivel sair de lá com as mãos vazias.

abs,

LeoPontes disse...

Só em ler este depoimento haja para o meu coração, ainda mais que sofri um acidente de motocicleta e tive que operar o ombro direito, e já estou a um bom tempo sem poder encostar no contrabaixo, pois ainda tem um ferro prendendo a escápula a clavícula (tipo aquele do Jô Soares)
e o braço constantemente na tipóia até pra dormir. E ainda falta algumas semanas ou até o ferro sair por conta propria ou cirurgicamente.
Blues sem 335 na pressão ou arrastado em Chicago de Buddy Guy ou Clapton, BB King e agregados é demais. Irei guardar esses ends pra tb poder ir qdo der.

Forte abrçs a todos
Leo