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COLUNA DO LOC

05 janeiro 2009

JB, Caderno B, 4 de janeiro
Por Luiz Orlando Carneiro

O ‘new kid on the block’, em matéria de sax tenor, é Donny McCaslin, 42 anos feitos em novembro último. O reconhecimento tardio começou em 2004, como integrante da orquestra de Maria Schneider, por conta do seu magnífico solo de mais de cinco minutos em Bulería, soleá y rumba - um dos pontos culminantes do premiadíssimo CD Concert in the garden (Grammy de 2005 na categoria Grande Conjuntos de Jazz). No último pleito dos críticos da revista Downbeat (agosto) foi eleito a Estrela em ascensão do ano (à frente de Chris Potter e Eric Alexander que, a propósito, já são, há muito tempo, estrelas brilhantes no céu do jazz).

A crítica especializada, de um modo geral – na música ou no futebol – é bastante lenta no processo de promoção de um player de "talentoso" à condição de "craque". E este é o caso de McCaslin, que arrasou também no belíssimo álbum subseqüente de Schneider (Sky blue, particularmente em Cerulean skies), sem falar em suas atuações como sideman na Mingus Big Band e no quinteto do consagrado e hiperativo trompetista-cornetista Dave Douglas (CD duplo Live at the Jazz Standard, seleção do selo Greenleaf dos 12 sets gravados de 5 a 10 de dezembro de 2006 no clube nova-iorquino, disponíveis na íntegra, como Álbum MP3, pronto para ser baixado, arquivado ou fatiado em Cds, à vontade do fruguês).

O mesmo selo (de Douglas) lançou, recentemente, o disco cinco estrelas de McCaslin, fruto de uma sessão de fevereiro deste ano, em trio, com Jonathan Blake (bateria) e Hans Glawischnig (baixo) - músicos que também merecem atenção e audição redobradas. Trata-se de Recommended tools, faixa-título que se soma a outros oito originais do saxofonista, além de uma bela interpretação de Isfahan (Billy Strayhorn), que nos faz lembrar a versão do grande Joe Henderson (1937-2001), em duo com o baixista Christian McBride, do CD Lush life (Verve), de 1991.

Os estilos de Joe Henderson, John Coltrane e Sonny Rollins – este cada vez mais marcante – foram devidamente degustados e decantados por McCaslin, que deles faz uso como "ferramentas" ("tools") para construir os alicerces de seus devaneios bem livres, em "moods" variados, como se pode verificar nas vertiginosas e polirrítmicas faixa-título (7m52), The champion (5m40) e Excursion (4m09). Mesmo no tratamento de baladas, como em Late night gospel (6m37) - cujo tema lembra o desenho melódico da frase inicial da Sagração da primavera, de Stravinsky – e Margins of solitude (6m20), o saxofonista não se deixa aprisionar por nenhuma regra em matéria de fluência do tempo tempo.

Depois do vitorioso álbum In pursuit (Sunnyside), do ano passado, à frente de Antonio Sánchez (bateria) Scott Colley (baixo), Ben Monder (guitarra), David Binney (sax alto) e Pernell Saturnino (percussão), McCaslin quis tirar a prova dos 9 na corda bomba do trio sem o colchão harmônico do piano, do qual o paradigma histórico é o LP Way out West, de Sonny Rollins (1957). E saiu-se tão bem do desafio como Joshua Redman, que movimentou a cena jazzística, também no ano passado, com o excelente Back East (Nonesuch), em trios diferentes com os bateristas Ali Jackson, Brian Blade e Eric Harland, casados, respectivamente, com os baixistas Larry Grénadier, Chis McBride e Reuben Rogers.

A interação de McCaslin com Glawischnig e Blake é, data vênia, ainda mais intensa e arrojada – às vezes frenética - do que a obtida por Redman e suas seções rítimicas em Back East. O fraseado melódico do tenorista é sempre surpreendente e borbulhante como champagne brut. Vale a pena encomendar e fruir o novo álbum desse músico excepcional, da mesma geração e do mesmo quilate dos mais badalados Joshua Redman, Ravi Coltrane, David Sánchez e Eric Alexander.

Um comentário:

BraGil disse...

Na mosca!
Para se manter atualizado em relação ao Jazz, basta ler a coluna do LOC.
BraGil