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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

20 novembro 2009

RETRATOS 12
JOHNNY GRIFFIN
“Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?

(A) BIOGRAFIA - 3ª PARTE, FINAL
Com 72 anos e em Paris, nos dias 28, 29 e 30 de maio de 2000, Johnny Griffin grava ao lado de Steve Grossman, para a etiqueta “Dreyfus Jazz”.
Volta a gravar com Steve Grossman em quinteto, para o selo Dreyfus.
Em 2003 é lançado o album “Johnny Griffin & The Great Danes”, com Griffin coadjuvado por músicos da Europa Central.
Pela Riverside e em 2004, o duo Johnny Griffin e Eddie “Lockjaw” Davis grava o antológico album: “Pisces”.
São clássicos do JAZZ e do populário levados a improvisações estonteantes, com belas releituras = “Midnight Sun”, “Willow Weep For Me”, “Yesterdays” e “Sophisticated Lady”, entre outros, integram essa gravação “top”.
Uma preciosidade é a gravação de 2007, selo JVC, “Left Alone: For Billie Holiday”.
Johnny Griffin compôs, tocou e gravou até praticamente seu falecimento, motivado por súbito ataque cardíaco: era pessoa respeitada e querida por seus vizinhos, na calma cidade interiorana de Mauprevior / França.
“Philips”, “EmArcy”, “Atlantic”, “Mythic Sound”, “Esoldun”, “Philology”, “Green Line”, “Polydor”, “Black Lion”, “Trio”, “Prestige”, “MPS/BASF”, “Columbia”, “Muse”, “Unique Jazz”, “Affinity”, “Heart Note”, “Campi”, “Moon”, “Holiden”, “Lotus”, “Vogue”, “VeraBra Records”, “Supraphon”, “America”, “Jugoton”, “SteepleChase”, “Horo”, “Pablo”, “Fantasy”, “Timeless”, “Hvhaast”, “Telefunken”, “Four Leaf Clove”, “Galaxy”, “Jeton”, “MCA”, “DECCA”, “Uptown”, “Mediartis”, “Elektra/Musician”, “Amigo”, “Blue Note”, “Sonet”, “Alfa Jazz”, “Orange Blue”, “Who’s Who In Jazz”, “Verve”, “Antilles”, “Dreyfus Jazz”, são alguns dos selos que registraram e distribuiram gravações de Johnny Griffin, num quase interminável caleidoscópio de marcas para a totalidade da música gravada do “Little Giant”.
Johnny Griffin foi saxofonista de lirismo bem incisivo, com som elegante, cálido e ainda assim com acentuada dose de “acidez”, fogoso e brilhante. O “Little Giant” foi executante de tessitura plena de contrastes, suportada por uma técnica altamente superior à média dos tenoristas, que nos faz descobrir toda a dimensão da sonoridade do sax.tenor. Uma “tentativa” de descrição de seus solos, pode basear-se em que ataca as notas por baixo ou de acordo com sua inspiração do momento, mudando frequentemente de registro, mas com permanente precisão nos agudos, registro que prefere; vai “moendo” as frases em improvisações densas, inventando-as e reinventando-as, em um discurso sempre coerente e com soberba técnica de respiração que lhe permite encadeá-las em legatos, nos tempos ultra-rápidos que é capaz de intercalar mesmo nas baladas mais lentas e nos “blues”.
Seu duo com Eddie “Lockjaw” Davis resgatou, em certa medida, o espírito das “chases” de palhetas no esplendor de Kansas nos anos 30 e 40 do século passado, duelos de tradição projetados posteriormente por “Dexter Gordon X Wardell Gray” e “Sonny Stitt X Gene Ammons”.
O crítico Ralph J. Gleason declara que “....Johnny Griffin, inquestionavelmente toca mais rápido que qualquer outro músico vivo; mas ele joga com essa velocidade “gerenciando” seu sopro por mais tempo do que normalmente seria considerado possível, sendo capaz de produzir intermináveis choruses....”.
Segundo Gérald Arnaud e Jacques Chesnel (“OS GRANDES CRIADORES DO JAZZ”, 1ª Edição, 1989, tradução de original francês de 1985, Portugal, página 118), Johnny Griffin “.....saltando de uma oitava para outra, vindimando os seus cachos de tercinas num tempo infernal, utiliza na totalidade uma paleta expressionista com uma generosidade por vezes um pouco prolixa, mas de uma eficiência incomparável.....”.
Sérgio Karam em seu “Guia do Jazz” (L&PM Editores, 1993, página 128) define Johnny Griffin como “.....um sax.tenor na melhor tradição do hard bop. Considerado um dos saxofonistas mais hábeis em tempos rápidos, sua imaginação melódica está à altura desse extraordijnário domínio técnico do instrumento....”
Johnny Griffin sempre acreditou que “tocar para o público” (essencial) e “gravar em estúdio” (condição comercial) constituiam a mais elaborada universidade para o JAZZ: “....os músicos de hoje saem das universidades, de Berkeley, conhecedores de um mundo fantástico de técnicas e habilidades para ler e para praticar; quando me profissionalizei, mesmo sendo músico, aprendí com Eddie “Lockjaw” Davis, Dexter Gordon, Wardell Gray, gente que me ensinou JAZZ - que não se aprende na escola - mas tocando em público, na rua, em praças, em clubes esfumaçados, em “big.bands”, interagindo com outros músicos, com uma audiência que te crie personalidade musical e te faça criar, que te faça sair para fora de tí mesmo pelas vibrações que emite; prefiro ver pessoas a ver microfones em estúdios de gravação; os jovens saem da escola de música instruidos da mesma maneira, com um “padrão”, o que não é bom para eles e nem para o JAZZ; a situação deles se torna ainda mais restrita, porque atualmente os espaços para viver o JAZZ foram rareando, já que quando fui para a Europa em 1963 tínhamos clubes do Harlem até o Brooklin, enquanto que hoje são 04 ou 05 clubes, o que significa que esse músicos tecnicamente maravilhosos não têm onde tocar, o que é uma pena....
Sem concessões comerciais e como músico de JAZZ na mais perfeita acepção do gênero, Johnny Griffin, o “Little Giant”, o “Jazz Giant”, é citado em mais de 100 (cem) obras escritas sobre o JAZZ - enciclopédias, biografias etc – deixando-nos extenso e precioso legado da mais alta qualidade que, com certeza, atravessará gerações culturais.
Segue em
(B) BIBLIOGRAFIA, (C) FILMOGRAFIA e (D) DISCOGRAFIA

Um comentário:

John Lester disse...

Mestre Apóstolo,

Good Job!