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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

JOBIM BY HERSCH

17 agosto 2009


Aos 53 anos, Fred Hersch (Cincinnati, OH) é um dos pianistas mais atuantes na seara do jazz contemporâneo, principalmente a partir do final da década de 70, quando se mudou para Nova Iorque e passou a acompanhar músicos como Stan Getz, Joe Henderson, Lee Konitz e Charlie Haden. Seu estilo, fortemente influenciado por Bill Evans, foi ganhando contornos próprios – optou por trabalhos solos, geralmente ao vivo; isso inclui um belíssimo CD de 2006 ao lado da ótima vocalista Nancy King. Em 1986, flagrado em exame positivo de HIV, resolveu também dar aulas de piano jazz em várias escolas da “big apple”, sem abandonar os estúdios. E seu mais recente álbum investiga a obra de Antônio Carlos Jobim, novamente em trabalho solo. Fred Hersch Plays Jobim foi lançado em 28 de julho pela Sunnyside.
Avaliar um jazzista a partir de temas conhecidos é tarefa cômoda. Os chamados standards, quando regravados, necessitam de um tempero novo, diferente, como uma reconstrução. Não se deve repetir as harmonias surradas que caracterizam esse tipo de repertorio em versões anteriores. Caso contrário, melhor não sair de casa. Herbie Hancock, por exemplo, é um dos mais criativos “reconstrutores”. E Hersch, com os temas de Jobim, deu igualmente um bom recado. Claro que as características harmônicas do autor foram parcialmente respeitadas. Normal, em se tratando de música brasileira para um jazzista norte-americano. Ken Dryden, do AMG, sapecou @@@@1/2 no disco. Não sei se chega a tanto. Mas para os amantes da música de Jobim e para os que, como eu, são apaixonados por piano, o CD é bem recomendável.
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Fred Hersch Plays Jobim – Sunnyside Records (2009)

01. Por Toda Minha Vida
02. O Grande Amor
03. Luiza
04. Meditação
05. Insensatez
06. Brigas Nunca Mais
07. Modinha/Olha Maria
08. Desafinado
09. Corcovado

Fred Hersch – piano
Jamey Haddad – percussion (#6)
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Som na caixa – Insensatez
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8 comentários:

Tenencio disse...

Colega,
Hersh é sempre uma otima recomendação. Conheço bem os CDs dele dedicados a Monk e Billy Strayhorn,acho sensacionais.
E um disco de pianista recomendado por voce com certeza merece pelo menos uma conferida. Não ouvi e ja gostei. Vou correr atras.
Obrigado pela dica.
Abraço

Paulo Macedo disse...

Prezado JoFlavio,

Obrigado pela preciosa dica.

Aproveito e deixo outra dica (que já foi comentada aqui no blog eque você já deve conhecer) de um excelente álbum com temas de Jobim executados por um pianista 'da pesada': Falando em Amor, com Stefano Bollani.

Abraços,

Paulo

edú disse...

Hersch tb tem um trabalho na forma de piano solo dedicado ao compositor Cole Porter num dos três cds de sua trilogia – numa caixa apenas – chamada Songs Without Words(2001).

Palmeira disse...

Olá. Como vão todos ? Valeu a indicação, JoFlavio. Anotada com destaque. Hersch & Tom não há a menor chance de ter erro. FH tem também um CD dedicado às canções de Rodgers e Hammerstein. Entre os discos dele que tenho, um dos preferidos é "The Fred Hersch Trio Plays ..." (Chesky, 94), com um repertório feito só de composições de jazzistas como Miles,Shorter, Monk, Dizzy, Duke, Hancock, Strayhorn, Ornette,Coltrane e Rollins, além de "Evanessence", homenagem a vocês sabem quem. Logo a primeira faixa, "Milestones", é extraordinária, aquele tema exposto pelos sopros em stacatto da versão original transformado em uma levada etérea, muito bonito. Gosto muito também em Fred Hersch do fato de que ele, ao mesmo tempo em que imprime uma marca muito forte e pessoal no que toca, não é um músico acomodado em formato único confortável. Gravou por exemplo em trio com Michael Moore (alto e clarinete) e Gerry Hemingway (extraordinário baterista e compositor,tocou no célebre quarteto de Anthony Braxton). O trio chamou-se Thirteen Ways,tenho um disco lindíssimo deles chamado "Focus" (Palmetto,1999). Recomendo fortemente aos interessados em jazz fora da faixa straight ahead / bop / standards, com forte e variado trabalho composicional, camerístico, bebendo em fontes tão diversas quanto Monk e Braxton,música clássica contemporânea e música latina, incluindo um surpreendente choro de Moore chamado "Fim de Inverno".

Palmeira disse...

Da época em que eu lia Down Beat assiduamente, lembro de uma entrevista com Fred Hersch (na verdade era um colóquio com outros pianistas) em que ele conta um história muito interessante. Achei a revista e vou tentar traduzir : "Quando cheguei a Nova York pela primeira vez, costumava ir ao Bradley's para ouvir Jimmy Rowles. Uma noite, ele tocou uma balada com Bob Cranshaw. Tão logo terminou a canção, começou outra balada. E continuou fazendo a mesma coisa. Após a quarta canção, ele podia ver que eu estava frustrado, à sua frente, esperando pelo "jazz". Então, ele inclinou-se em minha direção e disse : "Às vezes, gosto de simplesmente tocar as melodias". Aquilo foi uma boa lição para mim. Assim como uma cantora não precisa alterar todas as notas para ser uma cantora de jazz". Eis aí como os segredos do bom jazz, como uma magia secreta, vão se transmitindo de mestres a alunos que sabem ouvir e aprender, tornando-se novos mestres dedicados a transmitir a nós, outros mortais, as belezas que nascem dessa magia.

edú disse...

Caro sr.Palmeira,
sempre aprendo muito com suas intervenções.Segundo um amigo pianista de jazz - q forçosamente trabalha no circuito de cruzeiros pela sobrevivência financeira - é na condução de uma balada e q se releva a essência do músico.Jimmy Rowles dizia em 1978 ,na sua passagem por São Paulo para o primeiro e maior festival de jazz realizado no pais em todos os tempos, q o melhor pianista solo, na sua opinião, era George Shearing.Sempre precisamos ouvir os mestres.

edú disse...

Retificando: primeiro festival de jazz São Paulo/Montreux.

edú disse...

Retificação II - leia-se revela em lugar de releva.